Flávio visita Bolsonaro após 90 dias e relata conselhos para o segundo turno
Candidato do PL afirma que ex-presidente comemorou resultado eleitoral e deu orientações para a campanha contra Lula; decisão do STF mantém restrições a encontros políticos
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) visitou o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, nesta terça-feira (13), em Brasília, após passar 90 dias impedido judicialmente de encontrá-lo. Depois da reunião, que durou aproximadamente meia hora, Flávio afirmou que o ex-presidente demonstrou satisfação com os resultados do primeiro turno das eleições de 2026 e ofereceu conselhos para a disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O reencontro ocorreu na residência onde Jair Bolsonaro cumpre prisão domiciliar, depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a retomada das visitas.
Segundo Flávio, o pai comemorou tanto seu desempenho na votação presidencial quanto o crescimento da representação do PL no Congresso Nacional.
O candidato, entretanto, evitou revelar o conteúdo das orientações recebidas, alegando preocupação com possíveis interpretações das declarações.
Flávio diz que Bolsonaro está satisfeito com resultado eleitoral
Ao deixar a residência do ex-presidente, Flávio afirmou que Jair Bolsonaro estava contente com o desempenho do partido nas urnas.
O senador destacou que o PL conquistou as maiores bancadas da Câmara dos Deputados e do Senado, além de sua própria classificação para o segundo turno da eleição presidencial.
Segundo ele, o pai apresentou sugestões para a continuidade da campanha, mas o conteúdo da conversa não seria divulgado.
A declaração ocorreu em meio à mobilização das candidaturas para a votação de 25 de outubro.
Apesar do resultado do primeiro turno, Flávio rejeitou a avaliação de que sua campanha esteja tratando a eleição como decidida.
O candidato afirmou que pretende intensificar a presença nas ruas e nas redes sociais durante os últimos dias da disputa.
Também acusou o PT de disseminar informações falsas durante a campanha. A acusação foi apresentada como posicionamento do candidato, sem comprovação independente na declaração divulgada.
Por que Flávio estava proibido de visitar o pai?
A restrição às visitas começou em 13 de julho, após Flávio divulgar publicamente uma carta de Jair Bolsonaro em apoio à sua candidatura presidencial.
O documento, chamado Carta aos brasileiros, foi lido durante uma transmissão ao vivo e posteriormente compartilhado nas redes sociais do senador.
Na ocasião, Alexandre de Moraes entendeu que a divulgação descumpriu a ordem judicial que impedia Jair Bolsonaro de utilizar redes sociais, inclusive por intermédio de terceiros.
O ministro considerou que o direito de visita havia sido utilizado para obter e divulgar uma manifestação política do ex-presidente.
Como consequência, determinou a suspensão dos encontros entre pai e filho por 90 dias.
Flávio criticou a medida, classificando-a como desproporcional, e argumentou que ela também prejudicava sua atuação como advogado de Jair Bolsonaro.
STF autorizou retomada das visitas com restrições
Moraes autorizou o reencontro na segunda-feira (12), depois de manifestação favorável da Procuradoria-Geral da República (PGR).
Na decisão, o ministro considerou que não haviam sido registrados novos episódios que justificassem a continuidade da suspensão.
A autorização, porém, não eliminou as restrições impostas ao ex-presidente.
Continuam proibidos encontros com finalidade político-eleitoral e a divulgação pública de manifestações de Jair Bolsonaro, conforme as condições estabelecidas pelo STF.
Nesse contexto, as declarações de Flávio sobre os conselhos recebidos podem suscitar questionamentos sobre o alcance da decisão judicial.
A reportagem de O Globo não informa, entretanto, que o STF tenha reconhecido uma nova infração ou aplicado outra sanção em razão da visita desta terça-feira.
Jair Bolsonaro cumpre pena em regime domiciliar
O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por condenação relacionada à tentativa de golpe de Estado.
Desde março, está em regime domiciliar, autorizado judicialmente em razão de questões de saúde.
A situação judicial de Jair Bolsonaro permanece relevante para a campanha de Flávio, especialmente diante das restrições à participação pública do ex-presidente em atividades políticas.
O senador tem procurado manter a ligação com a base de apoiadores do pai enquanto disputa a Presidência da República.
PL discute sucessão na Câmara e no Senado
O reencontro também ocorreu durante as negociações para a escolha dos próximos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, previstas para fevereiro de 2027.
Integrantes do PL esperam que Jair Bolsonaro tenha participação nas articulações com outras legendas e na definição de candidaturas apoiadas pelo partido.
Não há, porém, confirmação de que o assunto tenha sido discutido durante a visita.
Na Câmara, parte dos parlamentares do PL resiste à recondução de Hugo Motta (Republicanos-PB) e defende a apresentação de uma candidatura própria ou a construção de uma alternativa com outras siglas.
Entre os nomes mencionados nas conversas estão os deputados Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Altineu Côrtes (PL-RJ).
O Republicanos, por sua vez, sinalizou que pretende manter o apoio a Motta independentemente do resultado da eleição presidencial.
A posição foi comunicada pelo presidente nacional da legenda, Marcos Pereira, a Flávio Bolsonaro.
Senado também está no centro das negociações
Outra possibilidade discutida por integrantes do PL é concentrar esforços na eleição para a Presidência do Senado, mesmo que isso signifique abrir mão de liderar uma candidatura na Câmara.
Para uma ala do partido, o comando do Senado tem importância política porque a Casa é responsável pela análise de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal.
A estratégia ainda depende de negociações internas e de acordos com outras bancadas.
Após o encontro com Jair Bolsonaro, Flávio tinha compromissos previstos em São Paulo, incluindo uma reunião com representantes do MDB favoráveis à sua candidatura.
Segundo a reportagem de O Globo, 15 diretórios da legenda planejavam declarar apoio ao candidato do PL.
O movimento representa o posicionamento desses diretórios, não necessariamente uma decisão de apoio de todo o MDB.
Da IstoÉ
)


