domingo, 29 de março de 2026

 

EUA esperam encerrar operação no Irã em 'semanas, não meses', diz Marco Rubio; veja os últimos desdobramentos da guerra no Oriente Médio

Marco Rubio falando a jornalistas em aeroporto com aeronave ao fundo

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,O secretário de Estado americano, Marco Rubio, foi questionado sobre a duração prevista para a operação americana no Irã
Tempo de leitura: 6 min

"Estamos falando de semanas, não meses", disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta sexta-feira (27/1), ao ser questionado sobre a duração prevista para a operação americana no Irã.

Rubio falou a jornalistas, após reunião com outros ministros das Relações Exteriores na cúpula do G7, na França — o grupo é composto por sete das economias mais avançadas do mundo: Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.

Questionado sobre se os EUA estão considerando o envio de tropas para o Oriente Médio como parte de seus esforços para neutralizar o Irã, ele afirmou que os americanos podem atingir seus objetivos "sem nenhuma tropa terrestre".

Ele acrescentou que os EUA têm objetivos claros e que a administração de Donald Trump está "muito confiante" de estar prestes a alcançá-los "em breve".

Rubio foi questionado se espera que o Irã responda nesta sexta-feira ao plano de 15 pontos dos EUA com o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio.

A CBS News, parceira da BBC nos EUA, noticiou mais cedo, citando fontes, que a resposta iraniana seria esperada para esta sexta-feira. "Ainda não a recebemos", respondeu Rubio.

Os detalhes do plano de 15 pontos proposto pelos EUA, divulgados pelo Canal 12 de Israel, incluem o fim do programa nuclear e do programa de mísseis balísticos do Irã e o fim do apoio iraniano a "milícias por procuração", como os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano.

Inicialmente, o Irã rejeitou categoricamente o plano de 15 pontos dos EUA, classificando-o como "excessivo".

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O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou posteriormente à TV estatal que "algumas ideias" haviam sido propostas aos principais líderes do país e que "se for necessário tomar uma posição, ela certamente será definida".

A imprensa estatal iraniana listou cinco condições para o fim da guerra, que incluem o pagamento de reparações de guerra, o reconhecimento internacional do "direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz" e a garantia de que o Irã não será atacado novamente.

Ainda após a reunião do G7, o secretário de Estado americano afirmou que o Irã pode querer implementar um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz.

Ele classificou a medida como "inaceitável" e disse que o mundo inteiro deveria estar "indignado", acrescentando que os países mais afetados por um possível sistema de pedágio na rota marítima "deveriam fazer algo a respeito".

Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, e a guerra fez com que os preços globais dos combustíveis disparassem.

O petróleo do tipo Brent, referência do mercado mundial, voltou a ultrapassar os US$ 110 por barril nesta sexta-feira.

Isso apesar da declaração de Trump na quinta-feira (23/3) de que as negociações com Teerã estavam indo "muito bem" e que ele estava adiando os ataques militares à infraestrutura energética do Irã até pelo menos 6 de abril.

No passado, declarações como essa ajudaram a acalmar os mercados, mas o ceticismo dos investidores parece estar aumentando.

G7 pede fim de ataques a civis

Também nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que o G7 permanece "excepcionalmente comprometido" em minimizar o impacto da guerra no Irã.

O grupo pediu uma "cessação imediata dos ataques contra infraestrutura civil e civis" no Oriente Médio.

Após a reunião de ministros na França, Barrot acrescentou que "nada justifica" os ataques a civis, que precisam ser "claramente protegidos".

Ele também reforçou os esforços do G7 para garantir a "livre e segura circulação de navios" no Estreito de Ormuz.

Barrot afirmou que o Marco Rubio concordou em trabalhar em conjunto para encontrar uma solução para o impasse no Estreito de Ormuz.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot

Crédito,Reuters

Legenda da foto,O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, disse que 'nada justifica' ataques a civis, que precisam ser 'claramente protegidos'

Duas instalações nucleares atacadas no Irã

Duas instalações relacionadas a energia nuclear foram atacadas no Irã, mas não houve vazamento de material radioativo, segundo a imprensa estatal iraniana.

A Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA, na sigla em ingês) informou em um comunicado no Telegram que o complexo de água pesada (utilizada em usinas nucleares) de Khondab, no noroeste do Irã, foi atacado por forças israelenses e americanas.

