terça-feira, 11 de agosto de 2026

 O veredito de Lula no tribunal da história

11/08/202607:22 • Atualizado

 
Foto O veredito de Lula no tribunal da história
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Não se sabe qual será, mas é o único tribunal que pode julgar Lula de forma imparcial, pois se depender do Supremo Tribunal Federal (STF), ele jamais será condenado. Seu legado político, social e judicial envolvendo tanto avaliações definitivas dos tribunais quanto leituras divergentes de sua trajetória pública caberá à História. Aliás, Lula não responde mais a nenhum processo no judiciário, ativos ou pendentes. Todas as ações da Operação Lava Jato e investigações correlatas foram encerradas, arquivadas ou tiveram as condenações anuladas pelo Supremo.
 
No caso da Lava Jato, a Corte reconheceu a incompetência da 13ª Vara Federal de Curitiba para julgar o processo e declarou a suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Do ponto de vista legal e formal, as acusações perderam a validade jurídica, restabelecendo, inclusive, os direitos políticos do acusado. Segundo os críticos, os processos contra Lula revelaram esquemas graves de corrupção sistêmica no seu governo, além de apontarem que as anulações ocorreram por questões procedimentais, sem que houvesse uma absolvição de mérito sobre os fatos investigados originalmente.
 
Já seus defensores sustentam que ele foi alvo de perseguição política (lawfare) e de um conluio entre acusação e magistrado, reforçando que a inocência foi confirmada com a correção dos abusos jurídicos cometidos na origem. 0 fato é que o legado político de Lula envolverá sua postura na redemocratização, na criação de programas de transferência de renda, na projeção internacional do Brasil e também na corrupção, tanto a nível de governo quanto no pessoal. Se até lá houver alguma providência a favor da ética, a História também registrará.
 
As crises econômicas e os escândalos de corrupção associados aos governos de seu partido compõem o outro lado a ser também registrado. A figura do presidente permanece no centro da disputa de narrativas sobre o passado recente e o futuro institucional do país. Os motivos para a anulação dos processos contra sua pessoa foram vários. No caso do Triplex do Guarujá, a condenação foi anulada por incompetência da vara de Curitiba e posteriormente arquivada. No do Sítio de Atibaia, o processo foi declarado prescrito ou encerrado, e as acusações envolvendo o Instituto Lula foram também arquivadas: não houve condenação, mas sim a prescrição do crime devido ao transcurso do tempo e à idade do investigado. Na Lava Jato o STF considerou a 13ª Vara Federal de Curitiba incompetente para julgar os casos do tríplex do Guarujá, do sítio de Atibaia e do Instituto Lula, além de declarar a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro na condução dos processos.
 
As denúncias que retornaram à primeira instância ou que ainda restavam abertas foram encerradas por decisões do próprio STF ou arquivadas a pedido do Ministério Público Federal (MPF), seja pela ilicitude das provas, seja pela ocorrência de prescrição. O fato é que, atualmente, o acervo jurídico de Lula se encontra sem nenhuma ação penal em andamento decorrente da antiga força-tarefa ou de outras investigações de grande repercussão daquela fase. Entretanto, ele não foi declarado inocente.
 
A história, de imediato, poderá não emitir um veredito completo sobre Lula, mas certamente registrará, mesmo que de forma parcial, o símbolo maior da inclusão social do seu governo e a ascensão popular de sua figura, plena de controvérsias políticas e judiciais. O debate historiográfico e político em torno de seu legado aponta para visões fortemente contrastantes que persistem na sociedade brasileira. Seus apoiadores e defensores enfatizam o impacto transformador de suas gestões na vida material das camadas mais pobres da população, como a redução da pobreza e a consolidação e expansão de programas de transferência de renda (Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida) que auxiliaram na saída de milhões de brasileiros do mapa da extrema pobreza e da fome. A valorização real do salário mínimo e a ampliação do acesso ao ensino técnico e superior por meio de iniciativas como o ProUni e a criação de novas universidades federais são saldos positivos.
 
De igual modo, a projeção do país como ator global de destaque nos mandatos iniciais.  Mas seus críticos e opositores também apontam falhas estruturais, desvios de conduta administrativa, corrupção generalizada e institucionalizada e problemas econômicos associados aos seus governos, à sua pessoa e familiares. A Lava Jato descobriu muita corrupção durante a administração petista, cujas revelações e posteriores anulações judiciais dividiram a opinião pública sobre os meios utilizados e a responsabilidade institucional de seu grupo político.
 
Outro fator negativo é a expansão excessiva do gasto público, a manipulação de indicadores fiscais e as consequências econômicas e inflacionárias de políticas de incentivo a setores específicos nas administrações coligadas ao seu partido, além, é claro, a impunidade à corrupção. Quando o sistema não pune quem desvia recursos, o ato ilegal deixa de ser um risco e passa a ser uma vantagem esperada. E isso a história não perdoa.

Luiz Holanda

Luiz Holanda (ou Luiz de Holanda Moura) é um reconhecido jurista, professor universitário e advogado baiano, com vasta experiência em gestão pública e ensino jurídico. É autor de livros e artigos, além de ter sido conselheiro da OAB/BA e ocupado cargos importantes na administração pública.

segunda-feira, 10 de agosto de 2026

 

Nova pesquisa mostra mudança inesperada no cenário entre Flávio e Lula


Levantamento divulgado pela BTG/Nexus nesta segunda-feira (10) aponta o petista Lula na liderança da corrida presidencial no primeiro turno, com 40% das intenções de voto. O senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece na sequência, com 35%.

A diferença entre os dois candidatos é de 5 pontos percentuais, superior à margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos informada pela pesquisa. Na comparação com o levantamento anterior do mesmo instituto, divulgado em 3 de agosto, Lula registrou oscilação de um ponto percentual para baixo, passando de 41% para 40%. Flávio Bolsonaro também apresentou queda, de dois pontos, recuando de 37% para 35%. Uma mudança inesperada.

Na sequência aparecem Ronaldo Caiado (PSD), com 5%, Renan Santos (Missão), com 4%, e Romeu Zema (Novo), com 3% das intenções de voto. Samara Martins (UP) registra 2%, enquanto Augusto Cury (Avante) e Cabo Daciolo (Mobiliza) têm 1% cada. 

Na mesma pesquisa, votos brancos e nulos correspondem a 5% dos entrevistados. Outros 3% afirmaram estar indecisos ou preferiram não responder.

O levantamento também avaliou possíveis disputas de segundo turno entre Lula e outros candidatos. No confronto direto entre Lula e Flávio Bolsonaro, o presidente aparece com 47% das intenções de voto, contra 44% do senador.

A diferença de 3 pontos percentuais coloca o cenário dentro da margem de erro da pesquisa, configurando empate técnico.

Em uma eventual disputa contra Ronaldo Caiado, Lula registra 46%, enquanto o governador de Goiás aparece com 42%. O resultado também fica no limite da margem de erro informada pelo instituto.

Já nos cenários envolvendo Romeu Zema e Renan Santos, a vantagem atribuída a Lula é maior. Contra Zema, o presidente soma 47%, diante de 40% do adversário. No confronto com Renan Santos, Lula aparece com 46%, enquanto o candidato registra 37%.

A pesquisa BTG/Nexus entrevistou 2.001 eleitores por telefone entre os dias 7 e 9 de agosto. O levantamento apresenta margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%.

Sputnik

 

Trump abandona acordo nuclear com Irã e vê saída do conflito cada vez mais difícil, diz mídia

Manifestação contra os ataques ao Irã nos EUA. - Sputnik Brasil, 1920, 09.08.2026
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, passou a considerar a possibilidade de encerrar o conflito com o Irã sem alcançar um acordo sobre o programa nuclear de Teerã, enquanto as alternativas para uma saída do confronto ficaram mais restritas nas últimas semanas. É o que revelou uma publicação do Wall Street Journal neste domingo (9)
Segundo o jornal, a Casa Branca concentrou os esforços na reabertura do estreito de Ormuz depois que as negociações sobre a questão nuclear se mostraram difíceis. Autoridades norte-americanas reveleram ainda a preparação uma estratégia para declarar vitória caso o Irã reabrisse completamente a localidade.
Diante disso, o presidente chegou a discutir com assessores a possibilidade de abandonar o conflito sem um acordo nuclear.
A mudança reduz o objetivo inicialmente buscado por Washington, mas nem mesmo essa alternativa mais limitada avançou. No último sábado (8), o país persa apresentou novas exigências para negociar, incluindo bilhões de dólares em pagamentos dos Estados Unidos, a retirada de tropas norte-americanas da região e o fim do bloqueio naval.
A dificuldade das negociações indica que Teerã está preparado para sustentar um conflito prolongado, enquanto Trump enfrenta obstáculos para transformar a campanha militar em uma saída política.
Foto fornecida pelas Força Aérea dos EUA mostra estação de lançamento do sistema THAAD sendo carregada em aeronave C-17 Globemaster III do 4º Esquadrão de Transporte Aéreo dos EUA, em Fort Bliss, Texas, 23 de fevereiro de 2019. - Sputnik Brasil, 1920, 07.08.2026
Panorama internacional
Estoques cruciais de mísseis dos EUA estão extremamente baixos após guerra com Irã, diz mídia

Estoques de munição pressionam Trump

A pressão sobre o governo norte-americano também aumentou com as preocupações sobre os estoques de munições das Forças Armadas. O conflito entrou no quinto mês, e relatos da imprensa apontam que os Estados Unidos consumiram quase 80% dos interceptadores de um dos principais sistemas de defesa antimísseis durante as operações contra o Irã.
Comandantes militares também alertaram que os estoques de munições chegaram a níveis considerados perigosamente baixos. Na última semana, Trump reconheceu que o volume geral de armamentos continua suficiente, mas admitiu que alguns tipos de munição estão mais escassos.
"Algumas delas estão um pouco mais apertadas", afirmou o presidente, sem detalhar quais armamentos enfrentam maior pressão sobre os estoques.
As dificuldades militares e diplomáticas também provocaram discussões dentro do próprio governo Trump sobre uma estratégia para encerrar o confronto. Conforme a mídia, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos, afirmou em conversas privadas com integrantes do governo que Washington precisa encontrar uma forma de deixar o conflito.

domingo, 9 de agosto de 2026

 

Jantar de Moraes, Lula e Alcolumbre exibe o sinistro conluio entre os três Poderes

Lula e Alcolumbre se reúnem na casa de Alexandre de Moraes para jantar de reaproximação – Noticias R7

Zanin entrou de penetra e fez papel de ator coadjuvante

Carlos Newton

O grande historiador, jornalista e professor Capistrano de Abreu (1853-1927) sabia exatamente o que estava dizendo, quando sugeriu que a Constituição brasileira tivesse apenas dois artigos. O primeiro seria: “Todo brasileiro deve ter vergonha na cara”. E segundo: “Revogam-se as disposições em contrário”.

Nascido em Maranguape (Ceará), Capistrano era conterrâneo de Chico Anysio e tinha esse veio humorístico. Mas sua sátira tinha base numa trágica realidade que ele constatara – a de que leis extensas e detalhadas são inúteis, quando faltar honestidade básica e decência nas pessoas e nos governantes.

CENTENÁRIO – No próximo ano, o Brasil vai lembrar o centenário da morte de João Capistrano Honório de Abreu, estamos apenas nos antecipando. Ele foi o responsável pela entrada do nosso país no mundo da historiografia moderna.

Sua maior obra foi o livro “Capítulos da História Colonial (1500 – 1800)”, publicado em 1907, em que ele analisa a formação étnica e cultural do Brasil, que depois viria a ser retomada por outro grande intelectual nordestino, Gilberto Freyre, um dos  brasileiros a receber o título de Cavaleiro da Ordem do Império Britânico – o outro foi Pelé.

Na última terça-feira, dia 4, ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, ofereceu um jantar em sua mansão em Brasília, reunindo os presidentes Lula da Silva e Davi Alcolumbre, com a participação especial do ministro Cristiano Zanin. Ou seja, Executivo, Legislativo e Judiciário comendo e bebendo à vontade, numa integração festiva que nada acrescenta à democracia e deixa muito mal a independência entre os Poderes.

MOTIVO DECLARADO – Esse tipo de reunião fora de agenda chama-se “conluio”, é sinônimo de conspiração, complô, conchavo ou trama. Mostra que Capistrano de Abreu tinha razão. Há autoridades e governantes que não têm vergonha na cara, agem como se estivessem acima do bem e do mal.

Mas aqui no Brasil tudo funciona ao contrário. Ao invés de se envergonharem por não estarem honrando a dignidade dos cargos, eles se orgulham desse “ménage à trois” e até o divulgam à imprensa, revelando que objetivo foi promover a reaproximação e lavar roupa suja após a crise institucional gerada pela derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo.

Durante mais de três horas, essas autoridades fizeram um acerto de caráter pessoal que desmoraliza a independência e a autonomia dos Três Poderes, que ficam transformados em moeda de troca.

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P.S. 1
Algum intrometido pode alegar que não se trata de conluio entre os Poderes, porque quem preside o Supremo é Edson Fachin, que sequer foi convidado. Mas a alegação é ridícula. Até as curvas sinuosas e sensuais dos pilotis do Supremo sabem que Fachin não manda nada. Quem comanda o circo é a dupla Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Aliás, num conluio desse tipo, Gilmar nem precisa ser convidado, porque ele sempre está por trás de tudo.

P. S. 2Mas o que une Moraes, Lula e Alcolumbre. Ora, as famílias dos três são enriquecidas ilicitamente. Lula já foi condenado duas vezes por corrupção e lavagem de dinheiro, e a qualquer momento pode acontecer uma nova Lava Jato. Alcolumbre é um criminoso à solta, com uma família também enriquecida ilicitamente, em incidente que envolvem até tráfico internacional de drogas. E Moraes, como diz o jornalista Mario Sabino, tem 129 milhões de motivos para vender proteção a malfeitores como Daniel Vorcaro.

P.S. 3 – Quanto à presença de Cristiano Zanin, a única explicação é que ele está sendo doutrinado para entrar nesse tipo de negócio.  

P.S. 4   Será que exagerei alguma coisa? Creio que não. Quando lembro de Capristano de Abreu, fico consciente de que todo jornalista precisa ter vergonha na cara e dizer a verdade. (C.N.)