Democracia é desmoralizada no Brasil pela impunidade de Toffoli e Moraes
Toffoli e Moraes são dois ministros que emporcalham o STF
Carlos Newton
Já houve época em que os brasileiros faziam troças de outros latino-americanos, especialmente do Paraguai e da Bolívia, devido ao envolvimento de importantes autoridades locais com o crime organizado. Mas agora a realidade se modificou e o Brasil é que passa a sofrer chacotas, devido ao grau de esculhambação reinante no país, que parece não ter limites, em comparação a outras nações.
Aqui no Brasil, as irregularidades são até denunciadas, sofrem investigação rigorosa, mas as acusações acabam sendo retiradas, sob os mais ridículos argumentos.
TECNICALIDADES – No atual Supremo brasileiro, qualquer tecnicalidade jurídico-processual é mais importante do que provas robustas apreendidas, depoimentos espontâneos e até delações premiadas.
Os criminosos são soltos pelo Supremo e o dinheiro fruto da corrupção lhes é imediatamente “devolvido”, como registra a comédia hollywoodiana “A Lavanderia” (The Laundromat, 2019), sobre o caso Odebrecht, com Meryl Streep, Gary Oldman e Antonio Banderas.
Para inocentar criminosos de alto coturno, pode-se alegar que houve um vazamento aqui, o sigilo foi quebrado ali, o ministério público teve contato com o juiz, a ordem para renovar a prisão preventiva deixou de ser expedida etc. e tal. E foi assim que acabou em pizza a Lava Jato, a maior operação contra corrupção já feita no mundo.
TOFFOLI IMPUNE – Os ministros Dias Toffoli, indicado pelo presidente Lula da Silva, e Alexandre de Moraes, nomeado pelo presidente Michel Temer, tornaram-se exemplos ambulantes da impunidade brasileira.
As denúncias contra Toffoli se acumulam desde 2019, quando abriu ilegalmente o Inquérito das Fake News, para resolver as pendências tributárias de sua esposa, a advogada Roberta Rangel, e da mulher de Gilmar Mendes, a também advogada Guiomar Feitosa, com quem os ministros eram casados à época.
Depois, soube-se que Toffoli recebia mesada de R$ 100 mil da mulher, ele saiu soltando lavajatistas e devolvendo dinheiro da corrupção, virou dono de resort/cassino de luxo. E nada lhe aconteceu, rigorosamente nada.
MORAES, TAMBÉM – O ministro Alexandre de Moraes é um exemplo ainda pior do que Toffoli, porque usou o próprio cargo na Suprema Corte para enriquecer ilicitamente, vendendo “proteção” ao banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, pela módica quantia de R$ 3,6 milhões mensais, através do escritório de advocacia de sua mulher e filhos.
As provas são abundantes e irrefutáveis, mas não acontece nada a Moraes, sequer foi aberta investigação contra ele. É um escândalo em sessão permanente, uma novela inacabável.
O celular de Vorcaro registra 316 mensagens entre ele e Moraes, nos dois meses que antecederam a prisão do dono do Banco Master, revela levantamento feito pelo UOL. Até então, só havia conhecimento de 52 mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes por meio de prints de textos escritos no bloco de notas. Mas nada disso tem a menor importância no Brasil de hoje.
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P.S. 1 – O material mostra a relação de intimidade cultivada pelo magistrado com o banqueiro. “Obrigado amigo. Nem dá pra perceber que não sou eu rsrs”, escreveu Moraes em uma legenda de imagem enviada a Vorcaro em 24 de outubro de 2025. E não acontece nada a Moraes, que continua impune e enlameando o manto sagrado da toga do STF.
P.S. 2 – Enquanto isso, o presidente do Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia, Romer Saucedo, fugiu do país após ser alvo de um mandado de prisão por organização criminosa e tráfico de substâncias controladas. No Paraguai, o presidente Santiago Peña anunciou sua renúncia ao cargo, em meio a uma grave crise política e financeira desencadeada pela liquidação do Ueno Bank, uma espécie de escândalo do Banco Master, em menores proporções, é claro. E assim la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)
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