sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

 

Mídia: China usa tarifas de Trump para acelerar acordos e ampliar sua influência no comércio global

O então presidente americano, Donald Trump, e o presidente chinês, Xi Jinping, durante encontro (foto de arquivo) - Sputnik Brasil, 1920, 19.02.2026
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A China vê nas tarifas de Donald Trump uma chance de redesenhar o comércio global, acelerando acordos com grandes blocos econômicos para reduzir sua dependência dos EUA e ampliar sua influência, enquanto se apresenta como defensora do multilateralismo diante do avanço do protecionismo americano.
incerteza criada pela política tarifária de Washington abriu espaço para Pequim acelerar negociações comerciais com grandes blocos econômicos e ampliar sua integração internacional, vendo na iniciativa norte-americana uma oportunidade estratégica para remodelar o comércio global.
Segundo análise da Reuters, o governo chinês intensifica esforços para concluir cerca de 20 acordos comerciais, muitos parados há anos, apesar das críticas sobre superprodução, barreiras de mercado e demanda interna fraca. Documentos e artigos de especialistas ligados ao Estado mostram um plano sistemático para compreender e neutralizar a estratégia de contenção dos EUA.
Esse movimento já começou a se materializar. O acordo firmado com o Canadáreduzindo tarifas sobre veículos elétricos chineses, é visto como o primeiro passo de uma ofensiva diplomática destinada a enfraquecer a influência norte-americana. Para autoridades chinesas, a política comercial de Trump representa um erro estratégico que não deve ser interrompido.
Uma revisão de milhares de documentos de instituições como a Academia Chinesa de Ciências Sociais indica que formuladores de políticas aceitam mudanças estruturais difíceis como preço necessário para garantir a dominância chinesa no comércio global. Se bem-sucedida, a estratégia pode reverter mais de uma década de política comercial dos EUA.
Bandeiras dos Estados Unidos e da China exibidas em um riquixá em Pequim em 16 de setembro de 2018. - Sputnik Brasil, 1920, 19.02.2026
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Enquanto Trump endurece o discurso contra a globalização, a China se apresenta como defensora do multilateralismo. Diplomatas chineses percorrem o mundo buscando apoio, oferecendo cooperação a países africanos, sistemas alfandegários baseados em inteligência artificial (IA) e iniciativas para reforçar a infraestrutura digital do comércio internacional.
Os documentos de política emitidos por Pequim destacam o objetivo central de integrar a China tão profundamente nas cadeias globais que parceiros não possam se desvincular, mesmo sob pressão dos EUA. Para isso, o gigante asiático tem acelerado negociações com países da América Latina, Europa e Ásia, além de reativar diálogos com parceiros tradicionais.
De acordo com a apuração, a diplomacia chinesa também surpreendeu ao propor novos acordos à União Europeia (UE), ao Conselho de Cooperação do Golfo e ao Reino Unido. Paralelamente, a China tenta avançar na adesão ao Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica (CPTPP, na sigla em inglês), embora seu grande superávit comercial gere resistência entre membros preocupados com a entrada de produtos chineses de baixo custo.
Apesar do ceticismo de alguns diplomatas ocidentais, assessores chineses permanecem confiantes, lembrando que a China e a UE chegaram a concluir um acordo de investimentos em 2020, ainda que congelado posteriormente.

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