quarta-feira, 4 de novembro de 2026

 

Democratas conquistam as duas Casas e impõem derrota histórica a Trump

Sem saída, o Brasil tem de aturar essa inútil polarização entre Lula e Bolsonaro

Arquivos #PolarizaçãoPolítica - Blog do Ari Cunha

Charge do Cazo (Blog do AFTM)

Carlos Newton

Acredita-se que a política brasileira esteja hoje polarizada em 70%, com cerca de 35% de lulistas e 35% de bolsonaristas. Dos 30% restantes, uns 20% seriam cidadãos independentes, que abominam os mitos polarizadores, por considerar que tanto Lula da Silva quanto Jair Bolsonaro são absolutamente despreparados para atuar na vida pública.

E os outros 10% seriam de pessoas egocêntricas, excessivamente religiosas ou imbecis, sem o menor interesse em política, que estão pouco se incomodando com o que acontece ao país

“A MANHA” E “O PASQUIM” – A esculhambação que caracteriza a política brasileira faz lembrar os dois jornais humorísticos que marcaram época no país: “A Manhã”, editado de 1926 a 1959 por Apparício Torelli, que se dizia Barão de Itararé; e “O Pasquim”, de 1969 a 1991, que teve como idealizadores Tarso de Castro, Jaguar, Sérgio Cabral, Carlos Prósperi e Claudius Ceccon.

O autodenominado Barão – (Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly (1895–1971) – morava na Rua Conde de Baipendi, em Laranjeiras, pertinho da casa de meus pais, e sinto muita falta dos três livros publicados por ele (“Almanhaques”) , que meu amigo Rogério Carneiro,  excelente fotógrafo da Ultima Hora e da IstoÉ, me fez o favor de levar e jamais devolver.

Considerado o pai do humorismo político e do jornalismo alternativo no Brasil, chamado de Apporelly pelos amigos, o Barão foi o grande inspirador do “Pasquim”. Gaúcho de Rio Grande, ele usou a sátira, a ironia e o deboche como armas afiadas contra o autoritarismo, a censura e as elites brasileiras.

PÚBLICA E PRIVADA – Apporelly gostava de política e chegou a ser vereador pelo Partido Comunista Brasileiro, eleito em 1947, com um slogan de campanha que ficou famoso no Rio de Janeiro – “Mais leite! Mais água! Mas menos água no leite!“.

Foi cassado dois meses depois, em janeiro de 1948, quando a ditadura de Vargas cancelou o registro do PCB. Ao deixar o cargo, fez o discurso em que lançou sua famosa frase: “Saio da vida pública para entrar na privada”.

Outra frase muito conhecida do Barão estava afixada na porta de seu jornal e era dirigida aos policiais que frequentemente invadiam a redação. “Entre Sem Bater”, dizia a placa na porta, pedindo que os policiais não espancassem os funcionários do jornal.

Entre sem bater” na vida e obra do genial Barão de Itararé – Matéria IncógnitaNA PORTA DO PASQUIM – Quarenta anos depois, quando fui convidado a escrever no “Pasquim”, que era então dirigido por Jaguar e César Tartaglia, a placa criada pelo Barão estava afixada na porta de entrada. Ou seja, o tempo passara, mas a política brasileira continuava a mesma esculhambação. A diferença hoje é que não mais existem “A Manha” e o “Pasquim” para desmascarar os detentores do poder.

Hoje a política está polarizada entre dois farsantes, um de direita e o outro de esquerda. Tanto Jair Bolsonaro quanto Lula da Silva são dois grandes aproveitadores. Vejam o exemplo do capitão que virou mito: Bolsonaro fez carreira tipo samba de uma nota só, apenas defendendo aumento salarial para os militares, sem fazer nada que prestasse. Com isso, acabou enfiando a família inteira na política, fazendo fortuna com rachadinhas e negócios imobiliários em dinheiro vivo.

Quanto a Lula, só trabalhou até os 18 anos, quando perdeu o dedo mínimo e se aposentou precocemente. Depois, virou sindicalista e descolava um dinheiro extra como informante do regime militar, sob codinome “Barba”, subordinado ao delegado Romeu Tuma, então superintendente da Polícia Federal em São Paulo. Mesmo assim, também virou mito.

###
P.S. 1
– A política brasileira é um enredo totalmente surrealista. Nenhum cientista político consegue entender como Lula e Bolsonaro, dois líderes desqualificadas e execráveis, podem ser apoiados por tantas pessoas sabidamente esclarecidas e bem informadas, como se não existissem outros políticos no país. Parece um filme de terror, exibido ininterruptamente.

P.S. 2 – É claro que um dia isso vai acabar, porque tudo tem limites e a vida sempre se renova. Hão de surgir outros líderes, que sejam menos irracionais e patéticos. Mas até lá, teremos de aturar, pacientemente, essa absurda polarização. (C.N.)

