quarta-feira, 15 de abril de 2026

 

“Bets” de Haddad são um escândalo que poderá prejudicar a reeleição de Lula

Charge do Orlando (Arquivo Google)

Carlos Newton

Não bastassem as preocupações dos principais assessores do presidente Lula da Silva com a ligação entre o governo  e alguns ministros do STF, em meio às denúncias de corrupção e de fraudes no INSS e na derrocada do Banco Master, surgiu agora um novo alerta: a regulamentação das bets, promovida pelo ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Essa iniciativa, realizada a pretexto de turbinar a arrecadação federal em alguns bilhões de reais com o produto da jogatina, vem sendo interpretada pela população como apoio da administração pública a jogos de azar. 

DINHEIRO DO POBRE – Nessa operação de apostas descontroladas, com a expressiva participação de grupos e cassinos estrangeiros, não há diversão nem responsabilidade social, resultando apenas na perda de dinheiro do programa Bolsa Família, que reduz as compras de alimentos e remédios, sem esquecer a ludopatia, o devastador vício que arruína a saúde dos apostadores e a convivência familiar, com endividamento definitivo, sem recuperação judicial.

Lula já sentiu que nada tem a ganhar com essa liberalidade da Secretaria de Prêmios e Apostas, vinculada ao Ministério da Fazenda, e já externou  desconforto com a enrascada em que se meteu ao sancionar a Lei 14.790/2023, fazendo pouco da ainda vigente Lei das Contravenções Penais.

Em entrevista no último dia 8, Lula defendeu a proibição dos jogos de apostas online. Mas, para escusar-se de responsabilidade, disse que a decisão depende também do Congresso. E frisou que, se pudesse agir sozinho, sem depender dos deputados e senadores, “as bets seriam banidas. Não é possível a gente continuar com essa jogatina desenfreada no Brasil”.

“INVESTIMENTOS” – A solução, porém, não é tão simples como imaginado por Lula. Para operar essa modalidade de aposta fixa, grupos internacionais que mantêm sites de jogos e cassinos na Europa, América e África pagaram à Receita Federal R$ 30 milhões por cada outorga recebida e para tanto se coligaram com empresas brasileiras de jogos. Só neste item, o fisco nacional faturou perto de R$ 3 bilhões.

Caso as bets sejam banidas, quem devolverá essa fortuna aos investidores que aqui desembarcaram e estão devastando as economias de mais de 30 milhões de apostadores que só perdem?

Dados oficiais apontam que em 2024 as bets tomaram cerca de R$ 200 bilhões dos brasileiros, capturados por insistente e pouco ética propaganda na TV, especialmente na Globo.

BOLSA FAMÍLIA – Oportuno artigo do jornalista Fernando Castilho, no UOL, revela que o Ministério do Desenvolvimento Social identificou não só a transferência de quantias bilionárias do Bolsa Família para as bets, mas também que as mulheres que têm o controle do recebimento do Bolsa Família passaram a representar 37% do total de apostadores no país, considerando-se apenas as casas esportivas legalizadas.

Lula prometeu agir rápido, pois acredita que o dito endividamento das famílias (80,45%), que em março tinham alguma dívida a vencer ou já estavam inadimplentes, é reflexo da decisão de apostar.

Para o candidato à reeleição que está com os concorrentes nos calcanhares, o cenário mudou radicalmente com a popularização das apostas online. “O cassino entrou dentro de casa da gente, para crianças de 10 anos pegar o telefone do pai e jogar com essa quantidade de bets que foram criadas aí, que estão tomando conta do futebol, tomando conta da publicidade e tomando conta da corrupção desse país”.

TRATAMENTO NO SUS – A situação é tão grave – epidêmica, mesmo – que o Ministério da Saúde lançou o Guia de Cuidados para Pessoas com Problemas Relacionados a jogos de Apostas, programa que orienta profissionais do SUS no acolhimento e tratamento das pessoas afetadas pela ludopatia, conforme esclarecimento prestado pelo Setor de Comunicação do próprio PT.

