quarta-feira, 15 de julho de 2026

 

Por que o alinhamento da Argentina aos EUA põe em risco países como o Brasil? Analista explica (VÍDEOS)

O presidente da Argentina, Javier Milei, faz uma reverência à multidão antes de discursar na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), em Oxon Hill, Maryland, EUA, 22 de fevereiro de 2025  - Sputnik Brasil, 1920, 15.07.2026
Especiais
O governo de Javier Milei e o Comando Sul dos EUA formalizaram o Protecting Global Commons Program (Programa de Proteção dos Bens Comuns Globais), um acordo de defesa de cinco anos para o Atlântico Sul. No entanto, os desdobramentos da iniciativa podem ir além das fronteiras argentinas e impactar a segurança dos países da região.
Nesse sentido, segundo Pedro Kilson, bacharel em relações internacionais e mestre em História Contemporânea da América Latina, em entrevista à Sputnik Brasil, os impactos da presença dos Estados Unidos tensionam e afetam a cooperação regional entre Buenos Aires, Brasília e Montevidéu, que também integram a Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).

"Em âmbito da América do Sul, um cenário negativo seria um possível esvaziamento dos canais de comunicação e fóruns multilaterais, como as Zopacas. Então, o quadro de segurança regional seria marcado pelo enfraquecimento da cooperação entre países vizinhos. Por outro lado, dependendo de como o acordo vai se desenrolar, podemos pensar num provável isolamento argentino na região", disse.

Kilson também analisa que, nesse cenário complexo, o incentivo à produção bélica dentro do contexto da política interna de cada Estado pode ser uma realidade, e aponta que o recente discurso do presidente Lula sobre a necessidade de se investir em defesa para não ser surpreendido sinaliza esse movimento.

"Esse discurso de Lula, na realidade, é algo novo. Essa perspectiva de que o Brasil precisa se militarizar para se proteger ou dissuadir ameaças externas. Então, pode ser que em determinado momento exista um enfraquecimento das Zopacas como instrumento de diplomacia e que cada país volte para si mesmo e pense em políticas de defesa individuais que não levem em consideração seus vizinhos", comenta.

O ministro de Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o assessor-chefe da Assessoria Especial do Presidente, Celso Amorim, conversam durante sessão especial de abertura da primeira reunião de sherpas da presidência brasileira do BRICS, no Palácio Itamaraty. Brasília (DF), 26 de fevereiro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 09.07.2026
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Investimento dos EUA tende a causar dependência

O especialista, que publicou seu estudo sobre o tema no Boletim Geocorrente do Núcleo da Avaliação da Conjuntura da Escola de Guerra Naval (NAC/EGN), também indica que esse acordo, que prevê investimento estadunidense, pode causar danos internos para a indústria militar argentina, como uma extrema dependência tanto militar quanto política.

"Trata-se de um acordo estratégico de natureza assimétrica, por envolver países com projeções militares, econômicas e políticas dissonantes. Embora a Marinha argentina possa sim se beneficiar materialmente dos investimentos feitos a partir dos EUA, no caso argentino existe a possibilidade de um aumento significativo de dependência militar e política", destaca.

O pesquisador também assinala que esse acordo firmado com o Comando Sul dos EUA pode ir além da administração Milei, mesmo que um outro governo possa vir a ser contrário, devido à relação assimétrica entre os países.

"Com certeza é uma política que vai extrapolar o governo Javier Milei, e, se o governo seguinte não tiver capacidade legislativa ou jurídica para mudar a essência desse acordo, as debilidades que a Argentina pode internalizar a partir da aceitação acrítica desse acordo podem se fortalecer. Pode haver o crescimento de uma dependência tecnológica e o enfraquecimento da própria indústria argentina", observa.

O presidente norte-americano Donald Trump assina uma proclamação comprometendo-se a combater a atividade criminosa dos cartéis na Cúpula Escudo das Américas, no Trump National Doral Miami em Doral, Flórida, 7 de março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 16.03.2026
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Acordo entre EUA e Argentina impõe nova realidade

Ações mais incisivas na seara das relações internacionais por parte da Casa Branca, como a iniciativa do Escudo das Américas, sob a justificativa do combate ao narcotráfico, acabam se expandindo pelas nações latinas em outras iniciativas.
No caso da Argentina, também signatária desse projeto e mantendo um alinhamento automático aos desígnios norte-americanos, abriu-se mais um flanco para os EUA no Atlântico Sul. Dessa maneira, Kilson explica que os países com posicionamentos distintos ao da Casa Rosada precisam se adaptar à realidade concreta do momento.

"Inaugurou-se um novo contexto, no qual os EUA, se estavam como ameaça, estavam distantes [geograficamente], e se tornaram um 'elefante' presente [no contexto sul-americano]. A gente tem que pensar: esse novo cenário inclui a presença norte-americana na América do Sul. Há duas possibilidades: ou os países se fortalecem enquanto atores políticos com autonomia, ou se tornam uma subalternidade perfeita", conclui.

Apesar de pressões políticas e algumas escaramuças no âmbito regional, a América Latina gozava de relativa estabilidade. Contudo, passou a conviver com alto grau de tensão, principalmente após o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, pelos EUA, que, com sua política externa de conceber os Estados latino-americanos como parte de seu "quintal", reacende o debate sobre soberania nacional.

