Devemos admitir que “nossos criminosos” do CV e PCC são piores que os terroristas

Comando Vermelho queimou Tim Lopes dentro de uma pilha de pneus
Carlos Newton
Com justa razão, muitos brasileiros ficaram envergonhados com a notícia de que o governo federal entrara “em alerta” após os Estados Unidos classificarem as facções criminosas PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. Realmente, uma genial Piada do Ano, com o próprio presidente da República entrando rapidamente “em alerta” para se encarregar de defender “nossos criminosos”.
O fato concreto é que o alerta surtiu efeito e teve resultado triplo – o presidente Donald Trump enfim designou novo embaixador para o Brasil, a representação diplomática dos EUA em Brasília publicou um guia explicando o baixo impacto da classificação das facções como organizações terroristas internacionais, e o governo americano apresentou novo tarifaço a exportações brasileiras.
Além disso, foi exibido um relatório gigantesco sobreirregularidades praticadas pelo Brasil, com algumas denúncias sem fundamento, mas outras totalmente comprovadas, como as decisões irracionais do ministro Alexandre de Moraes invadindo a competência da Justiça norte-americano, conforme já cansamos de apontar aqui na Tribuna da Internet.
VAI DAR ZEBRA – Ao indicar o novo embaixador, nesta segunda-feira, Trump mostrou que está pouco ligando para o governo do PT. Ao invés de nomear um diplomata de carreira, que possa suportar o convívio com Lula, o presidente americano escolheu Daniel Perez, um deputado estadual da Flórida, de apenas 38 anos, filho de refugiados cubanos e conhecido por seu radicalismo contra o regime de Havana.
É claro que a relação entre os dos países está mais do que comprometida, e de nada valerá o trabalho dos diplomatas contra o enquadramento de “nossos criminosos” como organizações terroristas. Note-se que, em busca de votos nacionalistas, Lula é capaz de defender até os criminosos do CV, sem lembrar que foram eles os torturadores e assassinos do jornalista Tim Lopes, um ardoroso defensor do PT.
PONTO DE VISTA – A definição de “terrorista” depende da nacionalidade. Considera-se assim o inimigo, aquele que mata nossos amigos. Vejam o caso de Menachen Begin, o grande líder israelense que negociou a paz com o palestino Anuar Sadat, três décadas depois de ter explodido o Hotel King David em Jerusalém, sede do Mandato Britânico na Palestina, matando mais de 90 pessoas, e de ter participado do massacre de Der-Yassin, onde foram exterminadas mais de 300 pessoas, entre adultos, mulheres e crianças. Herói em Israel, Begin era terrorista no mundo árabe.
Os norte-americanos também praticam abomináveis atos de terrorismo através da CIA, sua agência de espionagem, que usa drones, mísseis e bombas para matar militantes árabes, sem se importar se nesses ataques também morrem idosos, mulheres e crianças.
O canal Netflix está exibindo a série “Homeland”, considerada “eletrizante” pelo New York Times. Mostra a atuação sinistra da CIA no mundo árabe, denunciando cruamente a corrupção moral e mental de seus agentes e diretores, que atuam como bárbaros criminosos em suas atividades normais. Justamente por isso, os árabes costumam dizer que os terroristas são os norte-americanos, e não deixam de ter razão.
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P.S. – A diferença entre terroristas, deve-se repetir, depende da nacionalidade. Os americanos torturam e executam inimigos, mas se dizem democratas. Seus inimigos fazem o mesmo, embora também não demonstrem respeito à democracia. A grande diferença, porém, é a Primeira Emenda, de 1791, que dá aos americanos o direito de denunciar seus próprios terroristas, sem temer serem torturados e executados, como ocorre com os produtores da série “Homeland”. Mas a democracia americana pode existir somente nas grandes cidades americanas, pois sabe-se que na prisão de Guantánamo não há direitos humanos. Aliás, no interior dos Estados Unidos o clima de faroeste jamais acabou e continua prevalecendo, porque manda quem pode e obedece quem tem juízo, como também ocorre aqui no Brasil. Mas isso já é outra história desse mundo cão em que vivemos. (C.N.)






