segunda-feira, 13 de abril de 2026

 

Moraes precisa agradecer muito a Galípolo, que mentiu sobre ele ao depor na CPI

Galípolo nega ligações com Moraes e diz que encontros no STF foram  institucionais

Gabriel Galípolo mentiu na CPI “só um pouquinho assim”…

Carlos Newton

Foi constrangedor ver o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, ao depor quarta-feira, dia 8, perante a CPI do Crime Organizado, quando tentou a missão impossível de proteger a honra de Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, que já está mais do que desonrado.

Com a maior desfaçatez, o economista negou que tenha tratado com o STF sobre a liquidação do Banco Master, tema central das investigações da CPI. E os senadores, distraídos e despreparados, engoliram a farsa e não criticam a desfaçatez do depoente.

MEIA-VERDADE – Na CPI, o presidente do BC jurou dizer a verdade, mas mentiu, ao buscar criar o que seria uma meia-verdade muito mal engendrada.

Realmente, seria impossível ele ter tratado do assunto com o Supremo, até porque o STF é igual aos três macaquinhos – não fala, não ouve nem vê. É apenas um prédio, uma instituição, eternamente imóvel.

Ele mentiu, porque até as paredes do Senado sabem que Moraes procurou Galípolo diversas vezes para fazer pressão em favor do Master. Segundo a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, três dos contatos foram por telefone, mas pelo menos uma vez Moraes chamou Galípolo a seu gabinete no STF para conversar sobre os problemas de Daniel. Vorcaro.

SEIS LIGAÇÕES – David Friedlander e Eliane Cantanhêde, do Estadão, foram muito além e apuraram que Moraes chegou a ligar seis vezes para Galípolo, num só dia…

Apesar desse noticiário, o presidente do Banco Central alegou que as sanções norte-americanas a Moraes, com a Lei Magnitsky) geraram uma crise sistêmica que exigiu “reuniões institucionais”, mas negou que o caso do Master tenha sido abordado nesses encontros.

Ou seja, mesmo jurando dizer a verdade, repetindo o artigo 203 do Código de Processo Penal (“Prometo dizer a verdade, somente a verdade, sobre o que me for perguntado”), o presidente do BC mentiu ostensivamente.

VIROU CÚMPLICE – Ao confirmar a versão fajuta de Moraes, Galípolo demonstra uma cumplicidade altamente suspeita. Em 18 de dezembro, logo após a intervenção no Master, Galípolo tomou a inicialmente de dizer que havia sido pressionado a favor de Vorcaro e estava à disposição para prestar todos os esclarecimentos.

Os jornalistas gravaram sua afirmação: “Documentamos tudo. Cada uma das ações que foram feitas, cada uma das reuniões, cada uma das trocas de mensagens, cada uma das comunicações, tudo isso está devidamente documentado”.

Agora, ele muda a versão, dando um alívio ao amigo Moraes, que ainda tem esperança de colocar a culpa na própria mulher, para manter sua posição no Supremo. Mas é um alívio apenas passageiro.

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P.S.
 – Se as investigações da Polícia Federal se aprofundarem e o relator André Mendonça não vender a alma, Gabriel Galípolo e seu antecessor no BC, Roberto Campos Neto, podem ser incriminados juntos, porque está mais do que claro o acobertamento conseguido por Vorcaro junto à direção do BC e a pressão feita por Moraes para proteger o amigo fraudador, que enriqueceu ilicitamente a família do ainda ministro do Supremo. Podem aguardar, tudo depende da Polícia Federal(C.N.)

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