domingo, 4 de outubro de 2026

 

Lula e Flavio são coadjuvantes na campanha do STF, que roubou a cena política

Ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. (Foto: Gustavo Moreno/STF).

Os eleitores chegam às urnas, neste domingo (4), com Lula (PT) e Flávio (PL) tecnicamente empatados, mas todos perplexos com o protagonismo de ministros do STF, que roubaram a cena, criando um “TSE paralelo” e ofuscando candidatos em benefício de um deles. A disputa entre projetos de governo virou sequência de decisões monocráticas, ataques, decano reclamando de “ética de máfia” para acudir colegas enrolados. Ao final, a lisura do pleito fica sob suspeita não por fraude nas urnas, mas pela percepção, até dos jornais tradicionais, de que o STF escolheu lado.

Fim da neutralidade

Ministros abandonaram seus afazeres regulares para tomar decisões eleitorais, estabelecendo o desequilíbrio e o prejuízo à neutralidade.

Lula, o beneficiado

O caso mais visível foi o debate da Globo. Até regras previamente pactuadas foram desfeitas por intromissão judicial que beneficiou Lula.

Vale-tudo, até fake news

Gilmar validou reajuste no Bolsa Família, que havia negado a Bolsonaro, e Flávio Dino até deu força a fake news que prejudicava o adversário.

Vexame supremo

Ministros neutralizaram decisões do TSE e anularam os limites entre a judicatura e atuação política, ditaram o ritmo da reta final. Um vexame.

Fachada do Palácio do Planalto em Brasília | Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Vencedores no 1º turno sempre levaram a eleição

O Brasil mantém uma curiosa tradição nas eleições gerais de sempre coroar o candidato que venceu o primeiro turno como o próximo presidente do País. É assim desde a primeira eleição direta (1989), quando Fernando Collor (30,47%) e Lula (17,18%) se enfrentaram e Collor venceu (53,03%). Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso liquidou o pleito logo no primeiro turno, sem chance para Lula avançar.

Tucanos no sufoco

Em 2002, Lula (46,44%) enfrentou José Serra (23,19%). Deu Lula (61,27%). Em 2006, Lula (48,61%) enfrentou Geraldo Alckmin (41,64%).

Anos de PT

Em 2010, Dilma (46,91%) venceu Serra (32,61%) no primeiro e segundo (56,05%) turno. Em 2014, a petista (41,59%) bateu Aécio (33,55%).

Poste apagado

Em 2018, Bolsonaro (46,03%) venceu Haddad (29,28%) nos dois turnos e em 2022 perdeu para Lula, na eleição mais apertada da História.

Poder sem Pudor

Anéis de Ourives

Ao final de um inflamado discurso, o vereador de Pedro Ourives requereu ao presidente da Câmara Municipal de Cáceres (MT), nos idos de 1995: “Faço questão de registrar meu posicionamento nos anéis desta Casa”. O vereador José Brandão, colega de bancada, corrigiu: “Nobre colega, o certo é Anais, não ‘anéis’”. Recebeu o troco: “Que seja Anais para você. Para mim, que sou Ourives, a sua observação de nada vale”.

Funcionários, não

Apesar de eleitores poderem manifestar – de forma individual – a preferência política neste domingo (4), mesários e funcionários da Justiça Eleitoral não podem usar roupas, adereços etc. de candidatos e partidos.

Aglutinação

Para Marcel van Hattem, candidato gaúcho do Novo a senador, a eleição 2026 “precisa acabar no primeiro turno” e por isso, apesar do seu partido ter candidato próprio a presidente, anunciou apoio a Flávio Bolsonaro.

Bico seco

São nove os estados com a venda de bebidas alcoólicas proibidas neste primeiro turno: AC, AM, AP, CE, MA, MT, PA, PI e RR. Outros 14 estão com a venda liberada. O restante, há restrições pontuais.

Tabuleiro

Com Cristiano Zanin reconduzido ao TSE, se avançar ação para tirar Nunes Marques e André Mendonça da fiscalização das propagandas eleitorais, Gilmar Mendes e o ex-advogado de Lula é que assumem.

Frase do dia======“Minha esposa não foi pra porta de cadeia me conquistar”

Nikolas Ferreira (PL-MG), em resposta à primeira-dama Janja, que o xingou em discurso

Pela culatra

O setor regulado das apostas arrecada quase R$10 bilhões. A Betano alerta que a canetada de Lula, com veto, empurra apostadores para clandestinos, que não pagam impostos ou seguem regras de proteção.

