terça-feira, 23 de junho de 2026

 

Parecer de Nunes Marques (a favor) fará a condenação de Bolsonaro ser anulada

Nunes Marques homologa acordo para Minas pagar dívida com União

Nunes Marques seguirá o voto de Fux e absolverá Bolsonaro

Carlos Newton

Poucas vezes o Supremo Tribunal Federal viveu um clima tenso como o de agora. A situação só ficou pior em 1968, no Ato Institucional nº 5 (que deveria ser denominado Ato Ditatorial), quando o presidente Costa e Silva aposentou compulsoriamente os ministros Evandro Lins e Silva, Victor Nunes Leal e Hermes Lima, juristas de verdade, com notório saber e reputação ilibada..

Em solidariedade, os ministros Lafayette de Andrade e Antônio Gonçalves de Oliveira renunciaram aos cargos. Um mês e meio depois, em 3 de fevereiro de 1969, o regime militar então baixou o AI-6, que reduziu o número de cadeiras no STF de 16 para 11, consolidando uma maioria de ministros alinhados à ditadura.

CLIMA TENSO – Somente agora, quase 60 anos depois do AI-6, o Supremo volta a funcionar em temperatura máxima, causada pelos sucessivos escândalos que vêm abalando o tribunal a partir da libertação ilegal de Lula da Silva, em 2019.

O clima agora é muito tenso, por vários motivos, como o fato de o ministro Alexandre de Moraes estar sendo processado nos EUA pelo presidente Trump; o caso do Banco Master, que atinge Moraes e também Dias Toffoli; e a revisão criminal da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro pela tentativa de golpe, um crime que foi planejado, mas não chegou a acontecer.

Os três casos acontecem simultaneamente,mas o processo da revisão criminal, relatado na Segunda Turma pelo ministro Nunes Marques, está mais adiantado e ganha destaque.

DIZ GONET – Em parecer enviado ao STF na terça-feira passada, dia 16, o procurador-geral Paulo Gonet pede que a revisão criminal de Bolsonaro sequer seja conhecida pela Segunda Turma. Bem, sonhar ainda não é proibido, mas a revisão criminal é direito de todo réu, especialmente quando favorecido pelo mais extenso e fundamentado voto da História do Supremo, com 426 páginas, emitido por Luiz Fux na Primeira Turma.

Agora, o processo aguarda o voto do relator da Segunda Turma, Nunes Marques, que não tem prazo regimental para entregá-lo, mas tudo indica que deverá fazê-lo sem demora, pois conhece bem o processo.

Conforme a Tribuna da Internet tem informado desde o ano passado, sempre com absoluta exclusividade, a revisão criminal será aprovada por 3 votos a 2, com Nunes Marques, Luiz Fux e André Mendonça, a favor, e Gilmar Mendes e Dias Toffoli, contra. Não haverá outro resultado.

CONSEQUÊNCIAS – Como a Segunda Turma funciona como revisora da Primeira Turma, o resultado do julgamento provocará uma confusão dos diabos, em pleno final da campanha desta eleição presidencial.

É claro que surgirão inquietantes dúvidas sobre as consequências legais da absolvição de Bolsonaro. A única coisa certa é que, ao proclamar a absolvição de Bolsonaro, o novo presidente da Segunda Turma, que será Luiz Fux, imediatamente expedirá o alvará de soltura, e todos os demais condenados pela Primeira Turma (mais de 1,5 mil) logo irão pedir revisão criminal.

É um direito que a lei lhes garante, para cumprimento do Pacto Americano dos Direitos Humanos, aprovado em 1969, que o regime militar desprezou, mas o Brasil aderiu em 1992, ainda no governo Collor de Mello, e logo depois foi assinado pelo sucessor Itamar Franco. O acordo garante que não existe condenação sem recurso a juízo colegiado.

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P.S. 1
Com Bolsonaro solto, vai haver uma terceira disputa jurídica, porque o grupo de Gilmar Mendes, que inclui Moraes e a maioria do STF, vai tentar um desesperado recurso, pedindo que o ex-presidente seja julgado pelo plenário, onde a derrota dele é mais do que certa. Diante disso, o que acontecerá?

P.S. 2Bem, aqui na Tribuna da Internet sabemos o que vai acontecer, porque há meses estamos estudando o Regimento Interno do Supremo. Portanto, quem quiser saber o resultado desse processo, que faça o mesmo. No Regimento em si, há mais de mil dispositivos (artigos, parágrafos, incisos, itens e alíneas), acrescidos de uma série de emendas.

