quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Sputnik

 

Guerra no Irã expõe fraqueza dos EUA e Oriente Médio entra em fase pós-americana, diz analista (VÍDEOS)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante voo presidencial, em janeiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 19.08.2026
Especiais
A prolongada guerra de atrito entre Washington e Teerã não apenas expõe rachaduras profundas e gargalos logísticos na máquina militar norte-americana, mas também acelera o declínio da influência dos Estados Unidos no Oriente Médio, em um momento em que a região passa por uma intensa reconfiguração geopolítica.
Neste cenário complexo, um dos sinais de enfraquecimento político é que, regionalmente, a área que compreende o golfo Pérsico passa por uma fase "pós-americana", segundo Rafael Firme, mestrando em estudos estratégicos internacionais e pesquisador do Núcleo de Pesquisa sobre as Relações Internacionais do Mundo Árabe (NUPRIMA), aponta em entrevista à Sputnik Brasil.

"A nível político, fracassou a diplomacia americana. É um sinal de fraqueza porque Israel não aceita o que os EUA determinam em Gaza, Líbano e Irã. E agora, os Acordos de Meca, entre Arábia Saudita, Paquistão e Turquia, [este último] um Estado da OTAN. Então, é uma sinalização clara de uma era pós-americana. Aliás, os Acordos de Abraão são uma tentativa [de Israel] para se emancipar dos EUA", disse.

O analista internacional também aponta que esse rearranjo entre países envolvidos no entorno estratégico do estreito de Ormuz que não envolvem os Estados Unidos sinaliza que isso faz parte da multipolaridade que também integra a dinâmica local.

"Isso é um sinal da multipolaridade. A gente pode analisar isso em dois níveis entre as grandes potências: EUA, Rússia e China, mas a Europa não está incluída na minha análise. Nesse escopo, cada potência governa a sua área [entorno estratégico]. No entanto, os EUA têm problemas no Oriente Médio, que hoje também é multipolar. A Arábia Saudita, Irã, Turquia e Israel estão brigando pela primazia na região", comenta.

Ataque de Teerã contra Tel Aviv - Sputnik Brasil, 1920, 13.03.2026
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Irã põe o poder bélico dos EUA em xeque

No âmbito militar, Rafael Firme também enfatiza que Washington vem fracassando perante os olhos do mundo. Segundo sua análise, Teerã, embora seja uma potência regional média com capacidade de enfrentamento limitada se comparada ao arsenal estadunidense, consegue impor reveses à superpotência.

"[Os EUA] não conseguem sustentar uma guerra com uma potência média, que é o Irã, e nem lidar com os seus pares. Isso é muito importante como o informe de que o pessoal [militares americanos] pensando em suicídio e de que os navios não estão dando conta. Ou seja, a unipolaridade não existe mais. A Rússia e a China dão as cartas em seus entornos estratégicos e os EUA são incapazes de sustentar um porta-avião", destaca.

Outro ponto levantado pelo pesquisador é que essa incapacidade de solucionar o conflito por meio da incursão militar demonstra que os Estados Unidos deixaram de ser um garantidor de segurança para seus aliados, tornando-se um ator extrarregional não confiável.

"Os Acordos de Meca são só uma expansão do acordo saudita-paquistanês de 2025, podem até não se confirmar e não se defendam mutuamente, mas o recado é imprescindível e é muito importante [que indicam] os Estados Unidos como um aliado inconfiável que não garante a segurança [regional]", observa.

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EUA têm histórico de derrotas em suas intervenções

Firme relembra que a maioria das intervenções dos Estados Unidos na Ásia Ocidental, também conhecida como Oriente Médio, resultou em sucessivos fracassos e, conforme a sua avaliação, o conflito em curso indica a repetição desse padrão.

"O professor Paulo Vicentini [acadêmico brasileiro] já disse: nós vivemos a guerra dos 30 anos. Ele faz menção à segunda guerra do golfo, a guerra do Kuwait até a guerra do Afeganistão. E os EUA perderam todas. O Talibã está de volta ao poder, o Irã segue com seu programa nuclear e as potências do Oriente Médio hoje desafiam a ordem [da Casa Branca]", conclui.

No atual contexto do sistema-mundo, as crises, embora pareçam regionais, movem inclusive atores extrarregionais. No caso do confronto no estreito de Ormuz, a resistência iraniana, além de colocar o poderio bélico norte-americano em dúvida, também deixa a Casa Branca vulnerável diante de seus próprios aliados.

