quinta-feira, 3 de setembro de 2026

 

Gilmar pede que Lula bloqueie Mendonça e manipule a apuração da Polícia Federal

Lula se encontra com Gilmar em meio à crise envolvendo Moraes

Gilmar tenta convencer Lula a intervir na Polícia Federal

Roseann Kennedy
Estadão

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), reuniu-se com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva para orientá-lo sobre a crise entre a Corte e a Polícia Federal (PF). No encontro, segundo apurou a Coluna do Estadão, ele defendeu que a corporação reaja a determinações do ministro André Mendonça quando as considerar excessivas ou ilegais.

O magistrado traçou caminhos para os passos futuros do governo diante das decisões do relator dos casos Master e do INSS, que envolve investigações sobre um dos filhos do presidente, Fábio Luís Lula da Silva (Lulinha).

FREAR MENDONÇA – Na avaliação de Gilmar Mendes, compartilhada com Lula, o governo falhou ao não cobrar um freio nas medidas de André Mendonça desde o início. A mesma crítica foi dirigida ao Ministério da Justiça e à própria Polícia Federal.

O magistrado citou episódios específicos para ilustrar a situação. Um deles foi a decisão que impediu o acesso de investigadores da PF a parte do material apurado. O outro foi a ordem que determinou a remessa de todas as ações e processos para o gabinete do relator.

O impasse envolve também episódios anteriores de bastidores. Em julho, o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, chegou a solicitar ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que questionasse essas decisões de André Mendonça.

MESSIAS RECUOU – No entanto, Messias se recusou a adotar qualquer medida, argumentando que a atuação da AGU em uma causa criminal seria inédita e poderia suscitar acusação de tentativa de obstrução de justiça.

Diante desse cenário, Gilmar sustentou uma posição firme para a direção da Polícia Federal. Para ele, o diretor-geral pode declarar que ordens ilegais não serão cumpridas, recorrendo diretamente ao próprio Judiciário para que haja uma suspensão sobre a determinação.

O ministro ponderou que, em uma situação extrema, caberia até impetrar um mandado de segurança contra as decisões de André Mendonça. No entanto, ele indicou não acreditar que seja necessário chegar a esse ponto.

DENTRO DA LEI – A recomendação principal é buscar uma solução por vias institucionais. Para fundamentar essa reação, o magistrado indicou pontos já levantados no caso.

Um deles envolve os novos relatórios da PF, que foram rejeitados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O outro diz respeito ao depoimento do empresário Daniel Vorcaro prestado a Mendonça, no qual o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, é citado.

A articulação proposta prevê uma ação institucional conjunta. Ela pode ocorrer por meio do ministro da Justiça com o presidente do STF, Edson Fachin, ou em um diálogo direto entre Andrei e Fachin.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em tradução simultânea, Gilmar Mendes simplesmente propôs que o presidente Lula e apoie a consolidação definitiva da Ditadura do Supremo, que já vinha sendo emboçada por Alexandre de Moraes desde a criação ilegal do Inquérito do Fim do Mundo, aquele que não acaba nunca. Como Lula é analfabeto trilateral (de pai, mãe e vizinhança), não entendeu nada que Gilmar dizia e deu uma desculpa, dizendo que ia pensar no assunto. No desespero, Gilmar vazou a conversa para a imprensa, tentando sensibilizar Lula e levá-lo para o caminho de um golpe branco, pior do que o aquele que Bolsonaro não conseguiu dar. (C.N.)


 

Jornal relata o 1º grande encontro entre Moraes e Vorcaro que selou acordo de R$ 131 milhões


Um hotel na aprazível Campo do Jordão foi palco do encontro que selou o contrato que rendeu R$ 80 milhões à família do ministro Alexandre de Moraes.

O acerto foi realizado entre Vorcaro e o próprio magistrado, afirma o Estadão.

“A cerca de 40 minutos do centro de Campos do Jordão, por uma sinuosa estrada de pista única em meio à Serra da Mantiqueira, o Hotel Six Senses Botanique, propriedade de luxo de Daniel Vorcaro, foi palco do primeiro grande encontro entre o banqueiro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. Segundo a Polícia Federal, a experiência ‘ultra VIP’ no hotel pavimentou o caminho para a assinatura do contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, cujo conteúdo foi editado e revisado pelo próprio ministro.
A experiência ‘ultra VIP’ proporcionada pelo banqueiro ao ministro tinha como pano de fundo, segundo investigadores da Polícia Federal, o principal ativo da relação entre Vorcaro e Moraes: o contrato.
Como revelou o Estadão nesta terça-feira, Vorcaro tentou acionar Moraes para travar investigações contra o Master por fraude no sistema financeiro. Os registros indicam ainda que os dois mantiveram encontros até o último dia de liberdade do banqueiro, preso na noite de 17 de novembro de 2025.
O contato de Alexandre de Moraes foi salvo na agenda telefônica de Daniel Vorcaro em 26 de dezembro de 2023, às 11h43min58s, quatro dias antes do almoço ‘ultra VIP’ marcado para 30 de dezembro. Os registros foram extraídos do celular do banqueiro.
No dia seguinte, 27 de dezembro, Fábio Faria, ex-ministro de Comunicação do governo Jair Bolsonaro e elo do banqueiro com o ministro, enviou uma mensagem a Vorcaro. ‘Pode ser dia 30 o almoço? (...) Alex quer ir almoçar lá no dia 30.’ Vorcaro anuiu.
Faria, então, pediu o endereço do local e o ‘cel de quem ele procura’. Na sequência, encaminhou uma mensagem de Moraes, segundo a PF, informando: ‘São 9 pessoas e 4 seguranças’. O banqueiro, então, enviou a latitude e longitude do Hotel Six Senses Botanique, em Campos do Jordão.
Ainda naquele dia, Vorcaro orientou sua funcionária Thatiane sobre a preparação do almoço. ‘Oi. Dia 30 vou precisar fazer um almoço em Campos. Para convidados. Zé Maria. Preciso que Michel vá pra lá. Tem que ser experiência completa. Convidados ultra vips’, escreveu o banqueiro, segundo o conteúdo extraído do seu celular.
‘Devo providenciar cantor?’, questionou Thatiane. ‘Sim. Aquele. E fazer uma experiência no Botanique. Deixar cavalos etc’, orientou Vorcaro.”