terça-feira, 19 de maio de 2026

 

“A Turma” | Por Luiz Holanda

Um banco que possui uma “Turma” para a prática de atos considerados ilegais não pode ser uma empresa do comércio financeiro. Segundo a Policia Federal (PF) – que denominou de “A Turma” o grupo criminoso e a rede de espionagem do Banco Master-, essa organização tinha como objetivo intimidar e ameaçar autoridades, adversários, jornalistas, concorrentes e os que investigavam ou noticiavam as irregularidades do banco. Além disso, o grupo buscava acessar inquéritos sigilosos na PF para antecipar ações e blindar o banco e seus dirigentes de medidas judiciais. O núcleo do grupo incluía um “sicário”, alguns policias federais da ativa e outros já aposentados.

A imprensa denunciou Anderson Wander da Silva Lima, agente da PF lotado na Superintendência do Rio de Janeiro e apontado como o braço direito de Marilson Roseno — líder da Turma e suspeito de realizar consultas indevidas em sistemas e fornecer dados sigilosos mediante pagamentos. Outro integrante do grupo citado é a delegada federal Valéria Vieira Pereira da Silva, lotada em Minas Gerais e suspeita de consultar inquéritos e repassar informações sigilosas sobre o caso. O policial aposentado, Sebastião Monteiro Júnior, pertencia ao núcleo operacional do sistema e era responsável por realizar monitoramento de alvos.

A PF investiga se essa turma utilizava a estrutura da corporação para obter dados confidenciais, ameaçar desafetos e realizar monitoramento ilegal para Daniel Vorcaro. O agente Anderson, em particular, é suspeito de utilizar o acesso privilegiado a bancos de dados da PF enquanto estava na ativa para beneficiar o grupo. Toda essa gente teria auxiliado Vorcaro na tentativa de eliminar quem pudesse atrapalhar as fraudes financeiras de aproximadamente R$ 40 bilhões, envolvendo lavagem de dinheiro, gestão temerária, uso de institutos de previdência para captar recursos e ligações com outros fundos suspeitos. Tudo isso foi apurado pela PF, que acabou descobrindo que esses agentes simulavam assaltos para agredir jornalistas, a exemplo de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Focada em obter vantagens de qualquer natureza mediante a prática de crimes graves, essa milícia pessoal era o núcleo de inteligência de Daniel Vorcaro, que fazia levantamentos clandestinos e obtinha informações sigilosas para proteger seus interesses. A investigação chegou a descobrir ameaças de morte em abordagem a funcionários em Angra dos Reis. O pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, é apontado como o financiador do grupo.

A PF identificou dois núcleos principais dentro do Master: “A Turma”, especializada em ações presenciais e ameaças, e “Os Meninos” (núcleo cibernético, hackers e ataques digitais). As investigações apontam o uso de métodos paralelos para “moer” opositores ou pessoas que atrapalhassem os negócios do Master e do seu proprietário, Daniel Vorcaro. Aí estava incluído a contaminação da máquina pública com a participação de autoridades, políticos, policiais da ativa, da reserva e alguns membros do Poder Judiciário.

Investigações em andamento conseguiram fazer prisões e apreensões, autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O Master, cujo patrimônio inicial era de R$ 200 milhões, passou para R$ 4,7 bilhões entre 2019 e 2024, seguindo sob intenso escrutínio da Polícia Federal e do Poder Judiciário. No seu campo de relações contou com o apoio de autoridades de todos os poderes. Segundo as investigações, nessas relações estão o presidente Lula, o presidente da Câmara, Hugo Motta e o ministro do STF, Alexandre de Moraes. Em outras conexões são citados Guido Mantega, ex-ministro de Lula, Ricardo Lewandowski e o ministro do STF, Dias Toffoli.

O ministro André Mendonça solicitou levantamento de autoridades com foro no STF potencialmente envolvidas. Na defesa do Master, a senhora Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, aparece como advogada do Master por R$ 139 milhões. O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, teve seu nome citado nas investigações, mas negou conversas sobre o banco. São também citados o empresário Henrique Moura Vorcaro (pai de Daniel), preso recentemente, o senador Ciro Nogueira e o Banco de Brasília (BRB).

A lista é enorme, não cabendo num simples artigo. As Investigações da PF apontam para a teia intricada dos negócios do banqueiro agora envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, candidato pela direita a presidente da República e o seu irmão Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, além da denúncia de que o presidente Lula teria aconselhado Vorcaro a não vender o Banco Master ao BRB, e que esperasse a nomeação do atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. O lamaçal é enorme, garantido pela impunidade, pois a corrupção no Brasil é, atualmente, uma cláusula pétrea de nossa Constituição.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.

 

Bolsonaro imita Lula e também quer ser “descondenado” e libertado pelo STF

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)

Carlos Newton

Recordar é viver. Em dezembro, quando o julgamento de Bolsonaro chegava ao fim, seus advogados apresentaram o derradeiro recurso – agravo regimental, após recusa de embargos infringentes. Ao fazê-lo, os renomados criminalistas Celso Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Tesser, além de outros seis advogados coadjuvantes, demonstraram surpreendente despreparo.

