Maior ameaça ao Brasil é o retrocesso em sua política externa democrática
Charge do Zappa (Arquivo Google)
Roberto Nascimento
Entre todos os problemas que podem se agravar com a eleição de Flávio Bolsonaro, o mais grave deles será a submissão do Brasil à polícia externa dos Estados Unidos. O próprio candidato do PL fez questão de deixar bem clara essa questão, ao informar que o Brasil vai aderir ao chamado Escudo das Américas, de maneira incondicional.
Omo se sabe, esse Escudo das Américas é formado pelos países que apoiam a política externa americana de maneira submissa e serviçal, sem possibilidade de qualquer contestação a decisões de Washington que sejam equivocadas e possam prejudicar o Brasil.
POLÍTICA ANTINACIONAL – Nem Flávio Bolsonaro nem qualquer outro brasileiro tem o direito de adotar essa postura antinacional, em obediência a interesses externos.
Desde sua Independência e até os dias de hoje, nenhum governo brasileiro aceitou e ousou se submeter aos interesses de outros países, com o Itamatary mantendo uma política diplomática sempre livre, altiva e voltada às defesas dos interesses nacionais.
Mas tudo pode mudar, porque a falta de conhecimento diplomático da família Bolsonaro mostra ser uma armadilha contra o país. Nenhum governante tem o direito de atrelar nosso país aos interesses de outra nação. Não importa quão importante ou hegemônica demonstre ser.
SEM LIMITES – Donald Trump já mostrou ser uma ameaça ao Brasil e ao próprio mundo. A invasão à Venezuela e a intervenção na política local, com o país sendo tratado como mais uma colônia norte-americana, demonstram que sua ambição não tem limites.
O mais impressionante é que muitos brasileiros não temem que nosso país possa se transformar numa Venezuela em versão continental.
Não adianta Flávio Bolsonaro calçar agora as sandálias da humildade, porque o estrago das suas declarações já produziu efeitos altamente negativos. As mudanças propostas por Flávio são tão impopulares que é melhor a continuidade com Lula.
Quem vai querer mudanças para pior?
Debate não convenceu ninguém e tudo vai se resolver nas urnas, como deve ser
Flávio e Lula são dois perdidos numa política suja…
Carlos Newton
Foi bem melhor esse debate, em relação à sabatina no primeiro turno e ao debate na Band. Desta vez, os operadores de áudio da Vênus Platinada capricharam na captação das vozes e os próprios candidatos também se esforçaram.
Nas sabatinas com Renata Lo Prete, foi uma chatice. O candidato Flávio Bolsonaro (PL) falava baixo e rápido demais, era difícil entendê-lo, enquanto Lula da Silva (PT), com aquela voz roufenha de homem das cavernas, também era um problema para o telespectador.
DESPREPARO – Nesta sexta-feira foi possível ouvir melhor os candidatos e se confirmou a impressão de que ambos são despreparados – Lula e Flávio realmente não chegam aos pés de Tarcísio de Freitas (Republicanos), que seria o candidato ideal para passar este país a limpo.
De qualquer forma, é preciso reconhecer que Flávio é muito melhor do que o pais Jair Bolsonaro, que pouco evoluiu nos 27 anos de atuação que teve como deputado federal, antes de chegar à Presidência.
Flávio teve melhores condições de vida do que, formou-se em Direito, elegeu-se deputado estadual aos 21 anos, fez carreira na Assembleia do Estado do Rio e está em seu oitavo ano como senador, é claro que aprendeu muita coisa.
BEM NO DEBATE – Flávio estava se saindo bem no debate, mas depois vacilou. Um exemplo: deixou de atacar Lula sobre a situação do Nordeste, mostrando desconhecer que a Bahia é o Estado mais violento do país, com Jequié liderando o ranking de assassinatos.
Também bobeou no caso do jogador Richarlinson, que foi passado para trás ao comprar uma posse em Angra, sem pesquisar se o posseiro tinha papéis válidos. Flávio, absurdamente, não soube responder e se perdeu no lance.
Além disso, em nenhum momento lembrou o fato de Lula ter sido informante do regime militar, sob codinome de Barba, também não disse nada sobre o menino do MEP, que Lula tentou estuprar na cadeia. Ou seja, Flávio estava realmente despreparado para debater.
NADA MUDOU – Quanto a Lula, nada mudou, apenas a idade. Apesar da harmonização facial que Janja mandou fazer, implantando também cabelos no alto da cabeça e aproximando mais as antigas orelhas de abano, as rugas no pescoço mostram que o tempo dele já passou.
Será uma benção se perder a eleição. No debate, estava visivelmente cansado, se perdia na contagem de tempo, e Cesar Trallia estava sempre a lhe ajudar. Se Lula vencer a reeleição, o grande vitorioso será Geraldo Alckmin, que não vê a hora de assumir como titular.
Por fim, ninguém ganhou o debate, e o final é realmente imprevisível. Como eu não acredito nas pesquisas, acho que Flávio vai vencer, até porque Lula está precisando de um pijama de bolinhas, desculpem a franqueza.
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