segunda-feira, 20 de abril de 2026

ISTOE

 

Israel publica pela primeira vez mapa de área do sul do Líbano sob seu controle

Exército israelense continua presente no país vizinho em uma faixa de até 10 km a partir da fronteira

Mapa, de acordo com os militares israelenses, mostra a Linha de Defesa Avançada e a área em que eles estão operando no sul do Líbano.
Mapa, de acordo com os militares israelenses, mostra a Linha de Defesa Avançada e a área em que eles estão operando no sul do Líbano.  Foto: Forças de Defesa de Israel via Reuters

Os militares israelenses publicaram neste domingo, 19, pela primeira vez, um mapa de sua nova linha de implantação dentro do Líbano, colocando dezenas de vilarejos libaneses, em sua maioria abandonados, sob seu controle, dias após a entrada em vigor de um cessar-fogo com o Hezbollah.

O Exército israelense continua presente no país vizinho, enquanto aguarda negociações para um acordo entre Líbano e Israel, em estado de guerra desde 1948. Mais de 1 milhão de libaneses foram desalojados pela invasão, que, segundo Israel, tem como objetivo perseguir o Hezbollah, um grupo armado xiita aliado ao Irã.

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Estendendo-se de leste a oeste, a linha de implantação no mapa percorre de 5 a 10 quilômetros dentro do território libanês, onde Israel disse que planeja criar a chamada zona tampão.

Não houve nenhum comentário imediato das autoridades libanesas ou do Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Pessoas empurram motocicleta em ponte bombardeada por Israel no Líbano. REUTERS/Zohra Bensemra

Cessar-fogo apoiado pelos EUA

Israel e Líbano concordaram na quinta-feira com um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos nos combates entre Israel e o Hezbollah.

O acordo, que se seguiu às primeiras conversações diretas em décadas entre Israel e Líbano, em 14 de abril, tem o objetivo de permitir negociações mais amplas entre os EUA e o Irã, mas com as forças israelenses mantendo posições no sul do Líbano.

As forças israelenses destruíram vilarejos libaneses na área, dizendo que seu objetivo é proteger as cidades do norte de Israel dos ataques do Hezbollah. O país criou zonas de proteção na Síria e em Gaza, onde controla mais da metade do enclave.

“Cinco divisões, juntamente com as forças da Marinha israelense, estão operando simultaneamente ao sul da linha de defesa avançada no sul do Líbano, a fim de desmantelar os locais de infraestrutura terrorista do Hezbollah e evitar ameaças diretas às comunidades no norte de Israel”, disseram os militares em uma declaração que acompanha o mapa.

Questionados se as pessoas que fugiram dos ataques israelenses teriam permissão para voltar para suas casas, os militares israelenses não quiseram comentar.

Os civis libaneses conseguiram acessar alguns dos vilarejos que estão dentro ou além da linha estabelecida por Israel, mas as forças israelenses ainda impedem que as pessoas acessem a maioria dos vilarejos ao sul da linha, disse uma fonte de segurança libanesa.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse neste domingo que as casas na fronteira exploradas pelo Hezbollah serão demolidas e que “qualquer estrutura que ameace nossos soldados e qualquer estrada suspeita de (estar plantada com) explosivos deve ser imediatamente destruída”.

Mais de 2 mil mortos no Líbano

O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo em apoio a Teerã, provocando uma ofensiva israelense que matou mais de 2.100 pessoas, incluindo 177 crianças, e forçou a fuga de mais de 1,2 milhão de pessoas, segundo as autoridades libanesas.

O Hezbollah não divulgou seus números de vítimas. Pelo menos 400 de seus combatentes foram mortos até o final de março, de acordo com fontes próximas ao grupo.

O Hezbollah disparou centenas de foguetes e drones contra Israel. Seus ataques mataram dois civis em Israel, enquanto 15 soldados israelenses morreram no Líbano desde 2 de março, segundo Israel.

