sábado, 18 de julho de 2026

Ao que parece, só prisões podem frear os abusos das emendas parlamentares

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Dora Kramer
Folha

Conversando outro dia com experiente figura da República, deputado destacado na Constituinte, ministro em governos do PSDB e do PT, hoje no setor privado, ouvi que só há um jeito de levar o Congresso a cumprir a exigência de transparência no uso das emendas parlamentares: a prisão de meia dúzia de abusadores do Orçamento da União.

Falávamos sobre as mudanças nos meios de modos de se fazer política no Brasil, desde o início da abertura, nos últimos dois períodos da ditadura, até hoje quando a arte de negociação para construção de consensos foi substituída por uma era de impasses que se acumulam sem solução.

FREIO – O interlocutor em tela está longe de ser um radical, firmou-se na política como negociador na escrita da Constituição, cujo texto implicou concessões à direita e à esquerda. A proposta extrema de prisões como freio às exorbitâncias com recursos em tese destinados ao atendimento de demandas regionais da população decorre da resistência do acordo proposto em agosto de 2024 em reunião com representantes dos três Poderes na sede do Supremo Tribunal Federal.

Os termos eram objetivos: não haveria restrições ao uso das emendas, desde que cumpridos requisitos de transparência e rastreabilidade inerentes à decisão judicial de 2022, sobre a inconstitucionalidade do chamado orçamento secreto.

Pois não só houve o descumprimento, como a desobediência foi ampliada para novas modalidades de fraude —como a apropriação das emendas por gente sem mandato parlamentar— e a retomada parcial (ainda) da destinação de verbas sem identificação.

ILEGALIDADES – A hipótese de condenações e prisões não é um devaneio autoritário. Pode vir a ser consequência do resultado de algumas das dezenas de inquéritos que correm no STF para apurar ilegalidades cometidas por deputados e senadores.

Fica, contudo, a dúvida sobre a eficácia presumida pelo experiente espectador das coisas da política sobre se seria fator de inibição das práticas obscuras ou o deflagrador de novo impasse entre os Poderes da República.

PF diz que em 2000 Jaques Wagner já estava enriquecido através da corrupção

Para 61,2%, caso Jaques Wagner prejudica campanha de Lula

Lula não liga para corrupção e continua apoiando Wagner

Aguirre Talento
Estadão

O senador petista Jaques Wagner (BA) tentou efetuar a venda de uma extensa propriedade por R$ 15,8 milhões um dia depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de recebimento de propina do Banco Master.

A transmissão do imóvel, porém, foi barrada pelo cartório de registro de imóveis, que recebeu uma ordem de bloqueio de bens assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

SEM COMENTÁRIOS – Procurado, o senador disse, por meio de seus advogados, não haver irregularidades, mas não explicou os detalhes do negócio.

“A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, afirmou o advogado Pablo Domingues.

Wagner também havia acertado a venda de um segundo imóvel por R$ 10 milhões, o apartamento dele em Salvador, em transação protocolada em cartório uma semana antes da operação da PF. Com a ordem de André Mendonça, o negócio também foi bloqueado e a transmissão de propriedade na matrícula do imóvel não foi autorizada pelo cartório.

MILHÕES EM CAIXA – Mesmo com a ordem de indisponibilidade dos imóveis, Wagner já recebeu ao menos R$ 12 milhões pelos negócios. Ele deixou o posto de líder do governo Lula no Senado após a operação da PF, por pressão do Palácio do Planalto, e atualmente é pré-candidato à reeleição para o cargo de senador.

O Estadão obteve cópia da documentação com detalhes desses negócios, registradas em cartórios da Bahia. A PF cumpriu busca e apreensão contra o senador na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.

Um dia depois, em 19 de junho de 2026, o senador protocolou no 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari um contrato de compra e venda de um terreno de 51 mil m², que ele havia comprado em 2000.

CLUBE BAHIA – A área pertencente ao senador está localizada na Região Metropolitana de Salvador e foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo imobiliário. A previsão é que o terreno faça parte de um empreendimento imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do clube.

Questionada sobre a transação, a diretoria do Bahia afirmou que foram comprados terrenos de cinco proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e disse ainda que o bloqueio não vai prejudicar a construção do empreendimento.

A Polícia Federal apura também que Wagner solicitou ao então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de alto luxo em Salvador. O imóvel efetivamente foi comprado por uma empresa em nome de laranja, com recursos enviados pela corretora Reag, suspeita de participar em conjunto dos crimes financeiros do Banco Master.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais interessante da matéria é saber que Jaques Wagner já tinha enriquecido ilicitamente em 2000, há 26 anos, portanto, mas só agora estão descobrindo as falcatruas da família, que já contaminou a nova geração, porque o apartamento de luxo está no nome da filha dele. O senador pode ser comparado a Geddel Vieira Lima, o grande mestre da corrupção na Bahia. (C.N.).

 Política

Moraes impede Milei de visitar Bolsonaro: Decisão esdrúxula ganha relevância internacional e revela algo assombroso

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender visitas com finalidade político-eleitoral ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inviabiliza o encontro solicitado pela defesa do ex-chefe do Executivo com o presidente da Argentina, Javier Milei.

A visita estava prevista para 25 de julho, data em que o líder argentino também participará da convenção nacional do PL, em São Paulo, para declarar apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).ão de Moraes revela algo assombroso: A condição de refém do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nenhuma decisão tem qualquer preocupação com a legalidade, mas tão somente com questões políticas para proteger o atual regime brasileiro.

Jornal Grande Bahia

 

“Já o li esta manhã” | Por Luiz Holanda

Jamais fui íntimo do ex-governador e ex-senador Antonio Carlos Magalhães. Tampouco privei do círculo de amigos que o visitava todos os domingos, pela manhã. Sempre o achei atencioso e delicado comigo, sem, contudo, termos qualquer intimidade. Como seus adversários diziam tratar-se de um homem que mudava de comportamento conforme as circunstâncias, nada mais natural do que agir com prudência, sem me aproximar demasiadamente de sua pessoa nem tentar fazer parte do grupo de sua compadrice.

Comovia-me, porém, a sua gentileza. Senti, como todo ser humano, o seu pranto  durante a missa de sétimo dia em memória do seu filho, Luís Eduardo Magalhães. Durante a vida inteira ele o preparara para ser presidente da República. Ao me aproximar para dar-lhe as condolências, ele – chorando copiosamente-, disse-me que guardaria para sempre o artigo que eu escrevera sobre o fatídico acontecimento, publicado no jornal Tribuna da Bahia sob o título “A morte não ganha da vida”.

Por sua indicação assumi diversos cargos na administração estadual, entre os quais o de Superintendente Parlamentar na Assembléia Legislativa da Bahia. Certo dia, em visita àquela Casa, adentrou no meu gabinete à minha procura. Como não me encontrou, deixou recado para que eu o visitasse no “Correio da Bahia”. Lá chegando, na manhã seguinte, anunciou que iria me indicar para assumir a função de conselheiro no Conselho Estadual de Eduacação, órgão integrante da Secretaria de Educação do Estado da Bahia.

Quando lhe perguntei se teria que deixar o cargo de Superintende da Assembléia Legislativa, ele me respondeu que não, e que estava me indicando porque eu era um “intelectual” e que iria ganhar uns “jetonsinhos”. Certa feita me chamou em seu gabinete para tratar de um assunto relacionado à Assembléia. Tão logo me apresentei, a secretária pediu-me para aguardar porque ele iria atender  a um determinado governador em visita ao nosso estado. Qual não foi minha surpresa ao ser recebido imediatamente, deixando o governador à espera. Preocupado, disse-lhe que aguardaria ele atender, primeiramente, o governador. Resposta: “Ele pode esperar”.

Dificilmente eu poderia compreender uma personalidade acostumada a exercer o poder e ser, por temperamento, extremamente complexa, pelo menos para mim. Daí o meu cuidado em nunca demonstrar qualquer intimidade. Tratava-o com todo o respeito e reverência, sempre dentro das regras do trato social. Considerando que sou uma pessoa reservada e pouco afeita à efusividade, vez por outra rememoro -intimamente-, certos acontecimentos que tiveram algum significado em minha modesta existência,  principalmente as manifestações dos meus leitores, entre os quais o velho ACM, que, sempre quando me encontava dizia,  com aquele jeito que lhe era peculiar: “Já o li esta manhã”.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

 

Novo julgamento que pode inocentar Bolsonaro deve ocorrer antes das eleições

Como bolsonaristas reagiram à prisão de Bolsonaro: 'preso por uma oração' -  BBC News Brasil

Bolsonaro está confiante no julgamento da Segunda Turma

Carlos Newton

O Supremo Tribunal Federal está vivendo um suspense de matar o Hitchcock, como dizia o jornalista e compositor Miguel Gustavo, autor da famosa marchinha do tricampeonato (“Noventa milhões em ação/ pra frente Brasil/ do meu coração/ Vamos juntos/ pra frente, Brasil/ salve a seleção!”).

A maioria dos ministros realmente está à beira de um ataque de nervos. O motivo é simples. Agora em agosto, após o recesso, Luiz Fux passa a presidir da Segunda Turma, assumindo o importante cargo, hoje ocupado por Gilmar Mendes, que, junto com Dias Toffoli, vem perdendo uma votação atrás da outra, para a maioria formada por Fux, Nunes Marques e André Mendonça.

CASO BOLSONARO – Com Fux no comando, a Segunda Turma vai promover vários julgamentos da maior importância. O primeiro, já em curso, com parecer da Procuradoria-Geral da República, está nas mãos do relator Nunes Marques a revisão criminal da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Não se trata de recurso, é uma ação nova, apresentada pela defesa, que aponta erros judiciários que teriam ocorrido no julgamento anterior, feito pela Primeira Turma, que condenou Bolsonaro a 27 anos de prisão e três meses de prisão.

