Piada do Ano! Lula e o PT tentam “derrubar” a CPI do Banco Master

Charge reproduzida do Arquivo Google)
Carlos Newton
Quando a gente pensa que já viu tudo em matéria de tentativas de salvar o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, sempre aparece alguma novidade. Desta vez é a notícia de que o presidente Lula da Silva e o PT estão entrando para valer no escândalo do Banco Master e pretendem fazer o possível e o impossível para evitar a criação da CPI no Congresso.
Mas a jornalista Roseann Kennedy, do Estadão, informa que um dos articuladores da CPI, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ) garante que o número de assinaturas cresceu nos últimos dias.
APOIO SUFICIENTE – Até sexta-feira, dia 9, já havia adesão de 208 deputados e 37 senadores. Ou seja, número suficiente para garantir a instalação, que cumpre a exigência regimental de existir “fato determinado”.
O mais interessante é que os lulistas, como diz Dilma Rousseff, estão fazendo o diabo para boicotar a convocação. Até agora, segundo o deputado Carlos Jordy, nenhum petista assinou a CPI e apenas três integrantes da base aliada apoiam a convocação – Tabata Amaral (PSB-SP), Duarte Junior (PSB-MA) e Marcos Tavares (PDT-RJ).
Desde o início do escândalo, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), deixou claro que tentará evitar a formação dessa CPI. Mas ele tem um inimigo poderoso – Alessandro Vieira (MDB-SE), o senador mais respeitado da atual legislatura, ex-delegado de polícia e que também está colhendo assinaturas.
CHEGOU A HORA – Ao anunciar que buscaria apoio durante o recesso para formar a CPI, Alessandro Vieira se mostrou indignado com os rumos da crise do Banco Master e com a chamada “ditadura do Judiciário”, e desabafou: “Está na hora de ministro de tribunal superior ir para a prisão”.
Nesse clima de ressurreição do combate à corrupção, a Piada do Ano é a posição do Planalto. Sabe-se que Lula e os principais dirigentes de seu partido têm uma certa dificuldade de desenvolver raciocínios. Mesmo assim, causa espanto a estratégia adotada, de torpedear a qualquer custo a formação da CPI do Master.
O mais ridículo é a justificativa do Planalto. Segundo a jornalista Roseann Kennedy, Lula vai alegar que falta “viabilidade pragmática” para o funcionamento da comissão, pelo provável esvaziamento do Congresso no ano eleitoral. Realmente, uma piada da melhor qualidade.
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P.S. – O silêncio de Lula e do PT sobre o caso Master é significativo, O máximo que o eterno presidente petista fez até agora foi pedir a seu ministro-marqueteiro para dizer que acompanha o caso do Master com preocupação. Aliás, Lula deve se preocupar muito, porque o escândalo vai influir na eleição, com toda certeza. (C.N.)
Com recorde de R$ 61 bilhões, emendas ampliam controle do Congresso sobre Orçamento
Charge do Nani (Nani Humor)
Yago Godoy
O Globo
A fatia recorde de R$ 61 bilhões destinada para emendas parlamentares este ano mantém a tendência de alta nos recursos para essa finalidade e amplia o controle orçamentário por parte dos deputados e senadores, além de perpetuar a distância do Brasil para governos com boas práticas na área, como é o caso de países membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
O Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2026, aprovado pelo Congresso Nacional no fim de dezembro, precisa ser sancionado até o dia 14. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva avalia vetar cerca de R$ 11 bilhões em emendas, conforme o ministro da Casa Civil, Rui Costa.
DÍVIDA PÚBLICA – No orçamento total previsto de R$ 6,5 trilhões, a maior parte está destinada ao manejo da dívida pública. Do montante, R$ 2,3 trilhões (90,7%) são despesas obrigatórias, como pagamento de pessoal e benefícios previdenciários, e R$ 243,1 bilhões estão alocados para gastos discricionários decididos pelo governo, como obras e emendas — estas representam cerca de 25% da verba livre, mesmo percentual do ano passado, quando o valor reservado foi de R$ 59,5 bilhões.
Um estudo produzido por Marcos Mendes, pesquisador associado em políticas públicas do Insper, e Hélio Tollini, economista e ex-secretário do Orçamento Federal, mostra que tal ingerência não é vista em outros países da OCDE. Nesses locais, as emendas são raras e, quando existem, têm impacto mínimo, sem adicionarem novas despesas ao orçamento.
LIMITAÇÃO – Nos Estados Unidos, apesar de o Congresso ter autonomia para refazer o orçamento inicial enviado pelo Executivo, o sistema político bipartidário faz com que os interesses presidenciais sejam mais representados. Mesmo assim, a verba de interesse individual dos parlamentares está limitada a somente 1% da despesa discricionária.