Com informações da Reuters e AFP

 

Mantega e Toffoli fraudaram concurso que nomeou Messias procurador da Fazenda

Messias busca oposição após PL e Novo se posicionarem contra indicação ao STF

Reprovado no concurso, Messias foi “nomeado” assim mesmo

Carlos Newton

Em nome da liberdade de expressão, há alguns dias recebemos e publicamos na Tribuna da Internet um fortíssimo editorial da Gazeta do Povo contra Jorge Messias, afirmando que a aprovação de seu nome para ministro do Supremo Tribunal Federal deve ser considerada “uma traição à Pátria”.

Ao nosso ver, o artigo da Gazeta do Povo estaria exagerando nas críticas, porque Jorge Messias aparentemente não é melhor nem pior do que outros supostos “juristas” que compõem hoje o STF, onde é cada vez difícil vislumbrar a exigência constitucional de notório saber e abundância ilibada.

GRAVE DENÚNCIA –  E agora, na reta de chegada da ascensão do Messias ao Supremo, a Tribuna da Internet recebeu uma grave denúncia contra ele e saiu em campo para investigar em profundidade a trajetória vitoriosa do “petista da vez”, que o presidente Lula da Silva resolveu nomear ao Supremo, com chances absolutas de aprovação pelo Senado.

A apuração transformou-se em enorme surpresa, ao revelar que Jorge Messias teve fraudado seu ingresso no serviço público em 2007 e está envolvido em sucessão de crimes, como Fraude em Certames de Interesse Público (art. 311-A), U surpação de Função Pública (art. 328) e alsidade Ideológica (art. 299), que inclui falsificação de dados biográficos em seu currículo.

E tudo isso é absolutamente transparente com as provas que a Tribuna obteve, todas baseadas em documentos públicos federais.

HISTÓRICO – Jorge Messias formou-se em Direito em 2003, na Universidade Federal de Pernambuco. Três anos depois, sem qualquer experiência forense, inscreveu-se no concurso para procurador da Fazenda Nacional, cuja prova final foi realizada em 28 de outubro de 2007.

Havia milhares de inscritos, porque se tratava de um concurso nacional de provas e títulos, para preenchimento de 250 vagas. As chances do jovem Jorge Messias eram mínimas, devido à inexperiência como advogado e por não ter títulos à exibição, num concurso cujas questões abrangiam Direito Constitucional, Tributário, Financeiro, Econômico, Administrativo, Internacional, Comercial, Civil, Processual Civil, Penal, Processual Penal, Trabalho, Processual do Trabalho e Previdenciário.

Sem mestrado, doutorado e pós-graduação, sem haver publicado ensaios nem obras, e também sem experiência no magistério jurídico, o candidato Jorge Messias, que tinha então apenas 26 anos, jamais havia atuado em advocacia, pois seus currículos assinalam que no período de 2002 a 2006 ele trabalhou como “técnico bancário” na Caixa Econômica Federal, em Recife, e simultaneamente como “gerente” do Teatro Marrocos.

CONCURSO ANULADO  – A primeira prova objetiva, com cinco horas de duração, realizou-se em 2 de setembro de 2007, mas foi anulada no dia 20 de setembro pelo Edital nº 90 da Escola de Administração Fazendária (ESAF), que marcou a nova prova para 28 de outubro.

Assinam o edital de anulação o presidente do Conselho Superior da AGU, Evandro Costa Gama; a procuradora-geral da Fazenda, Rosângela Silveira de Oliveira; o procurador-geral da União, Luis Henrique Martins dos Anjos; o consultor-geral da União, Ronaldo Jorge Araújo Vieira Jr.; o corregedor-geral da Advocacia da União, Aldemario Araújo Castro; a representante da carreira de Advogado da União, Tania Patricia de Lara Vaz; o representante da carreira do Procurador da Fazenda Nacional, José Valter Toledo Filho; e a diretora-geral da ESAF (Escola de Administração Fazendária), Maria Cristina MacDowell Dourado de Azevedo.

