terça-feira, 27 de janeiro de 2026

 

Ponto de vista: STF na berlinda

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
27/01/2026 06:00
2 horas e 10 minutos

O mundo midiático (falado, escrito e televisado) vem, diariamente, colocando o Judiciário na berlinda. Muito polemizado nos últimos anos, seus juízes e membros dos tribunais superiores, com destaque para o Supremo Tribunal Federal (STF), são alvos de inúmeras acusações. Por serem inatingíveis, são impuníveis. Nem a LOMAN nem o Código Penal consegue puni-los. Uma pífia tentativa de se criar um código de ética para os ministros do STF causa um enorme desconforto na corte. Quase todos os ministros são contra. Encabeçada pelo presidente Edson Fachin, essa tentativa, além de não ir adiante, persiste na manutenção da impunidade, pois o código de conduta alemão, no qual o projeto do ministro é inspirado, não prevê punições para quem não cumpre suas orientações.

Atualmente, a punição máxima para um magistrado delinquente no Brasil é a aposentadoria compulsória com direito a salário integral e todas as vantagens subsequentes. Fachin antecipou suas férias devido às acusações envolvendo alguns membros da corte, com denúncias divulgadas pela imprensa sobre participações de ministros em eventos e viagens bancadas por empresas ligadas a processos que seriam julgados por eles. As mais recentes envolvem os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, este último relator do caso do Banco Master no STF. Acusado de viajar com o advogado de um dos diretores do Master no mesmo voo particular para assistir à final da Libertadores em Lima, no Peru, o ministro sequer comenta o assunto. Mesmo se sabendo que todas as instituições humanas apresentam falhas e distorções, as que compõem o Judiciário deviam estar isentas dessas imperfeições, já que a magistratura é considerada uma carreira que exige uma “conduta irrepreensível na vida pública e particular” dos magistrados, conforme descrito na LOMAN. Daí a inexistência de justificativas para um detentor de um cargo reconhecido pela sociedade e com um salário em muito superior à média nacional, se corromper. Mas a credibilidade de Fachin, que também é contestado por causa da Lava Jato, ficou abalada quando ele defendeu Toffoli e ameaçou punir os críticos do STF. Ficou também abalada com a decisão de Toffoli de continuar como relator do processo do Master.

 A LC nº 35/1979 estabelece os pilares da conduta, deveres e vedações que os magistrados brasileiros devem seguir para garantir a imparcialidade e a integridade do Poder Judiciário. Complementada pelo Código de Ética da Magistratura, impõe que o juiz deve manter uma conduta irrepreensível na vida pública e privada, sem corrupção ou interesses externos pessoais. O fortalecimento da reputação pública de um magistrado permitirá que ele exerça suas funções com imparcialidade e independência. O grande problema é que, entre nós, a corrupção está institucionalizada como um dos princípios fundamentais da nossa administração pública. Segundo o Rule of Law Index de 2024, elaborado pelo World Justice Project, o Brasil ocupa a 80ª posição entre 142 nações em matéria de corrupção. O levantamento avalia critérios como restrições aos poderes do governo, ausência de corrupção, transparência, direitos fundamentais, segurança, aplicação de regulamentações e eficiência da justiça civil e criminal. O pior resultado foi na Justiça Criminal, especialmente no quesito imparcialidade do Poder Judiciário, no qual o país ficou empatado com a Venezuela na 113ª posição. O Brasil também está muito abaixo em relação à média global. E a questão se agrava no Poder Legislativo, considerado o segundo mais corrupto do mundo, acima apenas do Haiti.

