Caso Master comprova: a imprensa livre é fundamental para limpar este país

Vorcaro tentou destruir Malu Gaspar, mas foi derrotado
Carlos Newton
No século 16, quando os maiores intelectuais da época criaram o movimento que passou a ser chamado de Iluminismo, eles deram enorme impulso ao desenvolvimento político e social da Europa, e uma de suas principais metas era impor que todos fossem iguais perante a lei, um imenso desafio que até hoje não se concretizou.
Esse objetivo continua a ser uma utopia, como costumava dizer Lord Kenneth Clark, um dos maiores historiadores e filósofos do século 20. “Civilização? Até hoje ainda não encontrei nenhuma. Mas tenho certeza de que, se algum dia a encontrar, saberei reconhecê-la”, afirmava o pensador britânico.
META UTÓPICA? – Clark morreu em 1983, ainda sem ter encontrado nenhuma civilização. É possível que sua utopia se concretize, mas isso somente poderá acontecer se a imprensa cumprir seu papel de atuar como fiscal dos governantes e das instituições.
Essa tem sido a função da imprensa desde o século 15, quando o alemão Johannes Gutenberg criou o sistema de tipos móveis, revolucionando a difusão do conhecimento na Europa, permitindo a produção em massa de livros e jornais.
Assim, três séculos depois, quando o nobre francês Charles-Louis de Secondat, barão de Montesquieu, desenvolveu a teoria dos Três Poderes, independentes e harmônicos, tese que possibilitaria a difusão da democracia, já estava implícita a fundamental função da imprensa.
ARMA DEMOCRÁTICA – Sem imprensa livre, não há democracia – simples assim. Mas os insistentes usurpadores de recursos públicos, que desgraçadamente existem em todos os países, não pensam assim, como é o caso do banqueiro Daniel Vorcaro.
Na última quarta-feira, O Globo publicou importantíssima reportagem, denunciando que o dono do Banco Master e o publicitário Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi, vasculharam a vida privada da jornalista Malu Gaspar, para impedir que fizesse novas denúncias sobre o Master.
O celular de Vorcaro mostra que Miranda “revirou a vida” da jornalista e repassou ao ex-banqueiro informações sobre familiares, contas bancárias e a vida pessoal dela.
NADA CONSTA – Foi um esforço inútil. Nada consta contra a jornalista Malu Gaspar, nem mesmo multas de trânsito. Essa constatação foi um desespero para Vorcaro.
Acostumado a privar da intimidade não somente do presidente Lula e da família Bolsonaro, mas também de governadores, prefeitos, parlamentares, magistrados, ministros do Supremo e diretores do Banco Central, de repente o banqueiro fraudador encontrou uma pessoa honrada. E era justamente uma jornalista.
Foi o que bastou para destruir o maior esquema de corrupção já montado no Brasil desde o escândalo da Petrobras, que ficou conhecido como Lava Jato. E isso só aconteceu porque Malu Gaspar sabe honrar a profissão que escolheu.
AQUI NA TRIBUNA – É preciso destacar que a excepcional repórter conseguiu destruir o esquema do Master apesar de trabalhar em O Globo, um jornal que apoia todos os governos e não incentiva a publicação de denúncias que atinjam as elites dos três Poderes e do setor empresarial. Mas ela soube contornar as dificuldades e publicam as gravíssimas revelações.
Na verdade, os jornalistas carecem de veículos em que possam fazer denúncias livremente, como a Tribuna da Internet. Desde 2009 estamos circulando diariamente, publicando reportagens próprias e de outros veículos de comunicação, e não fomos processos. Todas as informações eram verdadeiras.
Em minha carreira, que vai completar 60 anos em dezembro, somente fui processado quatro vezes – pela Mitra Diocesana do Rio (corrupção nas obras da Catedral), pela indústria Bayer, (morte de operário na linha de produção), pelo empresário, armador e banqueiro José Carlos Fragoso Pires (crimes do colarinho branco); e pelo Partido Verde (desvio do Fundo Partidário). Em todos os processos, fui inocentado.
BALANÇO DE JUNHO – Como fazemos todos os meses, vamos divulgar o balanço das contribuições feitas por comentaristas deste blog. De início, os depósitos na Caixa Econômica Federal:
DIA REGISTRO OPERAÇÃO VALOR
03 031145 DEP. DIN. LOTERIA…..100,00
11 111551 DEP. DIN. LOTERIA…..200,00
11 021100 DEP. DIN. AGENCIA……76,14
19 191346 DEP. DIN. LOTERIA…..100,00
23 231506 DEP. DIN. LOTERIA…..200,00
Agora, as contribuições feitas no Banco Itaú/Unibanco:
01 PIX TRANSF JOSE FR01/06………..150,00
01 PIX TRANSF PAULO R01/06……….100,00
02 TED 001.5977.JOSE A P J…………..352,06
15 TED 001.4416.MARIO ACRO……..300,00
30 TED 033.3591.ROBERTO SD………200,00
Agradecendo muito as contribuições que nos permitem exercitar diariamente essas utopias de imprensa livre, de democracia e de civilização, lembramos aqui na Tribuna que o exemplo de Malu Gaspar precisa ser seguido em todas as redações. (C.N.)
Mendonça mantém gabinete de prontidão no recesso por avanço do Caso Master
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Avanço das investigações faz Mendonça cancelar descanso
Tainá Falcão
CNN
O ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu manter parte da equipe do gabinete de prontidão durante o recesso do Judiciário, neste mês. A decisão ocorre em meio aos desdobramentos das investigações sobre o Master, que recentemente atingiu o então líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).
Assessores de Mendonça e o próprio ministro permanecerão trabalhando para analisar eventuais medidas urgentes encaminhadas, durante o recesso, pela Polícia Federal ou pela PGR (Procuradoria-Geral da República). A avaliação é de que o inquérito tem evoluído, com novas frentes de investigação e a expectativa de novos pedidos ao Supremo.
NOVAS ETAPAS – Nas últimas semanas, a Polícia Federal deflagrou novas etapas da apuração do Master, com operações que alcançaram diferentes núcleos políticos. As mais recentes envolvem o senador Jaques Wagner (PT-BA) e o senador Ciro Nogueira (PP-PI). Agora, entra no radar de Mendonça a possibilidade de abrir uma investigação dos recursos enviados por Daniel Vorcaro para supostamente financiar o filme do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), “Dark Horse”.
Além do inquérito do Master, André Mendonça também é relator das investigações sobre as fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do INSS. As duas apurações passaram a concentrar grande parte da atuação do gabinete do ministro nos últimos meses.
Os dois escândalos se conectam em alguma medida. Informações obtidas pela Polícia Federal no caso Master passaram a subsidiar linhas de investigação da CPMI do INSS. Por isso, a decisão de manter a equipe mobilizada durante o recesso reflete justamente a avaliação de que os dois inquéritos permanecem em estágio sensível e podem demandar providências urgentes nas próximas semanas.


