segunda-feira, 8 de junho de 2026

 

Moraes precisa entender que a ação de Trump é contra ele e não contra o Brasil

Moraes prorroga investigação da PF sobre bloqueios em rodovias

Moraes insiste em envolver o Brasil no processo contra ele

Carlos Newton

Os estudiosos do Direito Internacional estão muito curiosos a respeito do processo movido nos EUA contra Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal, por violações à famosa Primeira Emenda da Constituição, que em 1791 foi fundamental para consolidar no mundo a democracia, nos critérios sugeridos quatro décadas antes pelo Barão de Montesquieu,  filósofo iluminista francês, consolidador da moderna Ciência Política.

Como não foram revelados os termos do processo apresentado à Justiça Federal da Flórida pela plataforma de vídeos Rumble e pela Trump Media, empresa do presidente Donald Trump, ainda não há informações concretas sobre as penas que estão sendo pedidas na condenação a Moraes. Mesmo assim, é possível avaliar essa possibilidade, com base na legislação norte-americana.

DOIS OBJETIVOS – Moraes está em péssima situação e surpreendeu o país ao pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, que seja representado oficialmente pela Advocacia-Geral da União no processo a que responde na Flórida. Com isso, mostrou claramente ter dois objetivos.

O primeiro é deixar de contratar um escritório de advocacia americano e assim economizar um punhado de dólares na fortuna familiar, hoje calculada por volta de R$ 120 milhões, apesar de sua mulher, Viviane Barci, não ter conseguido receber os últimos R$ 50 milhões que restavam serem pagos pelo Banco Master.

E o segundo objetivo é engajar a Presidência da República na questão, como se fosse um processo contra a nação brasileira, embora isso nem possa ser cogitado, pois a ação é feita exclusivamente em nome de Moraes. Mesmo assim, ele insiste em que cabe à AGU contratar advogados na Flórida, e o prazo de 21 dias para contestação está correndo desde o dia 30 de maio.

CRIMES VARIADOS – As duas empresas americanas processam Moraes por abuso de autoridade ao silenciar  oposicionistas, por meio de ordens sigilosas para obrigar plataformas de vídeos e redes sociais americanas a banir contas, interferindo no funcionamento das empresas em território americano, com agravante de violações à liberdade de expressão e aos direitos humanos, incluindo pedidos de detenções arbitrárias sem garantia de julgamento justo. 

Nos Estados Unidos, esses delitos são considerados crimes graves, com penas de prisão, multa e indenização por prejuízos causados pelas ordens ilegais.

Além disso, em outro processo federal, Moraes está respondendo à Ordem Executiva 13818, que impõe a Lei Magnitsky, de responsabilização pelos direitos humanos, cujos efeitos (bloqueio de bens) estão suspensos, mas podem ser restabelecidos.

###
P.S.
Pelo rito processual americano, as empresas que denunciaram Moraes são obrigadas a solicitar parecer da Procuradoria-Geral, e isso pode agravar a questão. Caso a PGR americana decida participar da ação judicial, isso pode significar condenação de até 10 anos de prisão, devido à gravidade da violação acintosa de direitos humanos e empresariais. Mas essa aceitação pela Procuradoria somente será conhecida quando o processo seguir adiante, após a contestação a ser feita
até o dia 20 pelos advogados a serem contratados pela AGU, para evitar que ele seja condenado sumariamente à revelia. Vamos aguardar. (C.N.)

 Política

O STF que mandou citar Bolsonaro numa UTI agora estrebucha por uma citação por e-mail

O ministro Alexandre de Moraes sempre foi extremamente criativo para promover a citação de seus ‘inimigos’. Sim, o magistrado tem inimigos e atua com toda a força de seu poder contra eles. Eis que agora, pela primeira vez está sentindo o peso da lei em sentindo inverso, onde ele agora é o réu.

Apavorado, o Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou conversas com integrantes do Governo Lula para definir uma reação jurídica e institucional após Moraes ser intimado por e-mail em um processo movido pelas empresas Rumble e Trump Media & Technology Group nos Estados Unidos. Ora, foi Moraes quem instituiu esse tipo de citação. Mesmo assim, as empresas americanas tentaram notificar Moraes pelas vias normais, mas foram impedidas pelo sistema judiciário brasileiro, que ‘escondeu’ o magistrado, impedindo sua citação.

O processo envolve acusações de censura relacionadas a decisões judiciais proferidas por Moraes sobre conteúdos e discursos políticos.

Conforme os argumentos apresentados pelas companhias Rumble e Trump Media, as determinações judiciais brasileiras seriam inaplicáveis em território norte-americano por violarem a Primeira Emenda da Constituição dos EUA, além de contrariar legislações locais de comunicação e políticas públicas do estado da Flórida.

Por fim, vale comentar um artigo da jornalista Nadia Fuhrmann, que relembra como se deu a citação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O STF agora não pode chorar. Ela elucida a questão:

“O STF coleciona humilhações e constrangimentos internacionais. Pergunto-me quando isso começou e quando vai terminar.
Os advogados da Rumble argumentaram que o ministro Alexandre de Moraes utilizava o e-mail institucional para enviar ordens de censura, além de ameaças de multas e suspensão às plataformas digitais. Dessa forma, receberam autorização para usar o mesmo canal eletrônico para citá-lo oficialmente.
Sinceramente, acho tudo isso muito constrangedor para nós, brasileiros. Por outro lado, há pouco me lembrei da forma desrespeitosa e atípica como o ex-presidente Bolsonaro foi intimado, em abril de 2025. No dia 11 de abril do ano passado, o STF determinou a notificação dos réus denunciados pelo esdrúxulo golpe de Estado. Entre os acusados estava Jair Bolsonaro.
O ex-presidente encontrava-se internado na UTI do Hospital DF Star, em Brasília, recuperando-se de uma delicada cirurgia intestinal, consequência da tentativa de homicídio sofrida em setembro de 2018, durante a campanha eleitoral. Lembro-me de que a sociedade brasileira assistiu, boquiaberta, pelos meios de comunicação, a uma oficial de justiça entrar no hospital para citar um homem convalescente, recém-operado e deitado em uma cama de UTI, por determinação do ministro Moraes.
Ela entrou na unidade, entregou a citação a Bolsonaro, colheu sua assinatura e registrou oficialmente o ato às 12h47 do dia 23 de abril de 2025. Ética e humanamente, algo inaceitável. Um Judiciário que involuiu ao ponto de remeter ao mundo medieval.
Duas semanas após a intimação que provocou revolta entre os brasileiros, os principais jornais do país estampavam a seguinte manchete: ‘Cristiane Oliveira, a oficial de justiça que intimou Bolsonaro na UTI, é recebida no Supremo Tribunal Federal e recebe solidariedade dos ministros Luís Roberto Barroso e Cármen Lúcia’.”

E conclui a jornalista:

“É isso, senhores: o mundo não gira, ele capota.”

domingo, 7 de junho de 2026

 

Israel faz ataque, Irã ameaça bases dos EUA e Trump solta o verbo

A tensão no Oriente Médio voltou a aumentar neste domingo (7) após uma série de ações militares e declarações que ampliaram o risco de expansão do conflito na região. O governo do Irã afirmou que poderá atacar bases militares dos Estados Unidos e alvos israelenses como resposta ao bombardeio realizado por Israel contra áreas de Beirute, no Líbano.

A ameaça foi anunciada por Mohammad Qalibaf, presidente do Parlamento iraniano e principal negociador de Teerã nas conversações com Washington. Segundo ele, instalações militares norte-americanas espalhadas pelo Oriente Médio voltaram a ser consideradas potenciais alvos em caso de novos desdobramentos da guerra.

