terça-feira, 14 de julho de 2026

 

Michelle teme que carta de Jair Bolsonaro leve à perda da sua prisão domiciliar

Saída de Damares Alves expõe custo político da divisão no bolsonarismo

Damares foi alvo de ataques da própria direita

Pedro do Coutto

Em uma campanha presidencial, as perdas mais preocupantes nem sempre são as registradas nas pesquisas de intenção de voto. Muitas vezes, o maior dano ocorre nos bastidores, quando aliados estratégicos começam a se afastar, a coordenação perde coesão e a percepção de unidade dá lugar à narrativa de fragmentação. É nesse contexto que deve ser compreendida a decisão da senadora Damares Alves de deixar a equipe responsável pela elaboração do plano de governo do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL). Ela diz que voltou atrás, mas a boataria continua.

A balançada de Damares vai além da substituição de um nome na estrutura da campanha. Ela simboliza uma crise que já ultrapassou o campo das divergências privadas e passou a afetar diretamente a construção política da candidatura. Ao justificar sua decisão, a senadora afirmou que “já fez o que era preciso no primeiro momento” e que poderia voltar a colaborar apenas em um eventual governo de transição. A declaração, longe de representar um rompimento definitivo, revela um claro distanciamento do núcleo da campanha justamente em seu momento mais delicado.

ATAQUES – O motivo apresentado também merece atenção. Damares afirmou ter sido alvo de ataques promovidos por integrantes da própria direita e revelou que Flávio Bolsonaro não a procurou diretamente após o agravamento da crise. Para uma liderança reconhecida como uma das principais pontes entre o bolsonarismo e segmentos expressivos do eleitorado evangélico e feminino, a ausência de uma tentativa pública de recomposição possui significado político evidente.

A situação ganha contornos ainda mais relevantes porque Damares não é apenas uma ex-ministra do governo Jair Bolsonaro. Ao longo dos últimos anos, consolidou-se como uma das figuras mais influentes do conservadorismo brasileiro, especialmente em pautas ligadas aos direitos das mulheres, infância, liberdade religiosa e políticas familiares. Sua participação na elaboração do programa de governo conferia legitimidade a uma área sensível da campanha, especialmente diante do desafio histórico da direita em ampliar sua aceitação entre o eleitorado feminino.

INSTABILIDADE INTERNA – Sua saída ocorre num ambiente de sucessivos episódios que alimentam a percepção de instabilidade interna. A crise envolvendo Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro já havia produzido desgaste público, expondo divergências que anteriormente permaneciam restritas ao ambiente familiar e partidário. Damares, tradicionalmente próxima da ex-primeira-dama, acabou posicionada no centro desse conflito e tornou-se alvo de ataques nas redes sociais por parte de setores alinhados ao próprio campo conservador.

Outro aspecto relevante é a dimensão institucional do episódio. A senadora informou ter sido vítima de uma campanha coordenada de ataques e mencionou que a bancada feminina do Senado discute mecanismos institucionais para enfrentar episódios recentes de violência política contra mulheres, independentemente da formalização de denúncias individuais. O tema amplia o debate para além das disputas eleitorais, inserindo-o no contexto da proteção das mulheres que exercem mandato político e da crescente preocupação com campanhas de intimidação no ambiente digital.

Do ponto de vista eleitoral, o episódio alimenta uma narrativa difícil de administrar. Campanhas competitivas costumam buscar transmitir estabilidade, disciplina e capacidade de liderança. Quando figuras importantes passam a deixar a coordenação ou reduzem seu envolvimento, adversários encontram espaço para reforçar a ideia de enfraquecimento político, enquanto aliados passam a questionar os rumos estratégicos da candidatura.

DIFICULDADES – Isso não significa, necessariamente, que a candidatura de Flávio Bolsonaro esteja inviabilizada. O presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, reconheceu publicamente que o senador enfrenta dificuldades políticas, mas afirmou não acreditar que ele deixará a disputa presidencial. A avaliação de Kassab sugere que, apesar do momento turbulento, ainda existe margem para reorganização da campanha e recomposição das alianças internas.

Historicamente, campanhas eleitorais conseguem sobreviver a crises quando demonstram capacidade de absorver conflitos, reconstruir pontes e reorganizar suas lideranças. O problema surge quando episódios isolados passam a formar um padrão recorrente. A sucessão de saídas, desentendimentos públicos e disputas internas tende a produzir um efeito cumulativo, reduzindo a confiança de apoiadores, lideranças regionais e potenciais aliados.

DIMENSÃO SIMBÓLICA – Há ainda uma dimensão simbólica particularmente sensível. Em política, a percepção frequentemente pesa tanto quanto os fatos objetivos. Quando uma liderança reconhecida afirma que foi atacada pelo próprio campo político e decide interromper sua colaboração com o programa de governo, transmite-se a imagem de que os conflitos internos deixaram de ser pontuais para se tornarem estruturais.

Independentemente dos desdobramentos eleitorais, o episódio revela um desafio que ultrapassa uma candidatura específica. Movimentos políticos fortemente personalizados dependem da manutenção permanente da unidade entre suas principais lideranças. Quando essa coesão se rompe, a disputa deixa de ser apenas contra adversários externos e passa a ocorrer também dentro da própria coalizão.

Nos próximos meses, a capacidade de Flávio Bolsonaro de recompor sua base política será tão importante quanto sua estratégia para conquistar novos eleitores. Afinal, antes de convencer o eleitorado, toda candidatura precisa demonstrar que consegue manter unido o próprio grupo que pretende conduzir ao poder.

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Kassab acha que os evangélicos podem desistir de Flávio para votar em Caiado

Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado, em imagens justapostas -- Metrópoles

Caiado é a melhor opção para quem não vota em Lula

Mário Sabino
Metrópoles

Quais são as alternativas a Flávio Bolsonaro na disputa contra Lula? Eu só vejo uma séria: Ronaldo Caiado. Abro parênteses. Em algum momento, na minha pressa de colunista diário, tomei emprestado a luneta de petistas para observar o panorama circunstante e enxerguei alguma consistência em Romeu Zema. Prometo tomar mais cuidado daqui em diante. Fecho parênteses.

Caiado e Gilberto Kassab, vice na sua chapa e cacique do partido que o abrigou, o tangível e ao mesmo tempo etéreo PSD, martelam que são a única opção à reeleição do chefão petista. “Se Flávio passar ao segundo turno, Lula será reeleito”, dizem a quem quiser ouvir.

PIOR OPÇÃO – Nas atuais condições de temperatura e pressão e também nas que se prefiguram, não há como discordar que a pior opção para o antipetismo é o filho de Jair.

A candidatura de Flávio, no entanto, é pedra enorme no primeiro turno. Caiado e Kassab acham que ela está rolando para o brejo. Detectam, inclusive, um empurrão evangélico nesse sentido.

Segundo afirmam aos seus interlocutores, depois do caso Dark Horse e do rompimento protagonizado por Michelle, boa parte da base evangélica já não acreditaria mais que dá para segurar na mão de Deus e na do filho de Jair.

PARA O BREJO – Se a pedra de Flávio está mesmo rolando para o brejo, a rolagem precisa ganhar velocidade. Caiado e Kassab trabalham para chegar aos 10% das intenções de voto no primeiro turno em meados de agosto, ali pelo início da campanha eleitoral.

Acreditam que, a partir daí, a sua chapa engrenará a ascensão. As pesquisas já mostram que, em segundo turno, ela é bastante competitiva.

Dez por cento é o que Renan Santos já tem. Mas Caiado e Kassab acham que o candidato do Missão é fogo de palha. Tendo a concordar.

COM CUIDADO – Como Caiado pretende bater em Flávio? Com cuidado para não perder o voto bolsonarista no caso de ir para o segundo turno.

O candidato do PSD tem dois mandatos exitosos como governador de Goiás e pretende usar o ativo para fazer contraste com a total inexperiência administrativa do filho de Jair. Logicamente, para diferenciar-se dos seus maiores adversários, Caiado não deixará passar batido junto ao eleitorado que jamais esteve envolvido em mensalão, petrolão, rachadinhas e relações perigosas com Daniel Vorcaro.

Novato no PSD, o candidato do partido ao Palácio do Planalto não contará com o apoio explícito de candidatos do partido e de aliados que farão campanha aberta para Lula e para Flávio. Mas Kassab não vê isso como problema. Diz que as alianças regionais devem ter prioridade e que os seus benefícios superam os eventuais malefícios. É curioso.

O Globo se atrapalha e cita ministros que “desconhecem” o Regimento do STF

Como O Globo tratava os escândalos da era FHC - Vermelho

Charge reproduzida do Arquivo Google

Carlos Newton

Desde dezembro, em meio ao silêncio obsequioso e servil da grande imprensa, a Tribuna da Internet vinha anunciando, com absoluta exclusividade, que o ex-presidente Jair Bolsonaro seria novamente julgado, desta vez pela Segunda Turma, com amplas possibilidades de ser descondenado e libertado, tal como aconteceu com o ex-presidente Lula da Silva em 2019 e 2021′.

As informações da Tribuna foram amplamente confirmadas em maio, quando o STF aceitou julgar a ação de revisão criminal apresentada pelos advogados de Bolsonaro. Mas somente agora o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, resolveu tocar no assunto, certamente para desviar a imprensa das acusações que ele está recebendo, por desvio de emendas parlamentares e outros crimes.

INFORMAÇÕES ERRADAS – Na quarta-feira passada, dia 9, Valdemar Costa Neto deu declarações a respeito da possível libertação de Bolsonaro, que o Globo se apressou a desmentir, afirmando que “há vários obstáculos jurídicos que tornam remota qualquer possibilidade de reviravolta no cumprimento da pena de Bolsonaro”.

A matéria lançava informações erradas e sem base jurídica, dizendo que existe “dificuldade da revisão criminal prosperar no STF”, acrescentando que ”nem mesmo a anistia encampada pelo bolsonarismo no Congresso tornaria o ex-presidente livre de imediato”, para concluir que, na melhor das hipóteses, “Bolsonaro só deixaria o regime fechado em meados de 2028, como mostrou O Globo”.

No mesmo dia a Tribuna da Internet apontou os erros grotescos da reportagem, e a redação de O Globo, ao invés de corrigi-los, mandou fazer mais uma matéria para tentar desmentir nossas informações.

MINISTROS OCULTOS – Nesta nova reportagem, publicada sexta-feira, dia 9, o jornalão carioca deu um show de desinformação. Alegou que “ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) consideram remotas as chances de a revisão criminal do ex-presidente ser acolhida pela Corte”, como se tivesse entrevistado os tais ministros, mas todos eles estão  viajando, apenas Edson Fachin ficou fazendo um plantão solitário.

Sempre sem citar nomes, a matéria segue dizendo que “segundo ministros ouvidos reservadamente pelo O Globo, dificilmente a Corte admitiria rever uma condenação construída ao longo de meses de instrução, com produção de provas, interrogatórios, ampla participação da defesa e análise de todos os recursos apresentados pelos advogados de Bolsonaro”.

Diz, ainda, que “na avaliação desses magistrados, acolher a revisão criminal significaria reconhecer um erro em julgamento conduzido pelo próprio Supremo — hipótese considerada extremamente improvável diante da dimensão do processo”.

TUDO ERRADO – Essas informações de O Globo estão erradas e demonstram que o jornal dos irmãos Marinho, no afã de agradar ao governo Lula, aceitou a missão de ser “porta-voz informal” de certos ministros do STF que não podem ser citados, até porque nem foram ouvidos.

Diz a matéria: “Mesmo na hipótese de uma decisão favorável de Kassio Nunes Marques, integrantes do STF afirmam que o alcance de uma eventual decisão individual seria limitado. Embora o relator conduza inicialmente o processo, o mérito da revisão criminal deverá ser analisado pelo Plenário da Corte, já que esse tipo de ação é de competência do Plenário, e não das Turmas”.

Está tudo errado. Os repórteres jamais leram o Regimento do STF. As regras são claras. O Plenário só examina revisão criminal de seus julgamentos. No caso de processos julgados por uma das Turmas, a revisão é feita pela outra Turma.

EM TRAMITAÇÃO – A manipulação das informações por O Globo salta às vistas, porque  desde maio a revisão criminal do processo contra Bolsonaro, condenado na Primeira Turma, já está tramitando na Segunda Turma, tendo o ministro Nunes Marques como relator.

E ação está avançando velozmente, porque, na forma da lei, em junho Nunes Marques encaminhou os autos à Procuradoria-Geral da República, com prazo de 20 dias, e a PGR já entregou seu parecer, pedindo arquivamento da causa. Porém, Marques não aceitou e vai apresentar seu relatório no princípio de agosto.

Após a distribuição do seu relatório aos outros ministros (André Mendonça, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes), o relator pedirá que seja marcado julgamento. E a decisão será definitiva, sem encaminhamento ao Plenário. A previsão é de 3 a 2, a favor de Bolsonaro, com Marques, Mendonça e Fux a favor, e Gilmar e Toffoli, contra. É um resultado que levará o Planalto à loucura, junto com o serviçal O Globo.

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P.S.
Na próxima matéria, o jornalão carioca deveria citar os ministros que diz entrevistar e também indicar os dispositivos do Regimento do STF nos quais baseia suas informações despropositadas, porque na verdade não existem. (C.N.)

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