Hugo Motta escala aliado para supervisionar emendas após servidora ser alvo da PF

Servidor foi deslocado momentaneamente “para ajudar”
Victoria Azevedo
O Globo
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou um aliado de sua estrita confiança para atuar na gestão das emendas parlamentares na Casa após operação da Polícia Federal mirar a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, que é apontada por deputados como quem operava a distribuição desses recursos na gestão Arthur Lira (PP-AL).Tuca manteve essa posição após Motta assumir o comando da Casa, mas foi afastada de suas funções em 12 de dezembro, por determinação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo relatos de parlamentares, ministros do governo e assessores legislativos, Paulo Vinicius Marques Pinheiro, conhecido como Paulinho pelo entorno do presidente da Câmara, foi designado por Motta para supervisionar esse processo após o afastamento de Tuca.
INTERLOCUÇÃO – De acordo com parlamentares, grande parte da organização desse fluxo já estava encaminhada quando Tuca foi afastada. Segundo os relatos, coube à equipe que trabalhava com a servidora atuar na parte operacional, enquanto Pinheiro foi responsável por supervisionar o processo e fazer a interlocução com os líderes, as comissões temáticas e o presidente da Câmara.
Deputados dizem avaliar que o cenário mais provável é que Pinheiro não fique no posto de forma definitiva a partir de fevereiro, com o retorno dos trabalhos legislativos. Um aliado de Motta diz, sob reserva, que o servidor foi deslocado momentaneamente “para ajudar” no fim do ano numa espécie de solução caseira, já que tradicionalmente há um maior fluxo do direcionamento dos recursos nesse período.
Além disso, como mostrou O Globo, a cúpula da Câmara trabalha com a expectativa de que Tuca possa voltar ao trabalho em breve. Em dezembro, a Mesa Diretora recorreu da decisão do Supremo e pediu a Dino que a servidora fosse restabelecida à sua função. Tuca nega ter cometido irregularidades e afirma que a atuação no cargo era “técnica”.
FLUXO DE EMENDAS – Há uma avaliação entre deputados que o retorno dela seria importante para restabelecer o fluxo das emendas, sobretudo em ano eleitoral, quando parlamentares buscam atender suas bases eleitorais mirando ganhos políticos.
A operação que afastou Tuca apura suspeitas de desvio de emendas parlamentares e gerou descontentamento na cúpula da Câmara, que interpretou como um ataque do STF direto ao Parlamento.
Quatro pessoas disseram à reportagem que foram orientadas por Motta, no fim do ano passado, a direcionar as demandas sobre a partilha das emendas para Pinheiro, diante da ausência de Tuca. Procurados, o presidente da Câmara e o servidor não responderam.
ATUAÇÃO NA PARAÍBA – Pinheiro é descrito como uma pessoa do círculo próximo de Motta e atua nas articulações políticas do deputado na Paraíba, reduto eleitoral do presidente da Câmara. A relação dos dois é tratada por aliados como uma “amizade da vida toda”.
Esse seria um outro motivo para que Pinheiro não fique coordenando o processo da operacionalização das emendas de forma definitiva, já que ele costuma ajudar Motta nas campanhas políticas. Neste ano, além de buscar a reeleição como deputado federal, o presidente da Câmara quer eleger seu pai, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), para uma vaga ao Senado.
Segundo informações do boletim administrativo da Câmara, Pinheiro foi nomeado no gabinete de Motta pela primeira vez em 2011 e exonerado em fevereiro de 2025. Atualmente, está lotado no gabinete da Presidência da Casa, em cargo de natureza especial, com remuneração bruta de R$ 23 mil.
Líderes políticos e autoridades podem estar envolvidos com o Banco Master

Charge do JCaesar (VEJA)
Adriana Fernandes e Bruno Boghossian
Folha
As investigações da Polícia Federal envolvendo o Banco Master chegaram a elementos que apontam para o envolvimento de políticos com foro especial, e as apurações sobre essas autoridades terão de correr no STF (Supremo Tribunal Federal).
Provas coletadas pela PF na primeira fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, contêm referências a lideranças partidárias e altas autoridades, segundo relatos feitos à Folha, sob anonimato, por investigadores do caso.
VÁRIOS ACHADOS – Quando Vorcaro foi preso, a PF quebrou sigilos, apreendeu documentos e acessou o telefone celular do banqueiro. Os investigadores afirmam que foram feitos “vários achados” com menções a essas figuras
No entanto, as referências aos políticos, na avaliação de investigadores, não têm relação direta com o inquérito sobre a fabricação de carteiras fraudulentas de crédito consignado pelo Master e a negociação de venda para o BRB (Banco de Brasília).
Essas fraudes sustentaram a decisão da Justiça Federal em Brasília que autorizou a primeira fase da operação da PF, em 18 de novembro do ano passado, mesmo dia em que o Master foi liquidado.
REDE DE ALIADOS – Vorcaro ganhou notoriedade em Brasília por ter construído uma rede de aliados políticos e por organizar encontros em uma mansão na capital.
As conhecidas relações do banqueiro provocam tensão entre autoridades desde que o dono do Master foi alvo da PF. Alguns políticos temem que sejam desvendadas suas relações pessoais e financeiras com Vorcaro.
As conexões do banqueiro são consideradas tão amplas que provocaram a leitura de que uma investigação profunda seria comparável à operação Lava Jato, que provocou abalos em diversos partidos e levou a uma série de tentativas de abafar as apurações.
APROFUNDAMENTO – A verificação desses indícios será agora aprofundada pelos investigadores para determinar se houve participação de autoridades no esquema de fraudes de Vorcaro. Eles se somarão aos dados já coletados na segunda fase da operação, que teve como alvo o uso de fundos de investimentos administrados pela gestora Reag para desvio de recursos captados pelo Master com a venda de CDBs (Certificados de Depósitos Bancários).
A segunda fase da operação Compliance Zero, realizada em janeiro, ocorreu já por ordem do ministro do STF, Dias Toffoli, que assumiu o caso após provocação da defesa de Vorcaro, que alegou ter sido encontrada uma referência ao deputado João Bacelar (PL-BA), que tem foro especial.
A referência a Bacelar, no entanto, não é o alvo das apurações da PF neste novo momento. Mas o material encontrado na operação cita outros políticos, incluindo nomes do Congresso.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O vazamento dessas informações para a Folha desperta suspeitas. Os repórteres podem estar sendo usados para justificar a manutenção do inquérito no Supremo, apesar de nenhum detentor de foro privilegiado estar sob investigação. Vamos aguardar para saber que políticos são esses, que, mesmo investigados, não podem ser citados. É muito estranho. (C.N.)
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