quinta-feira, 7 de maio de 2026

 

Democracia à brasileira procura ignorar as insuperáveis teorias de Montesquieu

A república em três tons: a desarmonia dos poderes e a fragilidade da democracia brasileira. - Agenda do Poder

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Newton
O Globo

A democracia moderna é fruto do Iluminismo, o revolucionário movimento intelectual e filosófico que dominou a Europa durante o século XVIII. Na época, defendia-se o uso da razão como principal caminho para alcançar liberdade, progresso e autonomia, contrapondo-se ao absolutismo monárquico e à influência dogmática da Igreja.

Também conhecido como “Século das Luzes”, o Iluminismo teve fortíssima influência dos sacerdotes oratorianos, membros da Congregação do Oratório de São Filipe Néri, fundada em 1565, e foram decisivos na modernização da Igreja Católica.

“SANTO DA ALEGRIA” – Essa sociedade religiosa foi fundada por São Filipe Néri, um padre de formação dominicana e evangelista, que se dedicou ao amparo aos pobres e às prostitutas e foi canonizado como o “Santo da Alegria” ou “Apóstolo de Roma”.

O padre Filipe Néri formou essa congregação como uma sociedade de vida apostólica composta por clérigos seculares, sem votos formais. Conhecidos pelo foco na oração, música e educação, foram historicamente rivais pedagógicos dos jesuítas e introduziram um pensamento moderno e científico que se disseminou pela Europa, influenciando Portugal e o Brasil Colônia.

Um dos intelectuais orientados pela Congregação do Oratório de São Filipe Néri foi justamente o francês Charles-Louis de Secondat, que estabeleceria as bases do regime democrático e se tornaria barão de La Brède e de Montesquieu.

TRÊS PODERES – Filósofo, político e escritor, Montesquieu era aristocrata, filho de família nobre. Com a formação iluminista dos padres oratorianos, tornou-se um crítico irônico da monarquia absolutista e do clero católico.

Fez longas viagens pela Europa e morou dois anos na Inglaterra. Adquiriu sólidos conhecimentos humanísticos e jurídicos, presidiu por dez anos o tribunal provincial de Bordéus, contribuiu também para a célebre “Enciclopédia”, juntamente com Denis Diderot e Jean D’Alembert, mas se manteve fiel a São Felipe Néri e frequentava também a vida noturna em Paris.

Produziu farta obra literária e ficou mundialmente famoso a partir de 1748, quando publicou “O Espírito das Leis”, obra em que pregou a teoria da separação dos três poderes, tese que passaria a ser fundamento de todas as constituições de países democráticos.

DESMORALIZAÇÃO – No Brasil, as classes dominantes parecem cultivar o prazer de desmoralizar os ensinamentos de Montesquieu. Os ministros do Supremo esquecem que são guardiães das leis e se intrometem em política. Para libertar Lula da Silva, tornaram o Brasil o único país da ONU que não prende criminosos após condenação em segunda instância, avançando a impunidade para a quarta instância, que nem existe na maioria das nações.

Ainda não satisfeitos, os mesmos ministros tornaram o Brasil o único país do mundo em que existe “incompetência territorial absoluta”, exclusivamente para limpar a ficha de Lula. No resto do mundo, a incompetência territorial (julgamento em vara equivocada) é apenas “relativa”, não tem poder de cancelar condenação nem de limpar fichas criminais. Só é “absoluta” em questões imobiliárias, jamais em processos criminais.

Toda essa brigalhada que se vê agora, entre os três poderes, partiu dessas extravagâncias jurídicas, que voltaram a se repetir nos julgamentos do 8 de Janeiro. Montesquieu que nos perdoe, porém mais uma vez o Supremo brasileiro retrocedeu à Idade Média, ao duplicar penas de crimes excludentes, em pleno século XXI.

FALSOS TERRORISTAS – No embalo do autoritarismo do relator Alexandre de Moraes, o STF condenou quase mil pessoas, falsamente consideradas terroristas, acusadas de dano qualificado e deterioração do patrimônio tombado, quando o certo seria julgar por um dos crimes, jamais somar os dois. E o pior foi condená-las também por organização criminosa armada, pois nenhuma delas portava armas e sequer se conheciam pessoalmente, pois tinham vindo de diversas parte do país.

Da mesma forma, foi um barbarismo condenar os golpistas por abolição violenta do Estado Democrático de Direito e tentativa de golpe de Estado. Nesse caso, também não se pode duplicar os crimes, para aumentar, com sadismo, a pena a ser aplicada.

Em boa hora, o Congresso aprovou a Lei da Dosimetria, que recoloca o Supremo nos trilhos democráticos imaginados por Montesquieu. Agora, cabe ao Supremo respeitar o espírito jurídico que norteou a criação dessa lei, que apenas reitera o que existe na Constituição.

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P.S. – O Brasil necessita de uma democracia moderna e justa, embora a maioria dos ministros do Supremo ainda cultive conceitos claramente medievais(C.N.)

BBC NEWS

 

Quem foi Apolônio, o 'Jesus grego' que foi cancelado pelo cristianismo

Gravura de Apolônio de Tiana feita Johann Theodor de Bry, provavelmente no início do século 17

Crédito,Domínio Público

Legenda da foto,Gravura de Apolônio de Tiana feita Johann Theodor de Bry, provavelmente no início do século 17
    • Author,Edison Veiga 
    • Role,De Bled (Eslovênia) para a BBC News Brasil

O enredo é bem conhecido do mundo religioso. Trata-se da história de um homem barbudo, que trajava túnica simples e que viveu há cerca de 2 mil anos. Era reconhecido como sábio, dotado de excelente oratória e teria realizado milagres: curado doentes, ressuscitado mortos, alimentado famintos. Acabou reunindo seguidores.

Provocou a ira dos poderosos romanos e chegou a ser condenado por eles.

Mas alcançou a vida eterna, levado de corpo e alma para os céus.

Não, não se trata de Jesus de Nazaré. Esta narrativa, que cabe perfeitamente naquela que está na base da religiosidade cristã, é um resumo do que teria sido a vida de um outro personagem extraordinário, um sujeito que também teria vivido no primeiro século da Era Comum: Apolônio de Tiana.

E não é por acaso que muitos o definem como o "Jesus grego" ou o "Jesus pagão". A mitologia erguida ao redor de sua biografia guarda semelhanças muito grandes com a narração presente nos evangelhos que contam a trajetória da figura central da religiosidade cristã.

"Após sua morte, sua figura passou a ser venerada em algumas cidades do mundo grego oriental", comenta o filósofo Dennys Garcia Xavier, professor na Universidade Federal de Uberlândia. "Em certos locais houve até estátuas e honras cívicas. No entanto, isso não se transformou em igreja organizada ou corpo doutrinário sistemático. Menos ainda em um culto litúrgico estruturado dotado de escritura sagrada normativa."

Pouco se sabe de fato sobre quem foi Apolônio, embora haja um consenso entre historiadores de que, assim como Jesus de Nazaré, foi uma figura que existiu de fato. O mais provável é que ele tenha nascido por volta do ano 15 em Tiana, antiga cidade da Capadócia em região da atual Turquia, e morrido por volta do ano 100 na antiga cidade grega de Éfeso, também na atual Turquia.

"Certamente existiu Apolônio, assim como existiu Jesus. Não há dúvida quanto a isso. Mas em ambos os casos, suas biografias obedeciam a padrões e expectativas por parte do público e dos padrões da época", comenta o filósofo Gabriele Cornelli, professor na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro Sábios, Filósofos, Profetas ou Magos?, que trata, como diz o subtítulo, da "magia incômoda de Apolônio de Tiana e Jesus de Nazaré".

 

Economia da UE mergulha em crise devido ao seu apoio a Kiev e à guerra no Irã, afirma analista

Edifício do Banco Central Europeu com projeção do símbolo do euro, em Frankfurt, na Alemanha, em 30 de dezembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 07.05.2026
As economias dos países da União Europeia (UE) enfrentam uma situação difícil devido ao conflito na Ucrânia, no qual apoiam ativamente Kiev, disse o professor da Universidade de Chicago John Mearsheimer no YouTube.
Mearsheimer apontou que a situação econômica na Europa é difícil, especialmente no Reino Unido.

"A economia britânica está em estado mais deplorável do que a de outros países europeus, cujas economias caíram em uma situação difícil, em parte devido ao conflito na Ucrânia. Portanto, esse conflito causou danos gravíssimos à economia europeia", ressaltou.

Ao mesmo tempo, o analista destacou que a guerra do Irã piorou a situação na UE e, provavelmente, causará ainda mais danos.
Bandeiras da Rússia e da UE (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 07.05.2026
Panorama internacional
Relações estreitas com Rússia eram para UE alavanca de influência sobre EUA, diz professor
A deterioração das relações políticas com os Estados Unidos também complica a situação do continente, observou o cientista.
Anteriormente, o chanceler russo, Sergei Lavrov, declarou que a UE está tentando, de todas as maneiras possíveis, conter um acordo diplomático na Ucrânia. De acordo com ele, Bruxelas, em particular, incentiva o atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, a continuar lutando até o último ucraniano.
Vale ressaltar que o Kremlin observou repetidamente que a Rússia não ameaça ninguém, mas não ignorará ações que ponham em risco seus interesses.
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Até Noblat começa a falar em desistência de Lula


O jornalista Ricardo Noblat lançou um artigo onde afirma que "aumenta a torcida para que Lula desista de se candidatar à reeleição".

Para Noblat, "pesquisa não é destino; é retrato de momento. E o retrato, às vezes, vira filme de terror ou de suspense nas 48 horas que antecedem o pleito. A pesquisa espontânea mede a convicção; a induzida, a rejeição e a lembrança. Mas nada mede o imponderável".

Diz o jornalista:

O poder da mídia para entronizar presidentes é relativo, embora ela sempre tente. Em 1989, a imprensa carregou Fernando Collor no colo para barrar o avanço de Leonel Brizola e Lula. Deu certo. Mas em 1994 e 1998, quem elegeu Fernando Henrique não foi o editorial de nenhum jornal, foi o bolso do brasileiro com o Plano Real.
Lula venceu em 2002 e 2006 contra a mídia. Dilma, em 2010 e 2014, idem. Em 2018, a mídia tentou ignorar Bolsonaro, mas a facada em Juiz de Fora e o antipetismo se impuseram. Depois de quatro anos de pancadaria mútua, a imprensa teve que engolir Lula em 2022. Não havia outro nome capaz de despachar o “capitão”. E foi por um triz.
Hoje, a mídia sonha com a “terceira via”, o candidato nem-nem. No papel, parece lindo; na prática, está difícil. Mas na política, o “nunca” e o “jamais” têm prazo de validade curto. Se até o início da campanha, em agosto, um Ronaldo Caiado ou um Romeu Zema mostrar musculatura, o cenário muda. Para o “establishment”, qualquer um deles pode ser menos amargo que Lula ou o próprio Flávio Bolsonaro.
Até Flávio, vejam só, pode acabar se tornando palatável. O argumento está pronto: ele seria mais “domesticável” que o pai, sem o carisma ou a conexão direta do pai com as massas que assusta tanto a Faria Lima e o agronegócio. Seria apenas um sobrenome sem ideias para ocupar a cadeira. Ou um “enviado divino” como ele se apresenta.
O alvo principal da mídia continuará sendo Lula. Para muitos, ele é o perigo maior. Por isso, a ordem é bater nele sem piedade. Se for preciso retorcer os fatos para prejudicá-lo, que se retorça. O sonho da elite era que Lula desistisse do quarto mandato. Mas ele teima. E quem teima, na política, costuma dar trabalho até o último minuto da prorrogação.