sexta-feira, 6 de março de 2026

JGB

 

O caso Master abalou a República e o STF | Por Luiz Holanda

O próximo a sofrer as consequências do apoio ao Banco Master será o ministro Alexandre de Moraes. As fraudes financeiras que levaram o Banco Central (BC) a decretar a liquidação dessa instituição bancária vão atingir a República e respingar, com força, no Supremo Tribunal Federal (STF)Vários dos seus ministros serão atingidos, mas, por enquanto, os principais são Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

O primeiro foi obrigado a deixar a relatoria do caso; o segundo, recentemente, foi apontado pelo portal Metrópoles como participante de encontros com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, e com o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa. Segundo a reportagem, as reuniões teriam ocorrido em um fim de semana do primeiro semestre de 2025, na residência de Vorcaro, em Brasília.

Moraes desclassificou a matéria e negou a realização do encontro. Segundo ele, a narrativa “é falsa e mentirosa. Essa reunião não ocorreu e, lamentavelmente, segue um padrão criminoso de ataques desqualificados contra os integrantes do Supremo Tribunal Federal.”

Segundo o Metrópoles, Moraes teria estado ao menos duas vezes na mansão do banqueiro, localizada no Lago Sul, área nobre de Brasília. Ainda segundo o portal, em uma dessas ocasiões o ministro teria conhecido Paulo Henrique Costa, então presidente do Banco Regional de Brasília, em meio às negociações para uma possível aquisição do Master pelo BRB. O texto sustenta ainda que Moraes estaria acompanhado de um assessor e que testemunhas teriam presenciado o encontro.

A resposta do Metrópoles veio através do jornalista Mário Sabino, desconstruindo a nota do ministro e afirmando que Moraes “desmente o que não foi publicado e não desmente que esteve duas vezes, pelo menos, na casa de Daniel Vorcaro”. O desmentido de Moraes deu-se após uma publicação da reportagem intitulada “O encontro de Moraes com o presidente do BRB na mansão de Vorcaro”.

Para Sabino, o desmentido do ministro “se não se destaca pela sintaxe, a nota prima por desmentir o que não foi dito”, pois “a reportagem não afirma em momento algum que houve uma reunião de Alexandre de Moraes com Paulo Henrique Costa na casa de Daniel Vorcaro”. O que está publicado, segundo ele, é que o ministro conheceu o então presidente do BRB na casa do dono do Banco Master, em ambiente reservado, e ambos trocaram impressões sobre a negociação para a compra do banco.

O fato é que o STF, depois desse episódio, jamais será o mesmo. Vai ser muito difícil resgatar a credibilidade, conforme demonstram as pesquisas sobre o cenário de divisão e desgaste do maior tribunal do país. O ativismo judicial da corte é outro fator criticado, deixando o Legislativo inerte e acuado.

A saída do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master e sua confissão de que era sócio da empresa Maridt, que vendeu participação no resort Tayayá, no interior do Paraná, para um fundo do cunhado de Daniel Vorcaro, deixou o STF na berlinda.

Isso fez vir à tona a confissão do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, a respeito do ministro Toffoli, remetida pelo STF ao então Procurador-Geral da República, Augusto Aras, para análise. Em depoimento aos delegados da Polícia Federal, Cabral relatou que o escritório da advogada Roberta Rangel, então esposa do ministro, teria recebido R$ 4 milhões para favorecer dois prefeitos do Rio — de Volta Redonda e de Bom Jesus de Itabapoana — que tinham processos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) quando Toffoli integrava a corte, entre 2012 e 2016.

Por meio da assessoria do STF, Toffoli afirmou “não ter conhecimento dos fatos mencionados e disse que jamais recebeu os supostos valores ilegais”. Também por nota, informou refutar a “possibilidade de ter atuado para favorecer qualquer pessoa no exercício de suas funções”.

Os pagamentos, segundo Cabral, teriam ocorrido entre 2014 e 2015. Na época, Antônio Francisco Neto, atual prefeito de Volta Redonda, já comandava o município, e Branca Motta era prefeita de Bom Jesus de Itabapoana. Cabral, nesse depoimento, menciona o Judiciário, incluindo as cortes superiores, o Tribunal de Contas da União e políticos do Rio de Janeiro.

Tudo isso vinha passando em branco até acontecer o caso Baco Master, que o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse ser “um caso sem precedentes”, classificando-o como “possivelmente a maior fraude bancária da história do país”.

Só faltou dizer, embora já seja explícito, que o caso Master também abalou a República petista.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

 

Jornal Nacional desmoraliza Moraes e desmente nota em que ele se defendia

Renata Vasconcellos: “A camisa do Jornal Nacional pesa muito” – Os Guedes

Renata Vasconcellos leu a nota que desmascarou Moraes

Carlos Newton

Conforme temos informado aqui na Tribuna da Internet, a imprensa livre conseguiu vencer a amestrada e agora, com apoio irrestrito também das emissoras de televisão, o processo de combate à corrupção no Supremo Tribunal Federal e nos outros poderes deverá avançar em alta velocidade.

