quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

 

Ação de Dino sobre penduricalhos serve para sepultar Código de Ética de Fachin

Charge: Questão de ética - Blog do AFTM

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Luísa Martins e Ana Pompeu
Folha

A decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), de suspender os penduricalhos nos salários de servidores públicos foi vista como um recado ao presidente da corte, Edson Fachin, expondo um embate interno em torno de uma agenda ética para o tribunal.

Interlocutores de Dino afirmam que, com a decisão, o ministro quis mostrar que o verdadeiro código de conduta para a magistratura passa pela revisão dos chamados supersalários e que fixar regras para a realização de palestras, por exemplo, é algo secundário nesse contexto.

APOIO A DINO – Cinco ministros ouvidos reservadamente pela Folha afirmam que a tendência é de que o plenário confirme a liminar de Dino, ainda que com ressalvas pontuais no sentido de que a regulamentação do tema fique a cargo do CNJ (Conselho Nacional de Justiça). A sessão para o referendo foi marcada pelo próprio Fachin para o dia 25, no modo presencial.

Assim como ocorreu no julgamento sobre as diretrizes fixadas pelo CNJ para o uso de redes sociais por juízes, a expectativa é de que os magistrados aproveitem o tema dos penduricalhos para passar recados sobre a necessidade ou não de se estabelecer parâmetros para a atuação dos ministros.

O código de conduta é uma aposta de Fachin para tentar recompor a imagem do Supremo, que está em crise devido aos desdobramentos da investigação sobre o Banco Master. Os ministros Dias Toffoli, relator do caso, e Alexandre de Moraes, estão no centro dos desgastes.

Toffoli tem tido sua conduta questionada desde que viajou de jatinho com um dos advogados da causa e impôs um severo regime de sigilo ao processo, passando por negócios familiares que associam seus irmãos a um fundo de investimentos ligado ao Master.

R$ 129 MILHÕES – Já em relação a Moraes, pesa o fato de que o escritório de sua esposa, a advogada Viviane Barci, firmou um contrato de R$ 3,6 milhões mensais com a instituição financeira para representá-la na Justiça. O ministro disse, na semana passada, que qualquer juiz está impedido de julgar casos cuja banca de advogados inclua um parente.

Como mostrou a Folha, a estratégia de Fachin para avançar com um código de conduta para a corte divide até mesmo ministros favoráveis à iniciativa. Mesmo entre esses apoiadores, há hesitações em relação ao momento escolhido para o debate e um temor de que a discussão fragilize a corte em um momento de vulnerabilidade.

Um desses ministros é o próprio Dino. De acordo com auxiliares do ministro, ele é receptivo à ideia de implementar um código de conduta para a magistratura, mas não concorda integralmente com a postura que vem sendo adotada pelo presidente da corte para fazer valer a sua proposta.

HÁ UM IMPASSE – Embora Fachin tenha conversado com os ministros ainda no período das férias, avisado previamente aos colegas que anunciaria Cármen Lúcia como relatora do código e pregado a necessidade de um consenso, a medida segue com ares de imposição para uma ala do tribunal. A leitura é de que Fachin ignorou as sugestões sobre aguardar um “timing” melhor.

Na decisão em que suspende os penduricalhos, expedida na quinta (5), Dino disse que os supersalários afrontam o princípio da moralidade e os caracterizou como um “fenômeno da multiplicação anômala das verbas indenizatórias” que alcançou “patamares absolutamente incompatíveis” com a Constituição Federal.

Sob reserva, um ministro mais inclinado a rejeitar o código de conduta afirma que os penduricalhos, assim como o combate à corrupção na magistratura, deveriam ser o foco prioritário de Fachin para recuperar o prestígio do Judiciário, não medidas que restrinjam pronunciamentos públicos ou a participação em eventos.

SUPERSALÁRIOS – Apesar das críticas, auxiliares de Fachin afirmam que a decisão sobre os supersalários não foi interpretada pelo presidente do Supremo como um recado negativo, já que ele próprio enfrenta o tema no CNJ no âmbito do Observatório da Transparência, criado no primeiro dia de sua gestão. O presidente do tribunal também chefia o Conselho Nacional.