P.S. 3Logo que Bolsonaro for solto, a Tribuna da Internet irá revelar o que está previsto nas normas do Supremo quanto à possibilidade de recurso. Dispomos desse conhecimento porque nos dedicamos a pesquisar a legislação. É por isso que conseguimos transmitir essas informações sempre com absoluta exclusividade. Aliás, os juristas e jornalistas políticos deveriam fazer o mesmo. Mas quem se interessa? (C.N.)

Pesquisa Ipsos-Ipec: 56% dos brasileiros afirmam não confiar no presidente Lula

Sorriso Pensante-Ivan Cabral - charges e cartuns: Charge do dia: De olho  nas pesquisas

Charge do Ivan Cabral (Sorriso Pensante)

Yago Godoy
O Globo

Pesquisa Ipsos-Ipec divulgada nesta segunda-feira mostra que 56% dos brasileiros dizem não confiar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), enquanto 41% afirmam que confiam no mandatário petista. O cenário mantém o percentual das divulgações anteriores. Outros 3% não souberam ou não responderam.

A taxa é maior entre homens (58%, contra 54% entre o público feminino). O percentual também é alavancado na parcela da população que possui ensino médio (62%) e ensino superior (64%), e, em relação à faixa etária, alcança o pior cenário entre pessoas de 25 a 34 anos de idade (63%).

RENDA E RELIGIÃO – A percepção negativa atinge o pico entre quem recebe mais de cinco salários mínimos (70%) ou é evangélico (70%).

Já a parcela da população em que há mais confiança é entre quem ganha até um salário mínimo (53%) ou é católico (51%).

Na última publicação da pesquisa, em março deste ano, 40% diziam confiar no petista, contra 56% que afirmavam ter desconfiança. Há um 1 ano, em junho de 2025, a situação atingiu a maior discrepância: 37% confiavam em Lula, enquanto 58% ressaltavam não confiar.

PIOR DO QUE ANTES – Ainda conforme a Ipsos-Ipec, para 42% dos brasileiros, o governo Lula é pior do que o esperado, enquanto 23% avaliam que a gestão superou as expectativas.

A única região brasileira em que a avaliação positiva predomina é no Nordeste, onde 36% dizem que o terceiro mandato de Lula é melhor que o que se esperava, contra 32% que afirmam ser “igual” e 30% que declaram estar pior.

O governo Lula, segundo a pesquisa, também não é melhor do que o esperado para nenhuma faixa de renda familiar. A maior diferença é entre quem ganha mais de cinco salários mínimos — 12% melhor contra 50% pior —, e a menor, entre quem tem renda de até um salário — 34% melhor e 36% pior.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Uma pergunta sincera para quem acredita em pesquisas: Você acha possível um político ser eleito presidente quando 56% dos eleitores não confiam nele? Além disso, em relação à situação econômica do Brasil, 41% dizem que está pior nos últimos seis meses e apenas 25% dizem que está melhor. Em suma: a pesquisa do Ipsos, uma grande empresa francesa que adquiriu o Ipec, mostra que Lula não tem condições de vencer. (C.N.)

 

PONTO DE VISTA: Origem 

histórica e funcional das 

“Kengas”

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
23/06/2026 06:00
1 hora e 50 minutos

Vários são os métodos utilizados para corromper autoridades e pessoas influentes, tanto no mundo dos negócios como no do poder político.  Entre os meios encontramos o suborno (oferta de dinheiro vivo ou transferências bancárias), doações de bens de luxo, vantagens comerciais, ofertas de empregos, cargos, tratamento VIP em eventos exclusivos para o alvo e seus familiares, viagens e festas fechadas. Jeffrey Epstein, que se suicidou, em agosto de 2019, em uma prisão em Nova York, circulava nesse universo junto de gente poderosa, manipulando suas vulnerabilidades, ambições e necessidades. Tudo isso para ganhar dinheiro. Morreu rico. Posteriormente, os “Arquivos Epstein” revelaram a existência de uma organização criminosa que utilizava mulheres e meninas como objeto de troca. No Brasil, Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, também contratava mulheres para participar de festas luxuosas em Trancoso (BA) e em viagens internacionais. O esquema era utilizado para oferecer regalias, obter favores e se aproximar de autoridades públicas, políticos e magistrados. Vorcaro se referia às mulheres contratadas como “Kengas”, usando o termo de forma pejorativa.