A IRNA citou um oficial da província de Markazi, afirmando que não houve vítimas.

Um segundo ataque atingiu a instalação de produção de concentrado radioativo em Ardakan, Yazd, e as autoridades relataram que não houve vazamento de material radioativo além do local, de acordo com a agência de notícias Fars News, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica.

Homem em roupas tradicionais islâmicas limpa destroços em meio a escombros, após ataque em Teerã, no Irã

Crédito,Getty Images

Legenda da foto,Enquanto os EUA e o Irã trocam informações desencontradas cobre negociações, ataques continuam a atingir a capital iraniana, Teerã

Enquanto isso, diversos países do Golfo relatam que os ataques continuam em toda a região nesta sexta-feira.

O Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou que seis mísseis balísticos foram lançados em direção à capital do país, Riad. Ele acrescentou que dois foram interceptados e quatro caíram no Golfo, em áreas desabitadas.

O Kuwait relatou ataques pela manhã ao seu principal porto comercial, Shuwaikh. A autoridade portuária do país disse que houve "danos materiais, mas nenhuma vítima humana".

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que suas defesas aéreas interceptaram seis mísseis balísticos e nove drones lançados do Irã nesta sexta.

As forças de defesa do Bahrein disseram ter interceptado 362 drones e 154 mísseis desde o início do conflito, um aumento de 12 drones em relação a anúncio feito na quinta-feira.

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou anteriormente às pessoas em todo o Oriente Médio para deixarem áreas onde as forças americanas estão alocadas, mas não especificou locais exatos.

ONU sobre ataque a escola no Irã: 'horror visceral'

O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou nesta sexta-feira um debate de emergência sobre o ataque a uma escola primária em Minab, no sul do Irã, no início da guerra. As autoridades iranianas afirmam que 168 pessoas foram mortas no ataque, a maioria crianças.

O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, pediu que uma investigação sobre o ataque à escola seja concluída "o mais rápido possível", acrescentando que o incidente provocou "horror visceral".

Em outra ocasião, ele também afirmou que os ataques conjuntos entre EUA e Israel têm "destruído cada vez mais a infraestrutura civil" à medida que a guerra avança, e classificou os ataques a instalações nucleares como "imprudentes além da compreensão".

Anteriormente, a agência nuclear da ONU pediu "máxima contenção" para evitar um incidente nuclear no Irã, após um suposto ataque perto da usina nuclear de Bushehr na terça-feira.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi

Crédito,Reuters

Legenda da foto,O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, chamou o ataque à escola de 'crime de guerra'

Em uma participação por videoconferência na ONU, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou o conflito como uma "guerra ilegal imposta por dois regimes nucleares autoritários". Ele chamou o ataque à escola de "calculado e gradual", classificando-o como um "crime de guerra".

A mãe de duas crianças mortas no ataque disse à ONU que sua casa agora está silenciosa, "muito mais silenciosa do que qualquer casa deveria ser".

Os EUA não assumiram responsabilidade pelo ataque e afirmam que não têm civis como alvo — anteriormente, o país havia dito que estava investigando o incidente.

A imprensa americana noticiou que investigadores militares dos EUA acreditam que as forças americanas provavelmente foram responsáveis ​​por atingir a escola involuntariamente — mas que ainda não chegaram a uma conclusão definitiva.

sPUTNIK

 

Homem vê hospital destruído após bombardeio provocado por Israel e Estados Unidos em Teerã, em 2 de março de 2026 - Sputnik Brasil

Pentágono se prepara para várias semanas de operações terrestres no Irã: siga o 30º dia da guerra no Oriente Médio

