domingo, 1 de março de 2026

 

Gilmar ultrapassou todos os limites na tentativa de “blindar” Dias Toffoli

Gilmar Mendes manda soltar mais quatro que estavam sob prisão preventiva -  Espaço Vital

Charge do Nani (nanihumor.com)

Ricardo Corrêa
Estadão

A decisão do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que anulou a quebra de sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático da empresa Maridt Participações, que pertence ao colega Dias Toffolli e irmãos, expõe um modus operandi escandaloso utilizado por parte expressiva da Corte para se proteger.

Mais do que o mérito em si da decisão, o modo pelo qual foi fabricada uma prevenção no caso é de constranger até mesmo quem entende apenas basicamente o funcionamento do princípio do juiz natural.

CASO ARQUIVADO – O flagrante drible na regra se deu quando a Maridt – leia-se Dias Toffoli – apresentou um habeas corpus para contestar a decisão dentro de um mandado de segurança já arquivado da CPI da Pandemia. A manobra se deu para fazer de Gilmar Mendes o juiz prevento do caso, evitando o sorteio ou a distribuição para outro magistrado.

O absurdo é tão cristalino que é preciso pouca explicação para evidenciá-lo. Gilmar deveria ter abdicado de decidir. Não é o caso de prevenção. O mandado de segurança arquivado não tinha qualquer relação com o caso em questão. E o fato de ter sido desarquivado apenas para a concessão da decisão e arquivado novamente em sequência completa o escárnio.

Se havia qualquer prevenção no caso específico, seria para o ministro André Mendonça, que já havia tomado decisões acerca da CPI do Crime Organizado, inclusive relacionada aos irmãos de Toffoli, donos da Maridt.

DECISÃO VEXAMINOSA – Depois de rifar o mesmo Dias Toffoli do inquérito relacionado ao Banco Master para se livrar de uma crise de imagem sem precedentes, o STF novamente mergulha nela por uma decisão que tenta tirar do Parlamento – fiscal do Judiciário – o poder de se imiscuir sobre suspeitas envolvendo a relação do ministro com aquele que, até outro dia, era seu “investigado”.

Quanto ao mérito da decisão em si, pode até ser válido argumentar que a CPI do Crime Organizado tentou avançar por um território que não era o escopo do colegiado. Mas é preciso lembrar também que cabe ao Legislativo fiscalizar integrantes do STF, inclusive, no caso do Senado, onde ocorre a CPI, tendo a autoridade de promover o impeachment de ministros da Corte.

Impeachment que foi tornado mais difícil pelo próprio Gilmar Mendes ao ampliar, também em decisão polêmica, o quórum de aprovação de um tipo de medida que parece cada vez mais fazer sentido.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Excelente artigo de Ricardo Correia. Mostra que a imprensa de verdade não se curva diante de Gilmar Mendes nem de nenhum falso magistrado como ele.  (C.N.)

SPUTNIK

 

Pessoas observando a fumaça subindo acima do horizonte após uma explosão em Teerã, Irã  - Sputnik Brasil

Morte do líder supremo iraniano e maior ofensiva do IRGC: acompanhe o 2º dia da operação militar de Israel e EUA contra Irã (VÍDEOS)

