Ameaças de Trump ao Brasil devem ser levadas a sério pelo próximo presidente
Na ONU, Trump ameaçou usar o poder militar na América Latina
Carlos Newton
Como dizia o Barão de Itararé (Apparicio Torelly), “era só o que falta!”. Vivemos hoje uma campanha eleitoral atípica, que não discute os problemas da nação nem examina planos para resolvê-los. O único assunto que interessa às duas principais facções são os crimes cometidos por elas. Portanto, deixaram de ser facções políticas para se exibirem como facções criminosas.
O pior é que esse vexaminoso fenômeno ocorre justamente quando o presidente da maior potência – cujo poderio econômico e militar é verdadeiramente hegemônico – resolve liderar uma guerra mundial contra o narcotráfico, cujo envolvimento na política brasileira já se tornou mais público e notório do que o saber dos ministros da Suprema Corte.
INSANO, MAS… – Qualquer analista internacional minimamente perspicaz consegue constatar que Donald Trump é cada vez mais insano, mas tem vislumbres de completa sanidade, como essa ofensiva iniciada contra as facções criminosas, numa guerra sem fronteiras, em seu modo de ver. Ou seja, ele simplesmente mandará invadir ou bombardear, como fez na Venezuela e no Irã, embora a antiga Pérsia condene à morte os narcotraficantes.
É óbvio que na vida tudo tem limites. Ele gostaria, mas não pode mandar invadir a China, maior produtora da droga fentanil, um opioide sintético 50 vezes mais forte que a heroína e 100 vezes mais potente que a morfina, já sendo responsável por dezenas de milhares de mortes por overdose nos Estados Unidos.
Também não pode invadir a Rússia e outros países europeus que têm arsenais nucleares. Mas o Brasil é alvo fácil, pois não tem praticamente armas de guerra, embora cultive algumas das maiores facções criminosas do mundo, já com ramificações em países desenvolvidos.
PÉS NA ISLÃNDIA – Com muita ousadia, Trump ofereceu-se para comprar a Islândia. Houve protestos no mundo interior, a Dinamarca recusou-se a vender, mas o presidente americano já conseguiu o que queria – instalar mais duas bases militares e ter o direito de garantir a segurança da ilha, sem pagar um centavo ao governo dinamarquês., pois levou sem comprar.
Felizmente, Trump só tem mais dois anos de mandato e não pode se candidatar de novo. Mas nada impede que seja sucedido por algum radical, como Marco Rubio, que pretenda dar seguimento à obra dele. Outro candidato, o vice J.D. Vance, é menos radical, mas tem aprendido muita maldade com Trump.
Em tradução simultânea, Lula tem sido inábil ao enfrentar Trump para ganhar votos aqui. Ele deveria ter dado uma volta nele, aceitando mudar a legislação para tratar facções como organizações terroristas, pois de fato são, e assim teria negociado melhor os tarifaços.
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P.S. – Agora chegamos a uma encruzilhada que leva a duas armadilhas. Se Lula ganhar a eleição, será ruím, porque as relações com Trump tendem a se esfarelar. E se Flávio Bolsonaro vencer, também será ruim, porque não tem a menor condição de enfrentar Trump, caso o imperador americano tente passar dos limites em relação ao Brasil. Assim, estamos vivendo uma eleição altamente negativa, tipo perde-perde, sem a sábia opção do menos ruim. Mesmo assim, sou otimista com relação ao Brasil. Acho que o país seguirá crescendo, não importa quem ganhe as eleições, porque o Brasil é um gigante governado por anões.. (C.N.)
Celular de Vorcaro põe gabinetes do STF para vasculhar 37,5 mil arquivos de mensagens
Charge do Ismecio (Arquivo Google)
Pepita Ortega
O Globo
O acesso à íntegra dos dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fez alguns dos gabinetes de ministros do Supremo Tribunal Federal dedicarem equipes, ainda que reduzidas, para analisar as mensagens trocadas pelo ex-dono do Master com autoridades.
Um desafio, no entanto, tem sido levantado por interlocutores de ministros: o tamanho e volume dos diálogos a serem revisados. São cerca de 510 GB que reúnem 32,7 mil arquivos, entre chats, áudios e registros de chamadas telefônicas.
RESTRIÇÃO – Como mostrou O Globo, a primeira medida adotada pelos gabinetes que receberam acesso ao celular do ex-banqueiro foi restringir o acesso ao material, em razão de um grande volume de informações de caráter pessoal e relacionadas à intimidade.
Esta restrição, em alguns dos gabinetes, também tem relação com o tamanho da equipe. Há indicações de que a “falta de braço” nos times impede a escalação de um grupo maior para analisar diálogos, sem prejuízo das demais funções internas.
De outro lado há uma alerta sobre o tamanho dos dados remetidos aos ministros que solicitaram o material: Cristiano Zanin, André Mendonça, Luiz Fux, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes. Assim, cada equipe tem avaliado diferentes métodos e abordagens para buscar as referências nos diálogos do ex-dono do Master.
CAUTELA – Dentre os ministros que tiveram acesso ao celular de Vorcaro, o mais novo na Corte, Zanin, tem ressaltado a cautela na análise do material e defendido que seja usado somente de acordo com o que foi solicitado: a análise sobre os argumentos levantados pela Procuradoria-Geral da República no pedido de declaração de nulidade do relatório da Polícia Federal sobre as mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Antes de entrar na Corte, Zanin foi responsável pelo pedido de acesso às provas da Operação Spoofing, quando era advogado de Luiz Inácio Lula da Silva. A investigação tratava sobre o hackeamento de autoridades, entre elas o ex-juiz da Lava Jato Sérgio Moro. Com base nos diálogos, a defesa de Lula requereu a anulação de condenações impostas ao petista. A autorização foi deferida por Ricardo Lewandowski, o qual acabou sucedido por Zanin no STF.
CÓPIAS DAS PERÍCIAS – Em abril de 2021, por exemplo, Lewandowski pediu que fosse enviado a seu gabinete cópias das perícias realizadas em cada uma das mídias apreendidas na Operação, assim como o relatório final da investigação. As mídias foram entregues ao gabinete em um CD.
O material apreendido na Operação Spoofing tinha cerca de 7 TB, mas a defesa de Lula teve acesso somente a mensagens que lhe dissessem respeito, direta ou indiretamente, e as que tivessem relação com investigações e ações penais contra ele movidas.
Com base nos diálogos, Zanin apresentou ao STF mais de 15 relatórios, elaborados por peritos, citando diálogos entre Moro e ex-integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.
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