Major da PM, Neyfson Borges, bastante emocionado no enterro da filha Naysa KayllanyÉrica Martin/Agência O DIA

Rio - Familiares e colegas de farda do major da Polícia Militar Neyfson Borges estiveram, na tarde desta quarta-feira (7), no Cemitério Jardim da Saudade, na Zona Oeste do Rio, para prestar solidariedade pela morte da filha dele, Naysa Kayllany da Costa Borges Nogueira, de 22 anos. O velório começou às 13h, seguido de uma missa de corpo presente às 15h. Às 16h, teve início o cortejo.
Ao fim do sepultamento, Neyfson desabafou que a filha foi acusada de um crime do qual ela pode se defender. Uma das principais linhas de investigação da Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) aponta que a jovem teria atuado no desvio de dinheiro de um ferro-velho localizado em Realengo, na Zona Oeste, onde trabalhava. O local seria fonte de renda de traficantes da região. Conforme apurado pela reportagem, esse teria sido o motivo da agressão que a deixou gravemente ferida e posteriormente abandonada na porta da UPA Jardim Novo, também em Realengo, no último domingo (4).
"Minha filha não teve como se defender. Foi julgada e punida, e não pela Justiça do Estado. Das três envolvidas na situação, duas ainda estão vivas. É muito fácil agora colocar a culpa na minha filha", diz o major. Ele afirmou ainda acreditar na competência da Polícia Civil para prender os envolvidos no crime. "O ferro-velho ainda funciona. Por que ainda não prenderam o dono do local? Agora querem culpar quem não pode se defender. Mas eu tenho confiança na DHC e plena convicção da idoneidade da minha filha", disse.

O agente da PM contou que soube da morte de Naysa quando retornava de uma viagem a Minas Gerais. Ainda segundo ele, não tinha conhecimento de que a jovem trabalhava em um ferro-velho. "Ela não precisava disso. Em nenhum momento passou por dificuldades financeiras. Eu pago pensão, deixei uma casa para ela. Ela saiu da casa da mãe porque quis. Sempre deixei claro que, enquanto não se estabilizasse, eu a ajudaria. Mas ela fez a escolha dela, decidiu trabalhar. Trabalhou porque era uma pessoa honesta", desabafou o major. Segundo a família, a jovem trabalhava de 19h às 6h no ferro-velho.
Naysa era estudante de Psicologia e se dizia apaixonada pelo Flamengo. Bastante emocionado, João Ricardo, pai da madrasta da jovem e considerado por ela como um avô, mesmo sem laços sanguíneos, descreveu a estudante como "a princesinha da família".
"Ela participou ativamente da convivência familiar, era a princesinha da família, de alegria, carinho. Todos tinham um carinho especial por ela. Era muito querida, uma menina ímpar, incapaz de fazer algo errado na vida. Vai deixar muitas saudades. Vamos ficar com a imagem de uma menina que veio para brilhar no nosso meio", disse João.

O "avô do coração" também mencionou a saudade sentida pelos irmãos mais novos após a morte da jovem. "Ela amava os irmãos, tinha verdadeira veneração por eles. Os pequenos estão sentindo muita falta também. A Naysa era nossa neta querida e amada", completou.
Horas antes do velório, o major lamentou não ter conseguido evitar a morte da filha. "Hoje eu simplesmente não queria acordar. Não faz ideia da dor que tenho de não ter conseguido salvar você, minha branca. Tentei ser o melhor pai que podia ter sido, mas acredite que você foi a melhor filha", escreveu Neyfson em uma publicação.

*Colaboração de Érica Martin