Trump faz críticas à OTAN e reafirma seu desejo de adquirir Groenlândia durante discurso em Davos
10:40 21.01.2026 (atualizado: 12:36 21.01.2026) O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, insistiu na proposta de comprar a Groenlândia, aumentou o tom das ameaças contra a Europa e a OTAN, destacando que apenas os Estados Unidos conseguirão defender o território, pertencente à Dinamarca, em discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, nesta terça-feira (21).
Durante sua fala Trump afirmou que os EUA "praticamente não veem inflação", contrariando, segundo ele, a análise de alguns economistas, e apresentam um crescimento econômico extraordinariamente alto após um ano de seu mandato.
"Após apenas um ano das minhas políticas, estamos testemunhando exatamente o oposto: praticamente nenhuma inflação e um crescimento econômico extraordinariamente alto, como acredito que vocês verão muito em breve. Nosso país nunca viu nada igual, talvez nenhum país jamais tenha visto algo assim", disse o presidente.
Tocando em outro dos
pontos mais aguardados de seu discurso, pela tensão política que tem causado ao longo da semana ao afirmar que os EUA precisam ter a Groenlândia, Trump disse respeitar a ilha, seu povo e a Dinamarca, mas
só os EUA podem defender o território.
"Tenho enorme respeito tanto pelo povo da Groenlândia quanto pelo povo da Dinamarca. Mas todo aliado da Organização do Tratado do Atlântico Norte [OTAN] tem a obrigação de ser capaz de defender seu próprio território. E o fato é que nenhuma nação ou grupo de nações está em condições de garantir a segurança da Groenlândia, exceto os Estados Unidos", disse.
Os
EUA foram estúpidos ao "ceder a Groenlândia à Dinamarca" após a Segunda Guerra Mundial, e agora a Dinamarca
está sendo ingrata, afirmou o líder norte-americano.
"Estou buscando negociações imediatas para discutir novamente a aquisição da Groenlândia", disse Trump durante seu discurso em Davos.
Ainda durante sua fala, Trump argumentou que os
Estados Unidos são tratados injustamente pela OTAN, dando muito à aliança e
recebendo pouco em troca, atrelando as capacidade militares norte-americanas ao potencial de defesa do território, mas negando o uso da força para obtê-lo.
"As pessoas pensaram que eu usaria a força, mas eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não vou usar a força", disse ele em seu discurso.Tudo o que estamos pedindo é a Groenlândia, incluindo o direito de propriedade, porque é preciso a propriedade para defendê-la", afirmou.
Trump alertou ainda que, em caso de uma
guerra de escala mundial, "grande parte da ação ocorrerá naquele pedaço de gelo. Pense nisso.
Mísseis estariam sobrevoando bem o centro daquele pedaço de gelo", ponderou.
Como esperado, Trump citou a
operação militar norte-americana que, em 3 de janeiro, culminou na captura do então presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores. O republicano afirmou que, após a queda do líder chavista, que os
EUA acabaram de adquirir 50 milhões de barris de petróleo venezuelano.
"Assim que acabamos o ataque [na Venezuela], disseram: 'Vamos fazer um acordo'. Mais gente tinha que fazer isso", disse ele, prometendo que o país rapidamente ganhará mais dinheiro em seis meses do que nos últimos 20 anos. "A Venezuela vai ter um desempenho fantástico", afirmou Trump.
O presidente afirmou ainda estar preocupado com a
resolução do conflito ucraniano — que faz vítimas diariamente — e que tanto a Rússia quanto a Ucrânia querem chegar a um acordo. Segundo Trump,
ele teria uma conversa com Vladimir Zelensky ainda nesta quarta-feira.
"Estou conversando com o presidente [Vladimir] Putin, e acredito que ele quer chegar a um acordo. Estou conversando com o presidente Zelensky, e acho que ele também quer chegar a um acordo. Vou me encontrar com ele hoje. Ele pode estar na plateia neste momento", disse Trump.