Essa operação de limpeza, digamos assim, fatalmente redundará no impeachment de alguns ministros, algo jamais ocorrido na História Republicana, e a eles só resta agora pedir aposentadoria e tentar escapar da prisão, que passou a ser uma possibilidade ainda remota, mas real.

NOTA CONSTRANGEDORA – Desesperado com a reportagem de Marilu Gaspar que foi manchete de O Globo nesta sexta-feira, dia 6, o ministro Alexandre de Moraes mandou seu gabinete distribuir uma nota oficial.

No texto, o ministro tenta alegar que as mensagens de visualização única recebidas por Daniel Vorcaro em 17 de novembro de 2025 não teriam sido enviadas por ele ao banqueiro, porque os dados de contato não bateriam com o número do telefone celular do próprio Moraes.

A tal nota do STF foi um prato feito para o Jornal Nacional, que enfim conseguiu se livrou das amarras impostas pelos irmãos Marinho e deu um banho, levando ao ar uma documentada denúncia das relações espúrias entre o temido ministro Alexandre de Moraes e o megaestelionatário Daniel Vorcaro.

DESMORALIZAÇÃO – Lida com firmeza pela apresentadora Renata Vasconcellos, a resposta do Jornal Nacional foi arrasadora e desmoralizou o ministro do Supremo.

Com base em informações técnicas da Polícia Federal, a TV Globo mostrou que não existe qualquer maneira de atribuir a outra pessoa o envio das respostas que Moraes remeteu a Vorcaro, que estava desorientado com a possibilidade de ser preso, o que aconteceria minutos antes da última troca de mensagens entre os dois.

Bem, com a cobertura desta sexta-feira, o Jornal Nacional prega o último prego no caixão de Alexandre de Moraes, um ministro indigno e fanfarrão, que jamais poderia chegar ao Supremo, mas foi o escolhido pelo então presidente Michel Temer, que era conhecido em Brasília como chefe do quadrilhão do PMDB e chegou a ser preso pela Lava Jato, porque “você tem de manter isso, viu?”.

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P.S 1 
 – Aqui na filial Brasil a coisa funciona assim. Primeiro, a imprensa livre faz a denúncia e a imprensa amestrada tenta desmentir. Quando a situação se agrava e não tem mais jeito, então a imprensa amestrada adere à imprensa livre para liquidar literalmente a fatura e sair bem na foto. No caso, a denúncia original partiu do portal de O Globo e o Jornal Nacional levou um século até entrar no assunto, quando tudo já tinha sido revelado. Ou seja, antes tarde do que nunca.

P.S. 2 –  Se ainda tivesse um mínimo de juízo, Moraes deveria imitar o filho de Lula e fugir para a Espanha. Como se sabe, Moraes não pode ir para os Estados Unidos, porque lá na matriz o filme dele queimou bem antes, quando resolveu dar ordens à Justiça americana e em Brasília ninguém tomou a iniciativa de interná-lo. (C.N.)

G1

 

Por Amir Azimi

 

  • A postura militar do Irã em um conflito crescente com Israel e os Estados Unidos sugere que o país não está lutando por vitória em um sentido convencional.

  • Em vez disso, o Irã parece ter construído uma estratégia baseada em dissuasão e resistência.

  • Na última década, o país investiu fortemente em mísseis balísticos, drones de longo alcance e em uma rede de grupos armados aliados em toda a região.

  • O Irã também entende as suas próprias limitações: o território continental dos EUA está fora de alcance, mas as bases americanas espalhadas pela região — especialmente em países árabes vizinhos — não estão fora de alcance.

  • O cálculo do Irã também se baseia, em parte, na economia da guerra. Os interceptadores usados por Israel e pelos EUA são muito mais caros do que muitos dos drones e mísseis empregados pelo Irã.

O Irã parece ter construído uma estratégia baseada em dissuasão e resistência. — Foto: Reuters via BBC

O Irã parece ter construído uma estratégia baseada em dissuasão e resistência. — Foto: Reuters via BBC

A postura militar do Irã em um conflito crescente com Israel e os Estados Unidos sugere que o país não está lutando por vitória em um sentido convencional. Está lutando pela sobrevivência — e por sobreviver em seus próprios termos. Os líderes e comandantes da república islâmica vêm se preparando para esse momento há anos.

Eles sabiam que suas ambições regionais poderiam eventualmente provocar um confronto direto com Israel ou com os EUA, e que uma guerra com um provavelmente atrairia o outro. Esse padrão ficou evidente na Guerra de 12 Dias em junho de 2025, quando Israel atacou primeiro e os EUA se juntaram dias depois.

Na atual rodada de combates, os dois lançaram ataques contra o Irã simultaneamente.

Israel divulga vídeo de ataque a bunker subterrâneo de Khamenei

Israel divulga vídeo de ataque a bunker subterrâneo de Khamenei

Dada a superioridade tecnológica, as capacidades de inteligência e o avançado equipamento militar dos EUA e de Israel, seria ingenuidade achar que os estrategistas iranianos estivessem planejando uma vitória direta no campo de batalha.

