sábado, 6 de junho de 2026

 

PGR quer levar ao STF caso dos respiradores que envolve Rui Costa

Procuradoria vê indícios de que suposta lavagem de dinheiro ligada ao caso se estendeu ao período em que o petista já ocupava a Casa Civil

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Redação O Antagonista
2 minutos de leitura06.06.2026 08:30comentários 0




PGR quer levar ao STF caso dos respiradores que envolve Rui Costa
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil   Procuradoria-Geral da República (PGR) defendeu o envio ao Supremo Tribunal Federal (STF) da investigação sobre a compra frustrada de respiradores pelo Consórcio Nordeste durante a pandemia de Covid-19.

O caso envolve o ex-governador da Bahia e atual ministro da Casa Civil, Rui Costa (foto), e tramita atualmente no Superior Tribunal de

 Justiça (STJ). O inquérito apura a aquisição de 300 ventiladores pulmonares por R$ 48,7 milhões. Os equipamentos foram pagos antecipadamente à empresa Hempcare,

  mas nunca foram entregues.

Segundo a Procuradoria, essa circunstância justificaria o 

retorno da investigação ao STF, foro competente para analisar

 casos envolvendo ministros de Estado.

A manifestação cita ainda colaborações premiadas que apontariam a atuação de integrantes do chamado “núcleo político da contratação”, do qual Rui Costa faria parte por presidir o Consórcio Nordeste na época da assinatura do contrato.

Compra sem entrega

A investigação teve origem na contratação da Hempcare

 para fornecer respiradores durante o auge da pandemia.

 De acordo com as apurações, a empresa recebeu o 

pagamento antecipado, mas não cumpriu o contrato.

Em 2024, a Polícia Federal realizou uma operação sobre o caso para apurar suspeitas de crimes licitatórios, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e organização criminosa. 

Já o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou, 

em janeiro deste ano, o processo contra Rui Costa, 

mas determinou medidas para tentar recuperar os prejuízos 

causados ao erário.

Rui Costa alega ter sido vítima de fraude na negociação. 

“Nós fomos roubados em um momento de desespero para conseguir respiradores”, disse em 2021.

 

Fachin nega suspeição de Kassio para decidir sobre CPI do Master

Pedido tinha sido feito por quatro senadores


Tribuna da Bahia, Salvador
06/06/2026 08:27
47 minutos
Foto: Divulgação/Reprodução

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, negou pedido de quatro senadores para declarar a suspeição do ministro Kassio Nunes Marques para julgar um mandado de segurança que pede a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master.  A decisão foi proferida na quarta-feira (3).

A ação foi protocolada em março deste ano e ainda não houve decisão do ministro, que é relator do caso.

Os senadores Eduardo Girão (Novo-CE), Alessandro Vieira (MDB-SE), Marcos Pontes (PL-SP) e Plínio Valério (PSDB-AM) alegaram que o ministro tem relação de amizade com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos investigados no caso Master, e possui “interesse direto” no caso.

Fachin negou o pedido de suspeição do relator e disse que a questão deveria ser levantada cinco dias após a escolha do relator.

“É incontroverso que os autos da MS nº 40.823 foram distribuídos por sorteio em 26 de março de 2026. Nada obstante, esta arguição de suspeição somente foi ajuizada nesta Suprema Corte em 12 de maio de 2026. Portanto, extrapolou em mais de um mês o término do prazo regimental para deduzir a pretensão, configurado em 31 de março de 2026”, explicou Fachin.

Os senadores alegam suposta omissão do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que ainda não leu o requerimento de instalação da comissão. O documento foi protocolado no dia 26 de novembro de 2026.

De acordo com os parlamentares, o requerimento conta com 53 assinaturas, superando os 27 apoiamentos mínimos para criação da CPI, equivalente a um terço do total de 81 senadores.

 

País dividido? Ora, a maioria dos brasileiros ainda está longe da disputa eleitoral

Charge do Gilmar Fraga (Gaúcha/Zero Hora)

Maria Hermínia Tavares
Folha

Até parece que são dois países vizinhos chamados Brasil. Em um deles —menos habitado— só se fala em eleições, especialmente as presidenciais. Jornalistas; acadêmicos e intelectuais em geral; lideranças políticas, no governo e na oposição; dirigentes empresariais e ativistas sociais; formadores de opinião; cidadãos interessados na vida pública, tutti quanti acompanham a cada semana o sobe e desce das pesquisas.

Gostando ou não, parecem acreditar que vivem em um país maior e inapelavelmente cindido entre partidários da centro-esquerda, dominada pela figura do presidente Lula, e os defensores da direita, reunidos em torno do herdeiro de Jair Bolsonaro. No outro Brasil, vive o imenso contingente das pessoas comuns, para as quais as eleições de outubro ainda estão muito longe e não concorrem com as premências do dia a dia.

MOBILIZAÇÃO – Em entrevista a esta Folha, o cientista político Jairo Nicolau, da Fundação Getúlio Vargas, argumenta que a chamada polarização, embora não sendo nem ideológica nem programática, mobiliza afetos intensos. Mas não divide o eleitorado. Segundo ele, a oposição crispada e intransigente entre campos políticos opostos é um fenômeno limitado às elites e à opinião pública educada e informada. Não penetra na imensa maioria da população, alheia à disputa e cujo voto pode pender ou por um lado ou por outro.

De fato, quando questionados sobre em quem votariam se o pleito fosse hoje, sem menção a possíveis candidatos, um número expressivo de brasileiros diz não saber o que faria na boca da urna —39% segundo a pesquisa Datafolha de maio. Os que dão alguma resposta espontânea mencionam nomes conhecidos: o presidente Lula (27%); o ex-presidente Jair Bolsonaro (3%); ou seu eventual herdeiro político (18%).

Dificilmente um país polarizado de alto a baixo teria um contingente tão expressivo de indecisos. A polarização que mais uma vez poderá impelir a sociedade a escolher entre esquerda moderada e direita extremada é na verdade resultado do desenho institucional e de decisões das lideranças políticas.

DIFERENÇAS – A escolha de um presidente em eleições majoritárias com dois turnos leva necessariamente à disputa final dois candidatos, que têm de enfatizar as diferenças que os separam, sejam elas programáticas, de caráter ou de estilo de liderança. Por outro lado, decisões já tomadas neste ano por lideranças à esquerda ou à direita têm produzido uma concentração de candidaturas mesmo antes de serem homologadas pelas convenções partidárias. O presidente Lula e o PT trabalharam para que não surgissem competidores no campo da centro-esquerda.

Do outro lado da cerca, as forças da direita tradicional aceitaram que o bolsonarismo, embora minoritário, se impusesse. Ao lançar dois pré-candidatos politicamente indistinguíveis de Flávio Bolsonaro —os ex-governadores Ronaldo Caiado e Romeu Zema—, e desprezando a candidatura centrista de Eduardo Leite, o PSD de Gilberto Kassab só fez adubar a liderança de extrema direita.

Muita coisa ainda pode acontecer, mas se de novo o crispado confronto se der entre a moderação progressista e o extremismo de direita, não se culpe o suposto ânimo sectário da maioria dos brasileiros. 

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGUma importante análise. Como já virou praxe, toda eleição presidencial brasileira só começa a ocorrer depois que acaba a Copa do Mundo, que desta vez termina no dia 19 de julho. No início de agosto, haverá a definição da chapa Caiado/Zema (ou Zema/Caiado), dependendo de quem estiver à frente nas pesquisas. E aí a campanha vai pegar fogo. (C.N.)