Impasse nuclear trava acordo entre EUA e Irã e aumenta pressão no Oriente Médio, diz mídia
11:54 25.05.2026 (atualizado: 12:29 25.05.2026)

© AP Photo / Vahid Salemi
O avanço para um acordo que encerre a guerra entre EUA e Irã perdeu força após impasses sobre o programa nuclear e o alívio financeiro a Teerã, enquanto Trump alterna sinais de otimismo e cautela e países do Golfo e Israel pressionam por garantias de segurança e liberdade de navegação.
O avanço para um acordo que encerre a guerra entre EUA e Irã perdeu ritmo, segundo mediadores, devido ao impasse sobre referências ao programa nuclear iraniano e às condições de alívio financeiro para Teerã.
A desaceleração veio após um fim de semana em que o presidente dos EUA, Donald Trump, alternou sinais de otimismo e cautela, afirmando que não fecharia um entendimento "inadequado".
A divulgação inicial de que um acordo estava próximo gerou críticas de republicanos mais duros, que temem que a reabertura do estreito de Ormuz alivie a pressão econômica sobre o Irã sem impor limites suficientes ao seu programa nuclear. Trump respondeu dizendo que o pacto será "ótimo e significativo, ou não haverá acordo".
As negociações buscam um memorando de entendimento que encerre os combates e suspenda restrições ao tráfego marítimo em 30 dias, abrindo caminho para uma segunda fase dedicada ao tema nuclear. O alívio das sanções dependeria do progresso iraniano, segundo autoridades norte-americanas.
Segundo a mídia dos EUA, Washington pressiona por compromissos mais claros sobre o programa nuclear desde o início, enquanto Teerã exige detalhes sobre o descongelamento de ativos e o ritmo do alívio econômico. Mediadores afirmam que os EUA temem que o Irã empurre a discussão nuclear para depois de obter benefícios iniciais.
Apesar das tensões, ambos os lados enfrentam pressão para chegar a um acordo: Trump quer encerrar uma guerra impopular que elevou o preço da gasolina, e o Irã busca aliviar uma crise econômica agravada pelo conflito e pelo bloqueio americano. Países do Golfo apoiam o esforço, mas querem garantias de segurança e liberdade de navegação.
Ainda segundo a mídia norte-americana, Arábia Saudita e Emirados pressionam por cláusulas explícitas sobre o tráfego no estreito. O Irã aceitou isentar navios de taxas durante as negociações, mas pretende manter papel na gestão da via e discute cobrar por serviços de trânsito e proteção. Israel, por sua vez, teme um acordo brando que reduza a pressão sobre Teerã e fortaleça o Hezbollah no Líbano.
Mediadores também apontam incertezas internas: o paradeiro e a atuação do líder supremo Mujahidin Khamenei permanecem nebulosos, enquanto Teerã acusa os EUA de instabilidade institucional e mudanças frequentes de posição, adicionando complexidade a um processo já frágil e altamente sensível.

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