Brasília - O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso disse que está "observando a cena" e que a Corte passa por "um momento difícil", mas ponderou que não se deve deixar que "um fato conte a história da instituição". As declarações foram feitas em entrevista à Globo News veiculada na noite da última terça-feira, 10.
"Há uma percepção crítica real. Eu leio o jornal, vou à farmácia, tenho amigos. Portanto, é um momento difícil. Mas acho que a gente não deve fazer juízos precipitados e a gente não deve considerar que um fato conte a história da instituição", afirmou.
Barroso também defendeu que juízes podem ser acionistas de empresas. "Por exemplo, se a família dele tem imóveis, ele pode ter cotas daquela empresa que tem os imóveis. O problema não é esse. O problema, de novo falando em tese, é o tipo de relacionamento que você estabelece com quem, eventualmente, possa ter interesse no seu campo. Essa é a grande delicadeza", disse.
O ministro aposentado disse ainda que tem "simpatia" pelo código de ética para ministros do Supremo e cogitou implementá-lo, mas que não levou a ideia em frente porque é um tema "divisivo" na Corte. "Eu tive muitos projetos importantes que eu dependia da coesão do Tribunal", afirmou.
Durante a entrevista, o jornalista Roberto d'Ávila questionou Barroso, em tom de brincadeira, se ele costumava apagar mensagens do celular — uma referência indireta à controvérsia sobre os supostos diálogos entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro por mensagens de visualização única Barroso respondeu que não apaga e afirmou que não havia percebido a "maldade" na pergunta, acrescentando que costuma manter conversas antigas
porque tem "má memória".
Barroso também avaliou que o "timing" da discussão sobre um código de conduta pode não ter sido o ideal. "Se há uma demanda da sociedade, e não há nada a esconder, eu não vejo porquê não fazer. O 'timing' talvez não tenha sido feliz, porque misturou com outros episódios, e alguém sempre pode achar que é contra si, ou por causa disso", afirmou.
Israel ameaça 'tomar territórios' no Líbano e diz para Exército se preparar para 'expandir' operação contra Hezbollah
Israel e Hezbollah trocam bombardeios desde os primeiros dias da guerra entre EUA, Israel e o Irã. O grupo rebelde libanês é aliado do regime iraniano e financiado por Teerã.
Tanque e blindados israelenses posicionados do lado israelense da fronteira entre Israel e o Líbano em meio a escalada bélica contra o grupo rebelde Hezbollah em 10 de março de 2026. — Foto: REUTERS/Amir Cohen
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, ameaçou nesta quinta-feira (12) "tomar territórios" no Líbano caso o grupo rebelde Hezbollah não cessar os ataques contra o território israelense. “Adverti o presidente do Líbano [Joseph Aoun] de que, se o governo libanês não souber controlar o território e impedir que o Hezbollah ameace as comunidades do norte e dispare contra Israel, tomaremos o território e faremos isso nós mesmos”, disse Katz em comunicado.
Ao mesmo tempo, Katz também disse ter ordenado que o Exército se prepare para “expandir” as operações no Líbano, onde soldados israelenses já operam ao longo da fronteira entre os dois países. Israel vem acumulando tropas e tanques de guerra no local, segundo agências de notícias, e há relatos de presença de ataques terrestres em cidades libanesas no extremo sul do país.
Israel e Hezbollah trocam ataques desde os primeiros dias da guerra entre EUA, Israel e o Irã. O grupo libanês é aliado do regime iraniano. Desde então, além das investidas terrestres, Israel realiza bombardeios diários contra Líbano, principalmente na capital Beirute.
Ainda não é possível dizer quando terminarão as hostilidades no conflito do Oriente Médio, disse uma fonte política iraniana à Sputnik.
"É impossível precisar um momento para o cessar-fogo — que dia, que hora. Isso ficará claro quando o lado oposto perceber que os custos que sofreu foram significativos", disse a fonte.
Ele disse, também, que é importante como a guerra terminará. "O curso das hostilidades e a forma como elas terminarem serão fatores decisivos no futuro", acrescentou a fonte.
Anteriormente, o presidente iraniano Masoud Pezeshkian destacou que a única maneira de acabar com o conflito no Oriente Médio é o reconhecimento dos direitos legítimos de Teerã, o pagamento de reparações e garantias internacionais de não repetição da agressão.
O embaixador iraniano na Rússia, Kazem Jalali, ressaltou a posição de Teerã e afirmou que seu país não considera estabelecer negociações com os Estados Unidos em meio ao conflito em curso no Oriente Médio.
"O principal objetivo do país é proteger a soberania nacional e a integridade territorial. Nessas circunstâncias, ninguém está considerando negociações com os EUA", disse Jalali.
Ele lembrou que o Irã já negociou com os EUA diversas vezes, inclusive duas vezes durante o governo do presidente norte-americano Donald Trump – antes do conflito com Israel em junho de 2025 e antes do conflito atual.
EUA não têm planos imediatos para encerrar a operação militar no Irã
Trump, por sua vez, também ressaltou que os Estados Unidos não têm planos imediatos para encerrar sua operação militar contra o Irã. De acordo com a leitura do presidente, os iranianos já estão contra a parede.
