segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015

Abrindo os olhos

                                                                     Luiz Holanda

Em doze anos de governo petista o Brasil desceu ao fundo do poço. Antes de chegar ao poder, o partido governista (PT) defendia a ética em todos os setores, órgãos e poderes da República, usando-a como bandeira de luta e de mudança, já que, segundo propaga, os governos até então existentes eram burgueses e corruptos. Seu líder maior e único, Luís Inácio Lula da Silva, atacava todos os políticos, inclusive os que, atualmente, são os seus maiores aliados.

Ao chegar ao poder, com o seu líder maior assumindo a presidência, tanto ele como o partido trocaram a oposição pelo o governo. Aceitaram o apoio de todos os “corruptos“ e “ladrões”, notadamente dos que eles mais atacaram. Para os que não se recordam, Lula dizia horrores do amigo Sarney, não perdendo a oportunidade adjetiva-lo de “grileiro” e ladrão. Sua virulência ultrapassava todos os limites, ao ponto de declarar, em discurso para a pelegada, que “Adhemar de Barros e Maluf poderiam ser ladrões, mas eles eram trombadinhas perto do grande ladrão da Nova República”, ou seja, José Sarney.

Não contente com essas diatribes, continuou a afirmar em seus pronunciamentos que “Sarney é um impostor que chegou à presidência assaltando o poder”. Tempos depois, já eleito presidente, não se conteve em elogiar seu antigo inimigo. Por ocasião das comemorações dos 25 anos da Constituição de 1988, ao ser condecorado com a medalha Ulysses Guimarães, disse, olhando fixamente para Sarney: “Quero colocar sua presença na Presidência no momento da Constituição em igualdade de forças com o companheiro Ulysses Guimarães, porque, em nenhum momento, mesmo quando afrontado no Congresso, o  senhor levantou um único dedo para colocar qualquer dificuldade aos trabalhos da Constituinte, e certamente foi o trabalho mais extraordinário que o Congresso já viveu”.

Não bastasse isso, durante a campanha para prefeito de São Paulo,  procurou o apoio de Maluf, que exigiu que ele percorresse o caminho do beija-mão indo à sua casa implorar o apoio para o candidato petista de cabelinho na testa.

Um grande nacionalista, advogado, procurador aposentado e ex-filiado ao PT, Hélio Bicudo (90 anos), disse, em entrevista, que se desfiliara do partido porque, entre outras coisas, descobriu que Lula nunca quis ser “O Pai dos Pobres”, mas sim tutelar os pobres em seu proveito”. Diante dessa realidade, não é sem razão a perda da credibilidade que ele está sentindo, inclusive de ser vaiado quando se arvora em aparecer nos lugares onde o povo tem algo mais do que a necessidade de viver em função das bolsas eleitoreiras.


                                                                

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