domingo, 27 de dezembro de 2020

 

Em meio à quarentena, um poema exibe a necessidade de repensar o Brasil e o mundo

Desigualdade nos mantém na pobreza - Blog do Ari Cunha

Charge do Arionauro (Arquivo Google)

Celso Serra

Considero útil tudo o que leio – concorde ou não com a posição do autor –,  quando o texto me faz pensar. No dia 25/12/20, aqui na Tribuna da Internet, ao ler a poesia do nosso Paulo Peres intitulada “NATAL” mergulhei profundamente em meus pensamentos.

Paulo Peres começa por nos lembrar que, por interesses monetários, parte da humanidade vem substituindo no Natal a imagem e a filosofia religiosa de Jesus Cristo pela figura de Papai Noel.

NOEL DOS POBRES – Logo depois mergulha em nossa realidade mostrando que Papai Noel jamais se lembra das crianças pobres, notadamente aquelas no último degrau da pobreza que  – desabrigadas – dormem nas ruas nos bancos das praças ou sob marquises, com fome, com frio, sendo utilizadas pelos criminosos, ou seja, aprendizes do crime.

Inconformado com a situação que o nosso Brasil chegou, Paulo finaliza informando que jogou no lixo um enfeite de Papai Noel, armou um humilde presépio e na benção de Jesus Cristo festejará seu Natal.  Uma sincera lembrança e homenagem ao real e histórico passado.

Mergulhei no presente ano que se encerra – ano marcado por tanto medo, indignação e revolta com tudo, especialmente com os dirigentes dos povos, sejam asiáticos, europeus, africanos, americanos ou brasileiros – e me perguntei: o que realmente importa?

NATAL SOLITÁRIO – Familiares e amigos distantes, praias proibidas aos seres humanos, parques, lojas, restaurantes e bares fechados (sou carioca e os bares “fazem muita falta”, como dizia o saudoso João SaldanhaM gaúcho de nascimento e carioca de comportamento).

Rostos de pessoas bonitas cobertos por máscaras, sem ser Carnaval. Instituições de ensino fechadas para crianças e adultos. Lares transformados em melancólicos locais de trabalho. E um vírus imigrante inimigo invisível e pouco conhecido do lado de fora da porta, querendo entrar.

Com a injusta prisão domiciliar que me foi imposta – sem ter roubado qualquer centavo do dinheiro público, portanto, sem a necessidade de habeas corpus emitido por qualquer “garantista” do Supremo Tribunal Federal – a opção foi viajar para dentro, no que muito fui ajudado pela poesia do nosso Paulo Peres.

O QUE IMPORTA? – A pergunta que a mim fiz  (“o que realmente importa”)  escancarou uma enorme possibilidade de caminhos, por simples observação da vida que meus amigos estão sendo obrigados a levar: alguns se dedicaram à música, outros a trabalhos manuais, poucos à pintura e, os mais gulosos, à culinária. Os mais fleumáticos decidiram mergulhar em busca da espiritualidade e do autoconhecimento.

Hoje temos a certeza que todos os nossos pontos de referência possuem por origem o mundo externo, o mundo de nosso relacionamento: trabalho, amigos, família, escolas, clubes, associações culturais, academias de educação física, salões de beleza e barbearias, bares e outros pontos de encontros urbanos.

No momento – e isso se percebe na mídia e nas comunicações sociais – muitas pessoas têm medo que a totalidade desses pontos de encontro social possam desaparecer. Daí, começam a buscar o sentido da própria vida e a se questionar: “o que faço, qual a minha função social?”; “para onde vou?”; “para onde quero ir?”; “como encontrar a mim mesmo?

INCERTEZA E TEMOR – Não temos a menor dúvida que todo esse clima de isolamento, ansiedade e angústia, pode dar origem a sentimentos coletivos de incerteza e temor.

Nessa hora é que a internet surge como uma forma eficaz de conexão e que, em sinergia com a meditação pode ser uma ferramenta importante para tranquilizar a mente e ajudar a lidar melhor com esse momento tão cruel por que passa o ser humano.

Com o confinamento em nossas próprias residências, estamos sendo intimados a olhar para dentro de nós mesmos e a refletir sobre o que queremos fazer com nosso tempo, nossas aptidões, a sociedade em nosso entorno no presente momento e após essa tortura coletiva terminar.

O BRASIL PRECISA – Isso nos faz lembrar a poesia de Paulo Peres citada no início desse artigo, ela mostra, sem a menor dúvida, que o Brasil precisa de nosso trabalho.

Tenho a certeza de que, se aproveitarmos o confinamento a que estamos sendo submetidos para aperfeiçoar o conhecimento, cultivar paz psicológica, a autoconsciência e a luta por uma sociedade mais justa, sairemos da quarentena mais fortes do que ingressamos.

O confinamento, olhando pelo lado construtivo, pode nos proporcionar a conexão entre mente, espírito, corpo e disposição de luta para exigir dos agentes públicos uma sociedade mais justa, pois, afinal, pagamos uma carga tributária das mais altas do planeta.

É UMA CONVOCAÇÃO – Com o que o setor público arrecada, dentre outras necessidades, não era para mais existir crianças sem escolas, povo ser serviço de saúde eficiente, enorme número de brasileiros sem saneamento básico e moradores de rua passando terríveis necessidades.

