terça-feira, 25 de agosto de 2026

 

Legado negativo | Por Luiz Holanda

A avaliação e a preocupação com o legado histórico do presidente Lula dividem opiniões no cenário político e social brasileiro, embora se saiba, desde já, que ele não será positivo. O que prevalecerá dos feitos sociais do seu governo, das crises econômicas e institucionais e da sua postura pessoal diante dos acontecimentos está aquém do que pretende. Segundo seus defensores e analistas, sua trajetória, desde o sindicalismo até a presidência da República o registrará como um líder focado na inclusão das classes populares no desenvolvimento econômico do país. Já seus opositores, analistas liberais e críticos em geral apontam fragilidades estruturais do seu governo, escândalos de corrupção e erros de gestão que caracterizam sua gestão de forma negativa.

Matrizes econômicas adotadas geraram descontrole inflacionário, recessão e graves crises fiscais. Críticas a arranjos de governabilidade com base em coalizões congressuais de alto custo político e as escolhas feitas durante seus mandatos culminaram em graves crises de governabilidade. Mas o que vai permanecer na memória histórica de sua vida e do seu governo serão as contradições de sua trajetória como sindicalista e político, além dos escândalos de corrupção ocorridos durante seus quatro mandatos. Entre estes, o maior deles ficará com a Petrobrás, amplamente documentado em investigações como a Operação Lava Jato, envolvendo indivíduos específicos — incluindo ex-diretores indicados politicamente e executivos de empreiteiras.

O corpo funcional (os empregados) da companhia permanecerá intacto, mas o administrativo, não. Lula sempre usou a Petrobrás como trampolim político. Na década de 2000, fez um pronunciamento exaltando a descoberta de petróleo no pré-sal, classificando a novidade como um “passaporte para o futuro” e uma “quase segunda independência do Brasil”. Agora, de forma idêntica, utilizou a mesma expressão para exaltar a descoberta do óleo na Margem Equatorial da Foz do Amazonas. O argumento é o mesmo: os recursos gerados pela exploração fóssil servirão para financiar a transição energética e investimentos em combustíveis renováveis. Em ambos os momentos o discurso enfatiza o papel indutor da Petrobras e a importância de manter o controle estratégico sobre os recursos energéticos nacionais.

Até aí tudo bem. O problema é saber se a nova política para a empresa impedirá que a criminalidade retorne quando o petróleo jorrar. O paralelismo das promessas parece indicar que a crise moral da estatal no seu governo deve ser esquecida, principalmente a corrupção. A descoberta do óleo na foz do Amazonas não impedirá que o país se recorde da época em que a Petrobras se tornou o principal foco dos esquemas de desvio de dinheiro investigados pela Operação Lava Jato. Lula chegou a provocar o governo dos Estados Unidos ao afirmar que, caso ocorram conflitos com o fechamento do Estreito de Ormuz no Oriente Médio, o Brasil poderá abastecer o mercado internacional com a nova produção.

Lula esquece que a Lava Jato descobriu o maior esquema de corrupção já existente no Brasil, maior até dos que ocorridos no Banco Master e nas fraudes no INSS. Todos geraram fortes impactos políticos e investigações complexas — atingindo, inclusive, figuras ligadas à base governista, sendo que, o do Banco Master, atingiu todos os poderes da República, gerando uma intensa guerra de narrativas entre o governo e a oposição. Os escândalos do Master e do INSS não são os maiores ocorridos durante o governo Lula em termos de volume financeiro ou condenações históricas. Em termos históricos e de envergadura jurídica já julgada, os maiores esquemas de corrupção associados aos governos do PT continuam sendo o Mensalão e o Petrolão. A Petrobrás perdeu muito dinheiro com a corrupção.