Desde 1992 que está em vigor a Lei de Improbidade Administrativa para o combate de atos de desonestidade na administração pública, praticados por agentes públicos e particulares, além de vários sistemas de controle, tanto internos quanto externos. O que precisamos é que essas regras sejam respeitadas na prática. A Lei Nacional de Combate à Corrupção nº 12.846, de 2013, conhecida como Lei Anticorrupção para resolver a questão da imparcialidade no Poder Judiciário, além de importante, abrange os magistrados e as pessoas jurídicas com finalidade empresarial ou não. O problema é que essa lei só existe no papel, sem jamais ser cumpridas pelas instituições. No que diz respeito ao ministro Toffoli, diariamente são apontadas controvérsias e críticas sobre suas decisões no caso do Banco Master, que terminam por beneficiar o seu principal diretor, Daniel Vorcaro, responsável pela liquidação da empresa pelo BC. Com suas decisões, o ministro praticamente inviabilizou as investigações feitas pela Policia Federal, o que gera debates intensos e visões polarizadas. Quanto ao ministro Alexandre de Moraes, o jornal Estado de São Paulo diz que ele está quase tão enrolado quanto seu colega, pelo mal explicado contrato de R$ 129 milhões de sua esposa, Viviane Barci, com a instituição falida.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário 

Gazeta do povo

 

Paraná Pesquisas mostra como está a corrida eleitoral para governador do Paraná

Ilustração feita pela Gazeta do Povo sobre pesquisa eleitoral nas Eleições 2026 com as palavras Governador e Paraná, e a bandeira do Paraná
Paraná Pesquisas entrevistou 1.300 eleitores no Paraná. (Foto: Infografia/Gazeta do Povo)

O primeiro levantamento do Paraná Pesquisas de 2026 para governador do Paraná mostra que o senador Sergio Moro (União Brasil) lidera as intenções de voto para as eleições deste ano. A pesquisa, divulgada nesta sexta-feira (23) foi contratada pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Nos três cenários estimulados, Moro abre mais de 20 pontos percentuais para o segundo colocado. Alvaro Dias (MDB), Requião Filho (PDT) e Rafael Greca (PSD) são os que mais pontuam, forçando um segundo turno.

Nas simulações de segundo turno, o Paraná Pesquisas mostra que Sergio Moro venceria contra todos os adversários.

O Paraná Pesquisas também perguntou aos entrevistados em quais potenciais candidatos não votaria de jeito nenhum.

Pesquisa para governador do Paraná em 2026

Paraná Pesquisas gerou um cenário espontâneo (quando os nomes dos políticos não são apresentados) e três estimulados (quando os candidatos são mostrados ao entrevistado).

Ratinho Junior e Sergio Moro são os mais citados na pesquisa espontânea

  • Ratinho Junior (PSD)*: 9,5%
  • Sergio Moro (União Brasil): 4,5%
  • Requião Filho (PDT): 2,2%
  • Alexandre Curi (PSD): 1,5%
  • Guto Silva (PSD): 0,8%
  • Rafael Greca (PSD): 0,8%
  • Alvaro Dias (MDB): 0,3%
  • Outros nomes citados: 0,9%
  • Ninguém/Branco/Nulo: 5,2%
  • Não sabe/Não opinou: 74,2%

*Ratinho Junior está no segundo mandato de governador e não pode ser candidato ao governo neste ano.

Sergio Moro lidera primeiro cenário estimulado

  • Sergio Moro (União Brasil): 41,6%
  • Alvaro Dias (MDB): 19,7%
  • Requião Filho (PDT): 19,5%
  • Guto Silva (PSD): 5,7%
  • Luiz França (Missão): 1,0%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 6,9%
  • Não sabe/Não opinou: 5,5%

No segundo cenário estimulado, Moro segue em primeiro

  • Sergio Moro (União Brasil): 40,0%
  • Alvaro Dias (MDB): 18,8%
  • Requião Filho (PDT): 18,6%
  • Alexandre Curi (PSD): 10,6%
  • Luiz França (Missão): 0,9%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 6,1%
  • Não sabe/Não opinou: 4,9%

Moro mantém liderança no terceiro cenário estimulado

  • Sergio Moro (União Brasil): 37,8%
  • Alvaro Dias (MDB): 17,5%
  • Rafael Greca (PSD): 17,5%
  • Requião Filho (PDT): 16,5%
  • Luiz França (Missão): 0,8%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 5,6%
  • Não sabe/Não opinou: 4,2%

Segundo turno para governador do Paraná

Paraná Pesquisas simulou cinco cenários de segundo turno para a disputa ao governo do Paraná.

