A Polícia Federal realizou, nesta quarta-feira (10), mais uma etapa das apurações envolvendo supostas irregularidades ligadas ao Banco Master. Batizada de operação Take Over, a ação ocorre no município de Paulista, em Pernambuco, e tem como foco a administração dos recursos do fundo previdenciário dos servidores públicos municipais.
A operação foi autorizada pelo ministro André Mendonça. Segundo os investigadores, aproximadamente R$ 3 milhões teriam sido destinados a aplicações financeiras consideradas de elevado risco, por meio de decisões que não observaram a legislação vigente nem os protocolos de governança exigidos para a gestão de fundos previdenciários. Ao todo, estão sendo cumpridos 10 mandados de busca e apreensão.
Em nota, a Polícia Federal informou que a investigação busca identificar se as condutas analisadas podem configurar gestão temerária ou fraudulenta, além de verificar a eventual ocorrência de crimes contra a administração pública e o sistema financeiro nacional.
As diligências também pretendem esclarecer se houve pagamento ou recebimento de vantagens indevidas por parte dos responsáveis pela administração do fundo.Gelatina Slim
As suspeitas apuradas nessa nova operação estão inseridas no contexto da investigação denominada Compliance Zero, autorizada inicialmente pela 10ª Vara Federal de Brasília, em novembro de 2025. Na primeira etapa da ofensiva, foram presos preventivamente os principais executivos ligados à instituição financeira posteriormente liquidada pelo Banco Central. Ainda naquele mês, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) autorizou que os investigados deixassem a prisão e passassem a cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica.
A partir de dezembro de 2025, o caso passou a tramitar no Supremo Tribunal Federal (STF), inicialmente sob a relatoria do ministro Dias Toffoli. Em janeiro de 2026, ele autorizou a segunda fase da investigação, mas deixou a condução do processo em 12 de fevereiro. A relatoria foi então assumida pelo ministro André Mendonça. No início de março, Daniel Vorcaro voltou a ser preso e permanece detido na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. O ex-banqueiro apresentou uma proposta de delação premiada, que ainda está sob análise do ministro do Supremo, procedimento que pode levar algumas semanas. Confnfira o histórico das fases da operação Compliance Zero:
1ª fase (18.nov.2025) – Daniel Vorcaro foi preso pela primeira vez em 17 de novembro de 2025, um dia antes do desencadeamento oficial da operação, quando tentava deixar o Brasil. Na ocasião, foram cumpridos 7 mandados de prisão e 25 mandados de busca e apreensão em quatro Estados e no Distrito Federal. O ex-banqueiro foi colocado em liberdade em 29 de novembro.Gelatina Slim
2ª fase (14.jan.2026) – A Polícia Federal realizou buscas em imóveis e endereços vinculados a Vorcaro, apreendendo veículos, relógios e quantias em dinheiro. O valor dos bens bloqueados ou sequestrados ultrapassou R$ 5,7 bilhões. O objetivo dessa etapa era investigar a utilização de fundos supostamente fraudulentos para mascarar a situação financeira do Banco Master.
3ª fase (4.mar.2026) – Vorcaro voltou a ser preso. Conforme a PF, o ex-banqueiro mantinha um grupo destinado a intimidar adversários e efetuar pagamentos de propina a dois servidores do Banco Central. No mesmo dia, um homem que trabalhava para o fundador do Master tentou tirar a própria vida enquanto estava sob custódia da Polícia Federal e morreu em 6 de março.
4ª fase (16.abr.2026) – A operação teve como alvo Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. Ele é investigado por suspeita de autorizar operações sem lastro envolvendo o Banco Master. De acordo com a Polícia Federal, Costa teria recebido propina de Vorcaro por meio da negociação de imóveis de alto padrão.
5ª fase (7.mai.2026) – O senador Ciro Nogueira (PP-PI) foi alvo das investigações. A PF aponta a existência de pagamentos de propina feitos por Vorcaro ao parlamentar, acusação que foi negada pelo congressista. Em decisão relacionada ao caso, o ministro André Mendonça afirmou que a relação entre o político e o ex-banqueiro “extrapola a amizade”. Nessa etapa, houve o bloqueio de R$ 18,85 milhões.
6ª fase (14.mai.2026) – Foram cumpridos 7 mandados de prisão preventiva e 17 mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. O pai de Daniel Vorcaro foi preso, sob a suspeita de atuar na coordenação do grupo encarregado de intimidação e espionagem ligado ao ex-banqueiro.
7ª fase (19.mai.2026) – A Polícia Federal desencadeou uma nova operação para investigar o vazamento de informações sigilosas relacionadas ao Banco Master. Como medida cautelar, o ministro André Mendonça determinou o afastamento de um perito da corporação.
8ª fase (26.mai.2026) – O ex-governador Cláudio Castro (PL-RJ) foi alvo de mandados de busca e apreensão. As investigações analisam suspeitas de irregularidades envolvendo operações ligadas ao Banco Master e ao Rioprevidência. Segundo a Polícia Federal, o volume financeiro sob apuração alcança R$ 3 bilhões.