quinta-feira, 26 de março de 2026

 

Promiscuidade indica que delação de Vorcaro poderá se tornar uma farsa brutal

Moraes e PF antecipam conclusão ao atrelar atentado ao 8/1 - 17/11/2024 - Poder - Folha

Andrei (investigador) e Moraes (investigado) na mesma mesa

 

Carlos Newton

A colaboração premiada, prevista na Lei 12.850/2013, nasceu como instrumento de revelação da verdade. Mas não foi isso que ocorreu na operação Lava Jato. Foi  anulada uma quantidade enorme de delações e os colaboradores passaram a gozar de impunidade junto com os delatados. No final do filme, todos escaparam.

José Luís Oliveira Lima, o experiente advogado de Daniel Vorcaro. conhece bem essa realidade, pois coordenou a delação de Leo Pinheiro, que comandava a OAS. O empreiteiro delatou nada menos que Lula, mas anos depois confessou que era tudo mentira.

TOFFOLI, TAMBÉM – O mesmo empreiteiro Léo Pinheiro já havia delatado o Ministro Dias Toffoli e deve ter se retratado nisso também, porque não gerou investigação alguma.

Agora. Vorcaro promete delatar prefeitos, governadores, deputados, senadores, dirigentes do Banco Central, e provavelmente vai entregar até seus sócios e secretárias. O difícil mesmo será vermos Vorcaro delatar ministros do Supremo Tribunal Federal perante o procurador-geral da República e o diretor da Polícia Federal.

Em recente festividade, na comemoração do aniversário do ministro aposentado Luís Roberto Barroso, em sua residência, em Brasília, lá estavam Alexandre de Moraes e o diretor da Polícia Federal, Andrei Rodrigues,  na mesma mesa, junto com o deputado Hugo Motta e o senador Rodrigo Pacheco, como se o ministro do STF não tivesse relação alguma com as investigações em curso pela PF. 

MINISTROS INTOCÁVEIS – Não é fácil realmente o papel do advogado de Vorcaro. Melhor delatar o Congresso Nacional inteiro e deixar ministros do STF de fora. A delação garante o direito de retomar para casa e uma substancial redução da pena.

Provavelmente nenhuma autoridade estará preocupada com questões patrimoniais secundárias, como a devolução dos recursos desviados. Dirão que é um problema cível, enquanto a delação seria apenas criminal.

O fato concreto é que não se pode descartar que Vorcaro ainda saia bilionário desse imbróglio. E quem sabe tenha participação em direitos na venda de informação para produzir alguma série para a Netflix, onde as festas, orgias, sexo, drogas e rock and roll farão muito sucesso.

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P.S.
  – Sinceramente, Luís Roberto Barroso prestou um tremendo desserviço ao país. Como se atreveu a convidar para a mesma festa o investigador e o investigado? Por que colocá-los na mesma mesa? Essa promiscuidade é altamente lamentável e perigosa, pois demonstra que a delação de Vorcaro pode ser uma farsa monumental. O festivo episódio indica que as autoridades carecem de dignidade, de dedicação à lei e de respeito ao interesse público. É única leitura que se pode fazer desse tipo de episódio. (C.N.

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