quinta-feira, 16 de julho de 2026

 

efeito das reações de Michelle

Charge do Cláudio (Folha)

Pedro do Coutto

A política costuma ensinar que adversários externos são mais fáceis de enfrentar do que divergências internas. Quando o conflito nasce dentro da própria família política, o custo tende a ser maior porque afeta aquilo que nenhuma campanha consegue fabricar rapidamente: a percepção de unidade.

É nesse contexto que se insere o esforço do senador Flávio Bolsonaro para reduzir os efeitos políticos do crescente protagonismo de Michelle Bolsonaro, tema abordado por Vera Magalhães em sua coluna publicada em O Globo. Segundo a jornalista, Flávio trabalha para reconstruir pontes com o eleitorado feminino e impedir que a ex-primeira-dama consolide um espaço político autônomo capaz de alterar os equilíbrios internos do bolsonarismo.

ESPÓLIO POLÍTICO – A movimentação não surpreende. Desde que Jair Bolsonaro passou a enfrentar restrições judiciais e viu diminuir sua capacidade de liderar diretamente a oposição, a disputa pela condução do espólio político do ex-presidente deixou de ser uma hipótese para se tornar um processo em andamento. Embora o discurso oficial continue enfatizando união, os sinais emitidos pelas principais lideranças indicam que diferentes projetos convivem sob o mesmo guarda-chuva partidário.

Flávio Bolsonaro ocupa uma posição singular nessa arquitetura. Como filho mais velho politicamente ativo e senador da República, procura apresentar-se como o herdeiro natural do capital político do pai. Sua estratégia tradicionalmente privilegia a negociação institucional, o diálogo com dirigentes partidários e a construção de alianças que ampliem a margem de sobrevivência eleitoral do grupo. É um perfil mais pragmático do que ideológico, preocupado em preservar a influência da família no Congresso e nas articulações nacionais.

Michelle Bolsonaro, por outro lado, construiu uma trajetória distinta. Sua força deriva menos da ocupação de cargos públicos e mais da conexão emocional estabelecida com parcelas importantes do eleitorado conservador, especialmente entre mulheres evangélicas. Durante a passagem pelo Palácio do Planalto, consolidou uma imagem pública baseada na religiosidade, na assistência social e em pautas familiares, atributos que lhe conferem identidade própria, relativamente independente da atuação parlamentar dos filhos de Jair Bolsonaro.

DESCONFORTO – É justamente essa autonomia que produz desconforto. Enquanto Flávio opera dentro da lógica da política institucional, Michelle dialoga com um campo marcado pela identificação simbólica. Em campanhas eleitorais contemporâneas, esse tipo de vínculo costuma ser mais resistente às oscilações da conjuntura, porque depende menos de resultados concretos e mais da construção de identidade coletiva.

Nos últimos meses, entretanto, o senador passou a enfrentar um ambiente menos favorável. O noticiário político deixou de oferecer fatos capazes de reorganizar a narrativa da oposição, enquanto episódios sucessivos ampliaram o desgaste interno do campo bolsonarista. Sem acontecimentos suficientemente fortes para alterar a agenda pública, a disputa por espaço dentro da própria direita ganhou mais visibilidade.

Esse talvez seja o maior problema para Flávio. Em política, narrativas precisam ser alimentadas continuamente por fatos novos. Quando eles deixam de surgir, prevalecem interpretações produzidas pelos próprios atores políticos e pela imprensa. Nesse vazio informativo, qualquer sinal de divergência passa a adquirir dimensão muito maior do que teria em momentos de intensa polarização nacional.

DIÁLOGO DIRETO – A dificuldade também decorre de uma mudança estrutural da política brasileira. Durante muitos anos, partidos concentravam o poder de definir candidaturas e controlar a comunicação. Hoje, lideranças individuais dialogam diretamente com milhões de seguidores nas redes sociais, produzindo agendas próprias e reduzindo a capacidade de coordenação das estruturas partidárias. Michelle Bolsonaro tornou-se uma expressão desse fenômeno. Sua influência já não depende exclusivamente da família nem do PL; ela resulta de uma comunidade política que reconhece nela atributos específicos.

Há ainda um componente geracional. Parte do eleitorado conservador demonstra disposição para preservar o legado de Jair Bolsonaro, mas sem necessariamente reproduzir toda a configuração familiar construída ao longo da última década. Isso abre espaço para diferentes interpretações sobre quem deve representar esse patrimônio eleitoral. Para alguns, a continuidade passa pelos filhos; para outros, Michelle reúne melhores condições de ampliar a base social do movimento.

