terça-feira, 21 de abril de 2026

 

Não dá para entender por que Ibaneis, o parceiro de Vorcaro, continua solto

Ibaneis diz que seu afastamento foi 'necessário' e minimiza culpa de Torres

Ibaneis é um dos protagonistas do escândalo do Master

Deu no g1 DF

Conversas interceptadas pela Polícia Federal entre o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o empresário Daniel Vorcaro citam o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) em relação à transação envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o banco Master.

O documento com o conteúdo das conversas foi obtido pelo blog da Andréia Sadi e faz parte da nova fase da Operação Compliance Zero,deflagrada pela Polícia Federal (PF), que prendeu nesta quinta-feira (16) o ex-presidente do BRB.

PREPARAÇÃO – “O Governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas”, diz Paulo Henrique Costa nas mensagens.

Ao g1, o ex-governador Ibaneis disse que é “natural que o controlador tivesse informações sobre uma operação de compra de parte de um banco”. Sobre a necessidade de rebater críticas, Ibaneis afirmou que sabia que os opositores, “como de fato fizeram, iriam criticar a operação”.

Seus advogados declararam que “o ex-governador não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras, tendo assegurado plena autonomia decisória à área técnica do BRB”.

JÁ ESTÁ PRESO – Paulo Henrique Costa foi preso quinta-feira (16), em Brasília, em nova fase da Operação Compliance Zero. Ele será levado para um presídio da Papuda após passar por audiência de custódia O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o banco Master sem lastro — ou seja, sem garantias que sustentem seu valor.

Já Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março. Atualmente, ele está na Superintendência da PF em Brasília. Vorcaro é investigado por crimes financeiros, além de envolvimento em pagamentos indevidos a agentes públicos e na montagem de uma espécie de milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas.

As conversas também mostram um suposto acerto de corrupção entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, que recebeu do dono do Master seis imóveis de alto luxo em troca de facilitar os negócios entre os dois bancos.

ALINHAMENTO PESSOAL – O conteúdo das conversas, que inclui desde planos de carreira futuros até a escolha de materiais de construção, é apontado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como prova de que o executivo atuava como um “verdadeiro mandatário” de interesses privados dentro do banco público.

Em uma das conversas, Paulo Henrique agradece a Vorcaro pelo “alinhamento pessoal” e afirma estar “empolgado com o que vamos construir”.

Os diálogos também mostram que os imóveis de luxo não eram apenas investimentos abstratos, mas faziam parte de um “cronograma pessoal”.

VISITA AOS IMÓVEIS – Paulo Henrique enviou mensagens relatando visitas às propriedades em São Paulo acompanhado da esposa. Em um trecho, ele comenta que a esposa estava “meio cismada” com uma das unidades e pede para olhar outra para ter “parâmetro”.

Enquanto cobrava celeridade na entrega dos imóveis, Paulo Henrique tranquilizava o empresário sobre sua atuação no BRB, afirmando estar “focado na agenda que combinamos” e “tratando de carteira de outro lado”.

Em outro momento de pressão, Vorcaro questiona se ele ainda tinha interesse no negócio (deal), ao que o então presidente do banco responde: “Estou com vc. Continuo no deal mode. Estou virando noite e tentando resolver”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como diz José Perez, que nos enviou essa matéria do g1, não é possível entender por que o ex-governador Ibaneis Rocha ainda não foi preso na Operação Compliance Zero. Na verdade, Ibaneis é um dos personagens principais da corrupção, continua solto e está fazendo campanha para ser senador da República. Realmente, não dá para entender. (C.N.)

Provas da fraude na nomeação de Jorge Messias podem ser acessadas na internet

DOU - DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, SEÇÃO 1, DE 04/04/2007

Diário Oficial comprova as fraudes cometidas

Carlos Newton

No ano passado, a Tribuna da Internet decidiu adotar uma postura de atuação mais pró-ativa. Nessa linha, além de divulgar reportagens e artigos denunciando corrupção e outras práticas ilegais, passamos a enviar às autoridades alguns dossiês sobre assuntos de interesse nacional, para acelerar as devidas providências.

Assim, com o propósito de atender diretamente ao interesse público, em maio de 2025 protocolamos o envio de dossiês sobre o Banco Master à Comissão de Valores Mobiliários, ao Tribunal de Contas da União e ao Banco Central. Portanto, tomamos essa iniciativa seis meses antes de ser decretada a liquidação extrajudicial do Master e de outros bancos e financeiras do grupo controlado por Daniel Vorcaro.

CASO MESSIAS – Cinco meses depois, surge agora mais uma oportunidade de prestar esse tipo de serviço ao país, e vamos encaminhar aos senadores esta série de reportagens investigativas que começamos a publicar na segunda-feira, dia 20, com denúncias absolutamente exclusivas sobre atos criminosos cometidos por autoridades da República.  

