quinta-feira, 15 de outubro de 2026

 

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Coluna Magnavita | Em desespero, PSD quer transformar Paes no candidato do STF ao Governo do Rio

Coluna Magnavita | Em desespero, PSD quer transformar Paes no candidato do STF ao Governo do Rio
Em desespero, PSD quer transformar Paes no candidato do STF ao Governo do RioCrédito: Danilo Silva / Record Rio

O candidato derrotado do PSD ao Governo do Estado do Rio, Eduardo Paes, depois de ter reconhecido a derrota em primeiro turno para Douglas Ruas, do PL, que já iniciou até o processo de transição, corre o risco de trazer para as suas costas todo o desgaste e antagonismo da população contra o Supremo Tribunal Federal (STF).

Em todo o Brasil, a eleição majoritária para o Senado refletiu a rejeição dos eleitores contra a atuação política do STF no processo eleitoral. A decisão do PSD de recorrer ao Supremo para provocar um segundo turno no Rio é surpreendente e desafia a lógica eleitoral, que sempre foi uma marca da carreira política de Paes. Está sendo lido como um ato de desespero, por razões objetivas.

O resultado eleitoral deixou claro que Douglas Ruas avançou em áreas que estavam mapeadas como as Paes. A vitória trouxe para Douglas uma debandada geral de prefeitos e líderes partidários. Até Netinho Reis, prefeito de Duque de Caxias, sobrinho da candidata a vice-governadora de Paes, estava no ato de Douglas e Flávio Bolsonaro na Ilha da Gigóia no sábado, 10.

Se o STF decidir pela realização do segundo turno, os dois candidatos terão perdido uma semana de tempo de televisão e Douglas será vitimizado, já que será a terceira vez que, por manobra do PSD, ele fica impedido de assumir o governo.

Alguns movimentos sincronizados merecem, porém, a atenção. Eduardo Paes finalmente acordou como cabo eleitoral de Lula. Enxergou que a reeleição do presidente virou uma questão de vida ou morte para o seu grupo. Ele começou a semana sem espaço político na esquerda, exatamente pelo seu pouco engajamento na agenda presidencial.

Neste cenário, corre o risco de ter o PT como adversário em 2028, colocando em dúvida a possível reeleição de Eduardo Cavaliere.

Quem entrou no STF foi o PSD nacional. Veja alguns detalhes do pedido: "O PARTIDO SOCIAL DEMOCRÁTICO - PSD NACIONAL, pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o n. 13.629.827/0001-00, com sede nacional no SAS Quadra 01, Lote 01, sala 1101, Ed. Libertas, CEP 70070-010, Brasília/DF, por seu advogado devidamente constituído a teor da procuração em anexo (doc.1), vem, vem, com fundamento no art. 102, § 1.º, e no art. 103, VIII, da Constituição Federal, e na Lei n.º 9.882/1999… pede ao STF que ao TSE e ao TRE/RJ que restabeleçam a convocação do segundo turno para eleição ao cargo de Governador e que subsidiariamente, caso não seja possível a realização em 25 de outubro de 2026, a realização do segundo turno em data a ser fixada pelo TSE, antes da (c) a solicitação de informações ao TSE e ao TRE/RJ e a oitiva do Advogado-Geral da União e do Procurador-Geral da República, no prazo comum de cinco dias (art. 5.º, § 2.º, da Lei n.º 9.882/1999), facultada ao relator a conversão do exame da liminar em julgamento definitivo de mérito.

O PSD aposta no mesmo limbo jurídico que criou ao sair parcialmente vitorioso no STF, impedindo o restabelecimento do processo sucessório no Rio, em um julgamento que não terminou, deixando à frente do Rio um governador interino mandatado por uma liminar, até hoje não juntada, e uma votação paralisada no 4x1 favorável ao restabelecimento da sucessão constitucional.

O agravante é que foi o mesmo PSD que provocou a justiça para anulação dos votos de Anthony Garotinho, só que o feitiço virou contra o feiticeiro. A anulação acabou favorecendo a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno.

Sem aliados, derrotado em regiões que esperava ganhar, sem conseguir eleger nenhum dos seus candidatos ao Senado, especialmente Pedro Paulo, e tendo cruzado os braços na reeleição de Lula, Eduardo Paes tenta uma solução kamikaze, capaz de reduzir o seu tamanho político e ficar fragilizado na sucessão municipal. Nesta sua última jogada, aposta todas as suas fichas no número 13 da roleta eleitoral. Sua derradeira chance de sobreviver, mesmo consciente da derrota eleitoral para o governo, na sua tardia adesão ao lulismo.

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