sábado, 16 de maio de 2026

 

Bolsonaro deve estar arrependido por impedir que Tarcísio fosse o candidato

Bolsonaro diz que Tarcísio 'comete deslizes porque é novato na política' | Eleições 2022 | Valor Econômico

Se apoiasse Tarcísio, Bolsonaro teria feito um bem ao país

Carlos Newton

Os institutos de pesquisas entraram em clima de puro êxtase, com o escândalo da participação do banqueiro Daniel Vorcaro no financiamento do filme sobre Jair Bolsonaro, intitulado “Dark Horse” – ou “Azarão”, no linguajar das corridas de cavalos.

Aliás, o título mais apropriado seria mesmo “Azarão”, porque a família deu um tremendo azar com a notícia de que Flávio Bolsonaro também extorquia o banqueiro Daniel Vorcaro, que pagava taxa de proteção a políticos e autoridades de todo tipo, com destaque para o ministro Alexandre de Moraes, é claro, por 129 milhões de motivos, como diz o jornalista Mario Sabino.

AS PESQUISAS – Com o novo escândalo, que deixou no chinelo a prisão do pai de Vorcaro, os institutos de pesquisas fecham seguidos contratos para verificar a evolução das tendências.

É certo que a candidatura de Flávio Bolsonaro sofreu um forte abalo, que as pesquisas tentarão aquilatar, mas os resultados sempre dependem de quem é o contratante, porque é preciso agradá-lo, para que financie um novo levantamento, e com a máxima urgência.

Seja qual for a tendência a ser identificada, é óbvio que a eleição ainda não está vencida por Lula da Silva, que não tem o antigo prestígio e está tentando o último canto do cisne, bem perto de uma aposentadoria compulsória ou não.

TERCEIRA VIA – A terceira via tem hoje apenas dois candidatos com pequena chance – Ronaldo Caiado (PSD-GO) e Rubem Zema (Novo-MG), que devem ganhar votos em função da queda de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), sendo esperada apenas pequena migração de votos dele para o petista, porque os eleitores são como água e azeite, não se misturam.

No meio dessas dúvidas, existe a certeza de que Lula foi beneficiado nas duas últimas semanas e estará no segundo turno, aguardando quem irá enfrentá-lo na última eleição da surpreendente carreira de um líder metalúrgico que era agente infiltrado pelo regime militar no sindicalismo e acabou se tornando o mais importante político brasileiro.

A único fato concreto é o arrependimento que Bolsonaro deveria estar sentindo por haver impedido que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) aceitasse a candidatura ao Planalto, em coligação com o PL e outros partidos. Seria uma candidatura para ganhar em primeiro turno. O resto é folclore, como dizia nosso amigo Sebastião Nery.

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P.S.
Dizem que Bolsonaro não admite o erro e continua achando que Flávio vai ganhar. Isso pode até acontecer, mas está difícil, porque o candidato demonstra despreparo e ganância. Desde os tempos da rachadinha, quando extorquia boa parte dos salários dos funcionários de seu gabinete na Assembleia, Flávio Bolsonaro está vendido ao Deus dinheiro. O pai não se importa, porque parece não ter medo do ridículo e prefere julgar que o país pertence à sua família. É lamentável. (C.N.)

 

URGENTE: Mais uma pesquisa é divulgada após vazamento de áudio

Um levantamento realizado pelo instituto Vox Brasil foi divulgado nesta sexta-feira (15).

Segundo os números apresentados pela pesquisa, Flávio Bolsonaro aparece com 43,8% das intenções de voto em um eventual segundo turno, enquanto Lula registra 40,2%. A diferença de 3,6 pontos percentuais, no entanto, permanece dentro da margem de erro de 2,15 pontos para mais ou para menos, configurando empate técnico entre os dois candidatos.

Nos cenários simulados de primeiro turno, a pesquisa também indica disputa equilibrada entre Lula e o senador do PL. Em um dos cenários apresentados, o presidente aparece oscilando entre 34,3% e 35,1% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro varia entre 36,5% e 37,8%, mantendo vantagem numérica, mas ainda dentro do intervalo considerado empate técnico.

O estudo ainda avaliou outros possíveis nomes da corrida presidencial, como o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), o governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD), e Renan Santos, ligado ao Movimento Brasil Livre (MBL). Entretanto, os números detalhados desses cenários não foram divulgados no material publicado.

A pesquisa Vox Brasil entrevistou 2.100 pessoas entre os dias 9 e 12 de maio de 2026. O levantamento possui margem de erro de 2,15 pontos percentuais, nível de confiança de 95% e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-02423/2026. Segundo o instituto, o custo total foi de R$ 50 mil, financiado com recursos próprios.

O levantamento foi divulgado após a o áudio vazado de Flávio Bolsonaro para o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O conteúdo dos áudios veio a público no dia 13 de maio e gerou forte repercussão política nas últimas semanas.

