terça-feira, 5 de maio de 2026

 

PONTO DE VISTA: Guerra 

sem solução

Por Luiz Holanda


Tribuna da Bahia, Salvador
05/05/2026 06:00
2 horas e 8 minutos

Não há nenhuma dúvida que a guerra no Irã afeta o mundo. O que se discute no momento são a sua duração e as consequências. Existem duas maneiras de solucioná-la: a primeira seria a via diplomática, mas o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não a deseja, a menos que o Irã se renda incondicionalmente. A abertura do estreito de Ormuz, passagem de navegação comercial por onde passa cerca de 20% da produção do petróleo mundial, parece resistir a essa pretensão. A outra solução seria o extermínio de uma civilização inteira “para nunca mais ser trazida de volta”, conforme o desejo de Trump. Nervoso por ter sido influenciado por Benjamin Netanyahu, que o convenceu a invadir o Irã juntamente com Israel sem objetivo aparente, ambos imaginavam uma rápida queda do regime dos aiatolás, mas essa aposta não se concretizou.

A consequência imediata foi o abalo na economia mundial com o aumento do barril do petróleo Brent, que era negociado por cerca de 70 dólares no fim do ano passado. O barril passou para mais de 111 dólares logo no início do conflito. Internamente, a alta dos combustíveis fez a aprovação de Trump despencar para menos de 40%, segundo o agregador de pesquisas Silver Bulletin, em 26 de março. Hoje é maior. Do ponto de vista geopolítico, Trump iniciou uma guerra que talvez não consiga vencer, e que lhe trará sérias consequências políticas. A maioria dos analistas não consegue entender o plano estratégico de Trump,  já que, pelos altos e baixos dos seus pronunciamentos, tudo indica que não há nenhum. As justificativas dadas para a guerra continuam mudando, conforme os acontecimentos.

 O estreito de Ormuz, situado entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, separando o Irã (ao norte) da Península Arábica (ao sul), deu uma vantagem ao Irã sobre toda a máquina de guerra israelense e americana. Trump imaginava que o sucesso da operação na Venezuela, na qual forças especiais americanas capturaram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, fosse se repetir. Tampouco imaginava que o fechamento do estreito de Ormuz, que se mantém há mais de um mês, desencadeasse repercussões nos preços mundiais do petróleo e do gás. Segundo Adriana Carranca, coautora do livro “O Irã sob o Chador”, foi um erro supor que a maioria dos iranianos, que têm enfrentado a brutalidade do regime em protestos crescentes, apoiaria um ataque unilateral dos EUA e de Israel contra seu país. Foi um “engano que ignora a história do país”. Mesmo não apoiando o regime, os iranianos “não confiam em Israel nem nos Estados Unidos”. Essa também é a visão da ativista feminista iraniana Parvin Ardalan, que, numa entrevista, afirmou que o povo do Irá não concorda com a guerra, mas “Não queremos a volta da monarquia nem outra forma de ditadura. A situação atual é muito difícil porque, de um lado, somos contra os interesses geopolíticos dos Estados Unidos e de Israel, que tentam usar o povo para seus próprios interesses. Por outro lado, enfrentamos a ditadura no Irã, que há muito oprime, mata e reprime a população. Encontrar uma solução é extremamente difícil, mas precisamos nos posicionar contra essa forma de dominação vinda de ambos os lados”.

Os danos da guerra não são apenas políticos e econômicos. Além da tragédia humana com a perda de vidas, trouxe consequências ambientais muito sérias, como a contaminação do solo, da água, chuva ácida e efeito estufa, com consequência devastadoras para a economia mundial e para a estabilidade internacional. Renomados autores entendem que a continuidade dessa escalada sob o comando de Trump e de Netanyahu certamente levará a uma guerra regional que se transformará em um conflito mundial. Independente disso, a falta de fertilizantes nitrogenados, utilizados para produzir a metade dos alimentos disponíveis no mundo, vai afetar a economia global. A guerra também está impactando a cadeia de suprimentos de medicamentos e produtos farmacêuticos.

A indústria farmacêutica da Índia, a maior fornecedora mundial de medicamentos genéricos, que produz 60% das vacinas do mundo, foi afetada com o bombardeio do aeroporto de Dubai pelo Irã, importante centro de distribuição, de acordo com dados do Departamento de Comércio da Índia. Aliados alertaram que seria um grave risco entrar em guerra contra o Irã. Trump entrou, mas não sabe como sair. Foi na onda de Netanyahu, que é devotado ao princípio da sobrevivência a qualquer custo. Trump não aprendeu a lição de Sun Tzu, que, no livro “A arte da guerra”, ensina que nem sempre o confronto direto será a solução mais inteligente a ser tomada. É preciso encontrar outras formas de lidar com um problema sem que isso seja a força bruta, usando sua mente, explorando possibilidades e aprendendo a sair por cima de forma digna e criativa, pois, “A suprema arte da guerra é derrotar o inimigo sem lutar”. 

