domingo, 22 de fevereiro de 2026

 

Deltan entra com notícia-crime, afirma que presidente do Unafisco está correto e diz que tem vergonha do STF

Uma notícia-crime na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi protocolado nesta sexta-feira (20) pelo ex-procurador, Deltan Dallagnol.

Ele pede a investigação de indícios de “abuso de autoridade” relacionados à condução de medidas no caso envolvendo a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco).

jornaldacidadeonline

Nas redes sociais, o ex-procurador afirmou o seguinte:

“É sim menos perigoso investigar o PCC do que o STF.
E é fácil de provar isso: quantos auditores que investigam o PCC foram afastados? Nenhum.
Já aqueles que chegam perto do STF são afastados e perseguidos, como Moraes mostrou com suas decisões de 2019 e 2026 e, agora, ao silenciar Kleber Cabral.
Aliás, os auditores de 2019 estavam investigando SONEGAÇÃO / LAVAGEM DE DINHEIRO de quem? Exatamente das famílias de Toffoli e Gilmar.
Mas Moraes mandou parar a investigação. Agora nós sabemos aonde a investigação de Toffoli ia levar. Aonde será que a de Gilmar ia levar?
A Receita na época mostrou que os critérios da sua investigação eram técnicos, não tinha perseguição. Nenhuma ilegalidade foi provada no trabalho da Receita.
E aí, por que não permitiu que a investigação da Receita sobre ministros seguisse, Moraes? É como na Revolução dos Bichos, alguns são mais iguais do que outros?
Finge colocar poderosos debaixo da lei com abusos e criatividade, mas não se coloca ele mesmo debaixo da lei. Impede que ele e seus colegas sejam questionados.
Reage com intimidação contra a imprensa, críticos e funcionários públicos que exercem direitos e cumprem seu dever.
Tenho VERGONHA do STF brasileiro. Moraes, Toffoli e Gilmar ENVERGONHAM a toga e o Brasil.”

 

Vorcaro oferecia bacanais a autoridades e políticos com prostitutas “importadas”

Os segredos da Suíte Master. Charge de João Spacca para a newsletter desta  segunda-feira (9). #meio #charge #bancomaster #vorcaro

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Thais Oyama
O Globo

Um cínico diria que, no território da concupiscência, os operadores da Corte brasiliense refinaram bastante seus métodos. No primeiro governo Lula, lobistas recorreram à autointitulada “promotora de eventos” Jeany Mary Corner para que suas “recepcionistas” azeitassem as relações entre empresários e integrantes da “República de Ribeirão Preto”, como era chamado o núcleo da Fazenda comandado por Antonio Palocci.

Os encontros — que, segundo testemunhas, ocorriam numa mansão do Lago Sul, com churrasco, uísque 15 anos e latas de energéticos — hoje parecem festa de quermesse perto do padrão de suntuosidade com que o ex-dono do Master, Daniel Vorcaro, tratava os seus amigos, entre eles vultos da República.

BACANAIS EM SÉRIE – As gentilezas do agora ex-banqueiro — segundo reportagem da Folha de S.Paulo — incluíam festas em Trancoso (Sul da Bahia), São Paulo, Nova York e Lisboa. Com caviar à farta e celulares deixados à porta, eram regadas a Macallans e Petrus, repletas de beldades croatas, russas e ucranianas trazidas da Europa em jatinhos para alegrar os convivas. As festas em Trancoso, em especial, despertaram o interesse do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU).

— Esses eventos, denominados Cine Trancoso, teriam contado com a presença de altas autoridades dos três Poderes da República, incluindo integrantes do Poder Executivo do governo anterior, pessoal do mercado financeiro, da política e do meio jurídico — diz o MPTCU em representação ao Tribunal de Contas da União.

Nela, o subprocurador-geral, Lucas Rocha Furtado, pede ao tribunal que descubra que autoridades federais frequentaram a casa de Trancoso, já que o envolvimento delas com Vorcaro poderia representar “risco para a confiança nas instituições públicas”.

VÍDEO DA FESTA – Furtado destaca que um dos convidados ao Cine Trancoso afirmou à Revista Liberta ter assistido a um vídeo da festa “estrelado por figura de alta relevância do Poder Judiciário” — um “pica das galáxias”, na descrição citada pela revista e reproduzida no documento pelo subprocurador.

Entende-se a curiosidade do MPTCU — e ela certamente não é exclusiva da instituição. Querer, porém, que o TCU investigue que adultos estavam numa festa em que eventualmente se praticou sexo consensual parece descabido.

O argumento maroto de que é preciso saber se alguma repartição federal ajudou a financiar o encontro tampouco se sustenta, já que em eventos do gênero paga quem quer agradar, não quem está ali para ser agradado — evidentemente, o caso das altas autoridades.

RELAÇÕES PERIGOSAS – “Tenho amigos em todos os Poderes” — disse Vorcaro em depoimento à PF. Realmente, da rotina do ex-banqueiro, faziam parte reuniões fora da agenda com o presidente da República, jantares com ministros do STF e passeios com líderes do governo e da oposição. Uma rede social impressionante para alguém que até 2016 atuava como CEO na empresa do pai em Minas e era um perfeito desconhecido nas rodas do poder em Brasília.

Vorcaro foi pródigo em firmar gordas consultorias “institucionais” — com o ex-ministro do STF Ricardo Lewandowski e o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, entre outros —, sem falar no milionário contrato de R$ 130 milhões com a advogada Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes.

 Mas sabia que não é só com um punhado de dólares que se cria intimidade.

PRAZER E PRESTIGIO – Os relatos dos embalos de Trancoso sugerem que ele tinha consciência de que bens de prazer e prestígio — aqueles que dão deleite e status, a sensação de ser único e VIP — podem, em certas almas, calar tão ou mais fundo que uma mala de dinheiro.

Desde que o mundo é mundo, sexo e poder andam de mãos dadas com a corrupção.

Há muitos caminhos para convencer alguém a trocar o dever público por vantagens particulares. Vorcaro, como se vê, não desconhecia nenhum.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sexo, drogas & rock and roll – era só o que faltava para apimentar o caso Master: Comprem pipocas, que a panela já está esquentando. (C.N.)

 

A Globo acorda, faz duras críticas a Moraes e finalmente conclui: “Isso é coisa de ditadura” (veja o vídeo)

Os jornalista profissionais da Rede Globo estão despertando do sono profundo, da preguiça e da desonestidade intelectual.

Finalmente estão percebendo a gravidade do que está acontecendo no país. Também pudera, as arbitrariedades estão na iminência de alcança-los.

Sobre a intimação do presidente do Unafisco, a emissora marcou posição:

“Intimidação pura. É arbítrio. Intimidação aberta. E não é intimidação do presidente da Unafisco. É intimidação contra os auditores fiscais.”

Por fim, a conclusão final:

“Isso é coisa de ditadura”.