"Eles estão praticamente no fim da linha, mas isso não significa que vamos acabar com isso imediatamente", disse Trump a repórteres nesta quarta-feira (11).
Irã tem várias vantagens sobre EUA e Israel e impede seus planos militares, diz analista
As forças iranianas têm várias vantagens objetivas sobre os EUA e Israel e estão frustrando seus planos de guerra, disse o ex-analista da CIA Larry Johnson em um canal no YouTube.
Johnson apontou que, se o objetivo dos ataques militares dos EUA é atingir a maior parte possível da população, é importante considerar que 70 a 80% dos iranianos estão espalhados por todo o país.
Enquanto isso, o analista lembrou que em Israel cerca de 80% da população está concentrada em Tel Aviv e Haifa.
"Dessa forma, diferentemente do que ocorre no Ocidente, onde é necessário atacar literalmente centenas de alvos diferentes para tentar minar a vontade do povo iraniano, o Irã precisa atacar apenas dois [...]. Os israelenses estão sofrendo e enviando sinais de que querem trégua", ressaltou.
Nesse contexto, ele destacou que ninguém poderia imaginar que o Irã poderia desativar cinco radares do adversário.
Além disso, Johnson elaborou que as ações do Irã pegaram tanto os Estados Unidos quanto Israel de surpresa.
De acordo com o analista, no passado, Israel recebia um aviso de 30 minutos sobre a aproximação de mísseis, mas agora recebe apenas um minuto antes de um ataque.
Portanto, ele concluiu que os EUA esperavam manter uma presença militar no golfo Pérsico, com bases na Arábia Saudita, no Kuwait, no Bahrein, no Catar e até nos EAU, mas agora isso está se tornando impossível.
A operação militar dos EUA e de Israel contra o Irã está em sua segunda semana. Durante todo esse tempo, as partes trocaram ataques.
Em Tel Aviv, o objetivo declarado foi impedir que Teerã obtivesse armas nucleares. Washington ameaçou destruir as capacidades militares do país e pediu que os cidadãos derrubem o governo iraniano. O Irã, no entanto, enfatizou que está pronto para se defender e que ainda não vê sentido em retomar as negociações.
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O governo Trump analisa a possibilidade de aplicar novamente sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Três fontes independentes confirmaram a existência dessas discussões dentro do governo americano no último mês. A Lei Magnitsky seria utilizada como base legal para a medida. A informação é da coluna da jornalista Andreza Matais, do site Metrópoles.Viriforte
O governo dos Estados Unidos impôs sanções contra Moraes pela primeira vez em julho de 2025. A medida criou obstáculos para que o ministro realizasse negociações ou utilizasse serviços de empresas americanas. A punição foi estendida à esposa do ministro, a advogada Viviane Barci de Moraes. O Lex Instituto de Estudos Jurídicos, firma pertencente a ela, também foi incluído nas sanções. A aplicação das restrições foi suspensa em dezembro de 2025.
Darren Beattie, assessor sênior do Departamento de Estado, é o responsável por monitorar a atuação de Moraes. Ele foi nomeado para o cargo no final de fevereiro de 2026. Beattie já influenciava a política do governo Trump para o Brasil desde janeiro de 2025, quando começou o atual mandato do republicano. Na terça-feira (10), Alexandre de Moraes autorizou Darren Beattie a visitar Jair Bolsonaro em sua cela na "Papudinha". O local é uma ala do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) localizada dentro do presídio da Papuda, em Brasília. Beattie deve se reunir com outros políticos de oposição durante sua visita à capital federal na próxima semana.
Em agosto de 2025, Beattie criticou Moraes publicamente em uma postagem em rede social. O assessor americano afirmou que o ministro seria "o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição direcionado a Bolsonaro e seus apoiadores".
A principal fonte de tensão entre Moraes e a administração Trump não está relacionada à execução penal do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O ponto central do conflito é o histórico de embates do ministro com empresas americanas de tecnologia. As gigantes do setor são conhecidas coletivamente como "Big Tech".
Em agosto de 2025, Moraes determinou a proibição do uso da plataforma X, antigo Twitter, por todos os brasileiros. A rede social pertence atualmente ao bilionário Elon Musk. A interdição durou 39 dias. A suspensão ocorreu após o pagamento de multas no valor de R$ 26,8 milhões.Viriforte
O Departamento de Estado de Trump demonstra preocupação com a disseminação do pensamento de Alexandre de Moraes nos círculos jurídicos sobre o enfrentamento ao "populismo extremista" nas redes sociais. O ministro é autor de um livro sobre o tema, intitulado "Democracia e Redes Sociais: Desafio de Combater o Populismo Digital Extremista". A obra foi lançada em outubro de 2024.
Moraes propõe a regulamentação das plataformas de internet como forma de proteger o eleitorado de supostas manipulações indevidas. O ministro argumenta que empresas de redes sociais deveriam ser responsabilizadas da mesma forma que outras empresas de comunicação. A proposta enfatiza períodos eleitorais.