O fato concreto é que a publicidade intensa, que enriquece as TVs, especialmente a Globo, estimula o consumo contínuo do produto destruidor de famílias e causador de endividamento irreversível. Porém, o então ministro Haddad não pensou nisso quando abriu a guarda para viciar o povo, em troca de um punhado de dólares.

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P.S –
 O arrependido Lula é o principal culpado. Foi ele quem sancionou a lei das bets e deu vida a uma legislação que dificulta ações de restrição e de impedimento de apostas.  O faturamento das bets é tão atraente que a Organização Globo, maior grupo de comunicação do Brasil, já se associou nessa empreitada a um dos maiores exploradores de cassino dos Estados Unidos e juntos operam a Bet MGM. Os filhos de Roberto Marinho não têm escrúpulos e são viciados em ganhar dinheiro, não importa a origem. (C.N.)


MÉDICOS SEM FRONTEIRAS

 Escalada do conflito no Oriente Médio: MSF adapta atividades e se prepara para 

ampliar

 ajuda

Organização monitora necessidades humanitárias e mobiliza equipes e suprimentos no Irã, no Líbano e em países vizinhos

  • Escalada do conflito no Oriente Médio: MSF adapta atividades e se prepara para ampliar ajuda
©Sebastian Bolesch

Médicos Sem Fronteiras (MSF) está alarmada com a dramática escalada do conflito em toda a região do Oriente Médio, após os ataques das forças americanas e israelenses no Irã e as subsequentes ações de retaliação do Irã em diversos países. MSF está adaptando suas atividades para responder à situação e monitora de perto as necessidades humanitárias que evoluem rapidamente.

Em toda a região, a escalada da violência trouxe medo para milhões de pessoas. Os bombardeios continuam em diversas cidades e vilarejos, muitas vezes atingindo áreas densamente povoadas, e o número de vítimas está aumentando. MSF pede a proteção de civis, hospitais, unidades de saúde e outras infraestruturas essenciais.

Os últimos ataques e as ordens de evacuação para quase todo o sul do Líbano estão forçando ainda mais pessoas a fugir. E não há nenhum lugar seguro para onde ir.”

Francesca Quinto, coordenadora de projetos de MSF

No Líbano, milhares de pessoas foram deslocadas. “A escalada do conflito ocorre após 15 meses de um ‘acordo de cessar-fogo’ que nunca trouxe segurança real para a população libanesa”, afirma Francesca Quinto, coordenadora de projetos de MSF. “Os últimos ataques e as ordens de evacuação para todos os subúrbios do sul de Beirute e para quase todo o sul do país estão forçando ainda mais pessoas a fugir. E não há nenhum lugar seguro para onde ir.”

Para muitas pessoas no sul do Líbano e em outras áreas do país, as ordens de evacuação significam reviver o trauma do deslocamento. “Famílias que estavam começando a se recuperar lentamente dos combates anteriores estão sendo obrigadas a deixar suas casas. Algumas ficaram presas nas estradas com crianças, parentes idosos e familiares doentes, enfrentando condições extremamente difíceis”, alerta Quinto.

Nossas equipes no Irã e no Líbano estão, até o momento, em segurança. MSF monitora os desdobramentos da crise e avalia como prestar apoio às pessoas afetadas. A organização também conta com suprimentos médicos em ambos os países, prontos para serem enviados.

Antes de 28 de fevereiro, quando a escalada do conflito começou, MSF mantinha três projetos no Irã, fornecendo assistência médica essencial a pessoas em situação de vulnerabilidade – incluindo 6 mil consultas médicas por mês, além de cuidados obstétricos, triagem e tratamento para doenças infecciosas e apoio de saúde mental. Mesmo com os ataques aéreos e o bloqueio das comunicações, MSF conseguiu, até o momento, dar continuidade a algumas atividades. No entanto, receber informações das equipes têm sido extremamente difícil.

