sábado, 31 de janeiro de 2026

 

Caso do resort tornou-se um festival de mentiras envolvendo a família Toffoli

Tribuna da Internet | Pressionado, Toffoli empurra decisão sobre caso Master e amplia desgaste no Supremo

Charge do Spacca (Arquivo Google)

Carlos Newton

O caso do luxuoso resort Tayayá, que pertencia a José Eugenio Toffoli e José Carlos Toffoli, irmãos do ministro Dias Toffoli, do Supremo, saiu do noticiário por causa da gravidade do escândalo do grupo Master, embora também esteja cada vez mais enrolado. Toffoli pensa (?) que não sofrerá danos à sua imagem, mas o assunto será investigado pelo Congresso e tudo pode acontecer.

Os repórteres Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini, da Folha, fizeram uma reportagem definitiva sobre o caso, e até se hospedaram no hotel, que fica no Paraná, fronteira com São Paulo.

LIGAÇÃO AO MASTER – Eles relataram que durante quatro anos (entre 2021 e 2025), os irmãos de Toffoli dividiram o controle do Tayayá com o fundo de investimentos Arleen, que faz parte da intrincada rede montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do grupo Master.

As cotas do Arleen eram de propriedade de outro fundo, o Leal, que de acordo com o jornal O Estado de S. Paulo pertence a Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Os dois foram alvos de uma operação da PF (Polícia Federal) quando tentavam embarcar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

A defesa de Zettel não quis se pronunciar. Toffoli e seus irmãos também não aceitam falar a respeito, o que aumenta as suspeitas sobre o comportamento da família, já que há muitas coisas que eles precisam explicar ao respeitável público.

SÃO FREQUENTADORES – O fato concreto é que o ministro Dias Toffoli e seus irmãos, José Eugênio e José Carlos, continuaram a frequentar o Tayayá Resort mesmo após a venda do negócio para o advogado Paulo Humberto Barbosa, apurou a Folha. 

Toffoli chega ao local, na divisa de Paraná com São Paulo, sempre de helicóptero e pousa em um heliponto exclusivo próximo à luxuosa casa que mantém numa área próxima ao resort. Ele usa um barco do Tayayá que não está disponível para outros hóspedes para passeios.

O irmão do ministro Toffoli, José Eugenio Toffoli, era quem administrava o local enquanto a família tinha uma participação societária. Ele também tem uma residência fixa no resort, embora continue morando numa pequena casa a em Marília, interior de São Paulo.

MUITAS MENTIRAS – Sua esposa, entrevistada pelo Estadão, disse que José Eugênio nunca foi sócio do resort e não tem dinheiro para nada. Portanto, ou a mulher está mentindo ou o marido tem uma vida dupla, que é modesta em Marilia e luxuosa no resort…

O atual dono do empreendimento é Paulo Humberto Barbosa e também está mentindo. Aos repórteres Paulo Ricardo Martins e Lucas Marchesini, ele informou que é o  único proprietário do resort. Disse que conheceu o local no fim de 2024 e desde então foi adquirindo participações no empreendimento até se tornar dono.

“Eu tenho grandes amigos de Londrina [PR] que são investidores aqui. Então eu vim para conhecer o complexo. Tentei comprar uma parte, não consegui. Depois fui negociando até que eu consegui comprar a participação”, completou.

CONTRADIÇÕES – Barbosa, porém, diz não ter relação com o fundo de investimentos Arleen nem com o caso Master. “Eu não tenho nada com o Master. Eu não conheço ninguém de Master, eu não conheço nada. Eu nunca, na minha vida, investi em nada. Acho que a única vez que eu investi em alguma coisa, e que eu me arrependi, foi em um consórcio”, disse à reportagem.

Está claro que ele também está mentindo. Como nunca investiu em nada, se agora é dono do resort? Mas logo terá de contar a verdade, porque os senadores Carlos Portinho (PL-RJ) e Magno Malta (PL-ES) protocolaram requerimentos nesta quarta-feira (28) convocando um depoimento de Barbosa, que é advogado do  grupo JBS, dos irmãos Batista (Friboi).

Os parlamentares também pedem a convocação de José Carlos e José Eugênio Dias Toffoli, ambos irmãos do ministro. E querem ouvir, ainda, o depoimento de Mario Umberto Degani, primo de Toffoli, também enrolado no resort.

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P.S.
 – O Brasil é mesmo um país surpreendente. Nenhum outro consegue produzir tantos escândalos simultâneos de corrupção. A quantidade é tamanha e tão variada que a gente acaba se perdendo.

P.S. 2 – Antes que eu me esqueça, José Carlos Toffoli é padre e costuma rezar missas no resort em datas festivas. Cabe, então, a pergunta: O que o piedoso cônego está fazendo no meio desses pilantras, como ex-sócio do resort? (C.N.)

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