terça-feira, 21 de abril de 2026

 

Prisão para o delegado Marcelo Ivo: A pena pode ser longa

Caso seja condenado pela Justiça americana, Marcelo Ivo pode pegar até 10 anos de prisão. Como se trata de cidadão estrangeiro, ele pode ter seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol e ficar proibido de deixar o Brasil, além de vir a ser alvo de um pedido de extradição. O desdobramento do caso também expõe o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, de quem é amigo, e o próprio ministro Alexandre de Moraes.

As autoridades americanas já têm informações preliminares de que Marcelo Ivo monitorou Ramagem, realizando campanas e acompanhando seus deslocamentos, a fim de reunir dados sobre sua rotina e tentar capturá-lo. O delegado teria feito uma denúncia anônima ao ICE, o serviço de imigração americano, a fim de obter sua deportação, driblando os canais oficiais de cooperação bilateral.O deputado Marcel van Hattem, em publicação na rede social X, resumiu com precisão a gravidade da situação:

"A gravidade é patente: o Policial Federal Marcelo Ivo foi expulso dos EUA e pode pegar dez anos de CANA. Está sendo tratado como espião pego com a boca na botija. Pior: com sua atividade clandestina publicada em nota oficial dias atrás pela PF de Andrei, Lula e Moraes. Game over."

 

Supremo deuses | Por Luiz Holanda

Diante do relatório final da CPI do crime organizado apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), o ministro Gilmar Mendes acionou a Procuradoria-Geral da República (PGR) com uma representação contra o senador, acusando-o de abuso de autoridade. A situação relatada envolve o acirramento das tensões entre o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Congresso Nacional, principalmente em relação ao indiciamento dos ministros da Corte e do Procurador-Geral da República, supostamente envolvidos na investigação. O STF considerou o relatório como uma “peça política” e uma retaliação por decisões judiciais que limitaram as investigações da comissão. Os ministros consideraram a atitude do relator “lamentável, injusta e tecnicamente equivocada”.

O presidente do STF, Edson Fachin, emitiu nota repudiando a proposta, mencionando desvio de finalidade temática da CPI. O relatório pedia o indiciamento dos ministros Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, além do Procurador Geral da República (PGR), Paulo Gonet, por supostos crimes de responsabilidade, mas foi rejeitado pela comissão por 6 votos a 4, o que significa que não seria encaminhado a nenhum órgão de investigação, já que não produziu nenhum efeito institucional.

O problema é que os ministros do STF, em vez de serem apenas juízes, atuam como deuses. No romance que cada sociedade escreve de si mesma, o juiz é apenas um personagem entre os muitos personagens existentes. Não é um deus nem um profeta ou mago. Se a obra escrita foi bem estruturada, o juiz não deveria sequer ser protagonista. O pedido de indiciamento feito por Gilmar não tem nenhum sentido, pois o relatório foi rejeitado devido à mobilização do governo para alterar a composição do colegiado e impor o revés ao relator e à oposição. Além disso, atuaram para o desfecho partidos do Centrão e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), que se posicionou, publicamente, contra as conclusões da investigação. Após o resultado, Vieira culpou o Palácio do Planalto e citou diretamente o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA):

“Eu disse ao líder do governo Jaques Wagner e reafirmo publicamente que o governo escolheu atravessar a rua pra dar um abraço de afogados aos ministros (do STF). Eu acho que isso vai cobrar um preço significativo depois”.

A manifestação do relator foi pelo indiciamento porque os ministros teriam praticado crime de responsabilidade, citando explicitamente o ministro Dias Toffoli, cuja fala teria demonstrado “crime de responsabilidade, pois esse crime não é diferente do crime comum: Ambos são crimes”. Mendes considerou a proposta de indiciamento como uma tentativa de “constrangimento institucional” que “compromete a credibilidade” dos parlamentares. Em mensagens nas redes sociais apontou o “excesso” e afirmou que a iniciativa pode caracterizar abuso de autoridade. Defendeu, inclusive, a apuração do caso pela Procuradoria-Geral da República.

