terça-feira, 3 de novembro de 2026

 

Decisões arbitrárias | Por Luiz Holanda

No Brasil, atualmente, as manchetes são as críticas diante das decisões de alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), entre eles Alexandre de Moraes e Flávio Dino, tidas como inconstitucionais, arbitrárias, ilegais e abusivas. As de Moraes afligem todas as regras do direito, como a apreensão dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro logo após o término das eleições. Isso só fez aumentar ainda mais a crise institucional pela qual passa o país. Dizer que o senador apresentava risco de fuga simplesmente porque seu irmão, Eduardo Bolsonaro, declarou que ele deveria deixar o país caso perdesse a eleição é simplesmente um absurdo. Uma decisão desse tipo exige a demonstração de atos concretos do próprio investigado, e não uma simples declaração de uma terceira pessoa sem apresentar qualquer indício concreto de que isso ocorreria.

Na avaliação do ministro aposentado Marco Aurélio Mello, ex-presidente do STF, a retenção dos passaportes de um senador restringe sua liberdade de ir e vir. “Portanto, vejo como uma extravagância essa medida tomada em etapa inicial da apuração, em relação a um ex-candidato à Presidência da República, que teve o nome sufragado por milhões de eleitores”. Outro ato ilegal e arbitrário de Moraes foi a presença de agentes da PF na sede do Partido Liberal-PL logo após o segundo turno das Eleições para apurar suspeitas sobre o paradeiro de Flávio Bolsonaro.

Uma decisão que também surpreendeu o país foi a do ministro Flávio Dino, determinando a abertura de um inquérito na Polícia Federal para investigar possíveis irregularidades na campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. A decisão foi proferida no âmbito de uma ação de Arguição de Descumprimento de Preceito fundamental ADPF) 1,178, originalmente aberta em razão do desastre de Mariana, em Minas Gerais. Uma aberração jurídica. A medida gerou divergências sobre a sua fundamentação legal e as motivações envolvidas, pois o ministro utilizou uma ação preexistente focada em litígios de mineração no exterior para viabilizar a abertura imediata da investigação penal logo após o segundo turno das eleições. Isso configurou para a oposição uma perseguição política e uma tentativa de “terceiro turno” jurídico, já que questões eleitorais deveriam tramitar exclusivamente na Justiça Eleitoral. A defesa de Flávio Bolsonaro já havia, inclusive, solicitado anteriormente a suspeição de Dino em casos que envolvessem o cenário eleitoral. A crítica sobre a constitucionalidade e os limites dessa decisão se deu porque a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) é um instrumento de controle concentrado de constitucionalidade, destinado a evitar ou reparar lesão a preceito fundamental resultante de ato do Poder Público, jamais podendo ser usada para abertura de inquéritos criminais individuais e investigações policiais sobre campanhas específicas.

Outra decisão absurda foi a prorrogação do horário da votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula. Até o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Kassio Nunes Marques, reclamou dessa decisão ao ministro Edson Fachin, presidente da Corte. Sua preocupação com as interferências dos ministros do Supremo nas decisões do TSE exprimia o receio de uma “indevida sobreposição de competência”. A reclamação deu em nada, pois Fachin é um magistrado fraco e sem força para contestar as decisões de Dino, de Moraes e de Cristiano Zanin, e muito menos as de Gilmar Mendes.

