sexta-feira, 17 de julho de 2026

 Paulo Preto e Daniel Vorcaro

17/07/202609:38 • Atualizado

Daniel Vorcaro deverá ter o mesmo destino de Paulo Preto, cujo nome verdadeiro é Paulo Vieira de Souza, dono da maior sentença da operação Lava Jato e apontado como suposto operador de propinas para o PSDB em São Paulo. Ex-diretor da Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa), Preto foi acusado pelo Ministério Público Federal (MPF) de ter desviado R$ 7,7 milhões de verbas de indenização para famílias que viviam no traçado do Rodoanel, obra do governo paulista. Sua pena foi de 145 anos e oito meses de prisão, mas foi reduzida para cinco anos e 11 meses em regime inicial semiaberto, após decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).
Foto Paulo Preto e Daniel Vorcaro
Foto: Chat GPT
 
Sua condenação, em 2019, foi por peculato, associação criminosa e inserção de dados falsos em sistema de informação cometidos em continuidade delitiva pela 5ª Vara Federal de São Paulo, em sentença proferida pela juíza Maria Isabel do Prado. A decisão foi publicada um dia antes de ele completar 70 anos, quando o prazo prescricional dos crimes atribuídos poderia ser reduzido pela metade. Em dezembro do mesmo ano a sentença foi anulada pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, do Superior Tribunal da Justiça (STJ), que determinou que a ação penal retornasse à fase de alegações finais. Paulo chegou a cumprir 11 meses de prisão preventiva, mas está em liberdade desde 2020.
 
Em 2023, e com o crime de organização criminosa prescrito, a juíza Maria Isabel do Prado novamente o condenou pelos outros crimes, desta vez a 142 anos e oito meses de reclusão em regime inicial fechado. O caso então foi levado para a 5ª Turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), que, por unanimidade, manteve a condenação somente por peculato. Na investigação que culminou na primeira condenação, Preto foi acusado de incluir seis funcionários da família na lista de beneficiários das indenizações pela construção do Rodoanel Sul: três babás, duas domésticas e uma funcionária da empresa de seu genro. Também foi acusado de ficar com parte da indenização que seria destinada a 11 pessoas ligadas a uma ex-funcionária da Dersa, que fez acordo de delação premiada com a Justiça Federal. Segundo o MPF, o operador do PSDB também autorizou indenizações para 1.773 famílias que supostamente moraram no traçado do prolongamento da Avenida Jacu-Pêssego, na zona leste de São Paulo. Os cadastros foram irregulares e, segundo a acusação, essas pessoas nunca viveram no lugar indicado, o que gerou um prejuízo de R$ 6,3 milhões.
 
A defesa de Preto entendeu que a a acusação ultrapassou todos os limites, motivo pelo afirmou que "A defesa reitera seu respeito às instituições, mas ressalta que decisões extremas, quando desprovidas de equilíbrio técnico, não apenas ferem direitos individuais, mas abalam a credibilidade do próprio sistema judicial. A recente decisão reequilibra esse cenário, demonstrando que o Poder Judiciário, em sua instância revisora, permanece atento às garantias fundamentais e ao princípio da justiça equitativa".  Agora deverá pedir, se ainda não o fez, a prescrição do crime.
 
Com Vorcaro deverá acontecer a mesma coisa. Preso no aeroporto de Guarulhos enquanto tentava deixar o país pelo crime de corrupção e outros delitos, como a emissão de títulos de crédito falsos e gestão fraudulenta, envolvendo bilhões de reais, seus crimes são um retrato cru da cultura de impunidade que impera na justiça brasileira. Segundo os investigadores, Vorcaro e seus comparsas criaram carteiras de crédito insubsistentes, que, no papel, representavam dívidas de créditos judiciais, mas que, na prática, não tinham lastro real. Esses ativos fictícios foram vendidos para outras instituições financeira com substituição por ativos duvidosos e sem avaliação técnica adequada. O Banco Central, ao constatar as irregularidades, decretou a liquidação extrajudicial do Master.
 
O prognóstico é de que Vorcaro poderá ser solto para regime domiciliar, segundo a leitura fria da jurisprudência de nossos tribunais e da repetição de casos assim. Figuras influentes passam alguns dias presas, depois migram para cautelares leves enquanto o tempo dissolve a indignação pública. Essa engrenagem reforça a percepção de que o sistema é suave com quem tem recursos. Em breve deverá sair uma decisão liminar de um tribunal superior que o beneficiará. O Brasil ainda é terreno fértil para a criminalidade financeira organizada. Ganhos altos, punições leves, fiscalização lenta, recuperação irrisória. Não é detalhe, é ferida aberta. O garantismo necessário serve de biombo para a conivência com fraudes gigantescas. Os casos Paulo Preto e Daniel Vorcaro se assemelham.

