terça-feira, 30 de junho de 2026

 

Ponto de vista: Corrupção institucionalizada, legalizada e constitucional

Por Luiz Holanda

Tribuna da Bahia, Salvador
30/06/2026 06:00
1 hora e 18 minutos

A impunidade da corrupção nada mais é do que a proteção dada pelos nossos tribunais às elites que usam o poder para escapar das leis. Não é de agora; vem desde a antiguidade. No Brasil reflete nossa herança colonial e escravocrata, onde o sistema jurídico tratava desigualmente a população marginalizada, sem qualquer direito ou privilégio. Filósofos como Cícero já apontavam a "esperança de impunidade" como o maior estímulo para a prática de delitos. Naquela época, a justiça era aplicada de acordo com a classe social e com o status do indivíduo perante o Estado. No tempo do absolutismo a nobreza jamais era punida pelos crimes cometidos. No Brasil Colônia e Império a displicência predominava na aplicação das penas. O "perdão" era dado abertamente aos políticos que cometessem crimes, além da complacência para as fugas dos criminosos. A manutenção da Coroa dependia dos ricos, pois a monarquia não tinha como sobreviver sozinha. Daí a complacência com o crime. Durante a escravidão, a violência e o abuso cometidos contra os escravos e vulneráveis raramente resultavam em punição. Essa dinâmica gerou raízes na nossa cultura política, criando a percepção de que os poderosos podiam cometer crimes sem o risco da responsabilização. A persistência da impunidade sempre foi associada a fatores institucionais e estruturais.

No nosso Judiciário, o foco predominante são os crimes patrimoniais e de menor potencial ofensivo, resultando em superencarceramento da população pobre. Já as elites, pela demora na apreciação e na decisão dos seus crimes, sabem como utilizar os inúmeros recursos processuais para dilatar ao máximo qualquer decisão que possa prejudicá-la. A expressão "impunidade garantida pelo STF" reflete a crítica popular de que os crimes dos poderosos jamais serão punidos, garantidos que são pelo que ficou conhecido como princípio constitucional da impunidade devido às decisões dos nossos tribunais, em especial o STF. Para o povo, o que predomina nos julgamentos dos ricos são a morosidade, a anulação das condenações, mudanças na legislação, o foro privilegiado e a blindagem política ou corporativa, impulsionadas por decisões específicas tomadas pela Corte ao longo dos anos. Não é sem razão, pois, o sentimento popular de que a impunidade, atualmente, é uma garantia constitucional.

As principais controvérsias que alimentam esse sentimento -além do foro privilegiado por prerrogativa de função-, são a morosidade nos julgamentos e o foro especial, cuja decisão do STF mantém a competência do mesmo órgão para julgar autoridades mesmo depois de deixar o cargo. Críticos apontam que isso facilita a impunidade, já que a mudança do cargo faz o processo "subir" de instância novamente, zerando prazos ou mudando o juiz natural. O Supremo reconheceu a constitucionalidade das mudanças feitas pelo Congresso Nacional na Lei de Improbidade Administrativa, estabelecendo que os crimes de improbidade só ocorrem na forma dolosa (quando há real intenção de cometer o delito), além de limitar a perda do cargo público apenas ao cargo específico em que a infração foi cometida. Ministros da própria Corte criticaram essas mudanças, afirmando que elas criaram "causas de impunidade" para agentes políticos, mas terminaram aceitando-as.

O STF também firmou o entendimento de que a execução da pena só pode ocorrer após o trânsito em julgado da sentença penal condenatória, ou seja, quando todos os recursos possíveis se esgotarem. Esse entendimento é definido como uma garantia constitucional da presunção de inocência, alvo de repúdio por parte de movimentos anticorrupção, pois isso permite que os criminosos de colarinho branco fiquem em liberdade indefinidamente, recorrendo de qualquer decisão até a prescrição do feito. O STF se defende argumentando que suas decisões visam seguir rigorosamente a Constituição Federal e garantir o devido processo legal, evitando que prisões cautelares funcionem como antecipação de pena. Enquanto isso, a corrupção no Brasil é estruturada, garantida e institucionalizada. Mesmo possuindo um efeito devastador sobre a organização dos países, a corrupção institucionalizada aumenta os índices de injustiça social. Países desenvolvidos assumem o compromisso supremo de combater incessantemente a corrupção e de criminalizar uma série de condutas referentes ao fenômeno, com o objetivo de melhorar o meio social através de uma série de medidas que passaram a observar. Já no Brasil, os bandidos de colarinho branco dispõem de uma ampla margem de manobras capazes de retardar – e muitas vezes de afastar – a aplicação da lei penal. Realmente, enquanto nossa justiça falhar em responsabilizar os que operam à margem da lei, continuaremos refém de uma corrupção institucionalizada, legalizada e constitucional.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

 

Flávio Bolsonaro demonstra não ter o menor preparo para se tornar presidente

CHARGE – Blog do Cardosinho

Charge do Fr@nk (Arquivo Google)

Carlos Newton

Há diversas versões sobre a briga entre herdeiros de Jair Bolsonaro ainda em vida, que é tão espetacular quanto a disputa na família de Chico Anysio. No caso da discórdia que afeta a eleição, uma das informações é de que tudo começou lá atrás, quando o ex-presidente anunciou que o filho Flávio seria o nome da família para concorrer à Presidência.

Os outros dois legatários, Eduardo e Michelle não gostaram nada, porque ambicionavam a cabeça de chapa e não foram comunicados previamente sobre os motivos da escolha.

OUTRAS VERSÕES – Uma segunda versão diz que a atitude de Michelle, divulgando um vídeo agressivo e tudo o mais, foi determinada pelo próprio Bolsonaro, para tentar preservar a família do escândalo que ainda está por vir, devido às relações de Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro, com detalhes explosivos, ainda não revelados.

Essa versão é radical, porque revela que Boldonaro estaria disposto a detonar a candidatura de Flávio, o que significaria apoiar a própria Michelle ou algum candidato de outro partido, como Ronaldo Caiado (PSD), com quem o ex-presidente sempre teve excelentes relações.

Há também uma terceira versão, lembrando que enteado e madrasta jamais tiveram um convívio amistosa, Flávio se sentiu o máximo com a indicação feita pelo pai e não tentou prestigiar ao máximo a candidatura de Michelle ao Senado no Distrito Federal, para evitar problemas de relacionamento na família.

ENTREGUISTA – Seja qual for a versão verdadeira, já nem importa mais. O fato concreto é que Flávio Bolsonaro acaba de abalar a própria candidatura, ao enviar mensagem a Marco Rubio, secretário norte-americano de Estado, agradecendo o fato de os Estados Unidos considerem como terroristas as fações CV e PCC, além de colocar à disposição do governo dos Estados Unidos sua equipe de transição, caso seja eleito, para negociar acordos comercias com os EUA.

Portanto, Flávio Bolsonaro adiantou que se portará como um presidente entreguista, como se dizia antigamente, que se mostra disposto a permitir interferência externa em assuntos internos.

Em poucas e mal traçadas linhas, o candidato mostrou que não pode ser confiável às classes produtoras agrícolas, comerciais e de serviços, além de perder apoio da Faria Lima, pois defender o Brasil não significa se rebaixar perante os Estados Unidos.

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P.S.
Se for verdadeira a versão de que Bolsonaro está convicto de que errou ao indicar Flávio à Presidência, o melhor que o ex-presidente poderia fazer é apoiar o candidato Ronaldo Caiado, que sem dúvida é o menos ruim entre os 14 pré-candidatos já lançados. Mas quem se interessa?

 

Ligação do PT ao PCC foi denunciada por Marcos Valério, operador do Mensalão

A oposição sempre denuncia as relações do PT de Lula com o PCC para explicar as omissões do governo no combate ao crime organizado, mas a primeira acusação não é recente. O operador do mensalão Marcos Valério, das entranhas do petismo, contou à PF ter ouvido do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira que o prefeito de Santo André (SP) Celso Daniel foi morto em 2002 após seu dossiê sobre financiamento eleitoral ilegal petista via bingos e empresas de ônibus ligados ao PCC.

Senival, a missão

A prisão semana passada do vereador Senival Moura (PT), suspeito de submissão ao PCC desde 2014, pode indicar que a ligação se manteve.

