Nova reportagem da Veja escancara o envolvimento do governo Lula com o banco Master
13/10/2026 às 17:37 Denúncias
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Faltando 12 dias para a eleição, o escândalo de corrupção do Banco Master irrompe o Palácio do Planalto e escancara o envolvimento do governo Lula. Confira:
Dados da Presidência da República mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro foi a pelo menos duas reuniões no Palácio do Planalto acompanhado de Júlio Cezar, o operador de propinas do grupo do ministro Alexandre Padilha nos fundos de pensão neste atual mandato de Lula. Na edição que está nas bancas, VEJA revela destalhes do relato do dono do Banco Master sobre como o petismo buscou liberar recursos de fundos de pensão, segundo o banqueiro, em troca de propina.
Os registros do Gabinete de Segurança Institucional do Planalto comprovam o que diz o banqueiro na proposta de delação rejeitada pela Polícia Federal e pela PGR e também batem com os dados encontrados pelos investigadores no celular do banqueiro.
O primeiro encontro citado no controle de acesso do Palácio do Planalto mostra que Vorcaro e Júlio se registraram na portaria do Planalto no mesmo minuto, às 14h33, do dia 1º de março de 2024.
Na proposta de delação em que trata do assunto, Vorcaro explica que esteve com Alexandre Padilha e Olavo Noleto e outros interlocutores nessa reunião.
“Nesse dia, estavam também o assessor Olavo, Fernando, o primo desse Olavo, e o próprio Júlio. Nessa conversa, Padilha mais ouviu do que falou, mas afirmou que ‘o que eu tratasse com Olavo seria como se eu estivesse tratando com o próprio Padilha”, diz Vorcaro.
Depois dessa conversa, Vorcaro diz que recebeu Júlio, Olavo e o primo dele para uma reunião reservada em Brasília. “Júlio, Olavo e seu primo foram em minha casa para uma conversa aberta: ‘só haveria um jeito de entrar na Previ, Petros e Postalis: mediante pagamento de propina também na ordem de 10% de tudo o que o banco captasse’”, diz.
Segundo Vorcaro, o plano era captar até 10 bilhões de reais nos cofres dos fundos de pensão de servidores da Caixa, do Banco do Brasil, da Petrobras e dos Correios. Em troca do lobby junto aos fundos, o grupo do ministro de Lula receberia 1 bilhão de reais em propina, ou 10% de tudo que o Master tirasse dos cofres dos fundos.
Na delação que tentou negociar com a PGR, o dono do Banco Master diz que Júlio pediu e recebeu um sinal de propina de 500.000 reais, quando o governo do presidente Lula autorizou formalmente o Master a operar nos fundos. A verba foi paga por meio de um contrato de fachada com outra empresa, segundo Vorcaro relatou na proposta de delação em que ofereceu aos investigadores até os “recibos de propina” dada ao petismo. A PF e a PGR, no entanto, descartaram investigar o caso por “falta de provas”.
O SEGUNDO ENCONTRO COM O “PESSOAL” NO PLANALTO
O controle de entrada da Presidência da República também cita que Daniel Vorcaro e o operador Júlio Cezar estiveram juntos no Palácio do Planalto no dia 3 de abril de 2024, uma quarta-feira. Os dois se registraram às 17h29.
As mensagens do celular de Daniel Vorcaro obtidas pela PF mostram que o dia do banqueiro foi movimentado em Brasília e que as articulações de agenda do dono do Master foram todas tocadas pelo lobista vinculado ao ministro de Lula.
“Na terça, você iria a Brasília para outras reuniões também, né?”, pergunta o operador ao banqueiro em 28 de março, dias antes das reuniões. “Não. Iria só para isso”, diz Vorcaro. “Tá. Quando puder me dá uma ligada”, diz o lobista, entendendo a importância e exclusividade da viagem do banheiro para a Capital Federal.
Dois dias depois, Vorcaro cobra resultados do operador do grupo do ministro Padilha: “Amigo, estou precisando confirmar as agendas na terça. Está ficando em cima”, diz o banqueiro. Na sequência, Vorcaro sugere que as agendas passassem para a quarta-feira, não mais na terça, e pede que “a turma” também o receba no mesmo dia: “Tenta marcar na quarta mesmo com a turma. Seria melhor pra mim.” O lobista responde prontamente: “Eu vou tentar tudo na quarta. Pode deixar”.
A combinação do lobista do Planalto vem no dia 1º de abril de 2024: “Daniel, após a reunião nossa na quarta vamos falar com o pessoal. Já deixa agenda aí pra isso. Pra ficar com tempo”, diz o operador.
Na proposta de delação que apresentou aos investigadores da PGR e da PF, Vorcaro relata que Júlio usava a palavra “pessoal” para ser referia o ministro de Lula e seu braço-direito no Planalto, o então secretário-executivo Olavo Noleto.
