sexta-feira, 22 de maio de 2026

 

Como alternativa a Flávio, melhor nome seria Ronaldo Caiado, da centro-direita

Flávio Bolsonaro e Ronaldo Caiado -- Metrópoles

Caiado percebeu que a indicação de Flávio foi um equívoco

Mario Sabino
Metrópoles

Ninguém confia em Flávio Bolsonaro. Até ontem, ele havia escondido dos próprios aliados a visita que fez a Daniel Vorcaro depois da primeira prisão do dono do finado Banco Master. Quando confessou a visita, revelada pelo jornalista Igor Gadelha, o senador Sergio Moro, candidato a governador no Paraná, fez uma expressão de desalento que resume tudo: as “surpresinhas” de Flávio implicam o risco de os aliados nos estados sofrerem derrotas improváveis até a semana passada.

O pessoal que amarrou o seu burro na candidatura do filho de Jair Bolsonaro deu quinze dias para avaliar se dá para conter os danos e continuar nesse barco.

POUCO TEMPO – Sejamos realistas: duas semanas é pouco tempo para se ter a garantia de que nada mais surgirá de comprometedor. A delação de Vorcaro subiu no telhado, mas pode descer, e há outras delações a caminho que podem apontar o dedo para Flávio. As investigações da PF também prosseguem.

Ou seja, como já dito aqui, não está descartado que, em meio à campanha presidencial, o candidato da direita bolsonarista seja fulminado por revelações suplementares no âmbito do caso Master.

A esta altura, os aliados de Flávio devem estar olhando ao redor e, se forem espertos, não devem demorar a identificar o candidato capaz de aglutinar os 50 tons de cinza da direita. Ele é Ronaldo Caiado. Ótima experiência administrativa, passado limpo (até onde se sabe), bom de palanque e militante histórico do antipetismo.

CENTRO-DIREITONA – É claro que há de se negociar muita coisa com Gilberto Kassab, dono do partido que lançou Caiado. Mas não há nada que não possa ser acertado com Kassab, o homem sem ideologias, diante da perspectiva concreta de conquistar o Palácio do Planalto.

Não se deve subestimar Lula, mas não se pode subestimar também a enorme rejeição que ele enfrenta no eleitorado. Há uma chance enorme de derrotá-lo em outubro, basta não ir para o ringue com um vendedor de carros usados desonesto, como afirmei ontem.

Caiado é o melhor nome disponível. Mas sem a impostura de vendê-lo como candidato dessa fantasmagórica “terceira via”. Ele é o candidato da direita, da “centro-direitona”.

Supremo erra ao investigar perito que teria vazado contrato dos 129 milhões

Tribuna da Internet | Ministros do Supremo acreditam que já é hora de virar a página do 8 de janeiro

Charge do Zappa (humortadela.com)

Carlos Newton

“Na imprensa, pouco se cria e muito se copia”, podíamos dizer, parafraseando a máxima do radialista pernambucano Abelardo Barbosa, o “Chacrinha”, que veio tentar a vida no Rio de Janeiro na década de 40, com outros amigos também geniais, entre eles o cronista Antonio Maria e o jornalista e compositor Fernando Lobo, 

Nesse lance de copiar e publicar que caracteriza a disputa desenfreada pela informação, muitos portais, sites e blogs hoje bloqueiam a leitura de suas matérias e exigem que os leitores sejam assinantes. Na Tribuna da Internet, porém, funcionamos ao contrário. Qualquer leitor pode copiar e republicar tudo o que estivermos divulgando, mas seria ético e útil se citassem o autor e a fonte, é claro, o que nem sempre acontece.

DANDO O EXEMPLO – Aqui na Tribuna, o editor-chefe dá o exemplo e sempre cita os autores até de frases que utilizamos, como a de que “o ministro Alexandre de Moraes tem 129 milhões de motivos para viver preocupado”, criada pelo colunista Mario Sabino, do site Metrópoles..

Infelizmente, porém, a maior parte dos jornalistas não age assim e costuma se assenhorar do trabalho alheio e até das frases e bordões, embora não custe nada escrever ou dizer que “segundo fulano…”. No entanto, poucos fazem isso.

Muitos falsos jornalistas comportam-se como o chupim, a ave brasileira famosa por seu parasitismo, porque não constrói a própria casa e a fêmea não choca os ovos nem cuida dos filhotes. Ao contrário, a fêmea chupim deposita seus ovos nos ninhos alheios para que sejam chocados e criados por outros pássaros.

HÁ COINCIDÊNCIAS – Mas há também coincidências, que ocorrem quando jornalistas de diferentes órgãos de imprensa divulgam a mesma tese. Um exemplo claro ocorreu esta semana. Na terça-feira, a excelente jornalista Raquel Jardim publicou no Estadão um artigo excelente sobre João Claudio Nabas, perito da Polícia Federal.]

Ele  está sendo perseguido pelo STF sob suspeita de ter vazado não somente o contrato de R$ 129 milhões entre o escritório da mulher do ministro Alexandre de Moraes, e o Banco Master, mas também as conversas entre Moraes e Daniel Vorcaro no dia da prisão do banqueiro.

O texto de Raquel Landim – “Por que investigar o perito em vez das mensagens entre Moraes e Vorcaro?” – foi publicado no Estadão às 21h06 de terça-feira, dia 19. Na manhã seguinte, às 7 horas, publicamos na Tribuna o artigo “STF persegue policial que vazou contrato dos 129 milhões e que devia ser elogiado”.

IMPRENSA LIVRE – É uma maravilha quando isso ocorre, pois demonstra que a imprensa livre pode e deve trabalhar unida, visando a fortalecer a democracia e  moralizar o funcionamento dos três Poderes.

Outros veículos de comunicação se fazem de desentendidos e não tocam mais nos assuntos relacionados a irregularidades praticadas por ministros do Supremo, como Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.

Esse silêncio da grande imprensa ajuda a que o país esqueça as graves ilegalidade que vêm sendo cometidas por autoridades dos três Poderes, que tentam ocultar escândalos verdadeiramente inesquecíveis e que precisam punir, sem o menor receio. Mas quem está sendo punido é justamente o servidor público que fez a estarrecedora denúncia.

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P.S.
O mais importante é que, na forma da lei (art. 154 do Código Penal), o servidor não pode ser punido, porque agiu “com justa causa”, em defesa dos interesses nacionais. Portanto, o Supremo é que deveria proceder mais corretamente e responder logo ao questionamento da jornalista Raquel Landim: “Por que investigar o perito ao invés das mensagens entre Moraes e Vorcaro?”. Eis a grande questão. (C.N.)

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