terça-feira, 16 de junho de 2026

 

ARTIGO Ciro Nogueira: 

o fim de uma ilusão

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
16/06/2026 06:00
1 hora e 37 minutos

As revelações de Daniel Vorcaro à Polícia Federal (PF) no chamado "Caso Master” apontam para a compra de influência política no Congresso Nacional. No caso específico, trata-se do senador Ciro Nogueira, cuja situação mudou depois da nova versão da proposta de delação de Daniel Vorcaro dono do Banco Master. Vorcaro confessou que os repasses feitos ao senador eram propinas, e não apenas frutos de uma relação de amizade.  Essa nova versão ocorreu após a Polícia Federal e a Procuradoria-Geral da República (PGR) recusarem um acordo inicial de delação sob a justificativa de falta de provas.  Nessa versão -também recusada-, Vorcaro confessa que o senador recebia mensalmente uma mesada com valores que variavam entre R$ 300 mil a R$ 500 mil mensais. Isso já havia sido divulgado pela imprensa nas operações financeiras sob o disfarce de parceria, envolvendo a empresa BRGD, da família Vorcaro, e a CNLF, ligada ao senador. Ambas eram usadas para o fluxo de pagamentos. Além disso, Vorcaro teria proporcionado a Ciro outras benesses, como o custeamento de ao menos três viagens internacionais (Paris, Nova York e os Alpes Franceses) com diárias pagas em hotéis de luxo, jantares sofisticados e vestuário de inverno. Em outra ocasião, Vorcaro disponibilizou um apartamento para o senador morar enquanto o imóvel de sua família passava por reformas.

Os investigadores apontam que Ciro usou a atividade parlamentar para favorecer os negócios particulares de Vorcaro, como a apresentação de uma emenda constitucional para ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que passaria para R$ 1 milhão por depositante. Essa medida beneficiaria diretamente o Banco Master em suas estratégias de expansão de mercado. Se comprovadas as acusações que pesam sobre sua pessoa, o mandato do senador fica comprometido. Alvo de diversas acusações, inquéritos e investigações criminais de grande repercussão ao longo de sua trajetória política, Ciro tem seu nome frequentemente ligado a suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. O senador foi citado por delatores do Grupo Odebrecht e do grupo J&F por supostamente receber dinheiro em propina. Os repasses teriam como objetivo garantir apoio político e beneficiar o Partido Progressista. A Procuradoria-Geral da República (PGR) chegou a formalizar denúncias contra o senador com base nesses esquemas. Apesar da gravidade das denúncias, o parlamentar e sua defesa negam veementemente o recebimento de qualquer valor ilícito. Eles argumentam que as acusações baseadas em acordos de delação premiada não são corroboradas por provas materiais sólidas, e que os repasses questionados tratavam-se de doações oficiais de campanha e negociações partidárias legais.

Esses escândalos, verdadeiros ou não, mancharam a biografia do parlamentar, conhecido como um hábil político. Elegeu-se senador pelo Piauí em 2010 e conquistou a reeleição em 2018. Assumiu o comando nacional do partido Progressistas em 2013 transformando-o em um dos maiores blocos de influência e articulação no Congresso Nacional.  Entre agosto de 2021 e dezembro de 2022, destacou-se como Ministro-Chefe da Casa Civil durante a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, atuando como o principal "bombeiro" político entre o Planalto e o Legislativo. Sua postura pragmática sempre o colocou no centro do espectro político nacional, permitindo alianças com diversos governos, apoio a candidaturas petistas em eleições passadas e influência pessoal nas decisões políticas. Com a mudança de gestão federal, o parlamentar passou a atuar como figura de oposição ao governo do presidente Lula da Silva.

Agora, sua amizade com Vorcaro e as benesses por ele fornecidas o colocaram no radar das autoridades investigativas. Alvo de inquéritos e acusações que apuram suposto envolvimento em esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro, organização criminosa e influência indevida no Sistema Financeiro Nacional, -incluindo conexões com operações da Polícia Federal voltadas a instituições como o Banco Master e beneficiários de emendas-, Ciro vê o encerramento de sua carreira de forma melancólica. A maneira utilizada para conseguir o êxito pode ser resultado do excesso de ambição, do uso do cargo e da função para objetivos condenáveis ou do choque de valores entre o sucesso político e a realização pessoal. O desejo desmedido de uma ascensão pode levar a atropelos éticos e conflitos internos, arruinando a carreira e a reputação. Agora, o problema é saber se Ciro tem alguma reserva de segurança para buscar novos caminhos que lhe permitam transitar para outras áreas sem desespero, ou se os fatos demonstrarão que sua carreira chegou ao fim, o triste fim de uma ilusão.

Luiz Holanda é advogado e professor universitário

 

Ao tentar “defender” Moraes nos EUA, a AGU está expondo o Brasil ao ridículo

Moraes estaria “aparentemente irritado e chateado” com acusação de agir  contra Messias - Revista Fórum

Messias dá uma aula de amadorismo, ao defender Moraes

Carlos Newton

É uma Piada do Ano atrás da outra, envolvendo o ainda ministro Alexandre de Moraes, que já deveria ter renunciado ao cargo desde revelado o valor do contrato de sua mulher com o banqueiro Daniel Vorcaro, no módico total de R$ 129,6 milhões, para serviços jamais prestados.