Na véspera da viagem de Vorcaro a Brasília, o operador do Planalto diz ao banqueiro que queria dar “opções ao pessoal finalizar” a provável agenda. “Daniel, que horas você chega em Brasília amanhã? Porque quero dar opção de antes e depois pro pessoal finalizar”.
Vorcaro informa que chegaria na Capital Federal por volta de 14h horas. “Já vou avisar”, diz o operador do grupo do ministro de Lula.
No dia da viagem de Vorcaro a Brasília, o celular mostra que o banqueiro desceu do avião e foi direto encontrar o operador do Planalto e Vorcaro na sede do Postalis, o fundo de pensão dos servidores dos Correios. Uma tabela do Banco Master encontrada pela PF no celular do banqueiro mostra que o plano, com a aquela reunião, era tirar pelo menos 500 milhões de reais dos cofres do fundo dos servidores usando papeis podres para isso.
Quando o banqueiro chega ao escritório do Postalis, o operador, como um bom concierge do banqueiro, já estava esperando. “Tô aqui na sala esperando você. Pode subir”.
Os registros do Planalto mostram que, depois dessa reunião no Postalis, Júlio levou Vorcaro diretamente ao Planalto para a reunião com o “pessoal”.
Os dados do celular do banqueiro mostram que Padilha teria, dias depois desse encontro, participado de um jantar na casa de Vorcaro. Júlio, além de levar o dono do Master ao Planalto, buscava colocar Vorcaro, com direito a tapete vermelho, “na boca do gol” de outros fundos como a Petros e o Banco do Brasil, como mostra um áudio revelado por VEJA.
A INFLUÊNCIA DE ALEXANDRE PADILHA NOS FUNDOS
Naqueles dias, a influência de Alexandre Padilha no fundo dos servidores dos Correios, assim com em outras instituições do tipo, era notória no palácio.
Meses depois desse encontro, quando o então presidente do fundo da Caixa precisou ser substituído, o ministro Padilha indicou para a presidência da Funcef o próprio chefe de gabinete dele Richard Back.
Mensagens encontradas pela PF no celular de Daniel Vorcaro, mostram que o banqueiro conheceu Back ainda em 2023, quando teve um encontro no Palácio do Planalto – também registrado na lista de presença da Presidência — com o chefe de gabinete do ministro para tratar de outros investimentos.
Nessa reunião, o lobista do Planalto não estava presente, porque, como revelou VEJA, ele só viria a conhecer Vorcaro em março, depois de o grupo de Padilha interceptar uma tentativa de reunião do banqueiro na Petros, o fundo de pensão de servidores da Petrobras – como revelou o Radar na semana passada.
Além dessas visitas de Vorcaro ao Planalto, acompanhado do operador de propinas do grupo de Padilha, o banqueiro esteve com Lula em dezembro de 2024. O encontro, no entanto, não foi registrado na portaria da Presidência.
As mensagens do celular de Vorcaro também mostram que o gabinete de Padilha tentou agendar uma reunião do dono do Master com Lula em outubro daquele ano, depois de o banqueiro ter recebido Padilha num jantar em Brasília.
Vorcaro explica, em sua proposta de delação, que o esquema nos fundos avançou, com diferentes reuniões e negócios acertados com os dirigentes dessas instituições — todos indicados pelo petismo –, mas que tudo ruiu quando o primeiro caso se transformou num escândalo na imprensa.
Na primeira tentativa do Master de empurrar 500 milhões de reais em letras financeiras na Caixa Econômica Federal, a operação vazou para o jornal O Globo. A jornalista Malu Gaspar noticiou, em 12 de julho de 2024, que dois gerentes da Caixa haviam sido destituídos de seus cargos, após emitirem parecer contra a operação de Vorcaro e do grupo de Padilha.
“Com as matérias difundidas na imprensa em julho de 2024 sobre a suposta perda de cargo de gestores da Caixa Asset que teriam sido contrários ao investimento em LFs do Banco Master, o grupo de Padilha e os dirigentes da Petros, Postalis e BB preferiram segurar a decisão de fazer o investimento”, diz Vorcaro num anexo.
O grupo de Padilha, segundo o dono do Master, chegou a receber propina de 6 milhões de reais por ajudar o Master a captar recursos num fundo municipal. O banqueiro quer contar essas histórias e apresentar as provas que tem dos crimes que denuncia, mas a PGR e a PF até agora não toparam investigar o caso.
O Radar tentou fazer contato com Júlio Cezar por telefone, mas ele não retornou as ligações nem respondeu os contatos por escrito. O ministro Alexandre Padilha divulgou nota, na semana passada, refutando as acusações do banqueiro Daniel Vorcaro. O mesmo foi feito por Olavo Noleto, que também negou qualquer envolvimento em irregularidades. As manifestações deles podem ser vistas nesta reportagem.








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