Blog de Luiz Holanda

domingo, 6 de setembro de 2026

 

A imprensa perdeu o medo | Por Luiz Holanda

Luiz Holanda
Colunistas e Artigos
6 de Setembro de 2026
3-4 minutos
O artigo de Luiz Holanda analisa a mudança de postura da imprensa diante das revelações relacionadas a Alexandre de Moraes, Daniel Vorcaro e Banco Master. O texto contrapõe a versão divulgada pelo STF a informações atribuídas a relatório da Polícia Federal, aborda mensagens recuperadas do celular do banqueiro e destaca a repercussão editorial do caso, cujos desdobramentos jurídicos, institucionais e políticos permanecem sob acompanhamento público.
Relatório da PF, mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e a versão do STF ampliam o debate sobre Alexandre de Moraes, Banco Master e atuação da imprensa.

Diante das controvérsias referentes às afirmações de determinados setores, principalmente dos interessados em desacreditar o relatório da Policia Federal, a imprensa, principalmente as integrantes de grandes grupos de comunicação, resolveu esclarecer os acontecimentos envolvendo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master de forma desassombrada. No que se refere às mensagens dirigidas por Vorcaro para Alexandre de Moraes, foi divulgado que a Secretaria de Comunicação do Supremo emitiu uma nota negando qualquer vínculo entre as partes, muito embora o relatório da Polícia Federal (PF) desminta a nota oficial do STF negando qualquer relação entre Moraes e Vorcaro.

Perícias no celular do banqueiro comprovaram as trocas de mensagens frequentes entre ele e Moraes, nas quais Vorcaro afirma ter uma “dívida de vida” com o ministro. Mensagens de visualização única indicam que o banqueiro perguntou a Moraes se deveria deixar o país dias antes de ser preso em novembro de 2025. O debate sobre a veracidade das declarações e notas oficiais envolvendo o ministro intensificou-se recentemente devido aos desdobramentos de investigações da PF relacionadas ao caso e ao uso do inquérito das chamadas “fake news”.

Na nota do STF, a Secretaria de Comunicação do Supremo, a pedido do gabinete do ministro, nega as conversas entre o ministro e o banqueiro: “Análise técnica realizada nos dados telemáticos de Daniel Vorcaro, tornados públicos pela CPMI do INSS, constatou que as mensagens de visualização única enviadas por ele no dia 17 de novembro de 2025 não conferem com os contatos do ministro Alexandre de Moraes nos arquivos apreendidos”. Segundo a nota, os prints das mensagens enviadas por Vorcaro estão vinculados a pastas de outras pessoas de sua lista de contatos e não constam como direcionadas ao ministro Alexandre de Moraes.

A controvérsia gerou forte debate político e jurídico sobre o papel dos ministros, investigações em curso e a transparência das informações divulgadas por autoridades da corte. Uma reportagem publicada pelo blog da jornalista Malu Gaspar, do jornal “O Globo”, trouxe novos prints de mensagens atribuídas a Vorcaro e enviadas ao ministro, no dia 17 de novembro de 2025, horas antes de Vorcaro ser preso pela primeira vez.

Os dados obtidos pelos investigadores contrastam com a versão oficial divulgada pelo STF, negando qualquer envio de mensagens ao ministro. Os investigadores da PF identificaram que Vorcaro enviou cinco mensagens de visualização única para um número salvo em sua agenda como “Alexandre de Moraes-BRASILIA”, no dia 17 de novembro de 2025. O relatório aponta que o contato atribuído ao ministro respondeu enviando outras quatro imagens temporárias para o empresário. A perícia conseguiu recuperar os rastros dessas comunicações mesmo com o uso de recursos para apagar dados, cruzando informações do aparelho celular de Vorcaro após sua prisão naquela mesma data.

Em março deste ano, a Secretaria de Comunicação do STF afirmou em nota que tais mensagens jamais foram direcionadas ao ministro. A nota buscava demonstrar que os prints das mensagens estavam associados a outros nomes no computador do banqueiro, não possuindo qualquer relação com o ministro. De acordo com o relatório policial, o banqueiro utilizava um método específico para dificultar a fiscalização e a recuperação das conversas. Em vez de digitar diretamente no WhatsApp, ele escrevia os textos no aplicativo de notas do celular, tirava uma foto da tela e enviava essa imagem usando a função de visualização única, que some logo após ser aberta. Além disso, o contato utilizado estava configurado para apagar todas as mensagens automaticamente após 24 horas. Apesar de todas essas precauções, a Polícia Federal conseguiu reconstruir a cronologia e o teor das comunicações.

Agora, o grande corajoso que ganhou o respeito do país é o jornal **O Estado de S. Paulo, **que publicou um editorial chamando o ministro de uma espécie de “consigliere” do ex-banqueiro Daniel Vorcaro. O termo italiano, historicamente associado à máfia, refere-se a um conselheiro de estrita confiança. A analogia foi feita após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de um relatório da Polícia Federal. O documento revela mensagens de teor íntimo e profissional trocadas entre Vorcaro e Moraes antes da prisão do empresário. Diante dessa coragem, só nos resta uma certeza: a imprensa perdeu o medo.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

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Moraes sofre mais um revés e pressão contra o ministro só aumenta

Jornal da Cidade Online
Por Jornal da Cidade Online
06/09/2026 às 09:02 Direito e Justiça
Imagem em destaque

A Intelis, associação que reúne profissionais de inteligência de Estado da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), afirma que o relatório da Polícia Federal usado por Alexandre de Moraes para pedir a investigação de André Mendonça não segue os parâmetros metodológicos da atividade de inteligência.

A entidade disse ainda que esse tipo de documento não deve ser usado como instrumento de investigação criminal.

A manifestação foi feita dias após Moraes utilizar o relatório para apontar “fortes indícios” de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade por parte de Mendonça.

Segundo a Intelis, o material divulgado não apresenta características compatíveis com a metodologia oficial da atividade de inteligência.

A entidade afirma que esse trabalho exige procedimentos de coleta, avaliação, análise, validação e difusão das informações.

“Não se trata, portanto, de mera reunião de informações, conjecturas ou opiniões”, diz a nota.

O próprio relatório da PF é classificado como documento de trabalho “sem valor probatório”. O material também não tem cabeçalho oficial da corporação nem assinatura de delegado.

O documento reúne análises sobre a atuação de Mendonça e apresenta relatos anônimos sobre uma suposta tentativa de interferência do ministro em acordos de delação da PF.

Também menciona alegações de que ele não confiaria no diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e no procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A Intelis afirma que um relatório de inteligência tem outra finalidade.

“O relatório de inteligência presta-se, assim, à análise de fatos, situações, ameaças, riscos e cenários relevantes, oferecendo conhecimento qualificado ao tomador de decisão. Não é instrumento destinado à substituição de procedimentos investigativos ou à formação de elementos de autoria e materialidade próprios da persecução penal, atividade submetida às garantias processuais específicas.”
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Marco Aurélio diz se arrepender de ter apoiado Moraes para o STF

“Se arrependimento matasse eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”, diz ministro aposentado

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Redação O Antagonista

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Marco Aurélio diz se arrepender de ter apoiado Moraes para o STF
Foto: Nelson Jr. / SCO / STF
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“Os fatos que vieram à balha são seríssimos. Quando caiu o avião e morreu o ministro Teori Zavascki, […] eu disse que o presidente [Michel] Temer tinha um homem talhado para o cargo: professor universitário, membro do Ministério Público, secretário de segurança do prefeito [Gilberto ]Kassab, secretário de governo do governador Geraldo Alckmin, ministro da Justiça. […] Se arrependimento matasse eu não estaria aqui hoje conversando com vocês”, afirmou.

“Ele vem errando a mão e isso é muito ruim”, disse. 

As declarações foram feitas após a divulgação de novas mensagens entre o ministro e o ex-dono do Banco Master. Na última terça-feira, 1º, André Mendonça retirou o sigilo do relatório da PF com 52 mensagens entre Moraes e Vorcaro.

Defesa de Mendonça

Marco Aurélio também defendeu a conduta de Mendonça e afirmou que houve uma “inversão de valores” na condução do caso. 

“Eu penso que está havendo uma inversão de valores. O ministro André Mendonça se defrontou com um relatório da PF e procedeu como deveria, encaminhando à PGR”, disse.

O relatório tem 218 páginas e reúne mensagens e registros de encontros entre Moraes e Vorcaro.

Segundo a PF, os contatos analisados ocorreram entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. O primeiro contato teria sido intermediado, em 2023, pelo ex-ministro Fábio Faria.

Entre os registros, há um jantar entre Moraes e Vorcaro em fevereiro de 2024, com a presença das respectivas esposas. 

O material também aponta outros encontros ao longo daquele ano e em 2025, incluindo referências feitas por Vorcaro a contatos com o ministro.

Postado por Blog de Luiz Holaanda às 03:41 Nenhum comentário:
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