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O jornalista Mario Sabino em texto publicado no site Metrópoles conseguiu identificar o erro fatal cometido pela juíza Gabriela Hardt, que lhe valeram um gancho de 2 anos do exercício das suas funções de juíza federal. Para o jornalista o grande erro da magistrada foi não ter marido advogado com contrato milionário com o Banco Master. Leia o texto:
A vingança contra a Lava Jato não tem fim. Na terça-feira, o Conselho Nacional de Justiça puniu a juíza Gabriela Hardt, que substituiu Sergio Moro na 13ª Vara Federal de Curitiba e condenou Lula no processo do sítio de Atibaia.
Ela foi punida com o afastamento do cargo por dois anos por falta de cautela e violação de deveres funcionais ao homologar, em 2019, um acordo firmado entre a força-tarefa da Lava Jato e a Petrobras que destinaria R$ 2,5 bilhões de multas pagas pela empresa a uma fundação privada gerida pelo Ministério Público Federal para combater a corrupção.
Foi nesse erro causado pelo entusiasmo juvenil da moçada que queria mudar o país, triste ilusão, que os suspeitos de sempre começaram a jogar para lançar a reputação da Lava Jato no lixo — e a tirar do lixo os criminosos que perpetram a roubança bilionária na Petrobras e adjacências.
A vingança contra a Lava Jato usou de um motivo real para sentenciar Gabriela Hardt, que nunca roubou nada, a uma pena administrativa que tem no exagero a forma de praticamente impedir que ela possa ser promovida na carreira que escolheu.
A suspensão é de dois anos, mas a danação de Gabriela Hardt tende a ser eterna.
No mesmo dia em que a juíza que condenou Lula foi punida, Lula, presidente da República por obra e graça do STF, que anulou todas as suas condenações para que voltasse à vida pública, reuniu-se com uma figura tão reta e tão vertical quanto ele, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, como revelado pela jornalista Bela Megale.
Onde? Em um jantar na casa do ministro Alexandre de Moraes, em Brasília, aquela comprada à vista por 12 milhões de reais por ele e a mulher, a advogada Viviane Barci de Moraes, que firmou um contrato de R$ 129 milhões de reais com o Banco Master, do impoluto Daniel Vorcaro.
Com o jantar, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin, que era advogado de Lula na época da Lava Jato e hoje é ministro do STF, veja só como a ironia do plot twist tem de ser completa, quiseram promover a reconciliação entre Lula e Davi Alcolumbre, cuja briga poderia causar riscos ao equilíbrio do sistema, se é que você me entende.
Abro parêntese. Davi Alcolumbre é outro implicado no caso Master. A suspeita é que recebeu propina para chancelar que a Amapá Previdência, que tinha familiares e aliados do senador na direção, investisse (e perdesse) R$ 400 milhões no banco de Daniel Vorcaro. Fecho parêntese.
Muito bem, você talvez ainda se pergunte como é que ministros do STF podem fazer política e, ainda por cima, patrocinando encontros entre personagens que têm no tribunal o seu foro por prerrogativa de função, como se nisso tudo não houvesse conflito de interesses?
O meu conselho é que você pare de fazer perguntas desse tipo, porque a resposta já está repetidamente dada: vivemos em um país onde juízes honestos, como Gabriela Hardt, são submetidos aos rigores da lei, enquanto lei nenhuma se aplica a quem se julga acima dela, como ministros do STF. Não existe “falta de cautela”, “violação de direitos funcionais” ou qualquer outra regra de contenção para eles.
De onde se conclui que o erro de Gabriela Hardt não foi apenas condenar Lula. Foi, coloquemos assim, não ter marido advogado com contrato milionário com o Banco Master.
PS: na missão inspiradora de manter o equilíbrio do sistema, ministros do STF convenceram o enrolado Ciro Nogueira, presidente do PP, a vetar Tereza Cristina como vice na chapa de Flávio Bolsonaro, “em troca de poupá-lo de dissabores”, diz o colega William Waack. As eleições brasileiras são cada vez mais livres.

Sem dúvida que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), se tornou o ministro mais poderoso da Corte, acumulando funções que ultrapassam todos os limites da magistratura, pois, além de pousar de vítima, é investigador e julgador, tudo no mesmo inquérito aberto de ofício pelo próprio tribunal. Esse poder se expandiu de tal maneira que, praticamente, os assuntos mais polêmicos da Corte se concentram em sua pessoa. Os que o criticam -e isso é a maioria dos juristas brasileiros-, o acusam de supostos abusos de autoridade, investigações conduzidas sem o aval formal da Procuradoria-Geral da República (PGR) e a emissão de ordens de bloqueio de redes sociais tidas como de censura prévia contra a manifestação do pensamento e as liberdades individuais.
