Pesquisa mostra que os penduricalhos estão enriquecendo os magistrados e afins
Charge do Mariosan (O Popular)
Felipe de Paula
Fausto Macedo
Estadão
Ministros, desembargadores, juízes, procuradores e promotores integram a elite patrimonial do País. Eles ostentam patrimônio médio declarado de R$ 2,9 milhões em 2026, segundo o painel Perfil do Declarante, da Receita Federal. As categorias também figuram entre as de maior rendimento anual declarado, com média de R$ 1,4 milhão entre os membros do Poder Judiciário e de R$ 1,26 milhão entre os integrantes do Ministério Público.
Eles aparecem atrás apenas dos oficiais titulares de cartório, que lideram o ranking com patrimônio médio declarado de R$ 3,28 milhões e rendimento total de R$ 2,8 milhões. Os dados foram analisados pelo pesquisador Rafael Rodrigues Viegas, doutor em Administração Pública e Governo e professor dos programas de mestrado e doutorado profissionais em Gestão e Políticas Públicas da FGV EAESP. Ao examinar os resultados do Perfil do Declarante, Viegas classifica juízes e promotores como “CEOs da administração pública”.
RECURSOS PÚBLICOS – As cinco categorias com maior patrimônio declarado são carreiras ligadas ao Estado e, consequentemente, remuneradas com recursos públicos. Além dos titulares de cartório e dos membros do Judiciário e do Ministério Público, o ranking é composto por diplomatas, com média de R$ 2,53 milhões; servidores do Banco Central e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), com R$ 1,45 milhão; e advogados do setor público e procuradores da Fazenda, com R$ 1,2 milhão.
As únicas categorias da iniciativa privada que rivalizam com as carreiras do setor público são atletas, médicos e diretores de empresas industriais, que declararam patrimônio médio de R$ 1,3 milhão, ou 2,2 vezes menor que o acervo da toga.
Os servidores das carreiras de auditoria fiscal também integram a cúpula patrimonial do País, com capital médio de R$ 1,1 milhão. “Um estrato no alto do Estado define a própria remuneração e captura a maior fatia do orçamento de seus órgãos. No Judiciário e do Ministério Público, esse orçamento é capturado por magistrados, procuradores e promotores de justiça, não pelos servidores (analistas e técnicos, assessores e estagiários) que sustentam o funcionamento da Justiça”, anota o pesquisador Rafael Rodrigues Viegas.
CUSTO BRASIL – Na avaliação dele, “cada real gasto com supersalário no topo é um real a menos para saúde e educação”. “O debate sobre o custo Brasil costuma creditar à corrupção o dreno de verbas de políticas sensíveis”, ele pondera. Para o pesquisador, “esse gasto com privilégios com elites jurídicas faz o mesmo, utilizando ampla margem de discricionariedade, e raramente entra nessa conta”.
O especialista considera que quando o Estado remunera juízes e promotores com valores superiores aos pagos pelo mercado a profissionais como cientistas de dados, engenheiros aeroespaciais, biólogos moleculares, infectologistas e astrofísicos, transmite um sinal sobre quais carreiras concentram maior poder e proteção institucional.
TETO CONSTITUCIONAL – Segundo Viegas, esse cenário ajuda a explicar o elevado número de bacharéis em Direito no Brasil e evidencia que áreas como ciência e tecnologia acabam perdendo prioridade na alocação de recursos públicos. A saída, no entanto, “não passa por atacar o serviço público”, alerta o pesquisador. “Passa por separar a base do topo e por fazer o teto constitucional valer. Publicar cada verba paga a cada membro e acabar com as isenções que disfarçam salário são medidas conhecidas. Outra coisa é reduzir a discricionariedade que essas carreiras de elite têm para definir a própria remuneração. Falta decisão política para aplicá-las.”
Os dados patrimoniais divulgados pela Receita comprovam, na percepção de Juliana Sakai, diretora-executiva da Transparência Brasil, que “o Judiciário e o Ministério Público têm capturado o orçamento público para furar o teto constitucional, distorcendo o que é ou não remuneração e indenização, para se enriquecer às custas dos cofres públicos”.
DESIGUALDADE SOCIAL – O reflexo dessa política remuneratória desemboca em um quadro de maior desigualdade social, “já que o dinheiro do contribuinte deveria ser usado para promoção de políticas públicas para quem mais precisa”, avalia Sakai. “Os que desejam enriquecer deveriam tentar fazê-lo no mercado, com todos os riscos que isso leva”, pontua a diretora do Transparência Brasil, organização que monitora o poder público para combater a corrupção e os privilégios.
Sakai destaca que os membros do Judiciário e do Ministério Público “querem o direito de desfrutar apenas do bônus do estado e do mercado”, e classifica-os como uma “classe de privilegiados”.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Esses números estão inteiramente subavaliados, porque o patrimônio pessoal é calculado pela Receita com valor da data de aquisição, pois não são atualizados ano a ano nas declarações. O resultado é uma despropositada maquiagem dos números. Na verdade, o patrimônio médio dos magistrados, procuradores etc., devido ao reforço dos penduricalhos, é hoje muito maior. Para eles, R$ 2,9 milhões é micharia, como se dizia antigamente. (C.N.)
Corrupto desde jovem, Lulinha sempre consegue fugir da Polícia e da Justiça
Charge do Clayton (O Povo-CE)
Carlos Newton
O Brasil é conhecido mundialmente como o país da impunidade, porque aqui existem dois tipos de Justiça – a que é aplicada implacavelmente nos criminosos da ralé e a que mantém em liberdade os criminosos do colarinho branco e encardido, ou seja, aqueles que têm recursos para comprar consciências em série.
