
Charge do JCaesar (revista Veja)
Carlos Newton
As supostas explicações dos jornalistas sobre a derrota de Jorge Messias representam uma sucessão de excelentes Piadas do Ano. A maioria afirma que o maior culpado teria sido Davi Alcolumbre, presidente do Congresso, que faz o que bem entende até em decisões por voto secreto, num ramo profissional em que traição é o esporte preferido.
Outros alegam que a causa principal foi o momento de fragilidade política do governo, mas há também aqueles que culpam Lula, por haver superestimado a capacidade de seus negociadores, como o ministro José Guimarães, aquele deputado cearense dos dólares na cueca, e os senadores Jaques Wagner e Randolfe Rodrigues.
“CENTRÃO AMPLIADO” -Também apareceram jornalistas e observadores inventando que Lula foi traído pelo chamado “Centrão ampliado”, uma suposta facção que ninguém sabia existir nem indicar os integrantes. Portanto, está valendo tudo para justificar a ascensão e queda do quase ministro indicado pelo presidente petista.
No meio desse tiroteio investigativo, eis que surge o senador Cid Gomes (PSB-CE) para dizer o óbvio, explicando que o nome indicado ao STF foi vetado pelo conjunto da obra de Lula e do próprio Messias, considerado sem notório saber pela maioria dos senadores, que nem precisaram apurar se tinha reputação ilibada.
Cid Gomes, que integra a base aliada de Lula, avisou a Messias que não votaria nele e ainda acrescentou que, mesmo se votasse, a indicação dele para o Supremo não seria aprovada em plenário.
SINCERIDADE – O senador do PSB foi sincero, mas os articuladores da nomeação (o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, os líderes Jaques Wagner e Randolfo Rodrigues, e o próprio Lula) continuaram insistindo e conduziram à desmoralização de Messias.
O resultado na Comissão de Constituição e Justiça animou Messias e o Planalto, com 16 votos a 11, pela aprovação. Portanto, para ser aceito no plenário, ele precisava de mais 25 votos entre os 54 senadores restantes, porém só conseguiu 18, ficou longe da aprovação.
Ao explicar essa derrota, Cid Gomes disse esperar que Jorge Messias não tivesse mais de 35 votos, e por isso nem compareceu à sessão. A seu ver, o erro foi de Lula, a quem teria faltado “espírito republicano“ ao escolher Messias.
VIRA BRINCADEIRA – “Lula indicou o Zanin, que tinha sido advogado dele. Um advogado competente, respeitado, muito bem. Depois indicou um cara que é da política, aliado dele historicamente. Tudo bem, foi aprovado. Depois vira brincadeira. Acho que faltou espírito republicano na indicação. Nada, repito, nada contra o garoto lá [Messias]”, afirma Cid.
Em tradução simultânea, Cid Gomes revela que houve vário motivos, mas o principal foi a falta de notório saber, ao destacar a opinião dos senadores de que nomear ministro do Supremo não pode virar brincadeira.
Ele acrescentou que não apenas Davi Alcolumbre, mas também a maioria dos senadores considerou um desrespeito o desinteresse de Lula por nomear o senador Rodrigo Pacheco, insistindo em lançá-lo a governador, para tentar atrair votos em Minas e garantir sua reeleição à Presidência.
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P.S. – Como se vê, a explicação de Cid Gomes é lógica e procedente. O principal motivo da derrota no Senado não foi o empenho de Alcolumbre, nem houve traição do “Centrão ampliado” e tudo o mais. Messias foi vetado devido à falta de saber jurídico. Ou seja, se Lula demonstrasse espírito republicano e indicasse Pacheco ou um jurista de verdade, os senadores teriam aprovado. E vida que segue, diria nosso amigo João Saldanha, que faz muita falta na Copa do Mundo.. (C.N.)