quinta-feira, 20 de agosto de 2026

 

Moraes e Dino tentam reviver uma regra do regime militar para calar a imprensa

Dois homens conversam frente a frente em ambiente interno. Um deles usa terno escuro, camisa branca e gravata vermelha listrada, com óculos. O outro veste traje preto formal, com gola branca, e é calvo. Fundo desfocado com outras pessoas presentes.

Dino e Moraes sonham (?) em amordaçar a imprensa

Glenn Greenwald
Folha

Sempre que alguém pensa já ter visto de tudo na política brasileira, logo se prova o contrário. Os ministros Flávio Dino e Alexandre de Moraes induziram na terça-feira (18) a esquerda a defender e torcer abertamente pelo retorno de uma restrição à liberdade de imprensa imposta pela ditadura militar em 1969.

Essa restrição, o decreto-lei nº 972/1969, foi anulada pelo STF em 2009 por 8 votos a 1, por ser incompatível com direitos constitucionais fundamentais, não tendo sido recepcionada pela Constituição Federal de 1988. O relator foi o ministro Gilmar Mendes. A ministra Cármen Lúcia e o então ministro Ricardo Lewandowski votaram com ele.

APÓS O AI-5 – A norma que Dino e Moraes sugeriram reimpor foi baixada “com fundamento no AI-5 e AI-16”, como lembrou Rafael Kriek, presidente da Comissão da Advocacia Pública da OAB-MA. O regime militar buscou limitar quem podia usar a imprensa para denunciar os abusos do Estado ao inventar uma exigência acadêmica inédita para atuar como “jornalista”: a exigência de diploma em jornalismo. Assim o regime excluiu –deliberadamente – milhões de brasileiros que vinham utilizando a imprensa para denunciá-los.

É impossível não notar o contexto similar em que Dino e Moraes tentam reviver este esquema de controle. Moraes enfrenta um dos piores escândalos da história recente do STF devido aos R$ 80 milhões recebidos pelo escritório de sua esposa do Banco Master: riqueza geracional para sua família cujo valor deixou especialistas estarrecidos.

Dino irritou-se com reportagens sobre o uso de carros oficiais, a ponto de Moraes provocar alarme e revolta ao determinar busca e apreensão contra o jornalista responsável, descobrindo sua fonte.

IGUAL À DITADURA – A resposta da dupla a esse desgaste é empurrar ainda mais os ataques à liberdade de imprensa, replicando a lógica de controle do jornalismo da ditadura de 1969.

Algumas profissões exigem conhecimentos hiperespecializados para serem praticadas com segurança e competência (cirurgiões, arquitetos de grandes edifícios, advogados em processos para defender a liberdade de outros).

Para outros trabalhos, nenhum diploma específico é necessário porque suas competências centrais podem ser obtidas por outras vias (chef, engenheiro de software, mecânico, governador, senador ou ministro do STF).

EXEMPLOS CLAROS – Para determinar a categoria do jornalismo, pergunto: William Bonner, Ricardo Boechat e Cid Moreira são jornalistas “de verdade”? E o histórico editor da Folha, Otavio Frias Filho, ou Elio Gaspari, colunista deste jornal, ou Merval Pereira, do jornal O Globo? E Bob Woodward e Carl Bernstein, responsáveis pela icônica cobertura do caso Watergate, ou Seymour Hersh, talvez o repórter investigativo mais consequente do último meio século?

Se a tese de Dino e Moraes prevalecer, todos esses gigantes seriam excluídos do “verdadeiro” jornalismo. Nenhum deles tem diploma em jornalismo e, portanto, no raciocínio deles, são incapazes de exercer as competências básicas da profissão.

Até recentemente, em 2019, na Vaza Jato, Mendes alinhou-se à sua decisão do 2009: proibiu investigações sobre minhas reportagens, inclusive tentativas de quebrar o sigilo de fontes, por fundamentos constitucionais.

DECISÃO FESTEJADA – A esquerda celebrou, assim como entidades de imprensa e a OAB, apesar de minha formação ser em direito, e não em jornalismo.

 

Muitos jornalistas gostam de se imaginar como cirurgiões cerebrais ou cientistas de foguetes quanto à complexidade da profissão. Essa visão é lisonjeira, mas bem anti-histórica.

A melhor analogia para a liberdade de imprensa não é a neurocirurgia, mas a liberdade de expressão. Ambas são direitos garantidos a todos os cidadãos, não a um sacerdócio privilegiado chamado “jornalistas”.

De fato, o conceito de “imprensa livre” surgiu pela primeira vez com a popularização da invenção da imprensa. Isso permitiu que todos os cidadãos a usassem para denunciar autoridades e serem ouvidos.