No Nordeste, o termo é popularmente conhecido como “Quenga”, de kienga, do quimbundo (língua banto falada em Angola), cujo significado é vasilha, tacho ou um recipiente feito a partir da metade de uma casca de coco sem polpa. A referência ao coco é porque, assim como o coco fica sem o miolo (quenga de coco) a mulher que usa o sexo para ganhar dinheiro é "sem miolo", ou seja, "desmiolada".  Em Natal, um dos blocos carnavalescos LGBTQIA+ e de diversidade mais tradicionais e importantes do Brasil é o “Bloco das Kengas”, símbolo de resistência e celebração. No Rio de Janeiro existe a “Banda das Quengas”, fundada em 1990, que desfila pelas ruas da Lapa atraindo grandes multidões. A palavra apareceu nas mensagens atribuídas a Vorcaro durante as investigações sobre o escândalo do Banco Master: “Preciso de um avião para as kengas”, escreveu ele a um operador, referindo-se às garotas de programas utilizadas nas festas para aliciar autoridades dos três poderes da República. As investigações apontam que esses eventos ocorriam na Bahia, em uma mansão cinematográfica, em Trancoso, uma propriedade de luxo com 12 suítes localizada no condomínio Terravista, no litoral baiano.  A casa contava com rigorosos protocolos de segurança, inclusive a proibição de uso de celulares, já que nela se encontrava gente muito importante. Relatórios da Polícia Federal também apontam a realização de eventos e orgias em cenários internacionais luxuosos, como Nova York, Londres e Lisboa.

Os fatos narrados fazem parte das investigações no âmbito do escândalo envolvendo o Banco Master, divulgados pela imprensa. A inusitada solicitação de Vorcaro foi encaminhada para Leo Serrano Giunchetti, identificado pelos investigadores como um dos operadores do ex-banqueiro, em abril de 2024. Nela, Vorcaro diz que precisava de um “avião para as kengas”. A quebra de sigilo demonstrou que o pedido ocorreu minutos após Vorcaro receber atualizações sobre o plano de voo de uma comitiva de políticos. Mensagens encontradas no celular do ex-banqueiro indicam que as “Kengas” eram custeadas para atrair autoridades e empresários, criando uma rede de lobby e influência que está sob apuração do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Policia Federal (PF). O cruzamento de dados e as datas dos diálogos reforçam a principal linha de apuração da PF, que aponta que eventos de grande porte promovidos por Vorcaro contavam com serviços de prostituição como parte de uma estratégia deliberada de lobby. Entre os objetivos estavam estreitar laços com magistrados de tribunais superiores e parlamentares influentes para blindar os interesses do Banco Master.

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) formalizou um pedido de abertura de investigação para mapear quais autoridades públicas compareceram a essas festas ocorridas em Trancoso. Segundo as investigações, a proprietária do imóvel expressou forte descontentamento com o andamento das festas, reclamando da entrada frequente de garotas de programa na residência e da superlotação do espaço, que ultrapassou o limite estabelecido no contrato de locação. O inquérito policial segue em andamento para detalhar a identidade das autoridades beneficiadas e se os eventos resultaram em favorecimentos ilícitos ou decisões ligadas às atividades financeiras do Master. Apesar da extensão desses crimes, tudo indica que ninguém será condenado, pois os crimes, no Brasil, praticados pelos poderosos, são garantidos pela impunidade. O ministro Gilmar Mendes já afirmou que esse processo do Master está igual ao da Lava Jato, ou seja, pode ter o mesmo destino.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário

 

URGENTE: PF faz operação contra cúpula de banco, atinge bispo Edir Macedo e bloqueia R$ 670 milhões

Foi deflagrada na manhã desta terça-feira (23) a Operação Miragem da Polícia Federal, que mira a cúpula do Banco Digimais, instituição controlada pelo bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus. Um dos investigados é o próprio líder religioso. Ao todo, mais de 50 policiais federais saíram às ruas para cumprir nove mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal em São Paulo.

Além das buscas, a Justiça determinou a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos investigados e autorizou o bloqueio de bens e valores de até R$ 670,3 milhões, medida considerada pelos investigadores essencial para impedir eventual ocultação de patrimônio.

A ação ocorre após uma investigação baseada em relatórios produzidos pelo Banco Central, que identificaram indícios de uma série de irregularidades na condução do banco.

Segundo a PF, há suspeitas de que administradores da instituição tenham criado mecanismos para apresentar uma situação financeira mais favorável do que a real, por meio da alteração de informações contábeis e da geração artificial de receitas.

A prática teria permitido inflar o valor de ativos e esconder problemas que poderiam comprometer a saúde financeira da instituição. As movimentações sob suspeita envolvem cifras de centenas de milhões de reais.

A Polícia Federal também apura se recursos do banco foram direcionados de forma irregular para beneficiar a empresa que controla a instituição financeira. Outro foco das investigações é a suspeita de manipulação de dados enviados aos sistemas oficiais utilizados pelo Banco Central para fiscalizar o mercado.

Os investigados poderão responder por crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, entre eles gestão fraudulenta, prestação de informações falsas em demonstrativos contábeis e realização de operações de crédito proibidas pela legislação.