No julgamento anterior de Bolsonaro, o resultado foi de 4 a 1. A única discordância foi de Luiz Fux, que se manifestou pela absolvição de Bolsonaro com o mais extenso voto da História do Supremo, de 429 páginas, que o ministro demorou 14 horas para ler, em duas sessões seguidas.

NOVO JULGAMENTOA revisão criminal é como se o julgamento de Bolsonaro tivesse começado de novo, desta vez com Nunes Marques como relator, substituindo Alexandre de Moraes. A petição inicial da defesa, pedindo a absolvição de Bolsonaro foi apresentada com 90 páginas. Tens alguns erros processados, mas está bem fundamentada, com base no votos anterior de Fux, pela absolvição.

A Procuradoria já apresentou seu parecer e pediu  o arquivamento da ação revisional. Mas o relator Nunes Marques não aceitou arquivar a questão e está redigindo seu voto, que deverá entregue ainda em agosto, favorável à absolvição, para em seguida ser pautado o julgamento, com os votos de André Mendonça, Luiz Fux, Dias Toffoli e Gilmar Mendes.

Caso os ministros sigam os votos anteriores que já apresentaram em outros julgamentos sobre o golpe de estado, o placar final será mesmo de 3 a 2, com Marques, Mendonça e Fux apoiando a absolvição de Bolsonaro, enquanto Toffoli e Gilmar devem se manifestar pela condenação.

###
P.S. 1 –
Fux vai votar duas vezes, porque antes ele pertencia à Primeira Turma e foi o único voto vencido na condenação de Bolsonaro, em setembro de 2025. Com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso, no mês seguinte o ministro Fux requereu sua transferência para a Segunda Turma e, portanto, vai votar novamente, porque agora se trata de outra ação. Será um dos mais importantes julgamentos já realizados no país, com ampla repercussão interna e externa, e deve ocorrer bem antes da eleição presidencial.

P. S. 2 – Ao término do julgamento, que tudo indica será favorável à absolvição de Bolsonaro, o ministro Fux, na presidência da Segunda Turma, estará obrigado a assinar também o alvará de soltura do ex-presidente, que será imediatamente libertado. Imaginem a confusão que isso vai provocar, se realmente ocorrer antes das eleições… (C.N.)

Sputnik

 

Ataques do Irã deixam militares dos EUA feridos na Jordânia e ampliam tensão regional

Polícia israelense monta guarda perto do local de um ataque a tiros na passagem da ponte Allenby, entre a Cisjordânia e a Jordânia, em 8 de setembro de 2024 - Sputnik Brasil, 1920, 17.07.2026
Nos siga no
Novos ataques atribuídos ao Irã atingiram instalações militares na Jordânia utilizadas por forças norte-americanas e deixaram vários militares dos EUA feridos nesta semana, segundo autoridades estadunidenses ouvidas pela emissora CBS News sob condição de anonimato.
De acordo com fontes, ao menos duas bases militares no país foram alvo dos bombardeios. Até o momento, não há registro de mortos entre militares dos EUA ou da Jordânia, mas a gravidade dos ferimentos não foi divulgada. As instalações são frequentemente usadas por aeronaves militares norte-americanas em operações na região.
Os novos episódios ocorrem poucos dias após o Comando Central dos Estados Unidos (CENTCOM, na sigla em inglês) atualizar o balanço de baixas da campanha militar contra o Irã. Segundo os números divulgados no início da semana, 14 militares morreram desde o início do conflito, enquanto o total de feridos chegou a 414.
A maior parte dos militares atingidos sofreu lesões cerebrais traumáticas provocadas por explosões e impactos de mísseis, um tipo de ferimento que se tornou recorrente em conflitos envolvendo ataques de longo alcance.
Donald Trump durante coletiva no Salão Oval da Casa Branca, em Washington DC. EUA, 7 de março de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 17.07.2026
Panorama internacional
Após Venezuela, EUA acreditaram no seu poder e atacaram Irã, mas foi um erro, acredita especialista

Irã é acusado de atacar grupos curdos no Iraque

Enquanto a ofensiva contra alvos ligados aos Estados Unidos prossegue, Teerã também foi acusado de realizar novos ataques no norte do Iraque. Bombardeios com drones e foguetes atingiram posições de um grupo curdo iraniano de oposição na região autônoma do Curdistão iraquiano, matando nove integrantes da organização.
Teerã acusa há anos grupos curdos instalados no norte do Iraque de atuarem em favor de interesses ocidentais e israelenses.
Em março, durante a intensificação da guerra, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que veria com bons olhos uma eventual participação dos curdos iranianos sediados no Iraque no conflito contra o governo de Teerã.