sábado, 19 de setembro de 2026

 

Ala da corrupção era majoritária no STF, até Dias Toffoli abrir uma brecha enorme

Tribuna da Internet | BC desconfia da acareação de Toffoli e pede  revogação, mas ele nega

Charge do Kacio (Arquivo Google)

Carlos Newton

Provocada pela negligência e pela desídia de sucessivos governos federais, a crise do Supremo Tribunal Federal tornou-se verdadeiramente surrealista, a ponto de haver cada vez mais apoio à criação de um Código de Ética. É uma necessidade absolutamente patética, porque o STF é justamente o órgão destinada a preservar o primado da ética no país.

Fica realmente esquisitíssimo que, para fazer esse trabalho ético, o Supremo tenha de primeiro aprovar um código interno. Significa uma tenebrosa declaração de incompetência institucional, lavrada em cartório, com firma reconhecida e selo carimbado.

OS CULPADOS – É claro que foram os próprios ministros que tornaram surreal a Suprema Corte, ao se empenharem num processo demorado de progressiva desmoralização, que começou quando os presidentes da República passaram a desconhecer a imperiosa necessidade de respeitar os requisitos de notório saber e reputação ilibada.

O Senado, é claro, também foi culpado por essa supremo esculhambação, porque aprovou os falsos juristas indicados por sucessivos presidentes da República que tinham caráter pouco republicano.

Foi o que bastou. Ora, quem tem notório saber e reputação ilibada, consequentemente também possui vergonha na cara, como dizia o jornalista e historiador Capistrano de Abreu. Ou seja, juristas de verdade jamais descumpririam as leis nem permitiriam que a mulher ou os filhos abrissem, de forma oportunista, escritórios de advocacia em Brasília, como virou moda nos últimos anos.

CRISE DO CELULAR – A atual brigalhada foi causada pela recente revelação de outras mensagens entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes. A quebra de um sigilo que jamais deveria ter existido provocou essa encrenca toda e teve um efeito altamente benéfico, porque revelou a existência de duas bancadas no Supremo  – a ala da corrupção e a ala da ética.

A bancada da corrupção é liderada por Gilmar Mendes, que desta vez perdeu todas as estribeiras e trocou mensagens desairosas e ameaçadoras com os ministros Nunes Marques e Luiz Fux, pressionando-os a segui-lo nas votações. Conseguiu até amordaçar Marques, que se absteve na sessão de terça-feira, mas Fux foi mais incisivo e partiu para o confronto.

A ala que defende a corrupção é formada por Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Dias Toffoli e Cristiano Zanin, enquanto a ala ética é liderada por Édson Fachin e integrada por Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, que já sentiu o peso da prepotência de Gilmar e agora quer distância dele

###
P.S. 1
Gilmar Mendes é um gigante que influenciava os demais ministros de uma forma hábil e efetiva. Desta vez, porém, extrapolou todos os limites, ao pressionar de maneira ofensiva Nunes Marques e Luiz Fux. Dizem que estava de porre, ninguém sabe. O fato é que ele perdeu o controle e deixou provas rastreáveis, que a repórter Carolina Brígido, do Estadão, trouxe a público nesta sexta-feira, desnudando o ministro em público.

P.S. 2 – Com Dias Tofolli impedido pelas burrices cometidas e com o voto duplo de Fachin, assegurado pelo Regimento (Artigos 13 e 146), pela primeira vez a bancada da ética ficou em maioria e o Supremo enfim poderá se libertar e se recuperar. E tudo isso está acontecendo graças a André Mendonça, que soube o momento certo de se rebelar. (C.N.)  

 

Fux e Mendonça recebem a íntegra dos celulares e a crise do STF vai se agravar

Celular de Vorcaro @ismecio_charges #audios #metrópoles #estadao #jovempan  #veja Compartilhe, comente, salve, curta

Charge do Ismecio (Arquivo Google)

Ana Pompeu, Anna Júlia Lopes e Luísa Martins
Folha

A Polícia Federal enviou nesta quinta-feira (17) a íntegra dos dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, aos ministros André Mendonça e Luiz Fux, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Os pedidos dos ministros à PF para que tivessem acesso ao material foram divulgados pelo portal de notícias Metrópoles e confirmados pela Folha.

