sábado, 11 de julho de 2026

 

Maior adversário de Lula pode ser seu isolamento político no segundo turno

Processo contra Moraes nos EUA é grave, porque desmoraliza o ministro e o Brasil

Ilustração reproduzida do Correio Braziliense

Carlos Newton

É um espanto a frieza do ministro Alexandre de Moraes, que continua atuando normalmente no Supremo Tribunal Federal, sem demonstrar a menor contrariedade por ter sido flagrado vendendo proteção a um criminoso de grande porte, como Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Como se sabe, a mulher dele, Viviane Barci de Moraes, celebrou um contrato de R$ 129,6 milhões para prestação de serviços que jamais foram executados. Pelo contrário, ao tentar exibir supostos trabalhos, a advogada Viviane citou serviços que na verdade foram prestados por outros escritórios de advocacia,

TOFOLLI, TAMBÉM – Na mesma situação está outro ministro, Dias Toffoli, que também se envolveu com Vorcaro na venda de um luxuoso ressort no Paraná e foi até obrigado a se declarar impedido de votar no processo do Master. Toffoli tenta agir como Moraes, como se não tivesse acontecido nada, porém não demonstra a mesma desfaçatez – anda recolhido, cabisbaixo e fugindo da imprensa.

É que há uma diferença entre os dois. Toffoli sabe que tudo será uma questão de tempo. Fatalmente será incriminado no caso do Master e acabará condenado pela Segunda Turma. Já o ministro Moraes tem esperança de acabar incólume, porque foi a mulher dele que formalmente se expôs. Mas é certo que o STF estará totalmente desmoralizado se livrar o ministro de punição.

É claro que estamos falando em tese, com base no dizem as leis e os costumes, porque no Brasil a Justiça vive seu pior momento, basta lembrar a recente libertação da primeira-dama do PCC, Stella Stefanie de Oliveira, algo inimaginável em qualquer país civilizado.

AÇÃO NOS EUA – Outra diferença é que Toffoli só se preocupa com seus problemas no Brasil, enquanto Moraes está sendo processado também nos Estados Unidos. É uma ação politicamente grave, porque desmoraliza não somente o Supremo, mas também o próprio país.

Há quem pense que Moraes agiu certo, porque uma das redes sociais atingidas, a plataforma de vídeos Rumble, não tinha escritório de representação no país, mas não é esse o caso.

Na realidade, o ministro está sendo processado pela Rumble e pela Trump Media, empresa de propriedade do presidente americano, por haver emitido ordens de bloqueio de contas em redes sociais nos Estados Unidos. As acusações incluem abuso de poder e censura ilegal contra usuários alinhados à direita brasileira, como o blogueiro Allan dos Santos.

PRIMEIRA EMENDA – Segundo as empresas, as decisões do ministro, ao obrigar a Rumble a remover contas de usuários, violam a Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos, que protege a liberdade de expressão.

Dificilmente Moraes será inocentado. Isso significa nova inclusão na Lei Magnitsky, o que envolve o congelamento de bens em território americano, pagamento de indenizações e proibição de que cidadãos, empresas e bancos americanos se relacionem com o ministro.

A juíza Mary S. Scriven, da Flórida, estendeu o prazo para que a Rumble e a Trump Media respondam aos argumentos da Advocacia-Geral da União, representada por um escritório de advocacia americano. Depois que isso ocorrer, a questão irá a julgamento.

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P.S.
Culpado ou inocente, isso pouco interessa a Alexandre de Moraes, porque o mal já está feito. Por sua prepotência, arrogância e desfaçatez, ele conseguiu se desmoralizar e agora está prestes a desmoralizar o próprio país. (C.N.)

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