sábado, 18 de julho de 2026

 Garriga, o almirante: “Esse mar é meu”

18/07/202621:58 • Atualizado

O Vice-Almirante Gustavo Calero Garriga Pires, natural do Rio de Janeiro, é um oficial general da Marinha do Brasil, possuindo três estrelas como galão. Após comandar o 2º Distrito Naval (BA e SE), vai assumir o comando do 1º Distrito Naval no Rio de Janeiro, sua terra natal. Reconhecido por sua atuação na Economia do Mar e pelo forte diálogo com a sociedade civil, é considerado um diplomata, pois soube construir relacionamentos com todas as esferas do poder e com a sociedade baiana. Segundo Aristóteles, para ser convincente você tem de aprender a conquistar as mentes com a lógica e os corações com a emoção, posicionando-se de modo a ser visto como alguém com reputação, autoridade e confiabilidade.
Foto Garriga, o almirante: “Esse mar é meu”
Foto: Gerado por IA
 
Garriga é tudo isso, sem jamais deixar de ser o que sempre foi e é: um marinheiro, que escolheu defender o Brasil pelo mar. Para garantir a nossa soberania e proteger 3,6 milhões de quilômetros quadrados da nossa “Amazônia Azul”, patrulhando as águas territoriais e interiores contra qualquer ameaça, temos a Marinha do Brasil, nosso poder naval, atuando em diversas frentes com o Grupamento de Fuzileiros Navais, tropa de elite anfíbia para garantir a defesa do nosso país tanto no mar quanto em terra, protegendo as linhas de tráfego marítimo por onde passa a maior parte das exportações brasileiras, além do combate  aos crimes ambientais e patrulhando nossas fronteiras.
Foi com esse altruísmo que Garriga Ingressou na Marinha em 1986, sendo declarado Guarda-Marinha em dezembro de 1992. É especialista em tática naval e chegou ao posto de Vice-Almirante em março de 2024. Sob seu comando liderou diversas organizações militares, como o Navio-Patrulha "Gurupá", a Fragata "União", o Navio-Escola "Brasil", o Centro Integrado de Segurança Marítima (CISMAR) e o Comando de Operações Marítimas e Proteção da Amazônia Azul. Lecionou na Academia Naval dos Estados Unidos (Annapolis) e comandou a Escola de Guerra Naval, onde criou o Curso de Extensão em Economia do Mar e Governança do Oceano, incentivando a "Economia Azul". É um Almirante Diplomata.
 
No comando do Segundo Distrito Naval destacou-se pela proximidade com o setor náutico e empresarial, recebendo o reconhecimento do povo baiano com título de Cidadão da Cidade de Salvador pela Câmara Municipal. Como vice-almirante possui três estrelas. Em breve será almirante de esquadra, quando adquirirá sua quarta e última estrela, porque esse é o seu destino. A vida de Garriga é toda na defesa de nossos mares. Segundo a Convenção das Nações Unidas dobre o Direito do Mar, os oceanos, sob o aspecto de jurisdição, dividem-se em três tipos de regimes: o Mar Territorial, faixa ao longo das costas dos diferentes países com 12 milhas náuticas (22,25 km) de largura, a Zona Econômica Exclusiva (ZEE), que se estende até a distância de 200 milhas (370,80 km) da costa e, em toda a enorme área restante, o Alto Mar.
 
No Mar Territorial, o Estado costeiro tem soberania plena sobre as águas e o fundo do mar, embora os demais países conservem alguns direitos, como por exemplo a passagem de navios. Na ZEE, o Estado costeiro mantém direitos exclusivos sobre os recursos vivos e não-vivos das águas e do fundo do mar, devendo, porém, explorá-los de forma sustentável. Quanto a pesca, deve ceder aos outros países o que exceder à sua capacidade de exploração. No Alto Mar nenhum país tem soberania, a pesca é praticamente livre e os recursos minerais do fundo são considerados pertencentes à humanidade, sendo sua exploração regida por uma instituição denominada Autoridade, especialmente prevista na Convenção.
 
A Plataforma Continental é geologicamente definida como a extensão submarina dos continentes, mais rasa e fisicamente distinta do fundo do mar que a sucede. Quando esta formação geológica excede os limites da ZEE, o Estado costeiro tem direito aos recursos vivos e minerais do fundo do mar na área excedente, mas não aos das águas sobrejacentes.
 
Para defender tudo isso, o Brasil tem a sua Marinha, comandada pelo almirantado. Um Almirante é o oficial da mais alta patente naval; não comanda um único navio, mas sim frotas inteiras, esquadras ou regiões marítimas estratégicas. Seu foco é o planejamento estratégico, a política de defesa e a supervisão de grandes operações. Para tanto realiza atividades essenciais em três frentes: Operações Militares, Segurança Marítima e Controle de Tráfego e Logística. Por isso, quando se encontra diante de desafios, seu único pensamento é sempre o de defender o que pertence ao Brasil, ou seja: não venha, porque “Esse mar é meu”.

Luiz Holanda

Luiz Holanda (ou Luiz de Holanda Moura) é um reconhecido jurista, professor universitário e advogado baiano, com vasta experiência em gestão pública e ensino jurídico. É autor de livros e artigos, além de ter sido conselheiro da OAB/BA e ocupado cargos importantes na administração pública.

Ao que parece, só prisões podem frear os abusos das emendas parlamentares

Charge do Aroeira (Brasil 247)

Dora Kramer
Folha

Conversando outro dia com experiente figura da República, deputado destacado na Constituinte, ministro em governos do PSDB e do PT, hoje no setor privado, ouvi que só há um jeito de levar o Congresso a cumprir a exigência de transparência no uso das emendas parlamentares: a prisão de meia dúzia de abusadores do Orçamento da União.

Falávamos sobre as mudanças nos meios de modos de se fazer política no Brasil, desde o início da abertura, nos últimos dois períodos da ditadura, até hoje quando a arte de negociação para construção de consensos foi substituída por uma era de impasses que se acumulam sem solução.

FREIO – O interlocutor em tela está longe de ser um radical, firmou-se na política como negociador na escrita da Constituição, cujo texto implicou concessões à direita e à esquerda. A proposta extrema de prisões como freio às exorbitâncias com recursos em tese destinados ao atendimento de demandas regionais da população decorre da resistência do acordo proposto em agosto de 2024 em reunião com representantes dos três Poderes na sede do Supremo Tribunal Federal.

Os termos eram objetivos: não haveria restrições ao uso das emendas, desde que cumpridos requisitos de transparência e rastreabilidade inerentes à decisão judicial de 2022, sobre a inconstitucionalidade do chamado orçamento secreto.

Pois não só houve o descumprimento, como a desobediência foi ampliada para novas modalidades de fraude —como a apropriação das emendas por gente sem mandato parlamentar— e a retomada parcial (ainda) da destinação de verbas sem identificação.

ILEGALIDADES – A hipótese de condenações e prisões não é um devaneio autoritário. Pode vir a ser consequência do resultado de algumas das dezenas de inquéritos que correm no STF para apurar ilegalidades cometidas por deputados e senadores.

Fica, contudo, a dúvida sobre a eficácia presumida pelo experiente espectador das coisas da política sobre se seria fator de inibição das práticas obscuras ou o deflagrador de novo impasse entre os Poderes da República.

PF diz que em 2000 Jaques Wagner já estava enriquecido através da corrupção

Para 61,2%, caso Jaques Wagner prejudica campanha de Lula

Lula não liga para corrupção e continua apoiando Wagner

Aguirre Talento
Estadão

O senador petista Jaques Wagner (BA) tentou efetuar a venda de uma extensa propriedade por R$ 15,8 milhões um dia depois de ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de recebimento de propina do Banco Master.

A transmissão do imóvel, porém, foi barrada pelo cartório de registro de imóveis, que recebeu uma ordem de bloqueio de bens assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

SEM COMENTÁRIOS – Procurado, o senador disse, por meio de seus advogados, não haver irregularidades, mas não explicou os detalhes do negócio.

“A defesa do senador Jaques Wagner esclarece que ele não se manifestará sobre condutas que não sejam sobre sua campanha eleitoral. Todos os demais assuntos estão e continuarão sendo tratados judicialmente. Todos os fatos apurados são públicos e com registros públicos. Não há mínima irregularidade e nem nada a esconder”, afirmou o advogado Pablo Domingues.

Wagner também havia acertado a venda de um segundo imóvel por R$ 10 milhões, o apartamento dele em Salvador, em transação protocolada em cartório uma semana antes da operação da PF. Com a ordem de André Mendonça, o negócio também foi bloqueado e a transmissão de propriedade na matrícula do imóvel não foi autorizada pelo cartório.

MILHÕES EM CAIXA – Mesmo com a ordem de indisponibilidade dos imóveis, Wagner já recebeu ao menos R$ 12 milhões pelos negócios. Ele deixou o posto de líder do governo Lula no Senado após a operação da PF, por pressão do Palácio do Planalto, e atualmente é pré-candidato à reeleição para o cargo de senador.

O Estadão obteve cópia da documentação com detalhes desses negócios, registradas em cartórios da Bahia. A PF cumpriu busca e apreensão contra o senador na nona fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 18 de junho.

Um dia depois, em 19 de junho de 2026, o senador protocolou no 1.º Ofício de Registro de Imóveis de Camaçari um contrato de compra e venda de um terreno de 51 mil m², que ele havia comprado em 2000.

CLUBE BAHIA – A área pertencente ao senador está localizada na Região Metropolitana de Salvador e foi vendida a uma empresa que tem como sócio o Grupo City, dono da SAF que comanda atualmente o Esporte Clube Bahia, em conjunto com empresas do ramo imobiliário. A previsão é que o terreno faça parte de um empreendimento imobiliário que vai funcionar em anexo a um novo centro de treinamento do clube.