Nunes Marques afirmou que episódios repetidos de violação ao princípio do juiz natural afetavam diretamente a condução da eleição. Segundo ele, a decisão de um único ministro do Supremo passou a valer também para outras publicações, que nem chegaram a ser identificadas no processo. Para Marques, a conduta desorganizou a divisão de competências da Justiça Eleitoral e enfraqueceu o comando único sobre a eleição. Decisões individuais de ministros do STF alteraram regras da disputa na reta final das campanhas de forma não prevista na legislação. Episódios como a determinação de inclusão de candidatos em debates televisivos e a suspensão de conteúdos em redes sociais sob a justificativa de combate a fake news foram vistos como medidas que quebraram a neutralidade da Justiça Eleitoral, favorecendo alguns candidatos e prejudicando outros. A mudança brusca da jurisprudência atropelou os ritos processuais utilizados e a estabilidade das normas, gerando desconfiança e confusão nas eleições. Para piorar, Trump afirmou que a eleição “parece fraudada”, frase que assustou e causou alvoroço no Planalto. Para a oposição -e para a imprensa independente-, essas esdrúxulas decisões vieram depois da fala de Lula na Band, quando disse que o senador teria problema se perdesse a eleição, pois perderia também a imunidade parlamentar. Daí a fuga, pois se ficasse seria preso.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

 

Gen. Villas Boas causou essa grave crise, ao “inventar” Jair Bolsonaro em 2018

General Villas Boas ocupará cargo no governo Bolsonaro | VEJA

Sonho do general com a volta dos militares era pesadelo

Carlos Newton

Os militares adoram o poder, mas se recolheram aos quartéis e sumiram do mapa político devido ao fracasso da ditadura de 1964, que começou bem, ao fomentar o chamado “milagre brasileiro”, que transformou o Brasil no país de maior desenvolvimento econômico no século 20, mas depois se tornou um retumbante fracasso, com inflação descontrolada e moratória na dívida externa.

Essa passividade militar durou até 2015, no governo Dilma Rousseff, quando a então presidente nomeou o general Eduardo Villas Boas para o comando do Exército.

LINHA DURA – Villas Boas era um dos oficiais que jamais se conformaram com a devolução do poder aos civis, e decidiu assumir uma posição pró-ativa. O primeiro passo foi mandar a inteligência do Exército pesquisar se havia brasileiros saudosos do regime militar. E o resultado foi positivo.

A pesquisa mostrou que expressiva parcela de cidadãos estava disposta a votar num candidato militar que pudesse colocar ordem na atividade política, diminuir a corrupção etc. e tal.

De posse dessas informações, o comandante do Exército chegou à conclusão de que poderia utilizar a experiência de um militar na política, o capitão Jair Bolsonaro, que já estava no quinto mandato de deputado federal. Villas Boas convocou uma reunião com ele e o instruiu a lançar sua candidatura à Presidência, dizendo que as Forças Armadas iriam apoiá-lo com força total.

AVALIAÇÃO CORRETA – O general Villas Boas acertara em cheio a sua avaliação. Estávamos no apogeu da Lava Jato e a candidatura de Bolsonaro para pôr fim à corrupção logo ganhou apoio. Contraditoriamente, a corrupção era justamente uma especialidade secreta do deputado, já enriquecido ilicitamente com as rachadinhas e os negócios imobiliários em dinheiro vivo, mas o comandante do Exército não sabia nada disso, nem dava importância.

Quando essas peculiaridades vieram a público, mesmo assim Villas Boas não esmoreceu e continuou incentivando Bolsonaro. Houve então o atentado a faca, até hoje muito mal explicado, e Bolsonaro chegou ao poder nas urnas.

Simultaneamente, Villas Boas limpara o nome de Bolsonaro, dando por concluído o curso dele na Academia Militar das Agulhas Negras, e ainda lhe concedeu a Medalha do Pacificador, maior honraria do Exército, vejam bem a que ponto de desfaçatez a política pode levar.

CONTRATAÇÃO – A essa altura, o general já estava com a gravíssima doença Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA). Mesmo assim, Bolsonaro o contratou para supostamente trabalhar no Gabinete de Segurança Institucional, mas o objetivo era que o general continuasse morando no Comando Militar, onde recebia assistência médica permanente e gratuita.

A doença do general e as maluquices de Bolsonaro e dos filhos na trama do golpe jogaram no lixo o sonho militar de voltar ao poder, e assim Lula conseguiu se reeleger, apesar da rejeição cada vez maior a ele e ao PT.  