Conselho de Ética do Senado completa 2 anos de inatividade, apesar dos escândalos

Senado Federal. (foto EBC).

Já são dois anos que os senadores desfrutam da inatividade do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar, ainda que sobrem escândalos tipo “emendas pix”, dinheiro na cueca ou benesses pagas pelo enrolado Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. A última sessão do colegiado foi em 9 de julho de 2024, desde então, está às moscas. A reunião, a única do ano, também foi pouco produtiva e mandou para o arquivo quatro denúncias e rejeitou outros pedidos de processo disciplinar.

Tá em casa

Os pedidos eram contra Styvenson Valentim (Pode-RN) e dois membros da comissão: Jorge Kajuru (PSB-GO) e Randolfe Rodrigues (PT-AP).

Anfitriões da PF

Na composição do conselho, nomes que já receberam visita da Polícia Federal, como Weverton (PDT-MA), alvo da Operação Sem Desconto.

Conselho Master

Também alvo recente da PF, Ciro Nogueira (PP-PI), suspeito de falcatrua com a chamada “Emenda Master”, é outro membro do conselho.

Quase parando

O histórico não ajuda. Fora a única reunião de 2024, foram duas em 2023, um hiato de quase 4 anos até outras duas sessões em 2019.

Sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) - Foto: redes sociais.

Paraná Pesquisas não teme ‘selo de acerto’ do TSE

Instituto que mais tem acertado resultados nas eleições brasileiras, o Paraná Pesquisas não tem medo do Selo de Acerto proposto pelo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Nunes Marques, para homenagear os bons no serviço, em vez de punir os maus. Vários “especialistas” criticaram a proposta, mas o presidente do Paraná Pesquisas, Murilo Hidalgo, gosta da ideia do Selo de Acerto” ou “de Acurácia”, como prefere dizer o magistrado no linguajar do juridiquês.

Prazo é curto

Os institutos poderão apresentar até esta sexta (17) sugestões para as regras do Selo de Acerto. Não terão outra chance este ano.

Regular é preciso

Hidalgo pondera que é preciso regular para que pesquisa datada de 60 ou 90 dias antes da eleição não ser considerada na definição do Selo.

Autorregulamentação

Outra proposta que ganha corpo entre os institutos de pesquisa é a autorregulamentação do setor, como a criação do Conar na publicidade.

Poder sem Pudor

Lição fulminante

O então diretor-geral do Senado, Agaciel Maia, não hesitou quando soube da morte súbita do senador Onofre Quinan, de Goiás, e tocou o telefone para o então presidente da Casa, Antônio Carlos Magalhães, às 6h da manhã. “Estou ligando para comunicar a morte do senador Onofre Quinan.” Na outra ponta da linha, tonto de sono, mas, já irritado, ACM devolveu: “Sim, Agaciel, e o que é que eu posso fazer?!” Agaciel Maia aprendeu que não se deve tirar um baiano da cama tão cedo.

Em 2030 tem mais

Após o fim do jogo, Espanha finalista da Copa, a França mergulhou em profundo climão de velório, segundo brasileiros que até torciam pelos franceses, mas estavam fartos das humilhações. Nada como a derrota para restabelecer a humildade. Eles já faziam pose de campeões.

Amor paternal

O senador Rogério Marinho (PL-RN) chama de abuso e perseguição o veto as visitas de Flávio a Jair Bolsonaro. Diz que o ministro “Alexandre de Moraes tenta transformar o amor de um filho em crime político”.

Tiro no pé

Presidente do PL, Valdemar Costa Neto avalia que Flávio Bolsonaro vai subir nas próximas pesquisas de intenção de voto e diz o motivo, “As pessoas não gostam de ver um filho proibido de visitar o pai”.

Cérbero tupiniquim

Com 52,3% de reprovação, O Supremo conseguiu ser mais desaprovado do que o presidente Lula (PT), com 49,7% de reprovação. Mas fica atrás do Congresso, 67%. Os números são da Futura/Apex (BR-07294/2026).

Frase do dia----“Deixaram lulinha para ser investigado só depois das eleições.”

Carlos Jordy (PL-RJ) sobre PF livrar filho de Lula de indiciamento no rolo do INSS

Ajuda suprema

O páreo é duro, mas entre juiz de futebol e juiz do Supremo, fique com o segundo. Gilmar Mendes ostentou nas redes sociais as camisas que ganhou de cartolas Ferroviária de Araraquara e o Íbis Sport Club, com fama mundial que nem o STF dá jeito: é o “Pior Time do Mundo”.

Quanta ignorância

Ao acursar as primeiras-damas de não “trabalharem efetivamente”, Janja rasga a história de Ruth Cardoso, antropóloga, professora universitária, doutora pela USP e coordenadora do programa Comunidade Solidária.

Centro das informações

Rebatizado de ‘X’ por Elon Musk, o Twitter completa 20 anos nesta quarta (15). É uma das maiores redes sociais do mundo. Com mais de meio bilhão de usuários, são cerca de 5,8 mil postagens por segundo.

‘Extraordinário’ é comum

Estavam na pauta da Câmara, ontem (14), seis medidas provisórias de Lula, todas de crédito extraordinário para ministérios: de R$337 milhões para o Meio Ambiente a R$20 milhões para o Desenvolvimento Agrário.

Pensando bem...

...ética e decoro parecem mesmo que viraram só um conselho.