Questionada sobre a transação, a diretoria do Bahia afirmou que foram comprados terrenos de cinco proprietários diferentes na região, com critérios de mercado, e disse ainda que o bloqueio não vai prejudicar a construção do empreendimento.

A Polícia Federal apura também que Wagner solicitou ao então sócio do Banco Master, Augusto Lima, a compra de um apartamento de alto luxo em Salvador. O imóvel efetivamente foi comprado por uma empresa em nome de laranja, com recursos enviados pela corretora Reag, suspeita de participar em conjunto dos crimes financeiros do Banco Master.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
O mais interessante da matéria é saber que Jaques Wagner já tinha enriquecido ilicitamente em 2000, há 26 anos, portanto, mas só agora estão descobrindo as falcatruas da família, que já contaminou a nova geração, porque o apartamento de luxo está no nome da filha dele. O senador pode ser comparado a Geddel Vieira Lima, o grande mestre da corrupção na Bahia. (C.N.).

 Política

Moraes impede Milei de visitar Bolsonaro: Decisão esdrúxula ganha relevância internacional e revela algo assombroso

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de suspender visitas com finalidade político-eleitoral ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) inviabiliza o encontro solicitado pela defesa do ex-chefe do Executivo com o presidente da Argentina, Javier Milei.

A visita estava prevista para 25 de julho, data em que o líder argentino também participará da convenção nacional do PL, em São Paulo, para declarar apoio à candidatura presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).ão de Moraes revela algo assombroso: A condição de refém do ex-presidente Jair Bolsonaro. Nenhuma decisão tem qualquer preocupação com a legalidade, mas tão somente com questões políticas para proteger o atual regime brasileiro.

Jornal Grande Bahia

 

“Já o li esta manhã” | Por Luiz Holanda

Jamais fui íntimo do ex-governador e ex-senador Antonio Carlos Magalhães. Tampouco privei do círculo de amigos que o visitava todos os domingos, pela manhã. Sempre o achei atencioso e delicado comigo, sem, contudo, termos qualquer intimidade. Como seus adversários diziam tratar-se de um homem que mudava de comportamento conforme as circunstâncias, nada mais natural do que agir com prudência, sem me aproximar demasiadamente de sua pessoa nem tentar fazer parte do grupo de sua compadrice.

Comovia-me, porém, a sua gentileza. Senti, como todo ser humano, o seu pranto  durante a missa de sétimo dia em memória do seu filho, Luís Eduardo Magalhães. Durante a vida inteira ele o preparara para ser presidente da República. Ao me aproximar para dar-lhe as condolências, ele – chorando copiosamente-, disse-me que guardaria para sempre o artigo que eu escrevera sobre o fatídico acontecimento, publicado no jornal Tribuna da Bahia sob o título “A morte não ganha da vida”.

Por sua indicação assumi diversos cargos na administração estadual, entre os quais o de Superintendente Parlamentar na Assembléia Legislativa da Bahia. Certo dia, em visita àquela Casa, adentrou no meu gabinete à minha procura. Como não me encontrou, deixou recado para que eu o visitasse no “Correio da Bahia”. Lá chegando, na manhã seguinte, anunciou que iria me indicar para assumir a função de conselheiro no Conselho Estadual de Eduacação, órgão integrante da Secretaria de Educação do Estado da Bahia.

Quando lhe perguntei se teria que deixar o cargo de Superintende da Assembléia Legislativa, ele me respondeu que não, e que estava me indicando porque eu era um “intelectual” e que iria ganhar uns “jetonsinhos”. Certa feita me chamou em seu gabinete para tratar de um assunto relacionado à Assembléia. Tão logo me apresentei, a secretária pediu-me para aguardar porque ele iria atender  a um determinado governador em visita ao nosso estado. Qual não foi minha surpresa ao ser recebido imediatamente, deixando o governador à espera. Preocupado, disse-lhe que aguardaria ele atender, primeiramente, o governador. Resposta: “Ele pode esperar”.

Dificilmente eu poderia compreender uma personalidade acostumada a exercer o poder e ser, por temperamento, extremamente complexa, pelo menos para mim. Daí o meu cuidado em nunca demonstrar qualquer intimidade. Tratava-o com todo o respeito e reverência, sempre dentro das regras do trato social. Considerando que sou uma pessoa reservada e pouco afeita à efusividade, vez por outra rememoro -intimamente-, certos acontecimentos que tiveram algum significado em minha modesta existência,  principalmente as manifestações dos meus leitores, entre os quais o velho ACM, que, sempre quando me encontava dizia,  com aquele jeito que lhe era peculiar: “Já o li esta manhã”.

*Luiz Holanda, advogado e professor universitário.