Desesperado, Moraes tem “chance zero” de escapar do pedido de impeachment

Felix de Paiva, da ADPF, preocupa-se com a investigação
Carlos Newton
As provas vão surgindo e se acumulando contra o ministro Alexandre de Moraes, que a cada dia vai ficando em pior situação e já passou a ter “chance zero” de evitar o pedido de impeachment, porque até mesmo seus maiores aliados no Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, não têm a menor condição de defendê-lo.
Atingido por acusações de corrupção tão graves quanto os crimes de Moraes, o amigo Toffoli está impedido pelo plenário de opinar sobre o caso Marques, por ser um dos investigados. Seu futuro é igual ao de Moraes – o impeachment, e a única dúvida é saber quem vai primeiro.
GILMAR FRACASSOU – O experiente ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, é o maior aliado de Moraes, e até tentou protege-lo, alegando que o ministro André Mendonça estaria infringindo as regras do STF, uma prática que tem o próprio Gilmar como maior especialista, mas a manobra fracassou.
Essa tentativa de tumultuar a questão e salvar Moraes esbarrou na posição firme do presidente Édson Fachin, que insistiu em levar a questão ao plenário, e Gilmar também ficou sem ação.
Para não demonstrar ter desistido de apoiar Moraes, o decano Gilmar então apresentou uma proposta para proibir a atuação de policiais federais nos gabinetes dos ministros, mas isso não resolve nada para Moraes. Pelo contrário, serve apenas para demonstrar à Polícia Federal que é preciso moralizar o Supremo, a qualquer custo.
REVOLTA DOS DELEGADOS – A situação de Moraes se agravou muito no sábado, devido ao posicionamento firme da Associação dos Delegados da Polícia Federal, que enviou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma interpelação para que ele se declare impedido de participar com caso do Banco Master, por ter-se envolvido com o banqueiro Daniel Vorcaro.
No mesmo documento, a ADPF, que reúne quase 2 mil delegados federais, exige “que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas“.
Acho que o episódio pode ser chamado de “A Revolta dos Delegados”, um fato inusitado e auspicioso, a demonstrar que ainda há autoridades no Brasil que não compactuam com o crime e a corrupção.
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P.S. 1 – Em tradução simultânea, os policiais federais sabem a extensão do envolvimento de autoridades como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, atual diretor da PT, cuja namorada, a jornalista e lobista Renata Varandas, também está sendo investigado por sua ligação com Vorcaro.
P.S. 2 – Assim, de antemão, os policiais federais já sabem muito bem quais foram as autoridades que agiram como milicianos e venderam proteção ao banqueiro Vorcaro. Se os ministros do Supremo tiverem juízo, vão enquadrar todos os envolvidos. Se não o fizerem, poderão agravar ainda mais a crise que emporcalha as instituições. (C.N.)