Interlocutores do ministro também afirmam que, cerca de duas horas depois da decisão de Dino, no intervalo da sessão plenária de quinta-feira, Fachin conversou com os pares e decidiu marcar para breve a sessão para o referendo da liminar, com base em um entendimento de que o melhor seria lidar com o tema o quanto antes.

O nome de Cármen como relatora do código é visto como positivo por magistrados do tribunal, para que as discussões ocorram de forma ponderada, construtiva e com um distanciamento da “paixão” com que Fachin tem tratado do assunto. Ela é considerada uma magistrada habilidosa para arbitrar conflitos.

JUSTIÇA ELEITORAL – Nesta terça-feira (10), a presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) teve uma reunião com representantes dos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) para apresentar o que tem sido classificado como um “cânone comportamental” para a atuação de seus juízes em ano eleitoral.

Cármen Lúcia defende medidas para uniformizar condutas e reforçar a credibilidade institucional no período eleitoral. Segundo a corte, os chefes das cortes locais se manifestaram pela importância do fortalecimento da ética, da transparência e da confiança da sociedade na Justiça Eleitoral.

As regras vedam o recebimento de presentes ou favores, a atuação em processos que envolvam escritórios de advocacia com vínculo do magistrado, restringem o exercício de atividades não judiciais que comprometam as funções, a participação em eventos que possam gerar conflito de interesses e a abstenção de posicionamentos ou sinalizações políticas, inclusive nas redes sociais.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Muita espuma e pouco chope. Fachin finge que vai moralizar, e a maioria dos ministros não lhe dá confiança, não está nem aí. Enquanto isso, cresce o clamor público contra o Supremo, e isso vai influir muito nas eleições, em prejuízo de Lula, que protege o Supremo, cujos atos são indefensáveis. (C.N.)

Sputnik

 

'Novo Iraque': possível invasão ao Irã custará muito para EUA e Israel, alerta mídia

A bandeira nacional iraniana hasteada à meio mastro na Embaixada do Irã em Moscou, Rússia, depois que um helicóptero que transportava o presidente iraniano Ebrahim Raisi, o ministro das Relações Exteriores Hossein Amirabdollahian e seus companheiros caiu no noroeste do Irã, 20 de maio de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 11.02.2026
Apesar do poder militar combinado dos EUA e de Israel, o Irã continua sendo um alvo extremamente difícil de conquistar, escreve o portal EurAsian Times.
O portal destaca que invadir o Irã arriscade se transformar em outro atoleiro caro para os EUA, semelhante à guerra no Iraque.

"O maior arsenal militar do Irã está em sua capacidade de produção de mísseis e drones. O país possui um arsenal formidável de mísseis balísticos e hipersônicos, além de drones letais de longo alcance. [...] Com isso, o país poderia atingir bases militares dos EUA na região", ressalta a publicação.

Ao mesmo tempo, é apontado que alguns drones e sistemas de mísseis do Irã podem alcançar Israel e partes do Sudeste Europeu.
Soldados realizam testes de fogo real das primeiras versões do míssil de longo alcance ATACMS no Campo de Teste de Mísseis White Sands, nos EUA, em 14 de dezembro de 2021 - Sputnik Brasil, 1920, 10.02.2026
Panorama internacional
EUA posicionam mísseis em plataformas móveis no Catar em meio a tensões com o Irã
Segundo o texto, o arsenal de mísseis balísticos do Irã é estimado entre 2.500 e 3.000 unidades, e Teerã está fabricando centenas a mais a cada mês. Nesse contexto, o material sublinha que o Irã também atualizou seus mísseis desde o conflito com Israel de junho de 2025.

"Entre os mísseis que representam uma ameaça estão a série Shahab, incluindo o Shahab-3 e o Kheibar Shekan, com alcance de cerca de 2 mil quilômetros e ogivas que pesam entre 700 e 1.000 quilos de explosivos", especifica o portal.