Sputnik

 

Ameaças de anexação da Venezuela aos EUA demonstram 'uma crise de hegemonia', afirma especialista

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, embarcando no avião presidencial, em 15 de maio de 2026, em Pequim, na China - Sputnik Brasil, 1920, 16.05.2026
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela, comentou reportagens de um jornalista da Fox News que afirmou, após conversar com o presidente Donald Trump, que os EUA estão "considerando seriamente" a possibilidade de a nação caribenha se juntar aos Estados Unidos como seu 51º estado.
"Isso não está nos planos, jamais estaria, porque se há algo que nós, venezuelanos, temos, é o amor pelo nosso processo de independência", disse a presidente interina.
Washington e Caracas têm avançado na reconstrução de suas relações, rompidas em 2019. No entanto, a declaração reabre antigas feridas e gerou um debate que se espalhou pelas ruas, redes sociais, programas políticos e plataformas tanto do governo quanto da oposição.

Contexto geopolítico

"Acredito que haja uma conexão com a derrota estratégica no Irã, mas não apenas com isso. O que estamos vendo é algo mais profundo: uma crise de hegemonia", disse Michelle Ellner, coordenadora para a América Latina da organização CODEPINK, em entrevista à Sputnik.
A ativista explica que uma potência confiante em sua dominância prefere mecanismos de controle indiretos, e não anexações explícitas. No entanto, ela detalha que a campanha militar empreendida pelos EUA e por Israel contra o Irã representou um momento decisivo.
"Os Estados Unidos e Israel possuem uma superioridade militar esmagadora, mas mesmo assim não conseguiram impor uma rendição política total. Em tempos de relativo declínio, os impérios se tornam mais agressivos e explícitos em sua linguagem."
Assim, ela enfatiza que a nação caribenha se torna um ativo fundamental, já que "combina petróleo, uma localização estratégica e um enorme valor simbólico dentro da história da resistência latino-americana".
Por sua vez, Sergio Rodríguez Gelfenstein, especialista venezuelano em relações internacionais, enfatiza, em diálogo com esta publicação, a natureza performativa e negocial das ações do presidente dos EUA.
"Devemos entender o uso da retórica por Trump como instrumento de pressão e de força", afirma. Segundo o especialista, isso não é sinal de fraqueza, mas sim uma tática já testada, por exemplo, com o Canadá e a Groenlândia.
Tanques de armazenamento do complexo petrolífero estatal da PDVSA perto de El Tigre, cidade localizada no cinturão petrolífero da Venezuela, formalmente conhecido como Cinturão do Orinoco, em 18 de fevereiro de 2015 - Sputnik Brasil, 1920, 13.05.2026
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Entre o direito e o bom senso

Ambos os analistas concordam que as intenções de anexação delineadas na declaração do presidente dos EUA são impossíveis. Ellner recorre ao direito internacional para explicar seu ponto de vista:

"Legalmente, não existe nenhum mecanismo legal sério, seja no direito estadunidense ou no direito internacional, que permita a anexação unilateral da Venezuela como um '51º Estado'."

Ele lembra que a Constituição dos EUA contempla a criação de novos Estados, mas apenas em territórios já controlados ou por meio de processos internos, nunca por coerção contra um país soberano. Gelfenstein complementa essa visão com a história e a política interna dos Estados Unidos.
"Nunca na história dos Estados Unidos, que este ano celebra seu 250º aniversário, exceto no caso do Texas — que foi uma república por sete ou oito anos —, um estado foi incorporado aos Estados Unidos à força", explica.
O especialista acrescenta que a elite americana nunca quis incorporar territórios com língua, cultura e religião diferentes: "Não fizeram isso com Porto Rico, muito menos farão com a Venezuela".
Na perspectiva de Gelfenstein, as próprias aspirações do presidente colidem com os valores identitários que ainda mantêm a coesão do povo venezuelano.
"Não tenho dúvidas de que, diante de uma eventualidade como essa, diversos setores políticos do país, que hoje se encontram inclusive em diferentes posições políticas e ideológicas, se uniriam para rejeitar, refutar e lutar contra essa imposição."
Marinheiros da Marinha do Brasil e da França fazem exercícios durante a missão Jeanne d'Arc 2026 na Restinga de Marambaia, em Mangaratiba (RJ).  - Sputnik Brasil, 1920, 13.05.2026
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A hora da CELAC e da ONU

Ambos os analistas afirmam que, diante das declarações de Trump, é necessária uma resposta firme das organizações multilaterais.
"A ONU, a CELAC e outros organismos regionais devem reagir de forma clara e firme em defesa do princípio da soberania", afirmou Ellner, acrescentando que a América Latina, com seu histórico de golpes e intervenções, deve responder em defesa da autodeterminação, e não de um governo específico.
Por fim, ambos os especialistas concordam que o povo americano não apoia essas iniciativas expansionistas, embora por razões diferentes.
"A sociedade americana está profundamente dividida. Os setores nacionalistas veem isso com entusiasmo, mas há muita preocupação mesmo entre os setores moderados", disse a ativista. "Enquanto milhões de americanos lutam para sobreviver com a inflação, dívidas e uma crise imobiliária, sua classe política defende um orçamento militar de US$ 1,5 trilhão."
Embora Gelfenstein apoie essa posição, ela acrescenta que essa desconexão é justamente o que permite que a retórica imperial seja usada como cortina de fumaça. Ellner conclui que o americano médio "está mais preocupado com a saúde do que com a anexação da Groenlândia ou da Venezuela".