terça-feira, 2 de junho de 2026

 

Senado reage contra família de Moraes em defesa de relator da CPI do Crime Organizado

A advocacia do Senado Federal assumiu a defesa do relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira, contra ação movida pela esposa e filhos do ministro Alexandre de Moraes.

Em resposta ao pedido de indenização apresentado pela família de Moraes, a Casa sustentou que as declarações do emedebista estão protegidas pela imunidade parlamentar. Em parecer de 27 páginas, quatro advogados do Senado afirmam que as declarações questionadas foram feitas no contexto dos trabalhos da CPI do Crime Organizado, da qual Vieira foi relator, e, por isso, estariam amparadas pela prerrogativa constitucional conferida aos parlamentares.

Por outro lado, o tal contrato de R$ 129 milhões permanece sem nenhuma explicação.

 

Sem decolar, Caiado e Zema indicam possibilidade de unir forças

Caiado e Zema decolaram logo na primeira pesquisa

Carlos Newton

Chega a ser inacreditável. Na quarta-feira, dia 27, os presidenciáveis Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) se reuniram em São Paulo e anunciaram um acordo inicial para formar uma chapa conjunta no início de agosto. Assim, quem estiver à frente nas pesquisas sairá para presidente e o outro disputara como vice na coalizão.

Foi o que bastou. Dois dias depois, a pesquisa RealTime Big Data saiu em campo e ouviu 2 mil pessoas na sexta e no sábado. O resultado do levantamento é impressionante, porque indica uma forte tendência contra a polarização que caracteriza a política brasileiros nos últimos anos.

SEGUNDO TURNO – O resultado do primeiro turno não trouxe maiores novidades. Nas projeções de 1º turno, o presidente Lula da Silva, pré-candidato do PT, Lula tem 38% e Flávio Bolsonaro 31%, e os demais candidatos ficam com 6%, no máximo.

No entanto, quando as entrevistas passaram a indagar sobre o segundo turno, o quadro mudou de forma surpreendente. Embora as projeções continuem mostrando que Lula tem 45% contra 40% do senador Flávio Bolsonaro, o cenário é outro contra os presidenciáveis do PSD e do Novo.

A pesquisa RealTime Big Data mostra que Lula e Caiado aparecem empatados com 43% cada. Contra Romeu Zema, há empate técnico, dentro da margem de erro, com Lula pontuando 43% e Zema 40%.

TERCEIRA VIA – O resultado é mesmo auspicioso. Demonstra que grande parte do eleitorado já cansou da polarização e anseia por uma terceira via, seja lá qual for. Mostra também que o ex-presidente Jair Bolsonaro cometeu um erro brutal ao indicar o próprio filho, ao invés de apoiar o governador Tarcísio de Freitas, que venceria facilmente a eleição.

Como diria Helio Fernandes, o cidadão-contribuinte-eleitor não aguenta mais ser levado a escolher o menor pior entre petistas e bolsonaristas. O caminho preferido é escolher governantes com menos radicalismo político e mais experiência administrativa, para conduzir a reforma dos Três Poderes, que estão levando o país à exaustão.

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P.S. 1
Divulgada nesta segunda-feira, dia 1º, a pesquisa RealTime Big Data foi um balde da água gelada no entusiasmo dos petistas, que consideram Flávio Bolsonaro um candidato mais fácil de derrotar. Tudo indica que Rolando Caiado e Romeu Zema (ou vice-versa) têm condições de crescer muito, pois ainda faltam quatro meses para o primeiro turno das eleições.

P.S. 2 – A pesquisa estourou como uma bomba também no PSD, cujo presidente Gilberto Kassab não quer ganhar a eleição e fará o possível para boicotar a chapa com o Novo. Kassab se considera dono do partido. Ele teme que Caiado se fortaleça a ponto de comandar o PSD e mandá-lo procurar sua turma. (C.N.) 

 

Por BBC

 

  • Imagens de satélite analisadas pela BBC revelam que ataques do Irã atingiram bases estratégicas em 8 países do Oriente Médio, gerando prejuízos milionários aos Estados Unidos.

