domingo, 25 de janeiro de 2026

 

Fachin também pode sofrer impeachment, se ficar insistindo em defender Toffoli

Carlos Newton

O senador Auro Moura Andrade (PSD-SP) era presidente do Congresso em 1964, e foi uma das peças principais do golpe contra o presidente João Goulart (PTB), que surgiu como um movimento civil-militar e somente depois se transformaria numa verdadeira ditadura castrense, com submissão dos líderes civis.

No dia 30 março, o presidente do Congresso participou da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, em São Paulo, um importante ato público contra o governo, e lançou um manifesto à nação para declarar o rompimento entre Legislativo e Executivo, conclamando as Forças Armadas a se unirem em defesa das instituições.

VEIO O GOLPE – O manifesto foi um dos estopins da sublevação, e no dia seguinte o general Olympio Mourão Filho, que comandava o quartel em Juiz de Fora, colocou sua pequena tropa na estrada para o Rio de Janeiro, dando início à revolta.

O presidente João Goulart deixou Brasília para organizar a resistência e ainda estava em exercício do mandato, quando Moura Andrade presidiu uma tumultuada sessão do Congresso e declarou vacante a Presidência da República.

Em seguida, à frente de uma legião de parlamentares, Moura Andrade dirigiu-se ao Palácio do Planalto e deu posse ao deputado Ranieri Mazzilli (PSD), que presidia a Câmara Federal.

O POVO QUER – Moura Andrade, ao justificar seu ato, disse que “o Congresso sempre faz o que o povo quer”. Bem, não há nenhuma novidade nisso. O Congresso é eleito pelo povo, para representá-lo, conforme propôs o Barão de Montesquieu em 1748, ao lançar duas obras fundamentais da política – “O Espírito das Leis” e “A Separação dos Poderes”.

Assim, fazer o que povo deseja é obrigação dos políticos. Mas o presidente do Supremo, Edson Fachin, embora tenha instrução elevada e seja procurador de justiça concursado, não tem noção de política nem de respeito ao povo.

Sua mensagem à Nação, sexta-feira, defendendo o corruptíssimo ministro Dias Toffoli e ameaçando a imprensa e as demais instituições, foi um desrespeito à nação como um todo.

HOUVE PRESSÃO – Sabe-se que outros ministros pressionaram Fachin, mas quem preside o Supremo precisa estar imune a influência internas e externas. Além disso, tem obrigação de denunciar quem tentar pressioná-lo.

Fachin e os demais ministros precisam aproveitar este final de semana e pensar, com toda calma, como devem se posicionar sobre os seguidos escândalos que envolvem o Supremo.

O caso é de  cortar a própria carne. Os ministros vão seguir apoiando as ilegalidades de Dias Toffoli e Alexandre de Moraes? Ou irão se posicionar em defesa do interesse público?

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P.S. – O Congresso vai fazer o que povo quer, como diria Moura Andrade. Os ministros Toffoli e Moraes estão no início da fila, mas ainda há vagas para seus cúmplices e admiradores. (C.N.)

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