Luiz Holanda é advogado e professor universitário.

 

Penduricalhos no salário de de Messias somam mais de R$83 mil em três meses

Advogado-Geral da União (AGU), Jorge Messias. (Foto: ASCOM AGU).

Rejeitado para a cadeira de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Jorge Messias, que ainda pode se consolar chefiando a Advocacia-Geral da União (AGU), faturou mais de R$83,1 mil em penduricalhos de janeiro a março, última data disponível do seu holerite. O contracheque do “Bessias” tem como remuneração básica bruta o valor de R$78.805,71, mas o abate-teto salva o pagador de impostos de ter que bancar a fatura e morde R$$46.593,83 do montante.

Manobra

O salário de Messias foi engordado com “verbas indenizatórias” e “distribuição de saldo de horários advocatícios”.

Marajá na AGU

Os honorários extras, por ter feito o que já é pago para fazer, somaram R$77,2 mil, sendo R$35,2 mil apenas em fevereiro.

Na conta

O restante (R$5,9 mil) veio da nebulosa “verba indenizatória”: R$2,1 mil em janeiro; valor que se repete em fevereiro, e R$1,6 mil em março.

Só em penduricalhos

Messias recebeu em 90 dias o que o brasileiro levaria quase dois anos (22 meses) ganhar, considerando salário médio de R$3,7 mil (Pnad)

Presidente do Congresso, Davi Alcolumbre | Foto: Carlos Moura / Agência Senado

Congresso ainda tem 80 vetos para analisar

Ainda estão pendentes de análise no Congresso Nacional 80 vetos presidenciais. Quase todos (79) foram assinados pelo presidente Lula (PT) no atual mandato, mas um deles permanece intocado desde junho de 2022, quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vetou trechos da lei aprovada na Câmara dos Deputados e no Senado que previa o despacho gratuito de bagagens em viagens em companhias aéreas.

Prazo curto

O Congresso tem mais seis semanas de trabalho no primeiro semestre, antes do recesso parlamentar e depois só volta após as eleições.

Em tese

São 77 os vetos “sobrestando a pauta”, ou seja, deveriam ser analisados antes de qualquer outra matéria em sessão conjunta do Legislativo.

Presidente manda

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, explicou na sessão que derrubou o veto à Lei da Dosimetria: ele define a ordem da análise.

Poder sem Pudor

Quem tem votos

De Dinarte Mariz aos jornalistas Carlos Castello Branco e Murilo Melo Filho: “Eu vetara a candidatura de Aluízio Alves ao governo do Rio Grande do Norte, quando ouvi do marechal Castelo Branco, no Planalto, a advertência: ‘Lá no seu Estado, segundo estou informado, quem tem votos é o dr. Aluízio’, disse. “Não seja por isto, presidente. Se fosse só por ter voto, quem devia estar sentado aí era Juscelino (Kubitscheck), que tem muitos votos, e não o senhor, que não os tem”.

Constrangedor

A OAB fez que não viu e nem ouviu o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Luiz Philippe de Mello Filho, declarando-se “vermelho”, em um discurso que chocou e indignou juízes “azuis” de todo o País. A OAB mostra que o aparelhamento esquerdista é mais amplo do que se supõe.

Nem pensar

O jurista Alexandre Rollo disse à TV BandNews que, além da OAB, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle externo da magistratura, pode agir no caso do presidente do TST. Mas não o farão.

Não é negócio

Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP) condena a barganha com o drama dos presos do 8 de janeiro e diz que a dosimetria é um direito, “questão humanitária não se negocia”, diz o deputado príncipe.

46 vezes

A ida de Lula (PT) para encontro com Donald Trump em Washington, nos Estados Unidos, vai marcar a 46ª vez que o presidente brasileiro realiza uma viagem internacional, somente durante o terceiro mandato.

Frase do dia---“É muito bom que o povo tenha capacidade de se endividar”

Presidente Lula (PT), em mais um devaneio, ao assinar o tal ‘Desenrola 2.0’

Só coincidência

“Que coincidência!”, reagiu o ex-deputado Eduardo Bolsonaro sobre a decisão do governo Lula (PT) de proibir plataformas de previsão e apostas “logo quando disparam” as chances de vitória do irmão Flávio.

Como decide?

O furo na alfândega, na volta da viagem ao Caribe do presidente da Câmara, Hugo Motta (Rep-PB), agora está há uma semana nas mãos da Procuradoria-Geral da República, que vai decidir o destino do inquérito.

Andrei na mira

Deve dar em nada, mas o Novo acionou a sonada Comissão de Ética da Presidência e a Procuradoria da República contra o diretor-geral da PF. Andrei Rodrigues desfrutou de convescote (2024) bancado pelo Master.

Viagem perdida

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, deve ir hoje (5) à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado falar sobre o Banco Master. Como a CAE é dominada por lulistas, pouco deve sair de lá.

Pensando bem...

...o melhor programa de “desenrola” vai ficar para outubro.