sexta-feira, 15 de maio de 2026

 

É triste ver o STF manipular o Regimento para impedir a absolvição de Bolsonaro

Tribuna da Internet | Depois de superado o golpismo, é preciso impor limites severos ao Supremo

Charge do Alpino (Yahoo Notícias)

Carlos Newton

O jurista Jorge Béja recentemente citou aqui na Tribuna da Internet a “anarquia jurídica” que reina no país. Realmente, nunca se viu nada igual. Além das tais “reinterpretações” das leis pelo Supremo, um fenômeno recente que envergonha a Justiça do Brasil perante o resto do mundo, a esculhambação chega a tal ponto que o Supremo cometer erros propositais ao informar sobre seu Regimento Interno no caso de Jair Bolsonaro.

No dia 15 de maio, quando os novos advogados do ex-presidente deram entrada à ação de revisão criminal, o próprio site da Suprema Corte divulgou uma explicação oficial sobre o processo, citando dispositivos do Regimento Interno que absolutamente não se aplicam à questão, vejam até onde vai a desfaçatez. E o objetivo claro é afastar de imediato qualquer possibilidade de absolvição de Bolsonaro.

MANIPULAÇÃO – A matéria teve o título “Ex-presidente Bolsonaro apresenta revisão criminal contra condenação por tentativa de golpe de Estado, acrescido do ardiloso subtítulo que já induz a manipulação, ao destacar: “Instrumento processual é utilizado contra condenações definitivas, e competência para julgamento é do Plenário.

No texto, é equivocamente citado o artigo 6º do Regimento, inciso I, alínea c, determinando que compete ao Plenário “julgar a revisão criminal de Julgado do Plenário”.

A que ponto chegamos… É óbvio que os responsáveis pelo site do STF jamais tomariam a iniciativa de cometer erros propositais, em assunto de tal magnitude, porque poderiam ser demitidos. Portanto, algum ministro encarregou sua equipe de manipular as informações e passá-las aos editores do portal.

“REINTERPRETAÇÃO” – Fica claro que o grupo de ministros ligados a Lula deu início à “reinterpretação” do Regimento, para evitar a correção dos erros judiciários e processuais cometidos pelo relator Alexandre de Moraes e pela Primeira Turma, que os consagrou.

Esses ministros de forjado saber e reputação nebulosa tentam fingir que o artigo 6º se aplica ao caso, mas é grotesco fazê-lo, pois Bolsonaro não foi julgado pelo Plenário, até porque foi processado muito depois de ser presidente.

Eles procuram esconder também que em 7 de dezembro de 2023 aprovaram, por 10 votos a 1, a competência das Turmas para processar e julgar ações penais. As alterações no Regimento, que racionalizaram a distribuição dos processos criminais e reduziram a sobrecarga do Plenário, também acabaram com a figura do revisor nessas ações.

NOVA REALIDADE – Originalmente, a competência para julgar ações penais era do Plenário. O congestionamento da pauta no “Mensalão” motivou em 2014 o deslocamento para as Turmas, para acelerar a resolução das ações criminais no menor tempo possível.

Em 2020, o STF restaurou a competência do Plenário, que retomou a atribuição de processar e julgar, nos crimes comuns, o presidente e o vice-presidente da República, os presidentes do Senado e da Câmara, os ministros do STF e o procurador-geral da República, mas exclusivamente em relação aos crimes praticados no exercício e em razão da função pública.

Justamente por isso, Bolsonaro foi julgado pela Primeira Turma, sem possibilidade de recorrer ao Plenário, o que seus advogados até tentaram fazer, sem êxito. Mas agora os ministros (aqueles de sempre) querem melar o jogo e fazer Bolsonaro ser julgado no Plenário, onde a derrota dele é certa. Na Segunda Turma, porém, a absolvição tem chances de prevalecer, com o voto que Fux já deu, somados aos de Nunes Marques e André Mendonça, deixando Gilmar Mendes e Dias Toffoli como votos vencidos, conforme há meses temos afirmado aqui na Tribuna, com absoluta exclusividade.

