quinta-feira, 10 de setembro de 2026

Sputnik

 

Mídia: Irã testa míssil eletro‑óptico contra navios dos EUA, enquanto escalada eleva tensão regional

Exercícios militares no Irã com lançamento de míssil terra-mar Saegheh - Sputnik Brasil, 1920, 10.09.2026
Irã lança pela primeira vez mísseis eletro‑ópticos contra navios dos EUA, mas o CENTCOM afirma que todas as tentativas fracassaram e reage destruindo petroleiros iranianos, enquanto a escalada militar eleva tensões regionais e faz o petróleo ultrapassar US$ 100 o barril.
O Irã afirmou ter lançado, pela primeira vez, mísseis eletro‑ópticos contra navios de guerra dos EUA, além de atacar uma base norte-americana na Jordânia, em resposta à destruição de petroleiros iranianos pelo Comando Central dos EUA (CENTCOM). Segundo a mídia britânica, os EUA disseram que nenhum militar foi ferido e que todas as tentativas iranianas fracassaram.
Teerã sustenta que empregou novos mísseis de alta precisão, possivelmente equipados com sistemas de busca eletro‑ópticos. Entre eles estaria o Qassem Bassir, um míssil balístico de médio alcance com ogiva de meia tonelada e capacidade de penetrar defesas aéreas em camadas, embora não haja confirmação de que ele tenha sido usado.
Autoridades iranianas afirmam que o país inaugurou uma fase estratégica, testando um míssil "antissupertorpedeiro" contra um navio dos EUA. O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohsen Rezaei, disse que o ataque revelou a vulnerabilidade do bloqueio naval norte-americano e marcou a transição de uma postura "reativa" para "ativa".
Técnicos iranianos trabalham na usina nuclear de Bushehr, nos arredores da cidade de Bushehr, no sul do Irã - Sputnik Brasil, 1920, 09.09.2026
Panorama internacional
Irã, Rússia e China exigem garantias contra novos ataques a instalações nucleares iranianas
Analistas apontaram à apuração que os novos mísseis provavelmente derivam da família Khorramshahr, combinada com motores sólidos da classe Salman, e alertam para possível apoio técnico da Rússia e China, alegando que os aliados do governo persa têm fornecido imagens de satélite ao Irã, fortalecendo sua capacidade de rastrear alvos norte-americanos.

Os EUA reagiram destruindo petroleiros do Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica (IRGC, na sigla em inglês) do Irã após instruir as tripulações a abandonarem as embarcações. Autoridades norte-americanas, como Marco Rubio, afirmaram que novos ataques iranianos resultarão em mais perdas de navios‑tanque.

A escalada encerrou um mês de relativa calma e provocou alta no preço do petróleo, que ultrapassou US$ 100 (R$ 509) o barril. Explosões foram registradas perto da ilha de Kharg, área estratégica para a indústria petrolífera iraniana.
O aumento das hostilidades envolveu bases militares, rotas marítimas e infraestrutura energética, ampliando tensões regionais e reforçando o risco de que o conflito entre EUA e Irã entre em uma fase mais imprevisível.

 

Decisão de Flávio Dino sobre leis estrangeiras: análise jurídica

Dino acha (?) que pode substituir Lula como dono do PT

Carlos Newton

O país inteiro de surpreendeu nesta quarta-feira, com a decisão do ministro Flávio Dino, que aceitou recurso encaminhado por Andrei Rodrigues e Leandro Almada da Costa para serem reintegrados aos cargos que ocupavam na Polícia Federal — respectivamente, diretor-geral e diretor de Inteligência Policial.

Com altas dose de audácia e desfaçatez, Dino tornou-se um tríplice coroado em matéria de manipulação, porque desrespeitou simultaneamente normas existentes em três legislações – o Regimento do Supremo Tribunal Federal, o Código de Processo Civil e a própria Constituição,

INFRAÇÕES GRAVES – Sem a menor dúvida, o ministro cometeu duas graves infrações processuais. A primeira delas foi desrespeitar o Regimento, ao aceitar recurso em processo que corre em outra Turma. As normas do Supremo determinam que cada Turma é revisora da outra, mas isso só ocorre em caso de “ação revisional”, como o processo que Jair Bolsonaro está movendo hoje na Segunda Turma, para anular sua condenação pela Primeira Turma a 27 anos e três meses de prisão.

Ou seja, em nenhuma hipótese um ministro tem poderes para intervir em ação que corre na outra Turma. Mas Dino foi audacioso e não ficou somente nisso, pois também anulou a decisão da maioria da Segunda Turma (Mendonça, Fux e Marques) por motivo inexistente, ao alegar que o Partido Novo não podia ser “parte” no processo, embora não exista nenhum dispositivo legal que determine essa impossibilidade.

Portanto, com essa decisão Dino cometeu crime de responsabilidade, por desrespeitar o Princípio da Legalidade (artigo 5º, inciso II, que impõe: “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. E não existe lei que impeça o Partido Novo de recorrer à Justiça e ao Supremo para pedir medida cautelar, conforme Dino infantilmente alegou.  

A MOTIVAÇÃO – Cabe aqui a pergunta que não quer calar: Por que Flávio Dino, que é juiz federal licenciado e conhece profundamente as leis, cometeu essas graves infrações?

Bem, é preciso lembrar que, apesar de ser juiz, Flávio Dino preferiu a política, foi deputado federal, governador e senador. Para ele, embora tenha aceitado ser ministro do STF, a política é mais importante do que a Justiça.

