Donald Trump se opõe à anexação da Cisjordânia por Israel, aponta mídia

"Um funcionário da Casa Branca me disse que o presidente Trump se opõe à anexação da Cisjordânia por Israel", disse Ravid do Axios.


Aleixo Belov voltou. Aos 83 anos, esse grande navegador baiano, a bordo do veleiro Fraternidade, alcançou mais um marco histórico em sua carreira. Acompanhado por uma tripulação formada por brasileiros e russos, concluiu a travessia da Passagem Nordeste, rota que liga o Atlântico ao Pacífico através do Ártico Siberiano. A rota é considerada uma das mais difíceis do planeta — mesmo para ele, que realizou mais de cinco voltas pelos mares do mundo. Muitas dificuldades aconteceram, como a falha no GPS, no piloto automático e na bússola, mas nada disso abalou o velho timoneiro, que continuou navegando com as velas abertas, tal qual uma ave marinha voando sobre as águas. Belov não é só um timoneiro levando o Fraternidade em busca de horizontes desconhecidos; é, também, um capitão dos mares, cujo destino é navegar.
Deixou Salvador rumo à Sibéria em mais uma de suas expedições em condições extremas. Quem o lançou ao mar nessa sua última aventura foi o Navio-Veleiro “Cisne Branco”, da Marinha, que seguiu ao lado do Fraternidade até a despedida, na altura da Boca da Barra, na Baía de Todos-os-Santos, que, segundo ele, é a mais bonita do mundo. Essa foi sua sexta volta ao redor da Terra. Ela lhe traria uma sensação muito especial, como realmente trouxe. Antes de ir, ele disse que ninguém sabia o resultado; só sabia que estava indo. “Emocionalmente, eu já estava preparado, já fiz tanta viagem, mas um dia você acorda e se pergunta o motivo de estar fazendo uma expedição dessa, tão difícil, com essa idade, e que nenhum outro velejador brasileiro jamais realizou. Se eu conseguir chegar vivo, não preciso planejar mais nada”. Chegou vivo e triunfante. Para uma alma aventureira, não existe lugar melhor do que o mar, que — além de ser um caminho — é o destino de todos os navegantes.
Belov atravessou os oceanos Atlântico e Pacífico através do extremo norte da Rússia, desafiando grandes obstáculos como os blocos de gelo que cobrem o mar do Ártico durante a maior parte do ano, com exceção de apenas três semanas em cada ano, quando o gelo se dissolve. Tendo percorrido mais de 140 mil milhas náuticas pelo mundo em seus mais de 60 anos de experiência, decidiu desafiar, mais uma vez, o destino. Com uma trajetória de vida marcada pela paixão pelo mar, afirmou que já navegou por todos os mares, e que só faltava a Sibéria: “Esse foi o maior desafio da minha vida. Tivemos que vencer o gelo, as intempéries e lidar com a burocracia da região. Mas conseguimos”. A grande notícia era esperada desde que o Fraternidade deixou nossos mares em abril do ano passado (12/04/2025). 142 dias depois, cruzou o estreito de Bering, chegando ao Oceano Pacífico. Essa proeza mostrou que esse grande navegador é “como as ondas do mar, que mesmo quebrando contra os obstáculos, encontram força para recomeçar”. Essa lenda viva enfrentou imensas dificuldades logo nos primeiros trechos, mas, mesmo assim, continuou navegando, ainda que, em algumas vezes, num mar escuro, pontilhado de estrelas. Esse velho e sagrado marinheiro conhece todos os segredos do mar. Sua experiência o fez navegar com segurança, recorrendo algumas vezes ao antigo método da navegação estimada, usando cálculos manuais baseados em tempo, velocidade, vento e direção para navegar. As dificuldades o fizeram traçar as rotas seguindo as estrelas, a forma das nuvens e o voo das aves. Poucos navegadores no mundo teriam completado essa travessia com tamanha maestria.
Com esse novo desafio, Belov escreveu mais um capítulo da navegação brasileira, registrando 4.500 milhas náuticas russas de navegação, conquistando a Sibéria e atravessando a lendária Passagem Nordeste, desafiando com bravura cada amanhecer do mar. Completada a travessia, a lenda retornou ao Brasil, aportando em Ilhabela, a Capital Nacional da Vela, o primeiro porto brasileiro a recebê-lo. Em seguida, seguiu para o Rio de Janeiro, acompanhado do Navio-Veleiro “Cisne Branco”, onde será homenageado com uma recepção feita pela Marinha do Brasil, com a presença do Vice-Almirante Antonio Carlos Cambra, Comandante em Chefe da Esquadra. O “Cisne Branco” o lançou ao mar por ocasião de sua partida, na Bahia.
