Traição entre traficantes do PCC revela esquema de envio de drogas do Paraguai ao Brasil
Investigação aponta que integrantes da facção eram parceiros e rivais no tráfico e que um deles repassou informações sobre crimes do comparsa a um possível policial

Uma disputa entre traficantes ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC) revelou detalhes de um esquema de envio de grandes quantidades de drogas do Paraguai para diferentes regiões do Brasil. Segundo investigação reproduzida em decisão do ministro Alexandre de Moraes (STF), dois integrantes da organização mantinham uma relação de parceria e rivalidade, que levou um deles a repassar informações sobre crimes do comparsa a um possível policial.
Os envolvidos são Evandro Alves Loureiro Motti, conhecido como "Chin", "Alemão" ou "Gordão", e José Marcelo da Silva, chamado de "Sapucaia" ou "Zé do Alho". De acordo com a investigação, os dois atuavam como intermediários no fornecimento de maconha a compradores de diferentes estados brasileiros.
Um policial responsável pelas investigações relatou que Evandro e José Marcelo permaneciam no Paraguai, de onde negociavam remessas de drogas para cidades como Brasília e Goiânia. Apesar da parceria, os dois disputavam espaço no comércio ilegal.
"Eram amigos e ao mesmo tempo inimigos, porque um tentava 'derrubar o outro', no comércio da droga", afirmou o investigador, em depoimento reproduzido na decisão.
A rivalidade chegou ao ponto de José Marcelo repassar informações sobre Evandro a um interlocutor que, segundo a investigação, possivelmente seria um policial de Mato Grosso do Sul. O objetivo seria provocar a prisão do comparsa.
Segundo os autos, Sapucaia, "na esperança que o mesmo seja capturado, passa informações sobre crimes praticados por seu comparsa como homicídio, tráfico de drogas e contrabando de armas".
As investigações também apontaram que Evandro estava escondido em uma fazenda no Paraguai pertencente a um traficante conhecido como "Barão". Ele era apontado como um dos responsáveis pelas atividades do PCC em Mato Grosso do Sul e pelo envio de grandes remessas de entorpecentes para São Paulo e outros estados.
O esquema funcionava com entregas de aproximadamente 300 quilos de drogas, segundo o depoimento policial. Os compradores pagavam inicialmente apenas o frete e tinham entre 30 e 50 dias para quitar o valor da mercadoria, mediante depósitos em contas bancárias.
As informações constam de uma decisão de Alexandre de Moraes que rejeitou um recurso de Evandro contra sua condenação a 14 anos, 4 meses e 20 dias de prisão por crimes previstos na Lei de Drogas.
A defesa alegava que a investigação havia utilizado provas ilícitas, incluindo dados obtidos de um celular apreendido pela polícia. Moraes, no entanto, entendeu que o recurso não demonstrou adequadamente a repercussão geral e que a revisão da condenação exigiria o reexame de provas, providência incompatível com a via processual utilizada.