O esquema de compra de apoio parlamentar envolveu cifras bilionárias e dezenas de condenações de ex-dirigentes partidários, parlamentares e grandes empreiteiros. A liquidação do Banco Master e os desdobramentos das investigações conduzidas pelo STF sob a relatoria do ministro André Mendonça e pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero apontam para fraudes financeiras e relações suspeitas envolvendo um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões (Operação Sem Desconto) e os processos conexos que investigam irregularidades financeiras e operações ligadas ao Banco Master. A oposição busca associar a gênese e as conexões dos casos a lideranças petistas, enquanto os aliados do governo argumentam que, no caso do Master, o banco teve ascensão e autorizações regulatórias consolidadas em administrações federais anteriores, e que o atual governo atuou para estancar e apurar as irregularidades. Tal fato não corresponde à realidade. O legado de Lula será, com toda certeza, negativo, manchado pela corrupção e pela impunidade.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário. 

 

Ponto de vista: Legado negativo

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
25/08/2026 06:00
3 horas e 23 minutos

A avaliação e a preocupação com o legado histórico do presidente Lula dividem opiniões no cenário  político e social brasileiro, embora se saiba, desde já, que ele não será positivo. O que prevalecerá dos feitos sociais do seu governo, das crises econômicas e institucionais e da sua postura pessoal diante dos acontecimentos está aquém do que pretende. Segundo seus defensores e analistas, sua trajetória, desde o sindicalismo até a presidência da República o registrará como um líder focado na inclusão das classes populares no desenvolvimento econômico do país. Já seus opositores, analistas liberais e críticos em geral apontam fragilidades estruturais do seu governo, escândalos de corrupção e erros de gestão que caracterizam sua gestão de forma negativa. 

Matrizes econômicas adotadas geraram descontrole inflacionário, recessão e graves crises fiscais. Críticas a arranjos de governabilidade com base em coalizões congressuais de alto custo político e as escolhas feitas durante seus mandatos culminaram em graves crises de governabilidade. Mas o que vai permanecer na memória histórica de sua vida e do seu governo serão as contradições de sua trajetória como sindicalista e político, além dos escândalos de corrupção ocorridos durante seus quatro mandatos. Entre estes, o maior deles ficará com a Petrobrás, amplamente documentado em investigações como a Operação Lava Jato, envolvendo indivíduos específicos — incluindo ex-diretores indicados politicamente e executivos de empreiteiras.  O corpo funcional (os empregados) da companhia permanecerá intacto, mas o administrativo, não. Lula sempre usou a Petrobrás como trampolim político. Na década de 2000, fez um pronunciamento exaltando a descoberta de petróleo no pré-sal, classificando a novidade como um “passaporte para o futuro” e uma “quase segunda independência do Brasil”. Agora, de forma idêntica, utilizou a mesma expressão para exaltar a descoberta do óleo na Margem Equatorial da Foz do Amazonas. O argumento é o mesmo: os recursos gerados pela exploração fóssil servirão para financiar a transição energética e investimentos em combustíveis renováveis. Em ambos os momentos o discurso enfatiza o papel indutor da Petrobras e a importância de manter o controle estratégico sobre os recursos energéticos nacionais.

Até aí tudo bem. O problema é saber se a nova política para a empresa impedirá que a criminalidade retorne quando o petróleo jorrar.   O paralelismo das promessas parece indicar que a crise moral da estatal no seu governo deve ser esquecida, principalmente a corrupção. A descoberta do óleo na foz do Amazonas não impedirá que o país se recorde da época em que a Petrobras se tornou o principal foco dos esquemas de desvio de dinheiro investigados pela Operação Lava Jato. Lula chegou a provocar o governo dos Estados Unidos ao afirmar que, caso ocorram conflitos com o fechamento do Estreito de Ormuz no Oriente Médio, o Brasil poderá abastecer o mercado internacional com a nova produção. 