A quarentena mostrou que poesia de Paulo Peres é uma convocação a todos nós para a luta por um Brasil mais justo.

Feliz 2021, com muita saúde e paz para todos. 

De olho no Congresso e na reeleição, Bolsonaro deve rerfomar a equipe ministerial nos primeiros meses do ano

BOLSONARO SE AUSENTA DA SUCESSÃO DE MAIA E IRRITA O CENTRÃO – Cariri é Isso

Charge do Nani (nanihumor.com)

Luiz Calcagno e Ingrid Soares
Correio Braziliens

Na tentativa de aglutinar apoio no Congresso e pavimentar o caminho para a reeleição, o presidente Jair Bolsonaro deverá mudar a cara da Esplanada. O presidente não conseguirá fugir de, ao menos, uma minireforma ministerial, já que é desejo do chefe do Executivo emplacar nomes no comando das duas Casas legislativas a partir de fevereiro de 2021, medida essencial para o governo levar à frente sua agenda nos últimos anos de mandato.

Embora negue a prática de distribuição de cargos do governo em troca de apoio político, Bolsonaro necessita do apoio do Centrão, que também faturou nas eleições municipais.

NO INÍCIO DE MARÇO -As concessões de maior calibre e a questão da definição da base política do governo poderão ocorrer no começo de março, caso o candidato preferido do governo ao pleito, Arthur Lira (PP-AL), saia eleito na Câmara.

Entre as pastas cobiçadas, estão as que possuem maiores orçamentos, como o Ministério da Saúde, chefiado por Eduardo Pazuello; o da Cidadania, de Onyx Lorenzoni e o da Educação, Milton Ribeiro.

Apesar de Bolsonaro já ter se adiantado, afirmando que não abrirá mão de Ernesto Araújo, no Itamaraty, e de Ricardo Salles, no Meio Ambiente, as pastas também estão na mira. A saída deles é vista como um sinal de diálogo à comunidade internacional, nas áreas ambientais e de política externa.

TROCA-TROCA – No mais alto escalão do governo, ainda se ventila, nos bastidores, a transferência do ministro da Secretaria de Governo, general Luiz Eduardo Ramos, para o posto da Secretaria-Geral da Presidência, com a ida de Jorge Oliveira para o TCU em janeiro.

Já os ministérios de Paulo Guedes, Tereza Cristina, Tarcísio Freitas, Fernando Azevedo, Augusto Heleno, Braga Netto, Fábio Faria e Rogério Marinho devem ficar de fora da barganha.

O pontapé na mudança dos ministérios foi dado no último dia 9, com a saída do ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio. Um desentendimento com Ramos adiantou sua partida. Apesar de Gilson Machado, ex-presidente da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur), ter sido nomeado para comandá-la, a pasta também pode entrar na dança das cadeiras no começo do próximo ano.

QUESTÃO ECONÔMICA – No Congresso, o tema da reforma ministerial é levado em conta, mas com ponderações. Deputados e senadores favoráveis ao presidente da República destacam os bons resultados de Bolsonaro nas recentes pesquisas de opinião.

Para eles, isso mostra que o chefe do Executivo ainda tem força para monopolizar a composição do governo. Com capacidade política de manobra, a expectativa é de que o time não mude, ou que ocorram apenas alterações pontuais. O principal problema é a incerteza econômica provocada pela pandemia de coronavírus, que pode alterar o cenário.

Há outras variáveis em consideração. A primeira delas é a eleição das mesas diretoras no Congresso, marcada para 1° de fevereiro.

AINDA FALTA O NOME  – Após a definição de Baleia Rossi como candidato do grupo ligado a Rodrigo Maia, crítico do governo Bolsonaro, está intensa a negociação para assegurar o número de votos necessários e garantir a Presidência da Câmara.

 No Senado, a questão depende, neste momento, da definição do sucessor de Davi Alcolumbre (DEM-AP) — o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) é o preferido do presidente da Casa — e do candidato que surgirá do MDB, partido de maior bancada no Senado. Para assegurar a vitória de um aliado no Congresso, o Planalto pode abrir espaço na Esplanada dos Ministérios.

 avaliação do deputado Afonso Florence (PT-BA), vice-líder da minoria, o calcanhar de Aquiles do governo é a economia. Ele destaca que não há previsão de continuidade do auxílio emergencial, o que também trará dificuldades.

CENTRÃO É EXIGENTE – Afonso Florence coloca como certa a necessidade de uma reforma que possa reorganizar o governo. Isso porque, segundo o deputado, mesmo bem avaliado, o governo deve perder tônus muscular nos primeiros meses do próximo ano.

Ele afirma, ainda, que o Centrão tem espaços para ocupar e continuará a pressionar o Executivo.

“O Bolsonaro já tem uma sustentação parlamentar sólida com o Centrão. Mas, o Centrão não controla todos os cargos que pretende controlar. Todo mundo sabe disso. Sou dos que acham que Jair Bolsonaro precisa dessa base para governar. Senão, ele cai. A quantidade de crimes de responsabilidade que já cometeu e, agora com o problema das vacinas e das seringas, é delicada. E o Centrão vai cobrar caro esse apoio, essa blindagem”, avalia Florence.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como  na peça de Ferreira Gullar e Oduvaldo Vianna Filho, se correr o Centrão pega, se ficar o Centrão come… (C.N.)

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