Diretor da PF diz que delação de Vorcaro não tem base técnica nem jurídica

Rodrigues diz que PF adota medidas de proteção das provas
Sarah Teófilo
O Globo
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, afirmou nesta sexta-feira que a corporação não vê “interesse técnico” nem elementos jurídicos para celebrar um acordo de colaboração premiada com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Segundo ele, as informações apresentadas pela defesa do investigado não trazem fatos novos em relação ao que já foi apurado pela investigação. O chefe da corporação acrescentou que a PF adota medidas de proteção e sigilo das provas para evitar questionamentos e pedidos de anulação das investigações.
SEM INTERESSE TÉCNICO – “De fato, não há interesse técnico, não há elementos jurídicos que autorizem essa proposta de delação seja validada, porque muitas das coisas que estão sendo contadas já são do nosso conhecimento”,afirmou.
A declaração reforça a posição adotada pela Polícia Federal após rejeitar, no mês passado, a segunda proposta de colaboração premiada apresentada por Vorcaro. A decisão já foi comunicada ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do caso. A Procuradoria-Geral da República (PGR) também rejeitou.
CUSTÓDIA – Em relação às provas, Andrei Rodrigues frisou que a custódia das provas e a preservação dos dados coletados pela PF é uma grande preocupação desta e de outras operações.
“Houve vazamento, por parte da CPI, de conversas até de foro íntimo. Nós temos essa cautela, essa preservação. Já fizemos inclusive busca e apreensão dentro da Polícia Federal para coibir esse tipo de ação. Havia uma suspeita e fizemos uma ação para identificar se houve vazamento. Isso vale para servidores da casa e para qualquer um, e reafirma o compromisso de nós termos com essa cadeia de custódia bem preservada, a compartimentação preservada, para que a gente não tenha, lá na frente, qualquer questionamento que possa levar à nulidade parcial em qualquer investigação nossa”, disse.
O chefe da PF se refere a uma operação contra um perito da corporação, em maio. Ele teria repassado informações sigilosas relacionadas ao início das investigações, obtidas a partir da análise de material apreendido durante uma das fases da Compliance Zero.
DELAÇÃO – A avaliação dos investigadores é que os anexos apresentados pela defesa não contêm informações inéditas nem elementos de prova capazes de justificar um acordo de colaboração. A PF também entende que Vorcaro não conseguiu corroborar seus relatos com documentos e que parte dos fatos narrados já era de conhecimento da investigação, que tem acesso a oito celulares apreendidos do banqueiro, além de mensagens e documentos.
Investigadores afirmam que a proposta se concentrou mais em justificar a relação do empresário com agentes políticos do que em confessar crimes ou indicar novos caminhos para as investigações, requisito considerado essencial para a celebração de um acordo de delação premiada.
ESQUEMA DE FRAUDES – Vorcaro é investigado por suspeita de comandar um esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master, que teria causado prejuízos a correntistas, investidores e fundos de previdência de estados e municípios.
Esta foi a segunda tentativa frustrada de negociação entre a defesa de Vorcaro e a Polícia Federal. A primeira foi encerrada em maio e levou, inclusive, à troca da equipe de advogados do banqueiro. Pela legislação, um acordo de colaboração premiada exige, entre outros requisitos, a apresentação de informações novas e úteis para a investigação, além de provas que permitam confirmar os relatos do colaborador.
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