terça-feira, 24 de março de 2026

 

Fábio Faria se arriscou no Caso Master operando para o seu tio, que chefia o clã

Ricardo Faria, chefe do clã, só é fotografado de surpresa

Carlos Newton

Causam estarrecimento as revelações do conteúdo do primeiro celular do banqueiro Daniel Vorcaro a ser periciado, por exibir suas ligações com políticos e autoridades dos três Poderes. A expectativa é enorme e ainda faltam ser examinados outros sete celulares, inclusive o telefone usado pelo capanga Sicário, que morreu ou foi suicidado na Polícia Federal de Belo Horizonte, digamos assim, porque até hoje as imagens dele não foram exibidas, embora não haja o menor motivo para sigilo.

Conforme informamos aqui na Tribuna da Internet nesta segunda-feira, dia 23, um dos políticos citados pela Polícia Federal é o ex-deputado federal Fábio Faria (PP-RN), cujos diálogos mostram ser íntimo do dono do banco Master.

ENORME REPERCUSSÃO – As notícias do envolvimento do ex-parlamentar estão tendo enorme repercussão no Rio Grande do Norte, porque a família de Fábio Faria é uma das mais atuantes e poderosas da política estadual, rivalizando na direita com os tradicionais Maia, Rosado e Alves, enquanto a esquerda é dominada pelo PT.

O chefe do clã é o empresário Ricardo Mesquita de Faria, tio de Flávio, que nas últimas décadas comanda o espantoso enriquecimento da família.

Para garantir influência política, em 1986 Ricardo elegeu o irmão Robinson, pai de Flávio, como deputado estadual. Foram sete mandatos seguidos, até Robinson conquistar o governo estadual em 2015, enquanto o filho Flávio se elegia deputado federal em quatro legislaturas.

NA ERA SARNEY – As informações que recebemos aqui na Tribuna são de que o enriquecimento começou lá atrás, no governo Sarney, quando o empresário Ricardo Faria tornou-se diretor financeiro da Embratur, presidida por João Dória, e a gestão deles acabou sendo investigada pelo Tribunal de Contas da União. Aliás, por coincidência, é claro, Dória também é ligado a Vorcaro e aparece no celular dele.

Assim, a família Faria sempre esteve envolvida em corrupção e escapou por pouco da Lava Jato, quando foi investigada por determinação do procurador-geral Rodrigo Janot. Nas planilhas da Odebretch, Fábio era apelidado de “Bonitão”, e seu pai Robinson aparecia como “Bonitinho”.

Na mesma época, o Ministério Público Estadual chegou a denunciar Robinson Faria por desvios e lavagem de dinheiro, mas ele também conseguiu escapar. Receosa, a família então passou a operar cada vez mais discretamente, o chefão Ricardo Faria mudou-se para o eixo Rio-São Paulo, raramente volta a Natal e não gosta de ser fotografado.

COM VORCARO – O grande erro da família foi essa ligação com Daniel Vorcaro. A perícia no primeiro celular exibe diversas conversas com Fábio Faria, que se mostra íntimo do banqueiro e também de Dias Toffoli, a ponto de se oferecer para fazer a reaproximação entre os dois, que estavam meio agastados desde a negociação do resort Tayayá.

Nas mensagens, Vorcaro diz que Toffoli poderia mudar o voto numa ação indenizatória da usina Alcídia, que pertence à Odebrecht.

“Quem foi esse cara que te falou que o Toffoli mudou?”, perguntou Fábio Faria, e o banqueiro então citou o advogado Carlos Vieira, filho do atual presidente da Caixa Econômica Federal, vejam a que ponto de promiscuidade chegamos.

PROPINA DA JBS – Em Natal, o jornalista Rafael Duarte, da agência Saiba Mais, diz que as acusações à família Faria se acumulam. Ele conta que, em meio ao escândalo protagonizado por Joesley Batista durante o governo Temer, em 2017 o delator Ricardo Saud revelou o acerto de uma propina de R$ 10 milhões para o então deputado Fábio Faria.

Em troca, segundo a delação, uma empresa do grupo JBS privatizaria a empresa estadual de água e esgotos (CAERN).

