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Sob o signo da Liberdade
Ex-presidente do BRB pede liberdade ao STF devido à demora da PGR em acordo de delação

Ex-presidente do BRB cobra resposta da PGR
Johanns Eller
O Globo
A defesa do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a liberdade provisória do executivo, preso preventivamente desde abril. Na petição encaminhada ao relator do caso no STF, ministro André Mendonça, o advogado Davi Tangerino criticou o travamento nas negociações para um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e alegou que Costa vem tentando colaborar com a Justiça, sem sucesso.
Tangerino cobrou no início de junho uma posição formal da PGR sobre a intenção de seu cliente de delatar, mas não teve resposta.. PH Costa, como é conhecido, não chegou sequer a firmar um acordo de confidencialidade com o Ministério Público Federal (MPF), etapa inicial das tratativas, ao contrário de Daniel Vorcaro.
SEM NOVIDADES – A avaliação no MP é de que, assim como no caso de Vorcaro, o que o ex-presidente do BRB se propõe a contar não agrega informações ao que a investigação já descobriu, além de não confessar crimes.
Embora nos bastidores a negativa do MPF seja dada como certa, até agora a defesa não recebeu qualquer sinalização oficial e o ex-dirigente continua preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do DF, a Papudinha. Costa tentou se antecipar à Justiça e escreveu parte dos anexos de sua eventual proposta antes do sinal verde do MPF diretamente da cadeia. Nesse intervalo, Vorcaro teve duas propostas de delação rejeitadas pela Polícia Federal (PF) e pela PGR.
Formalizado no último dia 12, o pedido para revogar a prisão preventiva destaca que a tentativa de negociar uma colaboração com o MPF teve início em 19 de abril e uma reunião formal com os procuradores ocorreu em 28 de maio, sem avanço por parte da PGR. Além disso, o advogado frisa que Costa nunca foi interrogado desde que foi alvo da primeira fase da Operação Compliance Zero, em novembro passado.
COMPARAÇÃO – A defesa também comparou a situação de Paulo Henrique Costa à de Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Master. A petição foi protocolada antes da nona etapa da Compliance Zero, que mirou o empresário e o líder do governo Lula no Senado Federal, Jaques Wagner (PT-BA), na última quinta-feira (18). Lima não foi alvo de pedido de prisão, apenas de busca e apreensão, mas já era monitorado por tornozeleira eletrônica desde o ano passado.
“Não se pode deixar de registrar que investigados com efetivo potencial de continuidade delitiva, a exemplo de Augusto Lima, seguem soltos”, escreveu Tangerino. As críticas refletem o clima de tensão e desconforto entre as equipes de defesa do caso Master e os investigadores, que teve como ápice a rejeição das propostas de delação de Vorcaro. Caso o pedido de liberdade provisória não seja atendido por Mendonça, o advogado pede que seja concedida a prisão domiciliar.
“LEVIANA” – Na petição, a defesa sustenta que não há elementos novos que justifiquem a manutenção da prisão. Tangerino chama de “leviana e assustadora” a posição da PGR, que apontou “indícios de continuidade de práticas delitivas” ao concordar com a prisão de PH Costa.
Alega, ainda, que as condutas atribuídas ao ex-presidente do BRB se referem ao período em que ele exercia o cargo, do qual foi afastado pela Justiça em novembro passado e posteriormente demitido. “Não há rigorosamente nada que se apure no inquérito que diga respeito a qualquer atuação após o afastamento do requerente do BRB”, argumenta o advogado.
PEÇA ESSENCIAL – Na decisão que autorizou a prisão preventiva, o ministro André Mendonça afirmou que PH Costa foi “peça essencial” na compra de títulos podres do Master, cuja contrapartida seria o pagamento de seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília avaliados em R$ 146 milhões.
Ao Supremo, Tangerino diz que o ex-dirigente nunca foi dono dos apartamentos e que as mensagens que ele trocou com Vorcaro para escolher as unidades que lhes interessavam eram de 2024, quando não havia medidas cautelares contra ele. Esse é um dos pontos que ele sustenta em sua proposta de delação e que não convence nem a PF e nem a PGR. Em um dos diálogos, Costa chega a dizer ao dono do Master que eles estavam “construindo uma vida juntos”.
PAGAMENTOS SUSPENSOS – Segundo a decisão de Mendonça que prendeu PH Costa, após a instauração de uma apuração do MPF sobre as fraudes nas carteiras de crédito adquiridas do Master pelo banco de Brasília, Vorcaro mandou que o advogado Daniel Monteiro “travasse tudo e não realizasse mais nenhum pagamento e nem prosseguisse com a formalização registral das transações então acordadas com Paulo Henrique”, segundo as investigações.
Monteiro é apontado pela investigação como operador do desvio de recursos do Master e do pagamento de propina para políticos e autoridades. Até aquele momento, os pagamentos feitos somavam R$ 74 milhões, segundo a decisão de Mendonça.
