segunda-feira, 24 de agosto de 2026

 

O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ex-governador de São Paulo pelo PSDB, assumiu a linha de frente contra as tarifas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com as marcas tucanas. Antes como

Reprodução de charge do Instagram

Carlos Newton

Há determinadas pessoas que dão muita sorte na política. Jamais poderiam imaginar que chegariam à Presidência da República, porém o destino cria uma séria de acasos e circunstâncias que acaba colocando essas figuras no poder, sem maiores empecilhos e sem terem de se esforçar para tanto.

Foi o que aconteceu com a economista Dilma Rousseff. Por um golpe de sorte, para atender ao PT gaúcho, ela tornou-se ministra de Minas e Energia no primeiro governo Lula e sua vida mudou de figura.

MERO ACASO – O cargo estava destinado ao geólogo, sindicalista e senador José Eduardo Dutra, que em 1983 se tornou funcionário da Petrobras e líder dos trabalhadores da empresa em Sergipe.

Foi eleito senador pelo PT em 1994 e teve importantíssima atuação no Congresso. Na hora de montar o ministério, o grupo da transição, que era controlado por Dirceu, decidiu colocar Dutra na Petrobras, e assim o cargo de ministro ficou vago e acabou nas mãos de Dilma Rousseff, que tinha sido secretária de Minas e Energia no governo de Olivio Dutra.

Daí para frente, veio a escândalo do mensalão e a queda de Dirceu, que mandava mais no governo do que o presidente. Para evitar ter um novo “primeiro-ministro”, Lula a colocou a Casa Civil e vida que segue, como diria João Saldanha. E o acaso a transformou no poste ideal para ficar na Presidência, e nem precisou fazer campanha, pois o próprio Lula se encarregou disso.

COMO FARSA – Como dizia Karl Marx, a História apenas se repete como farsa, e agora, dezesseis anos depois, o destino pode colocar Geraldo Alckmin na mesma situação de Dilma Rousseff.

Os dois, realmente são sortudos. Alckmin era um jovem estudante de Medicina quando entrou na política, a convite do médico e deputado federal Paulo Delgado, que presidia o MDB em Pindamonhangaba, próximo a Taubaté.

Elegeu-se vereador, prefeito e depois, deputado estadual. Em 1986, chegou à Constituinte e deu muita sorte. Era um deputado inexpressivo e desconhecido, mas se aproximou de Mário Covas, um grande líder da ala dos “autênticos” do MDB, que eram progressistas e enfrentavam o Centrão na Constitutinte.

VICE DE COVAS – Quando Covas comandou a criação do PSDB em 1988, ainda em plena Constituinte, o jovem Alckmin foi um dos fundadores, junto com Fernando Henrique Cardoso, José Serra e outros mais. Covas era o principal político de São Paulo. Quando se candidatou a governador, em 1994, convidou para vice o então deputado Geraldo Alckmin, que continuava inexpressivo e desconhecido.

Foram reeleitos em 1988, mas Covas morreu em março de 2001 e Alckmin herdou o governo e os votos dele, conseguindo ser reeleito governador em 2002. Quatro anos depois, sonhou com a Presidência, mas foi um enorme vexame.

Apesar do mensalão e tudo o mais, Lula quase ganhou no primeiro turno. O mano a mano no segundo turno foi um passeio, porque Alckmin conseguiu ter menos votos do que no primeiro turno.

ALTA ANSIEDADE – Agora, na condição de vice de Lula, o ex-tucano Alckmin, que virou socialista, vive momentos de puro êxtase. Com a possibilidade crescente de Lula passar para o segundo turno contra Flávio Bolsonaro, a vitória está praticamente garantida.

Se não for detonado pela corrupção do filho fenômeno, Lula vai assumir o último mandato aos 81 anos, mais prostituído e cansado de guerra do que a Tereza Batista, personagem de Jorge Amado. E Alckmin está a postos. Em novembro, completa 74 anos, sonhando com o tapete vermelho do Planalto.

Como Haddad é um jovem político já em final de carreira e Lula não deixou surgir nenhuma outra liderança no PT, o partido vai entrar em estado terminal nas mãos de Alckmin, que deverá imitar Itamar Franco e fazer  um acordo com os demais partidos para montar um governo de coalizão e depois tentar a reeleição em 2030.

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P.S.
Se Lula tivesse um mínimo de amor ao PT, ao montar o novo governo ele deveria colocar Aloizio Mercadante na Casa Civil e deixá-lo exercer o mandato informalmente, como Dilma fez. Mas Lula não o fará, porque tem ódio e inveja de intelectuais. E Mercadante é um dos raros petistas que realmente estão preparados para governar, ao lado de Nilmário Miranda, ex-deputado e ex-ministro, e de Paulo Nogueira Batista Jr., economista e ex-diretor-executivo do Fundo Monetário Internacional. Não consigo me lembrar de nenhum outro petistas qualificado e que não seja corrupto. (C.N.)

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