Caiado cai na armadilha de Kassab e desfaz sua parceria com Romeu Zema

Afinal, por que Caiado decidiu aceitar Kassab como vice?
Carlos Newton
Como ensinava o filósofo espanhol Ortega Y Gasset, a vida e a política são construídas pelas circunstâncias. As peças vão se movendo e se interconectando, ao formar mosaicos e criar destinos, mesclando situações, independentemente dos partidos ou da dicotomia direita e esquerda.
No caso do pré-candidato Ronaldo Caiado (PSD), sua principal circunstância chama-se Gilberto Kassab, que é fundador e proprietário da nova versão do PSD, a legenda que Getúlio Vargas criou em 1945 para lançar a candidatura do general Eurico Gaspar Dutra e depois seria novamente vitoriosa com Juscelino Kubitschek em 1955.
ALIANÇA COM ZEMA – Na atual eleição, o novo PSD tinha três governadores pré-candidatos à Presidência – Ronaldo Caiado (GO), Ratinho Jr. (PR) e Eduardo Leite (RS). Os três foram embromados por Kassab de tal forma que Ratinho e Leite desistiram e vão ficar fora da política, porque não deixaram os cargos no prazo legal e não podem mais se candidatar.
Sobrou Caiado, que recentemente fez um acordo com outro pré-candidato, o ex-governador mineiro Romeu Zema (Novo), para se unirem numa só chapa a partir de agosto.
Kassab não gostou nada, porque essa aliança aumentaria as chances de Caiado. Fez o possível e o impossível para boicotar o acordo, a tal ponto que Caiado enfim decidiu aceitá-lo como vice numa chapa “puro sangue”.
KASSAB NA CHAPA – Sem alternativa, Caiado anuncia nesta quarta-feira, dia 1º, a participação de Kassab, que na verdade é como o radialista Abelardo Barbosa, o Chacrinha, e não veio para somar forças, mas apenas para confundir.
A princípio, Kassab não pretende que Caiado ganhe a eleição, porque poderia dominar o PSD e tirá-lo da presidência do partido, que mantém o enriquecimento ilícito e o poder político de Kassab, que desde 2011 vive por conta do partido, que lhe garante cargos de secretário de Estado e até de ministro.
A candidatura a vice parece não ter força para mudar a circunstância de Kassab, cuja estratégia sempre foi deixar de ter candidato no primeiro turno e depois apoiar o vencedor da eleição e se beneficiar com a participação no governo e a nomeação dele próprio e de seus indicados.
E CAIADO? – Bem, mesmo tendo de aturar essa candidatura a vice, que deveria somar, mas pretende dividir, Ronaldo Caiado vai seguir em frente. As pesquisas são desanimadoras, mas em meados de junho surgiu um levantamento do Instituto Alfa Inteligência, que lhe deu 7% das intenções de voto e outros 7% para Zema. Somados, eles chegariam a 14% e transformariam a terceira via numa realidade palpável.
De toda forma, para ter alguma chance, Caiado precisa assumir uma estratégia mais direta e esclarecedora. Primeiro, explicar que sua família comanda Goiás desde o Século 18. Seus antecessores Antônio José Caiado, Totó Caiado, Brasil Ramos Caiado e Leonino Caiado governaram Goiás. Seu tio Emival Ramos Caiado, como senador, foi um dos líderes da campanha de JK para construir Brasília.
Em miúdos, Ronaldo Caiado é político desde sempre, e seu lema de campanha poderia ser algo assim “Vote no menos pior, aquele que não precisa roubar, porque já nasceu rico e se orgulha de trabalhar pelo Brasil”. Apenas isso.
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P.S. 1 – Será que Lula da Silva e Flávio Bolsonaro podem utilizar algum lema de campanha desse tipo? Claro que não… O passado dos dois é tão sujo que não há como limpar. Ambos nasceram pobres, mas as famílias enriqueceram fazendo política, o que não deixa de ser uma importante circunstância.
P. S. 2 – Por fim, pode haver outra explicação para Kassab querer se tornar vice. Talvez as chamadas pesquisas internas, feitas pelos próprios partidos, já estejam demonstrando que Caiado vem subindo nas intenções de voto, o que seria uma nova circunstância, realmente espetacular. (C.N.)
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