terça-feira, 21 de julho de 2026

 

Análise: Qual o impacto do novo bloqueio 

dos Houthis em Bab El-Mandeb

Lourival Sant'Anna, ao CNN Prime Time, detalha bloqueio naval contra a Arábia Saudita em rota por onde passa 7% do petróleo mundial

Da CNN Brasil

Antes do fechamento do Estreito de Ormuz, uma parcela pequena do petróleo saudita era escoada pelo oleoduto Leste-Oeste, que transporta o petróleo saudita até o Mar Vermelho, com ponto final no Porto de Yanbu.

Isso mudou a partir de março, com o avanço do conflito entre EUA e Irã. Em abril, todo o petróleo produzido pela Arábia Saudita passou por Bab el-Mandeb.

Com este novo bloqueio, a Arábia Saudita ficaria sem uma rota viável de exportação. "A Arábia Saudita para de exportar petróleo. Não tem por onde ir no momento", explicou Sant'Anna.

Além do petróleo, o fechamento do Estreito de Bab el-Mandeb afetaria diretamente o acesso da Ásia à Europa.

Navios provenientes da China, Índia, Japão, Coreia do Sul e do Sudeste Asiático utilizam essa rota, atravessando o Oceano Índico, subindo pelo Mar Vermelho e acessando o Canal de Suez rumo ao Mar Mediterrâneo.

Com o bloqueio, a alternativa seria contornar o continente africano pelo Cabo da Boa Esperança, o que representa 6 mil quilômetros a mais e de 10 a 15 dias adicionais de navegação.

Estratégia iraniana

Sant'Anna lembrou que os Houthis já haviam adotado medida semelhante no final de 2023, em solidariedade ao Hamas, conseguindo fechar em grande medida o tráfego pelo estreito.

Na ocasião, o Estreito de Ormuz ainda funcionava como rota alternativa. Agora, com Ormuz também comprometido pelo conflito entre Estados Unidos e Irã, a Arábia Saudita se vê sem alternativas imediatas.

"No médio e longo prazo, isso estimula a criação de alternativas, de oleodutos, de rotas alternativas. Mas demora", ponderou o analista.

Para Sant'Anna, no curto prazo o bloqueio representa uma arma extremamente eficaz nas mãos do Irã, embora, estrategicamente, no longo prazo, o país possa perder esse fator de pressão à medida que o mundo desenvolva rotas alternativas.

"Estrategicamente, no longo prazo, o Irã está dando um tiro no pé. Ele vai perder esse fator dissuasório no futuro, porque o mundo não vai mais contar com o Estreito de Ormuz. Mas agora, no curto prazo, é uma arma extremamente eficaz", concluiu.

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