 Direito e Justiça

URGENTE: PF diz que jornalista do Maranhão não cometeu crime apontado por Moraes

Uma bomba acaba de surgir!

Segundo informações da jornalista Malu Gaspar, 'um relatório da PF diz que blogueiro do Maranhão não cometeu crime apontado por Alexandre de Moraes'.

"Em decisão, ministro vê ‘indícios relevantes’ de crime que investigadores disseram em relatório de inteligência não ter identificado", disse Malu Gaspar.

Leia o artigo na íntegra:

O relatório de inteligência da Polícia Federal (PF) que baseou a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de ordenar busca e apreensão sobre a fonte do blogueiro Luís Pablo por ter publicado reportagens questionando o uso de um carro oficial do Tribunal de Justiça do Maranhão por Flávio Dino, afirma não haver indício de crime de violação de sigilo funcional por parte do jornalista e nem ser possível “apontar com máxima certeza” que ele recebeu dinheiro para fazer matérias sobre Dino.

Ainda assim, o ministro Alexandre de Moraes escreveu em sua decisão ter identificado indícios relevantes de que Luís Pablo cometeu o crime de perseguição contra o colega de Corte ao citar a representação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou a favor das diligências.

Dono de um blog sobre a política maranhense, Luís Pablo publicou a partir de novembro de 2025 reportagens sobre o uso de um veículo oficial do Tribunal de Justiça do estado por Dino e seus familiares. O ministro afirma que não houve uso irregular. Mas, por causa das matérias, em março deste ano o jornalista foi alvo de uma operação policial determinada por Moraes e teve dois celulares, um notebook e um pen drive apreendidos, o que permitiu que os investigadores rastreassem a fonte dele.

Ao ordenar a operação, Moraes defendeu haver risco à integridade física do colega de Supremo em razão “do suporte material (envio de informações e discussões sobre a redação e teor das matérias publicadas) e financeiro prestado a Luís Pablo, com indício de tentativas de exclusão de mensagens eletrônicas relevantes para a investigação”.

A investigação foi aberta a pedido de Dino. O ministro sorteado foi Cristiano Zanin, mas a ação foi redistribuída após o presidente do STF, Edson Fachin, decidir que o caso era análogo ao inquérito das fake news e ao das milícias digitais, dos quais Moraes já era relator.

Com essa primeira busca, os policiais descobriram que a fonte do blogueiro era o ex-secretário Raimundo Cutrim, também alvo de outro inquérito relativo ao assassinato de um funcionário da secretaria de Educação do Maranhão — este sob a relatoria de Dino, que governou o estado entre 2015 e 2022.

A partir daí, pediram autorização para uma segunda ação de busca e apreensão, realizada na semana passada.

O relatório sigiloso que baseou o pedido – e a que tivemos acesso – analisa em detalhes as mensagens trocadas entre a fonte e o jornalista, que mostram Cutrim enviando imagens e documentos a Luís Pablo.

Fica claro, porém, que o blogueiro recebeu o material por WhatsApp e chegou a se encontrar pessoalmente com a fonte, mas não participou de atos de perseguição. Para os investigadores, o blogueiro tem postura tendenciosa contrária a Flávio Dino e se dedica a fazer matérias que o colocam “como influente político contrário ao governo do Maranhão”.

Ao encaminhar o documento ao Supremo Tribunal Federal, o delegado Alberto Knoll diferenciou o jornalista da fonte.

“Não se trata de acusar o jornalista do cometimento de tal crime, já que o mesmo, em tese, está acobertado pelo direito à liberdade de imprensa, amplamente reconhecido em nossos tribunais”.

Já sobre o ex-secretário, disse que “a conduta de possível agente público que acessa dados restritos e os divulga de forma irregular para publicação através de veículo de imprensa, essa sim pode ser enquadrada no crime tipificado no art. 325 do Código Penal (violação do sigilo funcional).”

Knoll ainda chama a atenção para uma transação de compra de um terreno que teve uma de suas parcelas pagas pelo advogado Diogo Lima, que foi secretário de Habitação de São Luís na gestão de um aliado de Dino, Edivaldo Holanda Júnior (PDT), mas também não associa a conduta do jornalista ao crime de perseguição.

Notas e compra de terreno

No relatório de inteligência sobre o conteúdo apreendido no computador de Luís Pablo, os investigadores localizaram diversos diálogos no qual o jornalista encaminha a Diogo Lima matérias críticas a Flávio Dino, sobre as quais o advogado dá palpites, chegando a sugerir alterações no texto. Lima também foi alvo das buscas ordenadas por Moraes na semana passada.