No entanto, Moraes é resistente e está suportando o escândalo, fingindo-se de desentendido até mesmo quando vazou o diálogo dele ao celular com Vorcaro, no dia da intervenção extrajudicial no Banco Master, que termina com o criminoso perguntando ao ministro: “Bloqueou?”.

SEM ALVEJANTE – A imagem de Vorcaro está totalmente encardida e não existe alvejante que dê jeito. Mas ele continua lá no STF, fazendo olhar de paisagem, sob a proteção acintosa do ministro Edson Fachin, atual presidente do Supremo Tribunal Federal.

Na semana passada, com o maior descaramento, Fachin teve a audácia de “autorizar” a Advocacia-Geral da União (AGU) a defender Moraes no processo movido contra ele nos Estados Unidos pela plataforma Rumble e pela empresa Trump Media, que pertence ao presidente dos EUA.

O magistrado brasileiro é protestado por ter emitido ordens para as redes sociais americanas removerem conteúdos e proibir determinadas pessoas de publicarem mensagens nos EUA, e essas “ordens” emitidas por Moraes para serem cumpridas na matriz USA foram consideradas lesivas à liberdade de expressão, com agravante de constituir censura prévia.

CRIMES ACINTOSOS – Em tradução simultânea, as decisões judiciais de Moraes foram consideradas infrações à Primeira Emenda pelo Comitê de Assuntos Jurídicos da Câmara, e as empresas Rumble e Trump Media recorreram à Justiça na Flórida.

Durante meses o ministro Moraes se recusou a ser intimado, proibindo o acesso do oficial de justiça ao STF e a sua residência. Dia 22 de maio, porém, foi autorizada a citação por e-mail e começou a contar o prazo para defesa.

Nessa segunda-feira, dia 15, a pretexto de defender Moraes, a AGU encaminhou à Justiça da Flórida uma solicitação para se habilitar no processo.

PEDIDO INFANTIL – A petição é absolutamente inócua, sem o menor cabimento, porque a ação foi proposta apenas contra o ministro Alexandre de Moraes. Mesmo se a Justiça da Flórida aceitar a habilitação da AGU, será apenas como “terceiro interessado”, que pode acompanhar o julgamento, mas sem direito a intervir ou opinar.

Como não há informação de que Moraes contratou advogado, tudo indica que o prazo para contestação estará extinto e ele será julgado à revelia e condenado sumariamente.

Tudo isso representa enorme vergonha para a Justiça brasileira, sem a menor dúvida. A AGU, em sua empáfia,    alega que “o  Brasil não consentiu e não consentirá com a apreciação de decisões de nossa Suprema Corte por juízes de outro país. Decisões judiciais brasileiras devem ser cumpridas ou questionadas perante nossos próprios tribunais, de acordo com a lei processual vigente no Brasil”.

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P.S.
Chega a ser inacreditável essa alegação feita AGU, comandada pelo ministro Jorge Messias. A Justiça americana está pouco ligando se o Brasil “não consentiu nem consentirá com a apreciação de decisões de nossa Suprema Corte por juízes de outro país”. O Brasil, representado pela AGU, exibe um vexaminoso amadorismo diplomático e jurídico, além de uma estarrecedora falta de conhecimento de Direito Internacional. Dá até pena. (C.N.)

 

Vice-presidente dos EUA diz não confiar em ninguém ao ser perguntado sobre sua confiança no Irã

O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, durante evento oficial, em 27 de março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 16.06.2026
O vice-presidente dos EUA, J.D. Vance, confessou que não confiava em ninguém quando perguntado sobre sua confiança no Irã.
"Primeiro de tudo, eu não confio em ninguém", disse Vance em entrevista à CNN.
Ele expressou confiança de que o presidente dos EUA, Donald Trump, havia estruturado o acordo com o Irã de tal forma que os benefícios só virão se Teerã cumprir todas as condições.
"Posso dizer com 100% de confiança que eles cumprirão todos os compromissos? Não, claro que não, pois não posso prever o futuro. Mas posso dizer que estruturamos o acordo de tal forma que seus benefícios só estarão lá se nossos benefícios também estiverem", acrescentou Vance.
Trump durante coletiva no Salão Oval da Casa Branca, em Washington DC. EUA, 4 de junho de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 14.06.2026
Panorama internacional
Trump declara que acordo com Irã foi concluído e levanta bloqueio naval; o que se sabe até agora?
O vice-presidente dos EUA também enfatizou que, nos últimos 47 anos, os EUA nunca tiveram um nível de coordenação tão grande com o Irã como agora.

"Nunca tivemos uma tal escala de comunicação direta entre os escalões superiores de sua sociedade e nossa liderança política mais alta. Assim, algo mudou fundamentalmente", observou Vance.

O Irã e os EUA confirmaram na noite de 15 de junho a conclusão de um memorando que deve ser assinado na Suíça em 19 de junho.

