sexta-feira, 19 de junho de 2026

 Política

Andrei Rodrigues é o novo alvo da ira dos petistas

O caso do senador Jaques Wagner é gravíssimo e ainda vai dar muito o que falar.

Isso transformou o dia 18 de junho num péssimo dia nas hostes petistas, um dia de muito dedo na cara, acusações e o alvo predileto foi o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

O jornalista Cláudio Magnavita resumiu com exatidão o que aconteceu:

“Descobriram que, como na fábula holandesa do garotinho com o dedo no buraco da represa, o moço havia viajado para o exterior e a represa estourou. Alagou um dos maiores redutos eleitorais de Lula, já que a Bahia e o Ceará são os fiéis da balança da reeleição petista.
A imagem que mais irritou os petistas foi a foto dos 49 montinhos de mil dólares cada, arrumados artisticamente para parecer uma fortuna, que foi divulgada horas depois da operação da PF.
Quando Andrei Rodrigues assumiu, ele foi claro: só tinha uns cinco nomes de confiança. A Polícia Federal estava dividida entre os lavajatistas e os bolsonaristas. Ficou demonstrado que o diretor-geral não coordena a casa. Os três ministros da Justiça do governo Lula, na ordem de posse, Flávio Dino, Ricardo Lewandowski e o atual, o também baiano Wellington Lima, indicado por Jaques Wagner e Rui Costa, tiveram problemas com Andrei e sua linha direta com Lula.
A ala política do governo e o próprio Ministério da Justiça cobraram duramente Andrei Rodrigues pelo fato do Palácio do Planalto não ter sido alertado sobre os mandados de busca e apreensão contra o líder do governo. O diretor-geral manteve a postura de que a PF agiu sob estrita ordem judicial de sigilo emitida pelo STF, a qual proibia o compartilhamento de informações com o Executivo. Isso gerou um forte processo de ‘fritura’ de Andrei por parte de ministros políticos, que passaram a acusar a PF de agir com ‘excessiva independência’ e de expor o governo a crises desnecessárias.
Em um episódio marcante, durante uma coletiva de imprensa conjunta, Lewandowski interrompeu Andrei publicamente. O diretor da PF sugeriu que o ministério tinha conhecimento prévio de detalhes operacionais de uma ação no Rio de Janeiro, o que foi prontamente rebatido e corrigido pelo ministro, expondo um incômodo explícito da cúpula da pasta com as declarações do chefe da PF.
Interlocutores da época de Flávio Dino apontavam que Andrei incomodava o chefe ao buscar total autonomia para a PF, tentando desvincular as grandes operações da imagem política do ministério. Dino, por sua vez, centralizava a comunicação e os anúncios das ações da PF, gerando um clima de ‘queda de braço’ sobre quem detinha o comando real das forças de segurança federais.
O último presidente que teve um chefe de Polícia para chamar de seu foi Getúlio Vargas, com Filinto Müller, que despachava diretamente no Catete. Para alguns ex-integrantes do Ministério da Justiça, Andrei passou para Lula uma figura que misturava traços do Filinto Müller com Gregório Fortunato, que foi o chefe da guarda pessoal de Vargas, uma alusão ao período que Andrei comandou a segurança pessoal de Lula na campanha de 2022, quando ficaram próximos. O garoto com o dedo no buraco na represa viajou com Lula e agora um mar de lama foi derramado no maior colégio eleitoral do presidente.”

 

Aliados de Lula pressionam Jaques Wagner a deixar liderança do governo

Lula considera que permanência é insustentável

Catia Seabra
Brasília

Com aval do presidente Lula (PT), ministros e aliados se lançaram nesta quinta-feira (18) em uma operação de convencimento do líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para que ele entregue o cargo.

Segundo aliados, Lula avalia como insustentável a permanência dele na liderança do governo, mas, apesar dessa avaliação, não deverá destituí-lo. Espera que essa iniciativa parta do próprio Wagner. Procurados por emissários do governo, aliados do senador, incluindo ministros e integrantes do Governo da Bahia, desencadearam essa articulação. Eles mesmos estariam convencidos da delicadeza da situação de Wagner.

TELEFONEMAS – A expectativa desses aliados de Lula é que Wagner renuncie nesta sexta-feira (19) ou no máximo na segunda-feira (22). Nesta quinta, após a Polícia Federal deflagrar operação na Bahia relacionada ao Banco Master, Lula telefonou duas vezes para Wagner. Segundo aliados do presidente, nas duas conversas, não puderam discutir uma sucessão na liderança do governo devido ao abalo emocional do senador.