Em vez disso, o Irã parece ter construído uma estratégia baseada em dissuasão e resistência. Na última década, o país investiu fortemente em mísseis balísticos, drones de longo alcance e em uma rede de grupos armados aliados em toda a região.

O Irã também entende as suas próprias limitações: o território continental dos EUA está fora de alcance, mas as bases americanas espalhadas pela região — especialmente em países árabes vizinhos — não estão fora de alcance. Já Israel está bem dentro do alcance de mísseis e drones iranianos, e conflitos recentes demonstraram que os seus sistemas de defesa aérea podem ser penetrados. Cada projétil que atravessa esses sistemas carrega não apenas peso militar, mas também psicológico.

Mapa mostra as bases militares dos EUA no Oriente Médio. — Foto: Kayan Albertin/Arte g1

Mapa mostra as bases militares dos EUA no Oriente Médio. — Foto: Kayan Albertin/Arte g1

O cálculo do Irã também se baseia, em parte, na economia da guerra. Os interceptadores usados por Israel e pelos EUA são muito mais caros do que muitos dos drones e mísseis empregados pelo Irã. Um conflito prolongado obriga os EUA e Israel a gastar recursos de alto custo para interceptar ameaças comparativamente baratas.

A energia é outra alavanca na economia da guerra.

O Estreito de Ormuz continua sendo um dos pontos de estrangulamento mais críticos do mundo para o transporte de petróleo e gás. O Irã não precisa fechar completamente essa estreita via marítima do Golfo. Mesmo ameaças críveis e interrupções limitadas já elevaram os preços e, se continuarem, podem aumentar a pressão internacional por uma desescalada do conflito.

Nesse sentido, a escalada se torna uma ferramenta voltada não necessariamente para derrotar militarmente os adversários do Irã, mas para elevar o custo de continuar a guerra.

Isso nos leva aos ataques contra países vizinhos.

Ataques com mísseis e drones contra países como Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Omã e Iraque parecem ter sido concebidos para sinalizar que abrigar forças dos EUA traz riscos.

O Irã pode esperar que esses governos pressionem os EUA a limitar ou interromper as operações, mas essa é uma aposta perigosa. Expandir ainda mais os ataques corre o risco de endurecer a hostilidade desses países e empurrá-los com mais firmeza para o campo EUA–Israel.

As consequências de longo prazo podem durar mais que a própria guerra, remodelando os alinhamentos regionais de formas que deixariam o Irã mais isolado.

Se a sobrevivência é o objetivo principal, então ampliar o círculo de inimigos é um passo de alto risco. Ainda assim, do ponto de vista do Irã, a contenção pode parecer igualmente arriscada se for interpretada como sinal de fraqueza.

Relatos de que comandantes locais podem estar selecionando alvos ou lançando mísseis com relativa autonomia levantam novas questões.

Se confirmada, essa situação não indicaria necessariamente o colapso das estruturas de comando. A doutrina militar iraniana, especialmente dentro da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, há muito incorpora elementos descentralizados para garantir continuidade sob ataques intensos.

Redes de comunicação são vulneráveis à interceptação e ao bloqueio. Comandantes de alto escalão têm sido alvo de ataques. A superioridade aérea dos EUA e de Israel limita a supervisão central. Nessas condições, listas de alvos previamente autorizadas e delegação de autoridade para lançamentos podem ser medidas deliberadas contra uma "decapitação" da liderança.

Essa estrutura pode explicar como as forças iranianas continuaram operando após a morte de figuras importantes da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã e mesmo após a morte do Líder Supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, nos ataques iniciais conduzidos por EUA e Israel no sábado (28/2).

Mas a descentralização também traz riscos. Comandantes locais atuando com informações incompletas podem atingir alvos não intencionais, incluindo Estados vizinhos que buscavam manter neutralidade.

A ausência de um quadro operacional unificado aumenta a probabilidade de erros de cálculo. Se isso se prolongar, também pode resultar na perda de comando e controle.

Em última análise, a abordagem do Irã parece se basear na crença de que o país pode suportar punições por um tempo maior do que o tempo que seus adversários estariam dispostos a suportar os danos e custos da guerra.

Se for esse o caso, trata-se de uma forma de escalada calculada: resistir, retaliar, evitar o colapso total e esperar que surjam fissuras políticas do outro lado.

Ainda assim, a resistência tem limites. Os estoques de mísseis são limitados e as linhas de produção estão constantemente sob ataque. Os lançadores móveis são atingidos em movimento e substituí-los leva tempo.

A mesma lógica se aplica aos adversários do Irã.

Israel não conseguiu confiar completamente em seus sistemas de defesa aérea. Cada brecha amplia a ansiedade pública. Os EUA precisam pesar a escalada regional, a volatilidade do mercado de energia e o custo financeiro de operações prolongadas.

Ambos os lados parecem supor que o tempo está a seu favor. Os dois não podem estar certos.

Nesta guerra, a república islâmica não precisa de triunfo. Ela precisa permanecer de pé.

Resta saber se esse objetivo é alcançável, sem alienar permanentemente seus vizinhos.