terça-feira, 5 de maio de 2026

Sputnik

 

Agressão dos EUA contra Irã não danificou potencial nuclear do país, informa mídia

Máquinas centrífugas na instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, cerca de 322 km ao sul de Teerã, capital iraniana, em 17 de abril de 2021 (imagem extraída de vídeo divulgado pela emissora estatal iraniana IRIB) - Sputnik Brasil, 1920, 05.05.2026
A operação dos EUA contra o Irã não teve impacto significativo em seu programa nuclear, informa a mídia ocidental, citando a inteligência estadunidense.
Segundo o relato, em Washington estima-se que, supostamente, o Irã levaria de nove a 12 meses para fabricar armas nucleares, caso decidisse fazê-lo — aproximadamente o mesmo tempo estimado no ano passado.
Os estoques de urânio altamente enriquecido no Irã permanecem, em grande parte, intactos e não contabilizados, o que, segundo especialistas, é fundamental para determinar o prazo de fabricação de armas nucleares.

"Avaliações dos serviços de inteligência dos EUA indicam que o tempo que o Irã levaria para construir uma arma nuclear não mudou desde o verão passado, quando analistas estimaram que um ataque conjunto dos EUA e de Israel havia adiado esse prazo em até um ano", ressalta a publicação.

O porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower e outros navios de guerra atravessam o estreito de Ormuz em direção ao Golfo Pérsico, 26 de novembro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 29.04.2026
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De acordo com a matéria, o estoque total de urânio altamente enriquecido do Irã seria suficiente para a produção de dez bombas, caso fosse submetido a um processo adicional de enriquecimento.
Nesse contexto, a reportagem salienta que o país continua detendo todos os seus materiais nucleares.
Ao mesmo tempo, o artigo conclui que esses materiais, provavelmente armazenados em depósitos subterrâneos profundos, são inacessíveis aos mísseis norte-americanos.
No dia 3 de maio, os EUA rejeitaram a proposta do Irã de pôr fim ao conflito. De acordo com o presidente norte-americano, Donald Trump, a proposta foi considerada por ele "inaceitável".
Arquivo: o porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower e outros navios de guerra cruzam o estreito de Ormuz em direção ao golfo Pérsico, 26 de novembro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 05.05.2026
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Segundo a agência de notícias Al Jazeera, o Irã apresentou aos EUA um plano em três etapas para encerrar a guerra. Teerã propôs, primeiramente, firmar uma paz de longo prazo, reabrir o estreito de Ormuz e concordar com o congelamento do enriquecimento de urânio por até 15 anos. No entanto, se recusou a destruir suas instalações nucleares.
No início de abril, um jornal estadunidense publicou que as Forças Armadas dos EUA haviam apresentado a Trump um plano para a remoção de cerca de 450 kg de urânio altamente enriquecido que se encontravam sob os escombros das instalações do programa nuclear iraniano.
No mesmo período, a mídia britânica relatou que o Irã estava construindo postos de controle em um complexo nuclear estratégico, em meio a ameaças de uma operação terrestre dos EUA e de Israel para apreender seus estoques de urânio altamente enriquecido. A publicação, citando imagens de satélite, observa que as autoridades iranianas bloquearam três entradas dos túneis de Isfahan com aterros, cercas e pilhas de escombros.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

 

PGR resiste a pedido de Gilmar para incluir Zema em inquérito das fake news

Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido

Rafael Moraes Moura
O Globo

Após pedir a inclusão do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) no inquérito das fake news por conta da postagem de um vídeo satírico em que era retratado como fantoche, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes tem pressionado nos bastidores o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a dar aval à sua iniciativa. Mas a ofensiva do decano do Supremo de enquadrar o pré-candidato do Novo à Presidência da República enfrenta resistência na cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Segundo relatos obtidos pela equipe da coluna, Gilmar tem insistido para que Gonet atenda seu pedido, mas vem sendo aconselhado a não fazer nada e deixar o assunto morrer. Ou, caso decida atender Gilmar, integrantes de sua equipe já sugeriram que ele deixe para algum subordinado o ônus de assinar o parecer favorável ao pedido do ministro, como uma forma de se distanciar do episódio e tentar se blindar das críticas que virão.

BANHO-MARIA – Não há prazo para o procurador-geral da República escolher qual caminho vai seguir – e, por enquanto, Gonet empurra o encaminhamento do caso. Gonet foi indicado ao posto de procurador-geral da República e reconduzido ao cargo pelo presidente Lula, com o lobby de Gilmar, de quem foi sócio no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), sediado em Brasília. Os dois são amigos de décadas.

O clima nos bastidores da PGR é de apreensão com o pedido de Gilmar, já que a maioria dos subprocuradores-gerais da República avalia que o Supremo já deveria ter encerrado o inquérito das fake news. O processo foi criado em março de 2019 por iniciativa do então presidente da Corte, Dias Toffoli, para apurar ameaças e ofensas contra integrantes da Corte e seus familiares.

“ACABA QUANDO TERMINA” – Mas, apesar da pressão da opinião pública, de entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e de integrantes do próprio STF, o ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito, não tem dado sinais de que pretende concluir tão cedo as investigações, que se tornaram uma arma para a Corte se proteger de ataques – e perseguir opositores políticos. Em entrevistas recentes, Gilmar disse que o inquérito “vai acabar quando terminar” e afirmou que ele deveria ficar aberto pelo menos até as eleições de outubro.

