sexta-feira, 9 de outubro de 2026

 

Lula reconhece a desorganização do PT e tenta reconstruir sua campanha

Lula quer alcançar eleitors além de sua base tradicional

Pedro do Coutto

O reconhecimento feito porLula da Silva de que sua campanha foi “a menos organizada” de que participou desde 1989 é mais do que uma autocrítica circunstancial. A declaração, feita em reunião com parlamentares aliados após o primeiro turno, revela que o resultado das urnas obrigou o presidente a rever uma premissa que orientou boa parte da estratégia petista: a expectativa de que a força política de Lula, associada às realizações do governo, seria suficiente para conduzi-lo à liderança. Não foi. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% de Lula, diferença de cerca de 2,25 milhões de votos.

O aspecto mais importante da declaração, portanto, está menos na admissão do erro administrativo e mais na constatação de uma falha de comunicação política. O próprio Lula reconheceu que as realizações do governo não foram suficientemente compreendidas por parte do eleitorado. Essa distância entre aquilo que o governo considera ter entregue e aquilo que o eleitor efetivamente percebeu tornou-se um dos problemas centrais da campanha. A eleição mostrou que resultado administrativo e capacidade de comunicação não são variáveis equivalentes.

COORDENAÇÃO – As informações divulgadas nos últimos dias ajudam a dimensionar o problema. A Folha relata dificuldades de coordenação entre diferentes estruturas da campanha, problemas logísticos e até desencontros na convocação de dirigentes e parlamentares. A Reuters, por sua vez, registrou que a campanha pretende reformular sua comunicação para alcançar grupos nos quais encontrou maior dificuldade, especialmente jovens e mulheres, além de ampliar sua presença digital.

Esse diagnóstico também explica a mudança rápida de linguagem observada depois do primeiro turno. Lula passou a utilizar vídeos gravados pelo próprio celular, em formato mais informal, enquanto aliados mais jovens ganharam espaço na tentativa de aproximar a campanha das redes sociais. A mudança é significativa porque reconhece uma transformação no modo como parcelas importantes do eleitorado consomem informação política.

REORGANIZAÇÃO – Há, porém, um problema adicional: reorganizar uma campanha em três semanas não significa apenas trocar peças publicitárias ou aumentar a presença digital. O segundo turno exige uma definição mais clara de prioridades. A campanha precisa decidir quais temas podem ampliar o eleitorado de Lula para além de sua base tradicional e quais mensagens são capazes de dialogar com eleitores que votaram em outros candidatos ou simplesmente não compareceram às urnas. Cerca de 21% dos eleitores se abstiveram no primeiro turno, enquanto os demais candidatos somaram milhões de votos que agora entram no cálculo da segunda rodada.

A dificuldade é que o tempo também reduz o espaço para improvisações. A disputa deixou de ser uma eleição de primeiro turno, marcada por múltiplas candidaturas, e passou a ser uma escolha direta entre Lula e Flávio Bolsonaro. Isso modifica completamente a lógica da comunicação: cada gesto passa a ser interpretado como posicionamento presidencial, e cada erro de coordenação pode adquirir dimensão nacional.

A autocrítica de Lula, nesse sentido, funciona como ponto de partida para uma tentativa de correção. Mas ela também expõe uma questão mais profunda: o segundo turno não será apenas uma disputa para recuperar votos perdidos. Será uma disputa pela capacidade de transformar uma campanha que o próprio candidato classificou como desorganizada em uma operação política mais coordenada, capaz de traduzir realizações de governo em argumentos compreensíveis para um eleitorado que, no primeiro turno, não respondeu como o Palácio do Planalto esperava. O resultado de 4 de outubro não encerrou a eleição. Ele revelou que, para Lula, a segunda etapa exigirá não apenas mais campanha, mas uma campanha diferente.

Anistia aos golpistas é uma promessa de Flávio que os militares querem “festejar”

Charge de Thiago Lucas (Jornal do Commercio)

charge de Thiago Lucas (@thiagochargista), para o Jornal do Commercio # bolsonaro #jairbolsonaro #anistia #golpe #golpista #8dejaneiro #stf #justiça #brasil #historia

Carlos Newton

O assunto está na ordem do dia nos portais da imprensa e nas redes sociais. O candidato Flávio Bolsonaro, que está se mantendo à frente de Lula da Silva nas pesquisas (48% a 44% no Datafolha), reafirma que vai conceder anistia ao próprio pai, Jair Bolsonaro, alegando a norma constitucional que dá esse direito ao presidente da República, embora o Supremo Tribunal Federal já tenha adotado decisão em contrário.

Em abril de 2022, o então presidente Jair Bolsonaro editou um decreto concedendo uma “graça institucional” (indulto individual) para perdoar a pena do então deputado Daniel Silveira, que havia sido condenado pelo STF. A decisão presidencial foi obedecida, mas teve prazo de validade, porque em maio de 2023 o plenário da Suprema Corte anulou o decreto de Bolsonaro por 8 votos a 2, sob a justificativa de que teria havido desvio de finalidade para beneficiar um aliado político.

PROBLEMA DE FLÁVIO – Se tiver a eleição confirmada no segundo turno do dia 25, o filho Zero Um já confirmou que vai cumprir a promessa, exercendo o direito da “graça institucional” brasileira, uma imitação da prática norte-americana, que o presidente Donald Trump costuma usar com frequência na matriz U.S.A.

Aqui na filial Brazil, os governantes têm mais pudor e só costumam usar a prerrogativa nos fins de ano, ao beneficiar com indulto os presidiários de bom comportamento.

Para evitar o desvio de finalidade que o Supremo poderia alegar, Flávio Bolsonaro vai assinar indulto coletivo a todos os réus do 8 de janeiro e da trama do golpe, que são mais de 1.5 cidadãos brasileiros, condenados pela formação da maior “organização criminosa armada” da História Universal, sem que conhecessem uns aos outros, tivessem um chefe determinado e carregassem alguma arma, além de um ameaçador batom.

###
P.S. 1 –
Com essa estratégia, Flávio Bolsonaro vai dar um drible da vaca no Supremo e marcar o gol da anistia, para delírio da torcida das Forças Armadas, que engoliu, mas ainda não deglutiu a condenação e prisão de oficiais de quatro estrelas, que planejaram o golpe de estado, mas não chegaram a concretizar, o que significa que não houve crime. Tanto isso é verdade que o senador Randolfe Rodrigues (PSOL–AP) já tentou alterar o Código Penal para criar o crime de conspiração, mas não conseguiu aprovar o projeto.

P.S. 2 – A anistia será comemoradíssima nos salões dos quartéis, porque os chefes militares não aceitam a tentativa em curso no Superior Tribunal Militar, onde há ministros que sonham em retirar a patente dos generais que estão presos e cassar os rendimentos deles. Isso não poderá ocorrer, é claro. Se não houver anistia e o STM insistir em cassar patentes e proventos, a democracia brasileira vai para o espaço. Apenas isso. (C.N.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário