domingo, 28 de junho de 2026

 

Tentativas de reconciliação fracassaram antes do embate público entre Flávio e Michelle

Crise entre Flávio e Michelle poderia ter sido evitada

Rafael Moraes Moura
O Globo

Antes da crise deflagrada com a divulgação do vídeo de Michelle Bolsonaro, o pré-candidato do PL à Presidência da República, senador Flávio Bolsonaro (RJ), ignorou conselhos de aliados para tentar pacificar a conturbada relação com a madrasta.

A convivência dos dois sempre foi marcada por um clima de ressentimento e desconfiança mútua, mas chegou a um patamar inédito de desgaste com a divulgação do vídeo em que Michelle acusa o enteado de tê-la desrespeitado e maltratado por conta das críticas que ela fez à aliança entre o PL e o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.

“HUMILHAÇÃO” – Segundo relatos, não faltaram candidatos a bombeiro para tentar apaziguar os ânimos antes que se chegasse ao vídeo postado nas redes sociais na última quarta-feira (24), em que Michelle diz ter sofrido uma “humilhação” de Flávio, que a teria acusado de não entender “nada de política”.

Entre os diferentes atores políticos que tentaram aparar as arestas no clã Bolsonaro estão o líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), a ex-ministra Damares Alves (Republicanos), e o próprio presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, que estava em Miami para acompanhar o jogo da Seleção Brasileira contra a Escócia quando a guerra foi deflagrada. Após o episódio, Valdemar alterou os planos e antecipou o retorno ao Brasil.

“A verdade é que, quando Michelle se firmou como liderança no PL, os filhos do Bolsonaro se sentiram ameaçados”, afirmou um interlocutor do clã ouvido em caráter reservado. “Faltou para o Flávio o raciocínio de que a Michelle pode até não ajudá-lo a ganhar as eleições, mas pode ajudá-lo a perder. Qual a mulher brasileira que rivalizaria hoje com a proporção da popularidade da Michelle? Só a Anitta.”

GESTO DE EGOÍSMO – Já a tropa de choque bolsonarista viu na ofensiva midiática de Michelle um gesto de “egoísmo” e “vaidade pessoal”, atitude de quem ainda não admitiu ter sido preterida na composição de uma eventual chapa presidencial com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

“O problema é que ela nunca engoliu a história de ela não ser a candidata a vice do Tarcísio. E qual a saída pro Bolsonaro? Que o Flávio se eleja e faça uma anistia, mas ela não pensa nisso”, afirmou um parlamentar que pediu para não ser identificado.

“Ela chama Alexandre de Moraes de irmão [Michelle chamou o ministro de “irmão em Cristo” durante evento em Brasília] e continua tendo o coração duro com o Flávio porque a candidatura dela foi inviabilizada pela dele. Jair Bolsonaro está dormindo com o inimigo.”

ELEITORADO FEMININO –  Entre integrantes do PL, há o temor de que o embate público entre madrasta e enteado atrapalhe a estratégia de Flávio de angariar votos no eleitorado feminino, principalmente entre as indecisas e independentes, que podem selar o resultado das urnas. Isso porque o cabo de guerra entre Flávio e Michelle, ainda que tenha respingado mais na imagem da ex-primeira-dama nas redes sociais, traz à tona questões como machismo e misoginia, dois tópicos que ressoam no eleitorado feminino.

Os números dos levantamentos mais recentes expõem os desafios no caminho do senador. Segundo a última pesquisa do instituto Datafolha, enquanto Flávio lidera entre homens (50%, ante 41% de Lula) numa eventual disputa de segundo turno, o presidente da República tem vantagem entre as mulheres (52% a 37%).

“Numa eleição, você vende a imagem de uma família exemplar e o que temos aqui é uma família em pé de guerra. Como que Flávio vai se eleger presidente da República para unir o país se não consegue garantir a paz nem dentro da própria família?”, questiona um aliado de Bolsonaro.