Luiz Holanda

Luiz Holanda (ou Luiz de Holanda Moura) é um reconhecido jurista, professor universitário e advogado baiano, com vasta experiência em gestão pública e ensino jurídico. É autor de livros e artigos, além de ter sido conselheiro da OAB/BA e ocupado cargos importantes na administração pública.


 

Esforço absurdo de Lula pela reeleição não servirá para absolutamente nada

Iotti: santo de barro | GZH

Charge do Iotti (Gaúcha/Zero Hora)

Carlos Newton

No rumo de completar 81 anos, justamente a idade que fez Joe Biden desistir de disputar a reeleição nos Estados Unidos, Lula da Silva está dedicando o que lhe resta de vida a essa tentativa de ser eleito pela última vez. Se dependesse apenas dele, nem teria se metido na candidatura. Está mais cansado de guerra do que a Tereza Batista do escritor Jorge Amado, mas ainda não pode sair de cena para aproveitar seus últimos anos. É como se estivesse condenado ao sofrimento.

Lula está tentando resistir ao tempo, mas o corpo já não responde como antes, e a vida de presidente é um saco. Audiências, reuniões, cerimônias e viagens chatíssimas que o governante tem de aturar, no Brasil e no mundo, com aquele efeito deletério do jet lag, o desgaste biológico das viagens aéreas, que inclui fadiga diurna, insônia, dores de cabeça, alterações de humor, problemas digestivos e dificuldade de concentração. Não é à toa que Lula esteja tão mau humorado e dizendo tantas bobagens.

PRIMEIRO E ÚNICO – Mas a culpa é dele mesmo, que jamais permitiu que nenhum outro petista se destacasse no partido. Pelo contrário, cortou as asas de todos os que tentaram, como Hélio Bicudo, José Dirceu, Tarso Genro e Aloizio Mercadante.

Como aquele antecessor na França, o rei Louis XV, Lula também poderia dizer que “depois de mim, o dilúvio”, frase atribuída também à Marquesa de Pompadour — aliás, um papel que cairia como uma luva para Janja da Silva, a maior incentivadora da penosa candidatura de Lula.

Homem velho, com mulher mais nova, é sempre um problema. Lula tem de bancar o durão e mostrar que é mais jovem do que parece, mas a qualquer momento pode cair no banheiro ou fazer algum papel ridículo diante do respeitável público.

SEM SUCESSOR – Como seus filhos não se interessam por política e preferiram se dedicar ao enriquecimento ilícito, Lula ficou sem sucessor.

Depois dele, ao contrário do dilúvio de Pompadour, será uma seca total. E o partido vai morrer junto com seu criador, num cortejo fúnebre que vai se estender por todo o país.

O pior é que, ganhe ou perca a eleição, Lula será sempre o grande derrotado. Se perder, já era. Se ganhar, não terá condições físicas para tocar o barco, terá de acabar cedendo o leme a Geraldo Alckmin, o falso socialista que até já tentou ser presidente, mas foi repudiado pelo povo, pois teve menos votos no segundo turno do que no primeiro, uma grande Piada do Ano.

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P.S. 1O detentor do poder será mesmo o picolé de chuchu Geraldo Alckmin, que só tem de semelhante com Lula o enriquecimento ilícito, incluindo até a merenda das criancinhas paulistas e a corrupção que resultou na inacreditável fortuna do executivo tucano Paulo Preto, aquele paulista que imitou Geddel Vieira Lima e tinha um apartamento com mais dinheiro do que o baiano. Paulo Preto pegou 145 anos de prisão, mas já está solto, como é costume no Brasil. 

P.S. 2 – Assim, a trajetória de Lula, o único presidente da República eleito no mundo sem jamais ter lido um só livro, será igual à cavalgada dos cavaleiros de Granada, celebrizados pelo quixotesco escritor Miguel de Cervantes, que saíam em louca disparada, para quê? Ora, para nada… (C.N.)

 

Governo Lula fingiu negociar e torceu pelo tarifaço

Lula (PT) e o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. (Foto: Marcelo Camargo/ABr).

O governo Lula (PT) esperou até os ‘45 minutos do segundo tempo’ para realizar qualquer negociação significativa com os Estados Unidos, no caso do tarifaço do governo americano. Além de o próprio presidente Lula antagonizar o governo Trump sempre que podia, em seus comícios pré-eleitorais, até o Ministério das Relações Exteriores, responsável pela diplomacia, passou a fazer politicagem em comunicado oficial, insinuando que forças armadas dos EUA poderiam invadir o Brasil.

