segunda-feira, 6 de julho de 2026

Convergência entre Kassio e Mendonça ganha força no STF e pode influenciar julgamentos

Gestão do TSE e caso Master ampliam alinhamento

Matheus Teixeira
Teo Cury
CNN

O alinhamento dos ministros André Mendonça e Kassio Nunes Marques, que oscilou desde que foram indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) ao STF (Supremo Tribunal Federal), ampliou-se nos últimos meses.

De um lado, Mendonça tem dado respaldo à gestão de Kassio à frente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ambos costumam votar em convergência nos principais julgamentos. De outro, Kassio deu votos decisivos para garantir vitórias importantes a Mendonça como relator das investigações sobre fraudes do Banco Master.

CONVERGÊNCIA – A avaliação nos bastidores do Supremo é a de que os dois devem manter posições convergentes, ao menos até o final das eleições. Depois, no entanto, há dúvidas sobre a posição de Kassio em relação ao caso Master.

O magistrado tem sido pressionado pela ala da corte que defende um freio de arrumação na condução do processo. O voto do ministro pode ser decisivo em julgamentos e eventualmente impor reveses a Mendonça e ao caso Master.

A Segunda Turma, onde os processos do Master são analisados, é formada por cinco ministros. Dias Toffoli, no entanto, se declarou suspeito e não tem participado dos julgamentos. Luiz Fux tem se alinhado automaticamente a Mendonça. Gilmar Mendes, por sua vez, até quando seguiu o voto do relator do Master, fez questão de reforçar suas ressalvas e preocupações com a condução do processo.

CONTRAPONTO – Recentemente, o ministro sinalizou que pode se tornar um contraponto aos posicionamentos do relator no colegiado. Caso Kassio apoie o decano em eventuais divergências, com apenas quatro ministros participando dos julgamentos, aumentam as chances de derrotas para Mendonça — empates em matéria penal beneficiam os investigados.

No julgamento em que Gilmar votou para derrubar a prisão preventiva de Henrique e Felipe Vorcaro, por exemplo, Kassio seguiu o entendimento de Mendonça. Um dos argumentos apresentados por Kassio, porém, foi de que Mendonça, por ser relator, tinha mais informações sobre o caso, o que foi interpretado por pessoas próximas a Kassio como sinalização de um voto de confiança ao colega — e não um argumento de alinhamento do ponto de vista jurídico.

MAIOR ABERTURA – A expectativa, de acordo com fontes, leva em consideração o histórico de Kassio, que é ex-advogado e visto como mais aberto a argumentos apresentados pelas defesas. A aposta no tribunal, porém, é a de que ele não deve ajudar a derrubar decisões de Mendonça e enfraquecê-lo na relatoria do caso Master, ao menos até o fim das eleições deste ano. Isso porque ambos estão unidos para fortalecer o TSE e evitar que o STF se torne uma instância recursal frequente da corte eleitoral.

Historicamente, o TSE dá a palavra final em impasses jurídicos durante as eleições. Uma ala do STF, porém, tem afirmado nos bastidores que pode impor derrotas ao tribunal eleitoral caso o órgão não atue de maneira efetiva contra as fake news e críticas às urnas eletrônicas.

Gilmar, por exemplo, afirmou em entrevista que o Supremo pode derrubar a decisão de Kassio que suspendeu a divulgação de uma pesquisa da Atlas/Intel. Além disso, Moraes abriu inquérito sobre acusações do pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Gilmar pediu investigação contra o pré-candidato Romeu Zema (Novo), situações que poderiam ter sido resolvidas na esfera eleitoral.

A poesia realista de Ledo Ivo denunciava as injustiças sociais que existem no país

Lêdo IvoPaulo Peres
Poemas & Canções

OS POBRES DA ESTAÇÃO RODOVIÁRIA
Lêdo Ivo

Os pobres viajam. Na estação rodoviária
eles alteiam os pescoços como gansos para olhar
os letreiros dos ônibus. E seus olhares
são de quem teme perder alguma coisa:
a mala que guarda um rádio de pilha e um casaco
que tem a cor do frio num dia sem sonhos,
o sanduíche de mortadela do fundo da sacola,
e o sol de subúrbio e poeira além dos viadutos.

Entre o rumor dos alto-falantes e o arquejo dos ônibus, eles temem perder a própria viagem, escondida na névoa dos horários.
Os que dormitam nos bancos acordam assustados,
embora os pesadelos sejam um privilégio
dos que abastecem o ouvido e o tédio dos psicanalistas, em consultórios assépticos como o algodão que tapa o nariz dos mortos.

Nas filas os pobres assumem um ar grave
que une temor, impaciência e submissão.
Como os pobres são grotescos! E como os seus odores nos incomodam mesmo à distância.
E não têm a noção das conveniências, 
não sabem portar-se em público.

O dedo sujo de nicotina esfrega o olho irritado
que do sonho reteve apenas a remela.
Do seio caído e túrgido um filete de leite
escorre para a pequena boca habituada ao choro.
Na plataforma, eles vão e vêm, saltam
e seguram malas e embrulhos,
fazem perguntas descabidas nos guichês,
sussurram palavras misteriosas
e contemplam as capas das revistas
com o ar espantado de quem não sabe o
caminho do salão da vida.

Por que esse ir e vir? E essas roupas espalhafatosas,
esses amarelos de azeite de dendê
que doem na vista delicada do viajante
obrigado a suportar tantos cheiros incômodos,
e esses vermelhos contundentes de feira e mafuá?

Os pobres não sabem viajar nem sabem vestir-se.
Tampouco sabem morar: não têm noção do conforto
embora alguns deles possuam até televisão.
Na verdade os pobres não sabem nem morrer.
(Têm quase sempre uma morte feia e deselegante).
E em qualquer lugar do mundo eles incomodam,
viajantes importunos que ocupam os nossos
lugares mesmo quando estamos sentados e eles viajam de pé.

Técnico retranqueiro, Ancelotti não teve a sorte dos treinadores Parreira e Felipão

Imagem de PHILADELPHIA, PENNSYLVANIA - JUNE 19: Carlo Ancelotti, head coach of Brazil, during the FIFA World Cup 2026 Group C match between Brazil and Haiti at Philadelphia Stadium on June 19, 2026 in Philadelphia, Pennsylvania. (Photo by James Gill - Danehouse/Getty Images)

Preocupado com a defesa, Ancelotti enfraqueceu o ataque

Carlos Newton

É triste ver o país do futebol nessa situação, jogando na retranca e transformando atacantes em defensores. Já tivemos dois técnicos retranqueiros que venceram a Copa, mas sabiam escalar muito melhor o time, e desta vez não tivemos a mesma sorte, porque nem sempre o acaso sai vencedor no futebol. Por isso, até agora somente oito dos 211 países membros da Fifa conseguiram vencer a Copa.

Em 1994, Carlos Alberto Parreira retrancou o time, mas tinha dois grandes dribladores no ataque, Romário e Bebeto, com o lateral Jorginho subindo pela direita e Branco subindo pela esquerda para apoiar o ataque. Era um time defensivo, mas poderoso e ameaçador.

Oito anos depois, em 2002, Luiz Felipe Scolari também era retranqueiro, o time jogava defensivamente, mas tinha dois laterais que apoiavam o ataque (Cafu e Roberto Carlos) e contava com os dribladores Ronaldinho Gaúcho, Rivaldo e Ronaldo Fenômeno. Dá para comparar com a atual seleção titular?

SUPERSALÁRIO –  Ancelotti chegou cheio de banca, conseguiu o maior salário do mundo para técnicos de seleção (R$ 5 milhões mensais), ganhou mais um dinheirão fazendo publicidades na TV. Marrento, exigiu contrato até a Copa de 2030 e esses caipiras da CBF aceitaram, embora seu retrospecto não fosse primoroso.

Em 17 jogos, só venceu 10, empatou 3 e teve 4 derrotas. Com esse desempenho, nenhuma seleção pode ganhar a Copa. Isso significa que a derrota para a Noruega, que em cinco jogos jamais perdeu para o Brasil (3 vitórias e 2 empates), apenas abreviou o sofrimento do torcedor brasileiro.

A frustração é enorme, porque não faltam craques no futebol do Brasil, que é o maior exportador mundial de jogadores.

MUITOS ERROS – Vaidoso e prepotente, Ancelotti tem o grave defeito de convocar e escalar jogadores que são amigos dele, com os quais está acostumado na Europa. Todos sabem que a melhor zaga do Brasil é formada por Léo Ortiz e Léo Pereira, mas ele preferiu Danilo, que era reserva no Flamengo com o técnico Filipe Luiz, que o contratou, e continua reserva com o substituto Leonardo Jardim.

O grande amigo Casemiro também não disse a que veio, assim como Douglas Santos.  Apenas Bruno Guimarães e Gabriel Martinelli mostraram grandes qualidades, deveriam ter jogado juntos, abastecendo o ataque, mas Ancelotti preferiu ser defensivo…

Mesmo com os erros de convocação, o treinador italiano poderia ter se consagrado na Copa. Bastaria escalar o ataque com três dos quatro dribladores que estavam à disposição (Vini Jr., Luiz Henrique, Neymar e Endrick). Com toda certeza, a seleção levaria à loucura qualquer time adversário. Nenhum outro país tem quatro dribladores deste nível à disposição dos técnicos.

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P.S.
Espera-se que a CBF devolva Ancelotti à Europa o mais rápido possível. No futebol e na vida, é preciso que os melhores sejam sempre convocados e colocados em campo para servir à coletividade. (C.N.)

Deu no JB

 

Itamaraty faz alerta sobre possível ação militar dos EUA no Brasil

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Por IVAN LONGO, da Revista Fórum

Alterado em 06/07/2026 às 09:37

O chanceler Mauro Vieira Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Itamaraty, por meio de documento assinado pelo chanceler Mauro Vieira, admitiu o temor de que os Estados Unidos utilizem força militar em território brasileiro caso confirmem a classificação do Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A informação veio à tona em resposta a um pedido de informação da Câmara dos Deputados e expõe, pela primeira vez em termos oficiais, a dimensão do risco que a medida unilateral norte-americana representa para o Brasil, com implicações que vão do campo militar ao econômico e migratório;

Em documento oficial, o chanceler Mauro Vieira foi direto: a classificação unilateral do CV e do PCC como organizações terroristas pelos Estados Unidos “poderia ser invocada como justificativa para ações extraterritoriais sobre instituições brasileiras, em particular no âmbito financeiro, migratório e penal”. E foi além: “Há, ademais, o risco de uso da força militar dos EUA contra o território nacional.”

A declaração consta de resposta formal do Itamaraty a um pedido de informação encaminhado pela Câmara dos Deputados. O fato de o próprio chanceler assinar o documento e nomear explicitamente o risco de intervenção militar confere ao alerta um peso institucional que vai além do protocolo diplomático habitual.

Implicações da classificação unilateral dos EUA

A ameaça militar é a mais grave, mas não é a única. No mesmo documento, Vieira listou um conjunto de consequências que a designação pode desencadear, descrevendo “impactos relevantes tanto no plano econômico quanto no da soberania nacional”. O ponto central é a amplitude da legislação antiterrorismo norte-americana: ela permite que autoridades dos EUA apliquem medidas administrativas e judiciais de caráter unilateral e extraterritorial contra pessoas, empresas ou organizações brasileiras, mesmo aquelas sem vínculos diretos com os grupos designados ou cuja ligação seja indireta ou meramente involuntária.

Segundo o chanceler, a “ampla discricionariedade” prevista na legislação americana é, por si só, um fator de risco. Isso significa que cidadãos e empresas brasileiras podem ser afetados por sanções financeiras, restrições migratórias ou consequências penais sem que haja qualquer processo legal conduzido sob a jurisdição brasileira. O congelamento de ativos, a exclusão do sistema financeiro norte-americano e a proibição de “apoio material” a integrantes das facções são medidas automáticas que decorrem da designação, e sua aplicação pode atingir atores que sequer têm consciência de qualquer vínculo com o crime organizado.

Contexto da medida e oposição brasileira
O chanceler foi cuidadoso ao delimitar o terreno jurídico: como se trata de um “ato unilateral” dos EUA, o Brasil não é formalmente obrigado a se manifestar. Mas o governo escolheu fazê-lo. “O governo brasileiro tem externado sua oposição a essa medida”, afirmou Vieira no documento, sinalizando que a postura não é de indiferença, mas de resistência ativa dentro dos canais diplomáticos disponíveis. O detalhe relevante é que não houve comunicação formal do governo estadunidense ao Brasil sobre a decisão, o que reforça o caráter unilateral e, na prática, impede qualquer negociação prévia.

A Fórum já havia noticiado que os EUA preparavam a classificação de PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras, com anúncio esperado pelo Departamento de Estado. À época, o governo brasileiro buscava reabrir canais de diálogo com Washington, e o próprio Vieira teria sido informado sobre o avanço da proposta durante agenda na capital norte-americana.

A lógica da classificação unilateral é clara em seus efeitos práticos: transfere para Washington o poder de definir quem, no Brasil, representa uma ameaça à segurança, e quais consequências essa definição acarreta. Decisões sobre segurança interna brasileira passam a ser moldadas por critérios estabelecidos por uma potência estrangeira, sem contraditório, sem tratado e sem soberania compartilhada. Quem perde, nesse cenário, é o Estado brasileiro e, sobretudo, os cidadãos e empresas que podem ser alcançados pela discricionariedade da lei norte-americana sem qualquer garantia de devido processo legal sob a jurisdição nacional.

Do outro lado, setores da direita brasileira que historicamente defendem uma agenda punitivista e a retórica da “guerra às drogas” encontram na medida norte-americana um reforço simbólico para seu discurso, ainda que o preço seja a entrega de parcela da autonomia do país a interesses externos.

 

URGENTE! PF encontra áudios de Hugo Motta pedindo R$ 22 milhões a Vorcaro (veja o vídeo)

Uma nova revelação envolvendo as investigações do Caso Master promete aumentar ainda mais a pressão sobre figuras centrais da política nacional.

Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, a Polícia Federal identificou áudios em que o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, teria solicitado ao banqueiro Daniel Vorcaro a liberação de um empréstimo de R$ 22 milhões destinado a uma empresa pertencente à sua cunhada.  O episódio ocorre em meio ao avanço das investigações sobre as relações entre Daniel Vorcaro e diversas autoridades políticas, financeiras e institucionais. Segundo os relatos divulgados pela imprensa, os investigadores teriam encontrado registros que apontam para uma atuação direta de Motta na tentativa de viabilizar a operação financeira. 

O valor mencionado coincide com uma operação já revelada anteriormente, na qual Bianca Medeiros, cunhada de Hugo Motta, obteve junto ao Banco Master um empréstimo de pelo menos R$ 22 milhões para aquisição de uma extensa área em João Pessoa, na Paraíba. À época, a empresária afirmou que o contrato foi celebrado dentro das condições normais de mercado e mediante garantias compatíveis com a operação. 

A existência dos áudios, contudo, adiciona um elemento novo e potencialmente explosivo ao caso. Se confirmada a autenticidade e o conteúdo atribuído às gravações, o foco da discussão deixa de ser apenas a concessão do empréstimo e passa a incluir a eventual participação direta de uma das principais autoridades da República na negociação.  O caso ganha relevância ainda maior porque o Banco Master se encontra no centro de uma das maiores investigações financeiras dos últimos anos, envolvendo suspeitas de fraude, lavagem de dinheiro, influência política e possíveis relações impróprias entre agentes públicos e privados. 

Até o momento, não há informação pública sobre eventual indiciamento de Hugo Motta relacionado a esse episódio específico. Também não foram divulgados detalhes integrais dos áudios mencionados nas reportagens. O conteúdo, entretanto, já provocou forte repercussão nos bastidores de Brasília e deve ampliar a pressão para que novas explicações sejam apresentadas. Trade LG

Se os investigadores conseguirem comprovar o contexto e o alcance das conversas, o episódio poderá se transformar em mais um capítulo de alto impacto dentro do escândalo que continua produzindo desdobramentos praticamente semana após semana