Detalhes a seguir
Israel lançou um ataque "preventivo" contra Irã, estado de emergência é declarado no país, comunicou Israel Katz, o ministro da Defesa israelense, no dia 28 de fevereiro de 2026.
Na sequência do ataque dos EUA e de Israel ao Irã, o líder supremo iraniano aiatolá Ali Khamenei foi morto, declarou no dia 1º de março de 2026 o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Mokhber. Além disso, o país confirmou as mortes do secretário do Conselho de Defesa Nacional Ali Shamkhani e do general Mohammad Pakpour, comandante do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica.
Além disso, foram confirmadas as mortes da filha, genro, neta e nora do líder supremo do Irã Ali Khamenei como resultado de ataques israelenses e dos EUA, relata a agência Fars com referência a uma fonte. Já o Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) iraniano anunciou o início da "ofensiva mais feroz" na história do Irã contra os EUA e Israel.
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O Departamento de Guerra dos Estados Unidos está preparando uma operação terrestre de várias semanas no Irã, afirma o The Washington Post com referência a autoridades dos EUA.
De acordo com o jornal, qualquer possível operação terrestre envolveria incursões com participação de forças de operações especiais e unidades de infantaria convencional, mas nenhuma das opções constituiria uma invasão em grande escala.

 

Mais leis, menos liberdade, eis um paradoxo moderno que desafia a humanidade

Legisladores devem limitar a sua capacidade de criar leis

Deirdre Nansen McCloskey
Folha

Achamos ótimo quando o Congresso Nacional aprova muitas leis. Afinal, concordamos que o “Estado de Direito” é bom e democrático. E nós, democratas, aprovamos a “vontade do povo”. Ela certamente se expressa pelos votos no Congresso, não é? E pensamos que, se um político violar o Estado de Direito e for contra a vontade do povo, poderemos destituí-lo na próxima eleição. Simples, não?

A ideia moderna é que “Estado de Direito” é a mesma coisa que ter muitas leis. No antigo direito consuetudinário inglês, ou “direito comum”, ao contrário, acreditava-se que a lei deveria surgir de casos concretos —não da imaginação dos legisladores.

LEGISLAÇÃO – O legislador pensa: “Posso imaginar um discurso ofensivo, como zombar de uma mulher gorda. Deveria haver uma lei sobre isso”. Mas o juiz do direito consuetudinário diria: “Este é um caso real em que Luís zomba de uma mulher gorda de verdade. Hum… Como devo decidir? Percebo que, neste caso, Luís perguntou à mulher se ela aceitaria subir ao palco e ser alvo de piadas; e que ela mesmo risse com a plateia quando esta o fizesse. Isso não é algo em que um tribunal deva se envolver. Caso arquivado”.

O direito consuetudinário e os costumes sociais comuns, como dizer “obrigada” ao receber um favor, dependem do senso comum do que é considerado bom comportamento usual. É orientado pela ética, sendo “ética”, neste caso, o que um juiz considera o bom comportamento usual das pessoas em sua sociedade. Mas as leis legisladas são baseadas apenas indiretamente nessa ética.

PREJULGAMENTO – O movimento moderno para substituir o direito consuetudinário pela lei legislada se justifica de duas maneiras. Por um lado, diz: “Não queremos que os juízes façam prejulgamentos”. A palavra é a mesma em português e inglês. Prejulgar é ruim. Concordo. Por outro lado, afirma que é razoável ter uma lei escrita para que as pessoas saibam quando cometem um crime. O Estado não deve surpreender as pessoas com leis que elas desconhecem. Também concordo.

Mas espere. O professor de direito e filosofia ética que mencionei acima, John Hasnas, da Universidade de Georgetown, em Washington, capital dos EUA, apresenta respostas convincentes às justificativas para a proliferação de leis no mundo moderno.

HIPÓTESES – Ele aponta, por um lado, que os legisladores também estão prejulgando. Seus prejulgamentos são hipotéticos e, muitas vezes, malucos. Em contrapartida, um juiz em um tribunal enfrenta um caso concreto e real de desacordo apresentado a ele. E, por outro lado, Hasnas indica que escrever centenas de milhares de leis não informa as pessoas.

Se os juízes tomam decisões com base no que a sociedade considera ético, em contrapartida, qualquer adulto geralmente sabe quando está cometendo um crime. Hasnas escreve: “A transição do crime de direito comum para crimes previstos em lei (…) não promove (…) uma sociedade liberal (…). O direito penal restringe a liberdade individual. Esse é o seu propósito.

Ele autoriza o governo a usar coerção para impedir que os indivíduos pratiquem determinados comportamentos. Para ser compatível com uma sociedade liberal, seu alcance deve ser limitado”. Hasnas está certo. Precisamos dizer aos legisladores para limitarem sua capacidade de criar leis.