quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

T. DA INTERNET

 

Teoria de Olavo de Carvalho explica ascensão da China como potência capitalista e socialista

O que nos impede de usar o que há de melhor no capitalismo e no comunismo? - Flávio ChavesMário Assis Causanilhas

Na parte final de seu estudo, o antropólogo Flávio Gordon explica como o filósofo Olavo de Carvalho insere a China como peça fundamental da Nova Ordem Mundial, na qual o grande capitalismo se utiliza das práticas socialistas para garantir a supremacia do capital nas relações sociais, políticas e trabalhistas.

###
ENTENDA POR QUE BILIONÁRIO CAPITALISTAS INVESTEM EM TESES ESQUEDISTAS

Flávio Gordon          Gazeta do Povo

Ora, se o objetivo já não é apenas o de enriquecer, mas o de dominar o Estado, e, mais amplamente, as consciências, qual modelo de regime político levou esse domínio às raias da perfeição, desenvolvendo uma tecnologia de controle da sociedade e do indivíduo jamais vista em outros contextos históricos? O modelo socialista, por óbvio.

E é também óbvio que os metacapitalistas (bilionários capitalistas que financiam a nova esquerda) só apoiam medidas socializantes por saberem que, em termos estritamente econômicos, um regime socialista pleno é uma impossibilidade lógica e prática. Sabem disso, aliás, como a Nomenklatura bolchevique sempre soube, ao menos desde que Lenin lançou a Nova Política Econômica.

ECONOMIA DE MERCADO – A estatização completa da economia é inviável, e, para se manter de pé, todo governo de tipo socialista precisa tolerar algum grau de economia de mercado, ainda que de maneira clandestina (ver, sobre isso, “USSR: The Corrupt Society – The Secret World of Soviet Capitalism, de Konstantin Simis”).

É precisamente esse misto de economia capitalista e governo socialista que tem fundamentado a nova ordem mundial surgida com o fim da Guerra Fria. Numa espécie de acordo tácito com os comunistas, os metacapitalistas do Ocidente chegaram à conclusão de que seria preciso criar alguma forma de síntese entre o dinamismo econômico do capitalismo liberal e a eficiente tecnologia de controle social e imposição de consenso manejada pelos regimes socialistas.

EXEMPLO DA CHINA – Não é à toa que, como protótipo dessa síntese, a China esteja se alçando à posição de potência hegemônica na ordem mundial contemporânea.

Com a tolerância, quando não mesmo o endosso, dos metacapitalistas. Como sugeriu o intelectual chinês Di Dongsheng, que mencionei em artigo anterior, Pequim sempre exerceu forte influência sobre Wall Street, e voltará a exercer a partir da posse de Joe Biden.

E, muito embora tudo isso ainda soe inconcebível para a maioria das pessoas (a exemplo dos meus amigos liberais), a verdade é aquela que, há 100 anos, escreveu o grande romancista britânico H. G. Wells (um notório socialdemocrata): “O grande negócio não é, de forma alguma, antipático ao comunismo. Quanto mais cresce, mais se aproxima do coletivismo”. Bingo!

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Trata-se de enésima versão da teoria conspiratória mais conhecida – a Nova Ordem Mundial. Como suas antigas previsões – iniciadas séculos atrás – jamais se concretizaram, os teoristas foram providenciando alterações através dos tempos. As mais recentes fizeram um contorcionismo danado para incluir a China. Até então, quando me falavam da tal Nova Ordem, eu perguntava, lembrando Garrincha: “Já combinaram com os russos e chineses?”. E isso desmontava qualquer teoria. Mas agora deram um jeito de incluir a China, para dar mais lógica.