 

Gastos com cartões saltam para R$33,5 milhões

Após meses de enrolação, o governo Lula (PT) atualizou os gastos com Cartões de Pagamento do Governo Federal, os famosos “cartões corporativos”. As despesas saltaram para R$33,5 milhões, após serem omitidas no Portal da Transparência e paralisadas em R$9,5 milhões desde fevereiro. Só a Presidência da República torrou por R$2,3 milhões em 12 cartões corporativos, este ano. Os cidadãos que pagam a conta não têm o direito de saber a natureza dos gatos, protegidos por “sigilo”.

Proporção

A Presidência de Lula realizou 2,2 mil compras com cartões, em 2026. Quase todas as despesas são sigilosas “por motivos de segurança”.

Dois tipos

Existem dois tipos de cartões; os de pagamentos (“corporativos”) e os da Defesa Civil, usados para custear gastos emergenciais após desastres.

Diferentes, iguais

Somados, em 2026, os dois tipos de cartões custaram R$172,9 milhões aos pagadores de impostos. Só os da defesa civil, R$139,4 milhões.

Comparativo

Em 2025, os cartões corporativos custaram R$105,4 milhões aos pagadores de impostos. Os da Defesa Civil, outros R$329 milhões.

Presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB) - (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

Motta libera votações online e esvazia Câmara

A segunda-feira foi dedicada à falatório contra Hugo Motta (Rep-PB) em grupos paralelos de deputados, a maior parte descendo o bambu na gestão que o presidente da Câmara faz da pauta de votações. Até o recesso legislativo, os parlamentares não precisarão dar as caras em Brasília e poderão votar pelo infoleg, que funciona nos smartphones e tablets do parlamentar, desobrigando registro de presença física na Câmara. Desde a semana passada, o Plenário da Casa está às moscas.

Home office

A circular dos líderes oficializou a regalia, decidida no último dia 9. Na prática, é a quinta semana consecutiva com a moleza vigorando.

Embromation

Para ter cara de algum trabalho, sessões deliberativas vão ocorrer em todas as próximas semanas, inclusive na de São João (24/6).

Com a barriga

A Câmara tem mais quatro semanas de “trabalho” até o recesso. Mas serão todas com votação online. Isso com Copa e São João no meio.

Poder sem Pudor

Susto na campanha

Aloysio Nunes Ferreira era líder do governo na Assembleia e confessou ao governador Orestes Quércia que, sem tempo para campanha, temia ser derrotado na disputa para deputado. O prefeito de Rio Preto, Manoel Antunes, era seu concorrente na mesma base eleitoral. Quércia ligou para Antunes: “Soube da sua candidatura, parabéns! Conte comigo.” Aloysio quase tem um infarto. Quércia o acalmou: “Tenho algo melhor para você.” De fato, ele seria eleito vice-governador na chapa de Luiz Antônio Fleury Filho, apoiada por Quércia.

Dr. Furlan lá na frente

O Paraná Pesquisa (registro no TSE nº AP-02175/26) aponta que o ex-prefeito de Macapá Dr. Furlan (PSD) tem 64,3% na intenção de votos para governador do Amapá. O atual, Clécio Luís (União), tem 26.1%.

Nova disputa

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes, que antecipou sua aposentadoria, ocupava vaga destinada a Câmara, que deve escolher outro deputado federal para o seu lugar.

Milhões todo dia

O total de despesas do governo Lula (PT) com viagens foi atualizado nesta segunda (15): disparou para R$737 milhões, desde o início do ano. Nos últimos 10 dias, o governo torrou R$61 milhões, diz a Transparência.

Vagas preferenciais

Na série B do G7, a comitiva brasileira teve direito apenas a dez passes para jornalistas trabalharem na cobertura do evento. A assessoria de Lula deu dois a Globo e (para disfarçar a preferência) dois a Record e sorteou os passes restantes entre cerca de quinze irritados profissionais.

Frase do dia----"Lula deixou a casa em ruínas"

Flávio Bolsonaro (PL) ao afirmar que está pronto para 'reformar' o Brasil

Delação enrolada

Para o advogado André Marsiglia, “a PGR está enrolando a negociação apenas para impedir que Vorcaro retorne à Papuda”. O constitucionalista afirma que a tratativa é um favor aos que querem soterrar o caso Master.

Às traças

Em agenda no Pará, o pré-candidato ao Planalto, Renan Santos, criticou: “estou numa BR que me fez ter saudades do Maranhão”. Quando foi ao Estado vizinho, o político fez duras críticas às rodovias maranhenses.

Visita

Recuperando-se de cirurgia de desobstrução intestinal, o deputado e pré-candidato ao Senado Gustavo Gayer (PL-GO) recebeu visita da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro. Foi realizada uma oração em Goiânia.

É hoje

O ministro Alexandre de Moraes (STF) rejeitou pedido da defesa de Eduardo Bolsonaro e manteve para hoje (16) o rito condenatório por suposta “coação”. Diz-se em Brasília que só falta oficializar a dosimetria.

Pensando bem...

...parece que ninguém aceita a delação premiada de Vorcaro, nem mesmo o delator.