As discussões jurídicas e políticas sobre sua atuação se dividem em diferentes frentes de contestação apontadas por opositores e analistas. A emissão de ordens sigilosas para remoção de perfis e restrição da liberdade de expressão de opositores políticos, bem como o suposto uso informal de dados e relatórios da assessoria do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para embasar suas decisões, podiam e podem até ganhar o aval da maioria dos seus colegas, mas as ilegalidades permanecem. Seja como for, o protagonismo de Moraes não para de crescer. Uma série de outras investigações foram sendo abertas e mantidas no seu gabinete por suposta ligação com o inquérito das Fake News. E se o ex-presidente Bolsonaro for parte ou mencionado, quem decide é Moraes, pouco importando se suas decisões ou restrições apontem violações de garantias processuais, a exemplo de detenções preventivas consideradas arbitrárias.
Poderoso e controverso, Moraes se tornou ministro do STF de forma inesperada, em 2017, com a abertura de uma vaga pelo falecimento do ministro Teori Zavascki, morto tragicamente num acidente aéreo em Paraty. Com isso, o então presidente Michel Temer pôde indicar seu ministro da Justiça ao Tribunal, um nome da centro-direita de São Paulo, assim como ele. Em apernas oito anos Moraes se tornou o mais poderoso ministro do Supremo, passando de odiado a venerado por boa parte da esquerda. Seu perfil duro no Direito Penal ganhou protagonismo quando passou a relatar uma séria de investigações contra os suspeitos de atentar contra a democracia, principalmente bolsonaristas — casos que se desdobraram em seu gabinete a partir do polêmico inquérito das Fakes News. Dentre os réus, quem mais sofre as consequências das suas decisões é o ex-presidente Jair Bolsonaro, contra quem o ministro detona toda sua ira. Depois que o inquérito das Fake News ganhou o aval do plenário do STF, o protagonismo de Moraes não parou de crescer. Uma série de outras investigações foram sendo abertas e mantidas no seu gabinete sob a alegação de uma suposta ligação com o inquérito.
A concentração de todos os processos envolvendo Bolsonaro nas mãos do ministro é excessiva. Essa interpretação expansiva de que ele é prevento para julgar todos os casos por ser relator do inquérito das Fake News é, de certa forma, prejudicial à reputação do próprio Tribunal, porque reforça o personalismo de um ministro encarregado de resolver todas as questões de um réu. Moares decide quase tudo de ofício, o que compromete a sua imparcialidade. A fala de Bolsonaro por IA na convenção do PL, por exemplo, criou ainda mais restrições judiciais às regras eleitorais para a Inteligência Artificial. Moraes determinou que a defesa de Bolsonaro esclarecesse, em 48 horas, se o ex-presidente autorizou ou não o uso de sua imagem por IA na convenção. O ministro apontou que um aval de Bolsonaro significaria descumprimento de medidas restritivas de prisão domiciliar, enquanto a falta de autorização configuraria o uso irregular de deepfake pela campanha de Flávio Bolsonaro e pelo PL. Tudo isso para impedir qualquer manifestação do ex-presidente sobre as eleições que se aproximam. Bolsonaro está proibido de externar apoio à candidatura do seu filho.
Aliados e críticos apontam que as restrições impostas por Moraes criam barreiras excessivas de comunicação entre pai e filho, que está proibido de visitar o pai. A defesa de Bolsonaro e os advogados do PL sustentam que o material exibido avisava explicitamente no início que se tratava de uma simulação por IA, não havia intenção de fraudar a realidade ou enganar o eleitorado. O fato é que o amplo protagonismo de Moraes envolve a relatoria de inquéritos sensíveis, bem como a condução de medidas cautelares e o debate sobre os limites da atuação individual de um único julgador. Um panorama sobre como o magistrado ampliou sua atuação no tribunal é sempre discutido, mas nada disso produz algum efeito, pois, ao final, vai prevalecer a decisão do Moraes, que é, atualmente, o próprio Supremo.
*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.


Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de Gabinete de Lula (PT), costumava enviar contas que tinha para pagar e Roberta Luchsinger pagava. Em troca ela pedia ajuda para ter acesso a autoridades e Marcola conseguiu colocá-la em contato com a cúpula do Ministério da Saúde. Esses fatos foram revelados em reportagem da jornalista Maria Cristina Fernandes, do jornal Valor Econômico.
De acordo com a reportagem, quem apresentou Luchsinger para Marcola foi Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha (filho mais velho de Lula), e sua mulher, Renata.
Marcola relatou a integrantes da campanha lulista, segundo o Valor, que Roberta Luchsinger sempre se oferecia para ajudá-lo financeiramente, mas que ele sempre recusava. Num determinado momento, “cedeu, aceitando que Roberta pagasse contas que lhe apresentava. Nunca recebeu dinheiro dela, mas lhe passava, por WhatsApp, os pagamentos que precisava que fossem feitos”.
O Valor também relata que os integrantes do governo sabem já há algum tempo sobre essa relação de Marcola com Roberta. Sobretudo porque foi quebrado o sigilo do celular da lobista, e ali estavam as mensagens trocadas entre ela e o ex-assessor de Lula.itsvividleaves.com
Foi montada uma operação para tentar de todas as formas evitar que a notícia fosse divulgada antes da eleição de 4 de outubro. Não deu certo.