Já em locais como Espanha, França e Itália, as emendas — que também representam cerca de 1% do gasto livre em cada país — não podem aumentar a despesa total prevista no orçamento, e são focadas apenas na realocação de determinados gastos.
Entre os italianos, por exemplo, as propostas devem ser “financeiramente neutras”, ou seja, já serem acompanhadas de medidas de redução de despesas ou aumento de receita, como também acontece na Coreia do Sul e na Alemanha.
RESERVA PRÉVIA – “Algo muito importante, totalmente diferente no Brasil, é o fato de aqui se reservar previamente uma verba para os parlamentares. Isso faz com que eles não tenham o custo político de dizer o que vão cortar para colocar as emendas. Na maioria desses países, exceto os Estados Unidos, a função do Parlamento é avaliar o orçamento feito pelo Executivo”, explica Mendes.
O pesquisador afirma que tamanho controle pulveriza os recursos, que deixam de seguir estratégias técnicas nos investimentos realizados. Com isso, a qualidade das políticas públicas coordenadas entre entre União, estados e municípios é prejudicada, defende Mendes.
No Chile, por outro lado, os parlamentares só podem utilizar as emendas para reduzir ou rejeitar unilateralmente qualquer despesa apresentada pela Presidência. As tentativas de ter influência no orçamento podem ocorrer por meio de acordos com o Ministério das Finanças e negociações com o Executivo
EMENDAS PRÓPRIAS – Ainda entre membros da OCDE, parlamentares de países como Canadá e Austrália não têm emendas próprias, sendo limitados apenas a questionamentos e recomendações. No México, as negociações para emendas, entre 1% e 5% da despesa livre, são conduzidas por comissões ou representações partidárias, em vez de ser por ações individuais.
Tollini pondera que existe uma diferença quando se fala em emendas no Brasil e no exterior. Enquanto aqui elas têm um caráter “paroquial”, levando o dinheiro para a cidade do parlamentar, a discussão em outros países é voltada para políticas públicas mais amplas. Na Alemanha, onde o controle parlamentar é maior — cerca de 9% da verba discricionária —, as emendas reduziram, em vez de aumentar, as dotações de despesas dos últimos anos.
“O que resulta dessas emendas aqui (no Brasil) é uma soma de desejos individuais, de acordo com as prioridades que estão na cabeça de cada parlamentar, com o mundinho político deles. Acabamos ficando sem dinheiro para políticas públicas que são estudadas, pensadas e construídas para o país”, critica o especialista. “É lamentável”.
NEGOCIAÇÕES – Pesquisador associado da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) e gestor do portal Central das Emendas, Bruno Bondarovsky lembra que, dos R$ 61 bilhões previstos para emendas, R$ 11,1 bilhões foram inseridos por emendas de bancada e de comissão nas despesas dos ministérios, ficando sob controle do governo. O Executivo não tem obrigação de executar esses recursos, mas eles costumam ser utilizados em negociações políticas.
“O espaço das emendas de comissão não foi suficiente para acomodar essa negociação do governo com o Congresso, criando um espaço extra dentro dos ministérios”, diz Bondarovsky.” Acho muito importante que o Parlamento interfira no orçamento, mas neste modelo eles fazem o que quiserem com as despesas”.
ENGESSAMENTO – Gerente de pesquisa da Transparência Internacional Brasil e especializado em combate à corrupção, Guilherme France destaca que o calendário de pagamentos implementado neste ano “agrava e engessa” ainda mais o processo de execução orçamentária. Para 2026, pela primeira vez, os parlamentares determinaram que o governo deve pagar 65% das emendas até o final do primeiro semestre, antes das eleições.
“Por um lado, isso busca precificar e garantir a interferência desses recursos no processo eleitoral. Por outro, limita a capacidade de fazer uma avaliação qualitativa sobre as emendas que estão sendo apresentadas. Como se estabelece um cronograma quando, em tese, quase todas essas emendas têm que passar por um processo de aprovação e validação para entender se estão adequadas?”, questiona France.
ATIVO PARA A REELEIÇÃO – Segundo o pesquisador, o aumento dos recursos no ano em que a Câmara será renovada potencializa a votação dos atuais parlamentares e “suprime a concorrência” nos locais que mais receberam recursos. Em 2024, um levantamento do O Globo mostrou que 93,7% dos prefeitos que tentaram a reeleição venceram o pleito nos 178 municípios indicados pela Controladoria-Geral da União (CGU) como principais destinos de emendas individuais.
