sexta-feira, 24 de abril de 2026

 

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Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Recordar é viver. No início do primeiro governo petista, em 2003, Lula da Silva e a cúpula do PT, liderada pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, buscaram repetir a iniciativa de seu antecessor Fernando Henrique Cardoso, que tentou aparelhar com tucanos a máquina administrativa federal, para ficar no governo por 20 anos, objetivo alardeado à época pelo ministro Sérgio Motta, que operava o esquema.

Essa ambição de ficar no poder é comum a qualquer presidente, mas existem leis e normas a seguir, que os ministros nomeados por Lula rigorosamente não procuraram respeitar.

EXEMPLO DA FAZENDA – Desde 1952, quando foi criada, e até 1º de janeiro de 2003, quando Lula da Silva assumiu seu primeiro mandato, a carreira de Procurador da Fazenda Nacional teve escassos 509 funcionários. Ou seja, em 51 anos (de 1952 a 2002), o Ministério da Fazenda funcionou com uma média de somente 10 funcionários nomeados por ano.

Mas essa rigorosa e comedida prática ficou no passado. No esforço de aparelhar a administração, os ministros da base aliada esqueceram a ética, o mérito e a dignidade dos concursos públicos e exageraram na dose. Nesse particular, os ministros da Fazenda do governo petista – primeiro, Antônio Palocci, e depois, Guido Mantega – tiveram um desempenho extraordinário.

Facilitando as inscrições e manipulando os concursos, as equipes deles aprovaram um número enorme de candidatos, que incluíam muitos militantes petistas, como Jorge Messias, cabo eleitoral do partido em Pernambuco.

NOMEANDO ADOIDADO – O aumento do número de servidores chega a ser incrível, fantástico e extraordinário, notadamente na área econômica, como se pode constatar ao analisar a importante carreira de Procurador da Fazenda Nacional.

De repente, como se fosse um furacão, o ministro Palocci saiu abrindo concursos, aprovando e nomeando novos servidores sem o menor controle. No emblemático caso dos procuradores da Fazenda, em 2003, primeiro ano da gestão de Lula, logo de cara foram concursados e nomeados 205 novos procuradores. E não parou por aí. O aparelhamento da máquina administrativa tornou-se incontrolável. Dois anos depois, em 2005, Palocci nomeou mais 104, perfazendo 309 novos integrantes da Procuradoria. E foi em frente

Em 2006, antes de se demitir no dia 27 de março, por causa do escândalo das orgias sexuais delatadas pelo caseiro Francenildo Costa, o ministro ainda teve disposição par convocar mais um concurso, em que foram nomeados 341 candidatos, totalizando exatos 650 novos contratados – ou seja, em apenas quatro anos o governo do PT nomeou mais procuradores do que a carreira havia tido nos 51 anos anteriores.

TUDO NORMAL – Tanta nomeação não seria um exagero? Para o governo petista, claro que não. Como não houve protestos, a base aliada continuou empenhada na contratação de militantes, manipulando concursos e multiplicando vagas desvairadamente, digamos assim.

Em 2008, foram batidos todos os recordes em um só concurso. O edital 35 da Escola de Administração Fazendária, em 23 de junho de 2007, abrira 250 vagas, mas espantosamente houve nomeação de 942 candidatos, fazendo com que a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional passasse a ter 1.592 novos integrantes em apenas cinco anos.

Portanto, o principal palco do aparelhamento da máquina administrativa era mesmo a área econômica, através da Escola de Administração Fazendária (ESAF) e da Procuradoria-Geral do Banco Central. Os ministros não participavam diretamente, é claro, deixavam que a burocracia fizesse o papel sujo.

MANTEGA E TOFFOLI – Mas o poder embriaga, e nesse ambiente de euforia e êxtase os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e Dias Toffoli, da Advocacia-Geral da União, resolveram participar do esquema. Ao invés de deixar que a direção da ESAF e o Conselho Superior da Advocacia-Geral da União cuidassem de tudo, decidiram intervir diretamente e ampliar as nomeações de participantes do concurso para Procurador da Fazenda Nacional realizado em 2006, com 32 vagas, que tinha Jorge Messias como um dos candidatos, embora ele já tivesse sido nomeado Procurador do Banco Central em 14 de junho de 2006.