Um bom exemplo é o famoso fenômeno empresarial Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, que há mais de dez anos vem sendo investigado em inquéritos da Polícia Federal, mas é escorregadio e sempre consegue escapar.
ALVO, NOVAMENTE – Agora, em plena campanha eleitoral, o filho mais velho de Lula passou a ser alvo de três novas investigações, autorizadas pelo Supremo, em desdobramentos do escândalo do INSS, por suas criminosas ligações com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e com a também lobista Roberta Luchsinger, que se diz amiga de Lulinha
Nesta terça-feira, dia 4, a plastificada Roberta Luchsinger voltou a se destacar, após a revelação de que ela corrompeu o então chefe de gabinete do presidente Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido no Planalto como Marcola, que é um dos principais coordenadores da campanha eleitoral.
O ministro André Mendonça é relator de dois inquérito sobre Lulinha, enquanto Flávio Dino ficará responsável pela tramitação do terceiro inquérito sobre o filho do presidente.
MAL DE FAMÍLIA – A corrupção está na genética dessa família. O pai respondeu a diversos inquéritos e foi condenado por lavagem de dinheiro e corrupção, pegando 8 anos, 10 meses e 20 dias de prisão no caso do triplex, e mais 17 anos, 1 mês e 10 dias de prisão no caso do sítio de Atibaia.
Todos os filhos já foram investigados pelos mesmos crimes (corrupção e lavagem), envolvidos em tenebrosas transações, como diz o petista Chico Buarque de Holanda. O mais visado é Fábio Luís, o Lulinha, que começou sua carreira como tratador de animais no Zoológico, ganhando R$ 600 por mês e logo se transformou naquele fenômeno empresarial que tanto orgulha o presidente Lula.
Anos depois, assim como o pai e dois irmãos, Fábio Luís foi alvo de buscas na 24ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada em 2016. Na época, a força-tarefa investigava a relação de Lula com empreiteiras.
DINHEIRO FÁCIL – Com Lula na presidência, o fato inconteste é que o dinheiro entrava fácil nos bolsos de Lulinha, que rapidamente enriqueceu de forma ilícita. Em 2016, a PF denunciou que financiadores aplicaram R$ 103 milhões na empresa de Lulinha, a Gamecorp.
A devassa apontou que as empresas Oi Móvel e Telemar Internet foram responsáveis por R$ 82 milhões, e outros R$ 6 milhões foram repassados pelo Grupo Petrópolis, fabricante da cerveja Itaipava.
A perícia também denunciava recebimentos de outras duas empresas de Fábio Luís. Na época, o documento ainda não trazia conclusões ou encaminhamentos.
SÍTIO DE ATIBAIA – A investigação da PF indicava que parte dos recursos pagos pelas empresas tenha sido usada na compra do sítio em Atibaia (SP), frequentado por Lula.
Segundo os investigadores afirmaram na ocasião, ao todo, a Oi repassou R$ 132 milhões a empresas de Lulinha e dos sócios – os irmãos Fernando e Kalil Bittar e Jonas Suassuna – e a Vivo, cerca de R$ 40 milhões.
Lulinha também entrou na mira da Comissão Parlamentar de Inquérito instaurada em 2005 para apurar corrupção nas estatais, mais especificamente nos Correios. Essa mesma CPI mirou o esquema do mensalão, principal escândalo político do primeiro mandato de Lula.
RONALDINHO – Em 2006, Lula defendeu o filho e afirmou: “Deve haver um milhão de pais reclamando: Por que meu filho não é o Ronaldinho? Porque não pode todo mundo ser o Ronaldinho”.
Sócio de Lulinha, o empresário Jonas Suassuna era dono de uma das áreas da propriedade em Atibaia. Além disso, o inquérito também citava um apartamento no valor de R$ 3 milhões que teria sido comprado e mobiliado por ele para uso da família de Lula.
Em fevereiro de 2020, Suassuna vendeu sua parte na empresa de mídia. Em maio, foi a vez do filho de Lula se retirar da sociedade. As investigações foram arquivadas em 2022.
CPI DO INSS – Agora, tudo voltou à tona, porque a Operação Sem Desconto, deflagrada em 2025 para apurar desvios em pagamentos a aposentados, acabou incluindo provas do envolvimento do filho de Lula com o lobista conhecido como Careca do INSS e com a também lobista Roberta Luchsinger, que subornou o chefe do gabinete de Lula, Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola.
Lulinha teve seus sigilos bancário e fiscal quebrados pelo STF, a pedido da Polícia Federal, e pela CPI mista do INSS em fevereiro.
Trechos dos dados sigilosos, repassados pela PF à CPI, apontam que, em quatro anos, Lulinha recebeu pouco mais de R$ 9,7 milhões em suas contas e repassou valor equivalente, somando R$ 19,5 milhões em transações.
###
P.S. – Nada de novo no front ocidental. Todos sabem que a família de Lula vive envolvida em corrupção e lavagem de dinheiro. Agora o alvo é Lulinha, que está foragido na Espanha, onde a família de Lula tem a proteção de uma fortíssima quadrilha internacional, que em 2025 faturou no Brasil algo em torno de um bilhão de reais, livre de impostos, dando “apoio” ao governo Lula e a governos estaduais e municipais. Na Espanha, Lulinha sente-se protegido e não vai mais voltar. (C.N.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário