sexta-feira, 18 de setembro de 2026

 

“Importante para o futuro”: cunhado de Gilmar Mendes orientou Vorcaro a se aproximar do ministro

Cunhado de Gilmar chamou Vorcaro de “irmão”

Rafael Moraes Moura
Johanns Eller
O Globo

Mensagens obtidas pela Polícia Federal (PF) no bojo das investigações do caso do Banco Master mostram que Daniel Vorcaro foi aconselhado em abril de 2024 pelo empresário Chiquinho Feitosa, então cunhado de Gilmar Mendes, a se aproximar do ministro, sob a alegação de que seria “importante para o futuro”. Nas conversas obtidas, Chiquinho se refere ao dono do Banco Master como “irmão” e se apresenta como uma ponte entre Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Pelas conversas, fica claro que Chiquinho tinha um contrato de consultoria com Vorcaro. Procurado, ele disse que teve um contrato de “curto período” com a Super Empreendimentos, do ecossistema do Master, mas não esclareceu o período de vigência, o valor nem o escopo de atuação (leia a íntegra da nota ao final da matéria). Segundo a Folha de S. Paulo, o montante era de R$ 500 mil mensais.

RELAÇÃO DIRETA – “Você tem que começar uma relação direta com ele! É importante para o futuro! Ele é um grande sujeito com grande caráter e um grande amigo”, escreveu Feitosa para Vorcaro em 19 de abril de 2024, ao sugerir a aproximação do banqueiro com o decano do STF.

Chiquinho é ex-senador, ex-deputado federal e presidente do Republicanos no Ceará, com atuação no setor de transportes. Na época da troca das mensagens, ele ainda era cunhado de Gilmar. O ministro se divorciou da advogada Guiomar Feitosa, irmã de Chiquinho, em novembro de 2025, ou seja, um ano e meio após o empresário sugerir a aproximação entre o banqueiro e Gilmar.

Em abril de 2024, quando Chiquinho encorajou Vorcaro a buscar o magistrado, o dono do Banco Master buscava interlocução com o ministro do Supremo em função de um julgamento sobre precatórios judiciais do setor sucroalcooleiro na Segunda Turma do STF, mesmo colegiado que dois anos depois se debruçaria sobre as investigações do Master. A análise do caso sobre os precatórios tinha sido interrompida um mês antes por um pedido de destaque de Gilmar.

RECURSO DA UNIÃO – O processo tratava de um recurso da União contra a destilaria Alcídia, que cobrava a reparação de prejuízos provocados pela política de fixação de preços do governo na década de 1980. A ação envolvia pagamentos entre R$ 350 milhões e R$ 500 milhões e interessava a Vorcaro, já que o resultado do julgamento poderia produzir uma tese que teria impacto direto nos negócios do Master.

No período de expansão meteórica do Master, o modelo de negócios do banco era em boa parte sustentado por precatórios – ordens de pagamento determinadas pela Justiça a municípios, estados ou da União que costumam demorar anos para serem liberados. O banco comprava esses papéis a um preço baixo e não só inflacionava os valores no balanço, como também os considerava créditos de recebimento garantido. Naquele ano, 47% da carteira era composta por precatórios e direitos creditórios comprados pelo Master.

Em nota, Gilmar disse que não teve conhecimento de “qualquer tratativa” entre Vorcaro e o ex-cunhado e alegou que não foi procurado por Chiquinho para tratar de assuntos do Master. O ministro informou que no dia 11 de abril de 2024, às 18h, recebeu Vorcaro em seu gabinete para uma audiência na sede do tribunal, “em ambiente institucional e não em espaço privado”, para tratar do processo da Destilaria Alcídia. Ao contrário do presidente da Corte, Edson Fachin, Gilmar não tem o hábito de divulgar sua agenda de audiências no gabinete.

PEDIDO DE DESTAQUE –  Em mensagens obtidas, o banqueiro encaminha a um de seus advogados, Ciro Rocha Soares, uma mensagem de WhatsApp enviada por um interlocutor não identificado na manhã de 15 de março de 2024: “Gilmar pediu destaque, usou o ‘poder de veto’ para zerar a votação e enviar o processo julgamento presencial [sic].”

Na sequência, Vorcaro escreveu: “Cara, urgente isso pra mim, preciso sua ajuda [sic]. Gilmar esta contra mim num caso que estao usando pra ferrar todos meus precatorios”.

“Pqp”, respondeu Soares. “Vou falar com ele agora. Peraí”. Soares atuava para aproximar Vorcaro de autoridades do Judiciário como o também ministro André Mendonça e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Três horas mais tarde, o advogado volta a mandar mensagens para o banqueiro. “Irmão, preciso saber quem está contra vc nesse assunto”, perguntou.

“MESSIAS” – “Messias”, respondeu o dono do Master, em referência ao advogado-geral da União, Jorge Messias, que defende no caso a União, autor do recurso cujo julgamento tinha sido interrompido por Gilmar.

“Ele quer usar disso pra exemplo. [André] Esteves nao sei a posiçao”, complementou em relação ao dono do BTG Pactual, que Vorcaro tinha como desafeto pessoal e nos negócios e concorrente no ramo dos precatórios.

O processo sobre a Alcídia foi alvo de uma série de interrupções. Em 25 de março de 2024, quando a análise do caso foi retomada, Gilmar pediu um novo destaque, interrompendo mais uma vez a discussão. Em 26 de agosto de 2024, o decano voltou a agir: cancelou o pedido de destaque. Quando o processo retornou à pauta, em 18 de setembro, foi a vez de Kassio Nunes Marques pedir vista.

MENDES E MENDONÇA – O processo foi finalmente julgado em outubro de 2024, quando a usina derrotou a União por 3 a 2. Os dois votos que ficaram do lado da União vieram de Gilmar Mendes e de André Mendonça, com quem o ministro tem travado atualmente uma guerra pública por conta da condução das investigações do caso Master.

Questionado, o ministro frisou que votou contra os interesses da destilaria e de Vorcaro, como se posicionou em “todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma”.

CONTRAPARTIDA – Os três ministros que votaram a favor da tese que interessava a Vorcaro foram Edson Fachin, Dias Toffoli e Kassio Nunes Marques. No relatório que a PF entregou ao STF sobre a relação de Toffoli com o dono do Master, a posição do ministro no julgamento da Alcídia aparece como um possível motivo de contrapartida na compra de uma fatia do Tayayá pelo grupo de Vorcaro por R$ 35 milhões.

Nas mensagens em que o ex-banqueiro discute com o diretor jurídico do Master um pagamento mensal de R$ 500 mil ao filho de Kassio Nunes Marques, o advogado Kevin, de 25 anos, os valores também aparecem associados ao caso da Alcídia.

REUNIÃO – Em outro diálogo ocorrido um mês antes da retomada do julgamento dos precatórios, em 4 de setembro de 2024, Chiquinho Feitosa intermedia uma reunião entre Daniel Vorcaro e sua irmã, Guiomar Mendes, à época casada com Gilmar, no mesmo dia. “Posso marcar nossa reunião com a Guiomar às 15h ou 16h? O que você acha?”, pergunta Chiquinho.

Mais tarde, no horário combinado de 15h, Vorcaro volta a mandar mensagem confirmando o número da casa do encontro, ao que o cunhado de Gilmar responde com um emoji de polegar. Sócia do escritório Bermudes Advogados, um dos mais influentes em Brasília, Guiomar já atuou em processos relacionados a precatórios.

A advogada confirmou ter recebido Vorcaro no escritório junto com o irmão, que disse que o banqueiro tinha interesse em contratá-la. Mas segundo ela, na reunião Vorcaro não apresentou nenhum processo específico. “Eu pedi que mandasse as causas que iria avaliar, mas ressaltei que não prometia resultado. Ele disse que ia mandar, mas não mandou e não voltou mais”, afirmou Guiomar.

AUTOR DE PROJETO – Então primeiro suplente de Tasso Jereissati (PSDB-CE), Chiquinho Feitosa tomou posse no Senado Federal em 2021, quando o tucano se licenciou para participar da articulação das prévias do partido para a corrida presidencial de 2022. No período em que atuou como titular, foi autor de um projeto de lei que também entrou na mira dos interesses de Vorcaro.

O banqueiro trocava envelopes com minutas de proposições do Congresso com o presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI). Entre os textos que iam e voltavam estava o que pretendia instituir o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões de Gases de Efeito Estufa, assinado pelo então cunhado de Gilmar.

ÍNTEGRA DA NOTA DO GABINETE DO MINISTRO GILMAR MENDES

Chiquinho Feitosa é ex-cunhado do Ministro. O Ministro não teve conhecimento de qualquer tratativa entre ele e Daniel Vorcaro, não foi por ele procurado sobre os assuntos mencionados e não responde por relações privadas ou profissionais de ex-parente.

A audiência ocorreu em 11 de abril de 2024, às 18h, no gabinete do Ministro, no Supremo Tribunal Federal, e contou com a presença dos advogados do Banco Master. Foi realizada na sede do Tribunal, em ambiente institucional, e não em espaço privado. O recebimento de advogados em audiência é prerrogativa assegurada pelo art. 7º, VIII, da Lei 8.906/1994. Na ocasião, tratou-se de causa do setor sucroalcooleiro — ARE 1327995, de relatoria do Ministro Edson Fachin, em que figura como recorrida a Destilaria Alcídia S/A.

Nesse processo, julgado pela Segunda Turma em 3 de junho de 2025, o Ministro Gilmar Mendes votou contra os interesses do Banco Master. O voto foi contra o pagamento do precatório, no sentido defendido pela União. Ficou vencido, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. Prevaleceu a posição dos Ministros Edson Fachin, Nunes Marques e Dias Toffoli, favorável à empresa.

O voto foi o mesmo em todos os demais casos do setor sucroalcooleiro julgados na Segunda Turma. No ARE 1312127 (Raízen), relatado pelo Ministro, ele votou contra o pagamento do precatório, e a União saiu vitoriosa em 16 de setembro de 2024, vencidos os Ministros Edson Fachin e Nunes Marques. No ARE 1392660 (Jalles Machado), votou duas vezes contra o pagamento à usina — em 6 de agosto de 2024 e em 19 de agosto de 2025 —, ficando vencido nas duas ocasiões, acompanhado pelo Ministro André Mendonça. No ARE 1500251 (Raízen), pediu destaque em 15 de agosto de 2025 e interrompeu julgamento que se encaminhava em favor da usina. Na STP 976-ED, votou em todas as sessões contra a liberação do precatório de mais de R$ 5 bilhões.

Em nenhum desses processos o Ministro votou em sentido favorável aos interesses apontados pela reportagem — inclusive após a audiência mencionada.

ÍNTEGRA DA MANIFESTAÇÃO DE CHIQUINHO FEITOSA

1. Quando me reportei a ele sugerindo que se aproximasse do Ministro, fiz isso de forma despretensiosa, sem nenhuma outra intenção.

2. ⁠A maneira que me referi a ele, é uma forma que adoto com todas as pessoas com quem me relaciono.

3. ⁠Nunca fui ponte entre o Vorcaro e o Ministro Gilmar. Ele era um banqueiro bem sucedido e que mantinha relacionamentos com várias pessoas.

4. ⁠Tive um contrato de consultoria com a Super Empreendimentos durante um curto período. À época uma empresa idônea que atuava em diversos segmentos, e despertava interesse no mercado.

5. ⁠Afirmo com certeza que nunca me referi ao Daniel sobre esse jantar, que nunca existiu.

6. ⁠Marquei com minha irmã Guiomar, uma reunião a pedido do Daniel. Ele ficou de trazer para ela números de processos, coisa que nunca aconteceu.

O ANTAGONISTA

 

Precisamos falar sobre a PGR 

Quando se fala em reforma do Judiciário, revisão no desenho da procuradoria-geral da República deveria entrar na pauta

avatar
Carlos GraiebPrecisamos falar sobre a PGR 
Foto: Victor Piemonte/STF

A espantosa degradação do Supremo Tribunal Federal fez da reforma do Judiciário um tema da campanha eleitoral. Fala-se em mandato para ministros, código de conduta e novas regras de impedimento. Diante dos episódios que hoje envolvem o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do histórico recente de ocupação do cargo (estou falando de Augusto Aras), seria sábio ampliar a pauta. Precisamos falar também sobre a PGR.

O procurador-geral da República é escolhido pelo presidente entre integrantes da carreira do Ministério Público Federal e precisa da aprovação da maioria absoluta do Senado. Tem mandato de dois anos, permitida a recondução. Na esfera criminal, cabe a ele propor inquéritos e ações penais envolvendo autoridades com foro no STF. Quando investigações alcançam as figuras mais poderosas da República, as decisões do PGR determinam se o caso avança ou vai para a gaveta. 

O caso Master evidencia mais uma vez os problemas desse desenho.  Então surgem as insestigações. O PGR teve atritos com a Polícia Federal a respeito de medidas da Operação Compliance Zero. Quando as conexões de Toffoli com o banqueiro começaram a vir à tona, Gonet achou que tudo bem: não havia motivo para pedir o seu afastamento. Começou a formar-se a impressão de que ele não estava interessado em ver o caso ir adiante. 

Então surgiram os dados extraídos do celular de Vorcaro. O material trouxe referências a Gonet em conversas de terceiros, uma fotografia com um lobista, uma ligação com o banqueiro e mensagens relacionadas à possível participação de seu filho num evento em Londres. Nada disso, isoladamente, demonstra crime ou favorecimento. O próprio Mendonça afirmou não ter encontrado indício de ilícito cometido pelo procurador-geral. Mas o chefe da instituição que acompanha o caso passou a figurar no material investigativo. Uma saia-justa institucional. 

Na tenebrosa sessão do STF desta terça-feira, 15, Gonet negou amizade ou proximidade com Vorcaro – ao mesmo tempo que imputou uma “dupla nulidade” aos atos de André Mendonça que abriram a perspectiva de uma investigação sobre Alexandre de Moraes. Segundo a colunista Bela Megale, do jornal O Globo, ele era a autoridade mais aflita nos bastidores de um tribunal tomado pelo nervosismo.  

Nesta quinta, 17, Gilmar Mendes fez uma defesa enfática de Gonet, de quem é amigo e foi sócio no IDP. Ele acusou Mendonça de ter exposto injustamente sua honra. O bate-boca ajuda pouco. Saber se Gonet praticou algum ilícito é uma questão; decidir se deve continuar atuando num caso em que ele próprio é mencionado é outra.

Conselho Superior

Na próxima semana, caberá ao Conselho Superior do MPF avaliar as evidências sobre Gonet. Ele apresentou uma defesa extensa. Sustenta que não mantém amizade com Vorcaro, não possui interesse pessoal nos processos e que, quando as suspeitas sobre o Master chegaram à sua esfera funcional, ele contribuiu para o seu progresso. 

Espera-se que o Conselho examine os fatos com a imparcialidade e o rigor técnico que tantas vezes têm faltado ao STF. Eventuais consequências legais ou administrativas para Gonet só podem nascer desse tipo de análise.

Mas, ainda que se conclua não haver motivo para qualquer medida gravosa, seria prudente que a reunião terminasse com a decisão dos conselheiros e do próprio PGR de designar outro integrante da cúpula da Procuradoria para atuar no caso Master. Não seria reconhecimento de culpa. Seria proteção institucional.

Daniel Vorcaro teceu uma rede tão corrupta de relacionamentos que qualquer autoridade tocada por ela ganha uma mácula. Torna-se difícil tolerar que participe de decisões sobre um caso que lhe diz respeito. 

Antecedentes

Há um antecedente que alimenta ainda mais as dúvidas dos cidadãos sobre a PGR. A instituição carrega o desgaste da gestão de Augusto Aras, que se furtou inúmeras vezes de agir contra interesses do governo Bolsonaro e envolveu-se em diversos conflitos durante investigações. Em 2021, uma representação contra ele também foi levada ao Conselho Superior do MPF – e rachou o órgão. 

Por razões diferentes, dois procuradores-gerais sucessivos terminaram envolvidos em controvérsias sobre os limites de seus poderes e sua relação com investigações politicamente explosivas. Isso deveria bastar para transformar o problema em assunto de reforma institucional. 

Vale discutir se a indicação pelo presidente seguida de aprovação pelo Senado continua sendo o melhor método de escolha; se atribuições tão sensíveis sobre autoridades com foro devem permanecer concentradas no titular da PGR; se não deveria existir um mecanismo claro de substituição quando o próprio procurador-geral é citado num caso.

A perda de confiança dos brasileiros nas instituições não pára na porta do STF. A Procuradoria-Geral da República também foi atingida. 

 

Dino, falso “herdeiro” de Lula, vai adiar até novembro o julgamento de Moraes

O que é pedido de vista, solicitado por Dino no STF? Entenda

Dino assume seu lado político, para substituir Lula no PT

Carlos Newton

No julgamento que não acabou e fez a ministra Cármen Lúcia ter enorme constrangimento e até pedir desculpas aos brasileiros, o histriônico e espaçoso Flávio Dino confirmou o que publicamos sobre ele aqui na Tribuna da Internet, pois já começou a fazer o possível e o impossível para agradar ao PT, movido por ambições políticas, porque pretende se tornar “herdeiro” de Lula na eleição de 2030.

Na avaliação de Dino, não importa se Lula vai ganhar ou perder esta eleição, porque daqui a quatro anos o PT ainda será um grande partido, com chances de vencer a disputa presidencial, mas não terá candidato definido, porque Lula estará velho demais, com 85 anos, e sem condições de encarar a dureza de mais uma campanha nacional.

OPORTUNISTA – Dino é um enorme oportunista e enxerga longe. Não pode se filiar a partido nem se manifestar politicamente, devido à proibição regimental do STF, mas quem sabe faz a hora e não espera acontecer.

Na sua opinião, o vice Geraldo Alckmin jamais se filiará ao PT e permanecerá sob o guarda-chuva protetor do PSB. Assim, se Lula ganhar agora e ficar no poder até 2030, Alckmin terá de se candidatar pelo PSB e não poderá aproveitar a máquina política do PT, que precisará ter candidato próprio para não se desintegrar como partido sem ter um líder que o conduza.

Assim, Dino aproveitou o festival desta terça-feira para se exibir para a plateia petista e dar seu show particular, de uma forma meio cafajeste, recostando-se na poltrona, ao invés de adotar uma posição mais condizente com o cargo de ministro do Supremo.

###
P.S. –
Dino certamente será recebido de braços abertos pelos petistas, porque Lula não permitiu que surgisse nenhuma liderança capaz de substituí-lo no PT. O volumoso ministro vai preencher a lacuna e tentar se eleger. Mas precisa combinar com os russos, como ensinava Garrincha, que nem queria saber quais eram os adversários, porque os destruía, um a um. (C.N.)

