terça-feira, 10 de março de 2026

 

Ponto de vista:

 “Síndrome da Lava Jato"

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
10/03/2026 06:00
2 horas e 36 minutos

Utilizada para descrever o conjunto de consequências políticas, econômicas e jurídicas decorrentes da operação Lava Jato, cujo resultado foi a revelação de um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e desvios na Petrobras, o termo revela a admiração que alguns dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) tinham pela Operação, bem como o atual repúdio publicamente manifestado. A admiração pela Lava Jato, antes, era uma unanimidade. O Ministro Gilmar Mendes, por exemplo, que atualmente não perde uma oportunidade para ridicularizar o ex-juiz Sérgio Moro e criticar a investigação, era um dos seus admiradores. Certa ocasião afirmou, numa entrevista, que o PT tinha “um plano perfeito” para se “eternizar no poder”, interrompido pela Lava-Jato, que “estragou tudo”. Na época, Mendes participava de um seminário em São Paulo ao lado do então presidente da FIESP, Paulo Skaf. Nessa ocasião ele afirmou que o PT era contra o fim do financiamento privado de campanhas eleitorais porque, com as verbas desviadas da Petrobras, tinha “dinheiro para disputar a eleição até 2038”, e que “deixaria uns caraminguás para os demais partidos”. A Lava Jato ficará na história por ter descoberto um esquema de corrupção na estatal da ordem de R$ 6,8 bilhões destinados ao pagamento de propinas a políticos, agentes públicos e diretores da Petrobrás, bem como por ter colocado na prisão vários corruptos, além de um ex-presidente da República. Mendes, antes, entendia que o esquema revelado pela operação mostrou que foi instalado no país uma “cleptocracia”, ou seja, um Estado governado por ladrões. “Eles tinham se tornado donos da Petrobras. Infelizmente para eles, e felizmente para o Brasil, deu errado”

Ao votar pela liberação das doações de empresas aos partidos, o magistrado também atacou o PT, dizendo que o partido conseguia captar recursos na faixa dos bilhões de reais por contratos com a Petrobras, passando a ser o defensor do fim do financiamento privado de campanha. “Eu fico emocionado, me toca o coração” — ironizou. Outros ministros também defendiam a Lava Jato, a exemplo do grupo formado por Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, da ala “legalista” do Supremo. Eles defendiam respostas mais rigorosas da Justiça para os casos de corrupção. Os três costumavam votar alinhados ao que fosse mais benéfico à operação Lava Jato durante os julgamentos no plenário. Os demais flutuavam entre os dois grupos, ora votando junto com Fachin, Barroso e Fux, ora se alinhando a Toffoli, Mendes e Lewandowski. Eram os ministros Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Carmen Lúcia, Marco Aurélio e Celso de Mello. A Lava Jato, enquanto durou, teve muitas vitórias no Supremo, com placares apertados nos julgamentos importantes.

O caso da possibilidade de prisão em segunda instância foi o mais emblemático dessa situação. Em abril de 2018, quando o plenário julgou um habeas corpus preventivo da defesa do ex-presidente Lula para que ele não fosse preso no caso do tríplex no Guarujá, o resultado foi de 6 votos a 5 a favor da prisão. Nessa ocasião, a ministra Rosa Weber votou favorável à prisão em segunda instância, deixando claro que estava apenas seguindo a jurisprudência por se tratar de um habeas corpus, e não de um caso abstrato. Quando o tema voltou à pauta, no ano seguinte, ela virou o placar contra a possibilidade de execução antecipada da pena, o que levou à soltura de políticos presos na Lava Jato, como o ex-presidente Lula da Silva, que cumpria pena em Curitiba. Apesar das críticas atuais de alguns dos ministros do STF, o fato é que a história registrará que a Lava Jato era admirada pela maioria deles, e que, agora, infelizmente, a têm como uma aberração jurídica, além de um incontido pavor. 

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

 

Supremo vive o momento mais vergonhoso desde sua fundação em 1829

André Mendonça toma posse como ministro efetivo do TSE | CNN Brasil

Cármen e Mendonça são os únicos com reputação ilibada

Carlos Newton

Jamais se viu nada igual na história do Supremo , criado em 1829, durante o período colonial, quando ainda era denominado como Supremo Tribunal de Justiça. Quase 200 anos depois, a vergonha e o arrependimento da maioria de seus ministros chegam a ser comoventes, jamais imaginaram que a situação chegasse a tamanha gravidade.