Em uma das conversas, os dois tratam sobre uma transferência para uma conta bancária de Danilo Cutrim Bezerra, veterinário que vendeu um terreno a Luís Pablo.

Apesar de o sobrenome ser semelhante ao da fonte, Raimundo Cutrim, a PF diz que não é possível concluir se os dois são parentes ou não.

“Verificou-se ainda que o sobrenome Cutrim tem elevada incidência no Estado do Maranhão, segundo fontes do IBGE, sendo utilizado por aproximadamente 14.778 pessoas”.

As mensagens mostram que Diogo Lima envia fotos do comprovante do depósito de R$ 100 mil de uma conta dele para Danilo Cutrim. Segundo a própria Polícia Federal, o dinheiro foi usado para quitar um imóvel rural de R$ 461 mil adquirido pelo jornalista. A propriedade, ainda de acordo com a investigação, foi paga através de depósitos de múltiplas fontes pagadoras, incluindo Lima.

“Meu irmão não tem palavras [sic], mesmo sabendo que você é um cara que posso contar pra tudo, mas você me surpreende. Você é um cara de coração enorme, Deus te abençoe sempre”, escreveu Luís Pablo ao receber o comprovante de depósito.
“Oh meu irmão. Vc é muito querido pra mim [sic]. Não ia deixar vc perder seu sonho”.

As conversas também trazem notas fiscais emitidas em nome da Assembleia Legislativa do Maranhão em nome do Blog Luís Pablo com valores que alternavam de R$ 12 mil a R$ 17,5 mil.

Questionado pela equipe da coluna sobre a origem do dinheiro, Luís Pablo afirmou que se referiam ao pagamento por banners de anúncio em seu blog.

“Todo mês mando. Foi suspenso no mês passado em razão das eleições e da legislação eleitoral”, afirmou o jornalista.
“Não é só para mim. São vários veículos de comunicação, entre blog, rádio e TV. [O valor] É pago pela agência de marketing que é contratada pela Assembleia”.

 

Ausência de Lula e Flávio Bolsonaro vai melhorar o nível do debate pela TV

01/06/2026 - Cláudio de Oliveira | Folha

Charge do Cláudio de Oliveira (Folha)

Carlos Newton

“Lá Vem o Brasil Descendo a Ladeira” é uma famosa canção composta por Moraes Moreira e Pepeu Gomes, do grupo Novos Baianos, que fez grande sucesso em 1979, quando o regime militar já começava a entrar em fase terminal. Mais de 50 anos depois, a gente tem a impressão de que este verso inicial da canção vai se eternizar, porque o Brasil parece não ter jeito.

Aproxima-se a eleição presidencial e a expectativa é da vitória de um dos candidatos polarizados, com a característica de que tanto Lula da Silva quanto Flávio Bolsonaro são duas antas, sem o menor preparo para dirigir o país.

IGUAIS A DILMA – Lula e Flávio podem ser comparados a Dilma Rousseff, aquela falsa estadista que ousou subir à tribuna das Nações Unidos,  representando o Brasil, para lamentar que ainda não seja possível estocar o vento.

Lula não fica atrás em matérias de asneiras, especialmente quando critica as teorias econômicas, que em sua opinião precisam ser mudadas: “O dinheiro vai sair de onde está para ser aplicado onde deveria estar”, recomenda, cheio de sabedoria.

Flávio Bolsonaro é da mesma estirpe e entrega os companheiros sem hesitação. “Ele tinha a minha confiança, mas está comprovado que não era merecedor dela. Talvez tenha sido meu erro confiar demais nele“, disse ele, entregando o assessor Fabricio Queiroz, acusado de operar o esquema das rachadinhas na exploração dos funcionários d0 gabinete parlamentar bolsonariano.

LEMBRANDO NELSON – É desanimador participar de uma eleição presidencial em que os dois candidatos favoritos são políticos de péssima categoria e enriquecidos ilicitamente como Lula e Flávio. O comportamento desses candidatos, que são idolatrados por expressivas faixas do eleitorado, faz lembrar as sábias reflexões de Nelson Rodrigues.

O fabuloso escritor, jornalista e dramaturgo carioca dizia que “não há nada mais cretino e mais cretinizante do que a paixão política“. E acrescentava: “Os idiotas vão tomar conta do mundo; não pela capacidade, mas pela quantidade. Eles são muitos…”

Muitos brasileiros pensam como Nelson Rodrigues, estão desencantados e não querem saber de política. Mas é um erro proceder assim. Há quase 2,5 mil anos, em sua obra “A República”, Platão já mostrava essa preocupação: “O maior castigo dos cidadãos bons que se recusam a participar da política é serem governados pelos maus”, ironizava, sentenciando:

“Enquanto os filósofos não forem reis nos Estados, ou os que agora são chamados reis e soberanos não forem verdadeira e seriamente filósofos, não haverá trégua para os males dos Estados, nem para a raça humana.”

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P.S. 1
O presidente Lula (PT) desistiu de ir ao debate promovido pela Band em parceria com o Estadão neste domingo, 23. A desculpa é de que os candidatos Romeu Zema (Novo) e Renan Santos (Missão) não deveriam ser convidados. A imprensa já noticiou que Flávio Bolsonaro (PL) também poderá faltar, se Lula não comparecer.

P.S. 2São desculpas esfarrapadas. Lula e Flávio não têm o que dizer, por serem políticos despreparados e corruptos. O petista já foi condenado e pegou cadeia. Seu adversário somente não foi condenado porque a Justiça brasileira vive hoje seu pior momento. No domingo, certamente a ausência do dois vai levantar o nível dos debates. E eles vão apanhar feito gente grande. (C.N.

 

Dino, Moraes e os blogueiros do PCC

Nem um 'blogueiro do PCC' concursado iria tão longe quanto os ministros do STF e seus apoiadores para defender a violação do sigilo da fonte

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Rodolfo Borges
 -O ANTAGONISTA
Dino, Moraes e os blogueiros do PCC
Foto: Luiz Silveira/ STF

Após protagonizar a quebra do sigilo de uma fonte jornalística, Flávio Dino (à esquerda na foto) e Alexandre de Moraes (à direita na foto) ressuscitaram o debate sobre a necessidade do diploma de jornalismo para exercer a profissão, dispensanda pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2009.

Os dois julgavam um caso de pedido de direito de resposta na Primeira Turma do STF, e Dino aproveitou para mencionar um artigo intitulado “Sigilo da fonte e o teorema da absolvição perpétua”, de Georges Abboud, que inverte a lógica do debate sobre o sigilo.

“Bastaria a qualquer um autoproclamar-se jornalista para estar imune a buscas e apreensões, ou quaisquer medidas judiciais invasivas”, diz o autor, que provoca, em alusão ao caso do Banco Master: “Se Vorcaro fosse um banqueiro-jornalista?”“A partir da histérica e histriônica reação da mídia profissional, um pequeno pensamento irônico não saia da mente: o maior arrependimento atual de Daniel Vorcaro possivelmente é nunca ter tido um blog. Nesse cenário, todos os seus problemas estariam resolvidos. Afinal, seus celulares deveriam ser devolvidos e nunca desbloqueados. Ele deveria ter se autoproclamado banqueiro-jornalista ou jornalista-banqueiro”, diz Abboud no texto.

Não há qualquer ironia nesse “pequeno pensamento”.

Trabalho jornalístico

Caso Vorcaro tivesse apenas publicado informações que incomodam alguma autoridade, talvez não fosse mesmo o caso de determinar busca de apreensão.

Mas a busca e apreensão do computador de Luís Pablo, autor das reportagens que denunciaram o uso irregular de veículo oficial pela família de Dino, foi feita a partir de um trabalho jornalístico, e não de fraudes ao sistema financeiro e suborno de autoridades, como no caso do Master.

Os sinuosos argumentos de Abboud naturalmente encantaram Dino, porque se prestam a tentar acobertar algo que não deveria ter sido feito e que não tem justificativa legal, como indica a argumentação que o ministro do STF encontrou para tentar endossar a violação.

Concurso de blogueiros do PCC

Durante a sessão de terça, Dino chegou a fantasiar sobre um “concurso para selecionar blogueiros” promovido pelas facções criminosas PCC e Comando Vermelho (CV).

“Teria cada um 100 blogueiros supostamente protegidos por este conjunto de garantias que se referiam em [19]88 ao jornalismo profissional”, afirmou o ministro.

Moraes, o responsável pela quebra do sigilo da fonte, foi mais longe e disse que não é o caso de especular sobre concursos futuros, porque PCC e CV “infelizmente já se infiltraram em redes de desinformação nas redes sociais“.

E quem poderá nos defender nesse caso, senão o relator do infinito inquérito das fake news?

É patético o contorcionismo dos dois ministros e de seus apoiadores para tentar reagir às críticas por violar o sigilo da fonte. Nem um blogueiro do PCC concursado iria tão longe.