quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

 

Exército russo liberta 8 povoados nas primeiras 2 semanas de janeiro, diz chefe do Estado-Maior

Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e vice-ministro da Defesa da Rússia, fala durante reunião do Ministério da Defesa russo, 21 de dezembro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 15.01.2026
As Forças Armadas da Rússia continuam avançando com sucesso em todos os setores da operação militar especial na Ucrânia, relatou na quinta-feira (15) Valery Gerasimov, o chefe do Estado‑Maior do Exército russo.
Em particular, Gerasimov sublinhou que as forças ucranianas não levam em conta as perdas de pessoal ao tentar deter o avanço do agrupamento russo Tsentr (Centro), mas fracassam.

"O avanço das unidades das Forças Armadas russas está ocorrendo praticamente em todas as direções", declarou o oficial no decorrer da verificação do cumprimento das tarefas pelo agrupamento russo Tsentr (Centro) na direção de Dnepropetrovsk.

Nesse contexto, Gerasimov afirmou que os militares do agrupamento russo Tsentr (Centro) continuam eliminando o inimigo na cidade de Konstantinovka na República Popular de Donetsk (RPD) e desenvolvem o avanço após a libertação das cidades de Krasnoarmeisk e Dimitrov, também na RPD.
Além disso, Gerasimov destacou que, em duas semanas de janeiro, oito povoados foram libertados e mais de 300 km² de território passaram para o controle das forças russas.
Ao mesmo tempo, o chefe do Estado-Maior confirmou que as unidades do agrupamento russo Yug (Sul) estão avançando em direção da cidade de Slavyansk, na RPD.
Por sua vez, o agrupamento russo Vostok (Leste), após a libertação do povoado de Gulyaipole, continuam a ofensiva na região de Zaporozhie e expandem a zona tampão na região de Dnepropetrovsk.
Sistema de defesa aérea Tor-M1 do Distrito Militar Central das Forças Armadas da Rússia na direção de Krasnoarmeysk na zona operação militar especial. - Sputnik Brasil, 1920, 14.01.2026
Operação militar especial russa
Sistemas de defesa antiaérea russos derrubam 260 drones ucranianos de asa fixa, informa MD
Além disso, o agrupamento russo Dniepre está realizando a ofensiva na direção da cidade de Zaporozhie.
Na região de Carcóvia, o agrupamento russo Zapad (Oeste) está terminando a libertação da povoação de Kupyansk-Uzlovoi. Ele destacou que os militares repeliram todas as tentativas de adversário de contra-atacar em Kupyansk.
Por sua vez, o agrupamento russo Sever (Norte) expande a zona tampão nas regiões de Carcóvia e Sumy. Nesse contexto, Gerasimov especificou que desde o início de janeiro os militares libertaram dois povoados na região de Sumy: Grabovskoe e Komarovka.
No dia de 29 de dezembro de 2025, Gerasimov informou na reunião com o presidente russo, Vladimir Putin, que as tropas russas libertaram 334 povoados e 6.640 km² do território em 2025.

 

Confirmado! Na ânsia de condenar Bolsonaro, Moraes descumpriu a lei

Tribuna da Internet | Moraes coloca tornozeleira eletrônica em Bolsonaro e agrava a crise política

Charge do Schmock (Revista Oeste)

Carlos Newton

Em seguimento às notícias exclusivas publicadas nesta quarta-feira, a Tribuna da Internet pode confirmar que o ministro Alexandre de Moraes, na ânsia de condenar definitivamente o ex-presidente Jair Bolsonaro, descumpriu o Regimento do Supremo Tribunal Federal, que tem força de lei.

Embora nenhum outro órgão de imprensa demonstre interesse pelo assunto, tampouco tenha havido manifestação de qualquer jurista, seja de notório ou nenhum saber, a verdade é que Moraes estava impedido de julgar o mais recente recurso dos advogados de Bolsonaro, em função do artigo 76 do Regimento do STF, que transcrevemos aqui.

DIZ O REGIMENTO – Na hipótese de rejeição dos embargos infringentes, como é o caso, o Regimento determina expressamente o seguinte:

“Art. 76 – Se a decisão embargada for de uma Turma, far-se-á a distribuição dos embargos dentre os Ministros da outra; se do Plenário, serão excluídos da distribuição o Relator e o Revisor.

Portanto, desde a recusa dos embargos infringentes, em 19 de dezembro, a Ação Penal 2.668 passou a ser da alçada da Segunda Turma do Supremo, formada por Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux.

DOIS MOTIVOS – Moraes não poderia mais atuar nessa ação penal, por dois motivos: 1) Por já ter considerado concluído o processo, decretando a situação de “transitado em julgado”; 2) Porque o Regimento determina que a responsabilidade de responder a agravo regimental é da competência do relator da Segunda Turma, que deve prosseguir tocando o processo até o verdadeiro trânsito em julgado.

Aliás, estranha-se o silêncio obsequioso dos advogados de Bolsonaro, que até agora não protestaram contra a ilegalidade cometida por Moraes. Afinal, a quem estes senhores estão defendendo: a Bolsonaro ou a Moraes?

Desculpem a franqueza, mas a impressão que se tem é de que os três caríssimos escritórios que defendem Bolsonaro também não conhecem o Regimento do STF e jamais leram o Artigo 76, que se aplica no caso.

MUITO DINHEIRO – Bem ou mal, os três escritórios que defendem conjuntamente Bolsonaro estão se enchendo de dinheiro. Uma visita à inteligência artificial do Google mostra que não tem faltado incentivo monetário, digamos assim.

Em novembro de 2024, a Polícia Federal encontrou na sede do PL em Brasília, comprovantes de transferências bancárias, que totalizavam R$ 6,8 milhões pagos a advogados. Quatro meses depois, o próprio Bolsonaro declarou que já havia gasto  R$ 8 milhões em honorários advocatícios. De lá para cá, vem aumentando, embora se possa argumentar que ainda é pouco, se comparado aos R$ 129,6 milhões da mulher de Moraes.

E o resultado? Bem, o resultado está sendo pífio. Mesmo tendo como base o monumental voto de Fux (429 páginas), ainda assim as defesas deixam a desejar e mostram que os advogados são iguais a Moraes e não conhecem nem mesmo o Regimento do STF, vejam a que ponto de esculhambação chegamos.

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P.S.– Os advogados de Bolsonaro agora têm direito de recorrer à Segunda Turma, para anular a decisão ilegal de Moraes, mas será que saberão fazê-lo? Tenho minhas dúvidas. No caso dos embargos infringentes, por exemplo, eles erraram feio na petição e facilitaram a resposta de Moraes.  Enfim, vamos aguardar, mas nesta sexta-feira traremos outras informações exclusivas sobre os impressionantes erros dos advogados de Moraes. (C.N.)

Piada do Ano! TCU desiste de criar caso com BC por causa do Master

Presidente do TCU avalia que reunião com Banco Central afasta risco de  medida cautelar

TCU retira do caso Master o ministro Jhonatan de Jesus

Raquel Landim
Estadão

Numa sala com mais de 20 pessoas, o Tribunal de Contas da União (TCU) concordou em avalizar as ações tomadas pelo Banco Central na liquidação do Master. O compromisso foi de uma diligência rápida – que nem chega a ser uma inspeção – feita pelo corpo técnico do TCU, unidade respeitada conhecida como “audibancos”, e não mais pelo gabinete do ministro relator do caso, Jhonatan de Jesus.

A “audibancos”, aliás, já tinha concordado em relatório com o que havia sido feito pelo BC. Nenhuma chance de reversão de liquidação ou de congelamento de venda de ativos.

SAIA JUSTÍSSIMA – Conforme interlocutores ouvidos pela coluna, a situação dentro da sala de reuniões onde representantes do BC receberam os ministros do tribunal nesta segunda-feira, 12, era bem diferente do que foi descrito publicamente.

Enquanto o presidente do TCU, ministro Vital do Rego, contava aos jornalistas que o BC havia “pedido” a inspeção e queria o “selo de qualidade” do tribunal, na reunião, ficou evidente o constrangimento com a situação.

Desde que o TCU decidiu entrar no caso Master, ameaçando reverter ou dificultar a liquidação do banco de Daniel Vorcaro, muitas vozes da opinião pública se insurgiram contra.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Com Moraes, Toffoli e Jhonatan fazendo a defesa do Master, isso significa que o resto do mundo deve ser contra… (C.N.)

Sputnik

 

Mídia: Exército chinês testa armas quânticas e redefine disputa global por superioridade digital

Militares gritam durante um desfile militar para comemorar o 80º aniversário da rendição do Japão na Segunda Guerra Mundial, realizado em frente ao Portão da Paz Celestial, em Pequim, 3 de setembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 15.01.2026
O programa do ELP está desenvolvendo ferramentas de guerra cibernética baseadas em tecnologia quântica, já testadas na linha de frente, para acelerar a análise de dados do campo de batalha, reforçar defesas e criar sistemas de navegação e detecção mais precisos e resistentes a interferências.
O Exército de Libertação Popular (ELP) da China afirma estar desenvolvendo tecnologia quântica para aprimorar o mapeamento da linha de frente e coletar informações militares no ciberespaço público. Segundo o South China Morning Post, mais de dez ferramentas quânticas experimentais de guerra cibernética estão em fase de desenvolvimento, algumas já testadas em missões reais.
O projeto é conduzido por um laboratório de supercomputação da Universidade Nacional de Tecnologia de Defesa, que integra computação em nuvem, inteligência artificial (IA) e tecnologias quânticas.

A expectativa dos comandantes é que esses sistemas permitam processar grandes volumes de dados do campo de batalha em poucos segundos, acelerando decisões estratégicas e a distribuição de recursos.

Além disso, sensores e sistemas de posicionamento quânticos podem reforçar as defesas antiaéreas, identificando aeronaves furtivas que escapam aos radares tradicionais. A mesma tecnologia também pode viabilizar sistemas de navegação extremamente precisos e resistentes a interferências ou falsificações, ampliando a segurança operacional.
Computador quântico, ilustração - Sputnik Brasil, 1920, 16.02.2025
Panorama internacional
Como a Rússia e a China dominam a corrida global de computadores quânticos
Um oficial não identificado afirmou ao jornal que "velocidade e mudança" orientam o desenvolvimento das novas armas cibernéticas, destacando que projetar armamentos eficazes exige antecipar o formato dos conflitos futuros. Pesquisadores da Força de Apoio à Informação do ELP trabalham em modelos avançados de consciência situacional, impulsionados por ferramentas de segurança cibernética.
A equipe responsável afirma aproveitar a integração de plataformas públicas e capacidades de suporte em múltiplos domínios, colaborando diretamente com tropas da linha de frente para compreender necessidades reais. Dados coletados ao longo de um ano foram usados para criar um mapa unificado da situação no terreno, aprimorando a precisão das análises.
Segundo os responsáveis pelo programa, a unidade continuará a estreitar a cooperação com as Forças Armadas e a adaptar-se às mudanças tecnológicas e estratégicas. O grupo também promove o rastreamento dinâmico, a classificação de resultados e a aplicação prática de tecnologias de ponta em segurança cibernética e informação, reforçando a ambição chinesa de avançar na guerra digital.

 

Tropas europeias desembarcam na Groenlândia pela 1ª vez, informa mídia alemã

Casas cobertas de neve na Groenlândia. - Sputnik Brasil, 1920, 15.01.2026
Passadas apenas sete horas após a cúpula infrutífera em Washington dedicada à questão da Groenlândia, dois aviões dinamarqueses chegaram à ilha com soldados de forças especiais e de inteligência europeias, informa o jornal alemão Bild.
O desembarque de tropas europeias na ilha ocorreu em meio a crescentes divergências entre a Europa e os EUA sobre a posse da ilha, alimentadas por declarações regulares do presidente norte-americano, Donald Trump, sobre as reivindicações americanas da ilha dinamarquesa.
De acordo com a notícia, na madrugada desta quinta-feira (15), dois aviões militares Hercules dinamarqueses chegaram à ilha, desembarcando as primeiras unidades das forças especiais e de inteligência europeias.
Como afirmaram os repórteres, um avião aterrou no aeroporto civil da capital da Groenlândia, Nuuk, e o segundo chegou ao aeródromo da base militar dinamarquesa Kangerlussuaq. Deve-se notar que a operação não é coordenada no âmbito da OTAN, mas do comando de Copenhague.
Barco navega por uma enseada congelada perto de Nuuk, na Groenlândia. - Sputnik Brasil, 1920, 14.01.2026
Panorama internacional
Alemanha, Noruega e Suécia enviarão militares à Groenlândia em meio a tensão com os EUA
Segundo a informação da mídia, o avião que aterrou no aeroporto civil trouxe dois ônibus com soldados dinamarqueses e franceses. As tropas foram instaladas no centro do Comando do Ártico da Dinamarca localizado nos arredores de Nuuk.
Além disso, é relatado que soldados dos Países Baixos, Canadá, Suécia, Reino Unido e Noruega estão sendo enviados para a Groenlândia.
O Ministério da Defesa alemão anunciou que a Alemanha participará "de uma missão de reconhecimento na Groenlândia de 15 a 17 de janeiro de 2026, juntamente com outros países europeus".

"O objetivo é explorar o escopo de possíveis contribuições militares para apoiar os esforços de segurança da Dinamarca na região, por exemplo, no campo da vigilância marítima", diz o texto.

Citando fontes, o jornal Bild informou também que os preparativos para o envio de tropas da OTAN levaram vários dias, mas foram deliberadamente mantidos em segredo. As primeiras unidades deixaram o país somente após as negociações entre Dinamarca e Groenlândia, por um lado, e Estados Unidos, por outro, terem completamente fracassado em Washington nesta quarta-feira (14).
A Groenlândia faz parte da Dinamarca como território autônomo. Em 1951, Washington e Copenhague, além dos compromissos de aliança no âmbito da OTAN, assinaram o Tratado de Defesa da Groenlândia. De acordo com ele, os Estados Unidos se comprometeram a defender a ilha de possíveis agressões.

 

O 'petróleo' no Oiapoque atrai brasileiros de volta ao país e transforma região: 'É um bairro atrás do outro'

Área desmatada recebeu novas ocupações no Oiapoque; moradores chegam na esperança dos recursos do petróleo

Crédito,Uesclei Costa

Legenda da foto,Área desmatada recebeu novas ocupações no Oiapoque; moradores chegam na esperança dos recursos do petróleo
  • Tempo de leitura: 10 min

Há 35 anos, a paraense Sheila Cals decidiu cruzar o rio Oiapoque, no extremo norte do Brasil, para poder oferecer uma vida melhor aos filhos, na Guiana Francesa, o território francês que faz fronteira com o Estado do Amapá.

Mas em Caiena, a capital franco-guianense, a costureira de 69 anos começou a ouvir de amigos há cerca de dois anos que era a hora de voltar ao Brasil - mais especificamente à cidade de Oiapoque (AP). Ela achou que era mesmo a hora.

"Sempre foi meu sonho voltar ao Brasil. E agora ficamos na expectativa de acontecer aqui o que aconteceu na Guiana, no Suriname", diz Sheila, já em sua nova casa, em Oiapoque.

Ela se refere ao boom econômico com a exploração de petróleo nos países vizinhos - uma esperança presente nos novos e velhos moradores dessa cidade do Amapá de 30 mil habitantes, ligada à capital, Macapá, por quase 600 km de estrada, 100 deles sem asfalto.

Na ponta mais ao norte do Brasil, Oiapoque é o município mais próximo da chamada bacia da foz do rio Amazonas, na Margem Equatorial, onde a Petrobras iniciou a prospecção para exploração de petróleo em águas profundas.

Autorizada pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) em outubro após anos de expectativa e de embates dentro do próprio governo Lula sobre o impacto ambiental do projeto, a Petrobras deve seguir as pesquisas até março de 2026, para saber se a exploração de petróleo ali, a 150 quilômetros da costa, é economicamente viável.

Em 6 de janeiro, a Petrobras interrompeu a perfuração do poço após identificar vazamento de um fluido usado para limpar e lubrificar a broca que auxiliava na perfuração. A empresa não informou quando retomará os trabalhos.

Caso a exploração de petróleo se concretize, cidades litorâneas do Pará e Amapá, especialmente Oiapoque, devem receber os royalties, num fluxo de dinheiro inédito ali.

