Ex-AGU tentou reunir Vorcaro e Gonet, indicam mensagens
Mensagens obtidas pela PF mostram Fábio Medina Osório articulando encontros com autoridades e prometendo resolver problemas do banqueiro

Mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Daniel Vorcaro mostram Fábio Medina Osório, que comandou a Advocacia-Geral da União (AGU) durante o governo Michel Temer (MDB), tentando aproximar o então dono do Banco Master de autoridades de Brasília, entre elas o procurador-geral da República, Paulo Gonet (foto).
Nas conversas, obtidas pelo site Metrópoles, o ex-ministro prometia resolver problemas do banqueiro e ajudá-lo a se tornar o “maior banqueiro do Brasil”.
Nas conversas, Medina Osório insistiu para que Vorcaro comparecesse à festa de 15 anos de sua filha, em março de 2024, em Brasília.
O advogado apresentou o evento como oportunidade para reunir o banqueiro com integrantes da cúpula da Advocacia-Geral da União (AGU), da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) e do Judiciário.
“No aniversário colocarei você numa mesa com a PGFN e o Gonet”, escreveu.
Em outra mensagem, mencionou também o ministro do Supremo Tribunal Federal Kassio Nunes Marques: “Estou pensando na nossa mesa: Gonet, Kassio Marques, PGFN”.
Vorcaro disse que não poderia comparecer, mas Medina Osório continuou insistindo.
Segundo as mensagens, Gonet e a então procuradora-geral da Fazenda Nacional, Anelize Lenzi Ruas de Almeida, foram à festa.
Resolução de problemas
Em outras mensagens, Medina Osório se ofereceu para cuidar de questões que poderiam afetar o banqueiro, incluindo um risco relacionado à mantenedora da Universidade Luterana do Brasil (Ulbra) e outro de natureza criminal, cuja origem não fica clara nos registros.
O advogado também mencionou a intenção de apresentar Vorcaro à mulher, procuradora da Fazenda Nacional que atua junto ao STF, e destacou que ela havia reunido dezenas de procuradores na festa.
PGR nega contato direto
Em nota divulgada nesta sexta-feira, 9, a Procuradoria-Geral da República afirmou ter rejeitado as propostas de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro e negou contato direto entre o banqueiro e integrantes do órgão.
O órgão também afirmou que Vorcaro não prestou depoimento oral durante as tratativas e que os motivos da rejeição foram comunicados à defesa.
A manifestação foi feita após reportagem da revista Veja sobre supostas acusações apresentadas em uma tentativa de delação, incluindo pagamentos de R$ 30 milhões em espécie para um documentário sobre Lula. A PGR não confirmou essas alegações.
“Peça eleitoral irresponsável”
O PT também reagiu à reportagem da revista. Em nota divulgada nesta sexta-feira, o partido classificou a publicação como uma “peça eleitoral irresponsável” e afirmou que a reportagem apresenta acusações graves sem provas.
Segundo a legenda, o suposto depoimento de Vorcaro não teria registro na Polícia Federal nem faria parte de uma delação aceita pelo Ministério Público ou pela própria PF.
O PT chamou o episódio de “farsa”, disse que a publicação teria o objetivo de interferir no segundo turno da eleição presidencial e que vai acionar a revista judicialmente.

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