quarta-feira, 2 de setembro de 2026

 

Gonet pede nulidade de investigação em que ele é citado 33 vezes e causa “desânimo” na cúpula da PGR

Impressiona o números de vezes que o procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, e familiares dele são mencionados nas investigações do caso Master. Pelo menos, 33 vezes ele é citado.

Mesmo assim, na tarde de ontem, ele pediu a nulidade das apurações sob o argumento de que o relator do caso, André Mendonça, não tinha autorização do plenário do STF para conduzir investigações que envolviam outro ministro da Corte — no caso, Alexandre de Moraes.

O site Poder360 afirma que ouviu sob reserva integrantes da cúpula da Procuradoria-Geral da República (PGR). Segundo a reportagem, o ambiente no órgão é de “desânimo”. Para os integrantes da cúpula da instituição o pedido de Gonet pela nulidade das investigações é impróprio e o inquérito deveria ficar com o vice-PGR, Hindemburgo Chateaubriand. Entretanto, a decisão final é do próprio PGR, que decidiu continuar no caso.

No relatório da Polícia Federal, Paulo Gonet é mencionado ora pelo nome, ora pela sigla “PG”. As iniciais são usadas com frequência pelo advogado Ciro Soares, que atendia Daniel Vorcaro e buscava viabilizar encontros do ex-dono do Banco Master com autoridades da República.

Em uma dessas menções, Paulo Gonet aparece em uma foto ao lado de Ciro Soares, em mensagem enviada em 15 de março de 2025. Os dois parecem estar em uma varanda. Ambos usam roupas casuais e óculos escuros — 15 de março de 2025 caiu em um sábado. “Liga aqui. Ele quer falar com vc”, diz Ciro Soares a Daniel Vorcaro.

Em mensagem de 28 de março, encaminhada por Ciro Soares a Vorcaro, Gonet afirma: Que bom! Estou na torcida por vocês!”.

“Já estou com saudades de você!”, prossegue o PGR na mesma conversa. “Estou embarcando para Roma.” Após dizer que Gonet iria com eles para Londres, Ciro Soares encaminha uma mensagem em que o procurador-geral teria escrito:

“Oba!!! Tomara que tenha charuto e Macallan!”

 

Mensagens sobre Moraes e Vorcaro levam STF a temer ofensiva eleitoral contra a Corte

Charge do Ismecio (Instagram)

Bela Megale
O Globo

A série de mensagens entre o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro que evidenciam a troca de informações sigilosas sobre a Operação Compliance Zero instaurou um clima de tensão inédita na corte.

O maior temor entre os magistrados são as consequências que as conversas trarão para o tribunal, ainda mais a cerca de um mês das eleições, quando a pauta de muitos candidatos é atacar o STF.

DADOS SENSÍVEIS – A avaliação é que as mensagens que mostram Moraes fornecendo dados sensíveis de investigações para Vorcaro serão usadas para implodir a imagem da corte e que não há, pelo menos até agora, uma linha de defesa para Moraes.

Outro ponto de extrema preocupação é que o impeachment de ministros do STF ganhe força e passe a ser adotado como pauta, inclusive entre candidatos à Presidência da República.

Magistrados não admitirão isso publicamente, mas nos bastidores fazem a avaliação de que a situação de Alexandre de Moraes se complicou muito e que é difícil encontrar um caminho para justificar a atuação do ministro.

ALVO DE OPERAÇÃO – Como revelou o jornal O Estado de S. Paulo, as mensagens indicam que Moraes discutiu com o banqueiro a possibilidade de Vorcaro ser alvo de uma operação da PF. “Acha que segunda já tenho que estar fora?”, perguntou o banqueiro ao ministro do STF.

A investigação policial ainda mostrou que o magistrado editou o contrato de R$ 131 milhões prestado pelo escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci, com Vorcaro. Há ainda troca de mensagens em que Vorcaro pede a Moraes que busque a PF e a Procuradoria-Geral da República (PGR) para travar as investigações contra ele.

 Direito e Justiça

URGENTE: Vaza informação de dentro do STF e surge especulação de "saída honrosa para Moraes"


Informações que acabam de surgir dão conta de que já se fala nos bastidores em "saída honrosa" para Alexandre de Moraes.

Durante o Live CNN desta quarta-feira (2), a analista de política Clarissa Oliveira afirmou que, nas conversas que manteve com políticos desde terça-feira (1º), ficou evidente uma pressão crescente para que o próprio Alexandre de Moraes tome a decisão de deixar o STF.

"Seria uma espécie de saída honrosa na avaliação desses articuladores", disse a analista.

Diz a CNN:

A analista destacou ainda que há um entendimento amplo, entre integrantes de campanhas eleitorais, do Judiciário, juristas e advogados, de que "a gravidade dessas acusações é muito grande".

"Ninguém está esperando que haja uma condenação antes da hora, mas o peso que isso tem sobre o próprio Supremo Tribunal Federal é grande na avaliação das fontes com quem conversei ontem", ressaltou Clarissa.

Crise que vai além do STF

Clarissa apontou que a crise não se restringe ao Supremo Tribunal Federal. O relatório da Polícia Federal contém menções à Procuradoria-Geral da República e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

"São muitas as posições, muitas as instituições que estão ali permeadas por essa crise que tem como personagem principal Alexandre de Moraes", afirmou a analista.

A decisão do ministro André Mendonça de levantar o sigilo do relatório foi apontada como um fator determinante para a escalada da crise.

"A publicidade que foi dada a essa crise, pelo histórico que a gente tem do Supremo, não era o desejo de muitos dos colegas do André Mendonça."

Segundo Clarissa, Mendonça trouxe o assunto para a esfera pública e impôs pressão adicional não apenas sobre Moraes, mas sobre o próprio tribunal, exigindo transparência e seriedade no tratamento do caso.

A analista observou ainda que, embora o Procurador-Geral da República tenha pedido a nulidade do relatório, "qualquer questão técnica não invalida a gravidade do que está ali".

"Se não tem uma saída jurídica para essa crise, precisa ter uma saída política", ressaltou.