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  • Os recursos são uma compensação financeira paga pelas empresas produtoras, no caso a Petrobras, como remuneração pela exploração de recursos não renováveis. A cidade que mais recebe royalties no Brasil, Maricá (RJ), arrecadou R$ 2,6 bilhões em 2025.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a exploração da Margem Equatorial pode elevar o PIB do Amapá em até 61,2%, além de gerar cerca de 54 mil empregos diretos e indiretos. O Amapá é hoje o Estado com o terceiro menor PIB do Brasil, à frente apenas de Acre e Roraima.

Em Oiapoque, pouco se cogita a possibilidade desses royalties não se concretizarem - e só a especulação já tem mudado a dinâmica da cidade e trazido migrantes de outros municípios, outros Estados e até outros países, como a própria Sheila.

"Eu vim também pela melhoria que eu tenho certeza que o petróleo vai trazer para o município. É a expectativa de todos os moradores", diz a moradora do Belo Monte, bairro que está na zona de expansão da cidade movida pelos migrantes.

Essa região, nos arredores do aeródromo de Oiapoque, sofreu uma transformação drástica nos últimos anos, com desmatamento e construção de centenas de casas em ocupações sem nenhuma estrutura.

Nas contas de Zione de Paiva, conhecida como a Loira do Belo Monte, presidente da associação do bairro, mais de 100 casas foram construídas só ali no último ano, chegando a 450.

"São pessoas que estão vindo para Oiapoque atrás de um emprego, atrás de uma oportunidade", diz Loira.

Além do Belo Monte, ocupações ainda mais recentes, como Areia Branca, Nova Conquista e Independência, tem visto, dia após o outro, novas construções subindo e novos moradores chegando.

Sheila Cals voltou da Guiana Francesa para morar em nova ocupação no Oiapoque

Crédito,Acervo Pessoal

Legenda da foto,Sheila Cals voltou da Guiana Francesa para morar em nova ocupação no Oiapoque

A prefeitura de Oiapoque - cujo comando está nas mãos do presidente da Câmara dos Vereadores, Pedro Guido (PP), após o prefeito Breno Almeida (PP) ser cassado por compra de votos - não contabiliza os novos moradores que estão chegando. Mas alguns dados dão algumas pistas.

Para 2026, já há 807 novos estudantes interessados em vagas nas escolas municipais, informou em ofício à BBC News Brasil a Secretaria de Educação do Oiapoque. O número representaria um acréscimo de 16% de alunos na rede municipal, hoje com cerca de 5 mil alunos.

Segundo a secretaria, aberturas de anexos e utilização de estruturas estão sendo feitas para atender "a chegada massiva de moradores em busca de emprego, impulsionada pela expectativa de extração de petróleo na margem equatorial".

Já a secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação informou verificar "um índice de crescimento considerável nos últimos anos", apesar de não ter uma contagem.

Somente em 2025, foram emitidos cerca de 800 alvarás de construções e transferências, "reflexo direto do investimento em obras comerciais e residenciais" nos últimos anos.

Nos últimos meses, o geógrafo Edenilson Moura, professor na Universidade Federal do Amapá (Unifap), no campus Binacional de Oiapoque, tem fotografado as novas construções pelas ruas justamente para documentar as transformações na cidade.

"A cidade está cheia de edificações sendo construídas. Não são prédios muito altos, como em outros padrões de verticalização de distintas realidades urbanas brasileiras, mas hoje já percebo edifícios de quatro, cinco pavimentos sendo erguidos. Isso por si só já demonstra um novo modelo de organização do espaço urbano de Oiapoque", diz Moura.

Novas construções se espalham também na área central da cidade

Crédito,Edenilson Moura/Acervo Pessoal

Legenda da foto,Novas construções se espalham também na área central da cidade

Com a prospecção de petróleo em andamento, Oiapoque tem sido base de da Petrobras. A empresa reformou o aeroporto para receber voos fretados da Azul levando funcionários que chegam de Macapá e partem dali em helicópteros para plataformas em alto mar.

Com a chegada de funcionários e de migrantes, também crescem os aluguéis. Uma moradora relatou que o valor pago subiu de R$ 1200 para R$ 1900 de um mês para o outro. Uma empresária que aluga um estacionamento diz que o valor cobrado dobrou no último ano.