IMPRENSA LIVRE – O direito a uma imprensa livre existe para proteger essa atividade para todos. Um bom jornalismo exige competências básicas que qualquer cidadão pode dominar sem um canudo. Como explicou Lewandowski em 2009:

“O jornalismo prescinde de diploma”, pois simplesmente requer “uma sólida cultura, domínio do idioma, formação ética e fidelidade aos fatos”.

Afirmar que essas competências só se obtêm com um diploma em jornalismo é pomposo, insultuoso e falso. Pior ainda: como a ditadura demonstrou, o objetivo real nunca foi garantir o bom jornalismo (vide quantos diplomados apoiaram o golpe de 1964), mas sim controlar uma imprensa livre.


 Política

Internet resgata vídeo de Dino e expõe algo assombroso (veja o vídeo)


O que Flávio Dino faz como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) é justamente aquilo que ele sempre condenou.

Ele hoje usa o poder da toga contra os seus adversários políticos.Isso se nota claramente após decisões recentes envolvendo processos relacionados ao Maranhão. Internautas resgataram um vídeo de 2016 em que o então governador Flávio Dino fazia críticas à atuação política de integrantes do Judiciário e do Ministério Público.

Em 22 de março de 2016, durante um encontro com juristas no Palácio do Planalto, em Brasília, Dino, que havia sido juiz federal, defendia que magistrados e procuradores que quisessem participar de manifestações políticas deveriam deixar seus cargos.o pode mandar carta para passeata. E se o juiz, o procurador quiser fazer passeata: há um caminho. Basta pedir demissão do cargo”, afirmou.

Na sequência, Dino fez uma declaração que voltou a repercutir nas redes sociais:

“Não use a toga para fazer política porque isso destrói o Poder Judiciário”.

O vídeo voltou ao debate público em meio às recentes decisões de Dino em processos relacionados ao Maranhão, provocando questionamentos de internautas sobre a posição que ele próprio defendia quando ainda ocupava o cargo de governador.

“Judiciário não pode mandar carta para passeata. E se o juiz, o procurador quiser fazer passeata: há um caminho. Basta pedir demissão do cargo”, afirmou.

Na sequência, Dino fez uma declaração que voltou a repercutir nas redes sociais:

“Não use a toga para fazer política porque isso destrói o Poder Judiciário”.

O vídeo voltou ao debate público em meio às recentes decisões de Dino em processos relacionados ao Maranhão, provocando questionamentos de internautas sobre a posição que ele próprio defendia quando ainda ocupava o cargo de governador.


Fillrate

 

Consolidação da “ditadura” que Moraes quer impor no STF só depende de Zanin

Cristiano Zanin | CNN Brasil

Zanin vai decidir os rumos da democracia brasileira

Carlos Newton

Se você tem alguma dúvida se o Supremo está realmente implantando uma Ditadura do Judiciário, logo terá a resposta. O ministro Alexandre de Moraes (ele, sempre ele) pretende colocar em julgamento na Primeira Turma sua autoritária decisão de descumprir o texto constitucional e abolir o direito ao sigilo de fonte dos jornalistas.

Em sua ânsia de poder, Moraes já demonstrou abertamente que sua prepotência não conhece limites, a ponto de receber duras reações de outros países, como Itália, Espanha e Estados Unidos, que têm rejeitado pedidos de extradição do STF contra adversários do governo Lula. As decisões citam preocupações com a imparcialidade judicial, o devido processo legal e a proteção à liberdade de expressão, desmoralizando a imagem da Justiça brasileira no exterior.

PEDIDOS NEGADOS – A Corte de Cassação da Itália anulou a extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP) e determinou sua libertação. Motivo: no processo, Moraes atuou simultaneamente como vítima, investigador e julgador, algo inaceitável em qualquer país da ONU.

Na Espanha, outra derrota. Foi rejeitado em definitivo o pedido de extradição do jornalista Oswaldo Eustáquio. A justiça acolheu pareceres que indicaram haver perseguição política ao jornalista brasileiro. Por isso, desconheceu as justificativas enviadas pelo Supremo e mandou arquivar o caso,

Nos Estados Unidos a reação tem sido ainda maior. A Justiça negou as extradições do jornalista Allan dos Santos e do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ). Além disso, o Congresso americano abriu investigação sobre outros procedimentos autoritários de Moraes, que está sendo processado pela plataforma de vídeos Rumble e pela empresa Trump Media, pertencente ao presidente Donald Trump.

DESEMBESTADO – Apesar da forte reação externa e interna contra seus atos, o ministro Moraes não recua e segue desembestado em sua voragem persecutória. Seu mais recente absurdo constitucional foi investir contra a liberdade de expressão e abolir o sigilo de fonte da imprensa, ao determinar busca e apreensão contra o jornalista maranhense Luis Pablo.

O tal “crime” do repórter foi ter denunciado que o ministro Flávio Dino e sua família, quando se encontram no Maranhão, utilizam um carro blindado da Justiça estadual, com motorista e combustível pagos pelo poder público.   

