quarta-feira, 11 de março de 2026

 

O Inquérito do Fim do Mundo: imenso e eterno | Por Luiz Holanda

Agora que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, resolveu ampliar ainda mais o chamado “Inquérito do Fim do Mundo”, as investigações serão eternas. O apelido foi dado pelo ex-ministro do Supremo Marco Aurélio Mello, classificando o inquérito como natimorto e afirmando que a sua abertura se deu sem a devida provocação. A longa duração do inquérito e a abrangência excessiva foram consideradas pelo ex-ministro uma afronta ao sistema acusatório e um “buraco negro” judicial.

Mello afirmou que o inquérito ignorou a legislação instrumental e a organicidade do direito, concentrando poderes nas mãos de um único ministro, além de ter sido criado sem obediência aos pressupostos legais necessários. Realmente, a falta de limites temporais e materiais da investigação fez do processo uma aberração jurídica. Aberto em 2019 para investigar notícias fraudulentas, ameaças e ofensas contra a honorabilidade e segurança do STF e de seus membros, o inquérito busca encontrar os autores de notícias falsas nas redes sociais e identificar os responsáveis por sua criação e propagação.

Na época, a gritaria foi geral. O episódio gerou debates e polêmicas em todo o país, principalmente em relação à liberdade de expressão e à possibilidade de censura. O empresário Luciano Hang e o dono das academias SmartFit, Edgar Corona, foram suas primeiras vítimas. Muitos questionaram os limites da investigação e o cerceamento da liberdade de opinião, enquanto os ministros argumentaram que é necessário impedir manifestações contra a Corte para não prejudicar a confiança das pessoas nas instituiçõesVários processos foram abertos e muitos foram alvos de perseguições e apreensões.

Considerando que os ministros do STF são as “vítimas” das supostas falsas notícias, fica difícil imaginar que serão plenamente imparciais no julgamento do caso, pois a condenação dos responsáveis pelas supostas disseminações será aplicada pelos próprios ministros. Além disso, os que foram colocados no rol de investigados não eram parlamentares, ou seja, deveriam ser julgados em uma Vara Criminal comum. A decisão de manter o inquérito no STF foi tomada pelos próprios ministros.

No que se refere à imprensa, a revista Crusoé foi censurada e condenada ao pagamento de uma multa de R$ 100 mil em razão da publicação de um editorial, além da exigência para que a Polícia Federal ouvisse os responsáveis pela revista e pelo site em até 72 horas. Para piorar, esqueceram — ou não levaram em conta — que o titular da ação penal que poderia levar à condenação dos investigados seria o Ministério Público Federal, mais especificamente o Procurador-Geral da República, e não o STF. Esse fato foi ignorado pelos senhores ministros, que pouco se importaram com a ilegalidade. Em 2023, foi autorizada a juntada a esse inquérito de um relatório relacionado aos atos de 08 de janeiro, ampliando ainda mais a abrangência das investigações.

Agora, a situação se agravou. O ministro Alexandre de Moraes abriu, em janeiro, um novo inquérito sigiloso para investigar o vazamento e o acesso indevido de dados fiscais dos ministros da Corte e de seus familiares por servidores da Receita Federal e do Coaf. A investigação, iniciada de ofício (sem provocação da PGR ou da Polícia Federal), gerou divisões no próprio STF e preocupações quanto à necessária imparcialidade.

Essa ampliação ocorreu após a divulgação de notícias envolvendo contratos da esposa de Moraes e negócios da família do ministro Dias Toffoli com o Banco Master. Antes do Carnaval, Moraes autorizou uma operação contra auditores da Receita Federal para apurar “acessos ilícitos” ao sistema de dados envolvendo ministros da CorteEspecialistas e associações de auditores expressaram preocupação com o uso de inquéritos sigilosos para investigações de possível interesse pessoal, enquanto parte da Corte defende a necessidade de apuração.

Além de eterna, a investigação tramita sob sigilo, buscando identificar se houve violação de sigilo funcional para produzir “suspeitas artificiais” contra membros do Supremo, segundo manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR). Aliás, essa PGR, particularmente sob a gestão do procurador-geral Paulo Gonet, vem sendo marcada por críticas sobre leniência e inércia no combate a abusos atribuídos aos ministros mais influentes da Corte — Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes —, o que tem gerado uma intensa crise de credibilidade.

Críticos argumentam que a PGR adotou uma postura silenciosa diante das supostas ilegalidades praticadas por ministros, cujo poder é imenso, tanto quanto o é o eterno “Inquérito do Fim do Mundo”, agora ampliado pelas atuais investigações determinadas pelo ministro Alexandre de Moraes.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

 

Aumenta cada vez mais a possibilidade de haver impeachments na Suprema Corte

AMB questiona quórum para impeachment de ministros do STF

Reprodução do site Migalhas

Merval Pereira
O Globo

A resposta que o presidente do STF, ministro Edson Fachin, deu à comissão da OAB, de que as apurações do caso Master vão seguir e que nada ficará sob o tapete tinha de ser dada, mas vamos ver os fatos, o que realmente acontecerá na prática.

Foi bom o presidente do STF ter dado esta declaração, porque pelo menos constrange os que, dentro do próprio STF, estão tentando negociar que tudo fique debaixo do tapete. Não é à toa que Fachin falou isso. Ele certamente sabe o que está acontecendo, e se avançar esta tentativa de parte do Congresso, parte do STF e parte do Judiciário de maneira geral para que não haja uma solução. será uma crise maior do que a que está acontecendo.

E OS MILITARES? – A opinião pública não vai aceitar, os militares estão muito incomodados – a não ser que eles entrem também no acordão, mas é muito difícil. Tenho a impressão de que, num país normal, que não é o nosso caso, isso seria resolvido pela Justiça.

Fachin está dando o norte – não sei se é o que a maioria do STF quer, mas ele está cumprindo sua missão. Ser presidente do STF é uma honraria menor, porque não é por mérito e sim por rodízio que se assume a presidência. Isso significa que o presidente não tem ascendência sobre ninguém. São todos iguais, o presidente tem algumas prerrogativas, mas nada que faça com que ele obrigue algum ministro a alguma coisa.

Só há a pressão moral, a pressão da sociedade, mas não é algo que tenha punição. É difícil comandar 11 “ilhas”, e às vezes elas se unem para proteger umas às outras, como está acontecendo no caso Master. Vamos ver se conseguimos ir adiante dentro da lei.

PUNIR É PRECISO – De uma maneira ou de outra, os ministros devem ser punidos, porque se não acontecer nada agora, é quase certo que no ano que vem, diante de um Senado majoritariamente de direita, um deles, ou os dois ministros sofram impeachment. Isso não vai parar.

STF e banco Master são o centro da discussão política num ano eleitoral. Cada explicação dada é pior do que a anterior, como a que a mulher de Alexandre de Moraes agora apresentou.

O Chat GPT faz aquilo em um minuto, não têm o menor sentido a tentativa de justificar o que é injustificável.

Aumentam as suspeitas de que Sicário pode ter sido ‘suicidado’ na PF mineira

Superintendente da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad Macedo, comenta sobre a deflagração da Operação Rejeito realizada em 17/9.

Murad, superintendente da PF, sonega divulgação das imagens

Carlos Newton

Sem a menor dúvida, desde a Operação Laja Jato, em 2014, a Polícia Federal está se firmando como a mais importante e confiável instituição nacional, combatendo com firmeza a corrupção e outros crimes de colarinho imundo cometidos por autoridades dos Três Poderes, além de seguir enfrentando a criminalidade como um todo.

A disposição dos integrantes da PF é tamanha que recentemente seu diretor-geral, Andrei Rodrigues, quebrou todos os protocolos que blindam os integrantes do Supremo Tribunal Federal e entregou pessoalmente ao presidente Edson Fachin um relatório com mais de 200 páginas contra o ministro Dias Toffoli, exigindo que ele fosse afastado da relatoria do caso Master.

Foi uma denúncia fora do padrão e das regras, algo jamais visto na História Republicana, mas a Suprema Corte foi obrigada a atender.

HÁ CONTROVÉRSIAS – No entanto, como diria o grande ator Francisco Milani, há controvérsias, pois a Polícia Federal está sofrendo uma campanha de descrédito na imprensa amestrada e nos múltiplos espaços petistas na web.

Tenta-se menosprezar e desmoralizar a Polícia Federal, apontando supostos excessos e abusos de poder. Já se fala até em “República da PF”, como se isso não fosse salutar para quem trabalha e procura progredir, sem cair na tentação do enriquecimento ilícito, depois de aturar Lula da Silva, Dilma Rousseff, Michel Temer, Jair Bolsonaro e de novo Lula, em sequência, e com possibilidade de uma nova  “reprise” nefasta na eleição deste ano.