Ligação cabulosa

Em 2019, áudios de presos do PCC mencionaram “diálogo cabuloso” dos integrantes da organização criminosa com governos do PT.

Companheirada protegida

Em 2006, nos ataques do PCC em SP, presos grampeados indicaram em conversas telefônicas que não atacariam alvos do PT.

Sob controle do PCC

Dirigentes do PT já foram acusados de ligação a perueiros e empresas controladas pelo PCC para lavagem de dinheiro e contratos públicos.

Plenário da Câmara dos Deputados | Foto: Kayo Magalhães / Ag. Câmara

Congresso só tem mais nove dias de trabalho

A partir desta terça-feira (15), a Câmara dos Deputados e o Senado têm apenas nove dias úteis de trabalho este semestre, antes do recesso parlamentar, que começa dia 18 de julho. Tanto a Copa do Mundo, quanto o São João e as festas juninas interferem no calendário do Legislativo, mas o principal empecilho é a falta de vontade dos parlamentares de aprovarem projetos importantes antes da eleição.

Eleição atropela

O recesso parlamentar vai até 4 de agosto, no dia seguinte é a data limite para partidos realizarem convenções e definirem coligações.

Missão: difícil

Está marcada para hoje reunião de líderes da Câmara para o presidente da Casa, Hugo Motta, tentar convencer deputados da sua pauta.

Outro ritmo

No Senado, o presidente Davi Alcolumbre colocou de molho projetos queridinhos do governo Lula (PT), como o fim da escala 6x1.

Poder sem Pudor

Senador não é lastro

O senador Marco Maciel sobrevoava o interior do Rio Grande do Sul, em meados de 1989, quando o pequeno avião Piper começou a ser sacudido por fortes rajadas de vento. Preocupado, o piloto fez um pouso em Júlio de Castilhos, longe do destino, que era o município de Cruz Alta. Maciel se fez de mouco, mas contou depois a amigos, achando muita graça, que ouviu o piloto olhar para seu porte de fiapo e murmurar: “Faltou lastro...”

Sushi Moriyasu

A Seleção acabou por derrotar a seleção japonesa por 2x1, de virada, caprichosamente nos acréscimos, calando a boca do arrogante treinador Hajime Moriyasu, para quem o time brasileiro “já não é aquele de antes”.

Imprescritível e inafiançável

O governador catarinense Jorginho Mello (PL) denunciou Lula (PT) à PGR por xenofobia, crime equiparado ao racismo (inafiançável e imprescritível), que pode render até 5 anos de prisão e multa ao petista. Lula ofendeu todo um povo, chamando os catarinenses de “racistas”.

Xenofobia é racismo

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados no Brasil, “racismo é crime grave com penalidades severas na Lei Brasileira” e ensina: “o crime de racismo é direcionado a uma coletividade”.

Disque 100

O próprio governo federal oferece serviço de denúncia por violações de direitos humanos, o Disque 100, que recebe, entre outras, denúncias contra “discriminação étnica ou racial”... como xenofobia.

Frase do dia---Ridículo. Governo de mentira

Marcel van Hattem (Novo-RS) critica factoide de Lula (PT) sobre o projeto de ampliar o MEI

Cabeças feitas

A menos de 100 dias da eleição, a Nexus/BTG (BR-08521/26) aponta alto grau de definição dos eleitores: 74% já decidiram em quem vão votar não mudarão de ideia. Só 25% ainda admitem mudar o voto.

Tucano depenado

A pesquisa Nexus/BTG Pactual diz que o pré-candidato a presidente mais rejeitado é Aécio Neves: 60% não votam no tucano “de jeito nenhum”, mais que Lula, Flávio Bolsonaro e até Cabo Daciolo.

Mídia sem resultado

Ex-ministro da Saúde, Marcelo Queiroga criticou o governo Lula por inflar propagandas e esquecer do principal: “Saúde Pública não se faz com marketing milionário, e sim com planejamento e gestão”, disse.

Bolso dos políticos

Após Lula cair cinco pontos no Nordeste, seu principal reduto eleitoral, o ex-procurador da Lava Jato Deltan Dallagnol avaliou que o caso do Banco Master “começou a pesar onde mais dói ao Lula: a urna”.

Pergunta no pano

Xenofobia agora também é “gafe”?