Metade do dinheiro público para deputados fica nas mãos de 7% dos candidatos

Na reta final, diminuem as manipulações e as pesquisas se tornam menos levianas

Pesquisas eleitorais - Espaço Vital

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)

Carlos Newton

Conforme começamos a avisar antes mesmo de iniciada a campanha, não se deve confiar em pesquisas eleitorais, devido à alta possibilidade de manipulação. Somente na fase final as pesquisas se aproximam da verdade, porque não podem falhar demais, porque se desmoralizam e acabam perdendo clientes na eleição seguinte.

O exemplo mais gritante ocorreu quando a ex-presidente Dilma Rousseff decidiu disputar a eleição para o Senado em 2018. Desde o lançamento da candidatura, todas as pesquisas indicavam seu favoritismo. Como havia duas vagas, a eleição era considerada certa e os assessores logo começaram a chamá-la de “senadora”.

ENORME DECEPÇÃO – Quando as urnas foram abertas, uma enorme decepção. Os candidatos eleitos foram Rodrigo Pacheco (DEM), com 20,49%, e Carlos Viana (PHS), 20,22%. A superfavorita Dilma (PT) ficou em quarto lugar, perdendo até para Dinis Pinheiro (Solidariedade), que teve  18,42% dos votos.

Mesmo assim, os jornalistas continuam a tratar as pesquisas como se fossem oriundas do Oráculo de Delfos. Na atual eleição, Lula vinha disparado, praticamente eleito no primeiro turno. Mas depois Flávio Bolsonaro foi subindo, foi subindo, até começar a aparecer na frente do petista, no segundo turno.

No desespero diante dessa realidade, Lula e o PT estão fazendo o diabo, como disse a então presidente Dilma, em 2013: “Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”.

NOSSA SENHORA – Na reta de chegada as duas campanhas partem para o tudo ou nada, e o PT desencavou a projeto apresentado em 2007 pelo então deputado pastor Professor Victório Galli (PP-MT), arquivado há muitos anos. Ao contrário do que os petistas propagam, o texto não tirava de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, apenas trocava por “padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”, pois Galli era evangélico e invocava a laicidade do Estado.

Em cima dessa manipulação, o PT está fazendo o diabo, mas o resultado pode ser contrário, com Lula perdendo preciosos votos dos evangélicos e protestantes indecisos, pois os religiosos  não aceitam esse tipo de manipulação secular.

É triste e decepcionante ver a política brasileira sendo manipulada até em termos de religiosidade, embora o país seja um Estado laico, que tem de aceitar todas as religiões, sem discriminação.

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P.S.
– Essas manipulações das pesquisas mostram que ainda estamos longe de atingirmos o grau de civilização. Como dizia o lendário historiador, filósofo e jornalista britânico Kenneth Clark (1903-1983): “Civilização? Não sei o que é isso. Mas tenho certeza de que, se algum dia a encontrar, saberei reconhecê-la”. (C.N.)