segunda-feira, 7 de setembro de 2026

 

Desesperado, Moraes tem “chance zero” de escapar do pedido de impeachment

Troca de relator no caso Master é positiva, diz presidente da ADPF à CNN |  CNN Brasil

Felix de Paiva, da ADPF, preocupa-se com a investigação

Carlos Newton

As provas vão surgindo e se acumulando contra o ministro Alexandre de Moraes, que a cada dia vai ficando em pior situação e já passou a ter “chance zero” de evitar o pedido de impeachment, porque até mesmo seus maiores aliados no Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, não têm a menor condição de defendê-lo.

Atingido por acusações de corrupção tão graves quanto os crimes de Moraes, o amigo Toffoli está impedido pelo plenário de opinar sobre o caso Marques, por ser um dos investigados. Seu futuro é igual ao de Moraes – o impeachment, e a única dúvida é saber quem vai primeiro.

GILMAR FRACASSOU – O experiente ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo, é o maior aliado de Moraes, e até tentou protege-lo, alegando que o ministro André Mendonça estaria infringindo as regras do STF, uma prática que tem o próprio Gilmar como maior especialista, mas a manobra fracassou.

Essa tentativa de tumultuar a questão e salvar Moraes esbarrou na posição firme do presidente Édson Fachin, que insistiu em levar a questão ao plenário, e Gilmar também ficou sem ação.

Para não demonstrar ter desistido de apoiar Moraes, o decano Gilmar então apresentou uma proposta para proibir a atuação de policiais federais nos gabinetes dos ministros, mas isso não resolve nada para Moraes. Pelo contrário, serve apenas para demonstrar à Polícia Federal que é preciso moralizar o Supremo, a qualquer custo.

REVOLTA DOS DELEGADOS – A situação de Moraes se agravou muito no sábado, devido ao posicionamento firme da Associação dos Delegados da Polícia Federal, que enviou ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, uma interpelação para que ele se declare impedido de participar com caso do Banco Master, por ter-se envolvido com o banqueiro Daniel Vorcaro.

No mesmo documento, a ADPF, que reúne quase 2 mil delegados federais, exige “que os fatos que vieram à tona pela operação Compliance Zero sejam apurados em toda a sua extensão, sem seletividade quanto às autoridades envolvidas“.

Acho que o episódio pode ser chamado de “A Revolta dos Delegados”, um fato inusitado e auspicioso, a demonstrar que ainda há autoridades no Brasil que não compactuam com o crime e a corrupção.

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P.S. 1
Em tradução simultânea, os policiais federais sabem a extensão do envolvimento de autoridades como Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, Paulo Gonet e Andrei Rodrigues, atual diretor da PT, cuja namorada, a jornalista e lobista Renata Varandas, também está sendo investigado por sua ligação com Vorcaro.  

P.S. 2Assim, de antemão, os policiais federais já sabem muito bem quais foram as autoridades que agiram como milicianos e venderam proteção ao banqueiro Vorcaro. Se os ministros do Supremo tiverem juízo, vão enquadrar todos os envolvidos. Se não o fizerem, poderão agravar ainda mais a crise que emporcalha as instituições. (C.N.)

 Direito e Justiça

Mendonça põe ponto final em ilações sobre ternos e apresenta extrato do cartão de crédito

Ele não precisava fazer isso, mas fez. André Mendonça resolveu encerrar de vez as ilações de que teria sido ‘presenteado’ por Daniel Vorcaro, com ternos de uma alfaiataria em São Paulo, conforme havia sugerido o advogado Ciro Soares.

Logo que surgiu o boato maldoso, Mendonça apresentou as notas fiscais da compra. Não foi suficiente. Esquerdistas prosseguiram com insinuações maldosas. Mendonça então apresentou ao jornal O Globo, os extratos do cartão de crédito.

Lauro Jardim publicou a seguinte nota:

Desde quarta-feira passada, quando surgiu a informação de que o advogado-lobista de Daniel Vorcaro, Ciro Soares sugeriu que pagara ternos para André Mendonça numa alfaiataria de São Paulo, pairavam dúvidas sobre o assunto. Os áudios enviados por Soares ao banqueiro em 2025 foram revelados pelo repórter Paulo Mororyn.
No dia seguinte, Mendonça divulgou duas notas fiscais no valor total de R$ 26,4 mil, emitidas pela Alegrete Alfaiataria, para tentar rebater a frase dúbia de Soares ("Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco [alfaiataria] agora, pra fazer um terno"). As notas foram emitidas em nome da mulher de Mendonça — uma datada de 8 de fevereiro e outra de 28 do mesmo mês.
Não foi o suficiente.
Mendonça passou a ser cobrado pelo comprovante de pagamento do terno cinza, dois blazers, camisas sob medida e acessórios comprados — o que, de fato, faz sentido. Só um comprovante, seja via Pix ou o extrato do cartão de crédito do ministro, poderia sanar as dúvidas.
Procurado pela coluna, Mendonça se dispôs a abrir seus extratos de cartão de crédito.
*Na fatura, com vencimento em 11 de março do ano passado do cartão Visa, aparece uma compra feita na Alegrete Alfaiataria em 8 de fevereiro de 2025. Foi o dia em que Mendonça esteve na alfaiataria, segundo o áudio do advogado. Nela, consta R$ 4 mil referentes à primeira das quatro parcelas das roupas compradas (veja abaixo a reprodução do extrato do cartão de crédito).
*No extrato de abril do mesmo cartão, figura a segunda parcela da compra de 8 de fevereiro (ou seja, mais R$ 4 mil) e outro registro, de 28 de fevereiro: uma parcela de R$ 3,3 mil de um total de três que estavam sendo cobradas ao ministro (veja abaixo a reprodução do extrato do cartão).