 

Democratas avançam no Congresso e podem impor freios a Trump, diz analista

O sol nasce atrás do Capitólio dos EUA refletido no espelho d'água do Capitólio, em Washington, no dia da eleição de meio de mandato, 3 de novembro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 04.11.2026
Em conversa com a Sputnik, a cientista política dr.ª Anuradha Chenoy afirma que o avanço democrata nas eleições de meio de mandato dos EUA pode reequilibrar o sistema político ao reduzir o controle republicano sobre o Congresso, impondo obstáculos à agenda interna do presidente Donald Trump.
O avanço do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos pode alterar significativamente a dinâmica de poder em Washington e limitar a capacidade do presidente Donald Trump de governar sem contrapesos legislativos. Essa é a avaliação da cientista política dr.ª Anuradha Chenoy, professora aposentada da Universidade Jawaharlal Nehru, na Índia.
Em conversa com a Sputnik, Chenoy afirmou que os democratas vêm conquistando cadeiras tanto na Câmara dos Representantes quanto no Senado, configurando uma "onda azul" sobre a tradicional "onda vermelha" associada aos republicanos. Para ela, a disputa reflete um descontentamento crescente de parte do eleitorado com a situação econômica e social do país.
Segundo a especialista, a principal explicação para a mudança no cenário político é econômica. "Como se diz nos Estados Unidos: 'É a economia, estúpido'", destacou. Na avaliação dela, o aumento dos custos de vida, a alta dos combustíveis e a preocupação com os impactos da inteligência artificial (IA) sobre o emprego alimentaram a insatisfação popular.
A bandeira norte-americana no gramado norte da Casa Branca em Washington hasteada a meio mastro após a morte de Charlie Kirk - Sputnik Brasil, 1920, 04.11.2026
Panorama internacional
Casa Branca atribui desempenho republicano nas midterms à ausência de Trump nas cédulas
Chenoy também argumenta que a percepção de aumento da desigualdade social e as acusações envolvendo a conduta pessoal e política de Trump contribuíram para fortalecer a oposição. Para a analista, temas como cortes em programas sociais, pressões sobre universidades e o tratamento dado à dissidência serviram de combustível para os setores mais à esquerda do Partido Democrata.
A especialista avalia que uma eventual maioria democrata no Congresso restabeleceria parte do equilíbrio entre os Poderes nos EUA. "Haverá um presidente republicano, mas o Legislativo será democrata", resumiu. Nesse cenário, projetos de lei e propostas orçamentárias dependeriam de negociações mais amplas para avançar.

"Isso pode resultar em que eles exerçam poder sobre ele [Trump], mas também pode levar a um sistema mais transacional — de trocas mútuas. Todas as nomeações precisarão passar pelo crivo da Câmara", explicou.

Ainda segundo Chenoy, a nova configuração, portanto, pode ampliar os impasses políticos em Washington e, muito embora o Congresso ganhe capacidade de barrar iniciativas presidenciais e fiscalizar o Executivo, Trump continuaria dispondo de instrumentos importantes, como o poder de veto. Além disso, ela observa que os democratas poderiam voltar a discutir a abertura de um processo de impeachment, algo que já tentaram sem sucesso em ocasiões anteriores.
Uma mulher vota na eleição primária presidencial na Igreja do Nazareno Summit View, em Kansas City, Missouri, 10 de março de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 03.11.2026
Panorama internacional
O que uma derrota nas eleições de meio de mandato poderia significar para a política externa de Trump?
No campo internacional, porém, a professora não espera mudanças significativas. Apesar de Trump ter prometido encerrar rapidamente o conflito entre Rússia e Ucrânia durante a campanha, Chenoy sustenta que os Estados Unidos tendem a manter suas principais linhas de atuação externa, incluindo o apoio a aliados e a continuidade de políticas estratégicas já estabelecidas.

"[Trump] iniciou um conflito com o Irã, atacando o país unilateralmente em três ocasiões. Ele afastou aliados dos EUA ao reivindicar territórios deles, além de impor tarifas e medidas econômicas unilaterais. Ele continua a destinar bilhões a Israel — um Estado que comete um genocídio declarado e vive em estado de guerra permanente. É provável que essas políticas dos EUA continuem", afirmou.

Para a analista, as transformações mais relevantes devem ocorrer na política doméstica, enquanto a atuação internacional norte-americana permanecerá relativamente estável. "O mundo acompanhará desdobramentos interessantes na política dos EUA e, consequentemente, na política global", concluiu.
Logo da emissora Sputnik - Sputnik Brasil

 

Comando Vermelho invadiu Ceará no governo de petista cotado para o Ministério da Segurança

Taxa cearense de homicídios é de 31,5 por 100 mil habitantes, mais do dobro da nacional

Camilo Santana. (Foto: Luis Fortes/MEC).