Hoje, entre os dez ministros do STF, pelo menos oito deles estão envolvidos diretamente em episódios de enriquecimento ilícito, como Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, ou então ajudaram a montar a impressionante indústria de escritórios de advocacia com sobrenomes famosos,

que se faz presente nos tribunais superiores, especialmente no Supremo e no Superior Tribunal de Justiça.

BARROSO ESCAPOU – Na verdade, até o ano passado eram nove ministros praticando esses desvios de caráter, mas Luís Roberto Barroso sentiu o cheiro de queimado e repentinamente se aposentou, apresentando uma justificativa patética.

Disse que havia prometido à mulher deixar o Supremo para viajarem pelo mundo. Porém, como ela ficou doente e morreu, o ministro então resolveu se aposentar e viajar sozinho, em homenagem à memória dela. Sinceramente, teria sido melhor Barroso não dar qualquer justificativa e simplesmente sumir de Brasília.

Assim, no início de 2026 pelo menos oito ministros têm parentes advogando em processos na corte, totalizando mais de uma dezena de familiares atuando no tribunal. Os integrantes do STF que incentivam essa prática indecorosa são Dias Toffoli, Nunes Marques, Luiz Fux, Edson Fachin, Flávio Dino, Cristiano Zanin, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

SOBRARAM DOIS – Por incrível que pareça, apenas dois ministros – Cármen Lúcia e André Mendonça – adotam o procedimento correto e jamais permitiram que seus parentes, especialmente cônjuges e filhos, abrissem escritórios em Brasília para defender causas no Supremo.

Assim, como as exceções apenas confirmam a regra, Cármen Lúcia e André Mendonça são obrigados a conviver com ministros que decididamente preferiram enriquecer do que seguir as regras de sua profissão, a magistratura, que deve ser considerada a mais importante das atividades.

Afinal, a sociedade só existe e funciona porque há leis e normas a serem obedecidas por todos, sem distinção. Cabe aos juízes a tarefa de exigir que não haja infrações, para que a vida transcorra da melhor maneira possível para todos os cidadãos. Mas no Brasil isso ainda é apenas um sonho. Aqui reina a esculhambação.

###
P.S. –
 O fato concreto é que a  magistratura não somente se corrompeu, como também criou os penduricalhos salariais, que foram aprovados pelo Supremo nos últimos anos. Agora, é preciso lavar, enxovalhar e passar a limpo os três Poderes. Essa tarefa hercúlea está entregue a Carmen Lúcia e André Mendonça, os únicos em que podemos confiar. Eles sabem o que fazer, o exemplo que devem dar a nação. Quanto aos demais ministros, o futuro deles já está na lata de lixo da História. (C.N.)

 

Por Redação g1

 

Trump diz que guerra no Irã está perto do fim

Trump diz que guerra no Irã está perto do fim

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã disse que "nós somos aqueles que determinarão o fim da guerra", nesta segunda (9), segundo a mídia estatal iraniana. Anúncio acontece após o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmar que a guerra contra o Irã acabará em breve e está “praticamente concluída”.

O grupo armado ainda reclamou dos comentários de Trump sobre o país, classificando-os como "absurdos". Além disso, a Guarda Revolucionária disse que não vai permitir a exportação de "um litro de óleo" da região caso os ataques dos EUA e Israel continuarem.

O porta-voz do grupo também advertiu que a segurança na região será "para todos ou para ninguém".

A fala aconteceu pois Trump considera tomar o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A declaração foi dada em entrevista à CBS News nesta segunda-feira em meio à pressão do mercado e à alta do barril de petróleo, que se aproximou de US$ 120 e derrubou bolsas de valores ao redor do mundo.

A valorização do petróleo pode impactar diretamente a economia americana e influenciar as eleições de novembro nos EUA.

Fim da guerra

No início da noite, durante entrevista à imprensa, Trump voltou a afirmar que a guerra terminará “muito em breve”, mas negou que seja nesta semana. O republicano também disse que, quando o conflito terminar, o Irã não terá mais capacidade bélica para usar contra os EUA, Israel ou aliados americanos, “por muito tempo”.

