quarta-feira, 6 de maio de 2026

 

Lula vazou audiência antes de Trump confirmar que o receberia

Lula (PT) | Foto: assessoria/divulgação.

A Casa Branca confirmou apenas na noite desta terça-feira (5) a audiência de Lula (PT) com o presidente Donald Trump, que deve ocorrer amanhã (7), em Washington. Na linguagem diplomática, é sinal de desprestígio confirmar reunião de chefe de governo apenas na véspera. O governo petista se apressou e divulgou o encontro, certamente por razões eleitorais, antes de Trump confirmar que o receberia. Afinal, caso o encontro novamente fosse cancelado, Lula poderia retemperar o velho discurso contra o “imperialismo” e proclamar “soberania”. A audiência anterior já havia sido cancelada em cima da hora pela Casa Branca, sob alegação de que Trump tinha muito a fazer. Na ocasião, o ditador Nicolás Maduro seria preso e os EUA começariam com Israel a atacar a ditadura do Irã.

Nada oficial

A própria Presidência da República contou à imprensa que a reunião era uma “previsão”, sem garantir que ocorreria.

Memória

O primeiro encontro oficial dos dois foi em outubro de 2025, na cúpula de países do Sudeste Asiático (Asean), na Malásia.

Esbarrão

Será a primeira em território americano desde que se esbarraram no corredor de acesso ao plenário da Assembleia-Geral das ONU, em Nova York.

Química rápida

O encontro rápido entre Lula e Trump nas Nações Unidas ficou conhecido pela tal “química” citada gentilmente pelo americano.

Senador Rodrigo Pacheco e o presidente da República, Lula - Foto; Agência Senado.

PT quer resolver crise com Pacheco esta semana

Ainda magoado e irritado com a humilhante semana de derrotas no Congresso, Lula deu ordens para que o PT resolva logo o palanque em Minas Gerais e pressione Rodrigo Pacheco (PSB) para descer do muro. No Planalto, paira a desconfiança de que o senador mineiro atuou na rejeição de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF). Quem vai dar o enquadro em Pacheco é o presidente do PT, Edinho Silva, que deve resolver o imbróglio até o retorno de Lula dos Estados Unidos.

Desandou o palanque

O PT já dava como certo que Pacheco, que até mudou para o PSB, daria palanque a Lula em Minas, mas o clima de traição azedou a aliança.

Amnésia petista

Pacheco não perde a chance de lembrar os governistas de que foi ele quem arranjou o encontro entre Messias e Davi Alcolumbre.

Corpo mole

O senador não acredita em esforço de Lula pela candidatura, a começar pela manutenção dos ministérios do PSD, que tem candidato no Estado.

Poder sem Pudor

Dos Thales, o maior

Dois gigantes do colunismo político, os saudosos Carlos Castello Branco, do Jornal do Brasil, e Luiz Recena, do Jornal de Brasília, compartilhavam do privilégio de terem como fonte o deputado pernambucano Thales Ramalho. Certa vez, em resposta a notícias da escolha do conterrâneo Fernando Lyra para o ministério de Tancredo Neves, Thales perpetrou uma maldade que era também uma grande injustiça: “Fernando não pode ser ministro da Justiça porque é um analfabeto.” Certa sexta-feira, já recomposto com Lyra, ele surpreendeu: “Castello, escreva pra domingo: Fernando será ministro da Justiça.” Castelinho cobrou: “Pô, Thales, ele não era um analfabeto?” A resposta saiu na bucha: “Alfabetizou-se esta semana, Castello...”. Depois ligou para Recena: “Escreva isto também, vá que o Castello esqueça...”

Até chover

Máxima em Brasília diz que quando os parlamentares querem, até chove. Esta semana, para adiantar tramitação do projeto da escala 6x1, a Câmara dos Deputados terá até raríssima sessão sexta-feira.

Desânimo

Mais da metade dos pequenos e médios empresários, 52,3%, não parecem lá muito animados com o Dia das Mães. O grupo, aponta a Serasa Experian, não vai realizar nenhuma ação específica para a data.

Remarca aí

Com pouca chance de sair alguma coisa, a reunião da lulista Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, que ouviria Gabriel Galípolo ontem (5), não rolou. O presidente do Banco Central teve um mal-estar e não foi

Vermelho no CNJ

O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) disse que representou contra o presidente do TST no Conselho Nacional de Justiça. Luiz Philippe Vieira de Mello Filho se declarou “vermelho” em sessão da Corte.

Frase do dia---“O PT não desenrola, apenas enrola ainda mais o Brasil e o povo”

Senador Rogério Marinho (PL-RN), sobre o relançamento do fracassado Desenrola

Ajuda

Com 27 cidades pernambucanas castigadas pela chuva, a governadora Raquel Lyra (PSD) amanheceu em Brasília com o pires na mão para salvar os municípios. A meta é conseguir R$6,3 bilhões da União.

Crescemos!

Com todo vigor de quem tem 28 anos, a coluna cresceu e estreou no tradicional Diário do Comércio, que se soma a mais de 20 jornais pelo Brasil que reproduzem a Coluna Cláudio Humberto.