Sem tempo hábil

Jamieson Greer, representante de comércio dos EUA, revelou: “reuniões construtivas” com o Brasil só começaram nas últimas seis semanas.

Esforço nenhum

Antes disso, o governo havia enviado duas cartas ao governo americano e feito só uma reunião “de alto escalão”, isto é, a visita de Lula a Trump.

Ideia única

O efeito desejado pela administração petista é que o tarifaço produza uma nova alta nas pesquisas de opinião, como ocorreu no ano passado.

Governo vê vitória

Quem vai pagar a conta do tarifaço não é o governo Lula, serão principalmente os exportadores e os trabalhadores atingidos.

Chanceler Mauro Vieira (Foto: Valter Campanato/ABr)

Oposição desconfia de corpo-mole de Mauro Vieira

Deputados não vão desistir de ouvir o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, que não deu as caras na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional e escapou de explicar algumas lorotas envolvendo Brasil e Estados Unidos. A oposição articula nova convocação e, agora, quer saber, por exemplo, se o Itamaraty soube antecipadamente que as tarifas seriam aplicadas e, mesmo assim, pouco fez, como suspeita o deputado Helio Lopes (PL-RJ), que cobrou detalhamento da negociação.

Roteiro eleitoral

Lopes diz que o governo usa o Pix para acusar opositores e inflamar discursos ideológicos nacionalistas: “grave negligência diplomática”, diz.

Motivo master

O deputado cobra explicações sobre as visitas de Daniel Vorcaro a Lula, no palácio, já que os Estados Unidos destacaram a corrupção por aqui.

Dividendos nas urnas

Outra frente já pediu ao Tribunal de Contas da União que investigue o impulsionamento de anúncios do governo Lula sobre o assunto.

Poder sem Pudor

O fogo da juventude

Eliseu Resende era candidato ao governo de Minas, em 1982, contra Tancredo Neves. Inexperiente, cometeu um erro ao criticar a idade do adversário: “Não podemos entregar o Estado a quem, numa idade provecta, não pode sustentar o peso da administração. Tancredo não passou recibo. Foi à tevê elogiar o rival e acabar com ele: “Konrad Adenauer deixou o governo da Alemanha aos 80 anos, após reconstruir o país. Já o jovem Nero...”

Lionel Bolsonaro

Nikolas Ferreira (PL-MG) fez uma analogia futebolística para explicar a exclusão de Jair Bolsonaro do processo eleitoral deste ano e comparou com uma eventual exclusão do jogador argentino Lionel Messi da Copa.

Crise de gestão

Jorge Seif (PL-SC) não engoliu “crise climática” para justificar a alta na inadimplência no agronegócio. Diz o senador que é crise de gestão, “um governo que prefere atacar quem produz a ajudar quem alimenta”.

Alô, PGR

Marcel Van Hattem (Novo-RS) levou à PGR a falta de Mauro Vieira na convocação da Comissão de Relações Exteriores da Câmara. A oposição acusa o chanceler de cometer crime de responsabilidade.

Presidente Moraes

Até o fim do mês, o Supremo Tribunal Federal funciona sob presidência do ministro Alexandre de Moraes. Moraes dividiu com Edson Fachin o comando da Corte durante o recesso do judiciário, entre 2 e 31 de julho.

Frase do dia-----“Estamos num avião sem piloto”

Flávio Bolsonaro (PL), sobre o fracasso do governo Lula no caso do tarifaço dos EUA

Só isso

Não deve ir muito além dos choramingos de Mauro Vieira a reação diplomática às falas de Marco Rubio, que culpou Lula pelo tarifaço. O petista já foi orientado a não rebater o secretário de Estado dos EUA.

Me engana que eu gosto

Segundo a rede de televisão CBS, autoridades do alto escalão do governo Trump refutaram que a alegação de que a política teve qualquer influência na decisão dos EUA de imporem novo tarifaço contra o Brasil.

Estratégia martelada

Nota da liderança do PT no Senado divulgada ontem (16) sobre o novo tarifaço dos EUA utilizou a palavra “soberania” impressionantes doze vezes. “Lula”, por exemplo, foi citado apenas duas vezes.

Criatividade master

Jaques Wagner, ex-líder de Lula no Senado que deixou o cargo após virar alvo da PF no caso Master, disse que os EUA impuseram restrições ao Brasil “por conta da criatividade da nossa gente, que criou o pix”.

Pensando bem...

...o governo Lula ama tanto de imposto, que gosta até de tarifaço.