É NATAL !
João Augusto Pinto, Desembargador Presidente da Seção Cível de Direito Privado do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, Mestre em Direito-UFBA., Membro da Academia de Letras Jurídicas da Bahia, ABI-Associação Bahiana de Imprensa.
Mudou o Natal, ou mudei eu? Parafraseando o insuperável MACHADO DE ASSIS, asseguro aos meus poucos leitores, ambos. É verdade que nada de novo sob o sol, o homem (expressão adjetiva de ser humano, independente de sexo, orientação sexual), permanece o mesmo desde os tempos imemoriais. Todavia, ainda há tempo para a devida correção. Inspirado em PIERRE TEILHARD DE CHARDIN(1881-1955), jesuíta francês, geólogo, paleontólogo, um dos grandes gênios do século XX, autor de centenas de escritos sobre a condição humana ( Cf. “Le phénomène humain”, Éditions du Seul, Paris, França 1955; “Le Milieu Divin: essai de vie intérieure”, Éditions du Seul, Paris, França, 1957), que, já na década de 1950 do século passado, se preocupava com o meio-ambiente, afirmando a necessidade de preservação do planeta terra, morada do homem no universo. In eo vivimos (Vivemos nele, afirmava o místico cientista); pois bem, em uma síntese única, CHARDIN pensou o lugar do homem no universo e o sentido do CRISTO cósmico no universo em evolução. Assim, sob a bendita influência do seu magnânimo pensar, saúdo o milagre maior da existência humana, que se repete a cada ano, o nascimento de JESUS CRISTO, augurando que neste Natal de 2020, o Deus encarnado inspire toda a humanidade para que possamos sentenciar perenemente: Eu sou negro, branco, amarelo, indígena. Eu sou a síntese de um todo. Eu proclamo a existência de uma só raça. A raça humana, criada pelo ALFA, o DEUS. Eu sou o ápice da evolução do Cosmos, do ser unicelular, às plantas, os peixes, os animais terrestres, aquáticos, anfíbios, com o meu poder de reflexão, eu sou a figura chave da epopéia universal... Eu abraço, à distância, nesses tempos de pandemia do terrível vírus do Covid19, o católico, o espírita, o evangélico, o adepto do judaísmo, do islamismo, do budismo, do candomblé, da umbanda, de todas as religiões, porque o homem é um ser ecumênico, e todos os caminhos conduzem a DEUS... O universo, na visão hiperfísica de CHARDIN, vai evoluindo constantemente ao logo do espaço-tempo que culminará na pura espiritualidade do Ponto Ômega. Estas são palavras inspiradas também na excepcional tradução do Prof. Dr. José Luiz Arcanjo (edição brasileira do “Fenômeno Humano”, Ed.Cultrix, São Paulo, 1986). Nessa versão nacional, o best seller tem a apresentação do sempre lembrado Cardeal D. Paulo Evaristo Arns que pontua com a sua sensibilidade sacrossanta: Todos caminhos do Povo de Deus – como nos lembrou, diversas vezes, o atual Papa João Paulo II- passam pelo homem. É o que tenta, igualmente, a síntese O fenômeno Humano, de Teilhard de Chardin. Depois de vasculhar amplamente os dados das Ciências Humanas, das Filosofias e das Teologias, chega ele a apresentar-nos o fenômeno integrado na grande evolução cósmica; e é a esta altura que Jesus Cristo, Redentor do homem, Centro do Cosmo e da História, aparece em toda a sua atração reveladora.
Abraço, então, o menino de rua, o mendigo que dorme sem teto, na calçada, sob a marquise, a prostituta desvalida que vende seu corpo em troca do vil metal que possibilita a sua sobrevivência, o transgênico que busca a sua verdadeira identidade sexual. Abraço o irmão de toda e qualquer condição social. Não há mais espaço no mundo hodierno para as diferenças ideológicas. O comunismo morreu, o capitalismo selvagem deve ser amenizado por políticas públicas capazes de estender a mão do Estado aos menos favorecidos economicamente. Não se pode gerir o Estado como se fosse uma companhia financeira que busca o lucro a qualquer custo, não. O Estado deve servir ao homem. O mal do Brasil, este País continental, fadado por Deus a uma posição de destaque no cenário global, é a erva daninha da corrupção, que, qual a saúva que quase dizimou nossa produção rural nas décadas de 1950, 1960, impede a chegada do tão sonhado porvir. Que neste Natal os homens públicos brasileiros, os gestores nacionais, de uma
vez por todas, inspirados por JESUS CRISTO, pensem no homem destinatário do seu labor, parem de transformar a riqueza pública em ganho pessoal, acúmulo criminoso e indevido. E que venha a vacina, seja de que bandeira for, pois produto do homem, da ciência, solução única capaz de nos devolver a nossa vida normal... E, de logo, que o CRISTO holístico universal, inspire cada um de nós para que melhoremos a cada dia, a cada instante. Enquanto não for possível o amplexo físico, à distância, abraço a todos leitores de “A TARDE”, este paladino da imprensa democrática nacional, nascido da inteligência fulgurante do Dr. ERNESTO SIMÕES FILHO. E, desde já, desejo a todos UM FELIZ ANO NOVO, com muita saúde, na paz de Nosso Senhor Jesús Cristo, ápice do fenômeno humano!...
AMÉM, AMN, AXÉ
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