A clínica de MSF em Teerã permanece temporariamente fechada devido aos intensos bombardeios. Já as clínicas em Mashhad e Kerman seguem abertas, operando com equipes reduzidas.

Nossos profissionais estão em contato com as autoridades para ampliar o apoio emergencial em resposta às necessidades relacionadas ao conflito — incluindo manter nossas clínicas abertas 24 horas por dia, 7 dias por semana, e apoiar os sistemas de saúde locais. A organização aguarda uma resposta.

No Líbano, nossas equipes estão adaptando suas atividades para responder às necessidades urgentes das pessoas deslocadas, ao mesmo tempo em que garantem a continuidade do atendimento nos projetos regulares no país. Desde 4 de março, uma clínica móvel oferece consultas médicas e primeiros socorros psicológicos em Saida, no sul do Líbano, onde alguns abrigos estão superlotados.

Também começamos a fornecer água potável para abrigos em Beirute e realizamos avaliações em Beirute, Rashaya e outras áreas para ampliar o número de clínicas móveis e o envio de suprimentos. Estamos em contato com as autoridades e outros atores relevantes para oferecer apoio adicional onde for necessário.

Em outras partes da região: nossas equipes em Gaza e na Cisjordânia continuam a atender às imensas necessidades médicas e de saúde mental. No Iraque, MSF possui suprimentos médicos disponíveis para serem enviados à região, se necessário.

 

Mais informações sobre as atividades de MSF no Irã e no Líbano

Irã
MSF trabalha no Irã para suprir as lacunas na assistência à saúde entre comunidades em situação de vulnerabilidade, incluindo refugiados afegãos e outras populações que necessitam de ajuda.

No sul de Teerã, onde MSF iniciou um projeto em 2012, as equipes fornecem atenção primária integrada por meio de uma clínica fixa, clínicas móveis e atividades de extensão. Os serviços incluem atendimento para doenças infecciosas e não transmissíveis, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental e apoio psicossocial, tratamento de feridas, triagem e tratamento para hepatite C, encaminhamento para atendimento secundário, além de apoio social e promoção da saúde.

Em Mashhad, perto da fronteira com o Afeganistão, MSF está presente desde 1996 e administra clínicas móveis que oferecem consultas médicas e psicológicas e triagem para doenças infecciosas entre grupos vulneráveis, além de serviços no distrito de Golshahr para refugiados afegãos, que incluem aconselhamento, promoção de saúde, apoio social e encaminhamentos.

Na província de Kerman, MSF é a única organização médica que fornece serviços de saúde diretos a refugiados afegãos. Seus centros de atenção primária à saúde atendem áreas carentes da cidade de Kerman, que abriga cerca de 200 mil afegãos.

Desde abril de 2024, MSF opera a clínica Vahdat nos arredores da cidade e mantém outra clínica em parceria com as autoridades de saúde, oferecendo atendimento para doenças transmissíveis e não transmissíveis, saúde sexual e reprodutiva, saúde mental e apoio psicossocial, tratamento de feridas e triagem para tuberculose, HIV e hepatite B e C.

 

Líbano
As equipes de MSF no Líbano apoiam diversas comunidades que enfrentam barreiras no acesso à saúde, indo além da atenção primária para incluir a distribuição de itens de socorro e encaminhamentos para tratamento de nível secundário em um país que se recupera das consequências da guerra.

Atualmente, MSF mantém clínicas em Bourj Hammoud, nos subúrbios ao norte de Beirute, voltadas principalmente para trabalhadores migrantes, oferecendo atendimento médico e de saúde mental.

Na província de Baalbek-Hermel, MSF mantém duas clínicas em Arsal e Hermel, fornecendo atenção primária à saúde para comunidades em situação de vulnerabilidade, tanto libaneses quanto refugiados.