  • Entre os equipamentos danificados estão 3 modernos sistemas antimísseis Thaad, avaliados em US$ 1 bilhão cada, localizados nos Emirados Árabes Unidos e na Jordânia.

  • O Pentágono estima em US$ 29 bilhões o custo da operação, que inclui a destruição ou dano de pelo menos 42 aeronaves militares desde fevereiro.

  • Com drones baratos, o Irã adotou ataques de alta precisão. Mojtaba Khamenei afirmou que o Oriente Médio já não é um "lugar seguro" para bases americanas.

Hangares danificados na base aérea Ali Al Salem, no Kuwait — Foto: BBC

Hangares danificados na base aérea Ali Al Salem, no Kuwait — Foto: BBC

Imagens de satélite e vídeos analisados pelo serviço de verificação da BBC, o BBC Verify, apontam que o Irã danificou 20 instalações militares americanas desde o início da guerra, o que sugere que os ataques foram mais extensos do que o governo americano admitia publicamente.

Desde o fim de fevereiro, o Irã atingiu instalações estratégicas em oito países do Oriente Médio, causando prejuízos de milhões de dólares a sistemas avançados de defesa aérea, aviões de reabastecimento e radares.

O Irã atacou tanto bases americanas quanto instalações militares compartilhadas em resposta aos bombardeios conduzidos pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e o Líbano nos últimos três meses. O Pentágono afirma ter atingido mais de 13 mil alvos iranianos desde o início da Operação Epic Fury ("Fúria Épica", em tradução livre).

Mojtaba Khamenei, atual líder supremo do Irã, destacou o sucesso dos ataques iranianos contra as instalações americanas. Em comunicado divulgado na semana passada, Khamenei afirmou que o Oriente Médio já não é um "lugar seguro" para as bases dos EUA.

Embora a Casa Branca tenha declarado repetidas vezes que as forças militares iranianas foram praticamente destruídas, analistas afirmam que os danos observados nas instalações americanas sugerem que os contra-ataques do Irã foram mais precisos e abrangentes do que as autoridades americanas admitiam até agora.

Um funcionário do Departamento de Defesa dos EUA se recusou a comentar as conclusões do BBC Verify, citando "razões de segurança operacional".

Ataques contra instalações dos EUA no Oriente Médio. — Foto: Elaboração BBC

Ataques contra instalações dos EUA no Oriente Médio. — Foto: Elaboração BBC

Os EUA também tentaram restringir análises por satélite do conflito ao pedir à Planet, uma das principais empresas do setor, que suspendesse por "tempo indeterminado" a divulgação de novas imagens do Irã e de grande parte do Oriente Médio. A empresa justificou a decisão afirmando que queria impedir que o material fosse usado "por atores adversários para atacar militares e civis de países aliados e parceiros da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte]".

O BBC Verify usou imagens de satélite de outros provedores internacionais, combinadas com registros mais antigos da Planet, para mapear os danos provocados pelos ataques iranianos. As instalações atingidas ficam na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos (EAU), Catar, Kuwait, Iraque, Jordânia, Bahrain e Omã. O número pode ser ainda maior: alguns analistas estimam que até 28 bases tenham sido alvo dos ataques iranianos.

Entre os equipamentos atingidos estavam três modernos sistemas antimísseis Thaad (Terminal High Altitude Area Defense, sistema de defesa aérea para grandes altitudes), instalados nas bases aéreas de Al Ruwais e Al Sader, nos Emirados Árabes Unidos, e na base aérea Muwaffaq Salti, na Jordânia.

Os EUA possuem apenas oito baterias Thaad conhecidas em operação, distribuídas em bases ao redor do mundo. Cada unidade custa cerca de US$ 1 bilhão (aproximadamente R$ 5,4 bilhões) para ser produzida.

Cada bateria exige uma equipe de cerca de 100 militares para operá-la, enquanto cada míssil interceptor disparado pelo sistema custa em torno de US$ 12,7 milhões (cerca de R$ 68,5 milhões).

Bateria Thaad danificada na base aérea de Al Ruwais, nos Emirados Árabes Unidos

O vice-almirante Mark Mellett, ex-chefe das Forças de Defesa da Irlanda, afirmou ao BBC Verify que essas baterias fazem parte do núcleo de uma rede regional de defesa "altamente complexa" e que não podem ser "substituídas de forma rápida nem simples".

