Perito da PF corrompido por Vorcaro precisa ser punido com o máximo rigor

Nabas queria anular as apurações sobre o Banco Master
Carlos Newton
É inaceitável, inadmissível e intolerável que a Polícia Federal deixe de punir com o máximo rigor o perito João Cláudio Nabas, que integrava a força-tarefa da Operação Compliance Zero na investigação dos crimes cometidos no escândalo do Banco Master.
São claríssimas as evidências de que o servidor, especialista em crimes financeiros e fraudes previdências, aceitou suborno no banqueiro Daniel Vorcaro e vazou, propositadamente, informações sobre o conteúdo do principal celular apreendido, com diálogos incriminadores envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
VAZANDO ÀS CLARAS – Revelações da própria PF demonstram que João Carlos Nabas pediu a diversos integrantes da força-tarefa para vazarem as notícias. Como todos se recusaram, o perito se encarregou de espalhar as notícias, usando um computador da própria agência da PF, para facilitar sua identificação.
Ou seja, Nabas fez o possível e o impossível para que a PF descobrisse que ele era o autor dos vazamentos, de modo a comprometer as investigações, criando uma situação que é do interesse de Alexandre de Moraes e de Dias Toffoli, para que possam pedir anulação do inquérito devido ao vazamento dessas informações que o Supremo considerou sigilosas.
Diante dessas fatos, causam surpresa as notícias de que a Polícia Federal determinou o afastamento do perito para incriminá-lo apenas por violação de sigilo funcional (artigo 325 do Código Penal), cuja pena é de somente demissão, com detenção de seis meses a dois anos, a ser cumprida em liberdade.
CORRUPÇÃO PASSIVA – Devido à gravidade de seu crime, cometido para anular gravíssimas investigações que envolvem até ministros do STF, o perito precisa ser enquadrado também em corrupção passiva (artigo 317), que prevê pena de reclusão, de 2 a 12 anos, e multa. Assim, somando-se com a pena do crime de violação de sigilo funcional, poderá pegar 14 anos, e ainda é possível haver agravante, por ter usado o computador da agência de PF.
Na expectativa de apenas ser demitido, mas continuar em liberdade para desfrutar do suborno de Vorcaro, que só opera na faixa dos milhões, o perito teve a audácia de procurar uma delegada federal que atua diretamente nas investigações e informá-la que mantinha uma relação antiga de vazamentos para a jornalista Malu Gaspar, de O Globo.
Segundo apuração do site ICL Notícias, a abordagem foi feita pessoalmente, e dias depois ele começou a enviar mensagens à delegada, para forçar que seus vazamentos se tornassem um escândalo igual ao que aconteceu no caso das gravações entre integrantes da força-tarefa da Lava Jato e o então juiz Sérgio Moro. A delegada então comunicou o episódio aos superiores e exibiu as mensagens recebidas. Só então o perito foi afastado.
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P.S. – A estratégia de subornar o especialista da PF foi muito bem urdida pelos comparsas de Daniel Vorcaro que ainda continuam em liberdade, mas a manobra está destinada ao fracasso, porque o ministro-relator André Mendonça está atento a todas as tentativas de anular o inquérito por abuso de poder ou outras falsas justificativas. Desta vez, armação para deixar impunes os criminosos de elite não vai prosperar. (C. N.)
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