sábado, 25 de abril de 2026

 

Entenda como ocorreu a fraude na nomeação de Messias para a Procuradoria da Fazenda

Com votos evangélicos e 'silenciosos', Messias calcula aprovação no Senado - PlatôBR

Messias reza para os senadores não lerem a denúncia

Carlos Newton

Escritores como Conan Doyle, Agatha Christie, Maurice Leblanc e Allan Poe sabiam que não há crime perfeito; o que existe são investigações equivocadas que não conseguem solucionar o caso. Mas todo crime, por sua própria natureza, é sempre um ato imperfeito, pois demonstra a deformação social de seus autores.

No caso da nomeação do atual ministro Jorge Messias para procurador da Fazenda Nacional, em 2007, houve várias ilegalidades. Ocorreram há quase 20 anos, em Brasília, mas vêm passando despercebidas. Era como se fossem crimes perfeitos.

FRAUDES DE MESSIAS – As provas até agora coletadas mostram que Jorge Messias foi beneficiário das fraudes que a partir de 2003 passaram a ocorrer em concursos públicos, para aparelhar a máquina administrativa em favorecimento ao PT.

As fraudes aconteciam através da atenuação das exigências legais aos candidatos ligados ao partido, além da espantosa multiplicação de vagas que não existiam e até do fornecimento de dicas aos favorecidos. No caso específico de Messias, a ilegalidades ocorreram no concurso convocado em Edital da Escola de Administração Fazendária (ESAF), em 1º de dezembro de 2005 para provimento de 27 vagas no cargo de Procurador da Fazenda Nacional.

Ele se formara em dezembro de 2003 e precisa demonstrar dois anos de prática forense e ser inscrito na OAB. Seus quatro currículos (Portal da Transparência, Lattes, Escavador e Wikipédia) registram que nessa época (2005/2006) ele morava em Recife, onde era empregado de dedicação exclusiva na Caixa Econômica Federal e trabalhava na agência Teatro Marrocos.

IMPOSSIBILIDADE – Surge uma grande dúvida. Como Messias poderia ter dois anos de prática forense pós- formado, conforme é exigido, se à época do concurso ainda trabalhava em horário integral na Caixa?

Mesmo assim, os dirigentes da ESAF entenderam que ele cumpriu as exigências e Jorge Messias participou do concurso, embora ainda hoje existam dúvidas pertinentes também quanto ao exame exigido pela Ordem dos Advogados do Brasil para exercício da profissão.

Em 2005, Messias ainda morava em Recife, continuava trabalhando na Caixa Econômica, e deveria se inscrever  na Seccional de Pernambuco. Porém, isso jamais ocorreu. A única inscrição que tem é de Brasília, com o nº 31.448 indicando que foi feita em 2010 ou 2011, anos depois de ser nomeado. Ele jamais foi inscrito em Recife, seu nome não consta como ativo ou inativo.

SURGIRAM PROBLEMAS – A homologação do concurso ocorreu em 22 de junho de 2006, quando Jorge Messias constou na lista de aprovados, no 86º lugar. Mas havia problemas em relação a ele e a outros 65 inscritos, porque a nomeação deles para o cargo de Procurador da Fazenda Nacional só ocorreu um ano e meio depois, em 6 de novembro de 2007.

Na Portaria Conjunta assinada pelos ministros Guido Mantega (Fazenda) e Dias Toffoli (AGU), fica claro que Jorge Messias e os outros 65 aprovados pediram para serem colocados no final da lista de nomeação.

Esse tipo de solicitação só ocorre quando o candidato tem dificuldades de apresentar documentos, como diploma, exame da OAB, comprovação de dois anos de prática forense etc. É mais uma dúvida no nebuloso início de carreira de Messias, que acabou ficando como 586º nomeado num concurso para 27 vagas, o que demonstra o aparelhamento da máquina administrativa pelo PT.

JOVEM PRODÍGIO – Detalhe importante: nessa época, o jovem Jorge Messias já tinha sido  aprovado para Procurador do Banco Central, onde não havia exigência de dois anos de prática forense.

Ficou em surpreendente quarto lugar, com apenas 25 anos, mesmo sendo empregado da Caixa Econômica Federal em horário integral, que impediu ter experiência como advogado.

E também não tinha inscrição na OAB de Recife, onde morava, e somente foi registrado na OAB de Brasília vários anos depois de nomeado, porque sua inscrição tem número 31.448.

###
P.S. 1 – 
Em quem acreditar: no Messias do 4º lugar ou no Messias da 586ª colocação em concursos semelhantes? Ou seja, tudo que se refere ao futuro ministro do Supremo tem jeito de fraude. Mas o assunto não está esgotado e amanhã voltaremos a ele. (C.N.)

Sputnik

 

Ocidente considera que governo do Irã é mais estável do que antes da guerra, diz mídia americana

Bandeira do Irã com o pano de fundo da cidade de Teerã, Irã, 31 de março de 2020 - Sputnik Brasil, 1920, 25.04.2026
O Ocidente acredita que a posição do governo iraniano é agora mais estável do que era antes do ataque dos EUA e de Israel, informou o canal de TV americano NBC na sexta-feira (24), citando vários oficiais ocidentais.
"Segundo disseram cinco funcionários, o regime agora é, por mais estranho que pareça, mais estável do que antes da guerra e se tornou um pouco mais duro", diz a publicação.
A reportagem afirma que, apesar da perda de muitos líderes do país e da destruição de muitas instalações militares, o Irã provavelmente se beneficiou politicamente dos ataques dos EUA e de Israel.

Na opinião dos representantes ocidentais, as ações dos EUA e de Israel prejudicaram a posição da chamada ala reformista dentro da liderança iraniana, cujos apoiadores acreditam que uma abordagem mais equilibrada nas relações com Washington traria benefícios a Teerã.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, em reunião na Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 24.04.2026
Panorama internacional
Chanceler do Irã não negociará com representantes dos EUA em Islamabad, diz mídia
"Parece que os iranianos não estão com pressa para negociar", afirmam oficiais ocidentais com acesso a informações de inteligência sobre o Irã, conforme relata o canal de TV.
Além disso, o Ministério das Relações Exteriores iraniano já havia anunciado uma visita de seu chefe, Abbas Araghchi, ao Paquistão, bem como a Omã e à Rússia, para discutir os esforços destinados a acabar com o conflito com os EUA e Israel.

 Direito e Justiça

Mendonça vence nova queda de braço na 2ª turma e consegue unanimidade

Por unanimidade, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta sexta-feira (24), manter a prisão do ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa.

O último a votar foi o ministro Gilmar Mendes. O seu voto não alteraria a decisão, vez que os demais ministros já haviam votado acompanhando o relator, André Mendonça.

Mesmo assim, Gilmar ainda apresentou uma divergência em relação ao advogado Daniel Monteiro, que teria representado o Banco Master em negociações com o BRB.Memoralis

Em relação ao advogado, Gilmar Mendes votou pela substituição da prisão preventiva por prisão domiciliar, mediante uso de tornozeleira eletrônica.

Paulo Henrique e Daniel Monteiro foram presos em 16 de abril pela Polícia Federal (PF), na quarta fase da Operação Compliance Zero, por decisão do ministro André Mendonça, que é relator do caso Master.

Com o voto de Gilmar Mendes, o placar final ficou em 4 a 0. Mais cedo, o ministro Nunes Marques também votou pela manutenção da prisão, concordando com o voto do relator e do ministro Luiz Fux.

O ministro Dias Toffoli, quinto integrante da Segunda Turma do STF, se declarou suspeito para julgar o caso, que envolve o Banco Master, de Daniel Vorcaro.