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P.S. 1
Cabe aqui uma ressalva importantíssima. Ao trazer a debate esses erros propositais do site da Suprema Corte, o editor da Tribuna da Internet não tem a menor intenção de defender Jair Bolsonaro, a quem conhece pessoalmente e sempre o considerou um completo idiota, comparável a Lula da Silva, um político enganador de renome internacional. O que importa, no caso, é revelar como as leis podem ser manipuladas à vista de todos, como ocorreu em 2019, na libertação ilegal de Lula, e em 2021, na limpeza também ilegal de sua ficha, para que pudesse se candidatar.

P.S. 2Amanhã, vamos analisar a conturbada campanha eleitoral entre dois políticos de ficha suja – Lula da Silva, condenado sempre por unanimidade até no STJ, e Flávio Bolsonaro, o rachadista que só comprava imóveis com dinheiro vivo, para esconder a origem criminosa. Mas depois a gente volta a falar do Supremo e seu mar de lama, é claro. (C.N.) 

 

URGENTE: Nova pesquisa é divulgada após vazamento de áudio

Uma nova pesquisa eleitoral divulgada nesta quinta-feira (14) pelo instituto Gerp mostra um cenário de forte equilíbrio entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o petista Lula na disputa pela Presidência da República em 2026. O levantamento indica empate técnico nos dois cenários estimulados de primeiro turno, embora Flávio apareça numericamente à frente do petista.

Na modalidade espontânea, em que os nomes dos candidatos não são apresentados aos entrevistados, Flávio Bolsonaro lidera com 31% das citações, enquanto Lula aparece logo atrás, com 30%. Os demais nomes registraram índices baixos, e 33% disseram não saber ou preferiram não responder. No primeiro cenário estimulado, Flávio Bolsonaro alcança 36% das intenções de voto, contra 34% de Lula. Em seguida aparecem Ciro Gomes (PSDB), com 6%, Romeu Zema (Novo), com 5%, e Pablo Marçal (União Brasil), com 2%. Outros nomes ficaram abaixo de 2%.

Já no segundo cenário estimulado, Flávio amplia ligeiramente a vantagem numérica e marca 37%, enquanto Lula soma 35%. Ciro Gomes registra 7% e Romeu Zema aparece com 6%. Ronaldo Caiado (PSD) atinge 2%, enquanto os demais candidatos permanecem com índices reduzidos.

A pesquisa também simulou possíveis confrontos de segundo turno. No cenário entre Flávio Bolsonaro e Lula, o senador do PL venceria por 50% a 43%. Em outra projeção, Ciro Gomes aparece tecnicamente empatado com o presidente, registrando 40% contra 38%.

Nos cenários envolvendo governadores e outras lideranças da direita, Lula surge empatado tecnicamente com Romeu Zema e Ronaldo Caiado. Contra Zema, o petista marca 43%, enquanto o ex-governador mineiro aparece com 41%. Já diante de Caiado, Lula tem 43% contra 39% do governador de Goiás.

O levantamento ainda mediu os índices de rejeição dos possíveis candidatos. Lula lidera nesse quesito, com 49% dos entrevistados afirmando que não votariam nele “de jeito nenhum”. Flávio Bolsonaro aparece em seguida, com 41% de rejeição. Pablo Marçal registra 21%, enquanto Romeu Zema soma 14%.

Segundo a Gerp, os números representam apenas um retrato momentâneo do cenário político e eleitoral, podendo sofrer alterações ao longo da pré-campanha presidencial. O instituto também destacou que fatores como alianças partidárias, desempenho econômico e exposição dos candidatos nas redes sociais devem influenciar diretamente a evolução da disputa nos próximos meses.

O estudo ouviu 2.000 eleitores entre os dias 8 e 12 de maio de 2026. A margem de erro é de 2,24 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95,55%. O registro da pesquisa no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-03369/2026. 

A pesquisa foi divulgada após o vazamento do áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, fato que que criou narrativas na grande mídia e na esquerda que já foram desmentidas pelo senador.

