domingo, 3 de maio de 2026

 

Não é crime ser antissemita, mas o líder do PSTU foi condenado por “cometê-lo” 

Zé Maria, do PSTU, ousou defender a extinção de Israel

Demétrio Magnoli
Folha

“Liberdade é sempre, exclusivamente, a liberdade de quem pensa diferente de nós” (Rosa Luxemburgo). A esquerda brasileira, que vive pregando a repressão judicial à palavra “errada”, não tem o direito moral de contestar a condenação de José Maria de Almeida, líder do PSTU, por sua conclamação à eliminação do Estado de Israel. Eu tenho, porque estou entre os que concordam com a revolucionária comunista alemã.

Sim: o discurso de Zé Maria foi antissemita, por mais que ele invista no truque vulgar de vesti-lo nas roupagens do “antissionismo”. As acusações que utiliza contra Israel (Estado “racista”, “colonialista”, que pratica “genocídio”) não são suas verdadeiras motivações para bradar por sua extinção. O problema dele é que Israel é um Estado judeu.

MUITAS DÚVIDAS – Israel, Estado “racista”? Falso. Mas, e se fosse? Por que nunca se exigiu a extinção dos EUA, que manteve leis de discriminação racial até 1967?

Estado “colonialista”? Simplificação ginasiana. E se fosse? Jamais sugeriu-se varrer do mapa os EUA, novamente, junto com Canadá, Austrália, Brasil e vários etc., nações de colonos implantadas sobre as ruínas de povos autóctones.

Israel pratica “genocídio”? Debate válido. Contudo, ninguém teve a ideia de remover do planeta a Turquia, a Alemanha, o Camboja ou Ruanda, que conduziram os maiores genocídios da história contemporânea.

PECADO ORIGINAL – As acusações de Zé Maria, que são as da esquerda antissemita em geral, singularizam Israel, descrevendo-o como síntese de uma perversidade inigualável: o fruto podre de um pecado original. O “pecado”, para eles, é sua natureza judaica.

O Estado judeu não é Netanyahu, mas um contrato nacional que garante direitos políticos e civis para seus 10,1 milhões de cidadãos. Com que autoridade moral um não israelense brada pelo cancelamento do contrato dos outros?

Um cidadão israelense, judeu ou árabe, exerceria seu direito ao propor a seus concidadãos um plebiscito destinado a substituir Israel pela improvável “Palestina laica e democrática” invocada por José Maria. Duvido do êxito da iniciativa –mas o rolo é lá com eles. Por outro lado, quando um estrangeiro (mesmo que fosse judeu!) clama pela supressão do Estado judeu, está batendo bumbo para uma guerra de aniquilação nacional.

DOIS ESTADOS – Zé Maria não gritou contra a ocupação dos territórios palestinos para exigir a partilha da Terra Santa em dois Estados. Não argumentou que, se Israel rejeita a partilha, restaria apenas uma solução democrática: a concessão de cidadania plena a todos os palestinos dos territórios ocupados. Escolheu, no lugar disso, desfraldar na avenida Paulista a bandeira do Hamas: a Palestina “do rio até o mar”. Mesmo assim, deve conservar a liberdade de expressar ideias abomináveis.

O Brasil “progressista” inventou diversos subterfúgios legais para reprimir a opinião política, criminalizando discursos que podem ser interpretados como racistas, homofóbicos ou misóginos. A criminalização obviamente fracassa em ensinar boas maneiras à sociedade –e, algumas vezes, deflagra um curto-circuito, provocando a condenação de um “progressista” antissemita acusado de racismo.

A decisão judicial é um erro amparado pela lei. Liberdade para Zé Maria! Que o antissemitismo saia da toca, mostre suas faces direita e esquerda, para que possamos combatê-lo à luz do dia.

 

Flávio se descola de Lula no Polymarket 10 dias após proibição

Decisão do CMN de bloquear a plataforma no Brasil entra em vigor nesta segunda-feira, 4, mas ela já está fora do ar desde 24 de abril

avatar
Redação O Antagonista
2 minutos de leitura03.05.2026 10:10comentários 0
Flávio se descola de Lula no Polymarket 10 dias após proibição
Montagem: O Antagonista

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece, neste domingo, 3, com 43,5% das apostas na plataforma Polymarket sobre quem deve ganhar a eleição presidencial deste ano.

Lula (PT) marca 39%, e Renan Santos (Missão), 5,7%.

auto skip
Próximo vídeo em 5
Cancelar

O ex-governador Romeu Zema (Novo), que chegou a marcar 10% no ápice de seu enfrentamento com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), aparece agora com 4%.

Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou em 24 de abril uma resolução que proíbe a oferta e a negociação, em território brasileiro, de contratos de previsão vinculados a eventos esportivos, políticos, eleitorais, culturais e de entretenimento.

A norma publicada pelo Banco Central entra em vigor na segunda-feira, 4 de maio, e atinge diretamente plataformas internacionais como Kalshi e Polymarket, além de outras 25 empresas do setor, mas essas plataformas estão inacessíveis no Brasil desde 24 de abril.

A Argentina também determinou o bloqueio ao Polymarket, em março, por meio de uma decisão judicial. O site também não pode funciona na França, na Alemanha e na Itália, entre outros países.

Segundo o Ministério Público de Buenos Aires, a plataforma “operava como um sistema de apostas online disfarçado” e, além disso, “não exigia verificação de identidade nem de idade, além de permitir a criação de contas em poucos minutos”.

Tendências

Antes de o Polymarket sair do ar no Brasil, Flávio marcava 38,2%, pouco mais que os 36% de Lula. Zema tinha 10,2% e Renan, 5,7%.

Na semana passada, Lula viu o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias, seu advogado-geral da União, para uma cadeira no STF, algo que não ocorria há mais de um século.

A decisão foi encarada como um fim antecipado do governo e pôs em questão a reeleição de Lula.

 

Boulos desce o nível e ofende Zema

Não dava para se esperar outra coisa partindo de Guilherme Boulos.

o ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), defendeu a mudança das regras sobre trabalho infantil no Brasil. A declaração aconteceu em entrevista no podcast Inteligência Limitada, exibida na sexta-feira (1º), no Dia do Trabalhador. Zema comparou o Brasil com os Estados Unidos e disse que, no país norte-americano, crianças podem trabalhar entregando jornais.

“Lá fora, nos Estados Unidos, criança sai entregando jornal. Recebe lá não sei quantos cents por cada jornal entregue, no tempo que tem. Aqui é proibido, você está escravizando criança. Então, é lamentável, mas tenho certeza de que nós vamos mudar isso”, disse.

E completou:

“Eu sei que o estudo é prioritário, mas criança pode estar ajudando com questões simples, com questões que estão ao alcance dela. Eu acompanhava meu pai o dia todo, contava parafuso, porca e ajudava ele, embrulhava em jornal”.

Sem dúvida, um tema que admite debate. Quem trabalhou quando criança sabe o quanto isso pode ser importante na formação do caráter.

Porém, Guilherme Boulos, um sujeito que não tem experiência nenhuma com o trabalho, partiu para a baixaria:

“Defender o trabalho infantil é um ato de covardia. O cidadão que faz isso no Dia do Trabalhador vai além: dá sérios sinais de ser um psicopata. O nome dele é Romeu Zema”.Matsori

Quanta debilidade e descompostura.