Para a rejeição do relatório o governo teve de substituir os senadores Sergio Moro (União-PR) e Marcos do Val (Podemos-ES), ambos integrantes do Bloco Parlamentar Democracia (MDB, PSDB, Podemos e União Brasil) e favoráveis ao parecer. Foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE), alinhados ao governo. A troca foi fruto de um acordo entre os partidos. A avaliação é que a mudança alterou a correlação de forças e consolidou o cenário que levou ao encerramento da CPI sem deliberação do relatório. Durante a sessão, Vieira subiu o tom nas críticas ao Supremo e rebateu questionamentos sobre o alcance do relatório.

Segundo ele, há necessidade de que este Senado ajude a Suprema Corte a superar o que lhe parece um “complexo de Luís XIV. Nós temos ministros que incorporam esse espírito ao entender que críticas à conduta individual se traduzem em ataques à democracia ou à instituição Supremo”. Afirmou ainda que os magistrados devem se submeter a mecanismos de controle e fiscalização, defendendo que o pedido de indiciamento não configura ataque institucional, mas exercício das prerrogativas do Congresso.

Não há registro de CPIs anteriores que tenham pedido, em relatório final, o indiciamento de ministros de nossa Suprema Corte. Tradicionalmente, as comissões concentram seus pedidos em parlamentares, integrantes do Executivo, empresários e operadores, sem alcançar a cúpula do Judiciário. O precedente mais próximo desse caso envolve a CPI do Sistema Carcerário, em 2008, que chegou a pedir o indiciamento de juízes estaduais. Após intervenção do próprio STF, o relatório final substituiu o termo relativo ao indiciamento por “responsabilização”.

Mas o fato é que o relatório do senador Vieira já havia sido rejeitado; não havia necessidade dessa nova crise se os ministros do nosso Supremo agissem como magistrados, e não como Supremos deuses.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

 

Não dá para entender por que Ibaneis, o parceiro de Vorcaro, continua solto

Ibaneis diz que seu afastamento foi 'necessário' e minimiza culpa de Torres

Ibaneis é um dos protagonistas do escândalo do Master

Deu no g1 DF

Conversas interceptadas pela Polícia Federal entre o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o empresário Daniel Vorcaro citam o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB) em relação à transação envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o banco Master.

O documento com o conteúdo das conversas foi obtido pelo blog da Andréia Sadi e faz parte da nova fase da Operação Compliance Zero,deflagrada pela Polícia Federal (PF), que prendeu nesta quinta-feira (16) o ex-presidente do BRB.

PREPARAÇÃO – “O Governador me pediu que preparasse um material para a argumentação dele, porque vamos receber críticas”, diz Paulo Henrique Costa nas mensagens.

Ao g1, o ex-governador Ibaneis disse que é “natural que o controlador tivesse informações sobre uma operação de compra de parte de um banco”. Sobre a necessidade de rebater críticas, Ibaneis afirmou que sabia que os opositores, “como de fato fizeram, iriam criticar a operação”.

Seus advogados declararam que “o ex-governador não acompanhava, não pressionou e tampouco teve qualquer ingerência em operações realizadas pelas referidas instituições financeiras, tendo assegurado plena autonomia decisória à área técnica do BRB”.

JÁ ESTÁ PRESO – Paulo Henrique Costa foi preso quinta-feira (16), em Brasília, em nova fase da Operação Compliance Zero. Ele será levado para um presídio da Papuda após passar por audiência de custódia O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o banco Master sem lastro — ou seja, sem garantias que sustentem seu valor.

Já Daniel Vorcaro está preso desde 4 de março. Atualmente, ele está na Superintendência da PF em Brasília. Vorcaro é investigado por crimes financeiros, além de envolvimento em pagamentos indevidos a agentes públicos e na montagem de uma espécie de milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas.

As conversas também mostram um suposto acerto de corrupção entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa, que recebeu do dono do Master seis imóveis de alto luxo em troca de facilitar os negócios entre os dois bancos.

ALINHAMENTO PESSOAL – O conteúdo das conversas, que inclui desde planos de carreira futuros até a escolha de materiais de construção, é apontado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) como prova de que o executivo atuava como um “verdadeiro mandatário” de interesses privados dentro do banco público.

Em uma das conversas, Paulo Henrique agradece a Vorcaro pelo “alinhamento pessoal” e afirma estar “empolgado com o que vamos construir”.

Os diálogos também mostram que os imóveis de luxo não eram apenas investimentos abstratos, mas faziam parte de um “cronograma pessoal”.

VISITA AOS IMÓVEIS – Paulo Henrique enviou mensagens relatando visitas às propriedades em São Paulo acompanhado da esposa. Em um trecho, ele comenta que a esposa estava “meio cismada” com uma das unidades e pede para olhar outra para ter “parâmetro”.

Enquanto cobrava celeridade na entrega dos imóveis, Paulo Henrique tranquilizava o empresário sobre sua atuação no BRB, afirmando estar “focado na agenda que combinamos” e “tratando de carteira de outro lado”.

Em outro momento de pressão, Vorcaro questiona se ele ainda tinha interesse no negócio (deal), ao que o então presidente do banco responde: “Estou com vc. Continuo no deal mode. Estou virando noite e tentando resolver”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como diz José Perez, que nos enviou essa matéria do g1, não é possível entender por que o ex-governador Ibaneis Rocha ainda não foi preso na Operação Compliance Zero. Na verdade, Ibaneis é um dos personagens principais da corrupção, continua solto e está fazendo campanha para ser senador da República. Realmente, não dá para entender. (C.N.)

Provas da fraude na nomeação de Jorge Messias podem ser acessadas na internet

DOU - DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO, SEÇÃO 1, DE 04/04/2007

Diário Oficial comprova as fraudes cometidas

Carlos Newton

No ano passado, a Tribuna da Internet decidiu adotar uma postura de atuação mais pró-ativa. Nessa linha, além de divulgar reportagens e artigos denunciando corrupção e outras práticas ilegais, passamos a enviar às autoridades alguns dossiês sobre assuntos de interesse nacional, para acelerar as devidas providências.

Assim, com o propósito de atender diretamente ao interesse público, em maio de 2025 protocolamos o envio de dossiês sobre o Banco Master à Comissão de Valores Mobiliários, ao Tribunal de Contas da União e ao Banco Central. Portanto, tomamos essa iniciativa seis meses antes de ser decretada a liquidação extrajudicial do Master e de outros bancos e financeiras do grupo controlado por Daniel Vorcaro.

CASO MESSIAS – Cinco meses depois, surge agora mais uma oportunidade de prestar esse tipo de serviço ao país, e vamos encaminhar aos senadores esta série de reportagens investigativas que começamos a publicar na segunda-feira, dia 20, com denúncias absolutamente exclusivas sobre atos criminosos cometidos por autoridades da República.  

Desta vez, dois dos envolvidos são figuras renomadas da política nacional – Guido Mantega e Dias Toffoli, que à época (2007/2008) eram ministros da Fazenda e da Advocacia-Geral da União (AGU).

Em Portaria Conjunta, a 6 de novembro de 2007, eles tiveram a ousadia de fraudar um concurso para Procuradores da Fazenda Nacional, para nomear dezenas de candidatos ligados ao PT que não tinham conseguido classificação. 

NÃO HÁ VAGAS – Segundo a Escola de Administração Fazendária (ESAF), que organizava os concursos públicos na área econômica, Jorge Messias teria chegado a ser aprovado em 2006, com apenas três anos de formado, sem experiência forense e sem títulos a exibir, mas não conseguiu ser nomeado, porque só havia 27 vagas e ele ficou na 86ª colocação.

