No limite da margem de erro o resultado representa ainda um empate técnico.
O levantamento foi realizado entre 15 e 19 de outubro, com 2 mil eleitores de todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa foi registrada sob o número BR-02952/2026.
Nas quatro pesquisas divulgadas ontem, em todas elas Flávio aparece na frente, e em 3 o empate técnico é apontado.
Pelo visto, isso não passa de uma ‘jogada’ dos institutos de pesquisa, quase todos eles com notório viés de esquerda. Querem demonstrar que Lula continua competitivo, mas não querem correr o risco de novamente errar sobre quem vai chegar na frente.
A distância de Flávio sobre Lula certamente é muito maior do que isso.
Os institutos de pesquisas aqui no Brasil ignoram propositadamente o que mudou no segundo turno. Partidos e lideranças que não haviam declarado apoio formal a Flávio no primeiro turno passaram a apoiá-lo no segundo, o que representa mais votos para ele. A União Brasil e o Progressistas (PP), que ficaram neutros no primeiro turno, formalizaram apoio por unanimidade das executivas. O Republicanos, que não integrava a coligação, anunciou adesão após o resultado, com articulação de Tarcísio de Freitas. O Novo, que tinha candidato próprio (Romeu Zema), formalizou o apoio depois da declaração individual de Zema. O Podemos, neutro no primeiro turno, também fechou com Flávio.
O MDB ficou dividido: 17 diretórios anunciaram apoio a Flávio e 10 ficaram com Lula. O PSD manteve neutralidade oficial, com o apoio individual mais relevante vindo de Ronaldo Caiado. Além deles, Augusto Cury (Avante) e Clariana Barão (DC) também se posicionaram a favor de Flávio.
Por outro lado, nenhum partido ou candidato relevante que estava indeciso ou neutro anunciou apoio formal a Lula no segundo turno. Os apoios que Lula recebeu vieram de legendas de esquerda que já estavam alinhadas a ele (ou a seus candidatos) no primeiro turno.
Para piorar a situação, dois escândalos se abateram sobre os petistas. O áudio de Daniel Vorcaro e as declarações contundentes de Roberta Luchsinger.
O povo está vendo e a conta não bate.
As urnas vão mostrar isso...
Ponto de vista:
É apenas uma questão de tempo
Por Luiz Holanda
Tribuna da Bahia, Salvador
20/10/2026 06:00 1 hora e 58 minutos
A defesa de Daniel Vorcaro cobrou do presidente do Supremo Tribunal Federal-STF, Edson Fachin, a liberdade do banqueiro e ex-controlador do extinto Banco Master, Daniel Vorcaro, principal investigado nos crimes financeiros atribuídos ao banco e a ele próprio. Acusado de cometer os maiores crimes e fraudes financeiras do país, além de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro, Vorcaro quer ser libertado sob o fundamento de que há um pedido de revogação de sua prisão preventiva parado em um "limbo" devido a um conflito de competência e de indefinição sobre a relatoria do caso Master, atualmente sob a responsabilidade do presidente do STF, ministro Edson Fachin. A defesa sustenta que ele está preso há mais de oito meses sem indiciamento formal ou ação penal, e que outros investigados em situação semelhante já foram soltos. Vorcaro está no Complexo Penitenciário da Papuda (Papudinha) em Brasília, após ter a prisão preventiva decretada na Operação Compliance Zero. Seus advogados alegam excesso de prazo na prisão preventiva decretada em março de 2026, pedindo a revogação da medida.
A estratégia é apresentar eventuais divisões ou empates de votos na Segunda Turma do tribunal em razão do cenário de impasses e discussões sobre impedimentos e pedidos de vista. Isso poderia favorecer uma decisão libertando Vorcaro ou a conversão de sua detenção carcerária em prisão domiciliar. Os advogados apostam na divisão ocorrida entre os ministros da Corte, digladiando entre si quase que diariamente. Até o presente momento o tribunal negou todos os pedidos de liberdade para Vorcaro.
O problema agora é que o relator do processo é o ministro Edson Fachin, cuja fraqueza é apontada pela imprensa como impossível de resistir à pressão do que ela vem denominando de “banda podre” do STF, defensora da liberdade do banqueiro. A expressão "banda podre" reflete o debate e as fortes críticas da opinião pública e de setores políticos após a revelação de que dados do celular de Vorcaro citam ou fazem referências a pelo menos seis ministros do STF e do STJ. Daí a existência de um movimento para conter a crise e evitar possíveis processos de impeachment de ministros no Senado a partir de 2027. Segundo a imprensa, o STF e a Polícia Federal (PF) costuraram um acordo pelo qual a PF entregaria um relatório minucioso e descritivo ao presidente Fachin contendo todas as citações a magistrados encontradas nos aparelhos de Vorcaro. Esse relatório será enviado à Procuradoria-Geral da República (PGR) para parecer e, depois, caberá ao plenário da Corte decidir, de forma conjunta, se abre ou não investigações contra seus próprios membros. Tem gente que acredita que o fato pode resultar em ajustes de contas, mas a maioria sabe que nada acontecerá. Por enquanto o STF mantém Vorcaro detido enquanto tenta organizar as investigações institucionais provocadas pelas mensagens vazadas. Assim que conseguir, arranjará razões jurídicas para libertar o prisioneiro. Outra balela é dizer que o novo Senado pode impichar alguns ministros porque contará com 54 senadores favoráveis ao impeachment de alguns membros da Corte. Como o Senado atingiu a marca de dois terços (54 dos 81 senadores), esse número pode aprovar qualquer impeachment de ministro. Esse número é uma regra definida em liminar pelo ministro Gilmar Mendes em dezembro de 2025. O problema é que mais da metade dos senadores eleitos que são favoráveis ao impeachment é investigada ou citada em investigações perante o STF. Alguns deles já estão com processo na Corte, e outros devem ser processados após a posse no Senado. Ao todo, 16 dos 31 novos senadores pró-impeachment são investigados ou citados em apurações em curso. O STF é o órgão encarregado de processar e julgar crimes comuns cometidos por congressistas (deputados e senadores) no exercício do cargo e em razão dele. Como os próprios ministros visados atuam como relatores desses inquéritos e ações, eles gerenciam diretamente o andamento de cada caso. Assim, se mais da metade dos senadores favoráveis ao impeachment já foi alvo, é citada ou está sob investigação na Corte, isso pode funcionar como um instrumento de pressão ou "moeda de troca" institucional. Os processos contra os senadores podem se tornar um instrumento de poder dos ministros contra o andamento de eventuais tentativas de impeachment. Alguns senadores pró-impeachment lembram que o Legislativo tem o poder de suspender o andamento de ações penais contra seus integrantes, a pedido dos partidos, conforme aconteceu com o deputado federal e atualmente eleito senador por Goiás, Gustavo Geyer, mas esse fato isolado não serve para impedir a impunidade jurídica e institucional atualmente existente no Brasil. Por isso não devemos nos espantar quando Vorcaro for libertado. É apenas uma questão de tempo.
Luiz Holanda é advogado e professor universitário.
Coluna Magnavita | 'Bastardos Inglórios'
O eleitor do Rio merece respeito! Está na hora de dar um sonoro BASTA às interferências da ala lulista do STF nos destinos do estado
19 de outubro de 202623:43Cláudio Magnavita*
O TSE precisa reafirmar sua soberania sobre temas eleitorais e parar de ser humilhado por parte do STFCrédito: STF
Até quando a sociedade civil e o próprio eleitor vai tolerar as múltiplas interferências de parte de um corroído Supremo Tribunal Federal (STF) nos destinos do estado do Rio de Janeiro, uma das mais importantes unidades federativas do país, não só por abrigar a antiga capital e o centro de poder, mas pela sua força econômica e o tamanho do colégio eleitoral, o terceiro do Brasil? Está na hora de dar um sonoro basta aos abusos contra o estado de direito e respeito à Constituição.
Um Presidente da República não pode, e nunca deveria, manipular seus ministros marionetes para atender interesses eleitoreiros. As linhas que movem as decisões dos hoje ministros do STF Flávio Dino (um ex-ministro da Justiça de Lula) e Cristiano Zanin (seu advogado e afilhado) já não são invisíveis. Elas estão novamente se movimentando em uma despudorada malandragem lulista, a mesma que fez seu sucesso na vida sindical, que mistura argúcia e oportunismo, sempre para beneficiar seus ganhos ambiciosos.
No caso do Rio existe uma confluência da malandragem lulista e uma turma de derrotados pela soberba e pela utilização de qualquer recurso para concretizar uma tomada palaciana.
Neste caso, a melhor definição é o termo: "Bastardos Inglórios", consagrado no cinema por Quentin Tarantino, para descrever um grupo que age fora das regras convencionais com métodos agressivos e pragmáticos, reflete bem a percepção de forte oportunismo e casuísmo político apontada pela oposição e por críticos do PSD. Só que diferente do filme, não há ingredientes de heroísmo neste caso, só uma turma que não estabeleceu limites para uma vitória a qualquer custo, mesmo desprovida de glória. Para a oposição e analistas políticos alinhados a essa visão crítica, a analogia se aplica devido à rapidez com que as convicções jurídicas foram deixadas de lado em nome do pragmatismo eleitoral.
O partido iniciou o pleito pedindo para anular os votos de Garotinho (para tirá-lo do jogo) e terminou o pleito lutando para validar esses mesmos votos (apenas para inflar a base de cálculo e salvar a própria pele). O uso do "tapetão" judicial resulta na mudança drástica de postura na semana da apuração e é vista como uma estratégia desprovida de coerência ideológica, focada puramente em moldar as regras do jogo conforme o resultado das urnas.