Flávio Bolsonaro perdeu a eleição, mas nada mudou. A família é tão despreparada e alucinada que continua acreditando em golpe militar, com ajuda de Donald Trump, Tio Patinhas, Homem-Aranha e Mulher-Maravilha, sem que nenhum parente ou amigo chame a ambulância psiquiátrica para internar essa gente.

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P.S.
– Em meio ao festival de besteiras que hoje caracteriza o noticiário político, surge a informação de que Lula vai substituir os comandantes militares. Para quê? Ora, para nada… Na verdade, Lula é tão despreparado quanto Bolsonaro. Até hoje, aos 81 anos, o petista ainda não descobriu que não se mexe em time que está ganhando. É desanimador. (C.N.)


 

Ataque dos EUA à ilha de Qeshm foi resposta a Teerã, diz imprensa norte-americana

Navios de carga navegando entre o porto iraniano de Bandar Abbas e a ilha de Qeshm no golfo Pérsico - Sputnik Brasil, 1920, 03.11.2026
Diversos veículos da imprensa dos Estados Unidos afirmaram que os militares norte-americanos realizaram um ataque à ilha de Qeshm, no sul do Irã, em resposta a um ataque efetuado por Teerã.
Na segunda-feira (2), a emissora Press TV noticiou que explosões haviam sido ouvidas na ilha de Qeshm. O The Wall Street Journal afirmou que as Forças Armadas dos EUA estavam por trás do incidente, observando que elas vinham realizando ataques secretos de menor escala contra a República Islâmica nas últimas semanas.
"Essa foi uma medida defensiva contra os iranianos que usavam mísseis terra-ar contra alvos norte-americanos", disse a jornalista Kelli Meyer, da NewsNation, citando um funcionário dos EUA não identificado no X.
Putin, Xi Jinping e Donald Trump no mesmo lugar. - Sputnik Brasil, 1920, 27.10.2026
Operação militar especial russa
Kiev terá que fazer concessões após reunião de Putin, Trump e Xi, sobre questão ucraniana, diz general
A jornalista da Fox News, Jennifer Griffin, também confirmou essa informação. Já o jornalista Barak Ravid, da Axios, relatou que um caça norte-americano atacou lançadores de mísseis na ilha em resposta a uma suposta tentativa do Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) de disparar contra uma aeronave norte-americana que sobrevoava o estreito de Ormuz vinda de Qeshm.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil

 

Chanceler decorativo já entra na lista de ministros que devem rodar em reforma de Lula

Lula (PT) e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. (Foto: Marcelo Camargo/ABr).

Chamado até de chanceler de enfeite, já que é Celso Amorim, assessor especial para assuntos internacionais, que aluga os ouvidos de Lula quando o presidente quer saber sobre política externa, Mauro Vieira tem grandes chances de deixar o posto de ministro das Relações Exteriores segundo apostas de auxiliares próximos a Lula. Um dos cotados para o posto é até o ex-ministro da Fazenda e derrotado na eleição para governador de São Paulo Fernando Haddad (PT), deslocado no governo.

Ioiô

O nome de Haddad já foi ventilado para Casa Civil e até uma eventual volta ao Ministério da Fazenda. Poucas chances para ambos os casos.

Mais gente

Em alta está o embaixador André Corrêa do Lago, que assumiu a bucha de presidir a COP30, conferência do clima da ONU em Belém (PA).

Segue a lista

Maurício Lyrio é outro que pode ascender no Itamaraty. Atuou no tarifaço contra o Brasil e tem um “diferencial” que conta: é próximo de Amorim.

Na disputa

Pelas beiradas ainda tem Maria Luiza Viotti, atual embaixadora do Brasil em Washington (EUA), mas a crise com os EUA complica o caso dela.

