Irã realiza novo exercício militar no Estreito de Ormuz na véspera de negociações nucleares com os EUA
Exercício da Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar mais forte do regime Khamenei, ocorre um dia antes de encontro entre negociadores iranianos e norte-americanos em Genebra, na Suíça, marcado para terça (17).
Por Redação g1
A Guarda Revolucionária do Irã iniciou novos exercícios militares no Estreito de Ormuz nesta segunda-feira (16), segundo a agência de notícias iraniana Tasnim, na véspera da retomada das negociações nucleares com os Estados Unidos. A Marinha da Guarda Revolucionária iraniana afirmou em comunicado que os exercícios no Estreito de Ormuz têm como objetivo testar a prontidão diante de "possíveis ameaças de segurança e militares", segundo a Tasnim.
Os EUA e o Irã estão em negociações para limitar o programa nuclear iraniano em meio a uma escalada de tensões e militar protagonizada pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que ameaça atacar o país do Oriente Médio caso as negociações fracassem. Negociadores dos dois países vão se encontrar em Genebra, na Suíça, na terça-feira (17) para retomar as tratativas.
Esta é a segunda vez que a Guarda Revolucionária Islâmica, braço militar mais forte do regime Khamenei, realiza exercícios militares no Estreito de Ormuz na atual escalada de tensões com os EUA. Exercícios militares no estreito tendem a escalar ainda mais as tensões porque a região é considerada sensível por conta dos 30% do volume mundial de petróleo que passam por ali.
De fato, exercícios anteriores da Guarda Revolucionária iraniana, realizados entre o final de janeiro e início de fevereiro, escalaram ainda mais as tensões com os EUA, que mantém dezenas de navios de guerra posicionados na região para um eventual ataque ao Irã. Os militares iranianos testaram a reação norte-americana em dois incidentes separados:
- em um deles, um drone Shahed-139 foi abatido próximo ao porta-aviões USS Abraham Lincoln;
- em outro, dois barcos iranianos tentaram interceptar um petroleiro dos EUA, mas foram repelidos.
Negociações EUA-Irã
A primeira rodada de negociações entre os EUA e do Irã ocorreu no Omã no dia 6 de fevereiro. O chanceler iraniano, Abbas Araqchi, disse que o encontro teve uma "atmosfera muito positiva". Agora, negociadores dos dois países se reúnem novamente nesta terça-feira.
No entanto, as posições dos EUA e do Irã ainda possuem grandes diferenças: enquanto Washington exige de Teerã extinguir os programas nuclear e de mísseis e parar de apoiar grupos armados da região, o regime Khamenei afirma que negociará apenas seu programa nuclear.

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