sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

 Dino blinda teto do STF e proíbe novos “penduricalhos” no serviço público

Dino fez “reflexão complementar” à liminar inicial

Luísa Martins
Folha

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), proibiu a aplicação ou a edição de novas leis que permitam o pagamento de salários ou de verbas indenizatórias acima do teto constitucional —os chamados penduricalhos, suspensos por ele em 5 de fevereiro.

Dino disse ter feito uma “reflexão complementar” à liminar inicial e que é preciso “evitar inovações fáticas ou jurídicas”, pois isso poderia “embaraçar” deliberações que cabem exclusivamente ao STF, “detentor da prerrogativa de fixar a última palavra em interpretação da Constituição”. Na decisão, ele afirmou ainda que “é proibido o reconhecimento de qualquer nova parcela relativa a suposto direito pretérito, que não as já pagas na data da publicação da liminar”.

REGULAMENTAÇÃO – De acordo com interlocutores do ministro, nova decisão vem na esteira de movimentos observados no âmbito dos Estados para regulamentar os penduricalhos. A Folha também mostrou que o veto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos supersalários de funcionários do Congresso e do TCU (Tribunal de Contas da União) pode acelerar a criação de lei para regular verbas indenizatórias.

Dino lembrou que segue correndo o prazo de 60 dias para que os órgãos da administração pública, de todos os níveis da federação, publiquem as verbas remuneratórias e indenizatórias que despendem, com a indicação específica das leis que as fundamentam.

O magistrado também mencionou a emenda constitucional de 2024, que prevê que apenas verbas indenizatórias previstas em lei de caráter nacional estejam fora do teto. Segundo o ministro, mais de um ano depois da promulgação da emenda, a regulamentação ainda não foi feita pelo Congresso.

OMISSÃO – “Caberá exclusivamente ao STF examinar a fixação de regime transitório, caso o Congresso Nacional não cumpra o seu dever de legislar e mantenha a omissão institucional. Renova-se o já formulado apelo ao legislador”, escreveu na decisão desta quinta-feira (19).

O ministro ponderou que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), já se pronunciou sinalizando disposição para editar a lei. “Com a mesma coerência de quem defende a reforma administrativa, nós estamos aqui para dizer que a decisão do ministro Dino foi feliz; que nós vamos fazer essa discussão e esse debate, porque é isso que a sociedade nos cobra”, disse o parlamentar, em trecho transcrito por Dino.

O ministro disse que, no âmbito corporativo, associações representativas da magistratura e de integrantes do Ministério Público também manifestaram apoio à observância do teto constitucional e à transparência na política remuneratória do serviço público.

“NÃO É RAZOÁVEL” – O STF analisou pelo menos 12.925 processos sobre o teto do funcionalismo público desde o ano 2000. Segundo Dino, “não é razoável” que a corte continue arbitrando “caso a caso” indefinidamente. A liminar e a nova decisão serão julgadas no plenário do STF na próxima quarta-feira (25), quando os ministros vão decidir se referendam ou não as medidas determinadas pelo relator. A tendência é pela confirmação.

Quanto aos recursos apresentados contra a decisão, como o impetrado pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), o relator afirmou ser necessário aguardar o julgamento do referendo, “quando serão estabelecidos os contornos da tutela liminar antes deferida e agora complementada”.

Como mostrou a Folha, servidores públicos que recebem os maiores supersalários no Brasil ganharam até R$ 3,1 milhões em um ano —média de R$ 263 mil por mês. O maior contracheque foi pago pelo MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) a uma promotora, que recebeu essa cifra de agosto de 2024 a julho de 2025.

TETO –  Com salários de entrada elevados, carreiras de magistratura e do Ministério Público atingem rapidamente o teto constitucional e, por isso, buscam estratégias para continuar a elevar as remunerações. No processo, concentram os maiores supersalários, de acordo com Fernanda de Melo, especialista da República.org, uma organização da sociedade civil voltada à gestão de pessoas no serviço público. Órgãos do Judiciário também usam a autonomia administrativa e orçamentária que permite criar e ampliar benefícios, sem que haja previsão expressa em lei.

Os projetos de lei vetados parcialmente por Lula na última quarta-feira (18) foram aprovados no início do ano legislativo e previam indenizações e verbas extras que poderiam elevar os salários de alguns servidores a mais de R$ 80 mil, sendo que o teto constitucional é de R$ 46.366,19 (salário pago a ministros do Supremo).

O líder do PT na Câmara, Pedro Uczai (SC), defendeu que, ao invés de discutir a derrubada do veto de Lula aos supersalários, o Congresso construa “uma legislação unificada para o Brasil inteiro sobre esse tema”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Dino vai bem como ministro independente. Ainda tem pretensões políticas e está desafiando, de peito aberto, a Ditadura do Judiciário. Se mantiver acesa a chama, será candidato fortíssimo em 2030, conforme já afirmou aqui na Tribuna da Internet o articulista José Perez Jr, de olho no lance.. (C.N.)

