quarta-feira, 28 de outubro de 2026

 

Flávio Bolsonaro teve de sumir, devido a mais uma decisão imbecil de Moraes

Fuga - Por Carlos Latuff

Charge do Latuff (Brasil 247)

Carlos Newton

O futuro é sempre uma grande incógnita, especialmente quando se trata da disputa pelo poder, um processo que se desenrola em caráter permanente nas democracias. Mal se apura uma eleição e já começa a campanha seguinte, é um nunca-acabar, como estamos assistindo agora.

No Brasil, a esquerda não é e nunca foi majoritária. A direita sempre foi mais forte, mas acabou deixando a esquerda chegar ao poder, movida pelas trapaças da sorte, na disputa entre José Serra (PSDB) e Lula da Silva (PT) em 2002. Na época, a direitona Roseana Sarney (MDB) poderia até ganhar, mas renunciou à candidatura, devido ao escândalo do dinheiro vivo em sua campanha.

ALTÍSSIMA REJEIÇÃO – Nesta segunda reeleição de Lula, desde sempre era sabido que qualquer candidato de direita tinha chance de derrotar o petista, devido ao inacreditável índice de rejeição dele nas pesquisas.

Mas o fato de “ter chance” significava apenas uma coisa admissível, não dava certeza de vitória a qualquer dos candidatos de direita – e eram muitos.

Assim, o único problema da direita era escolher o concorrente mais forte entre os cinco governadores que se apresentavam como presidenciáveis – Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ronaldo Caiado (PSD-GO), Eduardo Leite (PSD-RS), Romeu Zema (Novo-MG) e Ratinho Júnior (PSD-PR).

ERRO DE AVALIAÇÃO – Devido à força eleitoral de que dispunha, o ex-presidente Jair Bolsonaro surpreendeu a todos e decidiu indicar o próprio Zero Um, na certeza de que o filho Flávio receberia todos os votos destinados ao pai. Foi um tremendo erro de avaliação, porque agora a derrota deixou Flávio Bolsonaro fragilizado, sem mandato ou foro privilegiado para protegê-lo

Mesmo assim não havia evidência de que Flávio sairia do país, embora o irmão Eduardo tivesse feito essa sugestão. Mas aí aparece o ministro Alexandre de Moraes (ele, sempre ele) e determina a apreensão dos passaportes de Flávio Bolsonaro, sem que houvesse motivo jurídico que justificasse a medida.

Foi uma das maiores burrices de Moraes, que não surpreende, porque já cometeu diversas outras asneiras e ilegalidades. E Flávio Bolsonaro então meteu o pé no jato e fugiu do pais, porque a verdade pode estar lá fora, como diz o slogan da série Arquivo X.

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P.S.  –
Moraes é íntimo aliado de Lula e até oferece jantares estratégicos em homenagem ao presidente. Mas não precisava exagerar tanto, a ponto de criar a primeira grave crise nacional e internacional pós-eleição de 2026. O destrambelhado e corrupto ministro do STF perdeu uma boa hora de ficar quieto. Com amigos como Moraes, o presidente Lula nem precisa de inimigos. (C.N.)

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