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Detalhes a seguir
Israel lançou um ataque "preventivo" contra Irã, estado de emergência é declarado no país, comunicou Israel Katz o ministro da Defesa israelense neste sábado (28).
Na sequência do ataque dos EUA e de Israel ao Irã o líder supremo iraniano aiatolá Ali Khamenei foi morto, declarou neste domingo (1º) o primeiro vice-presidente iraniano, Mohammad Mokhber. Além disso o país confirmou as mortes do Secretário do Conselho de Defesa Nacional Ali Shamkhani e do general Mohammad Pakpour, comandante do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica.
Além disso, foram confirmadas as mortes da filha, genro, neta e nora do líder supremo do Irã Ali Khamenei como resultado de ataques israelenses e dos EUA, relata a agência Fars com referência a uma fonte. Já Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC) iraniano anunciou o início da "ofensiva mais feroz" na história do Irã contra os EUA e Israel.
Antigas primeiroRecentes primeiro
07:49 01.03.2026
Alcance da vingança: conheça com #InfográficodaSputnik os mísseis balísticos iranianos e os alvos dentro do seu alcance - Sputnik Brasil
07:26 01.03.2026
07:17 01.03.2026
Putin expressa condolências ao Irã pela morte do aiatolá Ali Khamenei
O presidente russo Vladimir Putin enviou condolências ao chefe de Estado iraniano, Masoud Pezeshkian, em razão do assassinato do líder supremo da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei.
Putin classificou a morte do líder religioso como um assassinato cínico que viola todas as normas da moral humana e do direito internacional.
07:00 01.03.2026
Irã promete atacar com uma força que os EUA e Israel nunca enfrentaram
Teerã atacará neste domingo (1º) com tanta força que os EUA e Israel ainda não haviam enfrentado, declarou o secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani.
"Ontem, o Irã lançou mísseis contra os EUA e Israel [suas instalações], e eles realmente causaram danos. Hoje vamos atacá-los com uma força que eles nunca haviam enfrentado antes", escreveu ele na rede social X.
06:52 01.03.2026
06:09 01.03.2026
Irã nomeia novo comandante do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica
O Irã anunciou a nomeação de Ahmad Vahidi como novo comandante do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês), em substituição de Mohammad Pakpour, que morreu durante o recente ataque dos EUA e de Israel a Teerã, informou o portal Khabar Online.
05:39 01.03.2026
Força Aérea israelense ataca alvos da liderança iraniana em Teerã
Força Aérea israelense está atacando alvos da liderança iraniana em Teerã, declara Exército do país. Fortes explosões são ouvidas em Teerã após um ataque de mísseis, informa Mehr.
05:03 01.03.2026
Protestos irrompem em frente ao consulado dos EUA no Paquistão
Protestos massivos irromperam em frente ao consulado dos EUA em Karachi, no Paquistão, após o assassinato do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, na sequência de ataques aéreos coordenados dos EUA e de Israel contra Teerã, relata Dawn. Pessoas se juntaram ao pé da entrada da entidade diplomática americana atacando-a com pedras e paus.
04:50 01.03.2026
04:49 01.03.2026
Israel detecta lançamento de mísseis do Irã, defesa antiaérea está interceptando alvos
Forças de Defesa de Israel (FDI) detectaram um lançamento de mísseis do Irã, os sistemas de defesa antiaérea estão operando para eliminar a ameaça, informou o serviço de imprensa do Exército no domingo.
03:48 01.03.2026
Explosões são ouvidas em Teerã
Uma série de explosões foi ouvida na capital iraniana, informou a agência de notícias Jamaran no domingo.
03:44 01.03.2026
O Irã confirma a morte do chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas e ministro da Defesa do país, relata a agência estatal IRNA.
03:33 01.03.2026
O Irã não pretende atacar países da região, ele ataca bases dos EUA que não são seu território, diz secretário do Conselho de Segurança Nacional do Irã.
02:56 01.03.2026
Conselho de Especialistas se reunirá hoje para eleger novo Líder Supremo do Irã
O Conselho de Especialistas será reunido no domingo e começará a trabalhar para eleger um novo Líder Supremo do Irã, disse Ali Larijani, secretário do Conselho Superior de Segurança Nacional do Irã.
02:46 01.03.2026
Trump alerta Irã afirmando que 'eles podem ser atingidos com uma força nunca antes vista'
"Irã acabou de afirmar que eles vão atacar muito forte hoje, mais forte do que já atingiram antes. É melhor que eles não façam isso. Porque se o Irã o fizer, vamos atingi-los com uma força que nunca foi vista antes", escreveu o presidente dos EUA, Donald Trump, em um post no Truth Social.

 

Irã não será como Iraque em 2003, afirma analista à Sputnik Brasil

 Irã sob ataque dos EUA e de Israel Fortes explosões foram ouvidas em algumas partes de Teerã na manhã de hoje. - Sputnik Brasil, 1920, 28.02.2026
Especiais
À Sputnik Brasil, Robinson Farinazzo, capitão da reserva da Marinha do Brasil, analisa os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã, afirma que o conflito era esperado após o fracasso das negociações e avalia que o cenário internacional atual torna a escalada militar mais imprevisível e arriscada do que em crises anteriores no Oriente Médio.
Segundo o analista, o principal motivador para o ataque estadunidense ao Irã é Israel que, nas palavras do capitão da reserva da Marinha Robinson Farinazzo, “quer a queda do regime dos aiatolás” e teria pressionado Washington a aderir à ofensiva como parte dos objetivos estratégicos do governo de Benjamin Netanyahu na região.
Na avaliação do especialista, embora setores do establishment militar norte-americano demonstrem resistência a uma nova guerra no Oriente Médio, "o lobby israelense nos Estados Unidos é muito forte", afirma.
Para Farinazzo, a escalada militar já era esperada diante do fracasso das negociações diplomáticas entre Washington e Teerã. “As demandas dos Estados Unidos são impossíveis de o Irã atender. Se atender, eles caem como o Saddam caiu, como o Gaddafi caiu”, afirmou, ressaltando que anos de tentativas frustradas de acordo nuclear indicavam que uma solução negociada era improvável no curto prazo.
O analista avalia ainda que o cenário internacional atual torna o conflito mais complexo do que intervenções anteriores dos Estados Unidos no Oriente Médio. “Você tem um mundo diferente hoje, uma China muito mais forte, uma Rússia que voltou ao cenário internacional, e o Irã não é o Iraque de Saddam Hussein”.
Segundo ele, a presença de múltiplos pólos de poder aumenta a imprevisibilidade e reduz as chances de uma vitória rápida semelhante às expectativas norte-americanas em conflitos passados.
Nesse contexto, Farinazzo rejeita comparações entre o Irã atual e o Iraque de 2003. “O Irã não é o Iraque. O Iraque era um exército enfraquecido por 12 anos de sanções”, afirmou. Ele destacou que o país possui autonomia tecnológica e militar relevante, incluindo programas avançados de mísseis e drones. “O Irã tem o melhor programa de mísseis do Oriente Médio” e capacidade própria de desenvolvimento militar, o que ampliaria sua possibilidade de resistência.
Segundo o especialista, o fator decisivo da guerra será a duração do conflito. “Vai ganhar quem ficar na mesa mais tempo”, avaliou. Para ele, caso o Irã consiga sustentar a resistência por semanas ou meses, os custos políticos para Washington tendem a crescer.

“Como explicar para o público americano que se gasta mais de um trilhão de dólares por ano e não conseguem submeter um país sob sanções há 47 anos?”.

Farinazzo também destacou que a ampla presença militar dos Estados Unidos na região amplia os riscos de retaliação. “É mais fácil dizer onde os Estados Unidos não têm presença”, afirmou, citando bases espalhadas pelo Golfo Pérsico e pelo Oriente Médio.
Segundo ele, essas instalações funcionam como garantidoras da segurança de governos aliados, especialmente das monarquias do Golfo, cujos vínculos estratégicos e financeiros reforçam a dependência em relação a Washington. “Os governos dependem muito dos Estados Unidos”, disse, lembrando que parte significativa dos ativos dessas monarquias está depositada em bancos ocidentais.
O analista também alertou para possíveis impactos econômicos globais caso o conflito se amplie. “Se o Irã fechar o Estreito de Ormuz, vai haver uma paulada na economia”, afirmou, destacando o risco de alta expressiva nos preços do petróleo e efeitos em cadeias produtivas internacionais.
Atualmente, cerca de 20% do petróleo mundial passa por esta rota marítima, assim como aproximadamente 20% a 25% do comércio global de gás natural liquefeito.
Diante do cenário, Farinazzo avalia que ainda é impossível prever o desfecho da crise. “A gente analisa tendências, mas é muito difícil fazer um prognóstico”, disse. Segundo ele, uma guerra prolongada pode produzir o efeito contrário ao pretendido pelos Estados Unidos, fortalecendo internamente o regime iraniano ao “galvanizar a população em torno do governo” diante de ataques externos.

“O risco que os Estados Unidos correm é o de galvanizar a sociedade iraniana em torno do aiatolá, que antes era relativamente dividida. Sinceramente, não dá para saber como isso vai terminar, mas a ofensiva pode acabar reforçando, indiretamente, a legitimidade dos aiatolás.”