sexta-feira, 12 de junho de 2026

 

Piada do Ano! Fachin diz que os EUA deviam cumprir as ordens de Moraes…

Fachin em carreira solo - Blog da Denise

Charge do Cau Gomez (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Todo ano é a mesma coisa. Sempre aparece alguma personalidade importante dos Três Poderes da República que decide fazer o possível e o impossível para ganhar o cobiçado troféu da Piada do Ano. Agora é o presidente do Supremo, Edson Fachin, com uma piada atrás da outra, tentando acumular pontos desde o primeiro semestre.

Fachin é um ilustre apoiador da então candidata Dilma Rousseff, que em 2010 abandonou seus trabalhos na Procuradoria do Paraná para se integrar à campanha petista. O ministro sabe o valor da Piada do Ano e quer repetir a dose, porque hoje poucos lembram que ele ganhou o concurso em 2019.

RECAÍDA PETISTA – Recordar é viver. Como relator da Lava Jato, Fachin saiu-se admiravelmente, durante anos deu um show em termos de imparcialidade. Em 2019, porém, quando o destrambelhado Jair Bolsonaro passou a exercer o poder pateticamente, Fachin teve uma recaída petista e tirou Lula da cadeia.

Com uma coragem inacreditável, o relator Fachin aceitou a tese de que Lula não poderia ter sido julgado em Curitiba e instituiu a “incompetência territorial absoluta” para anular as condenações do petista, que estava preso há 580 dias.

Com isso, o Brasil se tornou o único país do mundo em que existe essa “incompetência territorial absoluta”, uma possibilidade juridicamente abominável, mas quem se interessa? E assim Fachin ganhou a Piada do Ano de 2019.

VOLTA AO PALCO – Sete anos depois, o presidente do Supremo aproveita seu palco iluminado na Praça dos Três Poderes para fazer sucessivas piadas, todas de altíssimo nível, a começar pelo manual de boas condutas, realmente impagável, só faltou ensinar os ministros a não extorquir banqueiros.

Daí em diante, Fachin desembestou, como se diz no Nordeste. Primeiro, apoiou Dias Toffoli no caso Master, dizendo que ele seria um relator imparcial, todos riram da piada, menos a Polícia Federal, que em seguida obrigou Toffoli a se declarar impedido, digamos assim.

Depois, o presidente do STF tentou convencer Alexandre de Moraes a pôr fim ao inquérito do fim do mundo, mas Xandão não achou graça e Fachin teve mudar o roteiro, perdendo a piada para não perder o amigo, e até colocou a Advocacia-Geral da União na defesa de Moraes, que é investigado pelo Congresso dos EUA e processado na Flórida pela plataforma Rumble e pela Media Trump, empresa do presidente americano.

PIADA DO SÉCULO – Para não perder a amizade de Moraes, esta semana Fachin resolveu lançar logo a Piada do Século, dizendo que os Estados Unidos têm obrigação de seguir as ordens judiciais que Moraes tentou ver obedecidas pela Justiça americana.

Sob aplausos entusiásticos, criticou a filial USA por não cumprir nenhuma determinação de Moraes, aqui da filial Brazil, e argumentou que “cooperação judicial entre países não pode ser confundida com ingerência”.

A piada foi feita durante apresentação solo de Fachin no lançamento do Anuário da revista Consultor Jurídico, levando a plateia ao delírio, com arrancos de soberania e de civismo.

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P.S. –
Sem citar diretamente os Estados Unidos ou casos específicos, o ministro Fachin avisou que a resistência em obedecer às ordens judiciais brasileiras pode gerar “consequências que ultrapassam fronteiras”, deixando o presidente Donald Trump na expectativa de retaliações da filial Brazil, caso os processos contra Moraes não sejam logo arquivados na matriz USA. (C.N.)

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