“A grande maioria de nós acredita que o inquérito tem que ser arquivado porque já exauriu o escopo de investigação e não pode se transformar em algo permanente onde qualquer crítica ao STF seja incluída como fato para investigação”, afirmou um interlocutor de Gonet que pediu para não ser identificado.

Na opinião de outro integrante da cúpula da PGR, o inquérito se tornou um instrumento de coerção – e o pedido de Gilmar contra Zema vai servir como uma espécie de teste para o chefe do Ministério Público Federal (MPF). “Esse inquérito é um absurdo total e absoluto. Gonet vai ser mais leal ao Gilmar ou à Constituição?”, questionou. “O MPF não pode ser um órgão inerte e cúmplice. Se Gilmar acha que por algum motivo sua honra pessoal foi atingida, ele deveria entrar com uma ação de indenização por danos morais, como fazem os outros mortais quando se sentem lesados.”

HOMOFOBIA –  Mesmo sem decidir o que fazer com o pedido de Gilmar, Gonet já agiu para blindar o colega. Na semana passada, a PGR arquivou um pedido para abrir uma ação civil pública contra Gilmar devido a declarações do ministro em que cita a homossexualidade como uma possível “acusação injuriosa” contra Zema.

Ao analisar o caso, a PGR considerou que a declaração de Gilmar – que numa entrevista indagou aos repórteres do site Metrópoles se não seria ofensiva a fabricação de “bonecos do Zema como homossexual” – foi reconhecida pelo próprio Gilmar “como inadequada, havendo retratação espontânea e pública”.

ARQUIVAMENTO – “Assim, não se verifica, no contexto apresentado, conduta que configure lesão efetiva e atual a direitos coletivos da população LGBTQIA+”,concluiu o procurador da República e chefe de gabinete de Gonet Ubiratan Cazetta, ao determinar o arquivamento do pedido, apresentado pelo advogado e professor Enio Viterbo, que costuma usar as redes sociais para cobrar transparência e fazer críticas à atuação de integrantes do Supremo.

Na avaliação do procurador, não foram identificados no caso de Gilmar “elementos mínimos que indiquem violação relevante e atual a direitos transindividuais [que alcançam grupos, não se limitando a um indivíduo específico], ilícito penal, bem como a necessidade de atuação institucional”.

 

Por Redação g1

 

Trump diz que EUA vão ajudar navios a cruzar o Estreito de Ormuz perto do Irã

Trump diz que EUA vão ajudar navios a cruzar o Estreito de Ormuz perto do Irã

Dois mísseis atingiram um navio de guerra dos Estados Unidos na região do Estreito de Ormuz, nesta segunda-feira (4), segundo a agência de notícias iraniana Fars.

Citando fontes locais, a agência afirma que a embarcação foi atingida perto de Jask, quando ia em direção ao estreito, ignorando o aviso dado horas antes pela Marinha do Irã, que divulgou um mapa onde delimita a área que estaria sob seu domínio.

As fontes também disseram que, devido aos impactos, a fragata americana não conseguiu prosseguir e foi forçada a recuar e deixar a área.

Pouco depois, na TV estatal, a Marinha iraniana confirmou ter impedido a entrada de navios de guerra dos EUA na área de Ormuz, mas não deu detalhes sobre a operação.

De acordo com o site americano Axios, um alto funcionário do governo Trump nega que embarcação tenha sido atingida.

Até o momento não há informações sobre danos causados ou possíveis baixas.

Irã se diz sob domínio de grande área do Estreito de Ormuz

Mapa do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, sob controle do Irã em 4 de maio de 2026. — Foto: Divulgação/Irib News

Mapa do Estreito de Ormuz, no Oriente Médio, sob controle do Irã em 4 de maio de 2026. — Foto: Divulgação/Irib News

Mais cedo, nesta segunda, o Irã publicou um novo mapa do Estreito de Ormuz com linhas vermelhas delimitando a área que está sob o domínio de seus militares um dia após Trump ter anunciado uma operação para ajudar navios a atravessar a via marítima no Oriente Médio.

O mapa mostra duas linhas vermelhas na região do Estreito de Ormuz, que o regime iraniano disse delimitar "a nova área sob gestão e controle das Forças Armadas do Irã".

  • Uma das linhas, a oeste da passagem, está entre a ilha iraniana de Qeshm e a costa dos Emirados Árabes Unidos a noroeste de Dubai;
  • A outra, ao sul de Ormuz, está entre a costa norte de Omã e a costa iraniana. Veja no mapa acima.

O mapa foi divulgado um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter anunciado que o Exército norte-americano irá guiar em segurança pelo Estreito de Ormuz navios comerciais presos no Golfo Pérsico. A operação, segundo Trump, ocorreria a partir da manhã desta segunda, porém ainda não haviam ocorrido quaisquer movimentações militares até a última atualização desta reportagem.

Em resposta, o Exército iraniano ameaçou atacar qualquer navio militar dos EUA que se aproximar do Estreito de Ormuz e reiterou que mantém "controle total" sobre a região. Ainda segundo o comunicado compartilhado pela mídia estatal iraniana nesta segunda, a passagem de navios pela via marítima terá que ser coordenado com Teerã.