Ministros afirmam que esse gesto de solidariedade do presidente não deve ser entendido como uma garantia de manutenção no cargo de líder. Mas um aceno para que Wagner assuma a saída como uma iniciativa pessoal, sob o argumento de que precisa se dedicar à sua defesa.

Ainda segundo esses aliados, foi Lula quem sugeriu que concedesse uma entrevista para dar explicações. Mas, dentro do governo, a avaliação é de que elas foram insuficientes, o que exigirá desdobramentos.

MUNIÇÃO PARA FLÁVIO – Aliados do presidente avaliam que a operação da Polícia Federal contra o líder do governo no Senado pode fornecer o discurso de defesa de Flávio Bolsonaro (PL), que foi flagrado em conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para obtenção de recursos para o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Em meio a suspeitas de que Wagner tenha recebido valores ligados ao banco Master, de Vorcaro, Wagner chegou a ressaltar, em entrevista à Band News TV, a confiança de Lula em sua integridade. Após relatar um dos telefonemas do presidente, recebido pouco antes do meio-dia, Wagner disse apostar em sua permanência na função. “Ele fez questão de me ligar, se solidarizar comigo”, afirmou.

O senador disse continuar na liderança do governo no Senado até segunda ordem. “A liderança do governo fica a cargo do presidente Lula, com quem eu falei hoje, e eu acho muito difícil que ele mexa na minha posição pela relação que a gente tem e pela confiança que ele tem em mim.”

ACIMA DO TOM – Aliados do presidente classificaram a entrevista como acima do tom, acrescentando não haver qualquer definição por sua permanência. A PF cumpriu nesta quinta 18 mandados de busca e apreensão em nova fase da operação Compliance Zero. Os mandados foram expedidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal.

Foram feitas buscas em endereços ligados a Wagner e Lima em Salvador e em um hotel em Brasília onde o senador mora. Policiais federais também estiveram em endereço em Salvador de Eduardo Sodré Martins, enteado de Wagner, e da esposa dele, Bonnie Bonilha.

Maioria do STF precisa desistir de apoiar Moraes e Toffoli, que já perderam a moral

Mendonça se reúne nesta segunda-feira com a PF para nova rodada de conversas sobre caso Master

Mendonça conseguiu colocar Gilmar no seu devido lugar

Carlos Newton

Depois que um grupo de ministros, unidos pelo caráter duvidoso e por decisões controversas, passou a controlar a maioria do Supremo, o país entrou numa crise que parecia não ter fim. Porém, não mais que de repente, como diria Vinicius de Moraes, aconteceu o escândalo do Banco Moraes, e o vento virou.

Surgiu, de forma concreta, uma possibilidade de fazer uma nova limpeza ética nos três Poderes. Evidentemente, não pegará a todos os envolvidos em corrupção e lavagem de dinheiro, mas pode colocar muitos deles na cadeia e restaurar um mínimo de moralidade pública.

CISÃO NO STF – A divisão é cada vez mais nítida. De um lado, estão Gilmar Mendes, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes; do outro, postam-se André Mendonça, Nunes Marques e Luiz Fux, num placar empatado, de 3 a 3, que não levará o Supremo a nada.

E no olho do furacão, em meio ao caos à sua volta, estão os outros quatro ministros que vão definir se haverá ou não essa imprescindível limpeza ética – Edson Fachin e Cármen Lúcia, que já até tentaram fazer um Código de Conduta, e Cristiano Zani e Flávio Dino, que ainda são calouros e precisam definir de que lado pretendem estar.

Tudo indica que, na hora da verdade, Fachin e Cármen se liguem a Mendonça, Nunes e Fux. Portanto, é preciso que um dos que restam indecisos – Zanin ou Dino – apoie a renovação, formando maioria de 6 a 4, pelo menos.  

PRIMEIRO ROUND – Essa disputa já corrói o Supremo há tempos, desde o início da demolição da Lava Jato. Mas só começou a vir a público esta semana, com o duelo inicial entre os dois líderes das facções – André Mendonça e Gilmar Mendes, que atuam na Segunda Turma.

Os dois se enfrentaram no julgamento da prisão preventiva do pai e do primo de Vorcaro, que Gilmar tentou desesperadamente libertar, com os argumentos rotos e encardidos que usou em benefício dos criminosos da Lava Jato.

Mas levou uma educada lição de moral de Mendonça, que apontou a gravidade do erro pretendido por Gilmar, deixando-o de saia justíssima no plenário da Segunda Turma, só faltou sair pelo ralo, como se dizia antigamente.

