domingo, 25 de outubro de 2026

 

Esta é a eleição mais ridícula e perigosa que já ocorreu no país. Pense sobre isso.

Reprodução de Objetos Inanimados

Carlos Newton

No próximo dia 13 de dezembro, aniversário sinistro do AI-5, vou completar 60 anos de atuação no jornalismo de política, com passagens pelo O Globo, Diário de Notícias, Manchete, Correio Braziliense, Fatos & Fotos, Pasquim, Revista Nacional, Diário de Minas, Tribuna da Imprensa, Última Hora, Rádio Nacional, TVE, IstoÉ, TV Manchete etc. e tal.

Com base nessa abrangente experiência, podemos garantir que jamais houve uma eleição tão ridícula como a que se encerra neste domingo, que foi marcada pela extremada polarização entre os dois mitos da política atual – Lula da Silva e Jair Bolsonaro.

ESTRATÉGIA – Os militantes de cada facção se dedicaram exclusivamente a criar narrativas e manipular situações que pudessem denegrir Lula, Bolsonaro, respectivas famílias e apoiadores. A estratégia de semear ódio e pânico nada tem de novidade, faz parte da velha prática eleitoral, mas faz tempo que não era aplicada com tamanha intensidade.

Desta vez, os marqueteiros largaram de mão os projetos e programas de governo e usaram as novas tecnologias e as redes sociais para espalhar um número enorme de fake news e narrativas manipuladas, que entravam e saiam das big techs, das redes sociais e dos portais da grande imprensa, com a mesma sem-cerimônia.

Nesse final de campanha, foi impressionante o que rolou de informação distorcida, vagabunda e sem importância, que as pessoas trocavam incessantemente pelo celular e acabam sendo divulgadas pela imprensa.

CANSAÇO DO PT – Trata-se, é claro, de uma distorção doentia, que denota um comportamento social abusivo e sem precedentes, que chega muito próximo de uma situação verdadeiramente patológica, porque parece que não vai ceder e a tendência é até de se agravar.

Há quem pense que seria um bom sinal, porque o maior interesse pela política demonstraria uma evolução social aqui no Brasil, mas não parece ser exatamente isso que está ocorrendo, porque podemos estar seguindo para a mesma radicalização que hoje ocorre na Europa.

O fato concreto é que nunca ocorreu nada igual aqui do lado debaixo do Equador. A meu ver, temos de estar atentos e tentar diminuir ao máximo essa tensão, lembrando que a principal característica de democracia é a exigência de que não haja perseguição a adversários políticos, para que possa ocorrer normalmente a salutar alternância no poder.

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P.S.
– Repare que a realidade com a qual nos deparamos aqui no Brasil e em muitos outros países é no sentido de que cada facção busque destruir os adversários políticos, o que significa exatamente a negação da democracia. Amanhã, voltaremos ao assunto. (C.N.)

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