Flávio parece compreender esse risco. Sua tentativa de reforçar a interlocução com o público feminino não decorre apenas de uma preocupação eleitoral imediata. Trata-se de reconhecer que as mulheres passaram a ocupar papel decisivo na definição das disputas presidenciais brasileiras. Nenhuma candidatura competitiva consegue ignorar esse segmento, especialmente depois das mudanças observadas nas eleições recentes, quando questões relacionadas à economia doméstica, segurança, saúde e qualidade de vida passaram a pesar tanto quanto as grandes disputas ideológicas.

CREDIBILIDADE – O desafio, entretanto, é que comunicação política não se resume à elaboração de discursos. Ela depende de credibilidade acumulada ao longo do tempo. Michelle construiu essa relação durante anos de exposição pública em agendas sociais, religiosas e assistenciais. Flávio precisaria produzir uma identidade própria para esse eleitorado, e isso dificilmente ocorre apenas como resposta a uma conjuntura desfavorável.

Outro fator limita sua margem de ação. A oposição enfrenta dificuldades para estabelecer uma agenda positiva capaz de deslocar o debate nacional. Enquanto permanece concentrada na defesa de Jair Bolsonaro e na reação às decisões judiciais envolvendo o ex-presidente, sobra pouco espaço para apresentar propostas capazes de mobilizar novos segmentos sociais. Sem uma plataforma programática renovada, cresce a tendência de que as disputas internas ocupem o centro do debate.

Esse cenário torna a administração das diferenças ainda mais delicada. Qualquer movimento excessivamente agressivo contra Michelle poderia ser interpretado como disputa familiar e produzir desgaste adicional. Por outro lado, a ausência de reação reforçaria a percepção de que sua liderança cresce sem contrapontos relevantes. Trata-se de um equilíbrio difícil de administrar.

MODELO DE LIDERANÇA – No fundo, a questão ultrapassa a relação entre Flávio e Michelle. O que está em disputa é o modelo de liderança que prevalecerá na direita brasileira após Jair Bolsonaro. Permanecerá uma estrutura fortemente familiar, organizada em torno dos filhos, ou surgirá uma configuração mais ampla, capaz de incorporar novas lideranças com autonomia política?

Ainda é cedo para responder. Mas uma conclusão parece inevitável: quando os principais desafios de um grupo político deixam de vir dos adversários e passam a nascer dentro de casa, o problema dificilmente pode ser resolvido apenas com estratégias de comunicação.

Ele exige redefinição de liderança, reorganização de prioridades e capacidade de construir consensos. Até aqui, os fatos sugerem que Flávio Bolsonaro ainda procura encontrar esse ponto de equilíbrio, enquanto Michelle Bolsonaro continua ampliando um capital político cuja principal característica é justamente não depender exclusivamente do sobrenome que a projetou nacionalmente.

Janja fala demais e acaba sugerindo um forte argumento contra Lei da Misoginia

Atuação de Janja no governo é insignificante, aponta pesquisa

Janja da SIlva não sabe se comportar como primeira-dama

Fernando Schüler
Estadão

Em declaração à imprensa, a primeira-dama Janja Lula da Silva disse que as críticas que ela recebe pelos gastos excessivos com viagens internacionais se dão devido a misoginia.

Ao fazer isso, ela acaba, evidentemente sem querer, dando, na minha visão, o mais claro e duro argumento contra a legislação que está em curso sobre esse tema no Congresso Nacional. É preciso lembrar que é um direito do cidadão fazer a crítica a gastos de dirigentes, sejam eles homens ou mulheres.

NO CONGRESSO – O projeto de Lei da Misoginia está em debate no Congresso Nacional. A primeira-dama foi entrevistada nesta segunda-feira, dia 13, quando afirmou ser alvo de misoginia e que críticas sobre gastos em viagens são para atacar Lula

Sobre isso, o que cabe à primeira-dama responder? É óbvio que precisa dar um devido esclarecimento, fornecer as informações e possibilitar o debate contraditório, porque a contradição, com o ‘a favor’ e o ‘contra’, acontece normalmente na democracia. O que a primeira-dama faz com essa alegação é basicamente o seguinte: doravante, qualquer crítica a gastos excessivos, sejam viagens ou outras despesas indevidas feitas por governantes, poderá ser atribuída misoginia caso sejam dirigidas a mulheres, sejam elas prefeitas, governadoras, presidentes, ministras, secretárias ou primeiras-damas.

FICA PROIBIDO – Se parte de Judiciário pensar como a primeira-dama Janja Lula da Silva, pode concluir que é criminoso quem critica qualquer mulher que ocupe cargo público.

Assim, o cidadão não pode mais criticar. É perigoso criticar, porque a sua opinião pode ser criminalizada e logo punida. Mas isso não existe em nenhum país que exerça regime democrático.

Sputnik

 

Pequim adverte Washington sobre presença no Pacífico: não há espaço, afirma mídia asiática

Barcos de abastecimento das Filipinas (à direita) são escoltados pelo BRP Sindangan, da Guarda Costeira filipina (à esquerda) enquanto navios da Guarda Costeira da China (fora da foto) tentam bloqueá-los no Second Thomas Shoal, local disputado no mar do Sul da China, durante missão de rotação e reabastecimento em 22 de agosto de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 16.07.2026
Pressionado por crises no Oriente Médio, Washington desloca navios da Guarda Costeira para o Pacífico Ocidental em uma tentativa de manter presença estratégica, mas a medida expõe limitações logísticas dos EUA e não altera a vantagem consolidada de Pequim na região, afirma artigo do Global Times.
As crises no Oriente Médio têm pressionado os EUA. Enquanto mobiliza a Marinha para as águas do estreito de Ormuz, Washington desloca às pressas pequenas embarcações da Guarda Costeira para o Pacífico Ocidental, em uma tentativa de manter presença em um vasto teatro marítimo.

Segundo a mídia norte-americana, seis navios de resposta rápida serão realocados para operações rotativas a partir de Cingapura e da Baía de Subic, como parte dos esforços para "dissuadir Pequim em relação a Taiwan" e ao mar do Sul da China.

Ao empregar a Guarda Costeira como instrumento de projeção global, os EUA transformam uma força tradicionalmente voltada à proteção costeira em ferramenta de intervenção de "baixo limiar". Para Pequim, porém, essa movimentação não altera sua determinação nem sua capacidade de defender direitos soberanos nas águas que reivindica, afirma o Global Times.
O envio das embarcações, no entanto, revela o desespero estratégico de Washington, já que grande parte de seus navios de superfície estão concentrados no estreito de Ormuz e no mar Arábico, ao passo que o governo tenta evitar um vácuo de poder no Pacífico Ocidental. As pequenas lanchas da Guarda Costeira funcionam como sinal político para aliados preocupados com o acúmulo de compromissos militares dos EUA.
Submarino da Marinha da China durante missão (imagem referencial) - Sputnik Brasil, 1920, 12.07.2026
Panorama internacional
China e Rússia exibem submarinos juntos e ampliam integração em exercício naval, diz mídia
Analistas chineses consultados pela mídia, como Song Zhongping, afirmam que o objetivo não é apenas preencher lacunas, mas posicionar previamente a Guarda Costeira norte-americana, frequentemente chamada de "segunda marinha", para familiarização operacional com ambientes hidrográficos complexos. Isso criaria bases técnicas e táticas para futuras intervenções e reforçaria a prioridade declarada de Washington de ampliar a consciência do domínio marítimo no Indo-Pacífico.

Ainda assim, a iniciativa expõe o contraste entre ambições estratégicas e fragilidade interna dos EUA, destaca o artigo, lembrando que a Marinha norte-americana enfrenta declínio na construção naval, atrasos crônicos de manutenção e uma crise de recrutamento, levantando dúvidas sobre a capacidade de sustentar destacamentos prolongados e evitar um "buraco negro logístico".

A integração crescente da Guarda Costeira norte-americana em estruturas multilaterais de cooperação policial e regulatória também preocupa países da região, que temem importar tensões geopolíticas ao aceitar tais operações. Para Pequim, que consolidou defesas robustas no mar do Sul da China e no estreito de Taiwan, essa interferência de baixo custo é um erro de cálculo, já que a Guarda Costeira chinesa detém vantagem física e numérica clara.
Diante desse cenário, o artigo conclui que Pequim sustenta não haver espaço para abusos da Guarda Costeira dos EUA na região. Segundo a mídia, a China possui ferramentas legais e operacionais amplas para neutralizar provocações, apoiadas por forças marítimas poderosas e pela determinação de defender sua soberania — fatores que, segundo essa visão, não seriam abalados por pequenas embarcações estrangeiras.

 

Vieira já ignorou convocação da Câmara três vezes

Chanceler Mauro Vieira (Foto - Valter Campanato/ Agência Brasil)

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, é reincidente no desrespeito aos deputados que representam o povo no Legislativo; já ignorou três convocações da Câmara em ocasiões diferentes. Ontem, o chanceler de Lula (PT) não apareceu na Comissão de Relações Exteriores para explicar suas afirmações de que a classificação pelos Estados Unidos de facções criminosas brasileiras como grupos terroristas vai provocar “ação militar dos EUA em território brasileiro”.

Ignorou...

Vieira foi convocado para explicar o asilo à ex-primeira-dama do Peru (condenada por corrupção) e a posição do governo Lula sobre o Irã.

