terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 

Após férias em Dubai, Moraes vai enfrentar o ano mais terrível de sua vida

Tribuna da Internet | Alexandre de Moraes tornou-se campeão de pedidos de impeachment no Senado

Na quinta, Moraes assume a presidência interina do STF

Carlos Newton

O ministro Alexandre de Moraes fechou em 2025 o pior ano de sua vida, quando justamente esperava conseguir a consagração definitiva, devido ao julgamento do núcleo central da conspiração golpista. Em sua supervalorizada autoestima, ele pensou que estava entrando na História como o salvador da democracia brasileira, mas não é bem isso que será registrado pelos pesquisadores.

Realmente, Moraes teve grandes momentos de glória, era bajulado em todas as situações. Quando entrava em algum restaurante, só faltava ser aplaudido de pé. De repente, porém, tudo mudou.

PREÇO DO SUCESSO – Em meio ao escândalo do banco Master, Moraes aproveitou o recesso e viajou com a mulher para Dubai, na esperança de que o luxo possa ocultar a realidade. Sonhar ainda não é proibido nem paga imposto, e o casal acabará entendendo que a própria vida sempre cobra alto preço pelo sucesso indevido

Toda estrela, por mais brilhante que seja, tem prazo de validade. E foi exatamente o que aconteceu com Alexandre de Moraes.

Seus problemas começaram em plena apoteose da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e do grupo principal do golpe, quando surgiu o voto discordante de Luiz Fux, o único integrante do Supremo que pode ser considerado jurista.

JUIZ-CARRASCO – O voto de Fux, com 429 páginas, deixou claro que Moraes não estava agindo como juiz, pois se portava como um verdadeiro carrasco. E assim o rigor de suas penas começou a ser cada vez mais discutido e rejeitado.

Como se sabe, para justificar as condenações draconianas do 8 de Janeiro, o relator classificou como “terroristas” os 1.339 réus e, artificialmente, aumentou de três para cinco o número de crimes cometidos.

Nesse esquema, Moraes incriminou esses “terroristas” por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e também por golpe de Estado, que são crimes excludentes, que significam a mesma coisa. Igualmente, o relator os condenou por dano qualificado pela violência e também por deterioração de patrimônio tombado, crimes também excludentes — ou se pratica um ou o outro.

PENAS DOBRADAS – Assim, Moraes foi dobrando ilegalmente as penas, e procedeu da mesma forma ilegal ao condená-los por organização criminosa armada, pois a quase totalidade nem se conhecia e nenhum deles portava arma.

O mais triste é que, no Supremo, até Luiz Fux apoiou esse insano rigor; apenas Nunes Marques e André Mendonça denunciaram o exagero e votaram contra.

Moraes assim saiu vitorioso, mas logo em seguida ocorreu a derrocada do Banco Marques e ele se envolveu no escândalo, ao pressionar o Banco Central para ajudar a mulher, que recebia R$ 3,6 milhões mensais para não fazer praticamente nada, segundo o próprio Moraes, ao alegar que ela sequer defendeu o banco na liquidação. Fez o quê, então?

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P.S. – Após a estada em Dubai, Moraes assume quinta-feira, dia 15, a presidência do STF, para cobrir as miniférias de Edson Fachin, que retorna ao cargo em 1º de fevereiro. Depois, com o fim do recesso, Moraes será convocado pela CPI do Master, que já tem número suficiente de assinaturas para ser convocada. E o espetáculo não pode parar. (C.N.)

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