Entre os locais mencionados estão as 19 bases mantidas pelos Estados Unidos em países da região, incluindo Emirados Árabes Unidos, Omã, Arábia Saudita, Iraque e Egito. O alerta também foi estendido a interesses e ativos israelenses localizados em diferentes pontos do Oriente Médio.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, se manifestou cobrando o fim imediato dos ataques contra Israel. itsvividleaves.com

Em entrevista à Fox News, Trump reconheceu que a recente ofensiva iraniana dificulta as negociações, mas ainda demonstrou otimismo quanto a um acordo diplomático nas próximas semanas.

O mandatário norte-americano disse que está muito perto de fechar um pacto com Teerã. Segundo ele, um entendimento poderia ser assinado já no início da semana.

“Estamos muito perto. Eu diria que um acordo poderia ser assinado na segunda, terça ou quarta-feira da próxima semana. E agora acontece isso” , afirmou Trump.

O presidente, então, dirigiu-se diretamente às autoridades iranianas, cobrando uma trégua:

“Já dispararam seus mísseis, é suficiente. Voltem à mesa e fechem um acordo.”

Trump ainda comentou com a emissora israelense Channel 12 que pretende conversar com o premiê Benjamin Netanyahu e pedir que ele não contra-ataque, em um esforço para conter a escalada militar.

Sputnik

 

'Seus dias estão contados' diz Irã a Israel; Trump pede a Netanyahu para 'não retaliar'

Mojtaba Khamenei é filho do líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, assassinado no início do mês em Teerã. 31 de maio de 2019 - Sputnik Brasil, 1920, 07.06.2026
Após o início formal da ofensiva de Teerã contra Tel Aviv, o Ministério das Relações Exteriores do Irã afirmou neste domingo (7) que, caso haja ação militar por parte de Israel, haverá represálias.
"A República Islâmica do Irã adverte que qualquer agressão do regime sionista contra o Líbano [ou contra o Irã] receberá uma resposta esmagadora e abrangente por parte das corajosas Forças Armadas iranianas", destacou um comunicado divulgado pelo chanceler Abbas Araghchi.
Neste domingo (7), o Irã atacou Israel em resposta aos bombardeios contra Beirute por parte do governo de Banjamin Netanyahu, que rompeu a trégua no Líbano e atacou prédios em Dahieh, bairro localizado no subúrbio de Beirute, deixando duas pessoas mortas e mais de dez feridas, segundo as autoridades do país.
As medidas tomadas contra o território israelense se devem às "reiteradas violações do cessar-fogo de 10 de abril e às ações agressivas [de Tel Aviv] contra o Líbano e a República Islâmica do Irã, incluindo a cumplicidade com o Exército [dos Estados Unidos] nos ataques contra embarcações e alvos iranianos nas regiões meridionais do país durante as últimas duas semanas".
Ao ser informado sobre os ataques iranianos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, convidou Teerã a retornar à mesa de negociações e alcançar um entendimento para pôr fim ao conflito.
Trump comentou em suas redes sociais que ligaria para Netanyahu para lhe dizer que não retaliasse: "Cada um teve sua vez. Israel fez seu ataque e o Irã fez o seu. Não precisamos de outro", declarou ele ao acrescentar que os ataques iranianos "não prejudicaram ninguém" e alertar que outra resposta israelense poderia prolongar a escalada.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, acena para a mídia na Casa Branca, em março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 07.06.2026
Panorama internacional
EUA vão retirar urânio do Irã seja qual for o resultado das negociações, diz Trump

'Seus dias estão contatos'

O aiatolá Mojtaba Khamenei publicou uma mensagem após o início da ofensiva iraniana contra Tel Aviv, desencadeada pelas ações militares israelenses no sul do Líbano. "Os dias do regime sionista cambaleante estão contados", escreveu ele.
Em 8 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas no conflito americano-israelense contra o Irã. As negociações posteriores realizadas em Islamabad, no Paquistão, terminaram sem acordo definitivo, embora os combates não tenham sido retomados oficialmente.
Ainda assim, os EUA passaram a impor um bloqueio aos portos iranianos, enquanto a trégua acabou sendo prorrogada.