Em matéria de combate à criminalidade, o Japão pode dar aulas magnas ao Brasil

Guarda usa máscara e preso não pode levantar a cabeça
Carlos Newton
Tenho um amigo, meu vizinho aqui no Edifício Zacatecas, que é grande admirador do Japão e da sabedoria de seu povo. Todo ano, o jornalista e escritor Arthur Dapieve faz a longa viagem para passar as férias do outro lado do mundo. Sempre penso nele quando escrevo sobre o Japão, um país verdadeiramente admirável e que deveria servir de exemplo ao Brasil.
Arrasado pelos longos anos da Segunda Guerra e atingido por duas bombas atômicas, o país que inventou os mísseis humanos kamikazes teve de se render. E o mais importnte foi que os Estados Unidos tiveram a grandeza de comandar a reconstrução do inimigo.
MACARTHUR – Na condição de comandante supremo das Forças Aliadas, o general Douglas MacArthur liderou a ocupação entre 1945 e 1951, transformando o país numa democracia monárquica parlamentar, com voto universal.
Ao mesmo tempo, extinguiu o exército japonês e baniu o país de travar guerras, implantou a reforma agrária, distribuiu terras aos camponeses e desfez os grandes monopólios comerciais (zaibatsu).
A disciplina e os costumes orientais ajudaram muito, é claro, e o Japão foi se modernizando e investindo na industrialização do país, e passou a produzir cópias de produtos tão perfeitas que chegavam a suplantar os originais do Ocidente.
UMA POTÊNCIA – O resultado da obra iniciada por MacArthur é impressionante. Embora seja um país insular, com território de apenas 378 mil km², com a 12ª maior população, o Japão tornou-se a quarta potência econômica mundial.
Deveria servir de exemplo ao Brasil, em todos os sentidos, sobretudo em segurança. Para enfrentar o crime organizada da Yakuza, o Japão reformou as leis penais, reestruturou os presídios e passou a tratar os criminosos com muita severidade.
Nas penitenciárias, todos os funcionários e guardas usam máscaras cirúrgicas para não serem reconhecidos e evitar pressões/cooptações pelas facções criminosas. Por isso, os presos não podem olhar para cima, se o fizerem, pegam solitária. Nas ruas, também é comum os policiais usarem máscaras cirúrgicas,
NÃO HÁ GORDOS – Detalhe interessante: no Japão, não existem cantinas nas prisões e não há obesidade nos presos, porque a alimentação deles é calculada para que se mantenham saudáveis, a dieta não passa disso.
Enquanto isso, no Brasil, a maioria das prisões estaduais tem cantina, entrega por delivery, refeições a la carte, salas de televisão e até motéis improvisados, como acontecia no Rio de Janeiro com o preso Sérgio Cabral, condenado a mais de 400 anos, mas logo solto para aproveitar o resto da fortuna amealhada.
Portanto, Arthur Dapieve tem razão. Há muitos motivos para admirarmos o Japão, que gosta de samba e de bossa-nova. Por exemplo, lá não existem penduricalhos no Judiciário. Pelo contrário. Os salários dos magistrados são tão baixos que os Tribunais mantêm alojamentos (tipo quitinete) para hospedar os juízes mais necessitados.
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P.S. 1 – As diferenças para o Brasil são enormes. Lá não é preciso fazer o curso de Direito para ser advogado. Basta passar no exame da Ordem, que é muito rigoroso. Se for aprovado, o não-acadêmico pode tornar-se também promotor ou juiz, e fazer carreira na magistratura até a Suprema Corte.
P.S. 2 – Detalhe final: é muito difícil um réu criminal ser absolvido na Justiça japonesa. O índice de condenação é de 99,9%, acredite se quiser. O motivo desse exagero é que os promotores só processam os suspeitos se houver provas contundentes de culpa. Quando a Polícia não apresenta essas provas cabais, o promotor prefere arquivar o caso, para que não ocorra erro judiciário. Enquanto isso no Brasil… (C.N.)