 

Negócios, negócios, amigos à parte: analistas avaliam encontro 'paz e amor' entre Trump e Xi

O presidente chinês, Xi Jinping, aperta a mão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no Grande Salão do Povo, em Pequim, em 14 de maio de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 14.05.2026
Especiais
"Um dos eventos mais importantes da história recente", declarou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o encontro com seu homólogo chinês, Xi Jinping, nesta quinta-feira (14), em Pequim.
O clima amistoso da visita foi chamado de "fantástico" e "produtivo" por parte do estadunidense, enquanto Xi declarou que a visita tinha "caráter histórico".
Trump chegou em Pequim ontem (13) e permanecerá na capital chinesa até amanhã (15), marcando a primeira visita oficial em nove anos de um presidente dos EUA ao país asiático.
O encontro também ocorre após meses de trocas de acusações, ameaças de sanções, críticas e retaliações comerciais entre as duas maiores economias do mundo, em um momento em que a Casa Branca está fragilizada pelo mal desempenho na guerra contra o Irã.
O último encontro entre Xi e Trump ocorreu em outubro de 2015, em Busan, Coreia do Sul, onde os líderes assinaram uma trégua na guerra comercial iniciada pelos EUA com a imposição de tarifas a diversos produtos chineses.
Analistas ouvidos pela Sputnik Brasil avaliaram que discursos e acenos positivos de ambos os lados eram esperados e refletem a disposição tática e transacional de evitar tensões desnecessárias.
Professora de relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e coordenadora do Laboratório de Estudos da Ásia (LabÁsia/UERJ), Alana Camoça observou que o clima amigável deve ajudar a mitigar as "múltiplas tensões que estão escalando, da guerra com o Irã às fricções tecnológicas e comerciais".

"É um primeiro encontro que sinaliza diálogo e espaço para cooperação em determinadas áreas, mas ainda não trouxe efetivamente à tona tensões no âmbito financeiro […]. Existem tensões envolvendo o Leste Asiático, Taiwan, disputas tecnológicas que são mais centrais no âmbito puramente bilateral."

Para o pesquisador sênior do think tank Observa China Gustavo Alejandro Cardozo, o evento foi um "teatro necessário para os mercados" e para dar um respiro às cadeias de suprimentos.

"É uma paz armada, vestida com trajes de gala e declarações de boa vontade, mas com os olhos fixos em quem ditará as regras do sistema internacional na próxima década", argumentou.

Os avanços nas negociações econômicas bilaterais foram ressaltados pelo pesquisador associado do Laboratório de Estudos em Economia Política da China (LabChina), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Cassiano Schwantes como os mais palpáveis do encontro. Ele observou que empresários e bilionários da comitiva de Trump relataram tratativas positivas com Xi nessa seara.

"Tudo indica que haverá maior abertura para discussões sobre as atuais turbulências internacionais, principalmente no que diz respeito a possíveis tréguas nas sanções econômicas de ambos os lados, além da redução de tarifas e da ampliação da abertura comercial para agentes privados interessados."

O pesquisador, que também é mestre em economia política internacional, acrescentou que diminuir as medidas tarifárias que elevam custos e dificultam o funcionamento das cadeias globais de valor pode beneficiar internamente a economia estadunidense e que Trump poderá utilizar isso politicamente.
Entretanto, a necessidade de vitórias retóricas na política interna de Trump e de estabilidade para consolidar o projeto de modernização de Xi não mitiga embates estruturais entre as duas nações, opinou Cardozo: "As placas tectônicas da hegemonia continuam a colidir no fundo do oceano".
Donald Trump posa para foto com Xi Jinping durante reunião à margem da cúpula do G20 em Osaka. Japão, 29 de junho de 2019 - Sputnik Brasil, 1920, 13.05.2026
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'Uma coisa é uma coisa…'

Xi declarou no discurso de abertura do evento com Trump que o renascimento da China e o lema "Faça a América grande novamente" podem avançar lado a lado. Mas, para os estudiosos ouvidos pela Sputnik Brasil, a afirmação é pura retórica e reuniões como essa visam estabelecer canais de comunicação de crise para evitar atritos mais graves, já que uma parceria de aliados não se enquadra nos projetos vislumbrados pelos estadistas para suas nações:

"O projeto do 'renascimento chinês' pressupõe revisão da ordem internacional e, de forma mais específica e interessada pela China, regional no Leste Asiático […]. A ideia de fazer a 'América great again' no seu centro pressupõe supremacia tecnológica, econômica e militar americana. E isso não parece ser um caminho possível considerando a ascensão da China, sobretudo na área econômica e tecnológica", declarou a professora da UERJ.

