quinta-feira, 18 de junho de 2026

 

Wagner assistiu a Taylor Swift com dinheiro do Master?

Em um dos shows, realizado em Los Angeles, nos EUA, Augusto Lima gastou 63,3 mil reais em ingressos para o petista

avatar
Redação O Antagonista
3 minutos de leitura18.06.2026 15:02comentários 0
Wagner assistiu a Taylor Swift com dinheiro do Master?
Foto: reprodução/EAS Music Channel

Ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, o empresário Augusto Lima bancou dois shows da artista americana Taylor Swift para o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), segundo O Globo.

Em um dos shows, realizado em Los Angeles, nos EUA, Augusto Lima gastou 63,3 mil reais em ingressos para o petista. “A representação também descreve vantagens relativas a ingressos para shows de cantora internacional, realizado na cidade de Los Angeles (Califórnia/EUA). Em junho de 2023, AUGUSTO teria orientado sua secretária a adquirir ingressos em favor de familiares de JAQUES WAGNER. A aquisição dos bilhetes, que também foi objeto de diálogo envolvendo JOÃO CARLOS MANSUR, teria sido realizada pela empresa REAG Investimentos S.A, pelo valor total de R$ 63.339,00, diz a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o jornal, Jaques Wagner foi à Califórnia acompanhado da filha Júlia e da neta Mariana.

Taylor Swift em São Paulo

Augusto Lima também presenteou Jaques Wagner com ingressos para o show de Taylor Swift em São Paulo.

Como mostrou a PF, o petista cobrou o banqueiro dois dias antes do espetáculo.

“Em 23/11/2023, JAQUES questionou AUGUSTO sobre os ‘ingressos de sábado’ (no caso, dia 25/11/2023), tendo recebido os arquivos de ingressos para camarote. Posteriormente, solicitou ampliação do número de entradas para cinco pessoas, ao que AUGUSTO respondeu: ‘Pronto amigo. Seguem os outros dois. Abs.’”, diz a decisão.

Em troca dessa e de outras vantagens indevidas, a PF identificou indícios da “possível atuação parlamentar de Jaques Wagner em temas de interesse do Banco Master”.

De acordo com a representação, o senador “teria mantido interlocução direta com Augusto Ferreira Lima” sobre temas relacionados “à elevação da margem consignável da remuneração disponível para os trabalhadores regidos pela CLT, para os aposentados e pensionistas vinculados ao RGPS, além de autorizar a realização de empréstimos e financiamentos por beneficiários do BPC e de outros programas federais de transferência de renda, ensejando a apresentação da Emenda no 30 à Medida Provisória no 1.106/2022 (posteriormente convertida na Lei no 14.431/2022)”.

Emenda Master e venda ao BRB

Os investigadores identificaram atuação de Wagner em ao menos outras duas questões favoráveis ao Master.

Uma delas foi a “tentativa de aprovação da PEC no 65/2023, com repercussões sobre o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC)”, que ficou conhecida como “Emenda Master”.

A proposta foi apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI), outro alvo da Compliance Zero, e teria como objetivo sustentar o negócio do Master, cuja gestão irresponsável se escorava na perspectiva de cobertura do FGC contra as consequências de investimentos insustentáveis.

Além disso, a PF identificou em Wagner “atuação parlamentar voltada à fiscalização e controle da operação de potencial aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB)”.

O Banco Central acabou vetando a compra do Master pelo BRB, o que culminou na liquidação extrajudicial da instituição financeira de Vorcaro.

 

Vorcaro denuncia Alcolumbre

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
18/06/2026 12:19
2 horas e 18 minutos

Em uma de suas propostas de delação premiada, não recebida pela Polícia Federal (PF) nem pela Procuradoria Geral da República (PGR), o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, cita o pagamento de propina ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, presidente do Senado Federal. Cita, também, negócios com o PT da Bahia, conforme reportagem publicada pela revista Veja. Segundo a notícia, Vorcaro teria pago US$ 30 milhões de dólares (cerca de R$ 155 milhões) ao senador em troca de apoio às demandas do Banco Master.
 