Mas, além do aumento da demanda, a cidade tem vivido um cenário de especulação, avalia a corretora de imóveis Ivete Sarmento. Segundo ela, no mercado está havendo um desequilíbrio entre os que cobram valores realistas e os que reajustam sem controle.

"Você olha o valor e pensa: de onde a pessoa tirou isso, sabe?"

"Tem pessoas que estão usando do oportunismo desses boatos de que vai ganhar muito dinheiro muito rapidamente. Enfim, uma ilusão", diz Sarmento.

Para a corretora, a disparada de preços de aluguéis na cidade pode ter efeito cascata até em alimentos, algo tradicionalmente caro na cidade fronteiriça.

"A partir do momento que você aluga um imóvel caro, o empresário que alugou vai ter que colocar esse valor dentro do produto dele para poder vender", diz.

O município de Oiapoque, onde novas eleições estão marcadas para abril de 2026, está elaborando seu primeiro plano diretor, o que pode balizar o preço do metro quadrado.

Novos bairros

Mesma região registrada em 2021 e em setembro de 2025; foto mostra avanço de desmatamento

Crédito,Uesclei Costa

Legenda da foto,Mesma região registrada em 2021 e em setembro de 2025; foto mostra avanço de desmatamento e aumento da ocupação

A região que simboliza a nova fase do Oiapoque é uma área que vai das margens da BR-156, antes da chegada ao centro da cidade, até perto da comunidade Vila Vitória. É um terreno com mais de três quilômetros de comprimento.

O início dessa ocupação começa ainda nos anos 2000, numa área que foi invadida perto do aeroporto da cidade, hoje chamado de bairro Infraero, o único em que algumas famílias possuem o título das suas propriedades.

Em 2017, diante dessa primeira ocupação, a Aeronáutica, dona original da área, doou 213 hectares para a prefeitura, no intuito de regularização fundiária das famílias.

"A prefeitura não se mobilizou para fazer um projeto, uma cidade planejada. Então, ela permitiu que as pessoas fossem invadindo de qualquer jeito", lembra a corretora Ivete Sarmento, há 23 anos na cidade.

A expansão sobre o terreno de mata continuou especialmente a partir de 2020, sempre junto à expectativa de tempos melhores para Oiapoque. Surgiram ali na sequência as ocupações dos bairros de Belo Monte e Nova Conquista.

Nos últimos três anos, vieram o Areia Branca, a Matinha e o Independência.

Diante da expansão sem controle, a prefeitura entrou em 2025 com um processo de reintegração de posse de toda a área, mas o Tribunal de Justiça do Amapá determinou uma mediação, visto que há "traços típicos de um conflito fundiário coletivo de grande escala, envolvendo extensa área urbana ocupada há mais de uma década". A ideia é que sejam impedidas novas construções e uma organização da área ocupada.

A prefeitura de Oiapoque informou à BBC News Brasil que o planejamento urbano desses novos bairros está atualmente na etapa de regularização fundiária, com levantamentos técnicos sendo realizados, para definir áreas para equipamentos públicos, infraestrutura urbana, ruas e pontos comerciais. A previsão da Prefeitura é de que em 2026 a área esteja regularizada.

Para o professor Edenilson Moura, a história do Oiapoque e desses novos bairros revela uma cidade que vive de expectativas por ciclos econômicos, como a arrastada construção da Ponte Binacional que liga o Amapá à Guiana Francesa e promessa de facilidade de visto para transitar entre os dois territórios.

"E aí às vezes o desenvolvimento social não chega da forma que as pessoas imaginam", diz Moura.

A ponte ligando Oiapoque a Saint-Georges foi inaugurada em 2017, mas a cobrança dos franceses de mais de 60 euros (R$ 376) em visto e taxas de seguro por carro nunca fez o tráfego deslanchar. A travessia em pequenos barcos, que escapam da fiscalização, segue sendo a mais utilizada.

Ainda sem o petróleo, economia da cidade é baseada no comércio fronteiriço (especialmente franceses que vêm comprar produtos mais baratos), além da pesca e agricultura.

Os bairros mais novos, em geral, estão sendo ocupados com casas muito simples, de madeira, em ruas de terra e até sem acesso a água.

