terça-feira, 13 de janeiro de 2026

 

Ponto de Vista: Sigilo criminoso

Por Luiz Holanda*


Tribuna da Bahia, Salvador
13/01/2026 06:00
1 hora e 59 minutos

Numa democracia o povo é o detentor do poder. É, também, o dono das riquezas e do dinheiro que sustenta a máquina governamental, aí incluídos o pagamento dos serviços públicos, os privilégios, as regalias e a corrupção. No Brasil, os gastos do governo são protegidos pelo sigilo. Se os governos pretendessem aplicar corretamente o dinheiro do povo, o mínimo que se esperava era a declaração do montante, a razão dos gastos e onde o dinheiro seria aplicado. A maioria da população não tem a menor ideia das somas que os governos gastam na manutenção da máquina governamental e da roubalheira, já que esses os gastos estão protegidos pelo sigilo, destoando, acintosamente, da transparência financeira, indispensável para a existência de um governo que realmente atue em defesa do povo. Decretar o sigilo dos gastos públicas com medo de que o mal feito venha à tona é um crime. Segundo Oscar Arias, ex-presidente da Costa Rica, “O sigilo é uma forma de corrupção, mesmo quando não constitui expediente para dissimular o enriquecimento ilícito de membros do governo. Considero corrupta a atitude de governos que abusam do poder mantendo a população na ignorância com relação ao destino dado ao dinheiro público.” Sem informações detalhadas sobre a aplicação dos recursos públicos, os cidadãos e seus representantes não têm como analisar se os gastos do governo são compatíveis com as necessidades públicas. O sigilo protege a gastança e impede a transparência na aplicação dos recursos públicos. Ainda em campanha, o presidente sindicalista, Lula da Silva, prometeu acabar com os sigilos de 100 anos impostos pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) a pelos menos 65 casos, entre os quais as visitas que a primeira-dama Michelle Bolsonaro recebeu no Palácio da Alvorada. Fazer um ‘revogaço’ nos sigilos foi uma promessa feita por Lula em vários discursos e em uma entrevista a uma rádio no interior de São Paulo.

"É uma coisa que nós vamos ter que fazer: um decreto, um revogaço desse sigilo que o Bolsonaro está criando para defender os seus amigos”, disse Lula, numa suposta defesa da transparência no setor público, um princípio constitucional e democrático fundamental para garantir melhor controle dos gastos e aprimoramento do emprego do dinheiro público por meio do controle social. Nada disso aconteceu. Pelo contrário, a atitude de Lula acabou por abafar os desmandos do seu governo, entre eles os gastos pessoais do presidente e da primeira dama, conforme noticiado pela imprensa. O aumento do número de informações classificadas como sigilosas, em contraste com as promessas de campanha de transparência, ficou patente com as medidas para se manter o sigilo na gastança desenfreada. Durante a campanha de 2022, Lula criticou duramente Bolsonaro em impor sigilos nos gastos da administração pública. No entanto, dados da Controladoria-Geral da União (CGU) indicaram que o volume de sigilos decretados no início da gestão lulista foi similar, senão superior.

A Lei de Acesso à Informação (LAI), que permite impor sigilo de até 100 anos para informações pessoais relativas à intimidade, vida privada, honra e imagem dos governantes protege a gastança indiscriminada de qualquer governo. Entre os casos que receberam esse tipo de sigilo estão a lista de visitantes da primeira-dama Janja da Silva, a ficha funcional de um militar envolvido nos eventos de 8 de janeiro e telegramas diplomáticos sobre casos de repercussão. O governo justificou o uso do sigilo de 100 anos com base na proteção de dados pessoais, mas, na prática, a medida está sendo usada para esconder informações de interesse público, pois a falta de transparência é total, como no sigilo sobre o aluguel do barco usado pela comitiva presidencial na COP30. A justificativa é a mesma, algumas sob o argumento da segurança nacional.  Segundo a imprensa, houve notícias de que a Procuradoria-Geral da República (PGR) manteve paralisada, por meses, uma investigação sobre a legalidade dos sigilos decretados pelo governo Lula. Paralelamente a essas críticas, o número de operações especiais de combate à corrupção da CGU despencou em comparação com a gestão anterior. Que o sigilo protege a corrupção não há nenhuma dúvida. E a falta de transparência quando as informações financeiras e as decisões governamentais são mantidas em segredo dificulta que jornalistas, auditores e cidadãos identifiquem desvios na aplicação do dinheiro público. O sigilo, quando utilizado para esconder os usuários da propriedade real dos bens públicos pode dificultar o rastreamento do dinheiro aplicado em atividades ilícitas. O suborno e a lavagem de dinheiro também são protegidos pelo sigilo. Sem acesso aos registros e dados é quase impossível responsabilizar alguém por atos de corrupção. O sigilo envolvendo o Banco Master é total. Daí a afirmação de que o sigilo é um crime; protege a corrupção. 

*Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

 

The New York Times: 'Era de dominação dos EUA passou e nova ordem mundial toma seu lugar'

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Por JB INTERNACIONAL
redacao@jb.com.br

Publicado em 12/01/2026 às 17:47

Alterado em 12/01/2026 às 17:47

Trump: domínio desvanece Foto: reprodução

Apesar de os Estados Unidos continuarem a possuir força que lhes permite subjugar outros países, a era de sua supremacia já terminou, e o mundo aguarda a formação de uma nova ordem mundial baseada na globalização multilateral, publica o jornal norte-americano "The New York Times".

Segundo o diário, o principal ato do choque global causado pela administração de Donald Trump foi a imposição de imensas tarifas sobre produtos importados, ação que, segundo o texto, deve ser compreendida como um golpe severo de uma abordagem unilateral extrema.

"Embora os Estados Unidos continuem muito poderosos e capazes de subjugar outros, seus dias de dominação unipolar acabaram. [...] À medida que o domínio global da América se desvanece, um novo mundo está tomando forma, queira Washington ou não", afirma a publicação.

De acordo com o texto, com sua campanha tarifária, os Estados Unidos tentaram "atacar os fundamentos da globalização".

Mas, apesar das declarações da parte norte-americana sobre um novo "modelo global" e das guerras tarifárias conduzidas pela administração Trump, outros países do mundo, especialmente os pertencentes ao Sul Global, continuam, e até aprofundam, a integração comercial, ressalta o artigo.

Os autores citam diversos exemplos de estreitamento dos laços comerciais globais, mesmo diante das barreiras tarifárias impostas pelos EUA. "A China e a Associação das Nações do Sudeste Asiático aprofundaram seus acordos de livre comércio de longa data, enquanto a principal organização internacional da América Latina, o Mercosul, celebrou um acordo comercial altamente significativo com a União Europeia".

Além disso, a publicação destaca que, em um mundo futuro menos centralizado e mais auto-organizado, "impulsionado mais pelo pragmatismo do que pela ideologia", o G20 e o Brics poderão se tornar órgãos coordenadores de gestão de crises em nível global, idealmente complementando uma Organização das Nações Unidas reformada. (com Sputnik Brasil)

 

Após férias em Dubai, Moraes vai enfrentar o ano mais terrível de sua vida

Tribuna da Internet | Alexandre de Moraes tornou-se campeão de pedidos de impeachment no Senado

Na quinta, Moraes assume a presidência interina do STF

Carlos Newton

O ministro Alexandre de Moraes fechou em 2025 o pior ano de sua vida, quando justamente esperava conseguir a consagração definitiva, devido ao julgamento do núcleo central da conspiração golpista. Em sua supervalorizada autoestima, ele pensou que estava entrando na História como o salvador da democracia brasileira, mas não é bem isso que será registrado pelos pesquisadores.

Realmente, Moraes teve grandes momentos de glória, era bajulado em todas as situações. Quando entrava em algum restaurante, só faltava ser aplaudido de pé. De repente, porém, tudo mudou.

