
Charge do Zappa (Humortadela)
Carlos Newton
É uma vergonha não somente para a Suprema Corte brasileira, mas para o próprio país. Pela primeira vez na História, o mais importante tribunal brasileiro estará sendo presidido por um ministro investigado formalmente por envolvimento com um dos maiores agentes de corrupção que já surgiram aqui do lado de baixo de Equador.
Para o ministro Alexandre de Moraes, que em agosto assume a presidência do STF, o fato de estar sob investigação da Polícia Federal não significa nada, pois ele se comporta como se tivesse certeza de que sua ligação ao banqueiro Daniel Vorcaro não o atinge em nada.
MILHÕES DE MOTIVOS – Como costuma dizer o jornalista Mario Sabino, o ministro Moraes tem 129 milhões de motivos para estar preocupado, porque existem provas robustas não apenas de seu envolvimento com o corruptor Daniel Vorcaro, como também de que sua esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes, também foi cooptada em grande estilo pelo banqueiro.
Em meio a esse tremendo imbróglio do Banco Master, que vem destruindo reputações nos Três Poderes da República, é impressionante o sangue frio do novo presidente do Supremo. Ele se comporta como se nada pudesse lhe acontecer, apesar das sucessivas conversas dele com Vorcaro no dia que o Banco Master sofreu intervenção extrajudicial, as quais terminam com a aquela reveladora pergunta do banqueiro: “Bloqueou?”.
CALMA APARENTE – Segundo o jornalista Carlos Andreazza, do Estadão, essa aparente tranquilidade de Moraes se deve ao fato de que a Polícia Federal não está avançando as investigações sobre ele, a mulher e o outro ministro envolvido, o Dias Toffoli, dublê de empresário no ramo do turismo..
É inaceitável, mas absolutamente possível que a PF esteja tentando colocar uma pedra sobre essas apurações, que deveriam ser consideradas as mais importantes. Afinal, o que falta acontecer à Justiça brasileira?
Segundo o analista do Estadão, o ministro Gilmar Mendes estaria por trás dessa manobra, ao impor que “o garantismo seletivo produzisse o fechamento do ‘Estreito de Ormuz’ por meio do qual altas autoridades seriam investigadas”.
ACOBERTAMENTO – Para fortalecer sua denúncia, Carlos Andreazza lembra que Gilmar Mendes foi quem impediu que fosse quebrado o sigilo fiscal e administrativo do luxuoso hotel-cassino que o neomilionário ministro Dias Toffoli mandou construir no Paraná.
Gilmar tentou proteger o amigo Toffoli, que realmente saiu do foco dos jornalistas, mas o assunto não está sepultado. Muito pelo contrário, e a denúncia de Carlos Andreazza tem tamanha gravidade que o Estadão, cumprindo seu dever jornalístico, desde o último dia 3 está deixando em destaque no portal da internet essas afirmações do jornalista,
É exatamente o contrário do que faz hoje O Globo, que tenta boicotar e esconder o trabalho de seus melhores colunistas, como Malu Gaspar, Lauro Jardim, Bela Megale, Bernardo Mello Franco, Merval Pereira e outros, que têm criticado duramente o acobertamento de autoridades dos Três Poderes que se envolveram com o corruptíssimo Vorcaro.
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P.S. – Essa tremenda bagunça institucional me lembra um grande amigo, Fernando Aguinaga, o aristocrata que ensinou boas maneiras ao jornalista Ibrahim Sued para que ele pudesse frequentar a alta sociedade. Aguinaga, que Ibrahim chamava de “barão”, costumava dizer que no Brasil “certas autoridades enriquecidas ilicitamente têm a tranquilidade dos grandes criminosos e não ligam para investigações”. É justamente o que está acontecendo com Alexandre de Moraes, que se julga acima do bem e do mal. Mas acontece que existe também um ministro chamado André Mendonça, que é relator do processo e parece ser à prova de conluios. (C.N.)