SEM SIGILO – Além de Fux e Mendonça, os dados também foram enviados a Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes. Somado a eles, o ministro Kassio Nunes Marques também deve solicitar o acesso.

O pedido de Fux foi feito um dia depois de virem a público mensagens encontradas no celular de Vorcaro em que o ex-banqueiro e o filho do ministro, o advogado Rodrigo Fux, mostram uma relação de proximidade.

Também revelados na terça (15), diálogos do empresário tratam de pagamentos que seriam destinados ao advogado Kevin Marques, filho de Kassio.

PEDIDO DE ZANIN – Os ministros da corte passaram a ter acesso às informações do celular de Vorcaro na íntegra após pedido de Zanin a Mendonça. Este, então relator do caso Master, contudo, se manifestou contra a liberação dos dados.

Na ocasião, Mendonça defendeu que disponibilizar o acesso a todo o conteúdo poderia comprometer as investigações envolvendo o Master.

Após o pedido de Zanin, o decano da corte, Gilmar, também fez a mesma solicitação. O ministro pediu ao presidente do STF, Edson Fachin, para que todos os ministros tivessem acesso ao material.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Chegou a hora da verdade, porque está acabando essa mania de sigilo, que vem protegendo Alexandre de Moraes e outros ministros que está costeando o alambrado, como diz Leonel Brizola. É inacreditável que o próprio Mendonça, como relator, não tivesse aceso a todas as informações. O fim do sigilo é uma dádiva para os brasileiros, que agora podem saber quase tudo sobre as pilantragens que ocorrem no Supremo.  Com o fim do sigilo, o plenário vai assistir a novas cenas da brigalhada, em todas as sessões. (C.N.)

 

Por que o México não está na 'lista negra' do narcotráfico dos EUA da qual a Venezuela saiu?

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, segura uma bandeira do México na comemoração do Dia da Independência do país, em 15 de setembro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 18.09.2026
Depois de 20 anos, o governo dos Estados Unidos decidiu retirar Caracas da lista de países que não cooperam na luta contra o narcotráfico, apenas algumas semanas depois de ter sido anunciada a assinatura de um possível acordo petrolífero entre ambas as nações.
A decisão também ocorre meses após o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, a quem Washington acusou de liderar uma rede de tráfico de drogas e uma organização criminosa chamada Cartel dos Sóis — a mesma que, posteriormente, as autoridades dos EUA negaram a existência.
Com essa ação, restaram quatro países na chamada "lista negra", incluindo o Brasil e a Colômbia. Este último, segundo o governo estadunidense, pode sair do ranking com a eleição do novo presidente, Abelardo de la Espriella, aliado do presidente dos EUA, Donald Trump.
Apesar da narrativa insistente sobre a conivência do crime organizado com governos da América Latina, a Casa Branca não incluiu o México neste rol, embora não considere que o país governado por Claudia Sheinbaum esteja fazendo o suficiente em matéria de segurança.
No mesmo dia em que o México comemorava o 216º aniversário do início da guerra de independência, Washington enviou uma determinação presidencial ao Congresso, na qual o Departamento de Estado reconhecia os esforços da atual administração do país latino-americano para reduzir o tráfico de drogas.
No entanto, apesar de destacar que a fronteira entre ambas as nações "é a mais fechada e segura da história dos EUA", a nação norte-americana declarou que os esforços que o México tem feito "são insuficientes para sustentar e expandir suas campanhas contra os narcoterroristas".

Em busca da subordinação

Em entrevista à Sputnik, o doutor em estudos latino-americanos Aníbal García Fernández opinou que a decisão de retirar a Venezuela da "lista negra" evidencia que o interesse dos EUA não está centrado numa questão de segurança, mas numa questão geopolítica, com ênfase particular nos recursos naturais.
Ele, que também integra o Observatório Lawfare, afirmou que o narcotráfico foi um pretexto para "destruir um projeto de nação soberano que se afastava da geopolítica norte-americana" e que participava na "construção de um mundo cada vez mais multipolar".