No Supremo, a ministra Rosa Weber arquivou a questão, alegando falta de provas, porque o negócío não se concretizara, embora o próprio Joesley Batista tenha confirmado em juízo a propina, que fora feita num jantar em sua casa, em São Paulo, que ele ofereceu a Fábio, sua mulher Patrícia Abravanel e o pai dele, Robinson Faria, então governador.

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P.S. – 
A conclusão de tudo isso é que Fábio Faria é um pobre menino rico, casado com uma mulher mais rica ainda. Portanto, não tem o menor motivo para se corromper, mas se arrisca a ser incriminado nessa investigação do Master, enquanto seu tio, Ricardo Mesquita Faria, que leva a maior parte da pilhagem, acredita que nunca poderá ser alcançado pela lei(C.N.)

 

Ponto de Vista: A delação de 

Vorcaro pode “morrer na casca”

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
24/03/2026 06:00
3 horas e 46 minutos

A midiática delação de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, colocará sob escrutínio vínculos com as mais altas autoridades da República, principalmente do Judiciário, entre as quais os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, do STF.   Esses dois, segundo a imprensa, serão blindados, bem como o Planalto, mas, nos bastidores, a avaliação é de que o alcance da delação pode variar conforme o órgão responsável pela negociação. Se prevalecer a competência da Policia Federal, alguma coisa pode acontecer. Caso contrário, ou seja, se a PGR comandar a investigação, nada acontecerá.  Em uma delação premiada normal -sem a pressão de certas autoridades-, a condução deve ser feita pela Polícia Federal, que tem preparo técnico e competência para conseguir as informações necessárias para desvendar a corrupção do Banco Master. Já com a PGR, a coisa muda, pois o seu Procurador-Geral, Paulo Gonet, além de amigo dos ministros envolvidos, foi flagrado degustando o famoso whisky Macallan com Vorcaro, Moraes e outros, em Londres.

A delação premiada é um instrumento de cooperação entre investigados e o Estado. Na prática, trata-se de um acordo pelo qual o acusado fornece informações relevantes sobre os crimes investigados, podendo receber, em troca, a redução da pena, mudança no regime de cumprimento, penas alternativas, perdão judicial ou a possibilidade de o Ministério Público não apresentar denúncia. Em contrapartida, o delator precisa contar tudo o que sabe sobre os fatos relacionados à investigação, além de apresentar elementos que ajudem a comprovar suas declarações. As colaborações premiadas podem redefinir investigações e beneficiar o delator, como no caso do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do presidente Jair Bolsonaro. Sua delação foi decisiva para o ministro Alexandre de Moraes condenar o ex-presidente Bolsonaro. Em troca, Mauro Cid recebeu uma pena de apenas dois anos, a permissão para manter sua patente militar e medidas de proteção para si e sua família. O acordo foi alvo de críticas, especialmente pelas inconsistências nos depoimentos, mas acabou mantido pelo Supremo.

Na delação do ex-deputado Roberto Jefferson, peça-chave na revelação do escândalo do Mensalão ao detalhar o funcionamento do esquema e apontar os operadores, sua contribuição permitiu a redução da pena e o cumprimento da condenação em regime mais brando do que o inicialmente previsto. Já na Operação Lava Jato, com mais de 100 acordos homologados, essa possibilidade praticamente não existiu.   A delação de Léo Pinheiro, ex-executivo da OAS, cuja colaboração ajudou a condenar o ex-sindicalista Lula da Silva, praticamente foi anulada pelo Judiciário, permitindo que Lula deixasse a prisão para voltar à presidência da República. O advogado de Pinheiro, na época, foi José de Oliveira Lima, o Juca, o mesmo que Vorcaro contratou para fazer a sua. O que está chamando a atenção é que a delação de Vorcaro será diferente, pois seu advogado teria apresentado ao STF uma proposta de delação que seria prestada perante a Polícia Federal e a PGR, envolvendo apenas algumas autoridades políticas, deixando de fora os ministros do STF.  A proposta foi levada ao ministro André Mendonça visando construir um acordo com maior segurança jurídica para Vorcaro e a redução do risco de questionamentos futuros. O ministro André Mendonça teria sinalizado positivamente para o acordo, que rompe com os padrões tradicionais das colaborações anteriormente efetuadas. Historicamente, acordos desse tipo são conduzidos por um único órgão, mas a proposta de Vorcaro inclui também a PGR, mudando completamente as regras do instituto.

