quinta-feira, 18 de junho de 2026

 

As suspeitas da PF sobre a propina direcionada ao senador Jaques Wagner, líder do governo Lula no Senado

A PF suspeita que Jaques Wagner recebeu um imóvel e pagamentos de propina por meio de uma empresa ligada a um de seus familiares. Segundo os investigadores, a estrutura teria sido utilizada para ocultar vantagens indevidas supostamente pagas no contexto das fraudes investigadas na Compliance Zero.

Além de mirar endereços de Wagner, os investigadores cumprem buscas em empresas e residências de Augusto Lima na Bahia, São Paulo e Brasília. Lima é ex-sócio de Vorcaro e foi o responsável por implementar no governo da Bahia, quando Wagner era governador (2007-2014), um sistema de crédito consignado para servidores públicos que posteriormente foi levado para o Banco Master. O Credcesta constituía o principal ativo financeiro do banco.

Ao todo, são cumpridos 18 mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça.

A decisão também determina medidas cautelares, entre elas a proibição de contato entre os investigados, a suspensão de passaportes e o uso de monitoração eletrônica.

 Denúncias

URGENTE! PF encontra áudios de Hugo Motta pedindo R$ 22 milhões a Vorcaro (veja o vídeo)

Uma nova revelação envolvendo as investigações do Caso Master promete aumentar ainda mais a pressão sobre figuras centrais da política nacional.

Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, a Polícia Federal identificou áudios em que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro a liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões destinado a uma empresa pertencente à sua cunhada. O episódio ocorre em meio ao avanço das investigações sobre as relações entre Daniel Vorcaro e diversas autoridades políticas, financeiras e institucionais. Segundo os relatos divulgados pela imprensa, os investigadores teriam encontrado registros que apontam para uma atuação direta de Motta na tentativa de viabilizar a operação financeira. 

O valor mencionado coincide com uma operação já revelada anteriormente, na qual Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta, obteve junto ao Banco Master um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões para aquisição de uma extensa área em João Pessoa, na Paraíba. À época, a empresária afirmou que o contrato foi celebrado dentro das condições normais de mercado e mediante garantias compatíveis com a operação. 

A existência dos áudios, contudo, adiciona um elemento novo e potencialmente explosivo ao caso. Se confirmada a autenticidade e o conteúdo atribuído às gravações, o foco da discussão deixa de ser apenas a concessão do empréstimo e passa a incluir a eventual participação direta de uma das principais autoridades da República na negociação. 

O caso ganha relevância ainda maior porque o Banco Master se encontra no centro de uma das maiores investigações financeiras dos últimos anos, envolvendo suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro, influência política e possíveis relações impróprias entre agentes públicos e privados. 

Até o momento, não há informação pública sobre eventual indiciamento de Hugo Motta relacionado a esse episódio específico. Também não foram divulgados detalhes integrais dos áudios mencionados nas reportagens. O conteúdo, entretanto, já provocou forte repercussão nos bastidores de Brasília e deve ampliar a pressão para que novas explicações sejam apresentadas. factripple.com

Se os investigadores conseguirem comprovar o contexto e o alcance das conversas, o episódio poderá se transformar em mais um capítulo de alto impacto dentro do escândalo que continua produzindo desdobramentos praticamente semana após semana.


 

Zambelli será julgada de novo em julho e ainda não escapou de ser extraditada

O que a Justiça italiana alegou na decisão sobre Zambelli | G1

Zambelli venceu a primeira batalha, mas ainda falta a final

Carlos Newton

Como se sabe, a Corte de Cassação da Itália, que equivale ao Supremo brasileiro, negou o primeiro pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli (PL-SP), no caso da condenação por hackear o sistema do Conselho Nacional de Justiça, mas isso não significa que ela tenha escapado da ameaça de extradição, para cumprir pena no Brasil.

O tribunal romano deve pautar para início de julho o julgamento do segundo pedido brasileiro de extradição, referente à condenação da então deputada a cinco anos e três meses de prisão semiaberta, por porte ilegal de arma e perseguição a um jornalista que a assediara.

FRACASSO INICIAL – O primeiro pedido de extradição foi realizado pela Justiça do Brasil com base na condenação de Zambelli por um ato verdadeiramente infantil e ridículo, ao contratar o hacker Walter Delgatti Neto para invadir o sistema do Conselho Nacional de Justiça e introduzir dados falsos, com uma “ordem de prisão” contra o ministro Alexandre de Moraes.

O objetivo era desmoralizar a Justiça e as urnas eletrônicos, mas falhou, porque o hacker foi descoberto, preso e dedurou Zambelli, que acabou pegando dez anos de reclusão em regime fechado e perdeu o mandato parlamentar. Foi mais um exagero penal bem ao estilo de Alexandre de Moraes.

No entanto, o relator do Supremo foi complacente ao julgar o hacker, que já está até solto, embora fosse reincidente e culpado pela desativação da Lava Jato, maior operação anticorrupção já feita no mundo.

JUIZ E VÍTIMA – A Corte de Cassação da Itália não autorizou a extradição, porque Moraes tinha sido vítima do crime, devido à inserção da falsa da ordem de prisão contra ele no sistema do CNJ. Portanto, era vítima e jamais poderia ter participado do julgamento

A decisão do tribunal romano é uma lição básica de Direito ministrada ao Supremo. Todo magistrado tem de se declarar suspeito e não pode participar de julgamento em que tenha sido vítima ou tenha ligação com algumas das partes ou seus defensores.

Os ministros brasileiros, porém, faltaram a essas lições na faculdade, estão pouco ligando para suspeições e julgam até processos defendidos por seus parentes,  esculhambando por completo o famoso Direito Romano.

NOVO JULGAMENTO – Agora, Zambelli vai a novo julgamento, em que há maior probabilidade de ser aceita sua extradição para o Brasil. Desta vez, estará em exame a condenação a cinco anos e três meses de prisão semiaberta, por porte ilegal de arma e perseguição a um jornalista que a molestara.

Carla Zambelli possuía registro e autorização de porte federal de arma de fogo, mas essa licença foi suspensa pelo Supremo em 2022. Desta vez, a possibilidade de extradição é maior, mas não se pode prever o comportamento dos ministros italianos.

Tudo vai depender da habilidade do defensor de Zambelli. O advogado deve mostrar que o jornalista Luan Araújo assediava a deputada e chegou a ser preso pelo não pagamento de uma multa referente a um processo de difamação movido pela então parlamentar paulista.

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P.S.
Não há dúvida de que Carla Zambelli errou duplamente – primeiro, ao contratar o hacker; e depois, ao perseguir o jornalista portando uma arma. Seu comportamento foi deplorável, mas não devia ser caso de perda de mandato, apenas de suspensão. Na verdade a questão central é sempre a mesma, causada pelo excesso de rigor do ministro Moraes, que impõe punições verdadeiramente absurdas. E isso parece que não vai acabar tão cedo. (C.N.)