PREÇO DO SUCESSO – Em meio ao escândalo do banco Master, Moraes aproveitou o recesso e viajou com a mulher para Dubai, na esperança de que o luxo possa ocultar a realidade. Sonhar ainda não é proibido nem paga imposto, e o casal acabará entendendo que a própria vida sempre cobra alto preço pelo sucesso indevido

Toda estrela, por mais brilhante que seja, tem prazo de validade. E foi exatamente o que aconteceu com Alexandre de Moraes.

Seus problemas começaram em plena apoteose da condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro e do grupo principal do golpe, quando surgiu o voto discordante de Luiz Fux, o único integrante do Supremo que pode ser considerado jurista.

JUIZ-CARRASCO – O voto de Fux, com 429 páginas, deixou claro que Moraes não estava agindo como juiz, pois se portava como um verdadeiro carrasco. E assim o rigor de suas penas começou a ser cada vez mais discutido e rejeitado.

Como se sabe, para justificar as condenações draconianas do 8 de Janeiro, o relator classificou como “terroristas” os 1.339 réus e, artificialmente, aumentou de três para cinco o número de crimes cometidos.

Nesse esquema, Moraes incriminou esses “terroristas” por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e também por golpe de Estado, que são crimes excludentes, que significam a mesma coisa. Igualmente, o relator os condenou por dano qualificado pela violência e também por deterioração de patrimônio tombado, crimes também excludentes — ou se pratica um ou o outro.

PENAS DOBRADAS – Assim, Moraes foi dobrando ilegalmente as penas, e procedeu da mesma forma ilegal ao condená-los por organização criminosa armada, pois a quase totalidade nem se conhecia e nenhum deles portava arma.

O mais triste é que, no Supremo, até Luiz Fux apoiou esse insano rigor; apenas Nunes Marques e André Mendonça denunciaram o exagero e votaram contra.

Moraes assim saiu vitorioso, mas logo em seguida ocorreu a derrocada do Banco Marques e ele se envolveu no escândalo, ao pressionar o Banco Central para ajudar a mulher, que recebia R$ 3,6 milhões mensais para não fazer praticamente nada, segundo o próprio Moraes, ao alegar que ela sequer defendeu o banco na liquidação. Fez o quê, então?

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P.S. – Após a estada em Dubai, Moraes assume quinta-feira, dia 15, a presidência do STF, para cobrir as miniférias de Edson Fachin, que retorna ao cargo em 1º de fevereiro. Depois, com o fim do recesso, Moraes será convocado pela CPI do Master, que já tem número suficiente de assinaturas para ser convocada. E o espetáculo não pode parar. (C.N.)

JCO

 

Estranhamente, Suzane aparece na delegacia e recebe um "não" da polícia


Suzane von Richthofen foi ontem à 27ª Delegacia de Polícia, na zona sul de São Paulo, para tentar liberar o corpo do tio Miguel Abdala Netto, de 76 anos, encontrado morto dentro de casa, no Campo Belo, em São Paulo. A Polícia Civil investiga o caso como morte suspeita.fluxmedianews

A aparição de Suzane na delegacia surpreendeu os policiais. Com o argumento de que é a única parente consanguínea próxima do médico, por ser sobrinha de primeiro grau, ela tentou formalizar a liberação do corpo para sepultamento. Essa movimentação também abriria caminho para se tornar inventariante dos bens deixados por Miguel. Ele tinha uma casa e um apartamento no Campo Belo, além de um sítio no litoral paulista. Estima-se que o patrimônio some cerca de R$ 5 milhões.

Os policiais decidiram não atender ao pedido de Suzane. Depois de não conseguir liberar o corpo do tio na delegacia, Suzane foi ao fórum e entrou com um pedido de tutela para tentar reverter a situação.

Por outro lado, Sílvia Magnani, prima de primeiro grau e ex-companheira de Miguel, diz torcer para que Miguel tenha deixado um testamento. Segundo ela, assim que esse documento for localizado, ficará claro que Suzane está excluída da herança. Durante o período em que se relacionou com Miguel, ela diz que o médico “falava horrores da sobrinha” e afirmava que lutaria até o fim da vida para que ela não herdasse “sequer um alfinete” da família que, nas palavras dele, ela própria havia destruído. O caso segue sob investigação.