quinta-feira, 17 de setembro de 2026

 

“A impunidade da corrupção” | Por Luiz Holanda

Segundo o jornalista Carlos Newton, um dos ícones da imprensa brasileira, o debate que poderia afastar e investigar o ministro Alexandre de Moraes por acusação de advocacia administrativa (vender “proteção” ao banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, do Master), foi adiado devido ao apoio de Gilmar Mendes, Flávio Dino, Dias Toffoli, Cristiano Zanin e Nunes Marques, que estão na mesma situação de quem tenta salvar um acusado de corrupção como Alexandre de Moraes. Isso faz com que todos se igualem. Embora tenham maioria no plenário, acabaram perdendo uma votação praticamente ganha.

Em um dos seus artigos, cujo título é “A Ala da corrupção até quis salvar Moraes, mas ele virou um morto vivo no Supremo”, o autor diz que “apesar de ter conseguido postergar o inevitável afastamento, Moraes já é um ministro desclassificado, que carrega um carimbo de corrupto na fronte luzidia e precisa ter uma vida reclusa, sem aparecer em público, pois está sob ameaça de ser vaiado até mesmo em velório de madre-superiora. Ele já vinha sofrendo e pagando os pecados desde a revelação das primeiros mensagens no celular e do contrato que ele redigiu para a mulher assinar, quando conseguiu transformar em cúmplices os membros de sua própria família. Agora, o sofrimento é mais intenso, demorado e coletivo”.

Realmente o Brasil assistiu um festival de baixaria promovido por Moraes e pelo decano, ministro Gilmar Mendes, que a imprensa afirma ter incentivado o presidente Lula a orientar a PF a não cumprir ordens de André Mendonça consideradas ilegais ou excessivas. A baixaria foi tanta que a TV Justiça, que transmitia ao vivo o julgamento, foi obrigada a restringir a transmissão para que os telespectadores não tomassem conhecimento do nível a que chegaram as discussões nada republicanas.

Quando houve bate-boca, por exemplo, entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes, que são os dois principais antagonistas no tribunal, enquanto era possível ouvir a barulhada da briga, as câmeras se voltaram para o presidente do STF, Edson Fachin, que tentava apaziguar os ânimos. Segundo Newton, quem mais perde nessa história é o ministro Alexandre de Moraes, que terá de comparecer ao Supremo onde já se tornou uma persona non grata, enquanto as investigações prosseguem e vazam, destruindo cada vez mais sua falsa imagem de salvador da democracia.

O debate girava em torno de um relatório da PF que expôs mensagens associadas ao ministro e ao banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Os críticos de Moraes o apontam como um grande utilizador do cargo para ganhar dinheiro, enquanto seus aliados afirmam que as acusações são infundadas e possuem motivação estritamente política. A corrupção no Brasil é coisa comum. Existe nos três Poderes da República, com predominância atual no STF, onde alguns ministros, segundo a imprensa, ficaram ricos depois que assumiram o cargo. Diferentemente do que ocorreu no Chile, aqui eles jamais serão punidos.

Lá, três ministros da Suprema Corte chilena foram afastados ou destituídos dos cargos entre outubro de 2024 e dezembro de 2025 devido a escândalos de corrupção, tráfico de influência e quebra de probidade. A primeira foi Àngela Vivanco, destituída inicialmente pelos próprios colegas do tribunal após acusação constitucional (impeachment) no Congresso. Ela foi acusada de conexões impróprias com o caso de suborno do advogado Luis Hermosilla, e acabou sendo presa no início deste ano sob acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O outro foi Sérgio Munoz, destituído pelo Senado chileno após ser acusado de usar informações privilegiadas em benefício da filha em uma negociação imobiliária. E o último foi Diego Simpertigue, destituído pelo Senado em dezembro de 2025, após denúncias de viagens de luxo e recebimento de benefícios ligados a empresas beneficiadas por decisões judiciais. Penas: perda do cargo. Inabilitação e prisão. No caso do STF, nada acontecerá com os acusados. Além de oficializada, institucionalizada e garantida, a corrupção sempre será legal, face as brechas das leis e do corporativismo institucional.

O Estado brasileiro foi capturado pela corrupção. Grupos de interesse de grande poder econômico conseguiram corromper alguns ministros, moldar as leis, decretos, políticas públicas e o ambiente regulatório do país a seu favor. Sob essa ótica, os atos de favorecimento são oficializados, garantidos e impunes, pois passam a constar formalmente na legislação criada sob encomenda e, consequentemente, pelas decisões de nossos tribunais.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário. 

 

Piada do Século! Moraes acha que não será investigado e expulso do Supremo

Charge 24/12/2025

Charge do Marco Jacobsen (Arquivo Google)

Carlos Newton

É impressionante a arrogância de Alexandre de Moraes, que insiste em acreditar que não será investigado, julgado e expulso do Supremo Tribunal Federal. Do alto de prepotência que a soberba constrói, ele se julga acima de tudo, inatingível e inabalável.

