segunda-feira, 1 de junho de 2026

 

Kassab tenta atrapalhar, mas a terceira via de Caiado e Zema já está ganhando espaço

Kassab admite discutir vice de Caiado

Kassab teme que Caiado vença e assuma o controle do PSD

Carlos Newton

Como dizia o Barão de Itararé, era só o que faltava. Quando surge a possibilidade de uma terceira via com chances de ganhar eleitores e surpreender os favoritos na reta de chegada, logo aparece algum cretino para atrapalhar. O fato concreto é que dois pré-candidatos – Ronaldo Caiado (PSD)  e Romeu Zema (Novo) – conseguiram se entender para a formação de uma chapa comum, mas o presidente do PSD, Gilberto Kassab, demonstra que pretende dificultar a coalizão.

Como todos sabem, Kassab é o maior espertalhão da política brasileira. Conseguiu criar seu próprio partido, ressuscitando o PSD, que sob seu comando jamais disputa eleição presidencial. Fica sempre neutro e depois apoia o vencedor do segundo turno. Com isso, Kassab ganha o comando de ministérios, autarquias e estatais. E assim o PSD foi crescendo de forma impressionante.

GRANDE SURPRESA – Desta vez, o PSD surpreendeu ao aparecer com três presidenciáveis, os governadores Eduardo Leite (RS), Ratinho Júnior (PA) e Ronaldo Caiado (GO). Mas eles não conseguiram se entender, Leite e Ratinho acabaram desistindo e Caiado se filiou ao partido, na undécima hora.

O lance de Kassab era ir abanando a candidatura de Caiado, mesmo sem chances, para esperar o segundo turno e fechar apoio ao vencedor, como sempre faz.  

O presidente do PSD não esperava que Caiado fizesse acordo com Romeu Zema para juntar as forças, apresentando ao eleitorado uma possibilidade viável de terceira via. O acordo é justo – no início de agosto, quem estiver em terceiro lugar nas pesquisas sai para presidente e o outro fica de vice na chapa.

EM CIMA DO MURO – Neste sábado, três dias depois do acordo entre Caiado e Zema, o presidente do PSD publicou um texto enigmático no Instagram. Ao invés de celebrar a aliança, Kassab disse que “muitas etapas e entendimentos precisam ser cumpridos, dentro e fora do nosso partido, até que seja tomada uma decisão sobre o perfil da nossa chapa”.

Kassab afirmou ainda estar à disposição “para ouvir e acatar qualquer decisão coletiva, sabendo, de antemão, que ela será a melhor para o futuro do nosso projeto”.

Na verdade, está apavorado com a possibilidade, mesmo remota, de Caiado vencer a eleição e depois conquistar o controle do PSD, deixando Kassab à margem.

COMBINAÇÃO – Na sexta-feira, Kassab combinou com o ex-senador Jorge Bornhausen (SC) e o ex-deputado Heráclito Fortes (PI) uma entrevista na Folha para defenderem o nome dele como vice, o que seria uma Piada do Ano.

E no sábado o criador e dono do PSD apareceu com esse texto na rede social, a propósito de comentar a entrevista de Bornhausen e Fortes, que ele mesmo combinara.

Kassab é corrupto, safado e mentiroso, só pensa em seus interesses pessoais. Mas desta vez ele quebrou a cara, porque Caiado e Zema vão seguir em campanha, até o momento que entenderem ideal para anunciar a chapa, que tem a preferência do agronegócio e da Faria Lima.

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P.S.
Com essas manobras ardilosas, Kassab acaba ajudando Caiado e Zema, porque os dois estão ganhando espaço no noticiário político. Ainda faltam quatro meses para a eleição. É tempo suficiente para a terceira via de concretizar, queira Kassab ou não, pois ele não terá coragem de impedir a chapa. Assim, tudo indica que vai ser uma eleição eletrizante. (C.N.)

 

Campanha de Flávio acredita que crise com Vorcaro perderá força e não afetará pesquisas

Flávio acredita que relação com Vorcaro será esquecida

Bela Megale
O Globo

Após a queda nas pesquisas eleitorais com a revelação de sua ligação com Daniel Vorcaro, Flávio Bolsonaro e sua campanha planejam fazer uma nova rodada de levantamentos nos próximos dias.

A ideia é calcular o efeito no eleitorado da onda causada pela visita de Flávio ao presidente dos EUA, Donald Trump, e a decisão do governo americano de classificar o Comando Vermelho e o PCC como organizações terroristas. A medida é considerada uma vitória do bolsonarista, já que Lula esteve com Trump no início do mês e apresentou argumentos contrários à ideia.

“QUEDA NORMAL” – “O Flávio tinha tido um crescimento rápido, é normal que haja uma queda”, disse o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, minimizando os impactos da crise do Master.