Por outro lado, sob a ótica dos defensores do PSD e de aliados de Eduardo Paes, a conduta não é vista como falta de escrúpulos, mas sim como estratégia e legítima defesa política. Para esse grupo, o partido reagiu a uma suposta manobra de bastidores dos adversários, que teriam articulado a desistência de recursos para encerrar a eleição de forma artificial no primeiro turno. Neste caso, eles sofrem de uma conveniente amnésia sobre seus próprios atos.
A busca pelas vias judiciais (tanto no STF, com Zanin, quanto no TSE) é tratada como o uso legítimo das ferramentas que a lei oferece para garantir que um estado com mais de 10 milhões de eleitores não defina seu governante sem a realização de um segundo turno.
Só que o STF ficou amarrado a uma Reclamação Constitucional (Rcl 92.644) do PSD que defendia que a escolha do governante interino deveria ocorrer obrigatoriamente por eleições diretas (voto popular), e não por via indireta da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (ALERJ). Um processo que foi o estopim da primeira grande briga pública dos 10 ministros do STF. Um racha na corte com a paralisação do julgamento com o placar de 4 x 1. O primeiro grande confronto entre uma decisão do TSE que contrariava o dono do teatro de marionetes.
Foi a primeira vitória dos "Bastardos Inglórios" e o primeiro caso no qual o feitiço vira contra o feiticeiro. Esqueceram os eleitores e a derrota no primeiro turno foi matemática.
Matemática também é a contagem do calendário. O processo ficou suspenso com o pedido de vista de Flávio Dino por 82 dias (de 9 de abril a 30 de junho). Desde a devolução até a data de fechamento editorial desta edição (19 de outubro de 2026), já se passaram 111 dias sem que a ação fosse pautada ou julgada.
Essa demora na marcação do julgamento final fez com que o Rio de Janeiro passasse todo o período eleitoral sob o comando interino do desembargador Ricardo Couto, sem que o STF definisse em definitivo se a regra para o mandato-tampão daquele período deveria ter sido direta ou indireta. Essa indefinição acabou sendo atropelada pelas eleições regulares de outubro, cujo desfecho em primeiro turno (favorável a Douglas Ruas) agora também é questionado no gabinete de Zanin.
O presidente do STF, ministro Edson Fachin, chegou a incluir o processo em pauta para o dia 19 de agosto de 2026, mas decidiu retirá-lo de última hora devido a pressões de bastidores, "embaraços" institucionais e priorização de outros temas.
O adiamento de última hora foi amplamente costurado por uma ala de ministros do Supremo. Esse grupo avaliou que reabrir o julgamento às vésperas das eleições regulares de outubro geraria um grave embaraço institucional. Como o calendário eleitoral já estava avançado e as convenções partidárias sacramentadas, aplicar o resultado do julgamento (que caminhava para validar eleições indiretas por 4 a 1) causaria um tumulto político desnecessário e inviabilizaria qualquer transição prática.
Havia um consenso velado no tribunal de que não havia urgência real para mexer no tabuleiro político fluminense. A permanência provisória do desembargador Ricardo Couto à frente do Palácio Guanabara agradava e pacificava as forças políticas locais. Deixar o processo avançar sem uma conclusão definitiva permitiu que o estado seguisse estável até que o eleitorado decidisse o novo governador nas urnas regulares em outubro.
Essa decisão de Fachin de postergar o debate acabou esvaziando a discussão sobre o mandato-tampão daquele período. Contudo, a falta de uma definição final do plenário abriu margem para que os desdobramentos da votação de outubro (a contestação do PSD sobre o segundo turno) voltassem agora para assombrar o tribunal na relatoria de Zanin.
Se, em agosto, a prioridade do STF era evitar um "tumulto institucional" e deixar que o eleitor decidisse em outubro, interferir agora na apuração final para forçar um segundo turno seria desrespeitar a própria soberania popular que a Corte alegou querer proteger.
O "limbo jurídico" serviu apenas para aguardar um desfecho político conveniente, mudando as regras do jogo conforme o interesse dos autores da ação. Neste caso, o eleitor fez sua opção e resolveu contrapor a turma do "Bastardos Inglórios". O que o PSD está promovendo é a vitória a qualquer custo, com o uso dos marionetes lulistas, sem Glória, sem pudor e sem respeito ao eleitor.
O TSE deve começar a dedetizar a "infestação" que afeta a sua soberania | Foto: CM
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) realizou uma eleição impecável. A ex-presidente, ministra Cármen Lúcia, restaurou a dignidade da corte e teve a continuidade agora na presidência de Kassio Nunes Marques. Esta é a oportunidade da corte eleitoral reafirmar a sua soberania sobre a sua missão eleitoral e rechaçar os ataques que colocam em dúvida as suas decisões, especialmente no caso do Rio de Janeiro.
*Claudio Magnavita é diretor de redação do Correio da Manhã