Eleição no Brasil tornou-se uma disputa entre famílias enriquecidas ilicitamente

Charge do Sponholz (sponholz.arq.br)
Ana Pompeu
Folha
Esta é uma eleição rotineira, aqui no Brasil, sem qualquer novidade. Sempre houve polarização, que é uma circunstância normal na política, como ensinava o pensador espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955). A grande diferença é que, no Brasil, as eleições costumam ser decididas em disputa mano a mano de dois candidatos comprovadamente enriquecidos ilicitamente.
Pode-se até alegar que não há nada de novo no front, porque no Brasil todo político seria corrupto, mas não é bem assim, porque estamos falando aqui em candidatos “comprovadamente” corruptos, quando há provas irrefutáveis, públicas e notórias.
RECORDAR É VIVER – Na primeira eleição após o regime militar, o favorito era Brizola, o político mais investigado da História do Brasil, sem que jamais houvesse provas concretas de irregularidades e levava uma vida simples, sem ostentação.
Brizola decepcionou no primeiro turno, com a ascensão de Collor e Lula, que até então não tinham antecedentes criminais em corrupção, o que viria a ocorrer anos depois, com as condenações criminais que sofreram.
O sucessor de Collor foi uma exceção. O vice Itamar Franco mostrou ser um político digno e inatacável, que jamais sofreu suspeita de corrupção e demitia quem sofresse. Em apenas dois anos, conseguiu controlar a inflação, o maior problema do país. Deixou saudades.
TUCANOS NO PODER – A polarização seguinte foi entre Fernando Henrique Cardoso e Lula, que ainda não eram corruptos de carteira assinada. FHC venceu e decepcionou o país, com privatizações inexplicáveis, como a da Vale do Rio Doce, agindo “no limite da irresponsabilidade”, nas palavras do então diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira.
A frase “estamos no limite da nossa irresponsabilidade” celebrizou o diálogo gravado em 1999 envolvendo Ricardo Oliveira e o então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, durante o processo de privatização das estatais da telefonia.
Na sucessão de FHC, em 2002, Lula ainda estava imaculado e deu um passeio no tucano José Serra, que já sofria acusações de irregularidades, tendo a filha como “laranja”. E de lá para cá a corrupção se instalou no país, na era do PT, com Michel Temer no meio, que chegou a ser preso na Lava Jato.
PODER CORROMPIDO – Assim, tem sido um verdadeiro festival. Os governadores imitaram os presidentes e transformaram o país inteiro num puteiro, como percebeu Cazuza.
Até mesmo os Estados mais importantes – São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais – foram varridos por ondas de irregularidades, comprometendo governadores como Geraldo Alckmin, José Serra, Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão, Anthony e Rosinha Garotinho, Wilson Witzel, Cláudio Castro, Eduardo Azeredo, Aécio Neves e Fernando Pimentel – desculpem se esqueci algum meliante nesta lista.
Agora, vamos a mais uma disputa presidencial com polarização entre dois eméritos corruptos – Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, cujas famílias vieram da pobreza e ascenderam à nobreza política, através de enriquecimento ilícito mais do que comprovado. Por isso, estão corretos aqueles que defendem a tese de que a grande maioria dos brasileiros apoia a corrupção e não vê a hora de também participar dos esquemas.
###
P.S. – Por uma questão de Justiça, é preciso reconhecer que, além de Itamar Franco, também Dilma Rousseff não enriqueceu ilicitamente no poder. Ela só ficou rica a partir de abril de 2023, quando passou a ganhar meio milhão de dólares por ano, para dirigir o Banco Brics. Já ganhou 3 milhões de dólares e vai ganhar mais 4 milhões de dólares até o final do mandato, em 2030. E Dilma merece. No mundo inteiro, nenhuma outra presidenta mostrou saber estocar vento e dinheiro como ela… (C.N.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário