Em matéria de cinismo, Davi Alcolumbre consegue rivalizar até mesmo com Lula…
Wagner foi ao plenário de óculos escuros para não ser reconhecido
Carlos Newton
Os pecados capitais – que sintetizam a doutrina moral do Cristianismo na classificação de vícios e comportamentos prejudiciais que dão origem a outros pecados – originalmente eram oito, porque incluíam a melancolia. Com o passar do tempo, as lideranças católicas decidiram fundir a melancolia com a preguiça, e assim os pecados foram reduzidos a sete – soberba, avareza, inveja, luxúria, gula, ira e preguiça.
Rever essa lista de maus comportamentos sociais nos dá a certeza absoluta de que os sete pecados capitais foram adotados na atualidade como programa dogmático dos principais políticos brasileiros.
RETROCESSO – O desenvolvimento tecnológico e social mostra que existe uma dinâmica em busca de aprimorar os relacionamentos humanos. Ou seja, cada nova geração deveria ser melhor do que a anterior. Mas não é isso que se vê na prática. Em determinadas nações podem ocorrer fenômenos de retrocesso social, que parece ser atualmente o caso do Brasil.
No século passado, entre 1930 e 1980, éramos felizes e não sabíamos, porque o Brasil se tornou o nação com maior crescimento do PIB, acredite se quiser. Foi a época do chamado “milagre brasileiro”, que levou o país a figurar como sétima economia mundial.
Depois disso, os pecados mortais se popularizaram nas elites nacionais de tal forma que sobreveio o retrocesso, com a favelização das grandes cidades, a corrupção política e empresarial, o surgimento das facções e milícias, a educação precária, a insegurança reinante e tudo o mais.
OUTRO PECADO – Como temos mania de grandeza e até costumamos dizer que Deus é brasileiro, nossas elites fizeram questão de cultivar mais um pecado que deveria ser considerado capital – o cinismo.
Na classe política, então, o cinismo está sendo cultivado em todo o seu esplendor, a ponto de o presidente da República proclamar-se o homem mais honesto do país, apesar de condenado em cinco processos por corrupção e lavagem de dinheiro, sempre por unanimidade, tendo cumprido 580 dias de cadeia: “Não tem nesse país uma viva alma mais honesta do que eu. Nem dentro da Polícia Federal, do Ministério Público, da Igreja Católica, da Igreja Evangélica, nem dentro do sindicato. Pode ter igual, mas eu duvido”.
Lula teve coragem de dizer essa insanidade, mas não conseguiu responder às denúncias sobre sua atuação como agente da ditadura militar, infiltrado no sindicalismo, feitas por diferentes autores, como Romeu Tuma Jr., Mário Garnero, José Nêumanne, Claudio Tognolli, Ivo Patarra, Duda Teixeira, Gabriel Magalhães e outros mais.
ATRÁS DO CINISMO – Além de não responder a nenhuma das acusações, Lula jamais processou nem processará nenhum de seus muitos biógrafos. Preferiu se esconder atrás do cinismo.
Bem, se fosse uma característica apenas de Lula, seria até compreensível. Era pobre, jamais leu um livro etc. e tal. Mas e os outros? O que explica que corrupção, favorecimentos e penduricalhos dominem tão amplamente as consciências das elites, a ponto de os reajustes salariais serem concedidos na mesma proporção?
Assim, quando um trabalhador de salário mínimo ganha 10%, a remuneração dele aumenta apenas RS 162,10, enquanto quem já ganha o teto tem reajuste de R$ 4.636,62. Com isso, a desigualdade social cresce desgovernada, e ainda chamam isso de democracia…
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P.S. 1 – Quanto ao cinismo, tornou-se marca registrada da realidade brasileira. Nesta terça-feira, dia 30, o show foi no Senado, com o corruptíssimo Davi Alcolumbre pregando a inocência de Jaques Wagner, aquele que não leva dólares e euros na cueca, prefere guardá-los em pilhas, para apreciá-los no recesso do luxuoso lar de ex-sindicalista.
P.S. 2 – Disse Alcolumbre: “Este país aqui está condenando todas as pessoas antes de a investigação ser concluída e antes de o mérito da investigação ser concluído, sem dar o processo de ampla defesa e o contraditório para todos os brasileiros”. Assim, em matéria de cinismo, Alcolumbre quase se iguala a Lula e merece, pelo menos, o Oscar de Coadjuvante.
P.S. 3 – Wagner também é um caso à parte. A Polícia encontrou 55 mil dólares e 33,5 mil euros. Ele disse que eram” sobras de diárias” que guardava em “envelopes do Senado”. Mas os agentes federais só acharam as notas, não havia um só envelope… (C.N.)
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