 

Depois de ser chamada de “put*” por filho de Lula, Janja é destratada pela filha

O Carnaval foi realmente péssimo para Lula. Além de todo o prejuízo político e eleitoral, o petista teve que testemunhar uma briga nada amistosa entre a “put*”, segundo Luleco, e sua filha, Lurian.MRV

O embate entre as duas mulheres foi relatado pela jornalista Mônica Bergamo e confirmado pelo JCO. Segundo relatos, as duas se desentenderam quando Lurian foi até a sala reservada onde Lula e Janja estavam dentro do camarote. O espaço tinha acesso restrito. Só entrava quem tinha autorização do presidente.

Aliados de Lula relatam que, quando Lurian estava cumprimentando o pai, Janja afirmou que aquele momento não era para conversas mais alongadas e mandou que a filha do presidente desse um beijo e se retirasse.itsvividleaves.com

Lurian, então, reagiu e disse que queria conversar com o pai. Janja, por sua vez, retrucou e pediu que  ela deixasse a sala. Foi nesse momento, então, que o clima esquentou mais.

De acordo com relatos, Lurian destratou Janja dizendo que ela não sabe o que é uma estrutura familiar e não entende a relação entre pais e filhos. Como se sabe, Janja não tem filhos.

 

Por Redação g1

 

Presidente interina da Venezuela propõe anistia geral

Presidente interina da Venezuela propõe anistia geral

A Assembleia Nacional da Venezuela aprovou nesta quinta-feira (19), em segunda e última votação, um projeto de lei de anistia para presos políticos. Todos os parlamentares votaram a favor da proposta, que já foi promulgada pela presidente Delcy Rodríguez. O texto já havia sido aprovado por unanimidade em primeira votação no dia 5 de fevereiro. Desde então, a votação final foi adiada mais de uma vez. A aprovação ocorre enquanto familiares de detentos completavam o quinto dia de greve de fome.

A lei prevê a libertação de detidos e o cancelamento de outras medidas impostas pelo governo. Na prática, a medida pode ser um caminho que permita o retorno ao país de opositores que vivem no exterior.

O texto, no entanto, estabelece exceções. Não terão direito ao benefício pessoas que promoverem, instigarem, solicitarem, invocarem, favorecerem, facilitarem, financiarem ou participarem de ações armadas ou de força contra o povo, a soberania ou a integridade territorial da Venezuela.

A redação também inclui casos que envolvam Estados, corporações ou pessoas estrangeiras. Isso pode abrir margem para barrar a anistia da líder opositora María Corina Machado, acusada pelo chavismo de ter defendido uma invasão dos Estados Unidos ao país.

Organizações de direitos humanos afirmam que a proposta é limitada e não oferece alívio suficiente para centenas de pessoas classificadas como presas políticas.

O governo nega a existência de presos políticos. Há anos, oposição e entidades de direitos humanos acusam o chavismo de usar detenções para reprimir dissidentes, incluindo políticos, integrantes das forças de segurança, jornalistas e ativistas, com acusações como terrorismo e traição.

A proposta foi anunciada em janeiro por Delcy Rodríguez, que assumiu o poder após os Estados Unidos capturarem e deporem Nicolás Maduro. Desde então, o governo tem atendido a exigências norte-americanas e libertado alguns dos presos políticos.

Segundo a ONG Foro Penal, pelo menos 644 pessoas continuam presas por motivações políticas na Venezuela.

O projeto

Venezuelanos protestam pela libertação de presos políticos em 5 de fevereiro de 2026 — Foto: REUTERS/Maxwell Briceno

Venezuelanos protestam pela libertação de presos políticos em 5 de fevereiro de 2026 — Foto: REUTERS/Maxwell Briceno

O texto aprovado tem 13 artigos e é mais vago do que o rascunho que circulou no início do mês.

Na versão inicial, a anistia abrangeria crimes cometidos entre 1º de janeiro de 1999 e a data de entrada em vigor da lei. O perdão não valeria para condenados por violações de direitos humanos, crimes de guerra, assassinato, corrupção ou tráfico de drogas.

  • Outros delitos, como resistência à autoridade, danos ao patrimônio, rebelião e traição, poderiam ser incluídos, desde que tivessem ocorrido no contexto de protestos políticos.
  • O texto citava manifestações registradas em 2007, 2014, 2017, 2019 e 2024.
  • A norma exclui da anistia condenados por “rebelião militar” relacionada aos eventos de 2019.
  • A proposta também previa a retirada de alertas vermelhos da Interpol e a revogação de sanções políticas. A medida buscava garantir o retorno ao país de opositores no exterior.

Já a versão levada ao plenário manteve a previsão de anistia ampla para fatos ocorridos nos 27 anos de chavismo. No entanto, não detalhou quais crimes poderão ser anistiados e incluiu exigências que geraram impasse.

Ao contrário do primeiro rascunho, a versão aprovada também não prevê a devolução de bens de detidos, nem a revogação de proibições para ocupar cargos públicos impostas por razões políticas, nem o cancelamento de sanções contra veículos de comunicação.