Sergio Moro x Alvaro Dias

  • Sergio Moro (União Brasil): 51,0%
  • Alvaro Dias (MDB): 37,3%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 7,6%
  • Não sabe/Não respondeu: 4,1%

Sergio Moro x Alexandre Curi

  • Sergio Moro (União Brasil): 56,0%
  • Alexandre Curi (PSD): 28,2%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 9,5%
  • Não sabe/Não respondeu: 6,4%

Sergio Moro x Requião Filho

  • Sergio Moro (União Brasil): 55,9%
  • Requião Filho (PDT): 33,4%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 6,6%
  • Não sabe/Não respondeu: 4,1%

Sergio Moro x Guto Silva

  • Sergio Moro (União Brasil): 61,5%
  • Guto Silva (PSD): 20,7%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 10,8%
  • Não sabe/Não respondeu: 7,0%

Sergio Moro x Rafael Greca

  • Sergio Moro (União Brasil): 52,0%
  • Rafael Greca (PSD): 34,8%
  • Nenhum/Branco/Nulo: 8,1%
  • Não sabe/Não respondeu: 5,1%
  • Presidente 2026 Direita

Pesquisa de rejeição para governador do Paraná

O Paraná Pesquisas perguntou em quais candidatos o eleitor não votaria de jeito nenhum.

  • Requião Filho (PDT): 30,2%
  • Sergio Moro (União Brasil): 20,2%
  • Alvaro Dias (MDB): 16,8%
  • Rafael Greca (PSD): 12,0%
  • Guto Silva (PSD): 9,6%
  • Alexandre Curi (PSD): 9,2%
  • Luiz França (Missão): 9,0%
  • Poderia votar em todos: 12,8%
  • Não sabe/Não respondeu: 12,2%

Pesquisa de avaliação e aprovação de Ratinho Junior

Paraná Pesquisas perguntou sobre a administração do governador do Paraná e se aprova ou desaprova o governo dele.

Ratinho Junior tem avaliação positiva

  • Ótima: 36,5%
  • Boa: 38,3%
  • Regular: 15,8%
  • Ruim: 2,4%
  • Péssima: 4,9%
  • Não sabe/Não opinou: 2,1%

Aprovação de Ratinho Junior se mantém alta

  • Aprova: 85,5%
  • Desaprova: 11,5%
  • Não sabe/Não opinou: 3,0%

Metodologia: 1.300 entrevistados pelo Paraná Pesquisas em 54 municípios do Paraná entre os dias 18 e 22 de janeiro de 2026. A pesquisa foi contratada pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB) - Nacional. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2,8 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº PR-08451/2026.

Por que a Gazeta do Povo publica pesquisas eleitorais  

Gazeta do Povo publica há anos todas as pesquisas de intenção de voto realizadas pelos principais institutos de opinião pública do país. As pesquisas de intenção de voto fazem uma leitura de momento, com base em amostras representativas da população.

Métodos de entrevistas, composição e número da amostra e até mesmo a forma como uma pergunta é feita são fatores que podem influenciar no resultado. Por isso é importante ficar atento às informações de metodologias, encontradas no fim das matérias da Gazeta do Povo sobre pesquisas eleitorais.

Pesquisas publicadas nas eleições de 2022, por exemplo, apontaram discrepâncias relevantes em relação ao resultado apresentado na urna. Feitos esses apontamentos, a Gazeta do Povo considera que as pesquisas eleitorais, longe de serem uma previsão do resultado das eleições, são uma ferramenta de informação à disposição do leitor, já que os resultados divulgados têm potencial de influenciar decisões de partidos, de lideranças políticas e até mesmo os humores do mercado financeiro.