O edital foi publicado no Diário Oficial da União, de 24 de setembro de 2007, Seção 3.

BRECHA PARA FRAUDE – Essa anulação da prova do concurso público foi exatamente a brecha que possibilitou a fraude.

Numa rapidez impressionante, nove dias depois da realização da  prova final, que ainda nem tinha sido corrigida, o então ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o ministro da AGU, Dias Toffoli, resolveram fazer nomeações ilegais, desprezando a suspensão da validade do concurso e descumprindo a Constituição (Art. 37, inciso IV) e a jurisprudência  do Supremo, que determinam nomeação prioritária pela ordem de classificação.

Foi assim, sem a menor hesitação, que Mantega e Toffoli nomearam ilegalmente dezenas de novos procuradores da Fazenda – entre eles, o inexperiente Jorge Messias.

PORTARIA ILEGAL – Essas estranhas, apressadas e irregulares nomeações foram autorizadas numa Portaria Conjunta assinada pelos dois ministros em 6 de novembro de 2007, antes mesmo de serem corrigidas as provas e avaliados os títulos, repita-se.

Aliás, a divulgação da lista dos aprovados só ocorreria no Diário Oficial em 1º de julho de 2008, quase nove meses depois das nomeações determinadas por Mantega e Toffoli, que não respeitaram a ordem de classificação.

Obviamente, na forma da lei, nenhum candidato  poderia ser nomeado antes da obrigatória publicação da lista de aprovados no Diário Oficial da União.

FALSA JUSTIFICATIVA – Ao cometer a fraude, Mantega e Toffoli tiveram de “inventar” uma justificativa para nomear essa lista de advogados ligados ao PT, que tinham fracassado na primeira prova anulada e sabiam não ter chance na prova final. Um desses advogados protegidos pelo governo  petista era justamente o pernambucano Jorge Rodrigo Araújo Messias.

Na Portaria Conjunta, Mantega e Toffoli decidem “NOMEAR, para cargos efetivos de Procurador da Fazenda Nacional de 2ª Categoria, os candidatos aprovados e classificados no referido concurso público, que requereram sua recolocação no final da lista de aprovados, relacionados em Anexo. ”

Como ocorre na maioria dos atos cotidianos de Mantega e Toffoli, a justificativa não faz o menor sentido. Ora, se esses candidatos petistas já estavam “aprovados e classificados”, por que iriam requerer “sua recolocação no final da lista de aprovados”?

ERROS GROSSEIROS – O pequeno texto de justificativa contém outros erros grosseiros. O principal deles é que, se esses candidatos realmente tivessem solicitado entrar “no final da lista de aprovados”, jamais poderiam ser nomeados, porque à frente deles havia exatos 1.148 concorrentes, sendo 265 “aprovados/classificados” e 883 “aprovados/não-classificados”, segundo a longa lista publicada no Diário Oficial de 1º de julho de 2008.

Este Edital da ESAF que publicou a verdadeira lista cita um a um os 1.148 aprovados e esclarece que os demais, cujos nomes não contam nas duas listas, “são considerados reprovados”.

Entre esses milhares de “reprovados” estava Jorge Messias, porque seu nome não aparece entre os 1.148 “aprovados-classificados” ou “aprovados/não-classificados”.

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PS 
1 – Como se vê, a nomeação de Messias para procurador da Fazenda Nacional foi uma fraude monumental, que está impune até hoje e vai possibilitar na digníssima Suprema Corte a posse de um falsário de carteira assinada, digamos assim.

PS 2 – O assunto é apaixonante e voltaremos a ele amanhã, mostrando mais detalhes da fraude cometida por Mantega e Toffoli, assim como as ilegalidades de Jorge Messias, que jamais poderá ser considerado um advogado acima de quaisquer suspeitas. No entanto, mesmo com essa biografia execrável, ele deverá ser o próximo ministro do Supremo, segundo os prognósticos de toda a mídia. (CN)