 Política

Merval Pereira faz “mea culpa” e destrói o trio Gilmar, Dino e Moraes


Num texto inicialmente dedicado a ministra Cármen Lúcia, o jornalista da Rede Globo, Merval Pereira, finalmente resolveu atuar como um verdadeiro “jornalista” e deu uma lição de decência, ética e bons modos no trio de ministros que, pelo visto, atua em bloco no Supremo Tribunal Federal, em busca de interesses comuns: Gilmar Mendes, Flávio Dino e Alexandre de Moraes. A lição nos 3 magistrados, começa pelo título: Vergonha! Transcrevemos:

Vergonha!
Nélson Rodrigues dizia que o jornalismo moderno era tão comedido que, se o mundo acabasse, daria a manchete sem ponto de exclamação. Pois hoje resolvi usar o ponto de exclamação para transmitir minha indignação. O sinal mais claro da degradação moral que atingiu os integrantes do plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) foi a revolta que a fala da ministra Cármen Lúcia provocou entre seus pares. A única componente do plenário que se solidarizou com o povo brasileiro em seu sentimento coletivo de vergonha acabou tratada como uma traidora do corporativismo que toma conta da mais alta Corte de Justiça do país.
A única magistrada a evidenciar que o Supremo provocou um “mal-estar cívico” na sociedade brasileira — devido à exposição de desavenças e bate-bocas durante as sessões — mexeu com os sentimentos mais íntimos dos brasileiros e brasileiras, mas foi incapaz de comover seus pares, perdidos numa guerra vergonhosa pelo poder no STF, para evitar que um dos seus seja investigado. Tentam, assim, manter a intocabilidade deles próprios, provavelmente sentindo-se ameaçados de vir a ser descobertos malfeitos com que nem sequer sonhamos, embora de alguns deles já saibamos o suficiente para desejar que também sejam investigados.
Ao pedir desculpas ao presidente do tribunal, aos colegas e ao povo brasileiro “por não ter conseguido ajudar a acalmar os ânimos de forma mais eficaz”, Cármen Lúcia criticou a repercussão dos casos às vésperas das eleições, afirmando que tal situação faz mal “não apenas ao Poder Judiciário, mas ao país inteiro”. Note-se que, em nenhum momento, apontou o dedo a seus pares, nem ao ministro Alexandre de Moraes, aquele a quem os ministros Flávio Dino e Gilmar Mendes não tiveram pudor de ajudar fingindo estar em busca da verdade, quando o melhor caminho para isso seria justamente a investigação.
Ela teve o cuidado de se referir aos problemas como causas da decepção da sociedade com o STF, sem se referir ao causador deles, que arrastou consigo a credibilidade da instituição basilar da democracia brasileira. A mesma discrição teve o presidente do Supremo, ministro Edson Fachin, que tentou levar a sessão adiante para evitar o que todos temíamos: seu adiamento em proteção ao colega, mesmo que para isso fosse preciso levar por água abaixo a reputação do tribunal.
Não estavam ali para defender a instituição, como falsamente alegou Dino para pedir vista, quando todos já sabiam de véspera que o faria, mas para defender seus próprios interesses, tão interligados aos de Moraes, expostos nos diálogos que manteve com o banqueiro-bandido Daniel Vorcaro por meio de um sistema de visualização única que pretende não deixar rastros de quem escreveu a mensagem.
O mesmo sistema que o próprio Moraes criticou, como indicativo de que a mensagem continha algum indício de crime para ser apagada de propósito. São esses os indícios que se buscam na investigação barrada, com cenas teatrais de indignação por parte de Gilmar, que — provou-se depois pela troca de mensagens entre ele e os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux — queria mesmo era tirá-los do julgamento para beneficiar Moraes.
Nunes Marques sentiu o golpe e pediu para sair do julgamento e também da sala, para talvez não ouvir o que falariam dele. Fux resistiu e negou as acusações de Dino. Pelo uso das informações que vieram na última leva de transcrições do celular de Vorcaro, ele e Gilmar tiveram conhecimento de eventuais relações dos ministros com o banqueiro, e era essa pescaria que pretendiam para atacar seus colegas. Fizeram o mesmo que acusaram o ministro André Mendonça de ter feito.
Outro aspecto revelador da baixeza moral que predomina no plenário do Supremo foi a maneira como Gilmar, e sobretudo Dino, destrataram Fachin. Este já deveria imaginar o que encontraria pela frente quando enfrentasse Gilmar, pois o conhece bem, e a seus métodos. Enfrentar um plenário onde atuam Moraes, Dino e Gilmar não é para almas sensíveis, pessoas educadas, sérias e equilibradas como Fachin.

Sputnik

 

EUA se preparam para usar armas de destruição em massa contra Coreia do Norte, diz Pyongyang

Botijões de gás mostarda, que fazem parte do estoque de armas químicas dos Estados Unidos - Sputnik Brasil, 1920, 16.09.2026
Os Estados Unidos e a Coreia do Sul estão se preparando para o possível uso de armas nucleares, químicas e biológicas contra a Coreia do Norte, disse o Ministério da Defesa norte-coreano em uma nota de imprensa distribuída pela Agência Central de Notícias da Coreia.
As forças dos EUA e da Coreia do Sul tiveram, na semana passada, uma reunião do comitê de resposta ao uso de armas de destruição em massa, na qual concordaram em criar um sistema de compartilhamento de informações para lidar com o "potencial ataque" da Coreia do Norte.
Imagem de suposto lançamento de míssil norte-coreano, no dia 17 de janeiro de 2022 - Sputnik Brasil, 1920, 14.09.2026
Panorama internacional
'Enorme força destrutiva': Coreia do Norte realiza exercícios com drones ofensivos e mísseis balísticos
Além disso, os aliados abordaram questões de como se pode melhorar a capacidade de combate conjunto e intensificar o treinamento.

"Esta é uma declaração aberta de confronto para tornar fato consumado o uso de armas nucleares e bioquímicas contra a Coreia do Norte em caso de contingência na península coreana e acelerar os preparativos de guerra para sua execução", destacou o Ministério da Defesa do país.

Pyongyang considera que essa conduta de Washington e Seul representa um agravamento da situação para levarem ao extremo o perigo do uso de armas de destruição em massa. As autoridades norte-coreanas também mencionaram as missões realizadas nos exercícios militares conjuntos Freedom Shield (Escudo da Liberdade).

"Desta vez, concordaram em intensificar novamente o treinamento envolvendo armas nucleares e bioquímicas. Este fato serve para provar que o plano do inimigo de usar armas de destruição em massa entrou em uma fase extremamente irresponsável", sublinha o documento.

Inspeção de armas no novo destróier Choe Hyon, da Coreia do Norte. - Sputnik Brasil, 1920, 07.09.2026
Panorama internacional
Mídia: Pyongyang amplia poder naval e pressiona Washington com novo destróier com capacidade nuclear
Pyongyang também mencionou que nos últimos anos os EUA têm criado uma rede de 30 institutos de pesquisa de armas biológicas no território da Ucrânia e estabeleceram laboratórios em suas bases militares na República da Coreia. Além disso, vem intensificando as atividades biológicas militares e o desenvolvimento de armas bioquímicas em mais de 200 partes do mundo.
De acordo com o documento, estas atividades realizadas por Washington evidenciam que o boato sobre uma suposta ameaça de armas de destruição em massa difundido pelos EUA "não passa de um pretexto mal-intencionado para encobrir o seu próprio desenvolvimento e proliferação dessas armas".
Por fim, Pyongyang sublinha que suas Forças Armadas sempre acompanharão as novas tentativas militares dos EUA e Coreia do Sul, avaliando regularmente a ameaça à sua segurança nacional.