 

Por Redação g1

 

O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O presidente dos EUA, Donald Trump (à direita), e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. — Foto: REUTERS/Jonathan Ernst

O governo Trump sinalizou à Ucrânia que as garantias de segurança que os Estados Unidos proveriam no pós-guerra dependem de Kiev concordar com um acordo de paz que provavelmente exigiria a cessão da região de Donbas à Rússia, informou nesta terça-feira (27) o jornal britânico "Financial Times".

A condição norte-americana à Ucrânia, que contraria a vontade do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, foi revelada pelo "Financial Times" com base em oito pessoas familiarizadas com as negociações, que não foram reveladas.

Ainda segundo o jornal, Washington também indicou que poderia oferecer mais armas à Ucrânia para fortalecer seu Exército no pós-guerra caso Zelensky aceitasse retirar suas forças das partes de Donbas —composta pelas regiões de Donetsk e Luhansk— que ainda controla.

Zelensky afirmou no domingo que um documento elaborado com os EUA delineando as garantias de segurança que Washington daria à Ucrânia no pós-guerra estava “100% pronto” e que Kiev agora aguarda a definição de data e local para a assinatura. Os termos do acordo para as garantias foram finalizados em uma reunião entre os líderes ucraniano e norte-americano às margens do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na semana passada.

O líder ucraniano tem dito diversas vezes que a integridade territorial da Ucrânia deve ser preservada em qualquer acordo de paz para encerrar a guerra. Em contrapartida, a Rússia exige que só vai concordar em encerrar o conflito se Zelensky aceitar ceder a soberania de toda a região Donbas.

Dado o cenário atual, a Ucrânia está cada vez mais incerta sobre o comprometimento de Washington com garantias de segurança, disse ao Financial Times um oficial ucraniano de alta patente, porque os EUA estariam "recuando toda vez que as garantias de segurança podem ser assinadas".

A Ucrânia quer que as garantias de segurança sejam assinadas antes de ceder qualquer território. No entanto, segundo o "Financial Times", os EUA acreditam que Kiev precisa abrir mão de Donbas para que a guerra termine e não estariam pressionando o presidente russoVladimir Putin, a abandonar essa exigência.

“Isso é totalmente falso. O único papel dos EUA no processo de paz é reunir os dois lados para fechar um acordo”, disse Anna Kelly, vice-secretária de imprensa da Casa Branca, ao jornal.

Uma pessoa familiarizada com a posição dos EUA disse ao jornal que Washington “não está tentando forçar quaisquer concessões territoriais à Ucrânia”, acrescentando que as garantias de segurança dependem de ambas as partes concordarem com um acordo de paz.

Na segunda-feira, o Kremlin reafirmou que a questão territorial continua sendo fundamental para qualquer acordo que ponha fim aos combates na Ucrânia, informou a agência de notícias Tass após negociações realizadas no fim de semana em Abu Dhabi.

Negociações pelo fim da guerra

Segunda reunião trilateral entre EUA, Ucrânia e Rússia termina sem resolução sobre guerra

Segunda reunião trilateral entre EUA, Ucrânia e Rússia termina sem resolução sobre guerra

A reportagem do "Financial Times" foi publicada dias após Estados Unidos, Ucrânia e Rússia realizarem as primeiras reuniões trilaterais para tratar o fim da guerra, após um 2025 de negociações ineficazes e do presidente norte-americano, Donald Trump, ter dito que encerraria o conflito em 24 horas quando fosse reeleito à Casa Branca.

As duas reuniões trilaterais, ocorridas durante o final de semana em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes, terminaram sem um acordo entre as partes para finalizar o conflito.

Zelensky chamou as conversas de "construtivas", mesmo termo foi utilizado pelo governo dos Emirados Árabes Unidos.

A Rússia afirmou que as negociações pelo fim da guerra continuariam durante esta semana. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, voltou a dizer que a paz na guerra da Ucrânia depende da "fórmula Anchorage". A fala é uma referência ao que a Rússia diz ter sido acordado entre Trump e Putin durante encontro no Alasca em agosto do ano passado, segundo disse uma fonte próxima ao Kremlin à agência de notícias Reuters.