PGR se opõe a pedido de Elmar Nascimento para anular investigação
Operação Overclean apura suspeitas de fraude em licitações e desvio de verbas públicas em municípios baianos

A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou contra o pedido do deputado federal Elmar Nascimento (União-BA) para anular a investigação em que é alvo na Operação Overclean, da Polícia Federal.
O caso apura suspeitas de fraudes em licitações, superfaturamento e desvio de recursos públicos em contratos de limpeza urbana e pavimentação na Bahia.
O inquérito chegou ao Supremo Tribunal Federal (STF) no início de 2025, após a Polícia Federal identificar indícios de que o parlamentar teria recebido propina por meio de seu assessor, Amaury Nascimento, citado em uma planilha apreendida durante a investigação.
A defesa de Elmar argumenta que a PF já reunia elementos que apontavam para o deputado antes de encaminhar o caso ao STF e, por isso, teria mantido a investigação de forma irregular na primeira instância.
A PGR, porém, afirmou que não há demonstração de que a investigação tenha permanecido indevidamente fora da competência do STF.
O relator do caso, ministro Kássio Nunes Marques, ainda não decidiu sobre a solicitação.
Em junho, ele determinou que a Polícia Federal envie documentos para esclarecer quando surgiram os elementos apontados pela defesa como suficientes para remeter o inquérito ao STF.
Investigação
Segundo a PF, há indícios de participação de Elmar na articulação de um esquema para desviar recursos de obras financiadas por emendas parlamentares destinadas à Codevasf em Campo Formoso (BA), município administrado por seu irmão, Elmo Nascimento.
As investigações apontaram que a empresa Allpha Pavimentações, dos investigados Alex e Fabio Parente, ganhou contratos de pavimentação de 51 milhões de reais em Campo Formoso.
Francisco Nascimento, primo de Elmo e Elmar, é suspeito de ter manipulado as licitações a favor dos empresários.
Uma planilha apreendida com Alex Parente indicou repasses de 493 mil reais a Amaury Albuquerque Nascimento, assessor e primo de Elmar Nascimento.
A PF também considerou suspeita a compra feita por Elmar de um apartamento pertencente a uma filha do empresário Marcos Moura, o “rei do lixo”.
O imóvel, segundo a PF, teria sido adquirido por um valor abaixo do mercado.

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