quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O Estado de São Paulo-ESTADÃO

 Moraes tem de sair do Supremo

Diante das gravíssimas revelações feitas por este jornal sobre sua relação com o Master, o ministro tem a obrigação de renunciar, sob pena de arrastar o Supremo para sua crise pessoal.

Alexandre de Moraes não tem mais condições de seguir como ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e deveria pedir exoneração do cargo, para o bem da própria Corte. As revelações feitas pelo Estadão de que Moraes ajudou a elaborar o contrato milionário entre o escritório de advocacia de sua mulher, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master, de Daniel Vorcaro, desmentem categoricamente que o ministro fosse alheio ao acerto e a todas as suas implicações éticas e legais.

Para começar, participar da elaboração de um contrato é exercício de advocacia, atividade incompatível com a magistratura. Mas as mensagens do celular de Vorcaro tornadas públicas ontem pintam um quadro muito mais grave. O banqueiro, pivô do maior escândalo da história do sistema financeiro nacional, tratava Moraes como alguém a quem podia recorrer para influir no curso de investigações. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?”, perguntou, em referência ao procurador-geral Paulo Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues. Em outra mensagem: “Se o Andrei conseguir atrasar pra outra semana, pois tem feriado, o banco não quebra. Tenta chamar ele e sensibilizar isso se achar possível”. Dois dias antes de ser preso, Vorcaro perguntou: “Acha que segunda já tenho que estar fora?”.

Não se sabe o que Moraes respondeu. Pouco importa, porque já não se pode negar o que está diante dos olhos: um investigado por fraudes bilionárias buscava num ministro informação, orientação e intervenção sobre atos da PF e da Procuradoria-Geral da República (PGR), enquanto seu banco pagava somas exorbitantes ao escritório de sua família – contrato que tem as digitais do próprio Moraes.

Há perguntas que só uma investigação responderá. Moraes procurou Gonet? Falou com Andrei? Tentou retardar diligências? Transmitiu informações sigilosas? Dependendo das respostas, podem estar em jogo ilícitos de imensa gravidade, como prevaricação, advocacia administrativa, obstrução de justiça e corrupção passiva. Gonet não pode continuar tratando esse material como “insuficiente”, como já o fez no passado, sem cair ele mesmo em suspeição.

Gonet arquivou anteriormente uma representação contra o ministro. Agora surgiram evidências novas, e uma delas envolve o procurador-geral nominalmente: Vorcaro pedia a Moraes que recorresse ao próprio Gonet para conter a investigação. André Mendonça já cobrou esclarecimentos da PGR e avalia os próximos passos. Se isso ainda não basta para abrir uma investigação formal e independente, é difícil saber o que bastaria.

Investigar, porém, resolve apenas parte da crise. As suspeitas recaem justamente sobre o uso do poder que Moraes continua exercendo. O homem que lhe pedia ajuda para alcançar o chefe da PF e o procurador-geral era o dono do banco que despejava dezenas de milhões de reais no escritório de sua mulher. O ministro participou pessoalmente do contrato e agora pode ter de ser investigado pelas mesmas instituições sobre as quais Vorcaro esperava que ele exercesse influência. Essa situação é incompatível com a normalidade institucional.

Moraes tem direito à presunção de inocência, ao devido processo e a todas as garantias legais que tantas vezes negou a outros, mas essas garantias não obrigam o Supremo a carregar, por tempo indefinido, o peso de um ministro cuja permanência compromete a autoridade da própria Corte.

O STF já errou demais no caso Master. Dias Toffoli, que também mantinha negócios com Vorcaro, só deixou a relatoria do caso depois que sua posição se tornou insustentável. Agora a crise atinge Moraes em outro patamar – o mesmo ministro que tantas vezes invocou a defesa do STF e do Estado Democrático de Direito para justificar o exercício de seus poderes. Chegou a hora de demonstrar que seu compromisso com as instituições vale também quando o sacrifício é seu. Moraes tem de deixar o Supremo. Sua responsabilidade criminal será apurada, mas a responsabilidade institucional já se impõe. Se ele se recusar a retirar esse peso da Corte, sua permanência terá de ser enfrentada por quem a Constituição encarregou de julgar crimes de responsabilidade de ministros do STF: o Senado. Defender o Supremo, agora, significa impedir que a crise de um ministro se torne a crise da instituição.

O ANTAGONISTA

 

Moraes precisa deixar o STF antes que leve o Tribunal para a lama

Régua moral imposta pelo próprio magistrado não lhe dá alternativas para este caso; situação é paradigmática

avatar
Wilson Lima

Moraes precisa deixar o STF antes que leve o Tribunal para a lama
Arte: O Antagonista

Há momentos em que uma instituição precisa escolher entre proteger um de seus integrantes e proteger a si própria. O Supremo Tribunal Federal (STF) chegou a esse momento.

As revelações trazidas a público pela Polícia Federal (PF) nesta terça-feira não permitem mais que o caso Alexandre de Moraes seja tratado como uma simples guerra política contra o ministro. Não se trata de postagem em rede social, de crítica de adversários ou de mais uma acusação lançada contra o magistrado por seus desafetos. Trata-se de material produzido pela própria PF a partir de dados extraídos do celular de Daniel Vorcaro, empresário hoje preso e investigado por suspeitas de fraudes bilionárias.

E o que aparece nesse material é devastador para a imagem de independência que deveria acompanhar um ministro da Suprema Corte. Moraes não tem mais condições de ser ministro do STF. Simples assim.

Segundo o relatório, Vorcaro manteve contato recorrente com Moraes, procurou o ministro em momentos críticos para seus negócios e, às vésperas da prisão, chegou a perguntar se deveria deixar o país.

As mensagens indicam ainda pedidos para que fossem acionados o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Pela régua moral de Moraes isso é o caso clássico de obstrução de Justiça. Por muito menos, Moraes meteu gente em cana e sob o mesmo argumento. Pela régua moral de Moraes, isso é caso de tráfico de influência.

É difícil imaginar algo mais incompatível com a liturgia de uma Suprema Corte.

Um ministro do STF pode encontrar empresários. Pode participar de eventos. Pode conversar com autoridades. O que não pode é criar, pela frequência e pela natureza dessas relações, a aparência de que existe uma porta lateral entre o poder econômico e a toga.

A situação se torna ainda mais grave quando entra em cena os dois contratos com a mulher do ministro: um de 131 milhões de reais – já conhecido por todos – e outro, esse inédito, de 50 milhões de reais, que previa parte do pagamento por meio de cotas de um avião e de um helicóptero.

Os dados que chegaram a público até agora inferem que esses contratos não foram firmados simplesmente pela capacidade técnica de Viviane. Houve uma segunda intenção por parte de Vorcaro.

Não é preciso antecipar uma condenação de Moraes para compreender a dimensão do problema. A pergunta essencial é outra: um ministro do Supremo pode permanecer no cargo quando documentos produzidos pela Polícia Federal lançam dúvidas tão profundas sobre sua relação com um empresário corrupto?

A resposta deveria ser óbvia. Mas para o STF, aparentemente, isso não é tão óbvio assim.

Um ministro da Suprema Corte não exerce um cargo comum. Ele precisa ser, além de imparcial, reconhecido como imparcial. Precisa estar acima de qualquer suspeita razoável de promiscuidade entre a toga, os interesses privados e os corredores do poder.

Na semana que vem, o relatório será analisado pelo próprio Supremo. O Ministério Público também entrou no debate questionando a forma como a investigação foi conduzida e Gonet, citado pela PF, deu as deixas para tentar anular tudo, indo de encontro ao que determina o próprio MPF. Como se fosse a melhor solução: diante da suspeita, a anulação.

É exatamente aí que mora o perigo.

O STF não pode transformar esse caso em um julgamento corporativo. Não pode ser juiz e parte. Não pode tratar a apuração como uma ameaça à instituição e, sob esse pretexto, transformar a defesa de Moraes em sinônimo de defesa do Supremo.

Moraes não é o Supremo.

E o Supremo que eventualmente se recusar a investigar Moraes não estará protegendo o Supremo. Estará destruindo a última camada de autoridade moral que ainda sustenta a instituição.

A pior resposta possível seria o silêncio.

Se o STF encobrir esse escândalo, não será apenas Moraes quem irá para a lama.

Será o próprio Supremo. E aí sim a democracia brasileira morre de vez.

 

É inconcebível que Moraes e Dias Toffoli continuem sendo ministros do Supremo

CPI do Senado para investigar Moraes e Toffoli reúne assinaturas  necessárias #charge #cartum #caricatura #editorialcartoon #politicalcartoon

Charge do Clayton (O Povo/CE)

Carlos Newton

Às vésperas de uma eleição presidencial que nada significa, pois o resultado pouco mudará neste país, que continuará refém do conluio entre os três Poderes, não importa quem seja eleito, surge a notícia de que o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, determinou que a Procuradoria-Geral da República se manifeste sobre um documento da Polícia Federal que inclui uma mensagem de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, pedindo ao interlocutor a proteção de “Andrei e Paulo”.

Ora, até as ondulantes pilastras do prédio do STF sabem que as figuras mencionadas são Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, procurador-geral da República.

VENDENDO PROTEÇÃO – Vejam a que ponto chegamos, com um criminoso do porte de Vorcaro, que manipulava bilhões de reais, pedindo proteção a duas das maiores autoridades do país.