Segundo relatos feitos à reportagem, além dos que chegaram pela necessidade de moradia, outro grupo ocupou vários lotes, na expectativa de revenderem mais na frente, se a fartura do petróleo chegar.

"Os órgãos fizeram vista grossa e foram deixando", diz a bióloga Joessy de Cássia, que começou a construir sua casa em 2024 na recém-criada ocupação do Independência e virou a presidente da associação dos moradores.

Segundo ela, inicialmente a ocupação surgiu porque a cidade inchada não tinha mais para onde crescer. Oiapoque fica às margens de um rio, cercada por áreas militares e de preservação.

Mas que agora, com o início da prospecção da Petrobras, toda a ocupação acelerou.

"Bastou as pessoas fazerem a primeira derrubada de árvores para o povo se proliferar", diz Joessy.

Casas da Ocupação Independência

Crédito,Joessy de Cássia/Acervo Pessoal

Legenda da foto,Ocupação Independência foi uma das últimas a surgir

Mesmo com a falta de estrutura urbana, novos moradores seguem construindo suas casas para um futuro que consideram promissor.

Elis Pereira, de 47 anos, vive há 25 na Guiana Francesa, onde trabalha no ramo alimentício junto ao marido. Ela começou a construir uma casa no Oiapoque para uma nova fase na vida.

"Decidi voltar às minhas raízes. A França vem sofrendo uma crise há anos e, com isso, os impostos são altíssimos, o custo de vida é alto, tudo é caro", diz Elis.

"Oiapoque é um dos melhores lugares para se viver no momento. Com a entrada da Petrobras, valorizou demais. Com qualquer empreendimento, você ganha dinheiro."

Como funcionários da Petrobras têm se instalado na cidade, o comércio tem se aquecido com os novos consumidores. Além da subida nos aluguéis, hotéis também estão com alta procura.

Em nota à BBC News Brasil, a Petrobras disse que gera "impactos positivos" com sua presença na região, como geração de emprego e aumento de arrecadação, diante da maior demanda por serviços na cidade.

Mas a empresa disse que não é sua função realizar obras de urbanização e infraestrutura no município. A Petrobras disse que mantém projetos sociais e ambientais ativos na Margem Equatorial, área que vai do Rio Grande do Norte ao Amapá. Não foi especificado quantos atendem especificamente a população de Oiapoque.

Rua de terra batida em Oiapoque

Crédito,Joessy de Cássia/Acervo Pessoal

Legenda da foto,Novos bairros de Oiapoque não contam com nenhuma infraestrutura urbana

Enquanto as promessas de regularização e urbanização não se concretizam e os royalties ainda não chegam, as presidentes das associações de moradores dizem que já não há mais espaço para novos residentes, pois todos os terrenos, mesmo sem casas, já foram ocupados.

Elas esperam agora que a região passe para uma nova etapa, com mais organização e infraestrutura, diante dos recursos prometidos que chegarão ao município.

"Mas olha, vou te dizer, Oiapoque está crescendo em população, mas não em desenvolvimento", define Sheila Cals, recém-chegada à cidade.

Os moradores, novos e velhos, também acompanham atentos o que está acontecendo em alto mar, no poço da Petrobras.

Será que vai ter petróleo viável para ser explorado ali? Quando esses recursos chegarão? E o que acontece se o petróleo vazar - motivo de preocupação entre os ambientalistas críticos ao projeto?

Para Sheila, que apostou suas fichas na mudança a Oiapoque, o projeto precisa andar.

"Até a data de hoje, eu não soube de nenhum acidente com a Petrobras na exploração de petróleo. Essa conversa para não liberar petróleo aqui é coisa política", avalia.

Já para Loira, presidente da associação de moradores do Belo Monte, há uma preocupação generalizada, mesmo entre os que estão torcendo pelo projeto.

"A gente tem receio, sim, porque se houver vazamento de petróleo, vai afetar muitas famílias que vivem da pesca e dependem desse rio", avalia.

"Mas, para muita gente que depende (da geração) de emprego, a expectativa é maior do que o receio."

Mapa feito por Caroline Souza, da equipe de jornalismo visual da BBC News Brasil