segunda-feira, 20 de julho de 2026

 

Flávio Dino pressiona Hugo Motta e os partidos por explicações sobre emendas

Charge do Nado Motta (Brasil 247)

Fernanda Fonseca
CNN

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), aguarda nesta semana explicações do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e de dirigentes de partidos políticos sobre a distribuição de emendas parlamentares. As cobranças foram feitas pelo ministro em duas decisões relacionadas à apuração sobre a influência do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, na destinação de recursos.

Motta deverá apresentar ao Supremo todos os documentos relativos à tramitação de 21 emendas investigadas pela Polícia Federal. Os registros devem ser entregues de forma individualizada e organizados por indicação. A Câmara também terá de informar quais providências adotou para suspender a execução dos recursos, que somam aproximadamente R$ 119 milhões.

INDICAÇÃO – Segundo a PF, as emendas teriam sido indicadas por Valdemar, embora ele não exerça mandato parlamentar. Deputados teriam sido registrados formalmente como solicitantes dos recursos para ocultar a atuação do dirigente partidário. A investigação apura suspeitas de peculato, desvio e associação criminosa. O caso surgiu a partir da análise de materiais apreendidos na Operação Transparência, que investiga a distribuição de emendas de comissão na Câmara.

Para a PF, servidores e assessores da Casa teriam atuado na elaboração de planilhas, no cadastramento das indicações e no encaminhamento dos recursos conforme orientações atribuídas a Valdemar.

Dino determinou a suspensão imediata da execução das 21 emendas, estejam elas nas fases de empenho, liquidação ou pagamento. O ministro também ordenou o bloqueio de até R$ 119,2 milhões em bens do presidente do PL. Na decisão, Dino afirmou que há indícios de que Valdemar, mesmo sem mandato, teria atuado como responsável pelo direcionamento de valores.

EXPLICAÇÕES DOS PARTIDOS – Dino também determinou que os presidentes de 21 partidos com representação no Congresso esclareçam se participam da definição, gestão, distribuição ou operacionalização de emendas parlamentares. Os dirigentes devem informar se possuem cotas, reservas ou algum outro mecanismo próprio de alocação de recursos. Caso a prática exista, terão de explicar sua finalidade, abrangência, base jurídica e forma de autorização.

O ministro também pediu detalhes sobre os instrumentos usados para formalizar as indicações, como normas internas, atas ou documentos semelhantes. A determinação foi tomada após Valdemar afirmar, em uma entrevista, que presidentes de partidos também participam da indicação de emendas parlamentares.

Pela legislação, porém, a apresentação e a deliberação sobre esses recursos são prerrogativas de deputados e senadores no exercício do mandato. Foram intimados os presidentes de Avante, Cidadania, MDB, Missão, Novo, PCdoB, PDT, PL, Podemos, PP, PRD, PSB, PSD, PSDB, PSOL, PT, PV, Rede, Republicanos, Solidariedade e União Brasil.

RESPEITO ÀS REGRAS –  presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, já encaminhou sua resposta ao Supremo. Ele afirmou que “jamais” indicou emendas ou participou de decisões sobre a destinação dos recursos na condição de dirigente partidário. Kassab disse ainda que não possui cotas ou reservas de emendas e que a orientação do PSD é pelo respeito às regras regimentais do Congresso.

As informações prestadas pela Câmara e pelos partidos serão usadas pelo STF para avaliar eventuais novas providências destinadas a ampliar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares.

 Política

O despejo de Mauro Cid

O tenente-coronel Mauro Cid teve que deixar o imóvel funcional onde morava no Setor Militar Urbano (SMU), em Brasília, após o Exército negar novos pedidos de prorrogação de prazo.

A ordem de desocupação foi emitida de forma inflexível pela Prefeitura Militar de Brasília.

A junta militar recusou os argumentos do oficial e determinou o dia 15 de junho de 2026 como a data limite improrrogável para que o Mauro Cid deixasse o imóvel. Ele teve que sair às pressas.

O episódio expõe o desgaste na carreira de um oficial de alta patente, mas também a aplicação rígida dos regulamentos internos em meio a um cenário de intensa pressão política e jurídica.

CNN

 

Saiba o que é o Estreito de Bab el-Mandeb, 

alvo de bloqueio dos Houthis

Grupo do Iêmen, alinhado ao Irã, declarou embargo marítimo que ameaça o comércio e a energia global podendo agravar o conflito regional

Segundo a Enciclopédia Britannica, os navios que transitam pelo estreito transportam mercadorias a granel, como grãos e matérias-primas, e produtos manufaturados que circulam entre os centros de produção asiáticos e os mercados europeus.

O Estreito de Bab el-Mandeb ganhou importância global ao permitir que o comércio marítimo entre a Ásia e a Europa contornasse a África e atravessasse o Mar Mediterrâneo.

Impacto do bloqueio 

O Irã pressionou os Houthis para que fechassem o estreito caso os EUA continuassem a atacar a infraestrutura energética iraniana.

Com o Estreito de Ormuz bloqueado, o Mar Vermelho tornou-se uma importante rota alternativa para o escoamento do petróleo e outros produtos do Golfo. Uma interrupção grave significaria o fechamento simultâneo das duas principais rotas de exportação de petróleo do Oriente Médio. Após o bloqueio parcial de Ormuz, a Arábia Saudita respondeu desviando mais de 70% de suas exportações diárias normais de petróleo bruto para o Porto de Yanbu, no território saudita do Mar Vermelho. Os navios que partem de lá com destino à Europa seguem para o norte pelo Canal de Suez.

Os que se dirigem à Ásia seguem para o sul pelo Estreito de Bab el-Mandeb. O fechamento total dele reduziria a oferta global de petróleo em 7%, pois impediria que a maior parte das exportações de petróleo saudita deixasse a região.

Essa interrupção se somaria ao já enorme corte no fluxo global de petróleo causado pela guerra no Golfo, que já reduziu os embarques em 10% da oferta mundial.

Segundo dados da Kpler e da Signal Ocean, empresas de rastreamento de dados, os embarques de Yanbu atingiram uma média de 4 milhões de barris por dia nas últimas semanas, um aumento em relação aos cerca de 973 mil barris diários no mesmo período do ano passado.

O volume total de petróleo que transitou pelo estreito de Bab el-Mandeb atingiu 7,4 milhões de barris por dia em junho, ou cerca de 7% da produção global de petróleo, segundo dados da Kpler, um aumento em relação aos 4,2 milhões de barris diários do ano passado.

Isso tem sido uma tábua de salvação para o mercado de energia, ajudando a manter baixos os preços globais do petróleo, e a Arábia Saudita está considerando uma expansão de seu oleoduto até a costa do Mar Vermelho, informou a agência de notícias Reuters.

Qualquer ação prolongada por parte dos Houthis à navegação no Mar Vermelho, incluindo potenciais ataques a embarcações ou portos, poderia ser um 

grande problema.

Drones perto de Bab el-Mandeb

Uma fonte próxima aos Houthis disse que o grupo havia concluído os preparativos para atacar a navegação, posicionando mísseis e drones perto do Estreito de Bab el-Mandeb, nas terras altas do Iêmen com vista para Hodeidah e o Golfo de Áden. O grupo aguardava a ordem para iniciar a operação.

Representantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, que já se encontram no Iêmen, controlariam a decisão sobre quando fechar o estreito, afirmou a fonte próxima ao grupo.