Moraes autorizou apreensão do pendrive e do celular do jornalista, e assim foi possível identificar como fonte o ex-secretário estadual de Assuntos Legislativos, Raimundo Cotrim, delegado aposentado.

Esse processo já levou à prisão domiciliar de Cutrim e ao afastamento do presidente do Tribunal de Contas do Maranhão pelo período de 180 dias por decisão de Flávio Dino, que também apoio a quebra do sigilo da fonte, vejam a que ponto de inconstitucionalidades já chegamos..

AMEAÇA AO SIGILO – A ofensiva de Moraes e Dino representa uma ameaça concreta a um direito  garantido à imprensa na Constituição. O presidente Edson Fachin leu uma nota afirmando que o caso deve ser submetido ao Plenário. No entanto, Moraes desprezou a recomendação e anunciou que o assunto é da Primeira Turma, que só tem quatro ministros, devido à aposentadoria de Luís Roberto Barroso Flávio Dino, presidente, Cármen Lúcia, Moraes e Cristiano Zanin.

Dino, é claro, não poderá votar de julgamento em assunto de seu interesse direto, e a defesa do delegado Raimundo Cotrim já pediu que o ministro seja impedido de participar. Assim, a votação será presidida por Carmén Lúcia e terá a participação apenas de Moraes e Zanin.

Sabe-se que o voto de Cármen defende a manutenção do sigilo de fonte e Moraes, por óbvio, será contrário. Portanto, caberá a Zanin decidir uma votação histórica, de apenas três votos, porque dela depende diretamente a implantação da Ditadura do Supremo, que é ansiada por outros ministros, além de Morais, como Flávio Dino, Gilmar Mendes e Dias Toffoli, e que têm oposição de Luiz Fux, André Mendonça, Édson Fachin e Cármen Lúcia. É nessa divisão que mora o perigo da implantação definitiva da Ditadura do Supremo.

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P.S. –
O caso é de tamanha gravidade que vamos falar em português claro. Os ministros golpistas (vamos chamá-los da forma mais precisa e apropriada) estão se aproveitando de uma brecha no Regimento para amordaçar a imprensa e evitar divulgações de contratos como aquele de R$ 129 milhões. Como se sabe, tolher a liberdade de expressão não é possível em democracia, apenas em ditadura. Não importa se é controlada pelo Supremo, pelo Planalto ou pelo Congresso, toda ditadura é nefasta e precisa ser combatida por todas as forças democráticas da sociedade. Pensem sobre isso. A democracia brasileira está em risco muito mais grave do que no ridículo 8 de Janeiro. (C.N.)


 Direito e Justiça

Malafaia desafia Moraes: “Vai ter que me prender”

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 pastor Silas Malafaia afirmou nesta quarta-feira (19), que é alvo de perseguição religiosa e política por parte do ministro Alexandre de Moraes.

A declaração foi dada após o Supremo Tribunal Federal (STF) abrir formalmente, ação penal que vai apurar se Malafaia cometeu o crime de injúria contra o comandante do Exército, Tomás M  Ad loading

“É típico dele querer intimidar. Ele vai ter que me prender para me calar. Vai prender líder religioso? Vai ter que ter muita coragem”, disse o pastor.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Malafaia pela prática dos crimes de injúria e calúnia contra Paiva, mas, em abril, a Primeira Turma do STF decidiu receber a denúncia apenas em relação ao primeiro delito.

O placar foi de 2×2 e, então, prevaleceu o resultado no sentido mais favorável ao acusado. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, votou para receber a denúncia em relação aos dois crimes e foi acompanhado por Flávio Dino.

Entretanto, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia divergiram do relator e votaram para que fosse recebida apenas no que diz respeito ao crime de injúria.

Para Zanin e Cármen Lúcia, não há no caso os elementos essenciais para a caracterização de calúnia. O julgamento ocorreu após Moraes rejeitar um pedido da defesa de Malafaia para que fosse adiado.

 

Visita de advogado de Lulinha a Lula na calada da noite escancara a crise e o clima de tensão


Não foi um encontro qualquer. O advogado de Lulinha chegou ao Palácio da Alvorada às 19h15 desta quarta-feira (19). Ficou por mais de 3 horas em reunião com Lula.

O petista cancelou uma agenda no Superior Tribunal de Justiça (STJ) para se dedicar a esse encontro com o advogado do filho.

Isso tudo escancara o clima de crise e a tentativa de usar a estrutura oficial para conter danos políticos diante do avanço de investigações sobre corrupção e tráfico de influência. A reunião de emergência ocorre em um momento de extrema vulnerabilidade para o governo, no mesmo dia em que relatórios da Polícia Federal expuseram diálogos sobre a tentativa de burlar licitações no Ministério da Saúde, desgastando severamente o falso discurso ético do Palácio do Planalto às vésperas da corrida eleitoral.