Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)
Francisco Leali
Estadão
“Em Brasília, a capital dos superfuncionários, todos sabem dos abusos, mas ninguém tem como prová-los, mesmo porque ninguém quer deixar de usufruir das vantagens”. Pode até parecer que estamos falando de hoje. Mas não. A frase que inicia este texto foi escrita há 50 anos. Saiu neste mesmo Estadão.
Era o princípio de uma série de reportagens de Ricardo Kotscho, vencedora do extinto Prêmio Esso. Revelavam-se as entranhas do Poder a partir das regalias desfrutadas por uma elite do serviço público federal.
APENAS AJUSTES – Cinco décadas depois, o texto precisaria de dois ajustes. Primeiro, que os privilégios não se limitam a Brasília. Espalham-se pelo País. Segundo, dizer que “ninguém tem como prová-los” não cabe mais. Está tudo escancarado.
É notório e até mesmo disponível para consulta a informação de que um juiz ou um integrante do Ministério Público no DF ou nas demais 26 unidades da federação podem receber muito além do limite imposto pela Constituição.
O chamado teto salarial no funcionalismo deveria ser o que recebe um ministro do Supremo Tribunal Federal. Hoje, esse valor é de R$ 46 mil. Mas ao longo dos anos tribunais aqui na capital e por todo o País foram adornando os contracheques com os chamados penduricalhos. Extras, adicionais, verbas indenizatórias e outros itens do gênero elevam o salário da elite do funcionalismo para valores muito maiores do que a referência do texto constitucional.
AS MORDOMIAS – No dia 1º de agosto de 1976, data da publicação da primeira reportagem, as benesses eram variadas e estavam focadas no Poder Executivo. Carros com motoristas, viagens de avião e também salários elevados. Esses últimos eram concentrados em postos de direção nas empresas estatais.
Na época, havia o problema de que tudo era obscuro. Governo Geisel, ditadura militar. Não se sabia nada sobre quanto cada um ganhava.
Neste 2026, as regras de transparência parecem prevalecer e há portais abertos em que se pode monitorar muita coisa. Salários, por exemplo.
R$ 100 MIL – Foi assim que se soube que a nata do Judiciário e do Ministério Público consegue receber vencimentos que podem chegar a R$ 100 mil. De tanto se falar, o STF decidiu por alguma ordem. Nesta semana, encerrou-se o julgamento em que se pretende estabelecer limites aos adornos e adereços salariais.
A fórmula encontrada, no entanto, ignora que há um teto e abre a claraboia para que o contracheque vá para além dos R$ 46 mil.
Se antes ainda havia uma dúvida sobre a legalidade das regalias, agora o Supremo legalizou boa parte do que ultrapassa o teto. Assim, falar em penduricalhos pode não ser tão preciso. A corte propôs uma volta no tempo e legitimou as mordomias.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Trata-se de um conluio generalizado entre os Três Poderes. Como dizia Leonel Brizola, quando se arrebenta o alambrado, passa um boi e depois passa a boiada. A meu ver, a culpa é do Supremo, um tribunal que existe para moralizar, porém funciona para desmoralizar, se é que vocês me entendem, como dizia o jornalista Maneco Muller, o Jacinto de Thormes. (C.N.)
Piada do Século! Ancelotti ganha aumento para R$ 6 milhões e quer ficar até 2030

Charge do Duke (Arquivo Google)
Carlos Newton
Por incrível que pareça, a grotesca eliminação da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 não mudará os planos da CBF para Carlo Ancelotti, o treinador retranqueiro que não gosta de atacantes dribladores.
O diretor executivo de seleções, Rodrigo Caetano garantiu que o treinador italiano permanecerá no comando da equipe até a Copa do Mundo de 2030.
“Cabe a nós agora ressaltar a necessidade de termos um ciclo dentro de uma normalidade, com um pouco mais de calma, com um trabalho que vai ser dada a continuidade com o ‘Mister’ até a Copa de 2030 e com os ajustes necessários. Que tenhamos o mínimo de tranquilidade para seguir em frente e preparar a próxima Copa”, disse Rodrigo Caetano, que merece o título de Cretino do Século.
DISSE O RETRANQUEIRO – Após a derrota, o retranqueiro Ancelotti, que convoca reserva do Flamengo para ser titular na seleção, fugiu do estádio para evitar ser entrevistado pelos jornalistas. Ficou muito feio deixar o filho representá-lo, mas o que fazer.
Mais tarde, pensando no contrato que conseguiu fazer com os otários da Confederação Brasileira de Futebol, Ancelotti aceitou dar uma entrevista à imprensa, para insinuar que ficará à frente da equipe até 2030.
“Óbvio que estamos todos profundamente tristes. Porque acho que fizemos até agora não um mundial especial, um bom mundial, acho que também o jogo de hoje merecia ganhar o jogo e quando passa um momento assim tem que pensar que uma derrota é o começo de uma nova aventura. temos que seguir melhorando, encontrar novas ideias, não é um fim, é o início de um novo ciclo esta derrota”, disse o cara de pau.
GANHOU AUMENTO – A verdade é que o dinheiro fácil sempre fala mais alto. Sem contar os R$ 70 milhões já recebidos até agora, o técnico receberá um total de R$ 288 milhões nos próximos quatro anos.
O motivo é que o contrato com a CBF estabeleceu um aumento estipulado para o novo ciclo que eleva os ganhos do treinador para R$ 6 milhões mensais (R$ 72 milhões por ano).
Essa remuneração faz dele o técnico de seleção mais bem pago do mundo. Como o acordo com a Confederação foi renovado e se mantém válido para o novo ciclo, apesar da eliminação da equipe no Mundial de 2026, só nos resta rezar para que o italiano tome vergonha na cara e peça demissão.
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P.S. – Como o Brasil não é o país mais rico do mundo, é preciso destronar os atuais dirigentes da CBF e enviar Ancelotti para o raio que o parta, juntando todos eles no mesmo camburão. Como diz Luxemburgo, a culpa é da imprensa, que fica endeusando esses treinadores estrangeiros, que ainda são chamados de “Mister”. É muita burrice e subserviência. (C.N.)