Volta à cena

Depois de José Dirceu, que se enrolou no Mensalão e no Petrolão, outro distinto petista vai tentar candidatura à Câmara. É o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, que até puxou cana no Mensalão e na Lava Jato.

Só problema

A preocupação com as Bets chegou à Associação Brasileira da Indústrias Exportadoras de Carne. A gastança com a jogatina já compromete a renda familiar e impacta o consumo de alimentos, como carne bovina.

Pergunta suprema

O TST é a única Corte que tem ministros “vermelhos”?

terça-feira, 5 de maio de 2026

 

PONTO DE VISTA: Guerra 

sem solução

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
05/05/2026 06:00
2 horas e 8 minutos

Não há nenhuma dúvida que a guerra no Irã afeta o mundo. O que se discute no momento são a sua duração e as consequências. Existem duas maneiras de solucioná-la: a primeira seria a via diplomática, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não a deseja, a menos que o Irã se renda incondicionalmente. A abertura do estreito de Ormuz, passagem de navegação comercial por onde passa cerca de 20% da produção do petróleo mundial, parece resistir a essa pretensão. A outra solução seria o extermínio de uma civilização inteira “para nunca mais ser trazida de volta”, conforme o desejo de Trump. Nervoso por ter sido influenciado por Benjamin Netanyahu, que o convenceu a invadir o Irã juntamente com Israel sem objetivo aparente, ambos imaginavam uma rápida queda do regime dos aiatolás, mas essa aposta não se concretizou.

A consequência imediata foi o abalo na economia mundial com o aumento do barril do petróleo Brent, que era negociado por cerca de 70 dólares no fim do ano passado. O barril passou para mais de 111 dólares logo no início do conflito. Internamente, a alta dos combustíveis fez a aprovação de Trump despencar para menos de 40%, segundo o agregador de pesquisas Silver Bulletin, em 26 de março. Hoje é maior. Do ponto de vista geopolítico, Trump iniciou uma guerra que talvez não consiga vencer, e que lhe trará sérias consequências políticas. A maioria dos analistas não consegue entender o plano estratégico de Trump,  já que, pelos altos e baixos dos seus pronunciamentos, tudo indica que não há nenhum. As justificativas dadas para a guerra continuam mudando, conforme os acontecimentos.

 O estreito de Ormuz, situado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, separando o Irã (ao norte) da Península Arábica (ao sul), deu uma vantagem ao Irã sobre toda a máquina de guerra israelense e americana. Trump imaginava que o sucesso da operação na Venezuela, na qual forças especiais americanas capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fosse se repetir. Tampouco imaginava que o fechamento do estreito de Ormuz, que se mantém há mais de um mês, desencadeasse repercussões nos preços mundiais do petróleo e do gás. Segundo Adriana Carranca, coautora do livro “O Irã sob o Chador”, foi um erro supor que a maioria dos iranianos, que têm enfrentado a brutalidade do regime em protestos crescentes, apoiaria um ataque unilateral dos EUA e de Israel contra seu país. Foi um “engano que ignora a história do país”. Mesmo não apoiando o regime, os iranianos “não confiam em Israel nem nos Estados Unidos”. Essa também é a visão da ativista feminista iraniana Parvin Ardalan, que, numa entrevista, afirmou que o povo do Irá não concorda com a guerra, mas “Não queremos a volta da monarquia nem outra forma de ditadura. A situação atual é muito difícil porque, de um lado, somos contra os interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de Israel, que tentam usar o povo para seus próprios interesses. Por outro lado, enfrentamos a ditadura no Irã, que há muito oprime, mata e reprime a população. Encontrar uma solução é extremamente difícil, mas precisamos nos posicionar contra essa forma de dominação vinda de ambos os lados”.

Os danos da guerra não são apenas políticos e econômicos. Além da tragédia humana com a perda de vidas, trouxe consequências ambientais muito sérias, como a contaminação do solo, da água, chuva ácida e efeito estufa, com consequência devastadoras para a economia mundial e para a estabilidade internacional. Renomados autores entendem que a continuidade dessa escalada sob o comando de Trump e de Netanyahu certamente levará a uma guerra regional que se transformará em um conflito mundial. Independente disso, a falta de fertilizantes nitrogenados, utilizados para produzir a metade dos alimentos disponíveis no mundo, vai afetar a economia global. A guerra também está impactando a cadeia de suprimentos de medicamentos e produtos farmacêuticos.

A indústria farmacêutica da Índia, a maior fornecedora mundial de medicamentos genéricos, que produz 60% das vacinas do mundo, foi afetada com o bombardeio do aeroporto de Dubai pelo Irã, importante centro de distribuição, de acordo com dados do Departamento de Comércio da Índia. Aliados alertaram que seria um grave risco entrar em guerra contra o Irã. Trump entrou, mas não sabe como sair. Foi na onda de Netanyahu, que é devotado ao princípio da sobrevivência a qualquer custo. Trump não aprendeu a lição de Sun Tzu, que, no livro “A arte da guerra”, ensina que nem sempre o confronto direto será a solução mais inteligente a ser tomada. É preciso encontrar outras formas de lidar com um problema sem que isso seja a força bruta, usando sua mente, explorando possibilidades e aprendendo a sair por cima de forma digna e criativa, pois, “A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. 

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.