Além disso, o artigo elabora que o Irã também possui uma Marinha muito competente, com 27 submarinos e diferentes navios de guerra, o que lhe permitiria dominar pontos estratégicos cruciais no mar Vermelho e no estreito de Ormuz.
Trump não optará por invasão de grande escala no Irã, prognostica analista - Sputnik Brasil, 1920, 01.02.2026
Panorama internacional
Trump não optará por invasão de grande escala no Irã, prognostica analista
Portanto, a matéria conclui que esses fatores comprovam que o Irã poderia causar enormes danos aos Estados Unidos e a Israel.
Anteriormente, o conselheiro do líder supremo do Irã para os assuntos políticos, Ali Shamkhani, confirmou que, no caso de um ataque dos EUA, a República Islâmica tomará medidas contra Israel.
Segundo ele, para o Irã, Israel e os EUA não são "dois elementos diferentes", mas "a mesma coisa". Shamkhani acredita que, se os EUA atacarem, Israel também estará envolvido. Em relação à escala da resposta, o conselheiro indicou que o Irã responderia "da mesma forma".

 Direito e Justiça

Ex-assessora acusa Marco Buzzi de assédio dentro do tribunal e sela o destino do ministro

O ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), foi afastado temporariamente de suas funções após uma ex-assessora formalizar acusação de assédio sexual ocorrido em seu gabinete. A denúncia foi apresentada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) nessa segunda-feira (9). A decisão pelo afastamento foi tomada de forma unânime durante reunião extraordinária realizada na manhã desta terça-feira (10).

A denunciante é funcionária terceirizada e continua trabalhando em outro setor do tribunal após deixar o gabinete de Buzzi. Sua identidade será mantida em sigilo durante todo o processo investigativo por determinação das autoridades responsáveis.

Esta acusação soma-se a um caso anterior em que o ministro foi denunciado por importunação sexual contra uma jovem de 18 anos, filha de amigos, em uma praia de Santa Catarina. Buzzi agora enfrenta investigações simultâneas em três instâncias: CNJ, STJ e Supremo Tribunal Federal (STF).

Ministros do STJ consideram o novo caso grave por envolver condutas que teriam ocorrido dentro das dependências do próprio tribunal. O CNJ confirmou que a ex-assessora já havia relatado o ocorrido a colegas anteriormente, elemento que confere maior credibilidade à denúncia, na avaliação de integrantes da corte.

Antes da reunião decisiva, Buzzi apresentou um atestado médico solicitando licença por 90 dias. A iniciativa foi interpretada por seus pares como tentativa de adiar as investigações. Durante o afastamento, ele está proibido de frequentar seu gabinete e utilizar o carro oficial, mas continuará recebendo seu salário mensal de R$ 44 mil.

Em correspondência enviada aos colegas, o ministro afirmou estar com "consciência tranquila, mas alma muitíssimo agitada" e declarou-se "muito impactado com as notícias" sobre as acusações. Na mesma carta, Buzzi expressou preocupação com os efeitos das denúncias sobre seus familiares.

"Tudo está causando mágoas às pessoas da minha família e convivência. Creio que nos procedimentos já instauradas demonstrarei minha inocência", escreveu o magistrado em sua defesa aos colegas do tribunal.

Por meio de nota, a defesa de Buzzi afirmou não poder comentar especificamente sobre a acusação da ex-assessora: 

"Não há como se manifestar sobre episódios de contornos indefinidos sobre os quais a defesa não teve acesso. Tais informações deveriam estar em procedimento sigiloso para a devida checagem prévia antes de qualquer divulgação por fontes anônimas".

O caso ganhou novos contornos no fim da semana passada, quando alguns ministros tomaram conhecimento da situação. No domingo, já havia indicações de que a posição de Buzzi se agravaria com o surgimento de mais um relato de conduta imprópria, confirmado com a formalização da denúncia pela ex-assessora junto ao CNJ.