Presidente da CPMI das Fake News nega-se a compartilhar informações com a PF

Senador Angelo Coronel aguarda o pedido do Supremo

Rayssa Motta, Fausto Macedo e Rafael Moraes Moura
Estadão

O senador Ângelo Coronel (PSD-BA), presidente da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) das Fake News, negou compartilhar com a Polícia Federal informações sigilosas obtidas pelo grupo de trabalho no Congresso. O pedido de acesso ao material foi feito no âmbito do inquérito que apura a organização e o financiamento de atos antidemocráticos por apoiadores e aliados do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Em ofício enviado no dia 8 de dezembro à delegada Denisse Dias Rosas Ribeiro, responsável pela investigação, Ângelo Coronel afirma que o requerimento não preencheu os ‘requisitos necessários’.

JUSTIFICATIVA – “Não foi demonstrada a existência de decisão judicial exarada pelo Supremo Tribunal Federal que justifique o pedido ou vincule este Colegiado. No mesmo sentido, eventual decisão pelo compartilhamento só se legitimaria após deliberação do plenário da CPMI”, argumenta o senador. “O compartilhamento dos documentos pleiteados sem prévia autorização judicial mostra-se em confronto com o dever desta CPMI de resguardar as informações protegidas por sigilo”, acrescentou.

A comunicação do indeferimento do pedido foi enviada depois que a Advocacia do Senado emitiu parecer defendendo a necessidade de autorização do Supremo Tribunal Federal e de deliberação dos membros da comissão para aprovar o envio das informações.

DUAS HIPÓTESES – “Não há lei que permita o compartilhamento de dados sigilosos de CPIs não constantes de relatório final destas comissões diretamente à polícia judiciária por solicitação desta e sem decisão judicial. Tampouco se admite a fiexibilização do sigilo sem decisão judicial específica. Há, sim, a possibilidade de que a CPMI das Fake News encaminhe à autoridade policial os elementos solicitados, desde que haja: 1) decisão do Supremo Tribunal Federal autorizando tal encaminhamento; e 2) deliberação da própria comissão favorável ao encaminhamento”, diz o parecer.

O inquérito dos atos antidemocráticos foi aberto em abril a pedido da Procuradoria-Geral da República depois que manifestações defendendo a volta da ditadura militar, intervenção das Forças Armadas e atacando instituições democráticas marcaram as comemorações pelo Dia do Exército em diferentes cidades do País.

QUEM FINANCIOU? – A realização de atos simultâneos, com carros de som e peças de propaganda ‘profissionais’, nas palavras da Procuradoria, ensejaram a apuração sobre a organização, divulgação e o financiamento desses eventos.

Além dos protestos físicos, o suposto lucro obtido por blogueiros, influenciadores e youtubers de direita com a transmissão ao vivo dos protestos chamou atenção do Ministério Público Federal (MPF).

A suspeita é que parlamentares, empresários e donos de sites bolsonaristas atuem em conjunto em um ‘negócio lucrativo’ de divulgação de manifestações contra a democracia. Entre apoiadores do governo, o inquérito é visto como uma iniciativa para criminalizar a defesa ao presidente e a valores conservadores e de direita.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Sem problemas. Basta que o relator Alexandre de Moraes requisite os documentos, repetindo o pedido da PF. O inquérito está bem avançado e já chegou ao “gabinete do ódio”, no terceiro andar do Planalto, comandado pelo filho 02, Carlos Bolsonaro, e conduzido por Tércio Arnaud, assessor do presidente Jair Bolsonaro. As provas que estão sendo requisitadas à CPMI são apenas suplementares. (C.N.)

Trump faz o possível e o impossível para evitar que Joe Biden assuma Presidência

Trump confirma morte do chefe do Estado Islâmico, Abu Bakr al-Baghdadi | A  Gazeta

Donald Trump convoca “protestos selvagens” em Washington

Deu em O Globo

A falsa narrativa de que uma conspiração o impediu de continuar por mais quatro anos na Casa Branca tem sido a base do discurso político de Trump antes mesmo dos números da apuração confirmarem a vitória do democrata Joe Biden, no dia 7 de novembro. Além de seus apoiadores, Trump conseguiu que parte dos congressistas republicanos abraçasse a ideia.

Na quarta-feira, quando o Congresso se reunirá em sessão conjunta para contar os votos dos delegados aos Colégio Eleitoral e proclamar a vitória de Biden — a última etapa do processo eleitoral antes da posse do democrata no dia 20 de janeiro — 11 senadores do partido, liderados pelo texano Ted Cruz, anunciaram que vão questionar a validade dos resultados em plenário.

SEM CHANCES – A iniciativa é considerada sem chances de sucesso: objeções à proclamação do resultado precisam ser aprovadas separadamente pelas duas Casas do Congresso. A Câmara continuará sob o comando democrata na próxima legislatura, que tomou posse neste domingo, e muitos senadores republicanos reconheceram a vitória de Biden — incluindo o líder da maioria, Mitch McConnell, e o senador pela Carolina do Sul Lindsey Graham. Ambos foram fortes aliados de Trump durante todo o seu mandato.

No entanto, o esforço servirá para constranger Biden e, mais que isso, pôr pressão sobre os republicanos que votarem no Congresso pela confirmação do resultado — na prática, um voto contra Trump. Além disso, ele transformará um ritual político que normalmente passa despercebido em uma sessão conturbada.

SÃO APENAS 12 – Além dos 11, o senador Josh Hawley já havia anunciado que questionaria os resultados.  E no domingo outros quatro senadores republicanos protestarem e disseram que vão apoiar a vitória de Biden,

“Parece ser mais uma manobra política do que um remédio efetivo. Vou escutar atentamente, mas eles têm uma barreira muito alta para superar”, afirmou o senador Lindsey Graham.

PROTESTO SELVAGEM – O cálculo vai além de vencer ou perder. Ao apresentar os questionamentos, os senadores amplificam a alegação de Trump de que Biden venceu graças a uma fraude, o que provavelmente será repetido ao longo de todo o mandato do democrata.

Na quarta-feira, enquanto o Congresso estiver reunido, apoiadores do presidente farão uma manifestação em Washington, um evento que já é visto como potencialmente perigoso pelas autoridades locais. E o próprio Trump o classifica de “protesto selvagem”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Se os Estados Unidos não fossem um país solidamente democrático, Trump estaria colocando em risco as instituições. Porém, a única coisa que conseguirá é atrasar a reunião do Congresso, que será dirigida pelo atual vice-presidente Mike Pence, que está contra essa postura de Trump denunciar fraudes que não existiram. (C.N.)