Guerra no Irã expõe fraqueza dos EUA e Oriente Médio entra em fase pós-americana, diz analista (VÍDEOS)

"A nível político, fracassou a diplomacia americana. É um sinal de fraqueza porque Israel não aceita o que os EUA determinam em Gaza, Líbano e Irã. E agora, os Acordos de Meca, entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, [este último] um Estado da OTAN. Então, é uma sinalização clara de uma era pós-americana. Aliás, os Acordos de Abraão são uma tentativa [de Israel] para se emancipar dos EUA", disse.
"Isso é um sinal da multipolaridade. A gente pode analisar isso em dois níveis entre as grandes potências: EUA, Rússia e China, mas a Europa não está incluída na minha análise. Nesse escopo, cada potência governa a sua área [entorno estratégico]. No entanto, os EUA têm problemas no Oriente Médio, que hoje também é multipolar. A Arábia Saudita, Irã, Turquia e Israel estão brigando pela primazia na região", comenta.
Irã põe o poder bélico dos EUA em xeque
"[Os EUA] não conseguem sustentar uma guerra com uma potência média, que é o Irã, e nem lidar com os seus pares. Isso é muito importante como o informe de que o pessoal [militares americanos] pensando em suicídio e de que os navios não estão dando conta. Ou seja, a unipolaridade não existe mais. A Rússia e a China dão as cartas em seus entornos estratégicos e os EUA são incapazes de sustentar um porta-avião", destaca.
"Os Acordos de Meca são só uma expansão do acordo saudita-paquistanês de 2025, podem até não se confirmar e não se defendam mutuamente, mas o recado é imprescindível e é muito importante [que indicam] os Estados Unidos como um aliado inconfiável que não garante a segurança [regional]", observa.
EUA têm histórico de derrotas em suas intervenções
"O professor Paulo Vicentini [acadêmico brasileiro] já disse: nós vivemos a guerra dos 30 anos. Ele faz menção à segunda guerra do golfo, a guerra do Kuwait até a guerra do Afeganistão. E os EUA perderam todas. O Talibã está de volta ao poder, o Irã segue com seu programa nuclear e as potências do Oriente Médio hoje desafiam a ordem [da Casa Branca]", conclui.


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