Blog de Luiz Holanda

quarta-feira, 9 de setembro de 2026

CRUSOÉ

 

Moraes no inquérito das fake news

Uso de relatório apócrifo para incriminar colega de STF deveria incluir automaticamente o relator do 'inquérito do fim do mundo' na investigação eterna

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Rodolfo Borges

Moraes no inquérito das fake news
Foto: Antonio Augusto/ STF
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Ainda há por aí quem tente dar algum crédito ao “relatório de inteligência” usado por Alexandre de Moraes (ao centro na foto) para tentar incriminar o colega de Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça (à esquerda na foto), mas a verdade é que o documento apócrifo não passa de uma reunião de ilações e sua utilização como base para acusação se enquadra facilmente no conceito de fake news usado pelo próprio Supremo e por Moraes nos últimos anos.

Aliás, o pedido de investigação apresentado por Moraes, já retirado do inquérito das fake news por Edson Fachin, presidente do STF, deveria incluir automaticamente o próprio Moraes no inquérito das fake news, por uma simples questão de coerência.

Essa retaliação do relator do inquérito das fake news a um colega de Supremo que ousou cogitar investigá-lo é um dos ataques mais claros a um membro do tribunal já feitos desde 2019, quando a investigação foi aberta de ofício por Dias Toffoli e entregue nas mãos de Moraes.

Sob a rígida régua de Moraes, também deveriam ser incluídos na investigação os influenciadores, analistas e jornalistas que levaram a sério o relatório apócrifo, “considerando a existência de notícias fraudulentas (fake news), denunciações caluniosas, ameaças e infrações revestidas de animus caluniandi, diffamandi ou injuriandi, que atingem a honorabilidade e a segurança do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, de seus membros e familiares, quando houver relação com a dignidade dos Ministros, inclusive o vazamento de informações e documentos sigilosos, com o intuito de atribuir e/ou insinuar a prática de atos ilícitos por membros da SUPREMA CORTE, por parte daqueles que têm o dever legal de preservar o sigilo; e a verificação da existência de esquemas de financiamento e divulgação em massa nas redes sociais, com o intuito de lesar ou expor a perigo de lesão a independência do Poder Judiciário e o Estado de Direito”, como destacou o relator do inquérito das fake news mais uma vez ao pedir a investigação de Mendonça.

A conduta de Moraes em relação ao relator do caso do Banco Master e do escândalo do INSS, e também da rede de desinformação que o apoia nas redes sociais e em alguns segmentos da imprensa, se encaixa perfeitamente no que está descrito no inquérito da fake news.

Se for o caso de manter o inquérito aberto, como parece querer o ministro Flávio Dino, ao divagar nas redes sociais em desafio à sugestão de Edson Fachin para encerrá-lo, talvez seja o caso de reforçar a investigação e incluir todos que atacam a imagem do relator do caso Master.

Há uma clara tentativa de difamar Mendonça e igualá-lo a Moraes, numa aparente estratégia para deslegitimar sua atuação e anulá-lo na condução do inquérito que expôs as relações entre um ministro do STF e um ex-banqueiro que contratou o escritório de advocacia de sua família.

Relatoria do caso Master

Nesse contexto, o presidente do STF, Edson Fachin, não pode cair na armadilha de tratar os dois como equivalentes. Pode até ser que o melhor para o inquérito do Banco Master seja encontrar outro relator, para não dar a Moraes e à rede de desinformação que o defende o argumento de que Mendonça age politicamente, já que foi indicado politicamente para o STF por Jair Bolsonaro.

Mas, se for mesmo o caso de ocorrer, essa mudança de relatoria teria de ser feita com o cuidado de não permitir que prevaleça a confusão arquitetada por Moraes.

No momento de sua maior crise, o STF não pode mais se dar ao luxo de passar mensagens erradas, sob o risco de não conseguir nem sequer começar a se reconstruir após a autodestruição.

Postado por Blog de Luiz Holaanda às 04:01
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