
Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)
Carlos Newton
No rumo de completar 81 anos, justamente a idade que fez Joe Biden desistir de disputar a reeleição nos Estados Unidos, Lula da Silva está dedicando o que lhe resta de vida a essa tentativa de ser eleito pela última vez. Se dependesse apenas dele, nem teria se metido na candidatura. Está mais cansado de guerra do que a Tereza Batista do escritor Jorge Amado, mas ainda não pode sair de cena para aproveitar seus últimos anos. É como se estivesse condenado ao sofrimento.
Lula está tentando resistir ao tempo, mas o corpo já não responde como antes, e a vida de presidente é um saco. Audiências, reuniões, cerimônias e viagens chatíssimas que o governante tem de aturar, no Brasil e no mundo, com aquele efeito deletério do jet lag, o desgaste biológico das viagens aéreas, que inclui fadiga diurna, insônia, dores de cabeça, alterações de humor, problemas digestivos e dificuldade de concentração. Não é à toa que Lula esteja tão mau humorado e dizendo tantas bobagens.
PRIMEIRO E ÚNICO – Mas a culpa é dele mesmo, que jamais permitiu que nenhum outro petista se destacasse no partido. Pelo contrário, cortou as asas de todos os que tentaram, como Hélio Bicudo, José Dirceu, Tarso Genro e Aloizio Mercadante.
Como aquele antecessor na França, o rei Louis XV, Lula também poderia dizer que “depois de mim, o dilúvio”, frase atribuída também à Marquesa de Pompadour — aliás, um papel que cairia como uma luva para Janja da Silva, a maior incentivadora da penosa candidatura de Lula.
Homem velho, com mulher mais nova, é sempre um problema. Lula tem de bancar o durão e mostrar que é mais jovem do que parece, mas a qualquer momento pode cair no banheiro ou fazer algum papel ridículo diante do respeitável público.
SEM SUCESSOR – Como seus filhos não se interessam por política e preferiram se dedicar ao enriquecimento ilícito, Lula ficou sem sucessor.
Depois dele, ao contrário do dilúvio de Pompadour, será uma seca total. E o partido vai morrer junto com seu criador, num cortejo fúnebre que vai se estender por todo o país.
O pior é que, ganhe ou perca a eleição, Lula será sempre o grande derrotado. Se perder, já era. Se ganhar, não terá condições físicas para tocar o barco, terá de acabar cedendo o leme a Geraldo Alckmin, o falso socialista que até já tentou ser presidente, mas foi repudiado pelo povo, pois teve menos votos no segundo turno do que no primeiro, uma grande Piada do Ano.
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P.S. 1 – O detentor do poder será mesmo o picolé de chuchu Geraldo Alckmin, que só tem de semelhante com Lula o enriquecimento ilícito, incluindo até a merenda das criancinhas paulistas e a corrupção que resultou na inacreditável fortuna do executivo tucano Paulo Preto, aquele paulista que imitou Geddel Vieira Lima e tinha um apartamento com mais dinheiro do que o baiano. Paulo Preto pegou 145 anos de prisão, mas já está solto, como é costume no Brasil.
P.S. 2 – Assim, a trajetória de Lula, o único presidente da República eleito no mundo sem jamais ter lido um só livro, será igual à cavalgada dos cavaleiros de Granada, celebrizados pelo quixotesco escritor Miguel de Cervantes, que saíam em louca disparada, para quê? Ora, para nada… (C.N.)