...e dane-se

O Itamaraty não deu resposta oficial à Câmara, ontem, nem explicou a falta. O órgão sugeriu nova data, o que a comissão não aceitou.

Regimento é claro

“Somente comprovação médica ou agenda previamente estabelecida são justificativas”, disse à coluna o deputado Evair de Melo (Rep-ES).

Desqualificado

“Vieira é reincidente, já pode até pedir música. Foram três faltas, o que mais uma vez o desqualifica para o cargo”, criticou Melo.

Hugo Motta (à direita), acompanhando seu "pai político" no estadio Mane Garrincha, lno auge do poder de Eduardo Cunha - Foto: redes sociais.

Alvo central do STF contra emendas é mesmo Motta

Investigações sobre emendas parlamentares apontam para o presidente da Câmara, Hugo Motta (PB) como alvo central, mesmo com os holofotes iniciais direcionados ao ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (MG). São umbilicalmente ligados. A investigação indica que nenhuma das manobras atribuídas a Cunha – que não tem mandato – teria sido viável sem ordem da presidência da Câmara. Esse “aval” apontado pela Polícia Federal é o que liga o passado de Cunha ao presente de Motta.

Pupilo fiel

Motta foi pupilo e soldado fiel de Cunha e integrou sua “tropa e choque” quando o ídolo foi presidente a Câmara entre 2015 e 2016.

Filho político

Hugo Motta é frequentemente descrito em Brasília como “cria” ou “filho político” de Cunha, alguém que ascendeu replicando do ex-presidente.

Queda de braço

Motta reagiu fortemente à tentativa de “criminalizar a política”, segundo definiu. E promete mobilizar líderes para contestar as decisões do STF.

Poder sem Pudor

Gargalhando por dentro

Jânio Quadros estava em campanha para presidente, em 1960, e foi a Sete Lagoas (MG) para um comício com Magalhães Pinto, que disputava o governo de Minas contra Tancredo Neves. No comício, os oradores foram recebidos com ovos e vaias. A comitiva seguiu para uma cidade vizinha. No carro, Jânio ficou um tempão esperando que Magalhães Pinto dissesse alguma coisa. Desconfiava que ele estava por trás das vaias e dos ovos. Até que perdeu a paciência com o impassível aliado: “Os mineiros são terríveis. Quando não riem por dentro, riem por fora”.

Ferveu

O clima esquentou entre Júlia Zanatta (PL-SC) e Maria do Rosário (PT-RS). O problema começou com uma plaquinha que a petista apareceu no Plenário, o que é proibido, e depois murmurou “nazista”. Não deu outra.

Não é comigo

A mania de Lula de terceirizar culpa pelos fiascos parece ter se espalhado entre auxiliares. O Ministério da Fazenda projeta inflação em 5,1%, acima do teto da meta. A “culpa”: El Niño e choque do petróleo.

Nunca soube

Foi clara e objetiva a resposta, ao ministro Alexandre de Moraes (STF), dos advogados de Jair Bolsonaro sobre a divulgação da carta assinada pelo ex-presidente, “jamais soube que a carta seria publicizada”.

Mauro amarelou

Mauro Vieira não deu as caras na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara, que quer explicações do ministro sobre a baboseira do suposto risco de ação militar dos EUA no Brasil. A desculpa dada pelo chanceler é que estaria em reunião com Lula.

Frase do dia----“O tarifaço vai destruir quem alimenta o Brasil”

Ronaldo Caiado (PSD), pré-candidato à Presidência, sobre crise com EUA e China

Água secou

Pipocam nas redes sociais canais secos das obras de transposição do Rio São Francisco, sempre inaugurada com pompa por Lula, atrás de votos. O deputado Carlos Jordy (PL-RJ) denuncia: é uma farsa.

Muito além da meta

O próprio Ministério da Fazenda de Lula aumentou para 5,1% a previsão da inflação para 2026. A meta criada pelos próprios petistas, em 2025, era de 3% com teto de 4,5%. Agora admite que vai extrapolar até o teto.

Memória curta

O ministro do STF Flávio Dino determinou que presidentes de partidos “esclareçam” se têm poder sobre emendas. À época que foi membro do Comitê Central do PCdoB, principal órgão de direção do partido comunista, as coisas deveriam funcionar de forma diferente.

PT? Tô fora

Escaldados pelo apoio ao PT em Minas Gerais, em 2018, quando o então governador Fernando Pimentel (PT) levou uma surra do estreante Romeu Zema (Novo), pré-candidatos do PSB fogem de nova aliança com o PT este ano. Se o PSB nacional intervir, deixarão o partido.

Pensando bem...

...tem partido político que é a Argentina no Brasil.