terça-feira, 14 de abril de 2026

 

Ponto de vista: A Polícia Federal 

no combate à corrupção

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
14/04/2026 06:00
3 horas e 25 minutos

O sistema de segurança pública, instituído pela Constituição Federal de 1988, prevê quais os órgãos responsáveis pela atividade policial no país, cujas normas disciplinam a sua organização, deveres e funções. No âmbito da competência dos estados federados, cabem às polícias militares realizar o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública. Às polícias civis a realização das funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais, exceto as militares. As polícias militares são consideradas forças reservas e auxiliares do Exército, de caráter híbrido, pois, embora militar, é responsável pela realização do patrulhamento ostensivo, atividade que possui nítida natureza civil.

A Polícia Federal (PF) atua no combate ao crime organizado, focada na descapitalização financeira, prisão de lideranças e cooperação internacional para impedir as atividades das facções e milícias, apreendendo bens, veículos e valores das organizações criminosas. Sua atuação se baseia na Constituição Federal (Art. 144). Além do combate ao crime organizado, a PF, atualmente, vem investigando os crimes atribuídos aos membros do Poder Judiciário. Este, para se livrar das investigações, vem praticando uma das maiores performances de contorcionismo jurídico da história republicana, tentando criar situações que impeçam a investigação do comportamento de alguns ministros e magistrados.

Durante anos o Judiciário, notadamente o STF, ergueu o estandarte da "salvaguarda da democracia" e da “justiça” contra qualquer tentativa golpista, mas quando a investigação bate à porta dos luxuosos gabinetes de Brasília, a "defesa da democracia" ganha contornos suspeitamente convenientes. Quando o ex-presidente Jair Bolsonaro imaginou mudanças na chefia da Polícia Federal, foi um Deus nos acuda. A reação do Supremo foi imediata: "Golpe!"; "Ameaça institucional” bradaram os tribunais. Mexer na PF era uma interferência indevida, um atentado à sua autonomia investigativa. Na visão da toga, era o próprio pecado capital contra o Estado de Direito. Depois do caso Master a coisa mudou. Como esse fato pode abalar a República ao envolver em águas turvas conversas particulares e um DNA que carrega marcas digitais do governo e das mais altas autoridades do Judiciário, o negócio é blindar as autoridades envolvidas enquanto a PF está sob um comando que muitos consideram alinhado aos interesses do Planalto.

Segundo a imprensa, quando Bolsonaro queria mexer na PF era golpismo, mas quando o STF quer "ajustes institucionais" na corporação porque as investigações estão chegando aos seus quintais, é apenas uma "necessidade de reorganização". Se conseguirem seu intento, a autonomia da PF vai para o brejo. A justificativa para intervir é que a PF concentra "poder demais". A divulgação de que ministros como Gilmar Mendes, Toffoli e Alexandre de Moraes articulam a necessidade de "ajustes" na PF é uma estratégia bastante simples: se a investigação é perigosa, deslegitime o investigador; se o processo aponta crimes, a culpa é da "invasão de privacidade". O tweet recente de Gilmar Mendes, clamando contra a exposição de conversas privadas no caso do Banco Master, não é apenas um lamento por uma suposta ética violada; é o sinal de alerta para uma possível anulação global.

O terreno está sendo preparado. O ministro Alexandre de Moraes acaba de desenterrar a ADPF 919, protocolada pelos advogados do PT – Lenio Streck, André Trindade e Fabiano Santos, presidente dos Correios no governo Lula no tempo da Lava Jato. O objeto dessa ação é “fixar critérios” e coibir o “uso arbitrário” de acordos que violem garantias fundamentais. Ironicamente, Moraes usou as delações premiadas como espinha dorsal para condenar Jair Bolsonaro, militares, ex-ministros e manifestantes do 8 de janeiro – mas agora quer freios, principalmente depois das divulgações do caso envolvendo Vorcaro e o escritório de advocacia da esposa de Moraes, bem como de outras autoridades de Brasília.

A ação, parada por quase cinco anos, questiona a Lei 12.850/2013 e pede que delações sejam apenas “acessórias”, exigindo corroboração plena para valer como prova. Na ação, o PT alega condenações frágeis na Lava Jato, mas o timing de Moraes grita como mais um oportunismo para tentar desacreditar a delação de Daniel Vorcaro. A expectativa é que o banqueiro lobista detalhe os supostos esquemas de favorecimento dizendo tudo o que sabe, fez e conseguiu. A PF lidera o ranking de confiança entre os brasileiros, com 56% de aprovação, conforme pesquisa da AtlasIntel em parceria com o jornal O Estado de São Paulo. Sua atuação é exercida cono um “sacerdócio” para quem tem vocação em enfrentar os perigos e proteger o Brasil contra a corrupção. 

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

 

Alexandre Ramagem recebe primeiro voto no STF

Moraes destruiu irresponsavelmente a vida de Ramagen

Carlos Newton

Respeitado como um templo da justiça, que corrigia os erros judiciários cometidos em instâncias inferiores, o Supremo Tribunal Federal acabou se tornando uma instituição desmoralizada, na qual a maioria dos brasileiros não mais acredita.

A mais recente pesquisa AtlasIntel/Estadão, feita em março, indica que a desconfiança no STF atingiu 60%, o pior índice da série histórica, e apenas 34% dos brasileiros ainda demonstram confiar no mais importante tribunal do país.

DECISÃO POLÍTICA – O desgaste começou lá atrás, em 2019, quando a maioria dos membros do Supremo resolveu desprezar as leis e passar a reinterpretá-las, para conseguir soltar um criminoso chamado Lula da Silva.

