Aliados veem futuro incerto para Ricardo Nunes sem plano claro de sucessão

Reeleição de Tarcísio deixa futuro de Nunes refém de sucessor
Juliana Arreguy
Folha
Aliados de Ricardo Nunes (MDB) projetam um futuro político incerto para o prefeito da capital paulista caso o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de fato, saia candidato à reeleição no estado. Tudo dependerá, segundo eles, do sucessor escolhido pelo prefeito para disputar a gestão municipal em 2030.
Nunes era visto como possível nome a concorrer ao governo de São Paulo em 2026 caso Tarcísio se lançasse à Presidência, como vinha sendo ventilado por empresários e líderes de partidos de centro e direita. O cenário mudou após o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) anunciar a sua pré-candidatura ao Palácio do Planalto no início de dezembro. Isso fez alguns dos principais defensores de Tarcísio na Presidência, como o senador Ciro Nogueira (PP-PI), recuarem de um eventual apoio ao governador –que nega, publicamente, o ensejo da disputa presidencial.
SEM CARGO – Por ter sido reeleito em 2024, Nunes não poderá concorrer novamente à Prefeitura de São Paulo em 2028, quando termina o seu mandato, e ficará sem cargo eletivo até a eleição geral de 2030. O prefeito já declarou, mais de uma vez, que não deseja deixar o mandato antes do fim, mas que não recusaria um pedido de Tarcísio, seu principal cabo eleitoral na última eleição.
O futuro político do prefeito, segundo auxiliares ouvidos pelo Painel, passa pelo nome que Nunes escolher para sucedê-lo no cargo. Hoje, dizem, não há ninguém em quem ele confie para o posto. O vice de Nunes, coronel Mello Araújo (PL), não é visto como uma opção de herdeiro político. O próprio Araújo, escolhido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para a chapa, admitiu à Folha não ser alvo de simpatia por muitos integrantes da gestão.
Entre as reclamações internas contra o vice, há queixas de intromissão em algumas secretarias e críticas públicas a Nunes e Tarcísio. Além disso, como faltam quase três anos para o fim do mandato, o entorno do prefeito avalia ser muito cedo para projetar um nome. Um deles disse ao Painel, sob reserva, que apoiar alguém agora seria “matar uma candidatura”.
COTADA – Embora não seja vista como sucessora política, a primeira-dama Regina Nunes é apontada por aliados do prefeito como um ativo, já que ela é cotada como possível candidata a deputada estadual pelo MDB, com a causa animal como mote de campanha, e pode atrair ainda mais projeção ao emedebista.
A favor do prefeito, segundo outro auxiliar, pesa o fato de São Paulo ser uma cidade que atrai a atenção do país todo, tornando Nunes um nome mais fácil de ser lembrado do que o de outros prefeitos na mesma situação que ele.
Isso poderia auxiliá-lo, na visão deles, a ser chamado para exercer o cargo de secretário em alguma gestão. Há também a aposta de que Tarcísio não deixaria de estender a mão ao aliado, que estará em seu palanque em 2026, seja ao governo estadual ou federal.
BOA BASE – “Infelizmente ele não vai sair [ao governo estadual]. A minha vontade particular é que Nunes saia ao governo de São Paulo”, disse o ex-vereador Milton Leite, presidente do União Brasil na cidade de São Paulo.
“Depois de concluído o mandato, ele vai ter uma boa base em 2030, já que ainda é novo e tem projeção nacional”. Apesar de ter elogiado a base de Nunes, Milton Leite não disse à coluna qual cargo o prefeito poderia disputar em 2030.
Toffoli, abafador-geral do Master, respinga lama e emporcalha o STF

Charge reproduzida do Arquivo Google
Marcos Augusto Gonçalves
Folha
A atuação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, no caso Master vai se transformando num desastre consumado. O que começou mal continuou mal e não são remotas as chances de que termine pior ainda.
O magistrado, com movimentos suspeitos e erráticos, colabora enormemente para desgastar a imagem já avariada da corte suprema, que se deteriora a olhos vistos na esteira da arrogância e do personalismo de alguns de seus membros.
MORAES, TAMBÉM – Contribui para isso seu colega Alexandre de Moraes, cuja família tinha um contrato de 129,6 milhões para defender o banco fraudador, e agora avança o sinal. Moraes como se sabe, abriu, de ofício, um anômalo inquérito sobre quebra de sigilos de magistrados.
Quanto a Toffoli, desde as primeiras decisões, o magistrado não deixou dúvida sobre sua intenção de abafar o conteúdo das investigações, e demonstrou que não descartaria medidas heterodoxas para tentar cumprir esse objetivo.
Por mais poderoso que possa ser o abafador-geral, a tarefa não é simples. São vastas as dimensões do escândalo e avolumam-se as pressões da opinião pública e de setores prejudicados pelo banco. Estão no ar, mais ainda com a liquidação da Reag, as fumaças do crime organizado.
RECUOS PATÉTICOS – Toffoli, como se sabe, empilhou deliberações e recuos patéticos. A começar pela transferência do processo para o STF e a decretação de sigilo em grau máximo, com base num pretexto, que é a existência de um deputado numa faceta sem importância da mega fraude.
PÉ NO JATO – O esportivo juiz, antes disso, foi torcer pelo Palmeiras em jato privado com um advogado de diretor do Master. Tentou também, como se sabe, promover uma acareação constrangedora entre Daniel Vorcaro, dono do banco em liquidação, Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), possível comprador, e o diretor de fiscalização do BC, Ailton de Aquino Santos.
Recuou diante das justificadas reações e livrou o funcionário do BC. Mas o TCU, sintomaticamente, entrou na linha auxiliar e queria fazer uma inspeção na sede da autoridade monetária.
Desde então, os problemas se acumulam. Parentes do ministro teriam feito negociações com um fundo envolvido nos desvios. O ilustre abafador também patinou num vai não vai para permitir novas diligências da PF. Depois não sabia onde guardar as provas – chegou a tentar trancafiá-las em escaninhos do STF.
SOB DESCONFIANÇA – Tudo somado, Toffoli, como apontou editorial desta Folha, perde as condições de prosseguir no papel que pretende desempenhar. Sua atuação atabalhoada e duvidosa junta-se a outras iniciativas que colocam o Supremo sob desconfiança – e não se trata apenas de ataques da escumalha golpista.
É, aliás, um risco chancelar um vale-tudo de ministros do STF com o argumento de que críticas podem levar a um retrocesso histórico.
Esse tipo de premissa, surrada, foi usada em outros tempos para impedir críticas ao stalinismo ou a erros flagrantes da esquerda, com a alegação de que seria fazer o jogo dos reacionários. É o que assistimos agora quando esquerdistas endossam a teocracia totalitária e assassina do Irã em nome do “anti-imperialismo”.
FRAUDE RECORDE – A julgar por opiniões de gente que observa o caso mais de perto, como o próprio ministro Fernando Haddad, estamos diante da maior falcatrua financeira da história do Brasil, o que não seria pouco.
Os sinais são de que figurões estão com o pé nessa lama, que já respinga no STF. O Supremo como diziam alguns na época do impeachment de Dilma e da Lava Jato é mesmo “insuspeito”?
Façam suas apostas. Essa roleta ainda tem muito a girar.
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