Ele cometeu essa desfaçatez, porque estava consciente da impunidade. Como diz o jornalista Mário Sabino, o banqueiro Vorcaro tinha 129 milhões de motivos para acreditar que podia comprar a proteção de todas as autoridades da nação, até porque o atual presidente, Lula da Silva, sempre se vendeu por pouco, muito pouco, em relação a outros expoentes do Partido dos Trabalhadores, como Antonio Palocci e José Dirceu, que já cumpriram penas e continuam enriquecidos, e outros petistas, como Jaques Wagner e Rui Costa, que são baianos, adoram Axé Music e não estão nem aí para as denúncias.

No Brasil de hoje, como diria o genial historiador Capistrano de Moraes, é estarrecedora a falta de vergonha que as cúpulas dos três Poderes estão exibindo.

CORRUPÇÃO ACEITA – No caso do Supremo, nunca se viu nada igual desde sua fundação, em 1891, orquestrada por Ruy Barbosa. Pela primeira vez, o tribunal tem dois membros notoriamente corruptos, e nada acontece.

Tanto Alexandre de Moraes quanto Dias Toffoli já deveriam ter sido afastados desde o surgimento das gravíssimas denúncias, que os dois nem se deram ao trabalho de refutar.

Flagrado como dono de um resort, envolvido com banqueiros corruptores como Daniel Vorcaro (Master) e André Esteves (BTG), Toffoli ainda tentou se justificar. Em sessão do plenário, disse que, se ministro do STF pode ter ações de empresas, com certeza tem direito de ser dono delas. Quanto a Moraes, nem tenta se defender – simplesmente finge que não está acontecendo nada.

###
P.S. 1 –
Em qualquer país minimamente sério, Moraes e Toffoli teriam sido afastados sumariamente de suas funções. Mas aqui não se pode fazê-lo, porque o Regimento não prevê a existência de ministros corruptos ou vendedores de proteção. Ora, essa justificativa é ridícula, porque a legislação determina afastamento e punição de servidor que comete crime, e os ministros do Supremo são funcionários públicos como os outros.

P.S. 2 – Outro argumento é de que o Supremo está com menos um ministro desde a saída de Luís Roberto Barroso. Mas a desculpa não cola. Basta convocar ministros do STJ para cumprirem a função, até serem nomeados os novos integrantes, como se faz em todos os tribunais de segunda e terceira instâncias. E o resto é folclore, como dizia o magistral Sebastião Nery. (C.N.)


 

Por Redação g1

 

Conflito volta a escalar no Oriente Médio com troca de ataques entre EUA e Irã

Conflito volta a escalar no Oriente Médio com troca de ataques entre EUA e Irã

A Rússia está ajudando secretamente o Irã a desenvolver uma nova geração de mísseis de cruzeiro supersônicos, segundo uma investigação publicada pelo jornal britânico Financial Times nesta terça-feira (1º).

    De acordo com o jornal, o programa começou em 2023 e envolve especialistas russos em mísseis e empresas ligadas ao setor de defesa do país.

O objetivo seria ajudar o Irã a desenvolver um sistema de propulsão conhecido como "ramjet", capaz de manter um míssil voando a velocidades várias vezes superiores à do som.

Especialistas em mísseis e assuntos militares ouvidos pelo Financial Times afirmaram que a tecnologia provavelmente será utilizada em mísseis de cruzeiro capazes de atingir navios e alvos em terra.

O armamento poderia representar uma ameaça para porta-aviões e outros navios de guerra dos Estados Unidos no Oriente Médio.

A investigação do jornal britânico foi baseada em correspondências russas vazadas, registros de viagens e análises de patentes militares.

Os trabalhos teriam continuado mesmo após o início da guerra entre Irã e Israel, no ano passado.

Suspeitas

Míssil iraniano cruza o espaço aéreo israelense em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de abril de 2026 — Foto: Amir Cohen/Reuters

Míssil iraniano cruza o espaço aéreo israelense em meio ao conflito entre os EUA e Israel com o Irã, visto de Ashkelon, Israel, em 7 de abril de 2026 — Foto: Amir Cohen/Reuters

Em julho, a agência Reuters revelou que analistas de inteligência dos Estados Unidos investigavam se a Rússia havia ajudado o Irã com informações de mira ou tecnologia avançada para drones usados em ataques contra instalações da CIA no Oriente Médio.

A Reuters e outros veículos já haviam informado, e autoridades americanas reconhecido, que a Rússia forneceu informações de mira e outros tipos de apoio ao Irã em ataques contra alvos dos Estados Unidos na região do Golfo.

Segundo as informações publicadas na época, pelo menos duas instalações da CIA foram atingidas em março: uma estação da agência dentro da embaixada americana em Riad, na Arábia Saudita, e outra no leste do Iraque.

Duas autoridades ocidentais disseram à Reuters que analistas acreditavam que o ataque na Arábia Saudita havia usado duas versões de drones iranianos Shahed aprimoradas pela Rússia.