O conflito no Oriente Médio entrou no 10º dia nesta segunda. Em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram um ataque contra o Irã, Trump disse que a guerra poderia durar até cinco semanas.

O governo do Irã descartou nesta segunda-feira a possibilidade de um cessar-fogo no conflito com Israel e Estados Unidos. Em entrevista coletiva, o porta-voz Esmail Baghaei afirmou que "não faz sentido falar de nada além de defesa e retaliação contra os inimigos".

Baghaei também acusou os EUA de estarem atrás do petróleo iraniano. Segundo ele, "não há dúvidas" de que Washington busca os recursos petrolíferos do país e tenta enfraquecê-lo e dividi-lo.

Em um evento com integrantes do Partido Republicano na Flórida, Trump afirmou que a guerra será uma “incursão de curto prazo”. Ao mesmo tempo, declarou que a ofensiva continuará “até que o inimigo seja total e decisivamente derrotado”.

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante uma coletiva de imprensa no Trump National Doral Miami — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente dos EUA, Donald Trump, discursa durante uma coletiva de imprensa no Trump National Doral Miami — Foto: REUTERS/Kevin Lamarque

O presidente também disse que o Irã se preparava para atacar os Estados Unidos e países do Oriente Médio. Segundo ele, Teerã estava muito próximo de obter uma arma nuclear, que seria usada contra Israel em um “grande ataque”.

“Seguimos em frente mais determinados do que nunca para alcançar a vitória final que acabará de vez com esse perigo persistente”, afirmou. “Já vencemos de muitas maneiras, mas ainda não vencemos o suficiente.”

Mais cedo, em entrevista à CBS News, Trump disse que os Estados Unidos estão “muito à frente” do prazo inicialmente estimado para o conflito.

"Acho que a guerra está praticamente concluída. Eles não têm Marinha, não têm comunicações, não têm Força Aérea", disse, segundo a jornalista.

Ainda na entrevista à CBS News, Trump também foi questionado sobre a nomeação do novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei. Ele afirmou que não tinha mensagem para ele e disse ter alguém em mente para o cargo, mas não deu detalhes.

Espera-se que Mojtaba Khamenei, de 56 anos, dê continuidade ao regime linha-dura do seu pai, Ali Khamenei — Foto: Getty Images via BBC

Espera-se que Mojtaba Khamenei, de 56 anos, dê continuidade ao regime linha-dura do seu pai, Ali Khamenei — Foto: Getty Images via BBC

Mojtaba Khamenei é filho do aiatolá Ali Khamenei, morto em um ataque no primeiro dia da guerra. Mais cedo, nesta segunda-feira, Trump disse que não estava satisfeito com o sucessor iraniano.

Controle do Estreito de Ormuz

Estreito de Ormuz se tornou o foco das atenções da guerra no Irã

Estreito de Ormuz se tornou o foco das atenções da guerra no Irã

Os preços do petróleo passaram a cair nesta segunda-feira (9) após novas declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a guerra no Oriente Médio. Trump disse que está avaliando a possibilidade de assumir o controle do Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial.

Por volta das 17h, os contratos futuros do Brent (referência internacional do petróleo) recuavam quase 4%, a US$ 89,06 por barril, enquanto os do WTI (referência do petróleo nos EUA) caíam mais de 6%, a US$ 85,37, em negociações após o fechamento.

No início do dia, os preços do petróleo chegaram a disparar quase 30%, perto de US$ 120 por barril. Além disso, fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que o governo de Trump avalia um novo afrouxamento das sanções ao petróleo russo — o que aumentaria a oferta.

O presidente americano participou nesta segunda-feira de uma ligação com Putin para discutir as guerras no Irã e na Ucrânia. A informação foi divulgada pelo governo russo.

O telefonema durou cerca de 1 hora. O Kremlin afirmou que a conversa foi construtiva e franca e declarou que Putin apresentou propostas para encerrar rapidamente o conflito contra o Irã.

Ainda de acordo com o governo russo, Trump voltou a expressar interesse de que a guerra na Ucrânia termine em breve.