Lula oferece até Pix de R$ 5 mil aos eleitores e ninguém chama a Polícia…

Alckmin, Lula e Janja, três perdidos numa política suja
Carlos Newton
O cientista político Fernando Schüler, em seu artigo desta terça-feira no Estadão, chama atenção para a denúncia de um crime eleitoral da maior gravidade, cometido pelo presidente Lula da Silva, ao fazer campanha e anunciar medidas para atender microempreendedores individuais (MEIs), faltando poucos dias para o segundo turno (marcado para o dia 25), em que o petista enfrenta Flávio Bolsonaro.
A imprensa amestrada não deu a devida importância às declarações de Lula, que incluiu num mesmo pacote várias medidas altamente eleitoreiras, como o perdão de dívidas tributários dos microempresários individuais, a distribuição de um PIX de R$ 5 mil para cada um dos empresários, além do aumento do teto da categoria e da compra de dívidas que esses microempreendedores fizeram junto a instituições financeiras, num verdadeiro festival de crimes eleitorais.
COMPRA DE VOTOS – Fernando Schüler tem toda razão. Essa prática exercida abertamente por Lula tem um nome: chama-se compra de votos e constitui o mais abusivo e antidemocrático crime eleitoral.
Juridicamente chamada de captação ilícita de sufrágio, a compra de votos consiste em doar, oferecer, prometer ou entregar qualquer tipo de bem ou vantagem pessoal a um eleitor em troca de seu voto ou de sua abstenção.
Mesmo que a vantagem não seja entregue ou que o eleitor não aceite o acordo, a mera promessa ou oferta já configura o crime, com penas rigorosas – cassação da candidatura ou mandato (caso eleito), até 4 anos de reclusão e pesadas multas financeiras.
ÀS CLARAS – O presidente Lula praticou esses crimes eleitorais abertamente, em evento aberto à imprensa nesta terça-feira, ao fazer um pronunciamento ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e da primeira-dama Janja da Silva. Ou seja, foi um crime em transmissão direta ao público, constituindo uma verdadeira suruba institucional.
Como diria o compositor e poeta Cazuza, que procurava uma ideologia para viver, os políticos que nos governam transformam o país inteiro num puteiro, só para ganhar mais dinheiro.
Por fim, o colunista Fernando Schüler diz que se sentiu de volta à República Velha (1889-1930) diante da “promessa de distribuir dinheiro, sem a menor justificativa e que dispensa arranjo orçamentário para a realização de tais medidas. “Com base em que estudo? Não há definição de critério, orçamento ou prazo para execução. É apenas uma promessa. Isso não pode acontecer em nenhum governo”, adverte.
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P.S. – O título desta matéria é uma homenagem a Helio Fernandes Filho. Na noite em que Paulo Maluf veio ao Rio para se reunir com o governador Chagas Freitas, nosso amigo Helinho Fernandes criou a seguinte manchete da Tribuna da Imprensa: “Maluf encontrou-se com Chagas e ninguém chamou a Polícia”. Realmente, genial. Mostrava o retrato de uma era política, que agora se repete. (C.N.)
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