France também ressalta que, embora haja diferença da condição brasileira para países da OCDE, o país não vive um “problema isolado” quando comparado a governos do Sul Global. Para a Transparência Internacional, os gastos com despesas discricionárias — ou Constituency Development Funds (CDFs), como são conhecidas — são frequentemente associados a altos riscos de corrupção e usados para fins políticos, como é o caso das Filipinas, da Índia e de países da África.
“A aprovação de um orçamento com mais de R$ 60 bilhões aumenta ainda mais nossa preocupação com os efeitos que isso tem gerado. A gente tem que lembrar que o Congresso ainda é majoritariamente masculino, branco e heterossexual e, quando temos esse mesmo grupo se reproduzindo no poder, temos um cenário de perpetuação desse controle”, completa France.
Empresas da família de Toffoli têm envolvimento com fundos do Master

Charge do Duke (Itatiaia)
Lucas Marchesini e José Marques
Folha
Duas empresas ligadas a parentes do ministro Dias Toffoli, do STF (Supremo Tribunal Federal), tiveram como sócio um fundo de investimentos conectado à teia usada pelo Banco Master em fraudes investigadas por autoridades, de acordo com documentos e dados oficiais analisados pela Folha.
O Arleen Fundo de Investimentos teve, ao menos até maio de 2025, ações da Tayayá Administração e Participações, responsável por um resort em Ribeirão Claro (PR) que pertencia em parte à família de Toffoli, e também participação direta na DGEP Empreendimentos, incorporadora imobiliária da mesma cidade que tinha como um de seus sócios um primo do ministro.
CADEIA DE FUNDOS – A conexão com o caso Master se dá por uma cadeia de fundos. O Arleen foi um dos cotistas do RWM Plus, que por sua vez também recebeu investimentos de fundos ligados ao Maia 95, um dos seis apontados pelo Banco Central como integrantes da teia de fraudes do banco de Daniel Vorcaro. O fundo Arleen em si não é alvo de investigação.
O Arleen e todos os demais fundos da teia têm como administradora a Reag, que administrava também fundos ligados a Vorcaro e é investigada na operação Carbono Oculto, por suspeita de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital).
A Folha procurou a assessoria do STF e perguntou se Dias Toffoli tinha conhecimento dessas conexões e se ele considera que as informações criam algum empecilho para a condução do caso, mas o ministro não respondeu até a publicação desta reportagem. Parentes do ministro também não se manifestaram. A Reag não comentou o caso.
DEFESA DE VORCARO – Em nota enviada após a publicação da reportagem, a defesa de Vorcaro negou qualquer irregularidade ou envolvimento do Master com fraudes, fundos ilícitos ou operações destinadas a beneficiar terceiros.
Disse que a reportagem estabelece “conexões inexistentes e distorce fatos ao sugerir vínculo entre o banco, seus executivos e investimentos mencionados”.
“O banco nunca foi gestor, administrador ou cotista dos referidos fundos”, declarou a defesa, que disse ainda seguir colaborando integralmente com as autoridades.
SOB ENCOMENDA – Com apenas um cotista, o Arleen foi encerrado no fim do ano passado. De acordo com balanço de maio de 2025, o fundo tinha apenas quatro investimentos: em duas empresas ligadas à família Toffoli (Tayayá e DGEP), em uma holding que não aparece em bases de dados oficiais, e no RWM Plus.
De acordo com investigadores, uma cadeia de fundos administrados pela Reag era usada para desviar dinheiro emprestado pelo Master, com a cumplicidade do banco. Isso acontecia por meio da aplicação dos recursos desses empréstimos.
A partir daí, o dinheiro transitava por uma teia de fundos comprando ativos podres que serviam para inflar artificialmente o valor de ativos, entre outras operações ilegais.
TOFFOLI EM CENA – O resort Tayayá foi inaugurado em 2008 e teve participações acionárias de diversos integrantes da família Toffoli nos últimos anos.
O empreendimento fica às margens do rio Itararé, que separa o Paraná de São Paulo. O hotel tem 4 estrelas e 58 mil metros quadrados.
Em 2017, o ministro recebeu uma homenagem da Câmara de Vereadores local por ter “colaborado para o desenvolvimento e incremento turístico do Município de Ribeirão Claro, notadamente por meio do apoio decisivo na implantação da empresa Tayayá Aquaparque Hotel e Resort”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Importantíssima a matéria enviada por José Perez. Como se vê, o ministro Toffoli não tem nenhum interesse em defender o Banco Master e o banqueiro Daniel Vorcaro. É tudo em nome da Justiça… (C.N.)
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