Deputado Hugo Motta (Republicanos-PB) - (Foto: Marina Ramos/Camara dos Deputados)

PT quer isolar PL do blocão para reeleger Motta

O PT não pretende retirar o apoio à reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) para presidente da Câmara dos Deputados, mas, o partido captou movimentos de aproximação do PL com o deputado e já deixaram claro ao parlamentar que não pretende compor o mesmo bloco que os liberais. O chilique petista diverge da eleição de 2025, quando os dois partidos declararam apoio a Motta. A diferença agora é que um dos articuladores da vitória, Arthur Lira (PP-AL), agora é senador.

Potência liberal

Motta aglutina partidos de centro que tentam podar o poder do PL, com folga a maior bancada da Câmara, com 121 deputados.

Leva tudo

Com a gigante bancada, o PL, se estiver no bloco vencedor, fatura os melhores lugares na Mesa Diretora e as melhores comissões da Casa.

Em jogo

Sem o PL, o PT e sua federação, que soma ainda PCdoB e PV, fica com a maior bancada e força, são 88 deputados. União Progressistas tem 87.

Poder sem Pudor

Sinal de poder

Eleito governador de Minas Gerais, Tancredo Neves lembrou que precisava arrumar um cargo importante para um amigo de todas as horas, Feliciano Libânio da Silveira, o Sanico, hoteleiro em Alfenas. Procurou-o: “O que você deseja no meu governo, Sanico?”, perguntou. “Só uma coisa, Tancredo: quando você for anunciar o secretariado, sala lotada de jornalistas e de políticos, me chame na frente de todo mundo e cochiche qualquer coisa no meu ouvido...”. Sanico sabia que os sinais podiam ser mais importantes que os cargos.

Ônus da prova

Quando afirma que Flávio Bolsonaro deve ficar e “provar sua inocência”, mas deveria saber que o ônus da prova é da acusação. Como no seu caso, quando as provas da Lava Jato o condenaram à prisão.

Só papo furado

Carlos Jordy (PL-RJ) não engoliu a tal oferta de indulto a Jair Bolsonaro defendida agora por Davi Alcolumbre, que tenta se reeleger presidente do Senado: “Tem quer ser muito otário para cair nessa conversa fiada”.

Calote em alta

Hélio Lopes não perdoou o aumento da inadimplência das famílias e resumiu o governo Lula: “Esse desgoverno só conquistou recordes negativos para o país e está deixando o povo cada vez mais pobre.”

Aroma de pizza

Rogério Marinho reagiu à perícia que identificou 999 itens alterados no celular, após a prisão de Daniel Vorcaro: “Cheiro de pizza no ar. Foi só passar as eleições e eles estão fazendo de tudo para liberar os amigos”.

Frase do dia----------“Ou o ajuste aparece no orçamento, ou aparece no seu bolso”

Caio Zylbersztajn, economista e sócio da Nord Wealth, e o desequilíbrio fiscal no Brasil

Fraco resultado

A deputada Adriana Ventura (Novo-SP) diz que ainda não consegue descrever o sentimento após as eleições e cobra reação: “Precisamos seguir lutando, não dá mais para aceitar tanta promiscuidade”.

Sem saída

Eduardo Girão (Novo-CE) suspeita que aliados de Lula preparavam terreno para anular a eleição em caso de derrota. Lembrou dos ônibus adesivados pelo PT na Bahia e de artistas pedindo prorrogação do voto.

Maior imposto do mundo

Luciano Hang, da Havan, se diz preocupado com a tal “reforma” tributária de Lula e alerta que o imposto total pode chegar a 30%: “Se confirmado, o Brasil poderá ter a maior alíquota-padrão de IVA do mundo”.

As ilegais continuam

O ministro Fux fará audiência pública hoje (3) sobre as bets. Enquanto as empresas legalizadas seguem fora do ar. O IBJR calcula que o mercado clandestino pode ganhar R$ 28,1 bilhões por ano.

Pergunta no Itamaraty

O próximo chanceler também será só para enfeite?