Segundo análises de especialistas acerca dessas imagens de satélite, ataques iranianos também atingiram aviões americanos de reabastecimento e vigilância na base aérea Prince Sultan, na Arábia Saudita. Nas imagens, é possível ver aeronaves danificadas e crateras ainda com sinais de fumaça.

Um dos aviões foi identificado por um analista da empresa de inteligência Maiar como um E-3 Sentry, aeronave de vigilância. A imprensa americana informou que a substituição do equipamento poderia custar até US$ 700 milhões (cerca de R$ 3,8 bilhões).

Em outros pontos da região, ataques iranianos também atingiram a base aérea Ali Al Salem e o Campo Arifjan, no Kuwait. Analistas da Maiar identificaram depósitos de combustível destruídos, hangares de aeronaves danificados e alojamentos militares atingidos em imagens de satélite da base, alvo de vários ataques ao longo do conflito.

Já no Campo Arifjan, a empresa de inteligência militar Janes identificou danos extensos em equipamentos de comunicação via satélite.

A dimensão dos danos causados às instalações americanas ainda é difícil de medir. Mas uma estimativa divulgada pelo Pentágono em maio calculou o custo total da Operação Epic Fury em US$ 29 bilhões (cerca de R$ 156 bilhões), valor que, em grande parte, deve ser destinado à "reparação ou substituição de equipamentos" destruídos no conflito. Parlamentares democratas afirmam que o cálculo provavelmente está subestimado.

O relatório também concluiu que ao menos 42 aeronaves, entre elas caças F-15 e F-35, 24 drones MQ-9 Reaper e um avião de ataque A-10, foram destruídas ou danificadas desde fevereiro.

Em comparação com os equipamentos sofisticados e caros usados pelos militares americanos, o Irã teria recorrido a drones baratos e facilmente substituíveis nos ataques contra alvos no Oriente Médio.

Especialistas ouvidos pelo BBC Verify afirmaram que a estratégia iraniana evoluiu ao longo da guerra. O país deixou de lançar grandes ondas de mísseis contra cidades e bases militares da região e passou a realizar ataques mais precisos e direcionados.

"As primeiras ofensivas [do Irã] foram pensadas para ganhar volume, grandes ondas criadas para sobrecarregar os sistemas de defesa aérea e antimísseis pela quantidade", afirmou Kelly Grieco, analista do centro de estudos Stimson Center, nos EUA.

"Poucos dias depois, porém, o Irã passou a usar ataques menores e mais precisos, preservando os mísseis e drones restantes para alvos estratégicos específicos e concentrando ataques em pontos onde até impactos próximos já provocaram danos significativos."

Um analista da Maiar afirmou ao BBC Verify que os militares americanos "parecem ter demonstrado excesso de confiança no início da guerra" ao não retirarem aeronaves do alcance de drones e mísseis iranianos à medida que a estratégia do Irã evoluía.

Segundo ele, a base aérea Prince Sultan já havia sido alvo de ataques antes da destruição das aeronaves.

O líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, declarou que "os povos e os países da região não servirão mais de escudo para bases americanas" e acrescentou: "Os EUA não terão mais um lugar seguro na região para promover a desestabilização e instalar bases militares, e se afastarão cada vez mais da posição que ocupavam no passado."

As declarações ocorreram poucos dias antes de o cessar-fogo entre EUA e Irã voltar a dar sinais de desgaste. Na quinta-feira (28/5), a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou ter atacado uma base americana na região após novos bombardeios americanos contra o sul do Irã.

Grieco, do Stimson Center, alertou que, caso o frágil cessar-fogo entre os EUA e o Irã colapse e os confrontos sejam retomados, os danos já provocados às bases americanas indicam que instalações em toda a região do Golfo podem continuar vulneráveis.

"O conflito atual consumiu os estoques de defesa aérea dos EUA e de seus aliados em um ritmo significativo", afirmou Grieco.

"Não existe uma forma rápida de repor esses equipamentos. Isso significa que, em caso de uma nova ofensiva iraniana, haverá apenas uma fração dos mísseis interceptadores disponíveis no início da guerra."