sexta-feira, 4 de setembro de 2026

 

A Polícia Federal na berlinda | Por Luiz Holanda

Em artigo publicado em vários jornais da Bahia, escrevi, por ocasião de um congresso realizado pela Polícia Federal (PF) em nosso estado, que a instituição era uma das mais sérias do país, liderando o Ranking de confiança entre os brasileiros com 56% de aprovação. Também afirmei que sua atuação era exercida como um “sacerdócio” para quem tem vocação em enfrentar os perigos e proteger o Brasil contra a corrupção. Hoje, infelizmente, as dificuldades para que se repitam essas alegações são muitas. Seu diretor, Andrei Rodrigues, foi citado em mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em tratativas e tentativas de interferência em investigações, segundo relatórios da própria corporação divulgados após o levantamento de sigilo pelo ministro André Mendonça, do STF.

Os relatórios mostram Vorcaro citando o nome de Rodrigues e do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, para monitorar ou tentar barrar o andamento de apurações contra o Banco Master. Mesmo não apontando elementos indicando que Rodrigues tenha atendido os pedidos ou prestado alguma proteção a favor de Vorcaro, uma troca de mensagens desse tipo indica que o ex-banqueiro pediu que o magistrado tentasse reverter as investigações sobre a instituição financeira junto de Paulo Gonet e do próprio Andrei Rodrigues: “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu Vorcaro ao ministro em 15 de novembro de 2025 — dois dias antes de ser preso pela primeira vez.

O Banco Master custeou as despesas de hospedagem, alimentação e locomoção de Rodrigues para que o diretor da PF pudesse participar do I Fórum Jurídico Brasil de Ideias, em Londres, realizado em abril de 2024. As despesas pagas pelo Master incluíram a hospedagem no Hotel Península e a alimentação, além do transporte local. Paralelamente ao Fórum, Vorcaro financiou altíssimo luxo na capital britânica, como um jantar/festa no exclusivo clube privado Annabel’s (com direito a show do cantor Seal) e uma badalada degustação do uísque Macallan, um dos mais caros do muindo, além de charutos no George Club, em Mayfair. O evento reuniu a cúpula dos Três Poderes da República, com a participação de ministros do STF (Alexandre de Moraes e Dias Toffoli), além do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do então ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Apenas a degustação de uísque e charutos foi avaliada em US$ 640.831,88 (cerca de R$ 3,2 a R$ 3,3 milhões no câmbio da época). Estimativas de gastos com jantares paralelos e festas privadas exclusivas na mesma viagem também somam cifras milionárias.

A PF informou que não houve pagamento de diárias com recursos públicos para a viagem e que Andrei Rodrigues não recebeu cachê, remuneração ou ajuda de custo pela participação. O episódio gerou representações de partidos políticos junto a órgãos de controle para apurar eventuais conflitos de interesse, além de questionamentos levantados em comissões do Congresso Nacional. Em mensagens trocadas entre Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, o ex-banqueiro pediu que o magistrado tentasse reverter as investigações sobre a instituição financeira junto de Paulo Gonet e Andrei Rodrigues: “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei? Muita sacanagem isso. Isso em Brasília?”, escreveu Vorcaro ao ministro em 15 de novembro de 2025 — dois dias antes de ser preso pela primeira vez.

A direção da corporação e o próprio Andrei Rodrigues reiteram que a instituição atua com total imparcialidade e autonomia técnica, rechaçando qualquer envolvimento em esquemas de proteção a investigado. O problema é que as mensagens de Vorcaro para Moraes apontam para um pedido de proteção:* “É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem” e “Não conseguimos reverter isso com Paulo e Andrei?”. Na véspera de ser preso Vorcaro tentou fazer com que Moraes sensibilizasse o chefe da PF para atrasar o cumprimento das medidas judiciais: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra”.

Os relatórios da Polícia Federal indicam o esforço e a crença de Vorcaro de que conseguiria essa blindagem por meio de seu interlocutor, embora não haja prova de que Andrei Rodrigues tenha atendido ao apelo. Mesmo assim, a PF sai chamuscada nesse episódio, mesmo sendo amplamente reconhecida como uma das instituições mais respeitadas e confiáveis do país. Diferente da percepção de um abalo generalizado, dados de pesquisas como os da AtlasIntel, em parceria com o Estadão, mostram a corporação no topo da credibilidade institucional no país, registrando 56% de avaliações positivas. Mas, infelizmente, Vorcaro colocou a PF na berlinda.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário. 

 

Proposta indecente de Gilmar a Lula significa criar um novo tipo de golpe de estado

Lula volta em clima de velório nacional - Blog do Ari Cunha

Charge do Cláudio Aleixo (Arquivo Google)

Carlos Newton

A avalanche sobre Brasília é pior do que as neves do Kilimanjaro no Nepal, porque o fenômeno que arrasa os três Poderes no Brasil está apenas começando e ainda vai durar muito tempo, até ocorrer uma limpeza das instituições. Justamente por isso, já se esperava que, nesta quarta-feira, a reunião do plenário fosse como um velório de madre-superiora, com todos os ministros sofridamente compungidos, sem arriscar comentários sobre a tragédia da corrupção generalizada.