A meu ver, a “República da PF” seria bem-vinda, para liquidar com a patologia criminal nos três Poderes, acabar com os penduricalhos e reduzir nossa desigualdade social, a maior do mundo civilizado, que aumenta cada vez que é concedido o mesmo percentual de reajuste para o menor e o maior salário, uma prática que nada tem de cristã, republicana, democrática ou civilizada.

HÁ PROBLEMAS – Mas é claro que nem tudo é acerto na Polícia Federal. Existem também graves problemas. Por exemplo: a corporação está em dívida com a opinião pública, porque até agora não revelou as imagens do tal suicídio do Sicário Luiz Mourão, aquele que tentou se matar na cadeia, morreu no hospital, foi ressuscitado e acabou morrendo de novo dois dias depois…

O superintendente da PF em Minas, Richard Murad Macedo, disse que o suicídio foi inteiramente gravado “sem pontos cegos”. Mas cadê as imagens? No domingo, o “Fantástico” disse ter recebido imagens da gravação na cela, mas era conversa fiada, só exibiu duas “simulações”. 

Ora, se até no caso de Vladimir Herzog, existiu uma foto mostrando a encenação do “suicídio” dele, porque no caso de Vicário as imagens são sigilosas? Isso não faz o menor sentido.

QUEIMA DE ARTIGO – Diante desse mistério, as suspeitas de queima de arquivo aumentam cada vez mais e foram reforçadas com a notícia  de que Daniel Vorcaro, do Banco Master, ordenou a seus capangas que fizessem intimidações e agressões contra uma empregada doméstica e um chefe de cozinha.

Sobre a doméstica, Vorcaro enviou mensagens ordenando “tem que moer essa vagabunda”, sob alegação de que ela estaria fazendo ameaças contra ele. Após a frase, ele teria instruído o grupo a “puxar o endereço” e dados pessoais dela.

Em outro episódio, após descobrir que um chefe de cozinha teria feito uma gravação considerada indesejada, Vorcaro sugeriu intimidação, escrevendo em seu linguajar trôpego: “o bom de dar sacode no chefe de cozinha. Primeiro o outro já vai assustar”.

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P.S.
 – Diante da gravidade dos fatos, a Polícia Federal está devendo importantíssimas informações à opinião pública. É preciso encontrar a empregada e o chefe de cozinha para saber se estão bem ou sofreram agressões. Além disso, não se pode desprezar o poder que a família de Vorcaro tem em Minas Gerais, pois seu pai operava na lavagem do dinheiro. Portanto, a PF tem obrigação de exibir as imagens do suicídio de Sicário, que era um homem que sabia demais, como diria Alfred Hitchcock. E as imagens devem ser exibidas sem pontos cegos, como disse no início o esquivo delegado federal Richard Murad Macedo, e nunca mais tocou no assunto. O povo quer saber. (C.N.)

Piada do Ano! Sem provas, Moraes manda arquivar inquérito contra Musk no STF

Procuradoria diz que não há provas para acusar Elon Musk

Pepita Ortega
O Globo

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, acolheu o pedido do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e arquivou o inquérito que mirava o bilionário Elon Musk, dono do X, por suposta “instrumentalização criminosa” da rede social. Em despacho assinado nesta tarde, o ministro destacou as prerrogativas do Ministério Público e ponderou que a manifestação do PGR é “irretratável, salvo no surgimento de novas provas”.

A decisão de cinco páginas não faz ponderações sobre o mérito do caso, apenas destacando que cabe somente ao Ministério Público denunciar ou não uma pessoa investigada. Nessa linha, considerando ainda que não é cabível, no caso, uma ação privada, o ministro deferiu o pedido de arquivamento.

SEM PROVAS – Em manifestação apresentada a Moraes na semana passada, Gonet destacou que não foram encontradas provas que sustentem a tese de um uso doloso do X para atentar contra autoridade do Judiciário — no caso, Moraes.

O chefe do Ministério Público Federal destacou que as investigações apontam, na realidade, para “falhas operacionais pontuais” que foram notificadas à plataforma e “prontamente sanadas” pelo X. Na visão do procurador, não há justa causa para seguir com o caso. Gonet ressaltou a “manifesta inexistência de suporte fático” para que se ofereça uma denúncia no caso. o oferecimento de denúncia.

