segunda-feira, 7 de setembro de 2026

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O que está por trás do endurecimento da postura do governo de Milei em relação às Malvinas?

Placa comemorativa do conflito das ilhas Malvinas no Reino Unido - Sputnik Brasil, 1920, 07.09.2026
O presidente da Argentina, Javier Milei, anunciou recentemente a criação de um Conselho de Segurança Nacional e de uma base naval na Terra do Fogo, depois de destacar uma possível mudança de posicionamento de Donald Trump na disputa com o Reino Unido.
Milei também anunciou o endurecimento das sanções contra as empresas petrolíferas que operem sem autorização nas Ilhas Malvinas. O Reino Unido reagiu horas depois, rejeitando o discurso.
Em mensagem transmitida em cadeia nacional e acompanhada por todo o seu gabinete, o presidente argentino anunciou a assinatura de um decreto para acelerar os procedimentos de sanção previstos na Lei 26.659 contra as empresas, acionistas, diretores e fornecedores que participem da extração de hidrocarbonetos em território sob ocupação britânica sem autorização argentina.
O projeto Sea Lion, promovido pela israelense Navitas e pela britânica Rockhopper, está sendo desenvolvido na Bacia Norte das Malvinas e prevê a extração de petróleo em uma área que a Argentina reivindica como parte de sua plataforma continental. O governo argentino sustenta que se trata da exploração de um recurso natural não renovável que pertence aos argentinos, algo que classificou como inédito.
O decreto anunciado impedirá as operações em território argentino das empresas envolvidas, direta ou indiretamente, em projetos não autorizados nas ilhas, e prevê a possibilidade de julgamento à revelia das empresas e de seus fornecedores. Também determina aos órgãos do Estado que encaminhem à Chancelaria os descumprimentos legais que forem identificados.
Além do endurecimento das sanções, o governo argentino enviará ao Congresso um projeto de lei de defesa da soberania nacional que prevê a criação de um Conselho de Segurança Nacional, com poderes para responder por meio de instrumentos econômicos e diplomáticos a atores estatais ou não estatais que Buenos Aires considere uma ameaça.
O outro anúncio central da mensagem presidencial foi a ampliação dos recursos do Ministério da Defesa para avançar na construção de uma Base Naval Integrada na Terra do Fogo, no extremo sul do país, com o objetivo de transformar a Argentina em um polo logístico do Atlântico Sul.
Homem segura bandeira da Argentina com mensagem dizendo Voltaremos!, durante aniversário do conflito nas ilhas Malvinas entre Reino Unido e Argentina - Sputnik Brasil, 1920, 04.09.2026
Panorama internacional
Argentina anuncia sanções contra 45 pessoas e entidades por projetos petrolíferos nas Ilhas Malvinas
O presidente lembrou que, há 50 anos, as Nações Unidas pedem à Argentina e ao Reino Unido que se abstenham de ações unilaterais sobre o arquipélago enquanto a disputa de soberania não for resolvida. Esse apelo inclui a exploração de recursos naturais e, segundo Milei, foi descumprido por Londres ao avançar com o projeto petrolífero sem autorização argentina.
Milei relacionou o momento escolhido para o anúncio às declarações de seu homólogo estadunidense, Donald Trump, que na semana passada sugeriu que Washington poderia rever sua tradicional posição de neutralidade na disputa de soberania entre Argentina e Reino Unido, algo que Milei definiu como "ventos de mudança favoráveis" à reivindicação do país sul-americano.
O Reino Unido respondeu horas depois por meio de seus ministros da Defesa e das Relações Exteriores, que classificaram como "absoluto e inabalável" o compromisso britânico com as ilhas e fizeram referência ao referendo de 2013, no qual 99,8% dos habitantes do arquipélago votaram a favor da continuidade sob soberania britânica.
Essa votação é contestada por Buenos Aires, que considera que, por se tratar de uma população implantada, não pode prevalecer o princípio da autodeterminação dos povos.
O discurso marcou uma mudança em relação a declarações anteriores de Milei sobre o caminho para recuperar as ilhas. A postura contrasta com aquela que havia apresentado em 2 de abril de 2025, quando afirmou:
"Desejamos que os malvinenses decidam, algum dia, votar em nós com os pés. Por isso, buscamos ser uma potência, a ponto de eles preferirem ser argentinos, sem que seja necessário recorrer à dissuasão ou ao convencimento para conseguir isso."

Mudança no discurso

Em entrevista para a Sputnik, o analista internacional Héctor Bernardo relacionou a mensagem à necessidade de melhorar a imagem do presidente, que segundo apontam pesquisas, em franca decadência, devido à economia e ao processo inflacionário sem recomposição dos salários.
"Parece ser uma superexposição do presidente, levando em conta o sentimento social que se fortaleceu depois da Copa do Mundo, quando houve uma manifestação dos jogadores da seleção em defesa da reivindicação sobre as Malvinas, e isso também repercutiu na sociedade."
O especialista acrescentou que Milei nunca demonstrou caráter nacionalista: "muito pelo contrário, suas posições, em geral, estiveram mais relacionadas à ideia de que os habitantes das ilhas tinham direito à autodeterminação".
Já o cientista político Julio Burdman classificou a mensagem presidencial como o discurso mais "malvinista" de um presidente:
"É uma novidade clara de um governo que, até agora, não havia se caracterizado pela defesa da soberania sobre as ilhas [...] para o governo, estamos diante da possibilidade concreta de uma mudança em relação à questão das Malvinas pela primeira vez desde a guerra de 1982".

Argentina, peça-chave do Atlântico Sul?

"Elas têm mais a ver com os interesses dos Estados Unidos, que demonstraram certa tensão com o Reino Unido por causa das disputas internas dentro da OTAN, particularmente entre globalistas e continentalistas", opinou Bernardo.
O analista detalhou que, antes do anúncio, Milei viajou ao Chile para se reunir com seu homólogo José Antonio Kast para reconhecer a soberania daquele país sobre o estreito de Magalhães e com a subsecretária de Estado dos Estados Unidos, que "acabou dando a ele as diretrizes para esse anúncio".
Ele também comparou a iniciativa a outros movimentos de Washington envolvendo passagens interoceânicas estratégicas, como o controle retomado do Canal do Panamá e a disputa pela Groenlândia, e destacou que uma base instalada no Estreito de Magalhães "se projeta em direção à Antártida e a todos os recursos naturais" dessa região austral do continente.
A esse respeito, Burdman afirmou que "há uma aposta clara de Milei de que seja Washington a pressionar para obter avanços na questão das Malvinas, e o próprio governo deixa isso explícito em seu discurso".
O cientista político acrescentou que as declarações de Trump não se explicam apenas por suas tensões com o governo britânico.
"Os Estados Unidos vêm buscando há algum tempo reforçar sua influência na América Latina e, nesse contexto, querem estabelecer um controle de segurança que nunca tiveram sobre o Atlântico Sul”.

 

Fiasco: após Desenrola 2.0, inadimplência cresce e atinge 83,9 milhões de brasileiros

Governo Lula lançou Programa Desenrola contra endividamento. (Foto: Arquivo/EBC).

O suposto sucesso do programa Desenrola 2.0, que Lula tenta usar para arrancar votos dos endividados, não encontra sustentação nos números. Desde o início, em maio deste ano, o número de inadimplentes no Brasil só aumentou. Levantamento da Serasa Experian traz o mapa da inadimplência e negociação de dívidas com números assustadores: são 83,9 milhões de inadimplentes no país em julho, edição mais recente do levantamento, com valor total das dívidas batendo nos R$586 bilhões.

Queimou a largada

No lançamento do programa, o mapa registrava 83,5 milhões de inadimplentes. No mês seguinte, o índice subiu e bateu nos 83,7 milhões.

Cenário desesperador

O mesmo documento mostra que o valor médio devido por pessoa alcança os R$6.987,23 (julho). Subiu 0,96% em relação a junho.

Efeito Malddad

Quando Lula assumiu, eram 70,09 milhões de endividados. Número alto, mas distante dos atuais 83,9 milhões.

No vermelho

O estado com mais inadimplentes é o Amapá, de Davi Alcolumbre (União) e Randolfe Rodrigues (PT), com 64,8% da população.

Ministro Kassio Nunes Marques | Foto: Gustavo Moreno / STF

Nunes Marques presidirá o STF no pós-Moraes

Atual presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Kassio Nunes Marques é o próximo da fila para assumir a presidência do Supremo Tribunal Federal (STF) após Alexandre de Moraes, sucessor previsto para comandar a Corte por dois anos a partir de setembro de 2027. No STF funciona assim: é “eleito” presidente o ministro com o maior tempo de Supremo que ainda não tenha exercido o cargo.

Ordem não muda

Na possibilidade de Moraes não assumir o cargo no ano que vem, nada muda: Nunes Marques será presidente seguinte.

Vice assume

Daqui a um ano Nunes Marques assume a vice-presidência do STF no lugar de Alexandre de Moraes, que hoje ocupa essa função.

Ordem natural

Após Nunes Marques será a vez de André Mendonça, que assumirá a presidência do STF em 2031.

Poder sem Pudor

Doador solícito

Juarez Távora era candidato a presidente e foi a São Luís (MA) com o governador de São Paulo, Jânio Quadros, que o apoiava. Momentos antes, Adhemar de Barros, adversário de Jânio, deixava o mesmo hotel que receberia a dupla, quando o abordaram pedindo dinheiro para “entidades beneficentes”. Solícito, Adhemar prometeu uma doação generosa, mas o pedido deveria ser feito à “pessoa certa”, prestes a chegar: “É o dr. Jânio Quadros”. Os pedintes ficaram animados e Adhemar deu mais uma dica: - Se ele não quiser dar, insistam. O homem é um tremendo pão-duro.

Ação já tem

Coube ao deputado Carlos Jordy (PL-RJ) representar contra Paulo Gonet, o procurador-geral, com denúncia (de 17 páginas) por crime de responsabilidade, após revelada a relação íntima com Daniel Vorcaro.

Alerta grave

Segundo a Transparência Internacional Brasil, “o que está em jogo é um colapso institucional na mais alta instância do sistema de Justiça, com potencial para contaminar o processo eleitoral e favorecer sua captura por forças populistas e autoritárias”.

Que fique claro

A decisão do presidente do STF, Edson Fachin, criou uma ação para investigar se as acusações contra André Mendonça são válidas. Abriu prazo de cinco dias à PGR e concedeu o mesmo prazo a Mendonça.

Não combina

Rui Costa Pimenta critica que “parte da esquerda continua defendendo” Alexandre de Moraes. Para o presidente do PCO, de extrema-esquerda, “a família do ministro receber mais de 200 milhões de banqueiro pego em fraudes bilionárias, é incompatível com qualquer cargo público”.

Frase do dia=====“Curiosamente, desapareceu justamente no período eleitoral”

Vereador Rubinho Nunes (União-SP) sobre a taxa das blusinhas, criada na gestão Lula

Pedido antigo

Jurista e vereadora, Janaína Paschoal (PP-SP) chama o inquérito das fake news de infundado e inconstitucional. Lembra ainda que a ex-PGR Raquel Dodge pediu há anos o arquivamento do processo.

Assim não dá

Os escândalos envolvendo ministros do Supremo e Daniel Vorcaro já incomodam também o empresariado, como manifestou Sérgio Zimerman, fundador da Petz, “se não der em nada, vamos para a rua”.

Tem que sair

O senador Rogério Marinho (PL-RN) disse que já pediu afastamento de Paulo Gonet (PGR), Alexandre de Moraes (STF) e Andrei Rodrigues (PF), autoridades citadas no escândalo do Banco Master.

É problemático

“Quem sente o tumor da irresponsabilidade fiscal é a empresa que fecha”, afirma o senador Jorge Seif (PL-SC), que ainda diz que o governo Lula trata a crise fiscal como “fake news”.

Pensando bem...

...desenrola só enrola.