Belov, como capitão do mar, não é só um grande navegador; é também uma lenda. Ele representa aquela partícula de que falava Madre Teresa de Calcutá, ou seja, aquela gota d’água na imensidão do mar, “mas que, mesmo assim, o mar seria menor se lhe faltasse essa gota”. Na canção de Paulinho da Viola, em parceria com Hermínio Bello de Carvalho, denominada “O Timoneiro”, um verso, muitas vezes repetido, simboliza uma metáfora de que nosso destino é guiado por forças maiores (o mar/Deus) em vez da vontade individual: “Não sou eu quem me navega, quem me navega é o mar. E a onda que me carrega ela mesma é quem me traz”. E foi justamente essa onda que trouxe a lenda.
*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

Charge do Thiago Lucas (Jornal do Commercio)
Carlos Alberto Di Franco
Estadão
As recentes declarações dos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli apenas agravam a crise de credibilidade que hoje envolve o Supremo Tribunal Federal. Ambos reagiram à pressão por um código de conduta na Corte, mas o fizeram sem enfrentar o ponto central das críticas.
Os dois são alvos de questionamentos no chamado caso Master: Moraes, pelo contrato milionário do escritório de sua esposa com o banco; Toffoli, pela condução surpreendente, centralizadora e pouco transparente do inquérito.
DEMONIZAR PALESTRAS – Moraes afirmou que ministros não julgam causas com as quais tenham relação pessoal e sustentou que a opinião pública “passou a demonizar palestras”.
O argumento não responde ao essencial. O problema não está nas palestras em si, mas no contexto: quem convida, quanto paga, quais interesses estão em jogo e qual a relação com decisões judiciais.
Quando honorários milionários (R$ 129,6 milhões) envolvem o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de um ministro do STF, a questão deixa de ser privada e passa a ser institucional.
CÓDIGO DE ÉTICA – Em tese, um código de conduta seria desnecessário. Ministros da mais alta Corte deveriam pautar-se por padrões éticos evidentes.
No entanto, diante de reiteradas distorções e da crescente percepção de conflitos de interesse, um código pode ser um primeiro passo. Mas será inútil se não vier acompanhado de mecanismos reais de responsabilização.
É triste constatar a rápida erosão da autoridade do STF. Poder sem credibilidade corrói a própria democracia. O país precisa de um Supremo forte — e isso exige transparência, autocrítica e rigor ético.

Moraes e Toffoli estão perdidos, mas Gilmar sempre escapa
Carlos Newton
É fato público e notório que os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes se julgam donos do Supremo Tribunal Federal. Eles se consideram cidadãos acima de qualquer suspeita, como se fossem personagens do genial filme de Elio Petri, em que o criminoso é justamente quem deveria fazer cumprir as leis..
Mas não estamos no cinema e a realidade dos fatos mostra que aumenta cada vez mais o clamor da opinião pública contra o comportamento desses audaciosos ministros.
GILMAR LIDERA – Entre os três, até pela diferença de idade, Gilmar Mendes é o mais experiente e ladino. Sua audácia é ilimitada, a ponto de defender o contrato de R$ 129,6 milhões entre o banqueiro fraudador Daniel Vorcaro, do grupo Master, e o escritório de advocacia da família do ministro Alexandre de Moraes.
No início de dezembro, já em meio ao escândalo do Banco Master, Gilmar Mendes concedeu uma abusiva medida cautelar na ADPF 1.259/DF, suspendendo dispositivos da Lei 1.079/1950, que regula crimes de responsabilidade de autoridades como o presidente da República, governadores, procurador-geral e ministros do Supremo Tribunal Federal.
O mais incrível é sua interpretação da constitucionalidade do art. 41 da Lei 1.079/1950, estabelecendo que apenas o procurador-geral da República é competente para formular denúncia contra membros do Poder Judiciário pela prática de crimes de responsabilidade.
BLINDAGEM CRIATIVA – Em tradução simultânea, a “interpretação” de Gilmar significa uma criativa blindagem aos ministros do Supremo, para que fiquem bem à vontade.
Quanto a Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, trata-se de dois roedores de goela grande. É inacreditável que ainda continuem como ministros do Supremo, depois de tantos exemplos de má conduta e falta de ética.
Toffoli conseguiu se tornar empresário usando dois irmãos e um primo como testas-de-ferro, como se dizia antigamente, ou laranjas, como se diz hoje. Está tudo registrado na Junta Comercial, não há como contestar. O caso de Moraes é pior ainda, porque Toffoli criou um empreendimento, que dá empregos, paga impostos e movimenta a economia. Moraes não tem objetivo algum, salvo o flagrante enriquecimento ilícito, por vender uma “proteção” que não conseguiu entregar.
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P.S. – Agora, futuro do ex-todo-poderoso Xandão agora depende do silêncio constrangedor do banqueiro fraudador Daniel Vorcaro e do economista Gabriel Galípodo, presidente do Banco Central. Se algum deles abrir a boca, Moraes estará liquidado. Como diz o jornalista Mário Sabino, o ministro tem 129 milhões de motivos para estar encagaçado, como se diz no interior. (C.N.)
Por Redação g1
O chanceler do Irã, Abbas Araghchi, afirmou neste domingo (8) que o governo iraniano não abrirá mão de sua capacidade de enriquecer urânio nas negociações com os Estados Unidos sobre um novo acordo nuclear. Falando a diplomatas em uma cúpula em Teerã, o ministro das Relações Exteriores, que foi um dos presentes em Omã para a primeira rodada de conversas com Washington, negou que o Irã tenha interesse em construir uma bomba atômica, como acusam os EUA e países europeus e afirmou:
"Acredito que o segredo do poder da República Islâmica do Irã reside em sua capacidade de resistir à intimidação, à dominação e às pressões de outros. Eles temem nossa bomba atômica, embora não estejamos buscando desenvolvê-la. Nossa bomba atômica é o poder de dizer não às grandes potências. O segredo do poder da República Islâmica está no poder de dizer não aos poderes".
Na sexta-feira (6), o Irã e os Estados Unidos iniciaram as negociações para um novo acordo nuclear. Após semanas de trocas de ameaças entre os dois países, Abbas Araghchi disse que a reunião teve uma "atmosfera muito positiva", com os dois lados concordando em avançar nas negociações.
“Em um clima muito positivo, nossos argumentos foram trocados e os pontos de vista da outra parte nos foram apresentados”, disse Araqchi à TV estatal iraniana, acrescentando que as duas partes “concordaram em continuar as negociações, mas decidiremos posteriormente sobre as modalidades e o cronograma”.
Araqchi disse à agencia de notícias estatal Irna na sexta que reiterou aos EUA que qualquer diálogo entre os países só evoluirá se Washington parar com as ameaças de agressão militar.
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O Ministro das Relações Exteriores do Irã , Abbas Araghchi, e sua delegação partem para o local das negociações em Muscat, Omã — Foto: Ministério das Relações Exteriores do Irã /WANA (Agência de Notícias da Ásia Ocidental)/Divulgação via REUTERS
Pouco antes das declarações do ministro, um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã anunciou que as negociações haviam terminado "por enquanto", o que causou frustração, já que foram apenas algumas horas após o início das conversas entre representantes dos dois países.O encontro entre EUA e Irã durou cerca de seis horas. Começou pouco antes das 5h, no horário de Brasília, e terminou pouco antes das 11h.
"Os negociadores retornarão às suas capitais para consultas e as conversas continuarão. A barreira da desconfiança deve ser superada", afirmou o porta-voz.
No mesmo dia, ao embarcar para um fim de semana de folga em sua casa na Flórida, o presidente dos EUA, Donald Trump, também elogiou a reunião com o Irã. Disse que os representantes de seu governo tiveram "conversas muito boas" com os de Teerã.
▶️ Contexto: O encontro ocorreu em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio e do envio de reforços militares americanos para a região. O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou preferir a via diplomática, mas disse que pode optar por uma ação militar caso não haja acordo.
O governo iraniano afirma que o programa nuclear tem fins pacíficos. Por outro lado, Estados Unidos e Israel acusam o país quer desenvolver armas nucleares.
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Os porta-aviões USS Abraham Lincoln e um B-52H Stratofortress da Força Aérea dos Estados Unidos realizaram manobras conjuntas em junho de 2019 — Foto: Brian M. Wilbur/Forças Armadas dos EUA
Os EUA enviaram soldados, um porta-aviões, navios de guerra, aviões de combate, aeronaves de vigilância e aviões-tanque para o Oriente Médio para pressionar o Irã. Trump afirmou que “coisas ruins” provavelmente acontecerão se não houver acordo.
Na véspera do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que o Irã deve lembrar que Trump, como comandante das Forças Armadas, dispõe de alternativas além da diplomacia.
Ao mesmo tempo, a TV estatal iraniana informou que um dos mísseis balísticos de longo alcance mais avançados do país, o Khorramshahr 4, foi posicionado em uma base subterrânea da Guarda Revolucionária.
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Líder supremo do Irã, Ali Khamenei, e o presidente dos EUA, Donald Trump — Foto: WANA (West Asia News Agency) via Reuters; Nathan Howard/Reuters
As ameaças de Trump e as promessas iranianas de contra-ataque levaram governos da região a tentar reduzir a tensão.
O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, afirmou trabalhar para evitar que o confronto se transforme em um novo conflito no Oriente Médio. Países árabes do Golfo temem que bases americanas em seus territórios se tornem alvos em caso de ataque ao Irã.
Além disso, o chanceler alemão, Friedrich Merz, disse haver “grande preocupação” com uma possível escalada e pediu que o Irã ajude a trazer estabilidade à região.
Já a China declarou apoio ao direito iraniano ao uso pacífico da energia nuclear e criticou ameaças de força e sanções.