“Pirâmide” do Master/Will vai prejudicar mais investidores do que se pensava

Charge do Takeshi Gondo (O Hoje)
Carlos Newton
O caso do Banco Master e das sete instituições financeiras que funcionavam como penduricalhos nesses golpes aplicados na praça, como se dizia antigamente, é muito mais complicado do que parece. Por exemplo, rentistas que aplicaram simultaneamente no Master, no Will ou no LetsBank vão amargar um prejuízo maior, em relação aos que investiram numa só das instituições do fraudador Daniel Vorcaro.
Motivo: o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) só devolve dinheiro aplicado em Poupança, Certificados de Depósito Bancário (CDB) e de Recebíveis (RDB). Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e do Agronegócio (LCA), Letras de Câmbio (LC) e Letras Hipotecárias (LH). E o teto para devolução é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
TETO IMEXÍVEL – Assim, pelas regras do Fundo Garantidor de Crédito, quando se trata de passivos das instituições financeiras do mesmo grupo, o teto permanece em R$ 250 mil, porque o total que vale é um só, segundo o CPF ou CNPJ.
Isso significa que, ao aplicar simultaneamente em dois ou três bancos do grupo, o investidor perderá tudo que exceder ao teto de R$ 250 mil. E os que aplicaram nos diversos fundos criados por Vorcaro não receberão nada.
O Banco Central informa que o Will mantinha R$ 6,3 bilhões em depósitos a prazo. A maior parte em CDBs, porque o golpe era justamente oferecer juros muito acima do mercado, para atrair rentistas, fazer caixa e sair criando fundos fraudados que se realimentariam, numa pirâmide que conseguiria ser bem resistente, supunham Vorcaro e seus cúmplices.
BAITA PREJUÍZO – Assim, a derrocada do conglomerado aumenta os prejuízos do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que já está ameaçado de desembolsar mais de R$ 50 bilhões relativos ao Banco Master.
Portanto, chega a ser ridícula a intenção do novo presidente do Banco Regional de Brasília, Nelsom Antônio de Souza, que pretende pedir um empréstimo de R$ 2,6 bilhões ao Fundo, que já está se exaurindo com as fraudes que começaram quando Roberto Campos Neto comandava o Banco Central.
Aliás, é mais acertado culpar as duas gestões que falharam na fiscalização, porque o atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, também ficou mais imóvel do que a estátua da Vênus de Milo.
###
P.S. – É bom lembrar que Roberto Campos Neto é aquele presidente do Banco Central que não acreditava no próprio trabalho e investia sua fortuna no exterior, imitando o então ministro da Fazenda, Paulo Guedes, que também adorava um paraíso fiscal e tinha até se escondido da Polícia Federal para não prestar depoimento num inquérito que apurava fraudes de sua corretora. Muita gente não lembra, por isso recordar é viver, como diz a marchinha carnavalesca que os mais velho não esquecem. (C.N.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário