segunda-feira, 20 de abril de 2026

 

R$ 39 milhões descontados de militares foram parar no Banco Master em pouco mais de um ano

O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou transferências de R$ 39 milhões do Exército Brasileiro para o Banco Master. As movimentações ocorreram entre agosto de 2024 e outubro de 2025. O relatório do órgão foi encaminhado à CPI do Crime Organizado.

Os valores correspondem ao pagamento de empréstimos consignados contratados por militares com a instituição financeira de Daniel Vorcaro. O Banco Master foi credenciado para ofertar crédito consignado aos militares em fevereiro de 2023. A instituição cumpriu os requisitos previstos em edital, segundo informou a Força Armada. O documento detalha que os repasses eram direcionados a uma conta do Banco Master no Banco Itaú. Os montantes permaneciam por pouco tempo nessa conta. Em seguida, eram transferidos para outras contas dentro da própria estrutura do Banco Master.

O relatório aponta que esse modelo de movimentação financeira dificulta o rastreamento do destino final dos recursos. O órgão destacou sinais de concentração de recursos ordenados pelo Comando do Exército nas operações analisadas.

"Considerando o recebimento de créditos com o imediato débito dos valores, bem como concentração de recursos enviados para mesma titularidade, fazendo com que não seja possível, através desta análise, identificar se eventualmente existem outros beneficiários de valores, temos situações previstas para comunicação objetiva", diz o relatório do Coaf sobre as movimentações identificadas. O vínculo contratual entre o Exército e o Banco Master foi encerrado de forma unilateral em novembro de 2025. A rescisão ocorreu poucos dias depois que o Banco Central determinou a liquidação da instituição financeira.
"O Comando do Exército realizou a rescisão unilateral do contrato de credenciamento. Desde então, o referido banco está impedido de formalizar novos contratos de consignação", informou a instituição militar.

Em nota, o Exército esclareceu que os valores "tratam-se, exclusivamente, de repasses de valores particulares decorrentes de consignações em folha de pagamento". A Força Armada afirmou que sua participação nas operações se limitou a intermediar os descontos realizados nas folhas de pagamento dos militares e efetuar os repasses ao Banco Master.

A instituição enfatizou que não houve prejuízo aos cofres públicos nas operações identificadas pelo Coaf. "Cabe destacar que não houve qualquer perda patrimonial para o Erário ou para o Exército Brasileiro, pois os valores envolvidos são oriundos de rendimentos particulares dos militares para o pagamento de dívidas privadas", declarou.

ISTOE

 

Israel publica pela primeira vez mapa de área do sul do Líbano sob seu controle

Exército israelense continua presente no país vizinho em uma faixa de até 10 km a partir da fronteira

Mapa, de acordo com os militares israelenses, mostra a Linha de Defesa Avançada e a área em que eles estão operando no sul do Líbano.
Mapa, de acordo com os militares israelenses, mostra a Linha de Defesa Avançada e a área em que eles estão operando no sul do Líbano.  Foto: Forças de Defesa de Israel via Reuters

Os militares israelenses publicaram neste domingo, 19, pela primeira vez, um mapa de sua nova linha de implantação dentro do Líbano, colocando dezenas de vilarejos libaneses, em sua maioria abandonados, sob seu controle, dias após a entrada em vigor de um cessar-fogo com o Hezbollah.

O Exército israelense continua presente no país vizinho, enquanto aguarda negociações para um acordo entre Líbano e Israel, em estado de guerra desde 1948. Mais de 1 milhão de libaneses foram desalojados pela invasão, que, segundo Israel, tem como objetivo perseguir o Hezbollah, um grupo armado xiita aliado ao Irã.

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Estendendo-se de leste a oeste, a linha de implantação no mapa percorre de 5 a 10 quilômetros dentro do território libanês, onde Israel disse que planeja criar a chamada zona tampão.

Não houve nenhum comentário imediato das autoridades libanesas ou do Hezbollah, apoiado pelo Irã.

Pessoas empurram motocicleta em ponte bombardeada por Israel no Líbano. REUTERS/Zohra Bensemra

Cessar-fogo apoiado pelos EUA

Israel e Líbano concordaram na quinta-feira com um cessar-fogo apoiado pelos Estados Unidos nos combates entre Israel e o Hezbollah.

O acordo, que se seguiu às primeiras conversações diretas em décadas entre Israel e Líbano, em 14 de abril, tem o objetivo de permitir negociações mais amplas entre os EUA e o Irã, mas com as forças israelenses mantendo posições no sul do Líbano.

As forças israelenses destruíram vilarejos libaneses na área, dizendo que seu objetivo é proteger as cidades do norte de Israel dos ataques do Hezbollah. O país criou zonas de proteção na Síria e em Gaza, onde controla mais da metade do enclave.

“Cinco divisões, juntamente com as forças da Marinha israelense, estão operando simultaneamente ao sul da linha de defesa avançada no sul do Líbano, a fim de desmantelar os locais de infraestrutura terrorista do Hezbollah e evitar ameaças diretas às comunidades no norte de Israel”, disseram os militares em uma declaração que acompanha o mapa.

Questionados se as pessoas que fugiram dos ataques israelenses teriam permissão para voltar para suas casas, os militares israelenses não quiseram comentar.

Os civis libaneses conseguiram acessar alguns dos vilarejos que estão dentro ou além da linha estabelecida por Israel, mas as forças israelenses ainda impedem que as pessoas acessem a maioria dos vilarejos ao sul da linha, disse uma fonte de segurança libanesa.

O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse neste domingo que as casas na fronteira exploradas pelo Hezbollah serão demolidas e que “qualquer estrutura que ameace nossos soldados e qualquer estrada suspeita de (estar plantada com) explosivos deve ser imediatamente destruída”.

Mais de 2 mil mortos no Líbano

O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah abriu fogo em apoio a Teerã, provocando uma ofensiva israelense que matou mais de 2.100 pessoas, incluindo 177 crianças, e forçou a fuga de mais de 1,2 milhão de pessoas, segundo as autoridades libanesas.

O Hezbollah não divulgou seus números de vítimas. Pelo menos 400 de seus combatentes foram mortos até o final de março, de acordo com fontes próximas ao grupo.

O Hezbollah disparou centenas de foguetes e drones contra Israel. Seus ataques mataram dois civis em Israel, enquanto 15 soldados israelenses morreram no Líbano desde 2 de março, segundo Israel.

Com informações da Reuters e AFP