DESOBEDIÊNCIA – A investigação em questão se debruçou sobre suposta desobediência, por parte de Musk, a decisões judiciais, além de possível obstrução à Justiça em contexto de organização criminosa e incitação ao crime. A hipótese dos investigadores era a de que havia uma “deliberada intenção” do X em “desvendar o cumprimento de ordens judiciais”.

No entanto, segundo Gonet, não foram encontradas provas suficientes para a confirmação de tal hipótese criminal. O PGR disse que não foi identificado comportamento doloso por parte dos representantes legais do X que configurasse “desobediência a decisões sobre suspensão de direitos, embaraço a investigações de organizações criminosas ou incitação pública ao crime”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Caramba, que vexame! Tiraram uma onda danada, disseram que iam incriminar Musk e tudo o mais. E na verdade o inquérito foi um fracasso total… No entanto, o processo de Trump contra Moraes prossegue nos Estados Unidos e o ministro será julgado e condenado à revelia. Com isso, deve ser reenquadrado na Lei Magnitsky. (C.N.)

Sputnik

 

Trump está em pânico porque ataque contra Irã não ocorre como planejado, diz especialista militar

Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, durante reunião com executivos do setor petrolífero na Casa Branca. Washington, D.C., 9 de janeiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 10.03.2026
O presidente dos EUA, Donald Trump, está começando a perceber que a campanha militar contra o Irã não está indo conforme o planejado, afirmou na rede social X o tenente-coronel aposentado do Exército dos EUA, Daniel Davis.
Ao comentar novas ameaças do chefe da Casa Branca em relação ao bloqueio do estreito de Ormuz, o especialista militar norte-americano disse que Donald Trump está desesperado porque entendeu que não conseguiria vencer o Irã usando apenas a Força Aérea.
Ao mesmo tempo, as Forças Armadas norte-americanas não têm um plano viável para realizar um ataque terrestre, do que Donald Trump também está ciente.

"O presidente Trump está desesperado e em pânico! [...] Trump entende que não há opção viável de um ataque terrestre para vencer rapidamente a guerra com o Irã", escreveu Davis.

Israel pode prolongar ofensiva contra o Hezbollah após conflito com o Irã, diz mídia - Sputnik Brasil, 1920, 10.03.2026
Panorama internacional
Israel pode prolongar ofensiva contra o Hezbollah após conflito com o Irã, diz mídia
Segundo Davis, o líder norte-americano não pode esperar muito e limitar-se apenas aos ataques aéreos, porque o Irã tem mais chances de intensificar o bombardeio por um período mais longo do que Trump e Netanyahu podem sustentá-lo.

"Trump não pode esperar o aumento dos preços do petróleo em uma economia já anêmica", advertiu o tenente-coronel aposentado.

Ele também acrescentou que a parte norte-americana cometeu um grave erro ao tentar iniciar negociações duas vezes, mas depois usar isso como cobertura para um ataque. Por isso, agora o Irã tem motivos para acreditar que qualquer negociação não será legítima.
Vale mencionar que, na véspera, o presidente estadunidense ameaçou realizar ataques 20 vezes mais fortes do que os atuais se Teerã "interromper o fluxo de petróleo pelo estreito de Ormuz". Ele chamou isso de "presente" dos Estados Unidos para a China e todos os países que utilizam intensamente o estreito.
A Petrobras anunciou a chegada da plataforma de petróleo, P-67, ancorada na Baía de Guanabara, destinada ao Sistema de Produção do Campo de Lula, no pré-sal da Bacia de Santos, 19 de julho de 2018 - Sputnik Brasil, 1920, 10.03.2026
Notícias do Brasil
Guerra no Irã eleva petróleo e pressiona inflação, dividindo expectativas sobre a Selic, diz mídia
Na terça-feira, o líder norte-americano disse que garantiria a segurança da navegação no estreito de Ormuz. Segundo ele, os Estados Unidos não permitirão que Teerã interrompa o fornecimento global de petróleo, prometendo, caso contrário, atingir duramente o Irã.
Por sua vez, o chanceler iraniano, Abbas Araghchidisse que Teerã não fechou o estreito de Ormuz e não interfere na navegação. A assessoria de imprensa do Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) afirmou que qualquer país árabe ou europeu terá o direito de passar pelo estreito de Ormuz se expulsar embaixadores americanos de seu território.