Mas a teoria do terraplanista Olavo de Carvalho  começa com uma falsa premissa. A de que bilionários capitalistas financiam as esquerdas para se livrarem da submissão ao mercado. O que acontece é que os grandes empresários são pessoas preparadas e de visão ampla. Chegam ao final da vida, sentados sobre aquela montanha de dinheiro e têm a consciência pesada de nada terem feito para melhorar o mundo. Por isso, as fundações investem em teses de esquerda, porque são mais humanitárias. É uma forma de aliviar um pouco a consciência, apenas isso, como acontecia antigamente, quando os velhos ricos doavam seus bens à Igreja, tentando comprar o perdão divino.

Quanto à China, não é protótipo de nada. Tem de ser uma ditadura sangrenta, porque é formada por várias nações que se odeiam, como na antiga União Soviética. São países e povos que têm tradições, línguas, hábitos e religiões diferentes. Se houver democracia, a China se desmembra em várias nações. Ela só cresceu assim, aceleradamente, porque aceitou acolher as indústrias poluidoras proibidas em seus países de origem e que lá foram remontadas. O famoso Rio Amarelo mudou de cor e não é mais perene, Morrem cerca de 20 milhões de pessoa/ano, por causa da poluição, mas o Comitê Central do Partido Comunistas não está nem aí.

O Brasil agravou a atual crise por causa dessa teoria maluca. O terraplanista Olavo de Carvalho tentou inoculá-la na cabeça de Bolsonaro, dos filhos, do chanceler Ernesto Araújo etc., e foi um desastre. Queimou os neurônios deles, que hoje estão em outra galáxia, todos são novos normais, completamente baratinados.

O vice Hamilton Mourão e os generais do Planalto escaparam por enquanto, porque tinham sido vacinados previamente na Escola Superior de Guerra. Mas a teoria é contagiosa e alguns militares já apresentam sintomas. É aí que mora o perigo, sem novidades no front ocidental. (C.N.) 

Um poema em homenagem póstuma a Vilanova Artigas, um arquiteto verdadeiramente genial

Gastão homenageou o genial Artigas

Paulo Peres

Site Poemas & Canções

O designer gráfico, editor, professor, advogado, jornalista, contista e poeta pernambucano Gastão de Holanda (1919-1997) escreveu este poema após visitar o Edifício da FAU USP “Faculdade de Arquitetura de São Paulo”, em 1977, prestando uma homenagem póstuma ao arquiteto Vilanova Artigas, que projetou o prédio da instituição e foi um de seus criadores e professores.

FACULDADE DE ARQUITETURA DE SÃO PAULO
Gastão de Holanda

O arquiteto abrange o espaço com seus braços
e que se esculpe nesse espaço?
Ubiquidade, instrumentos
de música,
o auto-retrato do arquiteto: olhos, língua,
testa,
a serena contemplação de um claro
organizado
lugar de encontros.

A laje pulsa.
A mão risca a proporção do homem,
decalca o pensamento, o andar, o ir-e-vir
cotidiano e diz:
– Podeis trabalhar tranquilos: aqui é o Teto do povo.

O voo existe antes do espaço desenhado.
A alma do arquiteto recortada pelo espectro da
coluna
vigia nossos passos
e o gesto em flor
é uma opção bifurcada em artérias.

O sangue do arquiteto está coagulado ali,
sepulto e vivo nas veias do ferro,
na carne do cimento
semente diluída no voo
de estudantes/abelhas, no mel e na medida do tempo.

Tempo? ou luz que tudo enlaça?
Que diferença há entre o edifício e a árvore?
Entre a árvore e esse homem debruçado?
Entre esse homem e seu edifício vivo?
O seu fazer alcança teto e galho.
Viaja o quintal das plataformas e colhe
na Primavera, o fruto de um desígnio,
o capricho do vivo silêncio
que amadurece as formas
antigas
Artigas.

Bolsonaro imitou Lula, traiu seus eleitores e se aliou aos maiores corruptos deste pais

TRIBUNA DA INTERNET | Estratégia vitoriosa de Bolsonaro só está valendo para o primeiro turno

Charge do Thomate (Arquivo Google)

Carlos Newton

A situação do país está cada vez mais clara. Pode-se até conceder a Jair Bolsonaro o benefício da dúvida, alegando que talvez o novo presidente pretendesse agir de outra forma e apoiar o movimento contra a corrupção, à época liderado pelo juiz federal Sérgio Moro, cujo trabalho era reconhecido internacionalmente, tendo sido transformado numa das mais importantes personalidade do mundo.