As investigações comprovam que Vorcaro sempre buscou se cercar de autoridades para garantir seus interesses, além, é claro, de um apoio em ocasiões como esta. O relato feito aos investigadores aponta que o dinheiro foi depositado em conta secreta no exterior por Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro. Em discurso no plenário do Senado, Alcolumbre negou veementemente as acusações, classificando-as como absolutamente falsas, sem procedência. Prometeu defender a sua honra com as armas da lei. O parlamentar afirmou que jamais recebeu valores no Brasil ou no exterior, e que tomará as medidas judiciais cabíveis para se defender das alegações
 
A PF já investigava o senador e outros políticos por supostas ligações com o ex-banqueiro. As menções a Alcolumbre surgiram durante as tentativas de acordo de delação premiada e nos desdobramentos das apurações contra o Banco Master, mas a própria PF avalia que os relatos continham inconsistências e não traziam provas inéditas em relação ao que já se sabia. Durante as tratativas para a colaboração premiada, Vorcaro declarou ter tentado se aproximar de Alcolumbre a partir de 2023, inclusive realizando reuniões na residência oficial do Senado. O ex-banqueiro afirmou ter pedido ao senador apoio político para a fusão do seu banco com o BRB de Brasília e para evitar a liquidação do seu banco pelo Banco Central, alegando ter transferido valores para o parlamentar.
 
Alcolumbre nega as acusações classificando-as como falsas. A Polícia Federal (e posteriormente a Procuradoria-Geral da República) rejeitou formalmente as propostas de delação do ex-banqueiro por entender que os relatos apresentados já constavam nos relatórios de inteligência e nas investigações dos agentes.  A PF rejeitou a proposta de delação porque tudo que Vorcaro confessou já constava das provas obtidas nas investigações, especialmente nos documentos e dados extraídos do seu próprio celular. 
 
A decisão representa mais um revés para a defesa de Vorcaro, que chegou a renovar parte de sua equipe de advogados entre a primeira e a segunda tentativas de colaboração. Apesar dos acréscimos feitos à proposta inicial, a mudança não foi suficiente para convencer os investigadores de que se tratava de algo novo. Agora, as atenções da defesa se voltam para a possibilidade de firmar algum tipo de acordo com a PGR. "Eu repudio, com toda a firmeza, e com toda a indignação o conteúdo desta matéria. Jamais recebi aqueles valores ou outros quaisquer, no Brasil ou no exterior, por qualquer motivo que seja", disse o senador do Amapá, e que “São alegações falsas, com a única e aparente intenção de arrastar o meu nome para a lama”. Alcolumbre, indignado, perguntou: "A quem interessa caluniar o presidente do Congresso Nacional? Quem se beneficia de tentar usar a imprensa para intimidar o chefe do Poder Legislativo?”. A resposta virá após os esclarecimentos dos fatos.
 
Alguns senadores reagiram, como o senador Rodrigo Pacheco, parceiro político de longa data de Alcolumbre, e o senador e líder do governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PL-AP), bem como alguns colegas  da oposição, como o senador Espiridião Amin (PL-SC). No Brasil, o ônus da prova de uma denúncia que afeta a honra de uma pessoa recai sobre quem acusa. Os fatos narrados tiveram como base a delação de Vorcaro, além de indícios, depoimentos e os documentos levantados pelos investigadores.
 
Em todos os tempos os acusados sempre se mostraram indignados com as acusações, prometendo processar os acusadores na forma da lei. Logo depois tudo é esquecido, como se nada tivesse ocorrido. No Brasil não é diferente. Quem acaba ridicularizados são os investigadores, a PF e os procuradores, assim como a imprensa, que apenas divulga os fatos no cumprimento do dever de informar. Se verdadeiras as afirmações de Vorcaro, a decadência da política brasileira reflete uma crise estrutural sem precedentes, acentuada pela perda da representatividade, pelo fisiologismo e pela corrupção. Como dizia Voltaire, “a política tem a sua fonte na perversidade e não na grandeza do espírito humano”.
 
Luiz Holanda é advogado e professor universitário