Foi fácil comprovar que à época do concurso Messias realmente ainda nem advogava, porque seu currículo registra que, depois de concluir o curso de Direito em 2003, ainda ficou trabalhando até 2006 em Recife, como “técnico bancário” de dedicação exclusiva na Caixa Econômica Federal, simultaneamente a um emprego de gerente do Teatro Marrocos.

Mesmo assim, Mantega e Toffoli arranjaram uma maneira ilegal de nomeá-lo, junto com dezenas de advogados ligados ao PT que também não se classificaram. 

NOS CURRÍCULOS – Essas informações são inquestionáveis, porque estão registradas em quatro versões dos currículos de Messias, conforme suas próprias declarações no Lattes, no Escavador, na Wikipédia e no Portal da Transparência do governo federal.

O que mais espanta nessa audaciosa fraude é a certeza da impunidade que Mantega e Toffoli demonstraram, pois agiram como se fosse impossível a trapaça ser descoberta. Não tiveram preocupação em nomear dezenas de não-classificados, quando as escassas 27 vagas que existiam já tinham sido preenchidas.

Conforme constatamos no manuseio das provas, Jorge Rodrigo Araújo Messias foi nomeado Procurador da Fazenda em 6 de novembro de 2007 (publicação no Diário Oficial do dia 7, Seção 2), antes mesmo de começarem a ser corrigidas as provas finais de um novo concurso para o mesmo cargo, realizadas oito dias antes, em 28 de outubro, que teve milhares de inscritos.

E foi assim que o nome do futuro ministro do Supremo apareceu incluído na fraude da nomeação de dezenas de falsos classificados, que imediatamente tomaram posse, incluindo Jorge Messias.

FALSO PROCURADOR – O mais patético são os currículos que o futuro ministro do STF apresenta.  Uma das falsidades é  afirmar que em 2006-2007 era “Procurador do Banco Central do Brasil”, salientando: Vínculo: Servidor público, Enquadramento Funcional: Servidor Público Federal, Carga horária: 40, Regime: Dedicação exclusiva”. Mas como ser procurador do BC sem fazer concurso e obter classificação, para então ser nomeado?

Essa mesma informação falsa está divulgada em currículos diferentes, mas essa alegação de que ele  foi “procurador do Banco Central” é apenas mais um artimanha de Messias, que circula de carro blindado na Praça dos Três Poderes, aguardando ser nomeado para integrar o tribunal que deveria estar julgando suas ilegalidades.

Se ele mentiu nessas informações pontuais, que podem ser facilmente desmentidas por outros dados existentes nos próprios currículos que exibe, pode-se fazer uma ideia do volume de fantasias que ele está apresentando ao Senado na enorme lista de seus estudos jurídicos no Brasil e no exterior, com publicação de importantes ensaios, aulas magnas e tudo mais…

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P.S. – As provas da fraude são irrefutáveis e todas elas foram extraídas de documentos públicos, como Diário Oficial da União e editais da ESAF, além de sites como Portal da Transparência, Wikipédia, Currículo Lattes e Escavador. Estão acessíveis a qualquer pessoa que procure defender os interesses nacionais e a dignidade do serviço público. Se houver dificuldade de acesso, é porque as provas estão sendo hackeadas, mas fizemos cópias de todas elas.

P.S. 2 –  Agradecemos as informações do comentarista José Vidal, sempre atento, que nos fez corrigir algumas informações inexatas. Na matéria de amanhã, vamos publicar os diversos e graves crimes praticados por Mantega e Toffoli na nomeação fraudulenta de petistas, assim como as ilegalidades que Jorge Messias cometeu e continua cometendo no exercício ilegal do serviço público, antes de se tornar para sempre inatingível, como mais novo ministro da Suprema Corte. (C.N.)