Trump e Xi Jinping - Sputnik Brasil, 1920, 14.05.2026
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A observação de Cardozo vai na mesma linha de Camoça ao apontar que, geopoliticamente, os países representam dois vetores de força nacionalista operando em um espaço finito.

"Na prática, isso só seria plausível se Washington aceitasse finalmente que a ordem unipolar morreu, algo que o establishment estadunidense não vai digerir facilmente, por mais que Trump prefira acordos bilaterais em detrimento das alianças multilaterais […]. Não estamos diante de uma trégua na governança global, mas, sim, de um interlúdio. […] a governança está em pausa, não em recuperação".

O pesquisador do LabChina também frisou que o discurso de Xi sobre a coexistência como necessidade para o futuro da ordem global, na prática, mostra-se atualmente difícil:

"Do ponto de vista geopolítico, diversos entraves permanecem presentes e continuarão surgindo. A própria lógica política e ideológica de Trump cria obstáculos para cooperações mais amplas em diversas áreas, e ele dificilmente romperá de imediato com sua forma de atuação."

O discurso conciliador de Trump, disse ele, reforçando a ideia de Cardozo, mirou na abertura comercial para empresas norte-americanas e até mesmo em questões diplomáticas mais amplas, como o eventual apoio chinês relacionado ao estreito de Ormuz.

Taiwan

Taiwan seguirá sendo a pedra no meio do caminho das boas relações entre as duas potências, avaliaram os entrevistados.
O governo chinês mencionou que o tema foi abordado na conversa e que Xi alertou que qualquer tentativa de instigar a independência da ilha acarretaria confronto com os EUA. A Casa Branca não mencionou o episódio.
"A posição da China sempre foi clara e está bem documentada, com a ideia de que a independência de Taiwan e a paz no estreito são irreconciliáveis", ressaltou Camoça.
Para a professora, o silêncio da Casa Branca pode ter sido motivado por cautela nessa fase inicial do diálogo, para evitar o custo doméstico e diplomático.

"O tema certamente renderá análises e discussões internas nos Estados Unidos, e por razões estruturais, não apenas políticas. Internacionalmente, há um risco de que determinados comentários impactariam as relações dos EUA com aliados no Indo-Pacífico, especificamente Japão, Coreia do Sul e Austrália, que observam esse encontro com atenção direta, pois qualquer sinalização americana sobre Taiwan redefine o cálculo de segurança de toda a região."

A questão de Taiwan, segundo Cardozo, "é onde o cinismo da diplomacia atinge o seu ponto máximo", uma vez que o silêncio da Casa Branca visa ganhar tempo para evitar uma escalada das tensões no estreito de Ormuz.
"Esse tópico não perdeu a vigência nem foi resolvido; foi simplesmente guardado na gaveta até que uma das partes acredite que tem a vantagem estratégica suficiente."
Já Schwantes ponderou que é provável que os Estados Unidos reduzam parcialmente o apoio a Taiwan em troca da flexibilização das tensões no estreito de Ormuz, considerando a proximidade entre China e Irã, além das recentes iniciativas chinesas de mediação, com o Paquistão, em busca de estabilidade regional.
"Considerando que os Estados Unidos enfrentam eleições de meio de mandato neste ano e que Trump busca reduzir os índices de reprovação de seu governo, é possível esperar um movimento de arrefecimento dos conflitos internacionais, especialmente em relação ao Irã. O prolongamento do conflito além do esperado pela Casa Branca gerou forte pressão política interna sobre Trump, o que torna sua visita à China simbólica e estrategicamente importante", concluiu ele.

América Latina

Terreno de disputa constante e acirrada, sobretudo devido aos recursos naturais cada vez mais essenciais à manutenção da economia mundial, a América Latina é outro ponto de cisão nas negociações sino-estadunidenses, na opinião de Camoça. Ela comentou que a distensão bilateral EUA-China não deve alterar muito esse cenário.

"É evidente que a China avançou de forma consistente em infraestrutura, comércio e influência diplomática na região na última década, e isso tem produzido uma percepção positiva crescente de Pequim em vários países, não por acaso entre governos mais alinhados a posturas diplomáticas multilaterais, que se descolaram progressivamente dos EUA. Todavia, a pressão de Washington na região em termos militares e de segurança é inegável."