O ainda ministro Alexandre de Moraes não derramou uma só lágrima. Pelo contrário, deu gargalhada na hora do cafezinho, ao conversar com Gilmar, Zanin e Fachin, vejam como essa gente é solidária na impunidade. Na sessão, o presidente Édson Fachin nem tocou no assunto. Ficou quieto, respeitando a estratégia de Moraes, que não aceitou tocar no assunto antes de passar ao ataque, com uma desfaçatez extraordinária, acusando Mendonça de “abuso de autoridade”.

PORCARIADA – A embromação vai continuar. Cedo ou tarde, porém, Fachin terá de colocar em votação o pedido do relator André Mendonça, para abrir investigação sobre Moraes e quem estiver próximo a ele na banca de negócios aberta para atender o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, que emporcalhou os três Poderes, fazendo jus a seu sobrenome.

Em italiano, Vorcaro é uma derivação de Porcaro, que deriva do latim “porcus” com o sufixo “aro”, que indica ocupação, significando “porqueiro” em português.

Assim, cabe ao Supremo limpar inicialmente sua porcariada corporativa, para depois ter condições de conduzir a lavagem do Legislativo e do Executivo, que não ficam a dever em matéria de corrupção e leniência administrativa, nesta deprimente fase da vida pública, que se confunde com a privada.

RÁPÍDO NO GATILHO – O ministro Gilmar Mendes (ele, sempre ele) não conseguiu se conter. Antes mesmo de Moraes revidar, Gilmar foi rápido no gatilho e procurou o presidente Lula da Silva para fazer uma sugestão de caráter emergencial, que a seu ver seria capaz de limpar a barra suja dos três Poderes.

Para começar, disse que a culpa desse chiqueiro é do ministro André Mendonça, que estaria conduzindo o inquérito do Banco Master de tal forma que caberia até impetrar um mandado de segurança contra as decisões dele.

Alegou que Mendonça errara ao colher depoimento de Vorcaro sem a presença da Polícia Federal. Além disso, o relator nem poderia dar prosseguimento ao caso, porque os novos relatórios da PF foram rejeitados pelo procuradoria-geral Paulo Gonet.

PROPOSTA INDECENTE – Segundo a jornalista Rossean Kennedy, do Estadão, a quem Gilmar mandou vazar a notícia, Lula perguntou o que fazer e Gilmar então propôs uma ação institucional conjunta, a ser orquestrada pelo ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva. com o presidente do STF, Edson Fachin, tendo participação do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e também do procurador Paulo Gonet, é claro, que nem chegou a ser citado, mas está dentro do esquema, porque chegou à PGR por indicação de Gilmar, de quem foi colega e sócio na Faculdade de Direito que os dois criaram.

Trata-se, é claro, de uma solução ditatorial, que simplesmente afronta o Estado de Direito, num golpe pior do que aquele que Jair Bolsonaro planejou fazer, mas acabou desistindo, e mesmo assim foi condenado a 27 anos e três meses de prisão.

Bem, amigos,  quando nem mesmo Gilmar Mendes consegue uma solução cabível, é porque essa possibilidade não existe, está sendo criada no momento, inteiramente ao arrepio da lei.

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P.S.
O fato concreto é que o ministro André Mendonça tornou-se uma espécie de Davi enfrentando Golias. Terrivelmente religioso, formado em Teologia e atuando como ministro presbiteriano, sem receber pagamentos, ele demonstra impressionante coragem e está enfrentando a corja dos três Poderes, para passar o país a limpo. Mas precisará ter o apoio dos homens de boa vontade, para conseguir vencer os cavaleiros do Apocalipse, que se apoderaram do Brasil. Depoia voltaremos ao assunto, para analisar como Mendonça está atuando. (C.N.)

No desespero, Moraes tenta acusar Mendonça por “abuso de autoridade”

Moraes admite erro e autoriza parte de campanha do governo - Revista Oeste

Apanhado em flagrante, Moraes não sabe mais o que fazer

Luísa Martins e Ana Pompeu
Folha

O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), pediu que o ministro André Mendonça seja investigado por abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução do caso do Banco Master e do INSS (Institutos Nacional do Seguro Social).

O despacho foi assinado no âmbito do inquérito das fake news e encaminhado ao presidente do STF, Edson Fachin, para providências. Moraes afirma que Mendonça agiu para direcionar as investigações, “com quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos”.

MOTIVOS PESSOAIS – De acordo com Moraes, o colega conduziu irregularmente tratativas de delações premiadas e direcionou determinados alvos para a investigação “por motivos pessoais e políticos, inclusive com a indicação prévia de medidas cautelares” a serem apresentadas pela Polícia Federal. Esses alvos seriam o próprio Moraes e o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

A medida é tomada por Moraes dois dias após Mendonça retirar o sigilo de um relatório da PF que aponta o colega como o interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Na decisão, Mendonça sinalizou que levará ao plenário a possibilidade de investigar Moraes. Procurado após o pedido de Moraes a Fachin, Mendonça ainda não se manifestou.