Tão logo o promotor Lincoln Gakiya foi citado para chefiar um eventual Ministério da Segurança Pública, o PT se mobilizou para exigir o comando da pasta. Não quer nem ouvir falar, assim como o “PCC”, em entregar o ministério a alguém como Gakiya, com mais de 20 anos dedicados ao combate a facções criminosas. Lula ainda não decidiu se irá separar Justiça e Segurança Pública. Petistas metidos a estrategistas apostam que “segurança pública” ainda terá força nas eleições de 2030.

Valha-nos, Deus

Camilo Santana (PT-CE) é cotado agora para Segurança Pública. Ele foi governador do Ceará, onde o Comando Vermelho (CV) passou a dar as cartas.

Reféns e sem água

No último fim de semana, o CV mostrou que manda mesmo, cobrando taxa para permitir a venda de garrafões de água para a população.

Mapa da vergonha

A taxa cearense de homicídios é de 31,5 por 100 mil habitantes, mais que o dobro da nacional (14,74), segundo o Mapa da Segurança Pública 2026.

Triste legado

Camilo está na pista para suceder a Lula em 2030, e quer se projetar nacionalmente, mas seu legado no Ceará não o recomenda.

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, com o ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Juros altos rompem relação de Galípolo e Haddad

Com dificuldade de fazer uma autoanálise sobre a gestão que fez enquanto comandava a economia do país, Fernando Haddad não vive mais o bom momento que teve com Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Haddad e Galípolo teriam batido boca no início do ano por causa da alta taxa de juros, que não cai como o governo espera. Passados meses do arranca rabo, os dois ainda mal se cumprimentam.

Metendo a colher

No Bacen, a reclamação é de que Haddad pressionava para interferir em decisões técnicas do banco, como as taxas básicas de juros.

Não se bicam

O desarranjo virou fonte de preocupação pois minou a relação entre o ex-ministro de Lula e Galípolo, com mandato garantido até o fim de 2028.

Na marra

Lula deve tentar forçar uma alteração na taxa de juros com as nomeações para as diretorias do Bacen. São seis até o fim de 2027.

Poder sem Pudor

Tancredo e a pneumonia

A Câmara discutia em 1974 a cassação do deputado Francisco Pinto (MDB-BA), por suas críticas ao ditador Augusto Pinochet. Ernesto Geisel mandou o caso ao Supremo Tribunal Federal, que condenou Chico Pinto e a mesa da Câmara o cassou, num episódio vergonhoso. Tancredo Neves ouviu um deputado da Arena argumentar que não foi o AI-5, mas o STF que o cassou. Tancredo contou numa história ocorrida em sua São João Del Rey: “Morreu o vizinho de um compadre meu. Um homem bom, trabalhador, honrado. Morreu de pneumonia, coitado. De madrugada, um parente dele chegou de viagem e perguntou à viúva: ‘Ele morreu de pneumonia simples ou dupla, Mariazinha?’, indagou. ‘Simples’, respondeu ela, chorando. E ele: ‘Ah! Ainda bem!’”.

Pós-reeleição

Índice que mede o valor da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), o Ibovespa fechou em queda todos os dias desde a reeleição de Lula (PT) para a Presidência, no dia 25 do mês passado.

Pós-reeleição II

As ações da Petrobras perderam mais de 15% do valor desde 16 de outubro, o patamar mais alto de ações da estatal dos últimos 30 dias. Ontem fechou no menor valor no mesmo período.

Adivinha quem vai pagar

Experiente executivo de pesquisas aposta que o governo Lula (PT) vai conseguir obter maioria nas duas Casas do Congresso Nacional. “Mas a que preço, não se sabe”, alerta ele, que aposta em “custo muito caro”.

Olho no Senado

O PL se reúne hoje para tentar definir os rumos do partido na eleição para presidente do Senado. Há grande chance de definir o nome de Rogério Marinho (PL-RN) para a disputa, mas nada está fechado ainda.

Frase do dia--------“Os sinais de alerta estão acesos!”

Deputado Bibo Nunes (PL-RS) sobre sinais de recessão se avizinhando

Climão

Nunes Marques e Gilmar Mendes devem ter hoje (4) o primeiro encontro presencial, no Plenário do Supremo Tribunal Federal, após o decano disparar alfinetada sobre a condução do TSE nas eleições.

Diferença grande

No estado de Nova York (EUA), diversas urnas eletrônicas apresentaram problemas na eleição de ontem (3). A solução foi pôr votos numa sacola. A diferença é que as urnas são só leitores do voto, que ainda é de papel.

Assim não dá

A oposição considera perseguição religiosa a classificação indicativa de desenhos bíblicos exibidos pela TV aberta, agora não mais recomendado para menores de 12 anos. Quem faz a ação é o Ministério da Justiça.

Tá lá

Não vai prosperar, mas o Novo pediu a cassação da chapa Lula-Alckmin e a inelegibilidade da dupla por oito anos. São três ações nas quais o partido pede investigação de 35 medidas eleitoreiras adotadas por Lula.

Pensando bem...

... não é burocrata que vai resolver a crise na Segurança Pública.