domingo, 5 de julho de 2026

 

PF justifica afastamento do perito que vazou provas contra Toffoli e Moraes

Perito é alvo de operação por vazar conversas de Moraes - Opinião em Pauta

Perito João Nabas foi identificado como autor dos vazamentos

Carlos Newton

A imprensa livre faz a festa no caso do Banco Master e está atenta às manobras destinas a anular processos e condenações. É preciso que os jornalistas estejam atentos e fortes, para evitar o mesmo vexame que aconteceu na Lava Jato, que chegou a colocar um presidente da República na cadeia, mas tudo acabou numa macropizza, com o Supremo passando a borracha na corrupção e devolvendo bilhões de reais a empresários inescrupulosos.

Na Lava Jato, ficou demonstrado até onde vai a ousadia dos ministros do Supremo, porque a operação foi desfeita com base em provas ilícitas, extraídas de gravações feitas ilegalmente pelo hacker Walter Delgatti Neto.

VAZA JATO – Conhecido pelo apelido de “Vermelho”, por causa dos cabelos ruivos, o hacker ficou famoso em 2019 ao invadir os celulares de autoridades, incluindo o então juiz Sergio Moro e procuradores da operação.

Seus vazamentos, conhecidos como “Vaza Jato”, expuseram conversas que levantaram dúvidas sobre a imparcialidade dos investigadores e possibilitaram que o STF anulasse as condenações, embora em todos os países minimamente democráticas as provas obtidas ilegalmente não possam ser usadas em processos.

No caso, ocorreu um absurdo ainda maior, porque as gravações sequer foram periciadas, para que se soubesse se eram verdadeiras. O Supremo não quis nem saber, passou o rodo na Lava Jato e estancou a sangria, atendendo ao que sugeriu à época o senador Romero Jucá (MDB-RR), em conversa com o ex-presidente da Transpetro, o corruptíssimo Sérgio Machado.

PERITO DA PF – No caso atual da investigação sobre o Banco Master, a novidade surgiu nesta sexta-feira, dia 3, quando o Estadão deu como manchete do portal a seguinte notícia: “Perito da PF produziu arquivos ‘Moraes’ e ‘Toffoli’ a partir do celular de Vorcaro, diz investigação”.

Assinada por três excelentes jornalistas (Felipe de Paula, Aguirre Talento e Fausto Macedo), a matéria relata que a Polícia Federal informou ao ministro André Mendonça, do STF, ter apurado que o perito criminal João Cláudio Nabas, lotado em Rondônia, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf” a partir de informações encontradas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro, e até sugeriu a colegas da própria PF o vazamento do material.

As informações fazem parte da investigação aberta por ordem de Mendonça para apurar vazamentos do celular de Vorcaro e que resultaram no cumprimento de busca e apreensão contra João Cláudio Nabas em maio, por suspeitas de violação do sigilo funcional. Ele foi afastado de suas funções após a operação.

SEM COMENTÁRIOS – A reportagem do Estadão entrou em contato com o escritório de advocacia que defende João Nabas e não houve manifestação. O espaço segue aberto e os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também foram procurados, mas não responderam.

Especialista no combate a crimes financeiros, Nabas foi convocado para auxiliar a equipe da Operação Compliance Zero em novembro do ano passado. A investigação sobre o vazamento descobriu que ele acessou a extração do celular de Vorcaro em 1º de dezembro e, três dias depois, produziu dois arquivos intitulados “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”, informa o Estadão.

Os documentos compilavam no celular do banqueiro os diálogos e as menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, assim como sua então mulher, Roberta Rangel . Um deles incluía trechos do contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.

Segundo o Estadão, um dos policiais da equipe relatou que Nabas realizou a análise dos dados de forma remota a partir de Vilhena (RO), onde é lotado, e de onde enviou, em 5 de dezembro de 2025, um arquivo em PDF sem identificação contendo um compilado de mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro.

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P.S.
Quando a imprensa tem liberdade para atuar, fica mais fácil esclarecer os crimes, porque a sociedade pode acompanhar o transcorrer dos inquéritos e evitar favorecimentos. Essa matéria do Estadão é importantíssima e demonstra que as investigações estão avançando, embora ainda não se consiga saber como está a apuração dos atos ilegais envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, cuja falta de transparência está sendo denunciada pelo próprio Estadão, em matéria do analista Carlos Andreazza. Vamos voltar ao assunto, amanhã, com informações adicionais, que a Tribuna da Internet está colhendo em Brasília. (C.N.)

 

Lula recua e vai segurar nova indicação de Messias para depois da eleição

Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias, rejeitado a vaga no STF - (Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Lula foi demovido da ideia, que sustentava até o mês passado, de reenviar o nome de Jorge Messias para a vaga aberta de ministro do Supremo Tribunal Federal. Os cenários hoje são: enviar logo após a eleição ou deixar para fevereiro. As bravatas de Lula, sugerindo reenvio imediato, vieram depois dos “trackings” do Planalto captarem ligeira melhora na desgastada popularidade do petista após confronto, sobretudo, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).

Olho na urna

Eventual reenvio este ano vai depender do resultado eleitoral, com envio caso Lula seja derrotado, já contando que a questão vai parar no STF.

Outro clima

Hoje, o cenário mais provável é que fique para fevereiro, após o fim da legislatura, com possibilidade de troca da presidência do Senado.

Água no chopp

Lula não vai admitir, mas o recuo veio após Alcolumbre segurar votações que o petista está de olho, como o projeto do fim da escala 6x1.

Caminho complicado

Além da má vontade de Alcolumbre, regra interna do Senado impede que uma mesma nomeação seja votada duas vezes em um ano.

Palácio do Congresso Nacional, em Brasília | Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Congresso precisa analisar 96 vetos presidenciais

Estão pendentes de análise do Congresso 96 vetos presidenciais. Alguns estão parados há mais de três anos, como veto nº9/2023, feito por Lula (PT) em junho do primeiro ano do mandato, sobre a criação do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade e do Fundo Nacional sobre Mudança do Clima. Do total, 84 vetos estão “sobrestando a pauta”, ou seja, deveriam ser votados antes de qualquer outra matéria.

Alívio para bandido

Lula vetou aumentar pena de roubo qualificado por lesão corporal grave, pois a pena mínima seria superior à pena para homicídio qualificado.

Ajudar para quê?

Lula vetou integralmente a lei que reconhece estágios como experiência profissional pois “compromete seleção de concursos públicos”.

Barrou

Existem 16 vetos totais de Lula a leis aprovadas, os demais são parciais, como um sobre o projeto da Copa do Mundo Feminina, em 2027.

Poder sem Pudor

Croquis voador

Estudantes de engenharia curitibanos, do saudoso Projeto Rondon, mudaram a face de João Câmara (RN). Reformaram o coreto, a praça, até construíram um chafariz. Deixaram saudades. Meses depois, o prefeito recebeu um recado: os estudantes precisavam de um croqui das obras que ajudaram a realizar, para um trabalho de conclusão de curso. O prefeito não entendeu direito, mas, solícito, foi aos Correios e ditou um telegrama: “Impossível encontrar conquis, mas segue a melhor craúna da região.” Em Curitiba, estudantes perplexos receberam do prefeito um pássaro preto.

Bebeu?

Mauricio Marcon (PL-RS) criticou o gesto obsceno de Lula ao mostrar o dedo do meio durante discurso em Brasília: “Quanta classe para um presidente. Será que estava bêbado?”, indagou o deputado federal.

Depoimento muda tudo

Reviravolta no caso Marco Buzzi, ministro do STJ acusado de assédio sexual: uma das supostas vítimas diz que não houve nada e que ele sempre foi respeitoso. O depoimento em cartório será juntado aos autos.

Propaganda, não

A partir deste sábado (4), conteúdos de sites governamentais pararam de ser atualizados. É o tal “defeso eleitoral”, que proíbe conteúdo, mesmo digital, que possa favorecer campanha de autoridades. Incluiu a Polícia Federal, antes considerada órgão de Estado e não de governo.

Redesenho

A eventual desistência de Michelle Bolsonaro (PL) de disputar cargo eleitoral este ano já movimenta a política do Distrito Federal. Inimigos (e especialmente aliados) refazem estratégias para o caso de mudança.

Frase do dia---"Já vencemos uma vez, venceremos de novo"

Nikolas Ferreira (PL-MG) ao reforçar apoio a Flávio Bolsonaro em evento do PL

Desgosto vs. ação

O senador Jorge Seif (PL-SC) avalia que enquanto Lula e cia. se preocupam com as sanções dos EUA sobre o crime organizado, a oposição avança para construir parcerias reais para enfrentar facções.

Fundos e fundos

Eduardo Bolsonaro denuncia elo entre filho de Lula e o PCC. Para o ex-deputado “é provavelmente por isso” que o petista fez “lobby a favor do PCC”, contra a ideia de os EUA designarem o grupo como terroristas.

Tudo pronto

Presidente do TSE, Kássio Nunes Marques promove reunião ainda nesta quinzena para enquadrar representantes de plataformas digitais e de institutos de pesquisa. Quer afinar tudo antes das eleições.

Vai indo

Sobre eventual reenvio da indicação ao STF, Jorge Messias não mostrou resistência, mas também não está trabalhando para isso. Vai deixar o grosso para a articulação de Lula e só depois parte para outro beija-mão.

Pergunta na indicação

Rejeição histórica por duas vezes seria o quê?