Moraes tentou escapar do processo que Trump move contra ele, mas se deu mal
Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)
Carlos Newton
A vaidade é um dos piores pecados capitais, que no início eram oito, incluindo a melancolia, que depois foi anexada à preguiça. “”Vanitas vanitatum, et omnia vanitas” é a famosa expressão latina que significa: “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade”. O célebre ditado ridiculariza a futilidade das ambições diante do envelhecimento e da morte, em citação bíblica do livro do Eclesiastes, no Antigo Testamento, atribuído ao Rei Salomão, ao refletir sobre o propósito da vida terrena.
No Brasil de hoje, não há exemplo maior de vaidade do que o ministro Alexandre de Moraes, que tinha todas as virtudes para se tornar um cidadão exemplar, mas se perdeu inteiramente na tentação desse execrável pecado capital.
SEM LIMITES – A vaidade dominou se tal maneira o ministro da Suprema Corte que o levou a atuar como um magistrado internacional soberano, cujo poder não conhecesse limites no tempo e no espaço. Assim, sua autoconfiança chegou a tal ponto que ele tomou decisões judiciais a serem cumpridas pela Justiça de outros países, inclusive mandando prender oposicionistas e exercer censura nas redes sociais.
Agora, a vaidade cedeu lugar à melancolia. A Justiça Federal da Flórida autorizou nesta sexta-feira, dia 22, a Rumble e a Trump Media, dona da rede social Truth Social, a citarem por e-mail o ministro Alexandre de Moraes em uma ação movida nos Estados Unidos contra suas determinações abusivas à Justiça americana.
Como diz o jornalista Mario Sabin, o ministro do STF agora tem 129 milhões de motivos para estar melancólico. De repente, tudo dá errado. Num dia, ele manda o governo brasileiro extraditar Carla Zambelli, e no dia seguinte vem a notícia de que a ex-deputada foi inocentada pela Suprema Corte da Itália, porque a condenação dela foi rigorosa demais, equivalendo a uma concreta perseguição política.
FUGINDO DA JUSTIÇA – Quanto ao processo de Trump, durante seis meses o ministro Moraes fugiu da Justiça, negando-se a receber os oficiais de justiça que tentavam lhe entregar a citação enviada pela matriz USA.
Agora, não adianta mais se esconder aqui na filial Brazil, porque o processo vai avançar na Flórida. Se Moraes não contratar um advogado e contestar a denúncia, será julgado como revel e condenado, o que significará mais uma vergonha para o Brasil.
A ação foi apresentada em 2025 pela Rumble e pela Trump Media, empresa que pertence ao presidente Donald Trump. Segundo a petição citada no despacho, as empresas acusam Moraes de violar preceitos da liberdade de expressão nos Estados Unidos ao enviar ordens para retirar conteúdo publicado no Rumble e pede que suas decisões sejam consideradas ilegais no país.
CONDENAÇÃO CERTA – A acusação mostra que as determinações de Moraes violaram a liberdade de expressão protegida pela Primeira Emenda da Constituição, além de outras leis dos EUA que regulam a responsabilidade de plataformas digitais.
As empresas Rumble e Trump Media denunciam terem passado meses tentando citar Moraes pelo procedimento internacional previsto na Convenção da Haia. Mas o Superior Tribunal de Justiça pediu manifestações da Procuradoria-Geral da República e da Advocacia-Geral da União antes de encaminhar a citação para cumprimento por um juiz federal.
O pior é a tentativa de Moraes se esquivar da Justiça americana, com a Procuradoria bloqueando a citação e o STJ colocando sob sigilo o processo. E a Justiça americana registrou essas alegações no despacho, agravando a situação de Moraes.
###
P.S. – O Brasil é um país tão surrealista que o presidente Lula, ao se encontrar com Trump na Casa Branca, ao invés de defender os interesses nacionais, entregou ao presidente americano um pedido para liberar o visto de Moraes e outras autoridades brasileiras. Com isso, Lula demonstrou que realmente não tem medo do ridículo. (C.N.)