Lula esquece que a Lava Jato descobriu o maior esquema de corrupção já existente no Brasil, maior até dos que ocorridos no Banco Master e nas fraudes no INSS. Todos geraram fortes impactos  políticos e investigações complexas — atingindo, inclusive, figuras ligadas à base governista, sendo que, o do Banco Master, atingiu todos os poderes da República, gerando uma intensa guerra de narrativas entre o governo e a oposição. Os escândalos do Master e do INSS não são os maiores ocorridos durante o governo Lula em termos de volume financeiro ou condenações históricas. Em termos históricos e de envergadura jurídica já julgada, os maiores esquemas de corrupção associados aos governos do PT continuam sendo o Mensalão e o Petrolão. A Petrobrás perdeu muito dinheiro com a corrupção. O esquema de compra de apoio parlamentar envolveu cifras bilionárias e dezenas de condenações de ex-dirigentes partidários, parlamentares e grandes empreiteiros.  A liquidação do Banco Master e os desdobramentos das investigações conduzidas pelo STF sob a relatoria do ministro André Mendonça e pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero apontam para fraudes financeiras e relações suspeitas envolvendo um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões (Operação Sem Desconto) e os processos conexos que investigam irregularidades financeiras e operações ligadas ao Banco Master. A oposição busca associar a gênese e as conexões dos casos a lideranças petistas, enquanto os aliados do governo argumentam que, no caso do Master, o banco teve ascensão e autorizações regulatórias consolidadas em administrações federais anteriores, e que o atual governo atuou para estancar e apurar as irregularidades. Tal fato não corresponde à realidade. O legado de Lula será, com toda certeza, negativo, manchado pela corrupção e pela impunidade. 

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

 

Vazam novas mensagens bizarras de Lulinha

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) revelam que Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, demonstrou preocupação com uma viagem à Europa que faria acompanhado da lobista Roberta Luchsinger. Nos diálogos, o empresário questiona se os gastos previstos poderiam colocá-los em uma situação de risco, considerando valores que, segundo a investigação, seriam aparentemente incompatíveis com seus rendimentos.

As conversas, divulgadas pela Revista Veja, ocorreram em 18 de janeiro de 2024 e integram um relatório produzido pela PF. Segundo a corporação, Lulinha e Roberta discutiam uma viagem à Suíça, onde a lobista pretendia verificar a possibilidade de abertura de contas bancárias.

A investigação aponta Roberta Luchsinger e Lulinha como integrantes de uma suposta sociedade oculta que teria como objetivo facilitar o acesso a órgãos públicos, entre eles o Ministério da Saúde e a Dataprev.

Filho do presidente Lula (PT), Lulinha é alvo de três inquéritos atualmente em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF).

“A gente está se arriscando”

No diálogo interceptado, Lulinha manifesta desconforto com a realização da viagem naquele momento:

Lulinha:

“Então… Deixa eu te falar… Não estou nada confortável come essa viagem… Não acho que devíamos fazer nesse momento.“

Roberta:

"Por quê? Não vai ficar caro, não. Tô levantando tudo.”

Roberta:

“Bora. Estimando uns 100 mil com tudo tudo tudo”

Lulinha:

“Roberta, a gente tá se arriscando. Não precisa. É só esperar uns poucos meses e poderemos fazer isso sem medo de nada?”

Roberta:

“Medo do que?”

Lulinha:

“Nós 8? [Em resposta à mensagem sobre o valor de R$ 100 mil]”

Roberta:

“Não, eu tô colocando isso para cada. Mas deve dar menos. Eu tô levantando”

Gastos de R$ 100 mil por mês

Outras mensagens obtidas pela PF também indicam que Roberta desembolsava cerca de R$ 100 mil mensais para manter uma casa que teria sido utilizada por Lulinha.

Os diálogos são de 2025 e foram divulgados pelo Estadão. Em uma das conversas, a lobista fala com o empresário Cléber Ribas sobre a necessidade de reduzir despesas com passagens aéreas, alegando que os pagamentos de um empresário estavam demorando para ser realizados.

“Ó Fábio, agora acabou porque a casa por mês a gente gasta em torno de R$ 100 mil, então assim, não vai mas dar pra ter essas passagens”, escreveu Roberta a Cléber.

Na mesma troca de mensagens, Roberta relatou que Lulinha teria respondido que começaria a cobrar diretamente dos empresários os valores devidos. A conversa, entretanto, não esclarece a qual imóvel a lobista fazia referência.

Segundo informações já apresentadas pela investigação, Roberta mantinha um imóvel em Brasília que, conforme relato de uma ex-funcionária, seria utilizado por Lulinha.

Os diálogos fazem parte do material reunido pela PF nas apurações envolvendo o empresário e a lobista e levantam questionamentos sobre despesas relacionadas a viagens, imóveis e outras estruturas mantidas para atender Lulinha.