Entre integrantes da campanha, a avaliação é que o encontro com Trump não geraria grandes impactos no eleitor. A classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas, no entanto, abastece o discurso bolsonarista de que o governo petista seria brando com o crime organizado.

A campanha de Flávio contratou dois institutos que fazem levantamentos quinzenais sobre as intenções na disputa pelo Palácio do Planalto. Quando ocorreu a revelação do áudio do filho de Bolsonaro com Vorcaro, as pesquisas foram adiantadas para medir o impacto da crise.

MIGRAÇÃO – Segundo membros da campanha, os dados internos mostraram queda de Flávio, mas houve migração de votos para outros candidatos e não para Lula. Já os levantamentos divulgados pelos institutos Meio-Ideia, Datafolha e Atlas/Bloomberg mostraram uma queda de cerca de cinco pontos percentuais do candidato no segundo turno contra Lula.

Um dos membros da equipe de Flávio disse que, no caso do episódio da classificação de PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, as pesquisas contratadas pela campanha estavam previstas para ocorrerem no tempo ideal.

G1

 

Por France Presse

 

Trump pede novos ajustes ao acordo de cessar-fogo com o Irã

Trump pede novos ajustes ao acordo de cessar-fogo com o Irã

O Irã condicionou nesta segunda-feira (1º) qualquer acordo com os Estados Unidos à implementação de um cessar-fogo efetivo no Líbano.

Em sua entrevista coletiva semanal, o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baghaei, comentou a ampliação das operações israelenses em território libanês e disse que o fim dos ataques é essencial para as negociações de paz:

"Insistimos que um cessar-fogo no Líbano é uma condição essencial para qualquer acordo destinado a acabar com a guerra".

O porta-voz também acusou Washington de continuar violando o cessar-fogo com Teerã e afirmou que o Irã não hesitará em adotar todas as medidas que considerar necessárias para defender sua segurança nacional.

"Os Estados Unidos também estão violando o cessar-fogo, inclusive nesta manhã. As violações do cessar-fogo são, por si só, indicativas de má conduta e má-fé por parte dos EUA e apenas intensificam a desconfiança existente, que, com razão, deve sempre permanecer em nossas mentes, em qualquer interação com o lado americano", declarou.

Esmaiel Baghaei — Foto: REUTERS

Esmaiel Baghaei — Foto: REUTERS

Na rede social X, o principal negociador do Irã, o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, também fez críticas ao governo Trump:

"O bloqueio naval imposto pelos EUA e a escalada dos crimes de guerra no Líbano por Israel são evidências claras do descumprimento do cessar-fogo pelos EUA".

O programa nuclear iraniano, principal ponto de divergência entre os dois países, não faz parte, no momento, das negociações em curso com os Estados Unidos que pretendem acabar de maneira duradoura com a guerra no Oriente Médio, segundo o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores.

"Não aconteceu nenhuma negociação sobre os detalhes do dossiê nuclear. Nesta etapa, nossa prioridade é encerrar a guerra", afirmou, depois que o presidente americano Donald Trump declarou ter obtido garantias do Irã de que não desenvolverá armas nucleares.

Israel intensifica ofensiva ao Líbano

Trânsito intenso em uma estrada enquanto pessoas fogem dos subúrbios do sul de Beirute, após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenar que os militares atacassem alvos nos subúrbios — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir

Trânsito intenso em uma estrada enquanto pessoas fogem dos subúrbios do sul de Beirute, após o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenar que os militares atacassem alvos nos subúrbios — Foto: REUTERS/Mohamed Azakir

Também na manhã desta segunda, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa, Israel Katz, anunciaram novos bombardeios ao sul da capital libanesa, Beirute, reduto do grupo extremista Hezbollah, que é apoiado pelo Irã.

Em um comunicado conjunto, eles disseram que deram "instruções ao Exército para atacar alvos terroristas" no sul da capital libanesa, após "as repetidas violações do cessar-fogo no Líbano por parte da organização terrorista Hezbollah e dos ataques contra nossas cidades e cidadãos".

O ministro da Defesa de Israel afirmou que "não haverá calma em Beirute" se os ataques do Hezbollah continuarem e prometeu estabelecer uma zona controlada pelos militares na área do rio Litani, no sul do Líbano:

"A região de Dahiyeh, em Beirute, não é diferente das comunidades no norte de Israel: se não houver calma no norte, não haverá calma em Beirute. Ao mesmo tempo, as Forças de Defesa de Israel continuam a operar com fogo e manobras contra os terroristas e a infraestrutura do Hezbollah no Líbano a fim de afastar as ameaças das forças das Forças de Defesa de Israel e dos residentes do Estado de Israel, e transformar a área de Litani em uma zona sob controle de segurança das Forças de Defesa de Israel, livre de armas e terroristas".