Erraram duplamente. De início, ao encaminhar equivocadamente o agravo regimental ao relator Alexandre de Moraes. E, por fim, ao requerer que o recurso de Bolsonaro fosse julgado pelo Plenário, o que não era cabível. Ou seja, esqueceram de conferir o Regimento do Supremo, nenhum dos nove causídicos se preocupou em estudar o rito processual.

MORAES APROVEITOU – A defesa de Bolsonaro deveria ter dirigido o agravo ao presidente do STF, requerendo que fosse encaminhado ao ministro-relator da Segunda Turma, ainda a ser escolhido, nos termos dos artigos 76 e 77. Mas o recurso foi enviado equivocadamente ao relator da Primeira Turma, Alexandre de Moraes, que já deveria estar afastado do processo. Foi um erro fatal.

Na forma da lei, Moraes tinha de devolver o recurso ao presidente do STF, Edson Fachin, para ser sorteado o novo relator na Segunda Turma. Mas não o fez. Fingiu-se de desentendido e despachou ilegalmente, arquivando o agravo regimental a pretexto de que o processo já estaria extinto desde a recusa dos embargos infringentes, o que é outra barbaridade processual, pois não se pode encerrar nenhuma ação enquanto houver cabimento de recurso. E assim Bolsonaro passou a cumprir 27 anos e três meses de prisão.

Na época, apenas o editor da Tribuna da Internet protestou contra a ilegalidade, denunciando que Moraes e o Supremo estavam descumprindo o próprio Regimento. Esperava-se intensa repercussão da notícia. Mas não aconteceu nada.

ENFIM, A VERDADE – Nenhum ministro do Supremo tocou no assunto, assim como nenhum jurista de renome – como Miguel Reale Jr., Ives Gandra Martins ou Modesto Carvalhosa – se manifestou a respeito. Todos se calaram, mas foi um silêncio respeitoso, porque ninguém teve coragem de contestar a afirmação do editor da Tribuna.

Quase seis meses depois, a verdade veio à tona e os novos advogados de Bolsonaro – Marcelo Bessa e Thiago Lôbo Fleury – seguem exatamente o caminho apontado em dezembro e janeiro pelo editor da Tribuna e apresentam a ação de revisão criminal. Desta vez, porém, enviaram acertadamente a petição ao presidente do Supremo, com pedido de sorteio do relator na Segunda Turma, que fará um novo julgamento de Jair Bolsonaro.

O grupo de ministros liderado por Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes imediatamente armou um lobby, plantando notícias de que não adianta Bolsonaro ser inocentado na Segunda Turma, porque depois teria de ser julgado pelo Plenário, onde a condenação é certa.

LOBBY INÓCUO – A imprensa amestrada então saiu desmentindo a Tribuna, com matérias em O Globo, nos sites jurídicos Migalhas e Conjur, na CNN etc. e tal, mas as “informações” do lobby não têm a menor sustentação no Regimento. Já houve época em que o julgamento final de casos criminais cabia ao Plenário. Por isso, há réus do 8 de Janeiro que ainda estão sendo julgados em primeira instância pelo Plenário, enquanto outros são julgados na Primeira Turma, como ocorreu com Bolsonato.

Isso aconteceu porque, ao analisar o caso de Bolsonaro em 2025, o próprio Supremo confirmou as mudanças nas regras, ocorridas em 2020 e 2023, e desde então o Plenário somente pode julgar autoridades máximas (presidente, vice, ministros, parlamentares, magistrados de tribunais superiores etc.) em casos criminais e se ainda estiverem no exercício do cargo.

É justamente por isso que Jair Bolsonaro, condenado na Primeira Turma, só poderia mover ação de revisão criminal na outra Segunda Turma, sem direito a recorrer ao Plenário, ao contrário do que alega absurdamente o lobby dos ministros do STF, que chegou ao cúmulo de plantar notícia falsa no próprio site da Suprema Corte, conforme já denunciamos à Ouvidoria.

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P.S. 1 –
Na semana passada, mais 20 réus do 8 de Janeiro foram julgados no Plenário, porque os processos tinham começado antes da modificação do Regimento, em 2025. Perderam de 7 a 3. Votaram pela absolvição Nunes Marques, André Mendonça e Luiz Fux. Justamente os três ministros que formam maioria na Segunda Turma e vão fazer Bolsonaro ser “descondenado” igual a Lula, mas com uma diferença. O petista foi beneficiado por uma manobra jurídica claramente ilegal, enquanto a absolvição de Bolsonaro será rigorosamente dentro da lei.  

P.S. 2Vamos ver como reagirá o lobby dos ministros do STF ligados a Lula. Amanhã, iremos analisar a longa petição (90 páginas) apresentada pelos novos advogados de Bolsonaro. (C.N.)

Sputnik

 

Gastos dos EUA com operação militar contra o Irã já ultrapassam US$ 85 bilhões

Coluna de fumaça se forma em Teerã, após ataque militar conjunto de Estados Unidos e Israel. Irã, 3 de março de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 19.05.2026
Os Estados Unidos já gastaram mais de US$ 85 bilhões (R$ 485,8 bilhões) com a operação militar contra o Irã, segundo estimativas divulgadas pelo portal Iran War Cost Tracker.
De acordo com o levantamento, a ofensiva liderada pelo governo do presidente Donald Trump já dura 79 dias, apesar da redução das ações militares nas últimas semanas por conta do cessar-fogo ainda em vigor. O valor supera em quase três vezes a estimativa anterior de US$ 29 bilhões (R$ 145,2 bilhões) apresentada pelo chefe interino da divisão financeira do Pentágono, Jules Hurst.
O portal calcula os custos com manutenção de tropas, deslocamento de navios militares para o Oriente Médio e demais despesas relacionadas à operação.
A metodologia utiliza como base um relatório enviado pelo Pentágono ao Congresso dos EUA, segundo o qual os seis primeiros dias do conflito custaram US$ 11,3 bilhões (R$ 56,6 bilhões), enquanto os gastos posteriores girariam em torno de US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões) por dia.
Plataforma de petróleo no distrito de Bavlinsky, República do Tatarstão, Rússia, em 21 de maio de 2023 - Sputnik Brasil, 1920, 18.05.2026
Panorama internacional
Estoques de petróleo podem durar só semanas, alerta AIE em meio à guerra no Irã
Mais cedo, Trump afirmou que Washington planejava realizar um novo ataque contra o Irã nesta terça (19), mas decidiu adiar a ofensiva após pedidos de Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos.
O presidente norte-americano declarou ainda que as Forças Armadas dos EUA seguem prontas para lançar uma ofensiva em larga escala caso não haja um acordo com Teerã. Até o momento, a ofensiva iniciada em 28 de fevereiro já provocou a morte de mais de três mil pessoas.
Em 8 de abril, Washington e Teerã anunciaram um cessar-fogo de duas semanas. As negociações posteriores realizadas em Islamabad terminaram sem acordo definitivo, embora os combates não tenham sido retomados oficialmente. Ainda assim, os EUA passaram a impor um bloqueio aos portos iranianos, enquanto a trégua acabou sendo prorrogada.

 

Aldo Rebelo "abre fogo" contra partido após Joaquim Barbosa surgir como novo presidenciável

O ex-ministro Aldo Rebelo afirmou que pretende recorrer à Justiça Eleitoral caso o Democracia Cristã (DC) decida substituir sua pré-candidatura à Presidência da República pelo nome do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa. A declaração elevou a tensão interna dentro da legenda após a direção nacional sinalizar apoio ao ex-magistrado.

Aldo Rebelo recebeu o aval oficial do partido ainda em fevereiro para liderar a chapa presidencial nas eleições de 2026. Diante da movimentação da cúpula do DC, o ex-ministro classificou a articulação em torno de Joaquim Barbosa como um “balão de ensaio” e destacou que o ex-presidente do STF ainda não se pronunciou publicamente sobre a possível candidatura. Se houver ameaça à minha pré-candidatura, a questão será judicializada”, declarou Rebelo ao comentar o impasse dentro da sigla.

Caso não haja consenso entre os grupos internos, a definição sobre quem representará o partido na corrida presidencial deverá ocorrer durante a convenção nacional da legenda, prevista para acontecer entre julho e agosto.

A possível entrada de Joaquim Barbosa na disputa provocou forte reação em diretórios estaduais do Democracia Cristã. Em São Paulo, o presidente estadual da sigla, o ex-deputado Cândido Vaccarezza, criticou duramente o ex-ministro do STF e afirmou que atuará internamente para barrar sua indicação.

Rebelo, que já ocupou ministérios nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, comandou pastas como Defesa, Esporte e Ciência e Tecnologia ao longo de sua trajetória política.

A direção nacional do DC sustenta que pesquisas internas justificam a mudança de estratégia eleitoral. Segundo o presidente da legenda, João Caldas, Joaquim Barbosa apresentou desempenho considerado positivo em levantamentos realizados principalmente nos estados do Paraná e do Rio de Janeiro. 

Caldas afirmou ainda que o ex-ministro do Supremo teria se filiado discretamente ao partido em 2 de abril, por meio de interlocutores próximos, mantendo a postura reservada que marcou sua atuação pública nos últimos anos.

Joaquim Barbosa ganhou notoriedade nacional ao relatar o processo do Mensalão no Supremo Tribunal Federal. Indicado à Corte pelo presidente Lula, ele conduziu o julgamento que resultou na condenação de importantes nomes do Partido dos Trabalhadores, entre eles o ex-ministro José Dirceu. Barbosa deixou o STF em 2014 após antecipar sua aposentadoria.