Fazendo de sonso

O PT acionou o TSE contra a exibição do púlpito vazio de Lula no debate da Globo. O regulamento do programa havia sido acertado previamente com as representações partidárias, inclusive a petista.

Questão de tempo

Foram três anos desde que Estela Aranha declarou voto em Lula, em 2022, até ser alçada ao posto de ministra do TSE, em 2025. É dela a canetada que proibiu púlpito vazio do fujão Lula no último debate.

Passa pra cá

Em meio aos questionamentos envolvendo Alexandre de Moraes no caso Master, Edson Fachin pediu à Polícia Federal tudo o que houver sobre integrantes do Supremo Tribunal Federal.

Pensando bem...

...fim da 6x1 com cheiro de 171.

sábado, 3 de outubro de 2026

 

Denúncia sobre conluio de Gilmar & Cia para “eleger” Lula atrairá atenção mundial

Charge do Kayser (Arquivo Google)

Carlos Newton

O famoso ditado germânico sobre a importância de existirem magistrados livres e independentes (“ainda há juízes em Berlim”) serve perfeitamente para descrever a realidade institucional aqui debaixo do Equador, porque também podemos dizer que “ainda há jornalistas no Brasil”.

À primeira vista, fica parecendo que ocorreu um acerto entre os principais veículos da grande imprensa brasileira, mas o que surgiu coletivamente foi a necessidade de dar um basta a uma situação que envergonha o Brasil, cuja importância mundial não pode ser menosprezada, pois é o quinto maior em extensão, o sétimo em habitantes e o décimo no ranking da economia.

JÁ É DEMAIS – Realmente, não é mais possível aceitar o conluio entre os três Poderes para transformar este país numa ditadura informal, comandada pelo Supremo e com apoio integral do presidente Lula da Silva, que tenta se eternizar no poder, embora já esteja com prazo de validade vencido, como o mais idoso governante na lista dos países da ONU, que são 193.

Nos últimos dias, a grande imprensa brasileira parece que despertou e os jornalões começaram a publicar editoriais advertindo para a atuação do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral visando a favorecer a reeleição de Lula.

Estadão, Folha, Zero Hora e outros veículos de importância começaram a protestar e as críticas chegaram ao auge com o debate entre os candidatos, cujo cancelamento resultou de uma manobra jurídico-institucional para proteger Lula, que não está dizendo coisa com coisa nesta campanha, chegando ao ponto de abordar nesta semana a questão do exame de próstata e os “toques” genitais que ele julga serem aceitos pelas mulheres desde pequenas. Diante dessa situação, é possível imaginar o que Lula diria, se tivesse de debater com os outros concorrentes. Seria um programa verdadeiramente humorístico.

EDITORIAIS FORTES – O posicionamento firme da imprensa brasileira, especialmente com o editorial da Folha na primeira página, nesta sexta-feira, vai ficar na História, por haver denunciado o abominável ministro Gilmar Mendes, do Supremo, e a também intolerável ministra Estela Aranha, do TSE.

Essa desconhecida juíza petista, uma militante que tem até patrocinado financeiramente o partido nas últimos campanhas, atendeu a um pedido da coligação lulista e proibiu a TV Globo de mostrar a cadeira vazia e identificada com o nome do presidente Lula, caso ele não comparecesse, assim como também impediu perguntas dirigidas ao candidato ausente, embora constassem entre as regras do debate, no contrato assinado pelos partidos.

Por fim, a imprensa internacional está de olho na eleição brasileira e a Organização dos Estados Americanos já enviou uma comissão de ex-chanceleres para acompanhar um pleito que ministros dos tribunais superiores tentam subverter, na maior desfaçatez. 

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P.S. – Fica comprovado que ainda há jornalistas no Brasil, mas é lamentável o posicionamento da Organização Globo, que participa dessa armação institucional entre os três Poderes e faz o que pode para reeleger Lula. Sua reação ao cancelamento do debate foi patética e omissa. Em nenhum momento O Globo e a TV Globo denunciaram que há um notório conluio entre o Supremo, o TSE e o Planalto. Aliás, esse posicionamento covarde não é novidade na Organização Globo. Os filhos apenas seguem o exemplo do pai, Roberto Marinho, e somente se preocupam com a caixa registradora, que o governo Lula mantém preenchida, como maior patrocinador desse grupo empresarial supostamente jornalístico. (C.N.)