sexta-feira, 3 de abril de 2026

 

PF torna-se suspeita, por se recusar a exibir imagens da morte de “Sicário”

Notícias sobre charge | VEJA

Charge do JCaesar (Revista Veja)

Carlos Newton

Na vida moderna, com a tecnologia avançando em incrível velocidade, a transparência passou a ser uma exigência inafastável. Sempre que há sigilo sobre essa ou aquela situação, é um sinal evidente de que alguma coisa está errada e não pode vir a furo.

É o caso do inquérito aberto sobre fake news há quase sete anos, destinado a sepultar informações sobre sonegação de impostos pelas mulheres de Dias Toffoli e Gilmar Mendes, ambas advogadas de renome e hoje separadas dos respectivos maridos.

FIM DO MUNDO – O fato concreto é que o inquérito do fim do mundo se multiplicou como criação de coelhos, abrigando apurações de toda sorte, que não acabam nunca, sendo apelidado pelo ministro Marco Aurélio Mello de “Inquérito do Fim do Mundo”.

É uma Piada do Ano que se sustenta indefinidamente, porque os inquéritos são previstos para durar 30 dias e não podem ser prorrogados através dos tempos.

Quando não há transparência e o sigilo é decretado, como vem ocorrendo habitualmente no Supremo e no Executivo, há um resultado sempre ruinoso, porque surgem suspeitas e especulações de todo tipo.

SIGILO INDEVIDO – É justamente o caso do suicídio de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, capanga do banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.

Não existe sigilo oficial, mas os dados sobre a estranhíssima morte do criminoso estão guardados a sete chaves pela PF, exatamente como ocorreu com a gravação das 80 câmeras do Ministério da Justiça no quebra-quebra do 8 de Janeiro, quando não havia sigilo, mas o então ministro Flávio Dino alegou não poder exibir, porque teriam sido “apagadas”.

Naquela ocasião, Dino não teve medo do ridículo e caprichou na criação dessa fake news, porque hoje as imagens são gravadas em computador e não precisam se apagadas, como ocorria antigamente quando as gravações eram feitas em fitas reaproveitáveis.

CHEGA DE SIGILO – Agora o Congresso cansou de esperar e está exigindo as imagens da morte de Sicário, que o superintendente da Polícia Federal em Belo Horizonte, delegado Richard Murad Macedo, afirmou terem sido feitas “sem pontos cegos”, ou seja, a câmera esteve focalizada no preso o tempo todo, até a chegada do socorro, e o tal suicídio foi inteiramente filmado.

Em 5 de março, a CPMI do INSS oficiou ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, solicitando as imagens. O tempo passou e a comissão foi extinta sem haver atendimento.

No último dia 24, o senador Magno Malta (PL-ES) apresentou requerimento à CPI do Crime Organizado solicitando o envio de imagens e documentos sobre a morte do “Sicário”. No mesmo dia, a Comissão de Segurança Pública da Câmara também aprovou requerimentos sobre averiguação das circunstâncias da morte do capanga de Daniel Vorcaro, mas é tudo em vão, a Polícia Federal está sentada em cima.

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P.S.
 – Esse comportamento estranho e anômalo da PF compromete o diretor-geral Andrei Rodrigues, que até agora vinha atuando com destemor, tendo exigido ao presidente do Supremo, Edson Fachin, o afastamento do ministro Dias Toffoli da relatoria do caso Master, e foi atendido. Estranha-se agora que Andrei Rodrigues aceite manchar sua biografia, ao ocultar as circunstâncias da morte de “Sicário”, que era o “Homem que Sabia Demais”, como diria Alfred Hitchcock. Realmente, tratava-se de um arquivo ambulante e se tornou um arquivo morto, logo que foi preso. Vamos aguardar e ficar em cima. (C.N.)

 

Relatório da Câmara dos EUA ataca Moraes e fala em ameaça à liberdade de expressão

Grupo diz que Moraes atua em “campanha de censura”

Luis Felipe Azevedo
O Globo

O Comitê Judiciário da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos publicou na última a quarta-feira um novo relatório sobre o Brasil, no qual critica o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. O grupo, atualmente comandado pelo partido Republicano, do presidente Donald Trump, afirma que o magistrado atua em uma “campanha de censura” que “atinge o cerne da democracia brasileira e ameaça a liberdade de expressão” americana.

“A supervisão do Comitê revela que o ministro Moraes e outros membros do Judiciário brasileiro, assim como um número crescente de censores estrangeiros, buscam impor um regime global de censura ao ordenar a remoção de conteúdos em todo o mundo”, diz o documento sobre decisões de Moraes no STF.

ARGUMENTOS – No relatório, o comitê argumenta que decisões, avaliadas pelos deputados como de censura, proferidas Moraes e outros magistrados brasileiros “têm repetidamente mirado os discursos proferidos nos Estados Unidos, incluindo os de jornalistas e comentaristas brasileiros” que vivem no país governado por Trump.

O documento também menciona o cenário eleitoral no Brasil, citando a disputa entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para os parlamentares americanos, “as ordens de censura e o ‘lawfare’” de Moraes contra a família do ex-presidente Jair Bolsonaro e apoiadores “podem prejudicar significativamente sua capacidade de se expressar on-line sobre questões de interesse público nos meses que antecedem a eleição presidencial brasileira”.

A comissão é presidida pelo deputado Jim Jordan, que é apoiador de Trump. Ele esteve com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro e Flávio em 8 de janeiro deste ano. O Globo procurou o STF, mas não teve retorno até a publicação da reportagem. O texto será atualizado em caso de resposta.

 

Novos tempos: Renan Filho enfrenta altíssima rejeição e pode ser derrotado no 1º turno em Alagoas

Levantamento do Instituto Veritá aponta um cenário difícil para Renan Filho na corrida pelo governo de Alagoas. Além de registrar 71,6% de rejeição, ele aparece atrás na intenção de voto estimulada, com 33,7% dos votos válidos (20,2% no total), enquanto também perde força na espontânea, onde soma 27,8%. Os números indicam resistência significativa do eleitorado e um desempenho abaixo do esperado nos principais cenários.

Enquanto isso, o prefeito JHC aparece com vantagem expressiva, liderando tanto na estimulada, com 66,3% dos votos válidos (39,8% no total), quanto na espontânea, onde registra 53,4%, consolidando um cenário favorável na disputa estadual.Ações IA

Com esses números, Renan Filho caminha para uma derrota histórica, no 1º turno.

O Antagonista

 

Lava Jato ainda assombra Lula e PT

Anulação das condenações não apagou os crimes desvendados pela investigação, e nem o efeito das revelações para a reputação dos envolvidos, como atesta mais uma pesquisa

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Rodolfo Borges
Lava Jato ainda assombra Lula e PT
Fotos: Carlos Moreira/ PT

Operação Lava Jato foi desmontada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a partir da anulação das condenações de Lula. Uma série de políticos, como Sérgio Cabral e Eduardo Cunha, foi reabilitada formalmente e alguns deles vão concorrer nas eleições deste ano.

Mas a anulação formal dos processos não apagou os crimes desvendados pela investigação, e nem o efeito que sua revelação teve para a reputação dos envolvidos no escândalo, como indica a pesquisa AtlasIntel contratada pela Arko Advice, divulgada na quarta-feira, 1º.

Lula foi apontado com o político mais rejeitado, por 50,6% dos 4.224 consultados de 16 a 23 de março  a pesquisa tem margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Corrupção

Para 85,9% desses que rejeitam o petista, o maior motivo para a ojeriza é o fato de ele ter se envolvido diretamente ou sido conivente com a corrupção. O segundo fator mais apontado, entre os oferecidos pelo instituto, é Lula “querer a população dependente do Estado” (45,7%).

Também há no histórico político de Lula o esquema do mensalão, pelo qual ele não foi julgado, mas que poderia entrar na percepção de conivência com o crime. Foi na Lava Jato, contudo, que o petista foi condenado e preso, antes de a operação contra a corrupção ser derrubada, como tantas outras.

Diante do histórico e de mais essa pesquisa, está claro que a narrativa de perseguição formulada pelos petistas não colou para pelo menos metade da população brasileira. Pesquisa Quaest divulgada pela ocasião dos 10 anos da Lava Jato, em 2024. já tinha tinha atestado seu legado positivo.

Assine Crusoé e leia mais: A vitória da Lava Jato

Consolo

A pesquisa divulgada nesta semana indica ainda que 50% daqueles que já votaram em um petista para presidente e atualmente rejeitam Lula o fazem “pelo envolvimento em corrupção”.

Para quem chegou a acreditar que a Lava Jato poderia corrigir os vícios da classe política brasileira, esses números são um consolo mínimo diante do desmonte da maior operação contra a corrupção do Brasil, que, além de tudo, deu início à crise moral por que passa o STF atualmente.