"O que lhes interessava era nada mais nada menos que o petróleo. Grande surpresa para alguns, para outros não é tanto, porque desde logo sempre dissemos e soubemos que o interesse por trás de toda esta estratégia mediática, judicial, política, militar era precisamente ter o controle das reservas [de crude]", comentou.

Para García Fernández, esta é uma estratégia que tem sido usada há décadas no contexto do combate contra as drogas, a qual tem servido como desculpa para interferir em países que não se alinham com os interesses políticos e ideológicos de Washington.

"A guerra contra o narcotráfico nos EUA dura há mais de 50 anos, desde [Richard] Nixon […]. Nem baixou o tráfico de estupefacientes para [solo norte-americano]; continua a ser o principal país consumidor de droga e centro de lavagem de dinheiro a nível internacional. Muito desse [crime] provém dos grupos do narcotráfico", recordou.

O investigador destacou que o México não foi incluído na lista de países que não cooperam na luta contra o narcotráfico, já que, apesar das críticas, existe colaboração de alto nível entre ambas as nações. Atualmente, o México faz parte apenas da lista de países que servem como trânsito ou centros de produção de drogas, junto a outros 22, entre eles China, Afeganistão, Equador, El Salvador, Índia, entre outros.
Para García Fernández, essa ambivalência faz parte de uma estratégia para minar a participação de potências estrangeiras como a China na América Latina, apropriar-se de recursos naturais e incentivar o complexo militar-industrial norte-americano.

"Isso vamos ver já em vários países. De fato, acontece no caso da Argentina, que comprou aviões-sucata [que datam] da década de 80. Observa-se, por exemplo, na Colômbia, que também já começou a fazer esse tipo de declarações, e assim se vive no caso do Equador, que se converteu, com o governo de Daniel Noboa, numa base militar", declarou o investigador.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, durante entrevista coletiva em novembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 16.01.2026
Panorama internacional
'O consumo está lá': presidente do México pede que EUA façam sua parte no combate às drogas
Nesse contexto, o atual governo dos EUA está usando o sistema de justiça norte-americano para alimentar narrativas que minem a unidade política de um país, cujas diretrizes vão contra os seus interesses.
Ao comentar as declarações do governo Trump, a mandatária mexicana, Claudia Sheinbaum, respondeu que o país latino-americano questionou o trabalho e os resultados que o vizinho do norte tiveram para diminuir o consumo de estupefacientes.

"O que estão fazendo com o consumo [de drogas nos Estados Unidos]? Porque, da nossa perspectiva, é uma questão de saúde pública, de atenção aos jovens. Historicamente, tem havido uma visão de que se produz droga aqui para levar para os Estados Unidos, e há que trabalhar para que isso não aconteça. Mas o que acontece com quem consome lá?", questionou em coletiva de imprensa.

 Lula lidera gastança em campanha presidencial: R$65,6 milhões

 

Além da chamativa gastança na gestão do País no terceiro mandato, o presidente Lula (PT) lidera o ranking de gastos na campanha eleitoral deste ano, até agora. Para tentar se reeleger, o petista já torrou mais de R$65,6 milhões, segundo dados da Justiça Eleitoral. Flávio Bolsonaro (PL) aparece atrás, com R$56,1 milhões. A lista segue com Ronaldo Caiado (PSD), R$ 24,2 milhões, Romeu Zema (Novo), R$4,1 milhões; e Renan Santos (Missão), R$1,2 milhão fechando o clube dos milionários

Anônimos gastadores

Pouco conhecidos, Clariana Barão (DC) e Hertz Dias (PSTU) torraram, respectivamente, R$998,5 mil e R$975,1 mil.

Gastam sem dó

Veterinário Wilson Grassi (Democratas) já gastou R$768,7 mil. Samara (UP), outros R$642,9 mil. Mais que Augusto Cury (Avante), R$292,6 mil.

Lanterna da gastança

A lista segue com Edmilson Costa (PCB), com R$18,3 mil. Rui Costa Pimenta (PCO), uma merreca, gasto com taxa de vaquinha, R$137,30.

Nada a declarar

Pablo Marçal ou Leonardo Avalanche, que substituiu o colega no PRBT, não têm gastos registrados com campanha no Tribunal Superior Eleitoral.