Foi uma imensa vergonha internacional, pois o Brasil passou a ser o único país da ONU a deixar em liberdade os criminosos condenados em segunda instância colegiada, quando se esgota o exame do mérito da questão. E Lula já estava condenado em três instâncias, sempre por unanimidade.

Dois anos em seguida, outro vexame mundial. Uma nova “reinterpretação” limpou a ficha de Lula, para permitir sua candidatura, com uma justificativa patética, pois tornou o Brasil o único país a anular condenação sob alegação de “incompetência territorial absoluta” (julgamento por tribunal errado), uma possibilidade só existente em ações imobiliárias, jamais em processos criminais.  

EM QUEDA LIVRE – Assim, Lula conseguiu voltar ao poder e a derrocada do Supremo foi ganhando cada vez mais velocidade, como se estivesse em queda livre. Vieram a libertação de narcotraficantes, a proteção a réus amigos, os penduricalhos salariais, um verdadeiro festival.

Depois, ocorreu o inacreditável julgamento do 8 de Janeiro. Para aumentar artificialmente as penas, o relator Alexandre de Moraes duplicou crimes que são excludentes entre si, como “Abolição Violenta do Estado Democrático de Direito” (art. 359-L) e “Golpe de Estado” (art. 359-M). No caso, seria um crime ou o outro, jamais os dois somados.

Da mesma forma, Moraes duplicou outros d ois crimes – “Dano Qualificado” (art. 163) e “Deterioração de Patrimônio Tombado” (art. 62 da Lei nº 9.605. Também são crimes excludentes, porque só se pratica um deles, jamais os dois ao mesmo tempo.

QUADRILHA ARMADA? – Ainda insatisfeito com as duplicações de crimes, Moraes inventou  aplicar mais dois. Um deles foi “Associação Criminosa Armada” (Art. 288), embora os réus nem se conhecessem entre si, morassem em cidades diferentes etc., além de não ter sido usada ou apreendida nenhuma arma em poder deles.

Por fim, o criativo relator também arrolou “Incitação ao Crime” (Art. 286) para punir os atos realizados em frente ao QG do Exército.

Com isso, conseguiu prender e condenar a penas exageradíssimas cerca de 1,5 mil pessoas comuns, inclusive idosos e idosas, todas sem antecedentes criminais e sem haver provas individuais de terem cometido os delitos mencionados e acumulados, inclusive usando armas – à exceção, é claro, daquela bela cabeleireira que sacou o batom da bolsa para escrever “Perdeu, Mané!”.

CASO RAMAGEM – Agora, surge a notícia da prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem  nos Estados Unidos, pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Na matriz USA, eles não sabem que na filial Brazil o ex-parlamentar foi vítima de um dos maiores erros judiciários do Supremo, condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, abolição do estado de direito e organização criminosa armada.

Provas contra ele? Nenhuma, porque o então presidente da Abin (Associação Brasileira de Inteligência), uma espécie de CIA tropical, não participou da trama golpista. Motivo: em março de 2022 Ramagem pediu demissão do governo e se desligou, para ser candidato a deputado federal.

Durante as articulações do golpe, estava a mil quilômetros de distância de Brasília, porque voltara a morar no Rio, para dedicar-se à campanha eleitoral. Portanto, só poderia ter participado do golpe por telefone, e-mail ou sessão espírita, e isso nunca ficou provado.

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P.S. 1
 – Algum fã de Moraes pode alegar que Ramagem foi condenado a 16 anos por formar uma Abin Paralela. Mas isso é uma farsa, uma indiscutível Piada do Ano. Por que ele criaria uma Abin Paralela, se podia usar a Abin verdadeira? Onde estão as provas? Padre Quevedo encerraria a questão, dizendo: “Esse crime non ecziste”.

P.S. 2 – Realmente, não existe, porém Moraes o inventou. Com isso, destruiu irresponsavelmente a vida de Ramagem, tirou-lhe o mandato popular conquistado nas urnas, jogou no lixo sua impecável carreira de delegado federal, sem jamais receber sequer advertência, transformou num inferno a vida da família dele.

P.S. 3 – É um problema que deixa terríveis sequelas, especialmente nos filhos. Mas tem solução. Se os advogados de Ramagem entrarem com pedido de revisão criminal, último recurso a que ele tem direito, certamente conseguirão absolvê-lo na Segunda Turma do STF, que será encarregada do julgamento revisional, nos termos do Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é entusiástico signatário. Nem é preciso redigir um longo recurso; basta exigir as provas da condenação.

P.S. 4 – Quanto a Moraes, já está pagando aqui na Terra as perversidades cometidas apenas por vaidade e ambição. Ficou rico e famoso, mas sua vida não vale nada. (C.N.)

 

Contagem de votos no Peru chega a 70%; 

Fujimori permanece em 1º lugar

Disputa pelo segundo lugar segue acirrada para definir adversário em possível segundo turno

Da CNN em Espanhol

A apuração dos votos no Peru atingiu 70% na noite de segunda-feira (13), segundo dados do ONPE (Escritório Nacional de Processos Eleitorais), em um processo que continua avançando apesar das dificuldades logísticas enfrentadas no dia da eleição.

Keiko Fujimori permanece na liderança com 16,9% dos votos. No entanto, a disputa pelo segundo lugar continua em aberto e será crucial para determinar quem a acompanhará em um possível segundo turno. Nessa posição está o candidato da Renovação Popular, Rafael Bernardo López Aliaga Cazorla, com 13,1% dos votos. Ele é seguido pelo candidato do Partido Bom Governo, Jorge Nieto Montesinos, com 12%, enquanto o empresário Ricardo Pablo Belmont Cassinelli tem 9,9%.

A pequena diferença entre os candidatos nas posições seguintes mantém a disputa em aberto enquanto a contagem de votos continua.