Desta vez, dois dos envolvidos são figuras renomadas da política nacional – Guido Mantega e Dias Toffoli, que à época (2007/2008) eram ministros da Fazenda e da Advocacia-Geral da União (AGU).

Em Portaria Conjunta, a 6 de novembro de 2007, eles tiveram a ousadia de fraudar um concurso para Procuradores da Fazenda Nacional, para nomear dezenas de candidatos ligados ao PT que não tinham conseguido classificação. 

NÃO HÁ VAGAS – Segundo a Escola de Administração Fazendária (ESAF), que organizava os concursos públicos na área econômica, Jorge Messias teria chegado a ser aprovado em 2006, com apenas três anos de formado, sem experiência forense e sem títulos a exibir, mas não conseguiu ser nomeado, porque só havia 27 vagas e ele ficou na 86ª colocação.

Foi fácil comprovar que à época do concurso Messias realmente ainda nem advogava, porque seu currículo registra que, depois de concluir o curso de Direito em 2003, ainda ficou trabalhando até 2006 em Recife, como “técnico bancário” de dedicação exclusiva na Caixa Econômica Federal, simultaneamente a um emprego de gerente do Teatro Marrocos.

Mesmo assim, Mantega e Toffoli arranjaram uma maneira ilegal de nomeá-lo, junto com dezenas de advogados ligados ao PT que também não se classificaram. 

NOS CURRÍCULOS – Essas informações são inquestionáveis, porque estão registradas em quatro versões dos currículos de Messias, conforme suas próprias declarações no Lattes, no Escavador, na Wikipédia e no Portal da Transparência do governo federal.

O que mais espanta nessa audaciosa fraude é a certeza da impunidade que Mantega e Toffoli demonstraram, pois agiram como se fosse impossível a trapaça ser descoberta. Não tiveram preocupação em nomear dezenas de não-classificados, quando as escassas 27 vagas que existiam já tinham sido preenchidas.

Conforme constatamos no manuseio das provas, Jorge Rodrigo Araújo Messias foi nomeado Procurador da Fazenda em 6 de novembro de 2007 (publicação no Diário Oficial do dia 7, Seção 2), antes mesmo de começarem a ser corrigidas as provas finais de um novo concurso para o mesmo cargo, realizadas oito dias antes, em 28 de outubro, que teve milhares de inscritos.

E foi assim que o nome do futuro ministro do Supremo apareceu incluído na fraude da nomeação de dezenas de falsos classificados, que imediatamente tomaram posse, incluindo Jorge Messias.

FALSO PROCURADOR – O mais patético são os currículos que o futuro ministro do STF apresenta.  Uma das falsidades é  afirmar que em 2006-2007 era “Procurador do Banco Central do Brasil”, salientando: Vínculo: Servidor público, Enquadramento Funcional: Servidor Público Federal, Carga horária: 40, Regime: Dedicação exclusiva”. Mas como ser procurador do BC sem fazer concurso e obter classificação, para então ser nomeado?

Essa mesma informação falsa está divulgada em currículos diferentes, mas essa alegação de que ele  foi “procurador do Banco Central” é apenas mais um artimanha de Messias, que circula de carro blindado na Praça dos Três Poderes, aguardando ser nomeado para integrar o tribunal que deveria estar julgando suas ilegalidades.

Se ele mentiu nessas informações pontuais, que podem ser facilmente desmentidas por outros dados existentes nos próprios currículos que exibe, pode-se fazer uma ideia do volume de fantasias que ele está apresentando ao Senado na enorme lista de seus estudos jurídicos no Brasil e no exterior, com publicação de importantes ensaios, aulas magnas e tudo mais…

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P.S. – As provas da fraude são irrefutáveis e todas elas foram extraídas de documentos públicos, como Diário Oficial da União e editais da ESAF, além de sites como Portal da Transparência, Wikipédia, Currículo Lattes e Escavador. Estão acessíveis a qualquer pessoa que procure defender os interesses nacionais e a dignidade do serviço público. Se houver dificuldade de acesso, é porque as provas estão sendo hackeadas, mas fizemos cópias de todas elas.

P.S. 2 –  Agradecemos as informações do comentarista José Vidal, sempre atento, que nos fez corrigir algumas informações inexatas. Na matéria de amanhã, vamos publicar os diversos e graves crimes praticados por Mantega e Toffoli na nomeação fraudulenta de petistas, assim como as ilegalidades que Jorge Messias cometeu e continua cometendo no exercício ilegal do serviço público, antes de se tornar para sempre inatingível, como mais novo ministro da Suprema Corte. (C.N.)

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