Ministros do STF, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. (Foto: Rosinei Coutinho/STF).

Em outros tribunais, (às vezes) crimes são punidos

Fora do Supremo Tribunal Federal, alguns casos contra magistrados chegaram à fase de punições, no Brasil. No segundo tribunal mais importante do País, o Superior Tribunal de Justiça, três ministros já foram punidos desde 1988; Vicente Leal, acusado de venda de habeas corpus, Paulo Medina, aposentado compulsoriamente pela suspeita de venda de decisões, e mais recentemente Marcos Buzzi, afastado após denúncias de assédio sexual. Em instâncias inferiores, punições são mais comuns.

Demora

No TJ da Bahia, a Operação Faroeste (2019) afastou desembargadores, mas ainda não há condenação transitada em julgado.

Sem fim

No Tribunal Regional do Trabalho do Rio, três desembargadores da Op. Mais Valia foram condenados a prisão pelo STJ. Cabe recurso.

Em andamento

No Maranhão e Mato Grosso do Sul, operações de 2024 renderam afastamentos e processos administrativos, ainda sem conclusão.

Poder sem Pudor

Oficinas não voam

Afonso Arinos de Melo Franco era ministro das Relações Exteriores de João Goulart e tinha pavor de avião. Certa vez, ao concluir visita a Portugal, ele se despediu do presidente anfitrião, Américo Tomás, que tocou no assunto: “O senhor gosta de avião?”, perguntou. “Não muito, excelência...”. Ao invés de tranquilizar o chanceler brasileiro, Tomás fez um comentário que o atormentaria durante todo o percurso de volta: “É, enquanto eles voam lá em cima, as oficinas continuam cá embaixo...”. Afonso Arinos morreu falando mal de Américo Tomás.

Circo de tristeza

O senador Rogério Marinho (PL-RN) definiu a sessão do STF que deveria julgar se Alexandre de Moraes de Moraes será investigado como “um verdadeiro circo e os palhaços foram a sociedade brasileira”.

No tapetão

Para tentar barrar candidatura de Deltan Dallgnol (Novo) ao Senado, já deferida pela Justiça Eleitoral do Paraná, o PT recorreu ao TSE, “Gleisi quer ganhar no tapetão”, conclui o ex-procurador da Lava Jato.

Grana preta

Já passa de R$700 mil a grana apreendida pela Polícia Civil sob custódia de Milton Leite (União Brasil). O ex-presidente da Câmara Legislativa de São Paulo foi preso suspeito de ter envolvimento com a facção PCC.

Flor em cana

A ex-deputada Flordelis teve mais uma derrota na justiça. Desta vez, foi no Superior Tribunal de Justiça, que manteve a condenação da ex-parlamentar a 50 anos de prisão pela morte do marido.

Frase do dia====“Sempre à disposição”

Benedito Gonçalves, ministro do STJ, em cordial mensagem a Daniel Vorcaro, do Master

Flávio acelera

Flávio Bolsonaro (PL) atingiu a maior vantagem contra Lula nas apostas no exterior, registra a plataforma Polymarket. O liberal chegou aos 54,8% de probabilidade implícita de vitória, contra 42,5% do petista.

Livres do xadrez

A partir de hoje (19), candidatos que disputam as eleições deste ano não poderão ser presos ou detidos, conforme previsão do Código Eleitoral. Prisões ou detenções só poderão ocorrer em casos de flagrante delito.

Agenda no Sul

Flávio Bolsonaro vai dedicar as agendas deste sábado (19) para compromissos em Santa Catarina. São dois comícios. Pela manhã, em Joinville e, na parte da tarde, o candidato segue para Chapecó.

Previsões no passado

A duas semanas da eleição de 2014, Datafolha e o agora extinto Ibope previam que Dilma (PT) e Marina Silva (então no PSB) disputariam o segundo turno. Na previsão desses institutos, Aécio Neves (PSDB), que acabou 12 pontos à frente de Marina, seria apenas terceiro colocado.

Pensando bem…

…a partir de hoje candidatos se equiparam a integrantes de certas Cortes: não podem ser presos.