Brasil precisa de um presidente que saiba como enfrentar Trump e Macron

Trump threatens 100% tariffs on wine if France won't drop tech tax | Mashable

Macron e Trump querem boicotar o agronegócio brasileiro

Carlos Newton

Deitado eternamente em berço esplêndido, o Brasil precisa desesperadamente de um governante que consiga entender o jogo-duro da política internacional e os movimentos que fazem as grandes potências, como Estados Unidos, China e União Europeia. Existe um político com esse perfil, o ex-governador Tarcísio de Freitas, mas está fora de cogitações, descartado pela ignorância e presunção de Jair Bolsonaro.

Ao anunciar a candidatura do filho mais velho, que não tem o menor preparo para governar o país, o ex-presidente demonstrou total desprezo aos interesses nacionais e criou um problema de difícil solução.

DIGNIDADE – Mesmo sem o apoio de Bolsonaro, Tarcísio poderia ter saído candidato a Presidência, com grandes chances de vencer Lula da Silva e montar um governo de união nacional, como fez Itamar Franco (1992/1995), que era filiado ao PL e armou uma fortíssima base aliada, integrada por PMDB, PSDB, PFL, PSB, PTB, PDT, PDS, PPS e até PCdoB, ficando o PT praticamente isolado na Oposição.

Mas Tarcísio de Freitas é um homem honrado, coisa rara na política, e teve a dignidade de se mostrar agradecido a Bolsonaro, que o nomeou ministro da Infraestrutura e depois bancou a candidatura dele a governador de São Paulo.

Mas agora é tarde e o Brasil está imobilizado pela sinistra e deletéria polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro, dois perdidos numa política suja, como diria o ator, diretor e dramaturgo Plínio Marcos. E nenhum dos dois tem condições de defender os interesses do Brasil, que está sob forte ataque no xadrez da política internacional.

TESE DE TRUMP – O presidente Donald Trump quer eleger Flávio Bolsonaro porque será um serviçal dos EUA, enquanto Lula é um político que poderá atrapalhar bastante os interesses norte-americanos, ao se ligar ainda mais à China.

O déficit comercial dos Estados Unidos com a China é de US$ 300 bilhões. Os americanos importam muito mais produtos manufaturados e eletrônicos do que exportam para o mercado chinês, negociando principalmente produtos agrícolas, matérias-primas e produtos industriais, como aeronaves e componentes para linhas de produção.

Em queda nas pesquisas e com rejeição crescente, Trump pode levar à derrota o Partido Republicano em novembro, quando serão eleitos os 435 membros da Câmara dos Deputados, um terço do Senado e muitos governadores, prefeitos, legisladores estaduais e autoridades locais.

TARIFAÇOS –  Para tentar reduzir esse déficit e proteger a indústria local, a administração norte-americana tem adotado diversas medidas, especialmente os tarifaços nas importações e os subsídios ao setor agrícola, os chineses fazem o mesmo e a Europa também é cada vez mais protecionista, liderada pelo francês Emmanuel Macron.

Em meio a essa intrincada crise, o próximo presidente brasileiro precisa saber se equilibrar para defender os interesses nacionais. Os principais candidatos — Lula e Flávio — são totalmente despreparados. Os outros 12 candidatos também são decepcionantes.

O menos ruim, digamos assim, é o ex-governador Ronado Caiado, mas sua candidatura demora a decolar, porque é boicotada pelo próprio presidente do PSD, Gilberto Kassab, que age como dono do partido e não admite que surja alguma liderança que possa destroná-lo.

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P.S.Este ainda é o retrato da política brasileira, polarizada entre Lula, líder sem herdeiros, e Bolsonaro, líder com herdeiros abaixo da crítica. Pode ser que Caiado desponte, mas está difícil. Essa situação faz lembrar a velha piada de que o Brasil só cresce à noite, quando os políticos estão dormindo e não conseguem atrapalhar. (C.N.)  

 

Nova no Líder do governo no Senado, Teresa Leitão nunca despachou com Lula

Cláudio Humberto

Pressão baixa

Teresa não tem grande experiência no Senado, está em seu primeiro mandato e aliados sempre criticam a apatia da parlamentar.

Não estou

O desprezo de Lula não é exclusividade da pernambucana. O petista não despacha com senadores ou deputados desde o ano passado.