Tornou-se assim uma figura grotesca, cuja importância não existe mais, sua imagem está absolutamente emporcalhada, mas ele continua, sentado naquela cadeira e dando ordens, como se fosse um Napoleão de hospício, treinando ordem unida com os pacientes.

VINGANÇA – Como Moraes alega ser jurista, deveria conhecer o ditado latino “Gloria mundi brevis est”, ou seja, a glória do mundo é passageira.  Enquanto durou sua temporada de glória, ele ultrapassou os limites processuais, interpretou criminosamente as leis e fez mal a muitas pessoas.

Como dizem os orientais e espiritualistas, agora ele está cumprindo seu karma, sem conseguir dormir, sem ter alegria nem motivos para levantar o ânimo. Pode fingir o quanto quiser, mas seu desempenho como ator será sempre é de canastrão, não adianta bancar o ministro, porque todos sabem que ele está acabado judicialmente.

Sua mais recente performance foi bizarra e patética, digna de ator de chanchada da Atlântida. Ele simplesmente recorreu ao STF pedindo que André Mendonça seja investigado por permitir a atuação de suposto infiltrado “estrangeiros” na Polícia Federal. Foi algo tão grotesco e ridículo que ninguém riu, ninguém disse nada, certamente ficaram com pena dele.

EM DISCUSSÃO – O pior é saber que essa hilariante denúncia será discutida na próxima sessão plenária, dia 23, como se a acusação tivesse algum fundamento, a não ser a desesperada imaginação criativa de um ministro que alegava ter salvo a democracia e havia quem acreditasse nele.

No recurso, Moraes teve a ousadia de afirmar que o relatório da PF que o incrimina é uma “vingança” à sua atuação como relator das ações que julgaram os integrantes do movimento golpista de 2022.

“Houve total quebra da cadeia de custódia, inclusive com relatório não realizado integralmente na Polícia Federal, mas sim com auxílio de órgão externo, provavelmente órgão estrangeiro, demonstrando clara tentativa de interferência externa nas eleições brasileiras de 2026, ao tentar incriminar o Juiz relator das ações julgadas pela Primeira Turma contra a organização criminosa que tentou dar um Golpe de Estado no Brasil, abolindo o Estado Democrático de Direito”, disse Moraes, histrionicamente, ao pedir que Mendonça também seja investigado.

P.S. 1 – Agora, a bancada da corrupção alega que o resultado de 4 a 4 significa vitória de Moraes, mas isso não é verdade. O Regimento do STF é claro. Em todas as questões nas quais não pode haver empate, porque ocorreu suspeição de ministros, existe o voto de qualidade, seja em processo criminal ou administrativo. Juristas que defendem tese contrária estão distraídos ou exageraram na dose de uísque ou de Rivotril,

 P.S. 2 – Esta é a realidade da situação atual do Supremo, cujo plenário se reúne quarta-feira para julgar a lunática denúncia de Moraes sobre a PF. Ele continua se fingindo de ministro e ninguém ainda teve coragem de chamar a ambulância psiquiátrica para conduzi-lo a tratamento. É preciso reconhecer que Moraes não está bem e necessita de recuperação. Aliás, o Supremo tem um excelente plano de saúde e não falta dinheiro à família Moraes, que pode até preferir tratá-lo no exterior, mas não deve levá-lo aos Estados Unidos, onde ele não pode entrar, porque a ficha dele já está muito suja. (C.N.).

 Direito e Justiça

Gilmar faz novo ataque e Mendonça reage imediatamente e de maneira desmoralizante


O ministro Gilmar Mendes iniciou o dia disparando novos ataques públicos contra o ministro André Mendonça. Em nota divulgada nesta quinta-feira (17), Gilmar utilizou termos agressivos, como “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”, para criticar a atuação do colega.

A manifestação de Gilmar Mendes ocorreu em reação à decisão de Mendonça de retirar o sigilo de investigações que envolvem o procurador-geral da República, Paulo Gonet. O decano acusou o colega de agir com “finalidade política” e comparou seus métodos aos de fases anteriores da Operação Lava Jato, questionando publicamente a imparcialidade do magistrado.

A conduta do decano de transferir divergências jurídicas para o campo das ofensas pessoais gerou imediato repúdio.

Em resposta oficial emitida por seu gabinete, o ministro André Mendonça rebateu duramente as declarações de Gilmar Mendes, evidenciando o desgaste provocado pelo comportamento do decano. Sem citar o nome de Gilmar diretamente, a nota de Mendonça criticou ministros que transformam o plenário em “palanque ou picadeiro” e que tentam “mascarar com truculência ilações vazias”.Volkswagen

A defesa de Mendonça ressaltou que sua atuação seguiu estritamente as regras processuais e sugeriu que o Supremo necessita de um código de ética rigoroso para conter a “verborragia” e assegurar o respeito mútuo entre os integrantes da Corte. Críticos internos avaliam que a insistência de Gilmar Mendes em desqualificar seus pares publicamente enfraquece a credibilidade institucional do próprio tribunal.