No caso do enfrentamento ao ministro André Mendonça, Dino está atuando politicamente para tentar garantir a reeleição do presidente Lula da Silva. Nesta manobra, jogou todas as suas fichas na vitória do PT nesta eleição, para depois ser candidato a presidente em 2030, pois Lula jamais deixou surgir alguma liderança que possa substituí-lo no partido e o lugar está vago.

É CANDIDATO? – Em 2030, o ministro Flávio Dino estará com 62 anos e nada impede que pretenda ser candidato à sucessão. Basta renunciar ao mandato do Supremo para ter condições legais de concorrer às eleições.

Mas essa possibilidade só pode ocorrer se Lula conseguir a reeleição neste ano.  Se Lula perder este ano para Flávio Bolsonaro, o quadro muda de figura, porque o PT pode se enfraquecer de tal maneira que em 2030 a candidatura de Dino ou qualquer outro pretendente ficaria completamente inviabilizada.

Quanto a Lula, que aos 81 já está meio gagá, com 85 anos estará completamento fora do ar, cantando “Ninguém me ama”, caso continue resistindo aos chamados do Criador, é claro. E, sem ele, ninguém aposta na sobrevivência do PT.

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P.S. –
Quanto à crise do STF, Édson Fachin ainda é o dono do baralho. Nesta sexta-feira ele recebe os relatórios de Mendonça, Moraes, Gonet e Andrei. Vai passar o fim de semana fazendo trabalho extra, mas segunda-feira ele terá de se pronunciar. E o suspense é de matar o Hitchcock, como dizia o genial jornalista e compositor carioca Miguel Gustavo.  (C.N.)

 Opinião

Falta comando no STF


Todas defendem a apuração rigorosa e 

imparcial
das suspeitas e eventuais irregularidades que suscitaram “as tensões que envolvem instituições centrais da República”, pois “Os fatos se esclarecem com evidências, procedimentos claros e decisões fundamentadas, não com disputas de versões”. Segundo sustentam as entidades, rejeitando qualquer tentativa de proteção pessoal a autoridades que possam ter infringido a lei.

“A confiança pública não se recupera pelo silêncio nem pela precipitação, mas pela capacidade demonstrada de apurar e responder, sem desqualificar questionamentos legítimos nem antecipar condenações. A autonomia técnica dos órgãos de investigação, fiscalização e controle e a independência do Poder Judiciário devem ser preservadas. Nenhuma disputa entre autoridades justifica interferências indevidas em suas atribuições ou o uso desses órgãos em embates pessoais, políticos ou eleitorais”, acrescentam as entidades.

O problema é a preocupação do retorno do mesmo esquema montado que acabou por anular todo o processo da Lava Jato. Segundo os críticos, as decisões colegiadas e monocráticas que resultaram na anulação de provas, na suspensão de multas bilionárias e na invalidação de condenações da Operação Lava Jato enfraqueceram o combate à corrupção no país, e que isso não pode ser repetido com a corrupção do Banco Master envolvendo autoridades dos três poderes da União. Veículos de imprensa independentes e de oposição apontam que o "entulho autoritário" e o ativismo judicial da Corte exorbitam suas funções e blindam os aliados políticos de alguns dos seus ministros.

Quando o “notório” ministro Luís Roberto Barroso (“nós derrotamos o bols0narismo”) foi presidente do STF, ele próprio confessou que o tribunal teve uma atuação "controvertida" no enfrentamento à corrupção, equilibrando o papel de preservar a democracia com o desgaste institucional que essas decisões geram na opinião pública. O debate reflete o cenário onde o STF é visto por uma parcela da sociedade como um agente de impunidade e abusos, e isso requer um presidente forte e capaz de decidir e fazer respeitar suas decisões. Não é o caso do ministro Edson Fachin, alvo de críticas e rótulos de omissão por parte de analistas e críticos.Diante de comentários recorrentes na imprensa e em redes sociais apontando-o como um gestor "fraco" ou sem pulso firme para lidar com a crise, fica difícil acreditar que suas decisões repetidas de adiamento das soluções possam chegar a algum desfecho compatível com a dignidade da instituição. Fachin foi o percussor da anulação da Lava Jato. Se não tomar cuidado, vai ser o percussor da anulação da Operação Compliance Zero, que apura a corrupção do Banco Master envolvendo ministro do próprio tribunal.

O passado de Fachin demonstra isso. Seu histórico de aproximação com o PT antes de sua nomeação pode provocar esse processo. Antes de se tornar magistrado, Fachin era um jurista de perfil progressista. Em 2010 ele participou ativamente da campanha eleitoral e gravou vídeos lendo um manifesto de apoio à candidatura de Dilma Roussef.  Anos depois, em abril de 2015, a própria Dilma Rousseff (já na presidência da República),  o indicou para a vaga de ministro do Supremo. Durante sua sabatina no Senado, Fachin minimizou o episódio do vídeo, afirmando que agiu como cidadão e garantiu que atuaria com total imparcialidade na Corte. Pelo visto, o caso da Lava Jato parece ter demonstrado o contrário, pois ele levou cinco anos para dizer que a Vara de Curitiba era incompetente para julgar o caso. Agora, o problema é saber quanto tempo ele vai levar para decidir sobre as suspeitas de corrupção envolvendo alguns dos seus próprios colegas.

Foto de Luiz Holanda

Luiz Holanda

Advogado e professor universitário