VIÉS POSITIVO – Agora, com Mendonça à frente e Fux dando-lhe sustentação, pode-se até dizer que a crise do Supremo tem condições ideais para ser debelada, porque a maioria pode chegar a 7 a 3. Tanto Zanin quanto Dino não têm nada a ganhar nada caso continuem obedecendo a Gilmar Mendes, que mantém controle sobre Moraes e Toffoli.

Até por instinto de sobrevivência, para não se contaminar com apoio aos três Cavaleiros do Apocalipse, Zanin e Dino podem aderir de corpo e alma à maioria ética.

Os dois novatos só têm a ganhar com essa iniciativa. Especialmente, Flávio Dino, que tem alma de político e pode ser sucessor de Lula na esquerda, pois o espólio do PT é rico e sólido, mas precisa de um nome politicamente forte para ocupar o vácuo pós-Lula.

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P.S. –
Desculpem o otimismo, que presumo não ser exagerado. O Brasil tem jeito. É o país emergente de maior viabilidade socioeconômica. Se os ocupantes dos três Poderes não atrapalharem, podemos ir em frente, em alta velocidade. E o caso do Banco Master veio em boa hora e é ideal para fazermos uma limpeza no estábulo. (C.N.)

CRUSOÉ

 

Tem Master para todo mundo

Nona fase da Operação Compliance Zero atinge líder do governo Lula no Senado e instala clima de Lava Jato às vésperas de eleição

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Rodolfo Borges
4 minutos de leitura18.06.2026 11:46comentários 3
Tem Master para todo mundo
Foto Lula Marques/ Agência Brasil

Agora é oficial: o escândalo do Banco Master não distingue os dois principais projetos de poder do Brasil no momento. O mesmo dedo que os lulistas vinham apontando para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por causa do patrocínio do filme Dark Horse por Daniel Vorcaro, pode ser apontado agora para Jaques Wagner (PT-BA, foto), líder do governo Lula no Senado.

E o dedo já está sendo apontado.

“Escândalo envolvendo o PT é como a incompetência do governo Lula: não tem como esconder”, disse Flávio, como se não tivesse nada a ver com Vorcaro.

Também foi alvo da Polícia Federal o empresário Augusto Lima. A suspeita é de que Wagner atuou em favor de Lima no Senado e que, em contrapartida, teria recebido propina de 3,5 milhões de reais, por meio de um imóvel registrado em nome de parentes, entre outras formas de pagamento.

O líder do governo Lula no Senado também teria recebido ingressos para shows e feito viagens em jatinhos bancados por Vorcaro. A PF acredita que Wagner atuou pela “Emenda Master”, apresentada pelo senador Ciro Nogueira (PP-PI) para ampliar o limite coberto pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), parte da estratégia de segurança da irresponsável instituição liquidada de Vorcaro, e também de outra proposta para ampliar os limites de concessão de crédito consignado.

Credcesta

A relação do PT da Bahia com o Master já era alvo de críticas, por ser apontada como a gênese do império fraudulento de Vorcaro, mas a investigação só chegou publicamente ao caso agora.

Em 2007, o governo de Wagner criou o Credcesta, um programa de benefícios para servidores estaduais que evoluiu para uma operação de crédito consignado com desconto em folha.

Em 2018, durante o governo de Rui Costa (PT), a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal/Cesta do Povo) foi privatizada, e Augusto Lima, sócio de Vorcaro no Master, obteve exclusividade de 15 anos para administrar o Credcesta, que acabaria integrado ao banco.

Clima de Lava Jato

A operação também se aproximou nesta semana de Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara, que teve sua hospedagem para o Gilmarpalooza de 2024, em Lisboa, paga por Vorcaro, e foi flagrado pedindo empréstimo a Vorcaro para empresa de sua cunhada.

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é outro que teve o nome ligado ao escândalo, por supostamente ter recebido 30 milhões de dólares do banqueiro, mas essa informação não foi confirmada oficialmente pela PF e o senador nega qualquer irregularidade.

O governo Lula já estava informalmente implicado pelas reuniões fora da agenda da cúpula do governo, entre eles o próprio presidente, com Vorcaro, que contratara ex-ministros do petista.

Instalou-se, assim, o clima de Lava Jato que o decano do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, tanto temia. O ministro tentou aliviar na terça-feira, 16, a prisão de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro preso, comparando a condução da Compliance Zero à da Lava Jato.

O relator do caso, André Mendonça, argumentou pela manutenção da prisão preventiva de Henrique e de Felipe Vorcaro, primo do banqueiro preso, e defendeu a investigação.

Após as críticas públicas de Gilmar, Mendonça também autorizou, nesta quinta, a nona fase da operação, que parece estar bem longe de ser a última e ameaça adentrar a eleição deste ano.