No norte do Líbano, MSF apoia as clínicas do Ministério da Saúde em Trípoli, a segunda maior cidade do país, que enfrenta graves dificuldades econômicas, e mantém clínicas móveis em Akkar, atendendo sírios sem acesso a serviços de saúde.

No sul do Líbano, nas províncias do Sul e de Nabatiyeh, mantemos clínicas móveis e apoiamos unidades fixas de atenção primária à saúde desde o agravamento do conflito em 2024.

ISTOÈ

 

Trump critica premier da Itália após defesa do Papa: ‘Pensei que tivesse coragem’

Ex-presidente dos EUA diz estar "chocado" com postura de Meloni por apoio a Leão XIV

O presidente Donald Trump
O presidente Donald Trump  Foto: AFP

Nesta terça-feira, 14 de abril, em Roma, o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar “chocado” com a postura da primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, por sua defesa do papa Leão XIV, que foi alvo de ataques do republicano.

Em uma conversa telefônica com o jornal italiano Corriere della Sera, Trump classificou a posição de Meloni como “inaceitável”, argumentando que ela não se preocupa com a possibilidade de o Irã adquirir armas nucleares e ameaçar a Itália.

O que aconteceu

  • Donald Trump critica Giorgia Meloni após a premiê italiana defender o papa Leão XIV, que foi atacado pelo ex-presidente.
  • Trump acusou Meloni de não se importar com a ameaça nuclear iraniana e de não apoiar os Estados Unidos em questões globais.
  • A relação entre os dois líderes, antes considerada uma aliança, deteriorou-se significativamente devido a essas divergências.

Trump argumenta que Giorgia Meloni não estaria preocupada com a capacidade do Irã de desenvolver uma arma nuclear, que, segundo ele, poderia “explodir a Itália em dois minutos”.

A tensão escalou após Meloni criticar Trump na última segunda-feira (13). A premiê considerou “inaceitáveis” as declarações do republicano, que havia classificado o pontífice como “fraco” e o acusado de agir como “político”. A defesa de Meloni surge em meio a um contexto de disputas acirradas. Para entender o embate público entre Donald Trump e o Papa Leão XIV em profundidade, é crucial analisar os pontos de discórdia.

“Pensei que ela tivesse coragem, mas me enganei”

Visivelmente irritado, Trump afirmou: “Estou chocado com ela. Pensei que ela tivesse coragem, mas me enganei”. A crítica se estende à política externa de Meloni, com Trump alegando que a líder italiana “não quer” auxiliar os Estados Unidos na guerra no Oriente Médio.

O ex-presidente questionou a lógica da posição de Meloni: “As pessoas gostam do fato de que seu presidente não está fazendo nada para conseguir petróleo?”. Essa declaração sublinha a complexidade da geopolítica regional e as expectativas dos EUA em relação aos seus aliados. As tensões entre Trump e o pontífice já haviam sido explicitadas em outras ocasiões. Em um artigo anterior, foi reportado que Trump diz que não é fã do Papa após mensagem de Leão XIV contra a guerra, o que contextualiza a reação de Meloni.

O impacto na aliança ítalo-americana

Trump revelou ainda que não mantém contato com Meloni “há muito tempo”, apesar de ela ter sido considerada uma aliada. A distância se deu, de acordo com o ex-presidente, porque a premiê italiana não estaria disposta a apoiar os EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) nem a colaborar para “nos ajudar a nos livrar das armas nucleares”. “Ela é muito diferente do que eu pensava”, concluiu.

As declarações marcam uma drástica mudança na percepção de Trump sobre Meloni. Há apenas um mês, em outra entrevista ao mesmo jornal, Corriere, ele havia elogiado a premiê, descrevendo-a como amiga e “uma grande líder que sempre tenta ajudar”. “Ela não é mais a mesma pessoa, e a Itália nunca mais será o mesmo país”, finalizou o ex-presidente. (ANSA).