Com Alcolumbre presidindo, tudo pode acontecer no Senado, até mesmo nada…

Charge do Kácio (Metrópoles)
Roberto Nascimento
Estão fazendo muito barulho por nada. Como se sabe, o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alexandre Vieira, do MDB de Sergipe, em seu relatório pediu o indiciamento de três ministros do Supremo e do procurador-geral da República, e expôs suas razões. No entanto, o relatório foi rejeitado pelos senadores da CPI, por 6 a 4, portanto, seus efeitos na prática foram derrubados.
Mesmo assim, o decano do STF, ministro Gilmar Mendes, muito contrariado, decidiu pedir a abertura de um inquérito criminal contra o senador Alessandro Vieira e vai protocolar na Procuradoria-Geral da República para que se tome providência, embora o procurador Paulo Gonet é suspeito, porque foi um dos indiciados pelo relator.
TOFFOLI DE VOLTA – O ministro Dias Toffoli, muito calado nas últimas semanas, também se disse indignado e sugeriu votar a inelegibilidade do senador Alessandro Vieira, para impedi-lo de concorrer nas eleições de outubro.
Portanto, a guerra entre as duas Instituições da República escalou de maneira trágica. Até agora, os senadores da oposição, do centrão e os governistas não se manifestaram com firmeza em defesa de Alessandro Vieira. O
presidente do Senado, Davi Alcolumbre tem o dever de defender seus pares, afinal, os parlamentares não podem ser punidos por atos legislativos discursos e atuação nas Comissões Parlamentares de Inquérito.
INSEGURANÇA – Se os 81 senadores se omitirem na defesa de Alessandro Vieira nesse contra-ataque de ministros do STF, nenhum parlamentar terá segurança de atuar na defesa de seus mandatos, conferidos pelo voto popular, o que os torna democraticamente inatingíveis.
Sem conferir qualquer juízo de valor acerca da decisão do relator da CPI, entendo que indiciar três ministros do STF e o procurador-geral no âmbito da CPI do Crime Organizado foi uma decisão arriscada, no mínimo.
Há um dispositivo na Constituição, o Impeachment de ministros do STF, que é o mais adequado para essa situação defendida pelo senador na CPI, mas, para ir ao plenário para votação dos 81 senadores, tem que ser pautado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
NO ANO QUE VEM – Nesse caso, o presidente do Senado já declarou que não abrirá nenhum processo de impeachment nessa legislatura. Com Alcolumbre à frente da Mesa Diretora, tudo pode acontecer, até mesmo nada.
Talvez no ano que vem, 2027, com a eleição de um novo presidente do Senado, o quadro fique diferente? Mas acontece que Alcolumbre poderá se candidatar novamente, por se tratar de uma nova legislatura.
Alessandro Vieria se adiantou e já pediu o arquivamento da decisão de Gilmar Mendes, com base na jurisprudência do próprio Supremo. Portanto, pode ser que nada aconteça. Depois é o futuro, que a Deus pertence, como dizia o ministro Armando Falcão, durante a ditadura, para se livrar do assédio da imprensa.
Paulo Guedes critica rumos da economia e afirma que a classe média está sendo esmagada

Guedes diz ter ‘zero chance’ de entrar na política
Ana Flávia Pilar
O Globo
O ex-ministro da Economia Paulo Guedes criticou nesta sexta-feira a condução da política econômica no país. Para ele, o afrouxamento fiscal está pressionando a inflação, o que impede a adoção de taxas de juros menores.
Guedes também afirmou que não pretende retornar à política, mas vê a direita como favorita para vencer as eleições presidenciais de 2026 no Brasil, sem mencionar o nome do senador e candidato Flávio Bolsonaro (PL). A declaração foi feita durante participação no Corban360, evento realizado em São Paulo (SP). “Tenho a menor chance de entrar em política. Zero chance”, afirmou.
“POSTO IPIRANGA” – Segundo o colunista do O Globo Flávio Graner, a campanha de Flávio Bolsonaro não considera adotar a estratégia de um porta-voz econômico nos moldes de Guedes, que ficou conhecido como o “Posto Ipiranga” do pai, Jair Bolsonaro, em 2018.
Em relação ao cenário internacional, Guedes disse que o Ocidente vive uma revisão de postura, com a geopolítica ganhando peso no debate público. Segundo ele, temas como rearmamento e controle migratório se tornaram mais relevantes para os eleitores.
CLASSE MÉDIA – Para o economista, esse movimento é uma consequência direta da insatisfação com o desempenho das democracias ocidentais, especialmente entre a classe média, pressionado pelo baixo crescimento e pela comparação com países como a China.
“Nós estamos querendo conversar sobre migração. Nós estamos querendo conversar sobre armamento, armas, para nos defender […] A classe média está sendo esmagada. A gente vê os ricos estando bem, a classe média sendo amassada. Esse sistema não está bom”. Por fim, avaliou que conflitos internacionais, como a tensão entre Estados Unidos e Irã, estão longe de uma solução rápida e devem se arrastar por anos.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – De repente, eis que ressurge o Paulo Guedes, aquele ministro da Economia que acreditava tanto no próprio trabalho que preferia deixar sua fortuna no exterior, e aqui no Brasil fugia da intimação da Polícia Federal para deepor sobre suas estranhas aplicações financeiras. Ele investia rccursos de fundos de pensão em benefício próprio a sua corretora e a Justiça queria ouvir suas explicações, mas ele vivia se esquivando. Estava sumido, certamente contando o vil metal, como dizia Belchior. Mas reapareceu, animado com o crescimento de Flávio Bolsonaro, naquele oportunismo de sempre. (C.N.).
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