Nota-se claramente que a Portaria Conjunta, publicada no Diário Oficial por Mantega e Toffoli em 7 de novembro de 2007, não foi redigida por especialistas em recursos humanos.

Diz que os ministros decidem “nomear, para cargos efetivos de Procurador da Fazenda Nacional de 2ª Categoria, os candidatos aprovados e classificados no referido concurso público, que requereram sua recolocação no final da lista de aprovados, relacionados em Anexo.

TEXTO CONTRADITÓRIO – O uso da palavra “recolocação” desses 66 candidatos é indevido, porque a expressão técnica é “reclassificação”. Além disso, o texto da Portaria, com apenas três linhas, é altamente contraditório. Se eram candidatos aprovados e classificados, porque estariam pleiteando a inserção no final da lista dos aprovados? Não faz o menor sentido, é surrealismo puro.

O pior e mais patético foi a “reclassificação” que esses 66 candidatos passaram a ter na Portaria Conjunta de Mantega e Toffoli. O afortunado Jorge Messias, por exemplo, ficou na posição nº 586 entre os aprovados, mas foi nomeado, embora o edital do concurso previsse apenas 32 vagas.

Aí surge a pergunta que não quer calar: Como Messias conseguiu ficar em quarto lugar num concurso de procurador do BC e meses depois ser classificado na 586ª posição em outro concurso nos mesmos moldes? E isso aconteceu dois anos após a formatura, sem ter inscrição na Ordem dos Advogados em Recife, onde morava, pois até hoje ele só tem registro na OAB do DF, mas o número indica que foi inscrito em 2010 ou 2011, anos depois de ser nomeado duas vezes.

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P.S. –
 É difícil acreditar numa barbaridade administrativa desse teor. Mas a verdade é uma força irrepresável, um dia arrebenta as comportas. E a política brasileira é assim mesmo, não dá para entender o que acontece nos bastidores. Por isso, personagens nebulosas como Jorge Messias acabam sob as luzes da ribalta, representando papéis de alto protagonismo. O assunto é eletrizante, e logo voltaremos, como novas informações(C.N.)

Sputnik

 

Irã planeja fechar o estreito de Bab al-Mandab caso os EUA intensifiquem bloqueio, diz mídia

O porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower e outros navios de guerra atravessam o estreito de Ormuz em direção ao Golfo Pérsico, 26 de novembro de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 23.04.2026
O Irã tentará fechar o estreito de Bab al-Mandab, que conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e é uma rota comercial crucial, caso os Estados Unidos intensifiquem seu bloqueio naval, informaram meios de comunicação iranianos nesta quinta-feira (23).
Teerã preparou uma lista de alvos em caso de novos ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o país e atuará de acordo com as ações de seus adversários, seja por reciprocidade ou por meio de ataques dissuasórios, informou a agência Fars.
O Irã atacará usinas de energia e instalações de petróleo e gás em Israel e em países aliados dos EUA no Oriente Médio caso estruturas semelhantes sejam atingidas em território iraniano, diz a publicação. O texto acrescenta que, em caso de vítimas militares ou civis no Irã, o país planeja destruir centros de tecnologia da informação na região.
Membros da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA limpam armamento antes do envio para a Polônia de Fort Bragg, Carolina do Norte, na segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 23.04.2026
Panorama internacional
Militares americanos devem desobedecer se Trump decidir lançar operação terrestre no Irã, alerta analista
Em caso de uma operação terrestre dos Estados Unidos no Irã, Teerã pretende realizar uma ação envolvendo seus aliados regionais, além de mobilizar populações de países onde há bases militares norte-americanas, com o objetivo de capturar militares dos EUA, segundo o relatório.
Em 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel lançaram ataques contra alvos no Irã, causando danos e vítimas civis. Em 7 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas. As negociações posteriores, realizadas em Islamabad, terminaram sem acordo. Embora não tenha sido anunciada a retomada das hostilidades, os Estados Unidos iniciaram um bloqueio a portos iranianos.
Na última terça (21), o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o país irá estender a interrupção dos ataques contra o Irã enquanto mantém o bloqueio. Na sequência, acrescentou que negociações de paz seriam "possíveis" dentro de 36 a 72 horas.

 

Crusoé: O inconfidente

Zema desafia e incomoda os ministros do STF como nenhum outro pré-candidato à Presidência da República. E mais: Lula sem gás e Flávio corteja as eleitoras

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Redação O Antagonista
3 minutos de leitura24.04.2026 07:49comentários 0
Crusoé: O inconfidente
Arte: Crusoé

O Brasil lembrou nesta semana, por mais um ano, a Inconfidência Mineira, um movimento do século 18 contra o despotismo da Coroa portuguesa. “Muito tempo se passou, o Brasil ficou independente, mas e os brasileiros, você acha que nós somos livres de verdade?”, questionou, no feriado de Tiradentes, o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo, foto), em uma das várias provocações recentes feitas aos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

“A luta dos inconfidentes ainda não acabou”, resumiu o pré-candidato à Presidência da República pelo partido Novo ao compartilhar em suas redes sociais um vídeo gravado por ocasião da data histórica, que tem um contexto: o decano do criticado STF, Gilmar Mendes, pediu ao colega Alexandre de Moraes a inclusão de Zema no interminável inquérito das fake news. Oex-governador de Minas é, de fato, tratado por Gilmar como um inconfidente  um traidor, como os portugueses classificaram os conjurados mineiros, que entraram para a história sob essa alcunha, dizem Guilherme Resck e Rodolfo Borges em “O inconfidente”, a matéria de capa de Crusoé.

Outros destaques de Crusoé

Na reportagem “Lula sem gás”, Guilherme Resck mostra como o fechamento de uma das rotas marítimas mais estratégicas do mundo, o Estreito de Ormuz, em decorrência do conflito entre Estados Unidos e Irã iniciado no fim de fevereiro, impôs um novo problema no difícil caminho da tentativa de reeleição do presidente Lula (PT).

O petista aposta em medidas questionáveis para conter alta dos combustíveis e reverter a queda de popularidade.

Na matéria “Flávio corteja as eleitoras”, Guilherme Resck e Paulo Melo contam como o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tenta convencer o eleitorado feminino de que sua eventual gestão no Palácio do Planalto será melhor do que a de Lula (PT).

 

Gilmar faz ataque xenofóbico e homofóbico contra o seu mais novo "algoz"

O deputado federal Marcel van Hattem (Novo-RS) fez críticas ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, acusando-o de declarações ofensivas envolvendo o ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) - o mais novo algoz do magistrado. 

A manifestação ocorreu após comentários do magistrado sobre uma animação satírica divulgada por Zema. Em publicação na rede social X, van Hattem afirmou:

“Depois de xenofobia contra os mineiros, agora homofobia. Gilmar Mendes não está bem. E é bom que exponha exatamente quem ele é e o que ele representa nesses ataques baixos contra Zema. Zema está incomodando os intocáveis”.

As declarações do deputado vieram na esteira de uma entrevista em que Gilmar Mendes comentou o conteúdo humorístico produzido por Zema. Ao abordar os limites da sátira envolvendo figuras públicas, o ministro afirmou:

“De fato nós rimos, achamos engraçados. Agora, se começamos a fazer piadas com coisas sérias, com as instituições… 
Imagine que nós comecemos a fazer bonecos do Zema como homossexual. Será que não é ofensivo? 
O se fizermos ele roubando dinheiro no estado, será que não é ofensivo? É é correto brincar com isso? Homens públicos podem fazer isso. Só essa questão. 
É só isso. É isso que precisa ser avaliado”.Memoralis

Em outra ocasião, o ministro também comentou a forma de expressão de Zema, dizendo que o ex-governador utiliza uma “língua próxima do português”, o que gerou novas reações no meio político.