A avaliação é que uma colaboração envolvendo alguns ministros do Supremo teria baixa probabilidade de aceitação por parte da PGR, comandada por Paulo Gonet. Com a PGR dentro, a proposta será aceita.  Ainda está na fase inicial e vai depender do alinhamento entre os órgãos envolvidos e sua consequente validação pelo Supremo. Se aceita, redefinirá o formato das colaborações premiadas em casos de grande impacto político e econômico, envolvendo autoridades do Judiciário. Seja como for, de concreto, mesmo, até agora temos pouca coisa, a não ser muita propaganda e demasiada exploração midiática. Paulo Gonet, cuja atuação é marcada pela oposição à prisão de Vorcaro e pela revelação de encontros sociais com o delator, além de um "descompasso" público com o ministro André Mendonça, foi alvo de críticas diretas à postura da PGR na decisão que ordenou a prisão de Vorcaro. Gonet rebateu as críticas, defendendo o que chamou de "boa técnica" e prudência processual. Mas o fato é que, nos meios jurídicos e políticos, a especulação é que a delação de Vorcaro, na forma como está sendo apresentada, pode “morrer na casca”. Tudo vai depender da Polícia Federal.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário

segunda-feira, 23 de março de 2026

 nternacional

URGENTE: Trump faz o primeiro ataque poucas horas após ultimato ao Irã

A Força Aérea do Irã declarou neste domingo (22) ter atingido um caça americano modelo F-15E nas proximidades da ilha de Hormuz, poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estabelecer um ultimato exigindo a reabertura do Estreito de Ormuz.Keto Viva

Segundo informações divulgadas por autoridades iranianas, o avião teria sido alvejado, mas o destino da aeronave ainda não foi confirmado. A mídia estatal também exibiu imagens em infravermelho que supostamente mostram um caça com características semelhantes ao F-15 lançando iscas térmicas — recurso utilizado para despistar mísseis guiados por calor. No entanto, não há comprovação visual de que a aeronave tenha sido efetivamente atingida.Até o momento, o Comando Central das Forças Armadas dos Estados Unidos, responsável pela região, não se pronunciou oficialmente sobre o caso.

Caso a informação seja confirmada, este poderá ser um episódio inédito no conflito em curso. Até então, relatos indicavam que o Irã havia conseguido atingir um caça F-35, embora, segundo os americanos, a aeronave tenha conseguido pousar em segurança em território aliado, sem ferimentos ao piloto.Keto Viva

As perdas confirmadas de aeronaves ocorreram anteriormente no Kuwait, onde três caças F-15E foram abatidos durante ações defensivas contra ataques iranianos. Os pilotos conseguiram se ejetar e sobreviver. Em outro incidente, um avião-tanque KC-135 colidiu no ar sobre o Iraque, resultando na morte de seis militares.

Além disso, um helicóptero de transporte militar do Qatar caiu no mar durante uma operação considerada rotineira, causando a morte de sete tripulantes. De acordo com o governo local, o acidente foi provocado por falha mecânica.

O episódio ocorre após Trump anunciar, na noite de sábado (21), que concederia 48 horas para que o Irã reabrisse o Estreito de Ormuz, rota estratégica responsável por cerca de um quinto do fluxo global de petróleo e gás natural liquefeito. Desde o início do conflito, o tráfego na região foi drasticamente reduzido.

O presidente norte-americano também tem pressionado aliados a formar uma força-tarefa internacional para garantir a segurança da navegação comercial. No entanto, a adesão tem sido limitada, em razão dos riscos elevados impostos pela presença militar iraniana na área.chá em jejum queima 7 kg de gordura por semana!

Em resposta, o governo iraniano afirmou que poderá retaliar eventuais ataques americanos contra sua infraestrutura energética, mirando alvos ligados aos Estados Unidos em todo o Oriente Médio.