É possível acreditar nisso, julgar que Bolsonaro realmente pretendia atender a seus eleitores e passar o país a limpo, após a trágica experiência do PT, um partido sem quadros, que incentivou a corrupção e entregou o comando da economia a um médico sanitarista sem a necessária capacitação.

A SURPRESA DA RACHADINHA – No entanto, antes mesmo de assumir, o novo presidente Bolsonaro foi surpreendido por um ponto fora da curva. Um poderoso órgão federal, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia flagrado grande número de deputados estaduais da Assembleia do Rio em lavagem de dinheiro, e um deles era seu filho Flávio. E pior, fora incentivado a essa forma de enriquecimento ilícito pelo próprio pai.

Foi assim que saiu de cena o presidente anticorrupção e surgiu em cena uma nova versão de Bolsonaro, que entusiasticamente aceitou o suposto “pacto de governabilidade” proposto em maio de 2019 pelo presidente do Supremo, Dias Tofolli, com apoio dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre, ambos interessadíssimos em abafar o movimento da Lava Jato.

Em consequência, o ministro da Justiça, Sérgio Moro, ficou sozinho e teve de assistir seu projeto de medidas contra o crime ser transformado num pacote a favor da impunidade da corrupção, que incluiu a Lei do Abuso de Autoridade, para amordaçar juiz, membros do ministério Público e delegados.

LIBEROU GERAL – O Supremo também cumpriu sua parte no “pacto” e aprovou a prisão somente após condenação na quarta instância, levando o Brasil a ser o único país da ONU a garantir a impunidade nesse nível absurdo. E assim foram colocados em liberdade muitos criminosos condenados por corrupção, como Lula da Silva, José Dirceu, Eduardo Cunha e muitos outros.

Na verdade, insuflado por Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, o Supremo desfechou uma verdadeira guerra contra a Lava Jato e também tirou da Justiça Criminal o Caixa Dois, que virou irregularidade meramente eleitoral, vejam a que ponto chegamos.

Hoje, a Lava Jato, os procuradores e o ex-juiz Moro são atacados diariamente na mídia e na internet por representantes dos três Poderes que nesse sentido continuam “pactuados”. Há algo de errado, evidentemente, mas é isso que está acontecendo, como se o país estivesse de cabeça para baixo.

TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – O presidente Bolsonaro preferiu trair seus eleitores e proteger os filhos, que seguiram seu exemplo rachadista para enriquecerem ilicitamente.

Resultado: o país está sem comando. Rompido com o vice-presidente Hamilton Mourão sem o menor motivo, hoje Bolsonaro tornou-se uma figura caricata, que mostra não ter dignidade, responsabilidade, capacidade nem hombridade.

Há alguns muitos anos o economista Edmar Bacha se notabilizou ao chamar o Brasil de “Belíndia”, uma mistura de Bélgica e Índia. E a Bélgica realmente é um bom exemplo para nós. Acaba de sair de seu mais longo período sem governo.Desta vez, o país ficou 650 dias acéfalo, desde a queda do premier Charles Michel. Para o Brasil, também seria melhor ficar sem governo do que continuar aturando Jair Bolsonaro.

###
P.S. –
 Como o Brasil é presidencialista, não é possível ficar sem governo. Mas o vice Mourão, comparado a Bolsonaro, até parece ser um estadista do porte de Roosevelt, Churchill ou De Gaulle. É claro que Mourão não está com essa bola toda, como se diz atualmente, nem devemos ter expectativas exageradas, mas Mourão é muito melhor do que Bolsonaro, sem a menor dúvida. (C.N.)

Nenhum comentário:

Postar um comentário