E só

Foram dois os senadores com mais despachos privados com Lula: Wagner e Rodrigo Pacheco (PSB), ex-presidente roda presa da Casa.

Rolo Master

Jaques Wagner estava na liderança desde o início do Lula 3, caiu após batida da polícia em operação contra falcatruas do Banco Master.

Foto: Pixabay

Cai número de celulares devolvidos após roubo

Não vai muito além de factoide em ano eleitoral a segunda fase do tal “Celular Seguro”, programa que Lula diz coibir roubo e furto de aparelhos telefônicos. A última edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública (2025) mostra que foi na gestão de Jair Bolsonaro, em 2020, o ano com menor número de ocorrências de roubo e furto de celulares. Naquele ano, quando nem mesmo existia o tal programa, foram, ao todo 825.923 ocorrências. Em 2024, primeiro ano do “Celular Seguro”, 850.804 casos.

Menos devoluções

O anuário registra ainda queda de 8,9%, entre 2023 e 2024, no número de aparelhos recuperados e devolvidos aos donos.

Nada resolve

O estado com pior relação entre aparelhos roubados x aparelhos devolvidos é o Pará, que tem programa de recuperação de smartphone.

Fluxo do crime

A compra de aparelhos furtados pelo brasileiro comum é o fim do ciclo do crime, que antes usa para extorsões, revenda de peças e exportação.

Poder sem Pudor

Era uma vez Pió

Campina Grande (PB) também vivia sob a lei marcial da Revolução de 1932 quando certa madrugada o vereador Zé Pió retornava de uma farra, em pleno blecaute, e foi interceptado por um sentinela: “Alto lá!”. Zé Pió não percebeu que a advertência era para ele e continuou a andar, tateando a escuridão. O milico engatilhou o fuzil: “Quem vem lá? Fale ou leva fogo!”. Gritou o vereador: “É Pió! Não atira que é Pió!”. Pior para ele. O soldado achou que era uma provocação e mandou bala.

Bumbo

O governo Lula (PT) fez alarde para anunciar que o Sistema Único de Saúde começou a “distribuir canetas emagrecedoras”. Na verdade, é um estudo limitado a 250 pacientes, todos com obesidade mórbida ou grave.

Sem padrão

Raio-X do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mapeou estados com iniciativas para recuperar celulares roubados ou furtados: 13 estados têm programas; seis têm programas isolados e outros oito não têm nada.

Petista Master

Sobraram sorrisos amarelos no ato político com o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), na sexta (26). É que Jaques Wagner, alvo de batida da Polícia Federal sobre o rolo do Banco Master, estava no palco.

Cadê o dinheiro?

O governador de Santa Catarina Jorginho Mello (PL) chamou Lula de picareta e o desmentiu sobre ter recusado R$24 bilhões para obras, “onde estão esses R$24 bilhões? Eu saio daqui agora e vou pra Brasília”.

Frase do dia----“Nenhum homem é maior que a Justiça”

Hélio Lopes (PL-RJ) sobre chance de Alexandre de Moraes ter atos analisados fora do Brasil

Já tem tempo

Liquidada pelo Banco Central, a Sefer Investimentos foi alvo da Operação Fundos Fake, deflagrada em 2020 pela Polícia Federal, que investigou também o Banco Máxima, nome anterior do... Banco Master.

Puxa a ficha

Com R$430 milhões a receber, a Sefer Investimentos também era uma das principais credoras do Grupo Fictor, aquele que tentou comprar o Banco Master e acabou pedindo recuperação judicial no início do ano.

Endireitou

Nos EUA, 13 democratas liderados pelo deputado Tom Suozzi romperam com os socialistas do partido e assinaram o compromisso "Promessa à América", apoiando fronteiras fortes, capitalismo e patriotismo.

Candidaturas fake

O deputado Rodrigo Valadares (PL-SE) acusa a esquerda de usar estratégia suja na eleição: “promover falsas candidaturas de direita para minar quem realmente tem compromisso de combater o sistema”.

Pensando bem...

...tem líder sem despacho e teve líder despachado.