É espantoso que ainda existam pessoas que acreditam nas pesquisas eleitorais

Charge do Newton Silva (Arquivo Google)
Carlos Newton
Em países como o Brasil, as pesquisas eleitorais são um ramo promissor no setor de serviços, não há dúvida. O faturamento cresce a cada eleição, batendo seguidos recordes. Basta dizer que até maio deste ano, foram feitos mais de 700 levantamentos sobre perspectivas das eleições de outubro, com investimentos de R$ 40 milhões.
É muito dinheiro rolando por baixo da ponte que conduz ao poder. O TSE informa que 2024, foram realizadas 14 mil pesquisas, com gastos quase R$ 172 milhões em levantamentos sobre intenção de voto para os cargos de prefeitos e vereadores. Estas são apenas as pesquisas oficiais, registradas na Justiça Eleitoral, mas existem milhares de outras que são feitas por baixo do pano… e que até custam muito mais caro.
EXCITAÇÃO – A imprensa contribui generosamente para o sucesso comercial dos institutos, que gostam de serem chamados assim, e divulgam os resultados como se fossem infalíveis, oriundos do Oráculo de Delfos, centro religioso mais importante e reverenciado da Grécia Antiga, nas encostas do Monte Parnaso.
Mas a realidade não é bem assim, e a melhor definição de pesquisa é a que define essa atividade como “a arte de torturar os números até que eles confessem os resultados pretendidos”.
O fato concreto é que toda eleição é marcada por erros grotescos, em que os resultados das urnas têm sido absurdamente diversos daqueles apontados às vésperas da votação.
ERROS BIZARROS – Lembrem o que ocorreu em 2018 com a vitória de três azarões em Estados importantes – Romeu Zema em Minas Gerais, Wilson Witzel no Rio de Janeiro, e Carlos Moisés em Santa Catarina.
Os disparates foram ainda piores na disputa para o Senado, quando favoritos absolutos, indicados por todas as pesquisas, acabaram chegando em terceiro ou quarto lugar, como Dilma Rousseff em Minas Gerais, Eduardo Suplicy em São Paulo, Roberto Requião e Beto Richa no Paraná, ou José Fogaça no Rio Grande do Sul.
Em 2022, também houve muitas mancadas dos institutos. Tarcísio Freitas, por exemplo, venceu o primeiro turno com 7 pontos de vantagem sobre Fernando Haddad, que liderava amplamente as pesquisas.
MAIS VEXAMES – Foi mais uma sucessão de vexames. No Rio de Janeiro, o governador Cláudio Castro foi reeleito no primeiro turno, embora as pesquisas indicassem que haveria segundo turno contra Marcelo Freixo.
Para o Senado foi um festival. No Paraná, Sergio Moro venceu e o favorito Alvaro Dias ficou em terceiro lugar; e no Espírito Santo, Magno Malta derrotou a líder Rose de Freitas.
Em São Paulo, o astronauta Marcos Pontes venceu o líder Márcio França com 13,5 pontos de vantagem; e no Rio Grande do Sul o general Hamilton Mourão, que estava derrotado nas pesquisas, elegeu-se senador.
DATAFOLHA – Vejam agora a nova pesquisa Datafolha. O respeitado instituto quer nos convencer de que, entre cada grupo de 1.784 pessoas que encontrarmos nas ruas e irão mesmo votar, cerca 80% delas vão votar em Lula ou Flávio Bolsonaro, e apenas 20% delas estariam dispostas a sufragar algum dos outros 12 candidatos alternativos. Somado aos brancos e nulos, esse total chegaria a menos de 26%.
Mas não é isso que as pesquisas apresentam no quesito rejeição. Bolsonaro é repudiado por 48% dos eleitores e Lula por 46%, no próprio Datafolha. E pesquisa mais recente, do Instituto Ipsos-Ipec, indica que 56% dos brasileiros não confiam em Lula.
Apenas uma pesquisa, feita pelo Alfa Inteligência, independente e sem patrocinador, indica Ronaldo Caiado e Romeu Zema com 7 pontos cada. Todas as demais jogam no abismo os dois candidatos alternativos. Por que será?
P.S. – Os números precisam ser torturados com arte. Caso contrário, entregam em choque entre si. Nas regras da probabilidade, é praticamente impossível que candidatos vençam o pleito tendo 48% (Flávio) ou 46% (Lula) de rejeição. Isso só acontece se eles forem os vencedores do primeiro turno. Porque qualquer outro candidato, com menos rejeição, pode derrotá-los no segundo turno. Justamente por isso, as pesquisas precisam manter a polarização, a qualquer custo. Pense sobre isso, antes de acreditar em pesquisas eleitorais num país corrupto como o Brasil. (C.N.)
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