domingo, 7 de junho de 2026

 

Polarização anestesia eleitorado e escândalos ainda não afetam favoritos de 2026

Eleitorado se acomodou na armadilha do amor e ódio

Dora Kramer
Folha

Mudanças na dinâmica da relação entre os políticos e o eleitorado criam dificuldades para a análise e exigem a adoção de novos critérios no exame do andamento de campanhas eleitorais. Daí decorrem circunstâncias aparentemente inexplicáveis. O que valia já não vale.

Na cena atual, dois fatores em tese fortes o bastante para abalar ou impulsionar as intenções de voto não foram suficientes para alterar de modo significativo o quadro retratado pelas pesquisas de opinião.

GASTOS E MENTIRAS – Tanto Luiz Inácio da Silva (PT) como Flávio Bolsonaro (PL) ficaram mais ou menos onde estavam em levantamentos anteriores, a despeito de o primeiro patrocinar gastança calculada em R$ 190 bilhões para captar eleitores e o segundo ter sido pego em mentiras reiteradas sobre o relacionamento com Daniel Vorcaro.

Houve uma mexida nos índices, mas o presidente não deslanchou nem o senador despencou. Do empate, a situação migrou para uma distância de nove a quatro pontos porcentuais com vantagem para Lula, segundo as medições de primeiro e segundo turnos registradas na última pesquisa Datafolha.

Tão amados quanto rejeitados, os dois consolidam torcidas movidas por amor e ódio, resultando numa paralisia do cenário. Bondades de um e malfeitorias do outro não abalaram o favoritismo de ambos, introduzindo uma incógnita e um dado concreto no exercício da interpretação.

POLARIZAÇÃO – Por que isso acontece? É a dúvida em princípio dirimida pelo fator polarização. Não explica tudo. A certeza que se extrai dessa situação é a impossibilidade de se estabelecer comparações com exemplos do passado.

Lula já não consegue se escorar na mítica do provedor dos desvalidos, como quando se safou do escândalo do mensalão. Flávio Bolsonaro não foi abatido como Roseana Sarney em 2002, quando a foto de dinheirama encontrada no escritório do marido interrompeu sua trajetória ascendente nas pesquisas para presidente.

O tempo passou, a política não se arejou e o eleitorado, pelo visto, se acomodou na armadilha das emoções dominadas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGA campanha só começa depois que acabar a Copa. Por enquanto, nada está valendo, nada é definitivo. É a partir de agosto que o couro come, como se dizia antigamente. (C.N.)

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