NULIDADES – Fachin decidiu abrir um procedimento para esclarecer as nulidades alegadas pela PGR (Procuradoria-Geral da República), solicitando a todos os envolvidos, inclusive a Moraes e Mendonça, manifestações em até cinco dias úteis.

Segundo Moraes, há por parte de Mendonça “indícios crescentes de enviesamento da condução da supervisão judicial, manifestados em direcionamento temático de intensidade progressiva quanto a linha investigativa determinada”, além de “quebra da cadeia de custódia das provas apreendidas”.

Moraes afirmou que, no curso da investigação, Mendonça ameaçou afastar do cargo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet — este último por “proximidade com o ministro Gilmar Mendes que o tornaria indigno de confiança”.

DIZ MORAES – Para justificar a decisão no âmbito do inquérito das fake news, Moraes diz que constatou “a existência de notícias fraudulentas, denunciações caluniosas, ameaças e infrações que atingem a honorabilidade e a segurança do Supremo, de seus membros e familiares”.

O ministro diz que relatórios de inteligência registrados nos sistemas da PF apontam para a imputação falsa de crimes em relação a Rodrigues, Gonet, Moraes e Gilmar, com citações também aos ministros Dias Toffoli, Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

Os relatórios de inteligência, de acordo com Moraes, dizem que Mendonça teria determinado medidas que prejudicaram a cadeia de custódia das provas, atropelando as competências das autoridades policiais, o que acabou gerando tratamento assimétrico entre investigados, com prazos variados a depender do alvo.

RELATÓRIO DA PF – “O juízo relator vem exercendo poderes típicos de presidência da investigação, e não de supervisão judicial”, diz o relatório da PF, citando como exemplo a ordem de Mendonça para ter acesso ao material bruto da investigação.

A PF conclui que o resultado prático da atuação de Mendonça “é a atuação do julgador como investigador”, pois o ministro estava apto a explorar direta e irrestritamente todo o acervo de provas, algo que não é franqueado, por exemplo, às defesas dos investigados.

“O formato exigido é, em si, um indicativo: destina-se a consulta e análise de teor”, diz a PF, sinalizando que a partir disso Mendonça poderia selecionar, suprimir ou manipular as documentações que embasam os inquéritos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Moraes está completamente desesperado, porque as mensagens entre ele e o banqueiro Vorcaro falam por si, nem é preciso acusá-lo de nada, porque o próprio ministro se incriminou por advocacia administrativa e outras graves infrações, emporcalhando a toga do Supremo, que é o manto sagrado da magistratura. Agora, na undécima hora, Moraes tenta transformar Mendonça em criminoso e ele próprio em vítima. Mas a verdade está tão clara e cristalina que não dá mais para ocultá-la. Moraes já era. Apenas isso. (C.N.)

 

Pedido de Moraes abre margem para anular inquéritos contra Vorcaro e Lulinha

Ao alegar que houve parcialidade de André Mendonça, Moraes lança bases para que o STF se inspire na Lava Jato e encerre investigações

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Wilson Lima
2 minutos de leitura03.09.2026 22:43comentários 1
Pedido de Moraes abre margem para anular inquéritos contra Vorcaro e Lulinha
Lulinha. Inteligência artificial Gemini

O pedido do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes contra André Mendonça, apresentado na noite desta quinta-feira, 3, abre margem para que o Tribunal anule as investigações que miram o banqueiro Daniel Vorcaro, no âmbito da Compliance Zero, e as que miram Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no âmbito da Operação Sem Desconto.

Com base em um relatório de inteligência da Polícia Federal, sem identificação de autoria, Moraes afirma haver “fortes indícios” de atos de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade atribuídos a Mendonça.

A manifestação foi encaminhada ao presidente do Supremo, Edson Fachin, a quem Moraes atribuiu a decisão sobre eventuais providências.

As suspeitas foram apresentadas por meio de relatórios de inteligência da PF e envolvem três frentes: suposta interferência de Mendonça na condução de investigações policiais, participação em tratativas de colaboração premiada e direcionamento de apurações contra o próprio Moraes e o senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado.

Na prática, Moraes acusa Mendonça de conduzir de maneira parcial as investigações da Compliance Zero e Sem Desconto. Esse foi exatamente o mesmo argumento utilizado pela defesa de Lula para conseguir anular as investigações da Operação Lava Jato no STF. Desde então, vários outros alvos da Lava Jato como José Dirceu, por exemplo, obtiveram vitórias no STF alegando que o então juiz Sérgio Moro agiu de forma parcial na condução das investigações.

Segundo Moraes, os relatórios de inteligência indicam possível “quebra da imparcialidade judicial” e favorecimento de determinados grupos políticos. Esses argumentos foram suscitados pelo próprio STF no julgamento das ações relacionadas a Lula.

Um dos principais pontos da decisão é a acusação de que Mendonça teria avançado sobre atribuições próprias da Polícia Federal.

Relatório citado por Moraes afirma que o ministro teria exercido poderes considerados típicos da presidência de uma investigação, e não apenas de supervisão judicial. Entre as medidas mencionadas está a determinação para que o gabinete tivesse acesso antecipado ao acervo bruto de dados extraídos de aparelhos eletrônicos.