Caiado diz que Flávio Bolsonaro não tem “estatura ética” para disputar Presidência

Caiado diz que Bolsonaro desestabilizou economia
Samuel Lima
O Globo
O ex-governador de Goiás e pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado (PSD), criticou a postura do ex-presidente Jair Bolsonaro na pandemia e a política econômica do seu governo em entrevista ao podcast “Flow”, na última quarta-feira (8). Ele declarou ainda que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do político que atualmente cumpre pena por tentativa de golpe de estado, não deveria concorrer ao mesmo cargo, em outubro, por não ter “estatura ética”.
Caiado fazia previsões sobre o “estouro da boiada” na campanha que faria dele o rival do presidente Lula (PT), em vez de Flávio, no segundo turno, cenário distante nas pesquisas, quando mencionou o governo do antigo aliado como uma chance perdida. Apesar de ter rompido com o ex-presidente por conta das diretrizes federais na pandemia, os dois reataram posteriormente e posaram para fotos juntos em diversas manifestações bolsonaristas e eventos de agronegócio pelo Brasil.
DESESTABILIZAÇÃO – “A causa mais grave da derrota do Bolsonaro não foi apenas perder a eleição, mas a desestabilização que trouxe na economia brasileira e a situação a que estamos chegando hoje em consequência da falta de habilidade de governar o país e ser sensível naquele momento, quando as pessoas estavam morrendo de covid-19. Ao invés de, como ser humano, ele se colocar na defesa da vida, ele simplesmente resolveu ter aquele comportamento repudiado pela população”, declarou.
O ex-governador preferiu não opinar se Flávio seria corrupto ou não por conta do envolvimento com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao pedir R$ 134 milhões para supostamente financiar o filme “Dark Horse”, que encena a trajetória de Bolsonaro. Ele reforçou, contudo, o discurso de que a insistência no candidato do PL pelo eleitorado mais à direita pode custar a vitória do presidente Lula.
JUÍZO DE VALOR – “Você tem dados consistentes para fazer juízo de valor e rotular a pessoa como corrupta? Pode-se até dizer, mas temos comprovações até agora ou está sendo aberto o processo? Essa é a realidade, mas ele não deveria ser candidato à Presidência da República, porque o candidato não tem direito à presunção de inocência. Se tem algo vinculado a algum caso de corrupção, de desvio de comportamento ou de não ter estatura ética para disputar o cargo, você deveria ser afastado”, afirmou.
Pouco antes, Caiado criticou ainda o “ajoelhamento” de Flávio Bolsonaro aos interesses dos Estados Unidos no tarifaço, classificando a participação dele em audiência do governo norte-americano como um meio de evitar as sobretaxas apenas “até a eleição”. Nesse ponto, também houve críticas a Lula, acusado pelo rival de “provocar” Trump para sustentar o discurso de soberania e colher dividendos no pleito.
Ministros do STF seguem “roteiro” da Lava Jato para tentar anular o caso Master

Charge do Cazo (Blog do AFTM)
Carlos Newton
As notícias de que a Polícia Federal determinou o afastamento do perito João Cláudio Nabas, por vazamento de informações incriminando os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, indicam que integrantes da Suprema Corte realmente estão empenhados em evitar a punição dos envolvidos no escândalo do Banco Master.
O esquema segue o roteiro da ardilosa manobra feita em 2019, que conseguiu anular todas as condenações da Lava Jato, com base em provas ilegais apresentadas pelo hacker Walter Delgatti, contratado para gravar ilegalmente os celulares do então juiz Sérgio Moro e de procuradores federais
PROVAS ILÍCITAS – Destaque-se que, para destruir a Lava Jato, os ministros do STF aceitaram usar provas ilícitas sem ao menos periciá-las, e foi assim, desprezando as exigências legais, que rapidamente declararam uma suposta “imparcialidade” da força-tarefa da Lava Jato.
Com essa manobra, não somente anularam todas as condenações, mas também providenciaram que muitos bilhões de reais fossem devolvidos aos empresários corruptos.
Agora, no caso Master, o novo esquema de impunidade tentará se basear no vazamento de provas contra ministros, atribuído ao perito federal João Cláudio Nabas, além de outros argumentos que já estão sendo colocados por Gilmar Mendes, o decano do STF.
NO RODA-VIVA – Em recente entrevista no programa Roda-Viva, ao comparar o caso Master à Lava Jato, o ministro Gilmar Mendes citou o vazamento de mensagens pessoais das conversas do banqueiro Daniel Vorcaro com sua então noiva Martha Graeff. Disse ele:
“O ministro André [Mendonça] libera uma ordem que havia sido dada pelo então relator no sentido de não permitir que a CPI [do INSS] fizesse aquela quebra de sigilo. E houve aquilo que nós conhecemos, a quebra de sigilo, inclusive de conversas íntimas e a revelação. […] Muitos vazamentos, prisões de familiares, são elementos que levam a pelo menos uma preocupação e similitudes com o que ocorreu anteriormente”.
O ministro também fez críticas sobre uma reunião de Mendonça com um advogado que lhe falou sobre delação premiada no caso do Master. “Na conversa que nós tivemos, por exemplo, André Mendonça disse que tinha recebido um advogado fazendo proposta de delação seletiva. E aqui já há uma impropriedade. Por quê? A lei não permite que o relator ou o juiz participe da delação. O acordo é entre Ministério Público ou a Polícia Federal e o delator. Então, aqui, já há algo de erro crasso.”
CONTESTADO NO ATO – O ministro foi imediatamente contestado pelos jornalistas, porque Alexandre de Moraes, relator da trama golpista, discutia normalmente com advogados a delação do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de Bolsonaro, e assim Gilmar ficou numa saia justa no Roda-Viva.
Os jornalistas lembraram também que, na Lava Jato, um dos episódios mais emblemáticos envolveu a divulgação de escutas telefônicas de conversas entre a então presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, em 2016, quando ex-presidente estava respondendo a vários processos e teve seu celular grampeado judicialmente.
Lula, na época, foi impedido de tomar posse na Casa Civil por decisão do próprio Gilmar Mendes. O ministro aceitou usar como prova as gravações que tinham sido feitas com o prazo legal já encerrado e até citou os diálogos com a então presidente como argumento para a tese de “desvio de finalidade” na nomeação dele para ministro, para evitar ser preso por corrupção e lavagem de dinheiro, o que depois acabou acontecendo.
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P.S. – As situações não são semelhantes, mas o grupo de ministros integrado por Gilmar, Moraes, Toffoli e outros, sem a menor dúvida, fará o possível e o impossível para tumultuar o caso do Banco Master e garantir a mesma impunidade conseguida na Lava Jato. Para conseguir essa neta, porém, terão de neutralizar o relator André Mendonça, e isso não será nada fácil. (C.N.)

